Página Onze

Talvez fosse uma mera vontade de contradizer o pai de Luna, eu estava mais que disposta a provar para ele o quanto estava errado. Provaria o quanto minhas suposições eram verdadeiras e o ajudariam, mostraria que o progresso neste campo seria de grande valia para todos os bruxos.

Estava enfrentando um obstáculo que, sabia eu, pouquíssimos bruxos haviam conseguido superá-lo. Eu estava certa que conseguiria. Estava certa.

Designei uma outra equipe para acompanhar os avanços de Lovegood assim que saí do quarto. Fumegava de raiva à simples lembrança da conversa. Ele apenas não aceitou minha ajuda, como também condenou os métodos que usei, dizendo serem perigosos para um bruxo. Apesar de ter me afastado de Lovegood, não parei com as pesquisas.

Eu provaria que estava certa.

Arrastei a cadeira para trás e fui em direção a estante de livros. Na última semana separei alguns livros de madame Pomfrey: Magia do Sangue; Parentes de Sangue e Azarações Relacionadas. Até os trouxas sabiam que magia de sangue era algo a ser temido. Todavia, eu precisava compreender o modo que os bruxos viam os feitiços consangüíneos para agir com mais cautela. Compreendendo a visão deles, eu saberia como proceder e agir de agora em diante.

Os livros eram interessantes. Não se tratavam de Artes das Trevas, como jugüei a princípio, eram mais voltados para heranças, poderes hereditários, afins. Testaria os exemplos de poções descritas neles para adicionar aos meus relatórios, posteriormente.

Uma batida na porta tirou-me a atenção do trabalho. "Entre."

"Hermione?"

Ergui a cabeça assim logo reconheci a voz suave. Luna estava parada à porta, cautelosa em entrar.

"Entre, Luna" - convidei. Não havia percebido o quanto senti a sua falta. Ela fechou a porta logo atrás de si, e me encarou silenciosa. Senti sua relutância em falar primeiro, mas para ser sincera comigo mesma, o descontentamento que sentia pelo pai de Luna não se estendia a ela. "Você está bem?"

Ela sorriu-me tímida, ajeitou o cabelo atrás da orelha, escolhendo, visivelmente, suas palavras. No entanto, eu não as queria ouvir, sabia de antemão qual seriam elas: desculpas. Antes que ela falasse qualquer coisa, puxei-a para a cadeira mais próxima, ao meu lado.

"Você não me deve desculpas, Luna. Sei que não teve nada a ver com a decisão do seu pai, eu vi. Eu me sinto ofendida, mas também o ofendi, então não existe mais nada a se justificar... eu-"

"Eu te devo desculpas sim. Acreditei que papai pudesse gostar de saber o que tínhamos feito até agora. Sempre fomos contra todos os preconceitos, abrimos mão de fatos importantes para a sociedade para mostrar na nossa revista o que achamos interessante. Preconceito nunca fez parte da nossa vida, pelo menos, não entre nós dois, dentro de casa. Eu não o entendo..."

Eu, ao contrário de Luna, o entendia perfeitamente. Não era o fato de ser contra o preconceito geral da sociedade, era o próprio preconceito em si. Ser da esquerda, mostrar o que todos pensam ser bobagem como manchete de jornal os fazia ser ridicularizados por todos, mas pelo o que eu conhecia, Xenofilio Lovegood nunca se importou com isso. O preconceito maior era dele mesmo.

Medo, eu tinha quase certeza, era a palavra certa para defini-lo no momento.

"O que você vai fazer agora"? - Luna me perguntou.

Olhei para ela, antes de responder. "Eu não desisti das pesquisas. Estou em um estágio avançado, falta pouco para encaixar todos os detalhes restantes. Não vou desistir faltando tão pouco."

Ela afirmou ante minha determinação. "Eu vou tentar convencer o meu pai, Hermione. Ele tem que ouvir a voz da razão. O que os curandeiros estão fazendo de nada adiantaram, apenas continuaram com os mesmos procedimentos que você estava fazendo. Nada mudou, nada melhorou. Ele está estável, mas tudo indica que pode regredir de uma hora para outra se nada for feito..."

"É bom saber que confia em mim, Luna." - disse com sinceridade, um calorzinho gostoso dançando no peito. "Eu ainda vou precisar de sua ajuda, se quiser me ajudar."

O abraço que Luna me deu, foi sua resposta positiva ao meu convite. Um abraço forte, intenso. Dessa vez, foi eu quem procurou os lábios dela, e fui aceita sem resistência. Não havia dado conta do quanto senti falta do beijo de Luna até senti-lo outra vez.

Continua…


Obrigada: Milo-sama! Bem, agora estamos na reta final. Só falta mais dois capítulos.

Próximo Capítulo: começa o preparo da difícil poção.