Capítulo 12 – Heart Open

Era uma noite calma e silenciosa; o som do vento e das ondas eram as únicas coisas que Rumple podia ouvir. Ele se encontrava sentado na praia, olhando as pequenas ondas do mar que quebravam na areia. A lua não estava cheia essa noite, de modo que a praia só estava iluminada pelas luzes distantes do píer. Ainda assim ele estava gostando de estar ali, gostando do silencio, da solidão e até mesmo da escuridão.

Sua perna já não mais doía e isso de certa forma permitia que novos sentimentos o invadisse, a dor apenas atrapalhava seus sentidos e seus sentimentos. Agora ele estava livre, livre da dor, livre do passado, mas também estava só... Pois havia libertado Belle. Ele respirou fundo, se levantou, limpando a areia que havia ficado em sua calça e caminhou em direção ao píer, por onde vagou sozinho, até que alguém chamou sua atenção.

Não era algo, na verdade, era alguém. Alguém encostada na cerca de madeira, olhando para o mar negro a sua frente. Alguém que ele não conhecia tão bem, mas que de certa forma tinha uma ligação, ele só não sabia o quão intima – e antiga – era essa ligação.

"O que faz sozinha há essa hora?" Rumple perguntou, para Selene, que se virou e olhou surpresa para o homem ali ao seu lado, ela olhou para a sua perna, notando que ele não mais precisava da bengala e franziu o cenho, surpresa com a cena. Rumple acompanhou seu olhar, mas não ousou dizer nada.

"Pensei em caminhar por ai, queria ficar sozinha." Ela respondeu, ajeitando melhor o casaco que usava e tirando os cabelos loiros da frente de seus olhos.

"Entendo." Ele respondeu, percebendo que mesmo estando de casaco, ela ainda assim sentia frio. Então o homem tirou o próprio casaco e se aproximou dela, estendendo o próprio casaco para ela, Selene pareceu confusa com o gesto, mas permitiu que ele a cobrisse.

"Obrigada." Ela disse a ele verdadeiramente agradecida e olhando para ele com um ar de curiosidade. O homem agradeceu com um aceno de cabeça e Selene o viu se afastar, ela balançou a cabeça em confusão e o chamou pelo nome. Ele se virou, encarando a estrela ali, ainda encostada na cerca do píer. Ela caminhou em direção a ele e ficou a sua frente em silencio, calculando o que diria a seguir. "E você?" ela perguntou, percebendo logo em seguida que não era isso que ela queria perguntar.

"E eu?" ele perguntou de volta a fazendo rir.

"O que você faz aqui há essa hora?" ela completou e dessa vez ele sorriu e ela viu algo em seus olhos e naquele sorriso triste, que jamais havia visto nele. Ele estava diferente, ele era outra pessoa, ou talvez ele apenas tivesse tirado a mascara que usava.

"Eu também precisava ficar sozinho." Ele respondeu e Selene pensou em deixar que ele fosse embora, mas acontece que havia tantas coisas que ela gostaria de falar com ele. Principalmente sobre Belle e Ruby, mas ela não sabia se devia pisar nesse campo minado sem um plano.

"Como está Belle?" ela perguntou e o homem pareceu confuso com a pergunta, mas sorriu e respondeu a garota a sua frente.

"Eu espero que bem." Ele respondeu e a estrela balançou a cabeça em confusão.

"Como assim?"

"Bem, ela e eu não estamos mais juntos... Eu não a fazia bem de qualquer forma, então acredito que ela esteja melhor agora." Ele respondeu e Selene percebeu que a resposta que ele a dera, era mais para si mesmo do que para ela. Então ela não ousou questionar mais nada. "Sei que você é muito nova nessa cidade pra saber do meu passado com Belle." Ele continuou novamente, Selene apenas o ouviu. "Mas bem, agora já não tenho mais nada a dizer. Apenas que nossa historia acabou, apesar de que eu sinto que só fui eu que fechei o livro agora... Ela, porém, já havia esquecido há algum tempo que uma vez nós tentamos escrever nossa historia juntos." Ele conclui.

"Talvez você possa começar uma nova, não é mesmo?" Ela perguntou, dando de ombros.

"Talvez." Ele respondeu, olhando para a garota a sua frente. Era tão estranho, pois ele via uma garota, mas ouvia uma mulher. Isso o incomodava, incomodava aponto de querer conhece-la melhor. "Assim como você está fazendo agora em Storybrooke?" ele insiste e ela ri, enquanto começa a caminhar, ele a segue e os dois andam pelo píer, um ao lado do outro. Sem um rumo definido, apenas andando juntos.

"Você sabe que eu não ficarei aqui muito tempo." Ela respondeu, mas ele não diz mais nada. "Eu tenho que ir embora, depois que essa criança nascer." Selene continua e novamente ele não diz nada. "E eu sei mais do que você acha que eu sei... Eu sei muito mais." Ela continua e agora eles param, diante de um banco, Rumple olha para ela, esperando que ela falasse mais algo, mas ao invés disso ela apenas sentou no banco e esperou que ele acompanhasse.

"Ah, é? E o que sabe?" Perguntou ele, enfim, e a garota se encostou ao banco e se aqueceu melhor no casaco que ele havia entregado a ela.

"Por que não fazemos o seguinte? Eu te conto tudo sobre mim e sobre o que eu sei e você me conta sobre você..." ela diz, o homem olha para ela e depois para o céu.

"Parece uma conversa grande." Ele responde.

"Bem, você não tem mais ninguém te esperando em casa." Ela diz e ele concorda com a cabeça.

"Então por que não continuamos essa conversa na minha casa?" ele pergunta e se levanta, oferecendo a ela sua mão, ela hesita em segura-la e olha para o rosto do homem a sua frente, trazendo para a sua memoria a primeira vez que ela o viu.

Da sua pele verde e sua voz carregada daquele sotaque forte, mas ele não era mais aquele monstro do passado. Diante dela havia um homem e ele não podia ser de todo mal, caso contrario Belle jamais teria se apaixonado por ele uma vez. Ela então sorriu para o homem e aceitou o convite, seguindo com ele para a sua casa.

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Belle estava diante do 'Granny's', ela podia ouvir o barulho da musica, ver as luzes acesas e ouvir as vozes das pessoas dentro na lanchonete. Mas também podia ouvir os próprios pensamentos, podia ouvir sua própria insegurança e seus medos. Por isso então ela deu meia volta e caminhou em direção ao lugar que mais lhe dava segurança em toda essa cidade: Voltou para a biblioteca e para o seus livros.

Havia vários livros espalhados pelas mesas, ela não tinha tido tempo de organizar tudo, então pegou um por um e caminhou com algum deles em direção as prateleiras, onde os guardou. Na medida em que fazia isso, sentia-se como se também organizava seus pensamentos. Sentia-se mais leve, apesar de que ainda podia sentir seus medos, bem ali, apenas esperando a hora certa de se sobressair.

"Belle?" Perguntou uma voz, era Ruby, Belle se virou para a garota, que se encontrava parada diante da porta. Belle não disse nada, a morena então fechou a porta atrás de si e caminhou em direção a Belle, que acabara de guardar o ultimo livro na prateleira. "Eu senti o seu perfume." Ruby continuou a dizer e Belle sorriu em resposta, colocando em seguida uma mexa atrás da orelha. "Vi então as luzes acesas e resolvi ver se você estava bem... Rumple não deixou você vir à festa?" A morena insistiu e Belle balançou a cabeça, deixando a morena confusa. "O que foi então?"

"Rumple e eu não temos mais nada." Belle respondeu, ignorando a pergunta de Ruby, em resposta a morena apenas abriu a boca, mas não disse nada, pois Belle continuou a falar. "E então eu resolvi vim pra cá. Eu queria muito ter ido te ver, mas... Eu não sei, acho que eu não tive coragem o suficiente pra enfrentar meus medos." Completou Belle a garota que nada disse, apenas abaixou o olhar, ela entendia os medos de Belle, ela entendia, pois também os sentia. Mas também sentia algo maior, algo maior que todo esse medo, ela sentia algo por Belle que jamais sentira e provavelmente jamais sentiria por nenhuma outra pessoa.

Por sentir todo esse amor, Ruby preferia lhe dar espaço, preferia deixar com que a garota decidisse a hora certa de dar uma chance a elas duas.

"Vou te deixar sozinha, então." Ruby disse, sua voz soou hesitante, pois ela não queria deixa-la sozinha, ela queria ficar ali com ela, queria leva-la para sua casa, queria ficar com ela a noite toda e ajuda-la a superar seus medos e suas preocupações. Belle por sua vez queria o mesmo, queria poder abrir o coração facilmente e permitir que Ruby o invadisse.

Mas a verdade era que Ruby já estava nele, não havia nenhuma parte de Belle que não amasse aquela garota, não havia nenhuma parte que não a quisesse.

"Não vá." Belle disse, quando Ruby se virou para ir embora, a morena então parou onde estava e Belle caminhou em sua direção. Seus passos eram hesitantes, seus passos eram lentos, pois parecia que seus medos ficavam maiores à medida que Ruby ficava mais perto. "Eu não quero que você vá." Belle continuou, a morena esperou que ela continuasse, mas tudo que Belle fez foi se aproximar mais e tocar nos lábios da morena com os seus.

Foi um beijo breve, Ruby quase não teve tempo de sentir o gosto dos lábios da garota. Belle quebrou o beijo e se afastou, olhando para Ruby a sua frente. Ruby apenas sorriu com o gesto e tocou gentilmente com as costas dos dedos no rosto de Belle. Ela fechou os olhos quando Ruby se aproximou e a beijou novamente, nessa vez no canto da boca e Belle sentiu seu corpo exigir por mais contato, de modo que então se aproximou da garota a sua frente, permitindo então que não houvesse mais nenhum espaço entre as duas.

Quando seus lábios se tocaram pela segunda vez, já não mais havia todo o medo e insegurança de antes. Dessa vez Belle estava completamente entregue, dessa vez ela queria que Ruby a sentisse por completo, sentisse o rosto dos seus lábios, o calor do seu corpo e todo o amor que ela sentia por ela naquele momento.

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Regina ligou o carro, pela segunda vez e pela segunda vez o carro não deu sinal de vida, deixando rainha bem irritada. Ela saiu do carro, abriu o capô do veiculo e olhou para o motor, balançando a cabeça em sinal de nervosismo, quando sua magia não pôde trazer o carro de volta a vida.

Ela bufou irritada e começou a andar pela rua, enquanto buscava na sua agenda o telefone de um taxista.

"Regina?!" Gritou Emma, correndo em direção à prefeita, Regina desligou o celular, quando Emma se aproximou.

"Algum problema?" Regina perguntou e Emma pareceu confusa com a pergunta.

"Eu que te pergunto isso, você está indo a pé. Algum problema com o seu carro?" Emma perguntou, Regina apenas balançou a cabeça e disse que não era nada. "Você quer uma carona?" Emma insistiu e Regina abriu a boca para respondê-la, mas apenas olhou para onde Emma apontava. Para o seu fusca amarelo parado em uma esquina.

"Não, obrigada." Regina respondeu, em um tom de voz carregado de um desdém que fez com que Emma revirasse os olhos em irritação.

"Qual é, Regina. É tarde da noite, você não ficar aqui esperando um taxi sozinha. Vamos, eu te levo." Emma continuou a dizer e se virou, caminhando em direção ao seu fusca. Regina a viu se afastar, olhou para o celular, que ainda estava na parte da agenda e olhou para o numero que deveria ligar. Elevou então olhar para Emma, que agora se encontrava ao lado de seu fusca, e respirou fundo, então engoliu o orgulho e caminhou em direção a Emma.

"Você parece nervosa." Emma disse, assim que entrou no carro, Regina não respondeu, apenas deu a volta no veiculo e ficou parada ao lado da porta do passageiro. Emma se inclinou dentro do carro e olhou para a prefeita pelo vidro do carro. "Não vai entrar?" a loira perguntou e Regina pareceu confusa com a pergunta.

"Não vai abrir a porta para mim?" Regina a questionou e a expressão de Emma foi de confusão e irritação.

"Você não sabe fazer isso sozinha?" Emma perguntou e sua voz saiu carregada de irritação, mas ao invés de esperar uma resposta, a loira apenas saiu do carro e contornou o veiculo, abrindo a porta para a mulher.

"Vejo que você não é de todo modo mal educada." Regina disse, entrando no veiculo. "Apesar de que eu estava me referindo a você abrir a porta por dentro, já que ela estava travada." Continuou a prefeita, Emma ainda estava parada diante da porta do fusca, olhando pra a mulher que se ajeitava no banco e olhava para dentro do veiculo com cara repulsa.

"Você quer que eu te ajude a colocar o cinto também, Regina?" Emma perguntou, a morena não teve tempo de responder que não precisava, pois a loira já estava se aproximando dela e se inclinando em sua direção. Emma puxou o cinto e o travou logo em seguida, mas fez isso devagar, devagar o suficiente para ficar tempo o bastante em contato com a prefeita. Isso incomodou Regina, mas não de uma forma ruim, a incomodou de uma forma que ela não soube explicar.

Ter aquela mulher ali a sua frente, tão perto de si era estranho. A proximidade a deixava confusa, o perfume da loira a deixava confusa, tudo em Emma a confundia ou tornava algo de si mais claro. Regina não sabia dizer.

"Pronto?" Emma perguntou; se afastando da prefeita e fechando a porta do passageiro. Regina acompanhou Emma com os olhos, a viu dar a volta na frente do fusca e sentar-se no banco do motorista.

"Eu espero que você saiba dirigir bem essa coisa." Regina disse a Emma, em um tom defensivo, a loira riu da observação e ligou o carro. "Espero que também não tenha bebido muito e que saiba o caminho da minha casa."

"Você espera muito dessa pequena viagem, não é mesmo?" Emma respondeu, olhando pra morena ao seu lado, que não respondeu nada, apenas engoliu a seco e ajeitou o cinto ao corpo. "Não se preocupe, eu sei muito bem o caminho da sua mansão." A loira continuou e as duas ficaram em silencio o resto da viagem, até que o fusca amarelo da xerife parou diante da mansão e Emma desligou o carro, se virando para a morena ao seu lado. "Viu? Não foi tão ruim assim." Emma disse a Regina, que sorriu de lado e agradeceu a carona. "Posso mandar alguém ver seu carro amanha de manha e traze-lo para você."

"Ah sim, obrigada." Regina respondeu. E o 'obrigada' saiu tão naturalmente que ela até se espantou, Emma também estranhou a gratidão da prefeita e riu com a resposta. "É estranho, não é?" Regina perguntou, enquanto soltava o cinto de modo a sentar-se de frente a Emma.

"O que?" Emma questionou, confusa.

"Me ver assim... tão..."

"Normal?" Emma concluiu a frase pra ela, Regina apenas concordou. "Eu sei que você não é de todo o mal, Regina. Eu conheço você."

"Me conhece?" Regina perguntou, arqueando a sobrancelha.

"Nós não somos assim tão diferentes uma da outra." Emma continuou e Regina apenas sorriu com a observação e abriu a porta do carro.

"Acho que eu te vejo no jantar." Regina disse, se inclinando na janela do fusca, Emma concordou com a cabeça e observou a morena caminhar em direção a sua mansão. Regina abriu a porta e se virou uma ultima vez, a tempo de ainda ver Emma sentada em seu fusca a esperando entrar.

Regina suspirou fundo, pela primeira vez em anos a noite não tinha sido de modo alguma solitária, tudo graças a Emma que a convidou para aquele lugar. Com esse pensamento ela então sorriu e entrou logo em seguida, enquanto dizia em pensamento para si mesma: 'Boa noite, Emma. Até amanha', mal sabia ela que quando Emma ligou seu carro e dirigiu para o apartamento que dividia com seus pais, ela também lhe desejou boa noite e também esperava ansiosamente para se encontrar com ela no dia seguinte.