Cap. 13

Through The Looking Glass

Cameron já estava deitada, com a tv ligada em Amelie Poulain e pronta pra descansar. Ela tinha acabado de deixar os seus óculos no criado mudo, e estava pensando no seu fabuloso destino. E teve q deter estes pensamentos, pois a porta do seu apartamento estava sendo destruída...Seria algum incêndio...ou...Ela levantou atarefada, colocou seu chambre e correu pra abrir a porta....

- House?

- Quanto tempo você demora pra abrir uma porta?

-O q me impressiona é você continuamente conseguir entrar sem ser anunciado...

- São vantagens de ter uma bengala e muito charme...e um consierge corrupto.. O teu antigo apartamento era bem mais fácil de chegar... Esse aqui...ohh..eu sempre me perco por estas ruas...

- Sim, pq eu sempre te convido pra vir aqui...

- Eu não preciso de convite, você sabe?

Ela fechou um pouco a porta se defendendo daquele olhar.

- Eu preciso falar com você...- House disse-.. Mas antes me deixe ver as tuas mãos rápido pra ver se eu cheguei a tempo!!!

- O q é isso? ...- mesmo desconfiada as mostrou...-

- Bem...Pelo menos você não casou...noivou...vendeu seu corpo...

- Eu tenho ate medo de perguntar a relevância desta pergunta a esta hora....

- Você vai ver, eu sempre te salvo das enrascadas e....- ele olhou mais fixamente para dentro do apartamento e seu rosto se transformou..um traço de temor-....Onde está o espelho?

Cameron não o compreendeu e ele entrou sem cerimônias, se prostrando na frente da mesa de jantar.

- No seu antigo apartamento, você tinha um espelho aqui...- e apontou para a parede, onde agora havia um óleo bastante influenciado por Gauguin-...

- Sinceramente, você não está fazendo sentido hj...

- Aquele espelho veneziano, cheio de flu flu nas bordas....Tenho certeza que você tinha um...- falou num tom talvez frustrado-...

- Ta, eu não vou procurar entender... Eu tenho um, você não se confundiu... Ele está no meu quarto atualmente..- e apontou para o corredor-...

O médico não a deixou terminar a sentença e adentrou pela casa, rumo ao cômodo mencionado.

Um sorriso de triunfo surgiu-lhe ao ver o espelho, era exato aquele de seu sonho. Cameron o seguiu e ficou parada na porta. Ela conseguiu ouvi-lo dizer:

- Boas recordações...- e tocou no espelho. Vendo a médica de relance e percebendo q o espelho estava a uma distancia desfavorável da cama-...Eu gostaria mais naquela sala, no seu lugar prévio... Aqui talvez funcione se você arrumar o ângulo dele...

E antes q ela pudesse sentir a malicia, ele deixou claro o referencial para o novo ângulo q ele falava. Sentou na cama, deu umas batidinhas no colchão e levantou ambas as sobrancelhas num apelo de segundas intenções.

Cameron riu. Ele só podia estar brincando...como sempre. E se ela pagasse pra ver?

Entretanto não conseguia nem pensar em chegar mais perto. Apenas não conseguia, tinha medo de uma rejeição ali. Hj o dia tinha sido cansativo o bastante. E ouvia a voz de Wilson xingando-a. Ela desviou a atenção para o filme que passava na TV.

- É um filme maravilhoso..este...- Cam fez sua boa critica-...Você deveria vê-lo...

- Eu não confio em legendas...Nem em franceses...-ele falou ainda com bom humor-..

Mais uma faceta de House q ela conhecia.

-Ok, Martha Stuart, eu vou anotar suas dicas de decoração em relação a meu espelho...Mas o q você quer falar comigo?

- Hum... Sim...Deixei minha mochila na sala...Venha... Quero te mostrar algo... Deliciosamente "I told you so"...

E assim sucedeu, em cima da mesa, a pasta estava aberta, a mesma pertencente ao PI no começo do dia. Cameron olhou tudo, folheou as anotações e vislumbrou as fotos.

- E daí?- disse ela calmamente.

House não esperava aquela reação.

- Como assim, e "daí"? Eu não aumentei o bastante as fotos pra você vê-lo com a honrada esposa dele? Os cartões de natal com os dois filhos não são bastante ilustrativo pra você? Ou agora está tudo bem pra você ser a Messalina?

- Eu já sabia... Eu terminei com ele está tarde...Nao exclusivamente por isso, mas grande parte por não querê-lo ver de novo...

- Como?....- ele não se agüentava de curiosidade-.. Ele te falou?

- Não..

- Como?...- ele repetiu com mais ênfase-...

- Você irá desejar o credito..dizendo q a percepção foi herança do meu trabalho com você...Eu digo q é sexto sentido feminino...Pequenas coisas... Várias desculpas.. Sentimento de algo errado, escondido..Não se encaixa... Ele não me levou no apartamento dele..nem quis ir no meu...Preferiu algo retirado... Celular sem ser atendido... Restaurante q não era conhecido... A família dele sempre gostou de mim...Fácil podíamos ter ido visitar alguém.. Houve promessa e desculpas esfarrapadas da razão de não irmos... Aquela ânsia de estar comigo..nao comigo..mas com um passado dele... Algo no presente dele q não se encaixava...Por que me procurar só agora? Algo tinha mudado...

- Ahhh...Mas eu falei isso!!! Se você tivesse me ouvido...E o q você disse? Achou uma aliança? Ele chamou o nome da mulher na cama? Citou como o Litlle Joe é bom no baseball?

- Não...Aquilo não fazia sentido pra mim, e eu disse.. Ele não quis compreender... E por instinto..Eu disse q sabia dela...Ele empalideceu...Eu blefei. Joguei. Ganhei. Ele admitiu tudo... Falei q se ele se aproximasse de mim, de novo...Eu acabava com ele.

- Claro q você aprendeu a blefar la no ER...Claro – ele a olhava com certo orgulho-... Você sempre seguindo as regras..Nem por um amor você as quebra?

- Aí está..Primeiro eu vi q ele não era amor...Depois de vislumbrar a cena toda, me deu raiva dele por me por numa situação daquela sem escolha. O envolvimento com um homem casado é esgotador, você machuca a si e a muitos outros... Ele roubou esta minha escolha, se eu queria me envolver assim...Se o q eu sinto por ele supera tudo o resto, a situação dele, a família dele, meus princípios, o certo...pelo amor...Pra mim, neste caso, não supera...

Antes q House pudesse completar seus pensamentos, ela pegou a pasta e bateu forte no ombro dele.

- Ai...O q foi isso?

- Eu mandei você ficar fora...-ela disse ameaçadora-..

- Eu nunca fico de fora de nada...É a minha natureza..E pela sua natureza, você já devia estar casada com um bígamo estas horas...condenada a sofrer...

- Você me subestima...

Algo naquilo o lembrou da conversa com Wilson...Ele ficou observando como aquele chambre de seda oliva cobria a pele dela, mas deixava a pergunta tentadora do que estava ali escondido. Ele queria atravessar o espelho, ver o q ele havia perdido. Ele sentiu algo tocar-lhe.

Olhou pra baixo e viu um belo e gordo gato tigrado brincando com as suas pernas.

- De onde, Diabos, surgiu isso?