Sabe aquela famosa expressão que muitos usam que fala que quando tudo está indo bem demais você tem que começar a desconfiar? Foi exatamente o que aconteceu comigo. No último mês minha vida estava perfeita, as vendas cada vez melhor, minha espécie de amizade/romance com o Edward cada vez melhor, minha irmã também virou uma grande amiga de Edward nesse tempo, sempre que ele ia em casa ela o fazia brincar com ela ou algumas ficar conosco para ver um filme, ela o adorava e o sentimento era reciproco e minha mãe também tão feliz estava finalmente a uma quantidade de meses sem nenhuma recaída. Estava tudo indo as 10 maravilhas, mas ai aconteceu.

Estava voltando para casa sozinha pois naquele dia Edward teria uma reunião depois do seu horário e não poderia me dar carona, eu não me importei, fazia esse caminho sempre e já estava acostumada, estava cantando uma musica mentalmente e tinha um sorriso discreto nos lábios, eu estava feliz demais com o dinheiro que havia recebido no dia e já estava pensando em como eu iria administrar para durar por pelo menos metade daquele mês, estava quase chegando na minha casa quando vi Lu correndo na minha direção desesperada, seu rosto estava vermelho e grossas lágrimas escorriam por ele

— BELLA, GRAÇAS A DEUS – Ela disse desesperada – A MAMÃE...

Não esperei ela acabar de falar e sai correndo jogando a cesta no chão no caminho, a porta de casa estava aberta quando cheguei e passei por ela como um raio indo em direção ao quarto de minha mãe, ela estava respirando com dificuldade e sua aparência parecia doentia, quando cheguei perto dela e coloquei minhas mãos no seu rosto ela estava queimando em febre

— Oh meu Deus mamãe – falei chorando – Espere aqui, vou ligar para uma ambulância

Corri para sala e com as mãos tremendo peguei o telefone, com muita dificuldade consegui discar o número e esperei até atenderem a ligação

— Pelo amor de Deus mandem uma ambulância para a rua das Copas número 509, minha mãe está quase desmaiando, com falta de ar e com muita febre

— Senhora se acalme, me explique melhor a situação de sua mãe

— Eu não sei, eu acabei de chegar do trabalho e minha irmã estava chorando e minha mãe com falta de ar no quarto, com toda certeza é uma decaída, minha mãe possui câncer no colo do útero

— Ok, você pode repetir o endereço por favor?

— Claro, Rua das Copas, número 509, por favor não demorem

— Uma ambulância chegara ai em breve, melhoras a sua mãe

— Obrigada – falei antes de desligar e me arrastar até sentar no chão com as mãos na cabeça, fiquei ali parada por um tempo que eu não sabia determinar se era longo ou curto, eu não tinha psicológico para voltar ao quarto da minha mãe, eu precisa ser forte por ela e por mim e principalmente por Lu e se eu fosse lá eu mão seria forte por nenhuma de nos eu iria apenas...desmoronar, sai do meu estado de torpor quando um corpinho se jogou em cima de mim me abraçando e chorando no meu ombro

— Diz que ela vai ficar bem Bella – Lu disse no meio do seu choro – Diz que vai ficar tudo bem

— Vai ficar tudo bem meu amor, a mamãe é forte, você sabe disso – assim que eu acabei de falar escutei as sirenes da ambulância e fiz um pequeno agradecimento a Deus rapidamente antes de me levantar e colocar a Lu no chão e ir até a porta abrindo bem na hora que dois homens de branco com uma maca iam bater na porta

— Ela está aqui, me sigam, por favor – falei e andei o mais rápido que pude para o quarto, minha mãe estava com um pouco mais de facilidade agora mas ainda assim estava mal, eu me segurei, Deus sabe o quanto, para não me jogar de joelhos naquele chão e chorar por tudo.

Eles a colocaram na maca e a levaram rapidamente para fora de casa a colocando na ambulância e a ligando em vários aparelhos, fiquei para trás e fechei a porta antes de correr atrás dele e entrar na ambulância ao lado de Lu que tremia e chorava vendo minha mãe naquela situação de novo, eu a abracei e dei um beijo na sua testa

— Vai ficar tudo bem meu amor – falei a abraçando mais apertado – Vai ficar tudo bem como sempre fica – falei dando mais um beijo em seus cabelos.

Assim que chegamos ao hospital eles levaram ela para fazer uma bateria de exames me deixando na sala de espera com a Lu

— Querida – me abaixei a sua frente e segurei seu rosto em minhas mãos – Vou pegar um copo de água para você ok? Fique quietinha aqui

Me levantei e fui até o fim do corredor onde havia um grande bebedouro e alguns copos de plástico ao lado, peguei um e tomei um pouco antes de colocar um pouco para minha irmã, estava levando a água até onde ela estava quando eu vi uma pessoa muito conhecida entrando no hospital desesperado e olhando para todos os lados

— Edward? O que faz aqui?

— Bella, Graças a Deus – falou e veio para perto de mim me abraçando apertado, coloquei minha mão com o copo para longe do corpo para não derrubar a água – O que aconteceu?

— Minha mãe passou mal novamente, mas como soube que eu estava aqui?

— Estava chegando na sua casa quando vi a ambulância sair da frente da sua casa, então eu segui ela até aqui, mas o estacionamento estava cheio e eu demorei para achar uma vaga – falou se explicando – Não sabe como eu fiquei desesperado achando que era algo com você

— Eu estou bem, não precisa ficar preocupado, vou levar isso para Lu – falei levantando o copo de água que ainda estava na minha mão – Vem – falei e fui para onde ela estava sentada e lhe entreguei o copo e ela agradeceu com um sorriso fraco e bebeu um gole da água

— Oi Edward – ela disse a ele que deu um sorriso para ela

— Como vai baixinha? – falou fazendo um carinho na cabeça dela

— Eu não sei se posso te responder isso agora, mas e você?

— Eu estou bem e não fique nervosa vai ficar tudo bem com sua mãe, eu tenho certeza disso – ele falou sendo positivamente animador para ela

— Obrigada Edward, não sei como descobriu que estávamos aqui, mas é bom te ter aqui do nosso lado – ela disse sorrindo tímida e ele lhe devolveu o sorriso.

Ficamos conversando sobre alguns assuntos aleatórios para aliviar o clima pessado que rodeava aquela sala de ponta a ponta, depois de quase 1 hora de espera o médico voltou e pediu para falar comigo em particular e eu fui sem pestanejar

— Qual foi o resultado dos exames Doutor?

— Não são muito animadores Isabella, o câncer de sua mãe esta começando a se espalhar, se ela não começar as quimioterapia logo não será tão fácil de ser curado e em alguns casos é impossível – falou – Não estou falando que é o caso de sua mãe, estou dizendo que quanto mais rápido melhor, eu indicaria até o fim da semana fazer a primeira sessão

— Quanto é a sessão?

— 600 Dólares – Disse e eu senti meus joelhos fraquejarem

— E quantas sessões serão necessárias?

— No mínimo 10 – disse eu senti meus olhos encherem de lágrimas

— 6...6 mil dólares? – falei e balancei a cabeça – Não tem uma forma? Uma mais barata?

— Me desculpe Isabella, mas para o caso de sua mãe não.

— A bateria de exames e a internação dela hoje sairão quanto?

— 300 dólares – falou e eu assenti

— Obrigada Doutor

— Não foi nada Isabella, aqui meu cartão, quando forem fazer as quimios eu posso ser o medico responsável, sou um dos únicos oncologistas nesse hospital – me entregou um pequeno cartão branco e eu peguei agradecendo mais uma vez, antes de me afastar, eu não tinha nem metade desse dinheiro, mesmo contando tudo que eu venho guardando, O que eu vou fazer? Não me segurei mais e me sentei no meio do corredor do hospital com a cabeça sobre meu joelho deixando o choro descontrolado tomar conta de mim, eu estava perdida novamente, quando eu finalmente tinha achado a minha saída do labirinto a porta se fechou me deixando do mesmo jeito de antes, perdida.