— Está mesmo apaixonado, hein, Big-Jay! – Chad disse sorrindo, enquanto jogava uma almofada no mais velho.
Jared revirou os olhos dramaticamente, mas não negou a afirmação do amigo e conselheiro. Ele havia lhe contado sobre a gravidez de Sandy e da decisão de trazê-la para morar na mansão, entretanto mais falou da preocupação com Jensen do que do resto.
— Não é isso, é que agora que estamos finalmente nos entendendo e nos dando cada vez melhor, aparece isso. É claro que eu estou explodindo de felicidade, eu vou ser pai!, mas tem mais coisa do isso na minha vida e não posso deixar isso de lado.
Chad deu de ombros e se ajeitou no sofá que estava deitado.
— Eu não gostava dele logo que chegou, tinha uma cara de marrento mimado e se provou ser exatamente isso, mas com o tempo eu passei a simpatizar mais com cara. Se for para você ficar com ele de verdade, eu gosto da ideia. Vejo como você fica feliz quando fala dele...
Jared sorriu de lado e desviou o olhar, lembrando-se de Jensen imediatamente.
— Mas e então, sobre a invasão...
— Ah, não, trabalho a essa hora da manhã não!
— Chad, você é o conselheiro mais próximo de mim e meu melhor amigo, tem que me ouvir por obrigação.
— Tudo bem. Manda.
E Jared explicou o que tinha bolado por enquanto sobre quais atitudes tomar para se manter prevenido. Chad concordou com todas, não por ser o alfa quem tinha sugerido e sim porque eram bons planos.
— Vejo você mais tarde, tenho que ir lá na casa da Sandy pegar as coisas dela.
— Boa sorte. Com ela e depois com Jensen. – Chad saiu da sala rindo da desgraça de seu amigo.
-J2-
— Se você puder manter a sua mente concentrada, quem sabe eu consiga fazer alguma coisa. – Disse Alex ainda de olhos fechados, enquanto segurava as mãos inquietas de Jensen.
O loiro suspirou e forçou sua cabeça a parar de pensar, mas não funcionou muito bem.
— Não dá, Alex. Desculpe.
Jensen soltou as mãos do mais novo e se levantou, levando a mão direita a nuca e acariciando os cabelos curtos.
— Eu preciso ver meu amigo Steve, preciso conversar com ele...
— Não acho que isso vai ser possível. – Alexander contradisse.
— Eu vou ter que dar um jeito, só vou conseguir desabafar com ele.
O ômega mais baixo revirou os olhos e levantou do chão, secando as mãos do suor das mãos de Jensen na sua cueca e colocando uma na cintura.
— Porque não conversa comigo? Ou ao menos me deixa ouvir o que está te incomodando tanto.
Jensen balançou a cabeça em negativa e começou a andar em direção a porta, porém não a encontrou. Como sempre.
— Eu poderia te prender aqui dentro com muita facilidade, sabia?
— Abre.
Alex andou até o lado exatamente contrário ao que Jensen tinha ido inicialmente e empurrou a porta um pouco para frente, fazendo ela deslizar para o lado e revelar o mundo com cores.
— Por favor, não ignore o que eu falei.
— O que você falou? – Jensen tentou desviar o assunto, porém Alex já estava aborrecido com aquilo. — Tudo bem, tudo bem. Não posso falar com você; não sei como. Com o Steve é diferente, sei que vou conseguir me abrir com ele.
— Bom saber que só vem até mim quando precisa de ajuda, seu cretino.
— Não é isso, Alex. Você sabe que eu gosto de você de verdade, é meu único amigo aqui, o problema é completamente meu em não conseguir me abrir e falar sobre os meus problemas com facilidade.
Jensen disse e logo em seguida mordeu o lábio, deixando o pensamento escapar da sua mente sem querer.
— Nem a pau que eu vou te ajudar a sair escondido do pack, Jensen Ackles. Não mesmo. – Alex disse convictamente ao ouvir o plano de Jensen para sair escondido e se encontrar com o amigo na floresta, em território neutro.
Enquanto andavam de volta para a sala, onde estavam suas roupas, Jensen tentava convencer o ômega jovem.
— Qual é, Alex!, eu preciso disso... Se você me ajudar, prometo fazer qualquer coisa que você quiser!
Alex parou no meio do corredor, colocando a mão no queixo dramaticamente como se estivesse pensando.
— Olhe só, eu não quero nada de você. Que coisa, não? – Disse rindo e provocando Jensen. — Eu não vou compactuar com isso e se você fizer mesmo assim, vou contar ao Jared.
— Você não faria...? – Perguntou o loiro ofendido e com a boca meio aberta.
— Faça e verá. Além de ser perigoso para você sair sozinho à noite, isso iria despertar a desconfiança de todo mundo na alcateia que você está nos traindo. E você não tem a melhor das reputações.
— Eu estou pouco me fodendo para o que pensam de mim.
— Deveria se preocupar mais com a sua reputação, sra. Primeira Dama.
Jensen lançou um olhar mortal para o mais baixo, mas ele não parou de rir.
— Quer saber? Eu faço sozinho.
— Se você fizer, eu vou contar ao Jared. – Alex ameaçou. — Acredite, eu faria e sem culpa alguma, pois vou estar fazendo pelo seu bem. Converse com ele, Jared pode te conceder isso quem sabe.
Jensen vestiu suas roupas e sentou no sofá pesadamente.
— Ele está lá na casa da Sandy ajudando a arrumar as coisas dela.
Alex deu de ombros como se aquela informação não fosse importante.
— E?
— Ele provavelmente vai passar o dia todo em volta dela hoje, arrumando o quarto e essas coisas.
Alex sorriu de canto.
— Está com ciúmes?
Jensen fez uma cara feia novamente. Na verdade, ele estava fervendo de ciúmes, mas não revelaria aquilo nem se tivesse uma arma apontada para a sua cabeça.
— Tudo bem ficar com ciúmes, Jen. Ela está grávida dele; ele é seu alfa. Mesmo que não quisesse, sentiria ciúmes.
O ômega não disse nada, sabia que se tentasse mentir, Alex saberia. O silencio era a melhor opção para não revelar seus sentimentos.
— Eu vou voltar para a mansão e esperar ele chegar e então chamar ele para conversar sobre me deixar ver Steve...
— Faça isso.
Jensen saiu da casa do mais novo cabisbaixo, diferente do tradicional, quando ele voltava para casa animado por ter avançado um pouco no domínio dos seus dons.
-J2-
Jared chegou cedo à casa de Sandy; queria encaixotar tudo e levar de volta para a mansão o mais rápido possível.
Estava tão feliz com aquilo, era como se tivesse levado uma injeção de adrenalina. No dia anterior, enquanto estava na cama, custou a dormir por causa da notícia.
Um filho... aquilo era a coisa mais inesperada que poderia acontecer.
— Falta mais alguma coisa ou é só? – Perguntou o alfa quando terminou de fechar a terceira caixa. Sandy estava levando somente suas roupas e alguns objetos pessoais que não tinham na mansão. Os móveis seriam todos deixados para trás.
— Acho que é só. Deixa que eu levo essa...
— Não! Nada de fazer esforço, espera ali no carro que eu já termino de carregar tudo. – Jared disse com um sorriso e Sandy concordou, indo para o banco da frente do Mercedes e gostando de saber que o moreno seria superprotetor.
Jared colocou a última caixa no banco de trás e entrou no carro do lado do motorista, dando partida e saindo do acostamento.
— Tem certeza que o seu ômega não vai se importar de eu ficar na sua casa?
O moreno revirou os olhos sem paciência.
— Sandy, eu já te disse mais de uma vez que o nome dele é Jensen e ele não gosta de ser chamado de ômega. Por favor, o chame pelo nome. E não, ele não vai se importar...
Esclareceu ele, voltando a pensar em como Jensen havia reagido no dia anterior quando contara sobre a gravidez.
O ômega tinha disfarçado bem, mas Jared já conhecia seus trejeitos ao mentir. Era notável que ele havia ficado incomodado, Jared até conseguia entende-lo. A relação dos dois estava caminhando cada vez mais para a de um casal e uma ex namorada grávida no meio disso com certeza complicaria muito.
Nos planos de Jared, nada mudaria entre eles. Continuariam correndo juntos, comendo juntos, bebendo juntos, assistindo TV juntos. Tudo que sempre faziam, entretanto, na prática, podia ser que aquela ideia não funcionasse tão bem assim.
Samantha tinha ficado muito contente quando Jared contou-lhe sobre o filhote a caminho, mas logo perguntou como Jensen tinha reagido. Ela gostava mesmo dele.
Ao chegarem na mansão, Jared levou os pertences de Sandy para um quarto de hóspedes no segundo andar, no fim do corredor onde ficava o seu quarto e o quarto de Jensen. Seria mais fácil de ouvir ela chamar caso precisasse de alguma coisa.
— Não tem um quarto mais perto do seu? Se eu passar mal de madrugada pode ser que você não ouça...
Jared negou com a cabeça.
— O quarto do lado do meu é o do Jensen. Mas não se preocupe, eu tenho uma ótima audição. – Tranquilizou o alfa com um sorriso e a beta suspirou frustrada, começando a guardar as coisas no armário.
O moreno desceu para o primeiro andar da casa e encontrou Jensen na cozinha, com uma garrafa de cerveja na mão, sentado em uma das banquetas do balcão.
— Ei... já em casa? Pensei que viria só para o almoço...
— É, Alex tinha um compromisso.
Um pequeno silencio se instalou entre os dois e Jared puxou outra banqueta para sentar-se ao lado do loiro.
— Jen, eu quero que saiba que a Sandy aqui não vai mudar nada entre nós. Sabe, vamos continuar fazendo as mesmas coisas de sempre e tudo mais...
— Eu quero ver meu amigo Steve. Será que tem como você trazer ele até aqui ou me deixar ir até Tuskegee?
O alfa olhou para Jensen confuso com aquele assunto repentino e esquisito.
— Como é?
Jensen se virou para o moreno e largou a garrafa long neck sobre a mesa, falando novamente mais pausadamente, como se explicasse para uma criança que não se pode subir na mesa.
— Eu quero visitar meu amigo Steve. Eu posso ir até Tuskegee ou ele pode vir até aqui?
Jared franziu o cenho.
— É obvio que não, Jen. Sabe que não se pode transitar entre um pack e outro; seu pai nem permitiria a sua entrada ou a saída do seu amigo.
O ômega bufou, irritado.
— Eu não iria pedir permissão ao meu pai, iria ligar escondido para Steve e nós nos encontraríamos de madrugada em território neutro.
Jared riu sem achar graça, achando que o outro poderia estar brincando.
— Você está brincando, não é? Eu não vou deixar você sair de madrugada sozinho para um território neutro. Não mesmo.
Jensen estreitou os olhos, fremindo os lábios e sentindo vontade de socar a cara de Jared pelo jeito como ele falou consigo, como se fosse seu dono.
— Você não manda em mim e eu pedi só por educação.
Jared ajeitou sua posição, ficando mais alto e mais imponente. Como um verdadeiro alfa.
— Isso não vai acontecer, Jensen. Eu sinto muito.
— Não, não sente.
Jensen levantou da banqueta e segurou a garrafa na mão, jogando-a na parede e fazendo com que ela se despedaçasse, saindo da cozinha logo em seguida e deixando um Jared atônito para trás. O alfa pensava que aquela fase de discussões agressivas havia passado, mas pelo visto o ômega nunca deixaria de ser explosivo.
Na hora do almoço, ninguém na mesa ousou abrir a boca. A tensão era palpável e muito incomoda para todos, era como se seus instintos animais interiores ficassem irritados pelo alfa e o ômega da casa estarem brigados.
Sam e Sandy não haviam escutado a briga, mas viram os cacos de vidro da garrafa e só puderam chegar à conclusão de que tinha acontecido uma discussão feia.
Quando os pratos já tinham sido tirados da mesa e Sandy já havia voltado para o quarto terminar de arrumar suas coisas, Jared se pronunciou.
— Quer treinar hoje?
— Por que não? – Respondeu o ômega sem levantar o olhar do celular. Jared pensou que deveria dar um jeito naquilo. Jensen não era do tipo que aceitava não como resposta e poderia estar armando de se encontrar escondido com o amigo.
Algumas horas mais tarde, os dois estavam no mesmo gramado do primeiro dia, ensaiando chutes e socos.
— Tudo bem, pode dar um com mais força agora.
— Mais força? – Jensen perguntou com um riso irônico. — Tudo bem.
E ele foi para cima de Jared, fingindo que iria golpear com a esquerda, mas acertando um gancho de direita nas costelas do alfa, que reclamou de dor e levou as mãos ao local, atingido.
— Jensen, porra! É só um treino, não é para quebrar minhas costelas. — Jared gemeu, apertando os ossos doloridos e respirando com um pouco de dificuldade.
— Você pediu com mais força. E parece que seus reflexos não estão tão rápidos assim, hein.
Jared baixou os ombros e revirou os olhos.
— Tudo bem, pode vir então. – Disse ele, se preparando na sua posição de luta.
Jensen tentou fazer o mesmo golpe, mas foi defendido e então partiu para uma rasteira, que não surtiu efeito e lhe causou uma enorme dor na canela.
Irritado, ele pulou em cima do alfa, que caiu para trás, mas logo inverteu as posições e prendeu o loiro no chão.
— Me solta, seu idiota. – Contestou o mais velho, forçando seus pulsos e também as pernas, mas, dessa vez, Jared havia o prendido muito bem.
— Só depois de me contar o que está acontecendo.
— Não está acontecendo nada, que saco. Dá pra me soltar agora?
— Não, caralho. É obvio que tem algo acontecendo e tem a ver com a Sandy e a gravidez, mas eu já te disse que isso não tem nada a ver.
— Não é só isso, é o fato de você achar que pode mandar em mim e se eu posso sair da alcateia ou não. Eu não sou sua propriedade e nunca serei propriedade de ninguém.
Tecnicamente... A cabeça do alfa pensou automaticamente.
— Se completar esse pensamento, eu nunca mais olho na sua cara.
— Desculpe! Tá legal? Mas eu não posso deixar você sair no meio da noite para se encontrar com o seu amigo. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com você. Tem coisas estranhas acontecendo nas redondezas da minha alcateia e eu ainda nem sei o que é. Se for um inimigo, pegar você sozinho pode ser a chave para chegar até mim e invadir Shawnee...
Jensen parou de forçar seus braços e olhou no fundo dos olhos do alfa, sentindo a preocupação dele pura como a água. Não havia parado para pensar por esse lado; o porquê do moreno ser tão convicto em não deixá-lo sair sozinho sem pensar. Afinal, não era questão de mandar ou não e sim de preocupação e cuidado.
O loiro suspirou e desviou o olhar, um tanto envergonhado pela sua atitude infantil desde a manhã.
— Me desculpe...
Jared sorriu de lado, contente pelo ômega ter desfeito a cara de marra.
— Não precisa se desculpar. Eu sei que não foi a melhor das coisas levar a Sandy lá pra casa, mas...
— Não tem nada a ver com isso. – Jensen interrompeu o moreno para garantir que o seu descontrole emocional não tinha relação com a ex namorada.
Jared mais uma vez revirou os olhos, já estava virando uma mania.
— Sério? Vai continuar negando? Vamos chegar aonde desse jeito? – Jensen ficou em silencio, então o mais novo resolveu continuar de onde havia parado. — Eu não quero que a nossa relação volte a ser como era antes. Eu gosto de como ela está agora e de como está avançando e mesmo que você não consiga admitir, eu consigo e eu posso dizer que gosto muito de você.
O sorrisinho que escapou dos lábios do lobo dourado fez o coração de Jared bater um pouco mais rápido.
— Eu consigo admitir sim. — Jensen disse em um tom de voz que era para ser ofendido, mas saiu quase cômico de tão mentiroso.
O alfa sentiu aquela falta de certeza e quis testar o loiro.
— Então diga. Diga o que sente por mim...
Jensen ficou em silencio. Passou a língua pelos lábios e olhou para Jared rapidamente. Ele estava tão perto agora...
— Eu sinto isso por você.
Ele aproveitou um segundo em que a pressão no seu pulso direito foi menor e o puxou do aperto de Jared, segurando o alfa pelo cabelo e o alçando para um beijo apaixonado.
O moreno correspondeu rapidamente, soltando o outro braço do ômega e levando suas mãos para o corpo dele. Imediatamente, suas calças ficaram mais apertadas e os dois homens gemeram um na boca do outro.
— É isso que eu sinto por você. – Jensen concluiu e Jared sorriu, lhe dando mais um selinho.
— Acho que não somos mais héteros.
— Fale por você, porque não sinto atração por nenhum outro homem, então acho que isso me configura como pelo menos oitenta por cento hétero.
Jared balançou a cabeça de um lado para o outro, rindo do que estava por baixo.
— Essa sua coisa de negação é bem curiosa, já que eu estou sentindo o seu pau meia bomba na minha barriga.
— Calado.
Os dois voltaram a se beijar e acariciar um o corpo do outro, sentindo suas excitações ficarem ainda maior. Se não parassem com os beijos, acabariam perdendo o controle e foderiam ali mesmo, no gramado dos fundos da mansão.
— Está melhor sobre a Sandy e a gravidez?
— Eu nun...
— Jensen!
O loiro bufou e olhou com cara de poucos amigos para o mais alto.
— Tudo bem, estou. Mas eu não gosto dela, o santo não bateu.
Jared sorriu e beijou Jensen mais uma vez, sentindo um peso saindo de suas costas sabendo que o ômega não estava mais bravo com ele.
Da varanda do andar superior, Sandy conseguiu ver os dois homens se beijando no gramado e sentiu seu sangue ferver de ódio.
Pegou o celular e mandou uma mensagem para o número mais recente, marcando um encontro no café.
Saiu da casa sem avisar o alfa, ele não tinha mencionado nada sobre avisos.
O caminho até o café da praça era curto e logo a mulher estava sentada em uma das mesas do local.
Genevieve viu a morena entrando e logo foi ao seu encontro, sentando-se na mesa junto com ela.
— O que foi? – Perguntou a funcionária do café.
— Não deu nada certo. Eles já fizeram as pazes.
Genevieve deu soco na mesa que fez com que o saleiro e o açucareiro pulassem, chamando a atenção dos outros clientes presentes do local.
— Que merda!
— Vamos ter que pensar em alguma coisa mais drástica...
— Jared é um canalha mesmo... eu podia jurar que ele escolheria a mãe do filho dele, à um ômega recém chegado com o qual vivia brigando.
— Eles parecem se dar muito bem agora. – Sandy se pronunciou, lembrando das vezes em que já havia visto Jared e Jensen andando juntos pelas ruas.
— Está do lado do ômega? – Genevieve perguntou com uma cara feia e Sandy negou rapidamente. — Bom mesmo. Eu já tenho um plano que vai fazer o ômega nunca mais querer olhar na cara do Jared...
— Sou toda ouvidos. – Sandy apoiou os antebraços na mesa e ouviu atentamente o que Genevieve lhe explicou, ficando até um pouco chocada com a ousadia daquilo. — Não acha que é um pouco demais?
— Situações ruins pedem medidas drásticas. É só você fazer tudo que eu disse e tudo vai dar certo. Eu me vingo daquele filho da puta que me humilhou, você fica com o homem que ama e esse filhote ganha um pai. Todos que importam ficam felizes...
-J2-
Os dois homens entraram no quarto ainda se beijando, custando para separarem-se para fechar a porta.
Jensen sentia a sua excitação crescendo cada vez mais, as borboletas no estomago já faziam o ômega se sentir tremulo e Jared estava do mesmo jeito.
— Muita roupa. – Disse o moreno quando voltou para a cama, deitando sobre Jensen e começando a tirar a camiseta dele.
Jensen repetiu a mesma coisa ndld e ambos foram tirando peças um do outro até estarem nus e se esfregando como animais no cio, enquanto suas bocas se devoravam ferozmente.
— Eu adoro os seus bíceps enormes... como são tão grandes se você mal se exercita?
— Muita punheta? – Jensen perguntou fazendo graça, rindo e dando um selinho no mais alto, que estava por cima dele.
— Quem sabe... – Respondeu Jared acompanhando-o no sorriso. — Quero aumentar os meus me exercitando com você.
Masturbavam um ao outro, enquanto desciam os beijos para o pescoço e os ombros, gemendo gostosamente alto. A sorte deles era que o quarto era grande e as paredes grossas, então ninguém mais na casa saberia o que acontecia naquele quarto.
— Eu amo tocar o seu corpo... – Confessou Jensen, jogando a cabeça para trás e deixando o alfa lhe dar um chupão bem em cima da marca do elo, a pele era mais sensível ali.
Jared sorriu e se ajeitou melhor entre as pernas do ômega, levantando-as só um pouco para encaixar melhor os corpos. Desceu para os mamilos e deu a atenção que eles precisavam, fazendo o loiro arquear as costas e se arrepiar inteiro.
— Eu quero te foder hoje... – Jensen disse, já esperando um recuo do outro ou uma desculpa esfarrapada, mas nenhuma das duas opções veio. Ao invés disso, o alfa respondeu algo que o impressionou.
— Justo. Eu aceitei melhor a ideia e se você geme tão gostoso quando eu estou metendo em você, quem sabe isso não seja tão ruim.
O ômega sorriu de orelha a orelha, sentindo que aquilo era uma das maiores provas que Jared podia lhe dar. Vencer o próprio tabu apenas para satisfaze-lo era um gesto muito generoso.
— Então vamos fazer direito.
Com um pouco de esforço, Jensen conseguiu inverter as posições e ficar por cima, primeiro sentado no colo do moreno, mas logo se ajeitando entre as pernas dele e apertando suas coxas.
Jensen foi descendo lentamente pelo corpo do alfa, beijando seu peitoral firme e os gomos do abdômen, sentindo o tesão aumentar ao chegar no pênis ereto de Jared. A cabeça era robusta e estava úmida de pré-gozo, enquanto veias estufadas marcavam o comprimento, fazendo a boca do ômega salivar.
Eu nunca pensei que fosse sentir vontade de chupar um pau. Jensen mentalizou, mordendo o lábio e segurando o membro de Jared. Puxou a pele do prepúcio para baixo, terminando de revelar a glande inchada e avermelhada que pedia por atenção.
— Jen... hmmm... – Jared gemeu olhando para baixo, apoiado nos cotovelos para conseguir ver melhor o que estava acontecendo.
— Se eu fizer errado, me desculpe. É minha primeira vez...
E Jensen lambeu desde o saco até a parte de trás da glande, gostando do sabor meio salgado e diferente de tudo que já havia provado. Logo em seguida, deu um beijo na fenda por onde escorriam as pequenas e peroladas gotas de liquido pré-seminal, abrindo a boca e acomodando toda a cabeça na cavidade quente e aconchegante.
Jared suspirou e pendeu a cabeça entre os ombros, sentindo seu membro pulsar e o formigamento no baixo ventre aumentar.
— Assim... – Incentivou o alfa, levando uma mão para a cabeça de Jensen e o ajudando a descer mais. Pouco mais da metade coube na boca do ômega antes dele tossir e tirar.
— Não cabe tudo, é muito grande. – Jensen disse com um sorriso maroto, dando mais um beijo na glande e a colocando na boca de novo.
Fez em Jared tudo que já havia recebido em si ao longo da sua vida, enquanto acariciava suas bolas com a mão esquerda. Jensen gostava que fizessem aquilo nele e decidiu experimentar se Jared também gostaria.
O gemido que obteve como resposta foi tudo o que Jensen precisou para confirmar que estava indo bem. Após algum tempo chupando Jared, o ômega apertou suas coxas, olhando para ele nos olhos e dizendo o que queria só com aquele olhar. Jared entendeu e se ajeitou na cama, virando de bruços e escondendo o rosto no travesseiro.
Estava com vergonha do que aconteceria a seguir, porém muito curioso para saber qual era a sensação.
Jensen agarrou as duas bandas da bunda redondinha e mordeu o lábio com força, suspirando lentamente para controlar sua própria ânsia em foder logo. Com calma, separou as duas partes e sorriu ao ver o buraquinho rosado tão comprimido.
— Fica assim. – Jensen instruiu, puxando a cintura do outro um pouco para cima e separando as duas meias luas novamente, enfiando o rosto entre elas e dando uma lambida com vontade nas pregas rígidas. — Relaxa, Jay, desse jeito não vai entrar nada ai...
Jared virou o rosto de lado e olhou para o mais velho. Em seus olhos havia medo.
— Não sei se é uma boa ideia, Jensen... o meu corpo ele... ele...
— Sem desculpas. Olha onde já estamos, cara, não dá pra voltar desse ponto. Só relaxa que eu vou cuidar bem de você, okay?
Jared balançou a cabeça freneticamente e soltou a respiração lentamente, tentando deixar o seu corpo mais relaxado.
Jensen enfiou dois dedos na boca e os levou para o buraquinho do alfa, acariciando-o suavemente e gostando do suspiro que Jared lhe deu. Cuspiu na buda dele e levou a saliva até o lugar desejado, lubrificando melhor e voltando a enfiar o rosto ali no meio.
Jensen lambia com vontade, provocava com os dedos e dava beijos molhados, arrancando respostas cada vez mais significativas do alfa.
Um dedo foi introduzido de cada vez e quando se deram conta, já haviam dois dedos metidos até a última falange, com Jared pedindo por mais e gemendo manhoso.
— Ohh, gostoso... assim, Jen, mete em mim desse jeito... hmmm...
Jensen sorriu e apertou o próprio pênis, sentindo suas veias pulsarem e as bolas doerem de tão cheias.
— Onde tá o seu lubrificante?
— Segunda gaveta, hmmm, do criado mudo... oh.
O loiro se esticou todo para alcançar a gaveta sem remover seus dedos do interior de Jared, mas conseguiu pegar o tubo, vertendo uma quantidade abundante do gel em sua mão livre e deslizando-a por toda a sua extensão e mais um pouco na entrada do alfa.
— Vai doer do começo, parece que você tá sendo rasgado, mas eu prometo que passa, Jay. É só aguentar o começo...
Jared concordou com a cabeça e respirou fundo, relaxando seu corpo o máximo que conseguiu e sentindo Jensen posicionar o membro no seu ânus.
A glande entrou toda de uma vez, causando um desconforto no alfa, porém ainda não chegava a ser uma dor, mas conforme Jensen ia empurrando centímetro por centímetro para dentro, Jared xingava todos os palavrões que conhecia.
— Ahhhh filho da puta do caralho, quem disse que essa merda é bom?! Isso dó pra porra... ohhhh! Jensen! Não cabe mais; chega!, chega, seu desgraçado! Oh, porra, hmmm...
Jensen apertava a cintura do mais novo e continuava se introduzindo devagar, ignorando os pedidos dele, até estar enterrado com as bolas tocando a bunda dele.
— Shhh... só precisa dar tempo para você se acostumar... – Sussurrou Jensen no ouvido do alfa, depois de se deitar sobre ele, masturbando seu pau para distraí-lo da dor.
— Como você aguenta isso? Ahmm... dói pra caralho...
— Eu sei, mas lembra como eu pedia para você me foder mais e mais forte quando eu já tinha me acostumado? Você vai sentir isso também, só fica calmo.
Enquanto Jared se acostumava com a invasão, Jensen o masturbava lentamente, acariciando o saco e beijando suas costas para tentar fazer aquele tempo passar mais tranquilamente.
— Vai...
Jared pediu num gemido e Jensen sorriu maroto, se retirando devagar e voltando a enterrar com calma. O movimento foi repetido até Jared pedir para ele ir mais rápido e a partir dali nada mais era compreensível entre os gemidos dos dois.
Jensen metia com força, com um braço abraçando a cabeça de Jared para mantê-lo no lugar devido as suas fortes arremetidas.
Jared gemia descontroladamente, sem acreditar que aquele prazer podia existir. Era tão diferente de ser ativo e tão bom ao mesmo tempo, ele só queria sentir mais e mais daquela sensação gostosa.
— Me fode! Me fode, Jensen! Ohhh, assim, cara! – Jared virou o rosto e puxou Jensen para um beijo desajeitado, mas necessitado por ambos. — Jensen... caralho, que tesão, ahhhh.
Jensen mordeu as costas do moreno com força, parando de se enterrar e virando Jared na cama com brutalidade, voltando a se ajeitar entre as pernas dele e beijando-o melhor. A penetração foi recomeçada rapidamente, assim como uma masturbação intensa no alfa.
— Eu vou gozar! Jensen, mete bem fundo que eu vou gozar! – Pediu Jared, arranhando as costas do ômega e despejando todo o seu prazer entre os corpos dos dois.
Jensen sujou seus dedos no esperma do outro e levou a boca, saboreando o gosto e beijando-o mais uma vez, onde dividiu o gosto almíscar do sêmen.
Não tardou para que Jensen se derramasse no interior de Jared, inundando-o com a sua porra e caindo em cima do corpo dele sem forças logo em seguida.
— Isso foi tão bom, putaquepariu. – Disse o loiro, com a respiração ofegante e o rosto avermelhado pelo esforço.
Jared sorriu mostrando suas covinhas, de olhos fechados e cabelos grudados na testa suada.
— Acho que eu nunca tive um orgasmo tão bom fora do cio... – Jared comentou.
Quando Jensen se retirou de dentro do seu interior, o alfa reclamou a falta, rindo e dando um selinho nele mais uma vez.
— Vamos admitir de uma vez que isso aqui não é só uma amizade colorida, Jen.
Jensen desviou o olhar e mordeu o lábio, nervoso com aquela conversa.
— Eu te amo, não quero negar isso para ninguém.
O ômega levantou o olhar e olhou no fundo dos olhos do alfa. Ali, ele podia ver toda a sinceridade estampada. Sorriu, pois não havia mais nada que pudesse fazer se não ficar feliz com aquela declaração.
— Eu não queria e ainda acho que nego um pouco, mas eu também te amo. É obvio que isso aqui não é só uma amizade colorida. Nós fodemos como dois animais, mas também fazemos amor junto com isso. – Jensen levou a mão até o rosto de Jared, acariciando a barba leve de dois dias e se inclinando para beija-lo.
— Nada vai estragar a minha felicidade de ter falado isso para você em voz alta. – Jared confessou, sorrindo amplamente.
Naquele momento, suas almas estavam mescladas, dançando e se amando juntas, sem nenhuma preocupação em mente. Mas aquilo não duraria para sempre.
-J2-
Já fazia mais de um mês que Sandy havia se mudado para a mansão. A rotina com ela na casa estava começando a entrar nos trilhos e apesar do ômega e da beta claramente não se gostarem, o respeito entre eles era mantido.
A equipe de farejadores não encontrara mais nada nos lugares possíveis e por isso havia sido dissolvida a agora apenas um integrante verificava os mesmos pontos a mais de uma semana.
Alex tinha passado mal durante toda a última semana, vomitando sem parar e por isso havia cancelado todas os encontros com Jensen. Eles haviam avançado bastante com o memoriae, o ômega já até conseguia ver as memórias mais recentes de Alex, entretanto não conseguia trabalhar com elas, alterando ou apagando.
O cio de Jared havia chegado e ido, mas aquilo não era mais a única desculpa para eles transarem. Sempre que sentiam vontade, um ia para o quarto do outro e satisfaziam seus desejos. Normalmente naquelas noites dormiam juntos. Mas em geral cada um dormia no seu quarto e nenhum dos dois sabia direito o porquê daquilo.
Pela manhã Jensen havia conversado com Samantha e ela lhe aconselhou a falar com Jared se aquilo estava incomodando-o e o ômega decidiu que o faria, mas sem precisar da conversa. Aquilo seria constrangedor de ser falado em voz alta, então o loiro decidiu que apenas iria ir para o quarto do moreno no meio da noite e dormiria lá para ver qual seria a reação do moreno na manhã seguinte quando acordassem juntos sem ter transado.
A rotina foi feita como todos os dias; corrida de manhã, Jensen ajudou Jared mais tarde com algumas contas da alcateia (ele fazia isso enquanto Alex estava indisposto) e a tarde treinaram luta.
Quando a noite daquele dia chegou, Jensen esperou todos irem para as camas para sair do seu quarto.
Andou de fininho pelo corredor até o quarto do alfa e abriu a porta sem fazer barulho; ele já devia estar dormindo, pois dissera na sala que estava com muito sono e Jensen não queria correr o risco de acordá-lo.
Assim que olhou para a cama no meio do quarto, suas sobrancelhas se flexionaram e seus olhos se arregalaram um pouco. Todo o sangue do corpo do ômega pareceu congelar e ele travou.
Jared estava só de cueca e Sandy estava ao lado, enrolada no seu corpo como uma cobra asquerosa, dormindo profundamente apenas de roupas intimas.
Como um estalo em sua cabeça, de repente tudo fez sentido para Jensen. Porque de Jared nunca ter dito nada sobre dormirem juntos todos os dias; porque ele sempre pedia quando era para Jensen ir para o quarto dele, pois em outras ocasiões era o alfa que aparecia no quarto do mais velho. Todo aquele tempo sendo enganado enquanto Jared ficava com ele e com a mulher que estava gerando o filhote primogênito.
Jensen saiu do quarto sem dar mais nenhum pio, fechando a porta e voltando para o seu quarto, onde chorou copiosamente como a muito tempo não chorava, tudo que ele queria naquele momento era sumir daquele lugar.
O loiro quase nem conseguia acreditar no que os seus olhos viram, se outra pessoa contasse para ele, Jensen chamaria a pessoa de louca. Mas ele havia visto, com seus próprios olhos. Nunca pensou que Jared fosse capaz de fazer algo assim, mas havia se enganado totalmente.
Talvez se o ômega prestasse mais atenção na cena que viu no quarto, sua reação seria diferente, pois a mulher deitada com Jared na cama não sonhava (como deveria, se estivesse dormindo), ela ainda estava com a mente ligada pensando que sua vida estaria resolvida depois daquela noite.
Entretanto o choque e a decepção foram tão grandes que não deixaram o ômega avaliar a situação friamente e chegar a óbvia conclusão de que algo estava errado. E aquilo mudaria a relação deles dali em diante definitivamente.
Continua...
