Antes do capitulo quero deixar meus agradecimentos especiais a Marprof, rutes, Natalocas, Malupattz, Annacarol, patylayne e Ariell Victoria pelos reviews no ultimo capitulo.

Flores vcs são D+.

Bjuss pra todos

Sophie Moore


CAPÍTULO 11

Isabella pegou roupas suficientes para uma semana. Ela havia ligado para o primo na tarde em que Edward a magoara. Ele a receberia de braços abertos. Isabella teve que admitir que seria um alívio afastar-se um pouco do vizinho. Ela mal podia ver a casa dele quando passava por lá para ir ao trabalho. Seu coração estava partido pelo comportamento dele. Ele havia lhe dado esperanças para crer que se importava com ela tanto quanto ela se importava com ele. Ele sabia que ela era inocente, mas a havia seduzido mesmo assim, e então fez com que parecesse que eles fossem apenas um casal de encontros casuais. Obviamente sexo não significava nada para ele. Mas significava tudo para Isabella.

Ela seguiu pela estrada de Victoria. Seu carro corria bem, graças ao mecânico de Edward. Ela podia considerar isso um dos poucos aspectos positivos da trágica relação dos dois. Ela esperava poder congelar o coração enquanto estivesse fora. Ela não queria que nenhum outro homem pudesse tocar seu coração como Edward fizera. Ela deveria saber que não podia confiar em um homem.

Edward viu o carro de Isabella sair da garagem e descer a rua, de sua varanda. Ele ainda estava embaraçado pela defesa de Sue. Como diabos ele podia adivinhar que Isabella trabalhava no restaurante? Ela nunca havia discutido seu emprego com ele. Victória estava certa sobre as evidências. Maldita cidade e malditas pessoas com mentes pequenas, zangara-se. Você olha para alguém e eles esperam sinos de casamento. Ela era boa para dez minutos de divertimento.

Ninguém parecera perceber que Isabella estava o perseguindo. Ele era a vítima, não a querida garotinha da cidade pequena. Mas ele sentia-se mal ao lembrar Isabella afastando-se dele, tremendo, quando gritara com ela no café. Não era do feitio dele machucar mulheres. Ele não podia lembrar-se de tratar alguma como tratava Isabella. Parecia uma justificativa no momento. Mas agora…

Ele enviara um pedido a loja de suprimentos de Jacobsville, apenas para saber que eles não lhe forneceriam mais nada. Eles sugeriram que ele conseguisse sua ração e suprimentos em San Antonio. Não terminara aí.

Quando ele ligara para os Ballengers para vender seu estoque, eles estavam cheios. Eles recomendaram um comprador em outro distrito. Ele mandou um de seus homem com alguns documentos a serem analisados, e ninguém no escritório de Paul Lahote sequer os olhou.

- Você pode me dizer por que eu repentinamente virei um veneno para as pessoas dessa cidade? – Edward perguntou à senhora Emily em um tom ácido.

Ela lançou-lhe um olhar antipático.

- Você realmente não sabe, não é?

- Aparentemente Isabella tem um fã clube, e ela me elegeu como o inimigo número um porque eu não quero levá-la ao altar – ele disse com frio sarcasmo.

Ela estreitou os olhos.

- Você não é daqui, então provavelmente não sabe o que Isabella passou quando era uma criança. Nós todos a vimos crescer. Isabella sempre foi a garota solitária em todas as festas. Ela nunca ia a bailes. Ela não se formou. Na graduação, ela estava sozinha. Sua avó não queria incomodar-se indo à graduação dela, e seu primo de Victoria estava no hospital. Isabella nunca teve um único namorado, nem mesmo um rolo – ela acrescentou, enquanto ele arqueava as sobrancelhas como se isso fosse inimaginável – E ela está aqui, de mãos dadas com um solteiro que parece se importar com ela. Claro que as pessoas notaram. Eles sabem sobre o passado dela, e ficaram felizes por ela.

- Eu sei que ela teve uma experiência ruim quando era criança – ele disse impaciente – Ela me disse.

Ela hesitou.

- Uma experiência ruim?

- Sim. Toque inapropriado, eu acredito? Eu estou investigando o caso de rapto e assassinato de uma criança – ele acrescentou indignado – Não é a mesma coisa. Eu posso entender como o incidente afetou Isabella, mas não foi nada comparado à criança que foi esfaqueada e jogada fora como um sapato usado.

Ela olhou-o como se ele fosse um demente, mas não respondeu durante vários segundos.

- Eu suponho que você teria que viver aqui para entender. Não se preocupe. Ninguém mais vai te relacionar à Isabella – ela virou-se em direção a cozinha, as costas rígidas como ferro.

Seu próximo choque foi quando encontrou a força armada. Márquez sentou longe dele e não o cumprimentou e nem sequer olhou em sua direção quando eles analisaram os outros arquivos e discutiram sugestões para a investigação do assassinato. Jacob sugeriu que eles fossem ao público e fornecessem uma linha telefônica, pedindo a ajuda das pessoas. Aquilo soou como uma boa idéia, e foi aprovada.

Quando o encontro acabou, Jacob caminhou até a porta sem dizer uma palavra a Edward.

Edward seguiu-o até o estacionamento.

- Algum problema? – ele perguntou.

Jacob virou-se. Os olhos estavam escuros, frios como gelo.

- Não – ele respondeu – Eu tenho outras investigações pendentes, em adição a esta. Eu entrarei em contato se conseguir algo para acrescentar às evidências.

Os olhos de Edward estreitaram-se. Claro, Jacob era o filho adotivo de Sue. Ele gostava de Isabella. Ele devia ter ouvido sobre o que acontecera.

- Você não entende – ele começou.

Jacob aproximou-se dele. Eles tinham aproximadamente a mesma altura, mas Jacob era sete anos mais jovem e menos controlado.

- Depois de tudo que Isabella passou em sua vida, ela não merecia ser perseguida por você – ele disse friamente.

- Ela estava me caçando – Edward devolveu alterado.

- O inferno que estava – ele grunhiu zangado – Isabella é a pessoa menos intrometida que eu conheço. Ela é exatamente o oposto da pequena vagabunda que você está saindo agora – ele acrescentou referindo-se a Victória – Isabella precisou sair da cidade, você sabia disso?

- O quê?

- Ela ficou tão triste que mamãe teve que levá-la embora na segunda – ele continuou no mesmo tom controlado – Tremendo toda, como um cachorro. Você não precisava dar a sua ceninha em público. Você poderia ter falado com ela em particular sem fazer dela objeto de fofoca!

Ele deu de ombros.

- Ela estava em todos os lugares que eu ia, depois que eu disse claramente que não queria mais sair com ela.

Jacob apenas o encarou.

- Em uma cidade de duas mil pessoas, não é tão fácil evitar um vizinho – ele disse – Embora eu ache que a maioria das pessoas vá te evitar no futuro. E isso serve em dobro para mim.

- Você está apaixonado por ela – Edward acusou pensando alto.

Jacob realmente corou.

- Metade da minha vida – ele acrescentou – Eu casaria com ela em um minuto se ela me quisesse. Ela é doce e gentil. Ela tem um tipo de empatia que faz com que estranhos chorem em seu ombro. Ela é sempre a primeira a oferecer conforto quando alguém morre, trazendo comida, dividindo o pouco que ela tem... – Ele parou, os lábios apertados – Por que diabos eu estou falando isso para você? Garota de sorte, afastar-se de você antes de ser tarde demais. Nada do que ela já fez foi ruim o suficiente para merecer você!

Ele virou-se e caminhou até o carro sem mais nenhuma palavra.

Isabella gostava muito de seu primo. Ela fazia companhia a ele e ocupava-se fazendo doces para ele enquanto a governanta aproveitava a folga. Isabella plantou flores, leu e passou dias preguiçosos apreciando a diversão de seus problemas.

O que ela sabia sobre os assassinatos das crianças revirava sua mente. Ela não pudera dizer a Edward o que pensava sobre as similaridades das vítimas. Mas ela precisava dizer a alguém que trabalhasse com a lei. Esta informação poderia salvar uma vida. Então ela ligou para Jacob.

Ele apareceu em uma tarde vestindo jeans e camiseta, calado e sombrio, mas ao mesmo tempo simpático.

- Vamos sentar na varanda e conversar – ela convidou, depois que eles comerem um sanduíche e tomaram café, e o primo cochilava.

Eles sentaram juntos no velho balanço, ouvindo o som de mosquitos e cachorros latindo à distância. Era uma noite fria, mas confortável, e as estrelas executavam uma peça gloriosa.

- Eu adoro noites de primavera – ela murmurou – Aqui é tão tranqüilo.

- Eu sinto muito que você não possa apreciá-lo em casa – ele respondeu.

Ela encarou-o, sentindo sua indignação.

- Sue te contou.

- Sim – ele disse – Eu quis matá-lo.

- Eu senti o mesmo, mas não serviria de nada – ela disse resignada – Ele é o tipo de pessoa que não precisa de ninguém. Eu devia ter percebido, e não ter me envolvido com ele.

- Não se culpe – ele disse – Ele não é a pessoa que eu achei que fosse também.

Ela tocou a corrente fria que segurava o balanço.

- Eu suponho que ele realmente acredite que eu estava o seguindo. Eu não pude fazê-lo entender que aquelas atividades eram normais para mim.

- É água sobre a ponte. Por que você me chamou? – ele deu um risinho – Você finalmente descobriu uma paixão arrebatadora por mim, e quer me dar um anel de diamante?

Ela encarou-o e então explodiu em uma gargalhada.

- Seu idiota!

- Valeu a tentativa. Rápido, rápido, eu estou na cola de um contrabandista e preciso pegá-lo rápido. Não posso ficar muito.

Ela sorriu, lembrando dele como um delinqüente juvenil que sempre se metia em problemas na escola. Nada sério, mas ele não conseguia ser plácido.

Ela o encarou.

- É sobre a criança que foi assassinada.

Ele ficou quieto.

- Sim?

- Eu lembrei de algo – ela disse – Eu ia dizer a Edward, mas ele achou que eu tinha ido a sua casa porque ele não me ligou.

- Eu já sei.

Ela respirou fundo.

- Todas as meninas tinham cabelos castanhos compridos – ela disse.

Ele franziu a testa.

- Bem... sim, elas tinham!

- E olhos claros.

Ele concordou.

- E fitas... vermelhas.

Ele repentinamente ficou muito quieto.

Ela encarou as próprias mãos.

- Jacob, você estava fora quando aconteceu – ela disse – Mas alguém, Sue talvez, deve ter dito algo a você.

- Muito pouco – ele respondeu – Exceto que você estava traumatizada por causa de um maníaco sexual – ele hesitou – Eu não me sentia confortável para perguntar algo.

Ela encarou-o e sorriu gentil.

- Obrigada.

Ele deu de ombros.

- Eu sou uma pessoa discreta. Eu entendo.

Ela curvou os dedos ao redor da correia.

- Apenas algumas pessoas sabem a verdade. Não foi publicado – ela disse – Minha avó não queria escândalos. Mamãe ficou sabendo pela vovó, e naquela mesma noite cometeu suicídio.

- Sua mãe? – ele exclamou – Mas por quê?

- Quem sabe? Vovó disse que mamãe sentiu-se responsável, por ter me afastado de sua vida e me deixado a mercê de uma velha mulher amarga que bebia em excesso quase todas as noites.

- Eu nunca percebi que a velha senhora Dwyer fosse alcoólatra – ele admitiu surpreso.

- Ela sucumbiu quando precisou ir ao hospital para me ver. Eu estava... Eu era uma bagunça – ela murmurou. Ela inclinou-se no balanço – Se você viu o corpo da última criança assassinada, pode imaginar como eu estava.

- Bom Deus! – ele explodiu.

- Eu tive sorte – ela continuou. Era bom falar sobre isso, depois de tantos anos de silencio mortal – Ele entrou em pânico. Ele não sabia como me estrangular. Ele ficou confuso com a fita vermelha, e então as sirenes chegaram. Ele me esfaqueou com uma faca de bolsa, muitas e muitas vezes. Eu sentia uma dor terrível, mas mesmo tendo apenas onze anos, sabia que se não me fingisse de morta, acabaria morta. Eu segurei a respiração e rezei e rezei. E ele correu. Alguém havia chamado a polícia quando viu ele me carregando por um campo durante a noite. Eu nunca soube quem, mas salvou minha vida – ela o encarou, percebendo a tensão, a raiva contida – Aparentemente não é tão fácil matar alguém, mesmo uma criança.

- Não, não é – ele confirmou arrasado – São necessários vários minutos de pressão concentrada. Uma corda é mais fácil que ambas as mãos, mas é necessário mais de um minuto para matar uma pessoa.

- Eu lembro das mãos dele – ela disse desconfortável – Elas eram magras e brancas, a aparência fraca. Eu pude vê-las embaixo da faixa nos meus olhos. Eu acho que uma tinha cortes profundos na superfície. Elas não eram como as de meu avô, que já foi xerife e trabalhava com cavalos. Ele tinha mãos firmes, grandes, fortes. Mãos boas.

- Eles levaram você a um medico – ele insistiu quando ela ficou em silêncio.

Ela respirou fundo.

- Doutor Jasper havia acabado de conseguir sua licença. Eu fui uma de seus primeiros pacientes – ela acrescentou com um sorriso – Eu aprendi algumas palavras feias ditas por ele enquanto me examinava. Ele era eloqüente.

- E ainda é – Jacob disse.

- De qualquer modo, precisei de algumas cirurgias pequenas e um monte de reparações. Eu perdi um ovário, o baço e o apêndice – ela acrescentou – Eles disseram que eu precisaria de um milagre para ter um filho. Como se depois de tudo eu ainda quisesse casar e dar poder sobre mim a um homem – ela disse triste, e tentou não lembrar do conforto dos braços de Edward na escuridão. Ele havia se afastado rapidamente dela quando soubera que ela não podia ter filhos. Por outro lado era até bom ser estéril, depois do modo como ele a tratara.

- Um repórter escutou alguma coisa durante a investigação. Não o suficiente para que ele deduzisse a verdade, mas o suficiente para deixá-lo curioso. Ele veio até aqui para bisbilhotar. Minha avó chamou Quil. Quil disse a ele que eu havia sido atacada por um louco e sofrera amnésia, e que não podia lembrar de nada. Isso pareceu satisfazer o repórter, porque ele foi embora e ninguém mais o viu. Mas depois dele partir, vovó ficou com medo de que o homem que me raptara pudesse voltar e terminar o trabalho se a história se espalhasse. Mesmo eu estando vendada o tempo inteiro, ele pode ter pensado que eu ainda pudesse identificá-lo. Então nosso chefe de polícia, Quil, escondeu o arquivo, e falou com a mídia local. Ele disse que eu havia sido seriamente machucada por um doente mental, que eu estava com amnésia e não podia lembrar como me machucara. Todos ao meu redor juraram que era verdade. O jornal publicou que uma adolescente havia sido machucada por um doente mental e não podia lembrar-se de nada que acontecera. O doente mental, eles disseram, foi levado de volta a instituição de onde escapara, e estava bem. Era uma história muito pequena para os grandes jornais, então a história acabou aí. Se o homem checasse o que eu dissera a polícia, e lesse o jornal local, sentiria-se seguro – ela o encarou – Eu tinha tanto medo dele fazer isso novamente, a alguma outra criança. E ele fez, não fez, Jacob? Ele ainda está solto, mas agora ele está matando as crianças. Eu não queria proteção as custas da vida de outra pessoa, mas ninguém me escutaria. Eu era só uma criança. Eu tive que viver com isso desde então.

- Maldição!

Ela suspirou profundamente. As memórias ainda eram dolorosas, assustadoras. Ela juntou as mãos no colo.

- Eu me sentia mal por não contar a verdade.

- Você era uma criança, Isabella. Você não teve culpa do que aconteceu.

- Mas eu não sou uma criança agora – ela disse confiante – Eu não posso descrevê-lo, Jacob, mas lembro de sua voz. Pelo menos você pode olhar o arquivo e ver as evidências que eles salvaram. Eu sei que eles pegaram vestígios, e minhas roupas íntimas – ela insistiu respirando fundo. Ela não queria lembrar do resto – Deve haver mais alguma coisa que ajude na investigação.

- Sim, mas, Isabella, se Quil escondeu o arquivo, como nós vamos encontrá-lo?

- Você pode encontrar. Eu sei que pode. Eu quero que você vá até El Paso e fale com o Chefe Quil. Eu quero que você diga a ele que nós temos que fornecer as informações à força armada. Eu vou tentar me lembrar do que ele dizia, qualquer coisa que possa ajudar em sua identificação. Eu fiquei no lugar por três dias.

Ele não falou por vários segundos.

- Isabella, com qual propósito serviria reabrir o arquivo onze anos depois do fato? – ele argumentou – Nós temos DNA da outra vítima. Nós temos pistas. Se nós abrirmos o arquivo, alguém vai deixar o gato escapar da bolsa. Qualquer fofoca sobre o caso colocaria você em perigo. Ele pode voltar e matá-la, apenas para silenciá-la.

- Eu sei – ela respondeu – Mas ele já matou muitas crianças – ela disse triste – Talvez eu pudesse ter salvado alguma delas se...

- Pare por aí – ele disse firme, segurando os dedos frios – Predadores sexuais estão em toda parte. Você não poderia prever um seqüestro mesmo de morasse na mesma cidade que o bandido! Esse predador já foi encoberto por muito tempo. Os pais sabem que tem que cuidar das crianças, mas esse cara é muito esperto. Avisar as pessoas não vai pará-lo.

Ela concordou.

- Talvez não. Eu acredito que teria sido sua primeira vítima – ela continuou – Ele estava nervoso no dia em que me pegou. Ele usou uma faca de bolso, mas eu ganhara muito peso naquele ano. Eu tinha um estômago gordo e isso salvou minha vida. Ele me deixou quase morrendo, em pânico e correu. Eu tentei gritar. Alguém me ouviu e eu fui encontrada a tempo – ela perdeu-se na escuridão – Ele me tirou da minha própria cama, no meio da noite, com minha avó dormindo no quarto ao lado. Se ela não tivesse bebido, poderia ter ouvido. Ela me odiou pelo resto de sua vida, porque todos ficaram sabendo que ela estava bêbada. Ela fingia ser um pilar moral da sociedade. Então eu fui raptada e ela foi exposta.

- Ela deveria ter sido incriminada por negligência criminal – ele grunhiu.

- Ela está morta. Todo mundo está morto menos eu, Jacob – ela disse triste – Não importa mais. Pegar esse lunático sim. Você tem que fazer o Chefe Quil dizer-lhe onde está o arquivo. Deve haver algo que lhe dê uma trilha até o assassino, especialmente se eu realmente fui a primeira vítima. Ele deve ter cometido algum erro que não percebeu. E esse erro pode ajudar vocês a pegá-lo.

Ele sorriu gentilmente.

- Você é uma verdadeira dama.

Ela encostou-se no ombro dele. Era a primeira vez que ela o tocava voluntariamente. Ele era um homem gentil.

- Eu gostaria de ser o que você espera de mim, Jacob – ela disse honestamente – Você é o cara mais gentil que eu conheço.

O coração dele doeu. Tê-la ao seu lado tão confiante o tornou humilde. Ele queria abraçá-la e beijá-la até ela gemer, e assim fazer com que ela o amasse. Mas nunca iria acontecer. Ele amava. Ela não. Ela era apenas sua amiga. Mas isso era melhor que nada.

Ele deslizou o braço pelos ombros dela hesitante, pousando lá quando ela não protestou. O coração subiu na boca, mas ele a abraçou de um modo reconfortante e platônico.

– Você é a melhor mulher que eu conheço – ele respondeu.

Ele sentiu o suspiro suave dela quando ela relaxou em seu ombro. Este interlúdio era mais doce que mel. Pelo menos ela gostava dele. Ela confiava nele. Quem não diria que um dia ela perceberia o bom partido que ele era. Ele apenas tinha que ser paciente e não pular os obstáculos.

Ele pôs o balanço em movimento. Em volta deles, a noite era tranqüila e quieta.

Nos dias seguintes, Edward voltou ao trabalho tentando não pensar em Isabella. Ele interrogava todas as pessoas ao seu redor para saber de um novo assalto a banco. Era a mesma gangue, com armas automáticas. Dessa vez eles haviam ferido um guarda e um cliente. Ele falou rápido com seu esquadrão e mandou quatro homens a um banco. Nesse período, ele reuniu-se com a força armada dos assassinatos infantis, organizou seus casos e lançou ordens ao esquadrão, acompanhando visitas ao redor da cidade, e organizando alguns papéis. Mas sua consciência ainda doía por Isabella. Ele poderia ter sido menos cruel. Ela era como uma criança, de vários modos. Ele não estava acostumado a magoar deliberadamente as pessoas. Talvez fosse como Jacob havia dito, era apenas uma coincidência ela aparecer nos mesmos lugares que ele.

Duas semanas depois que ela partiu, seu irmão Emmett lhe ligou e convidou-o a ir até a estação de polícia.

- Por que aqui e não em casa? – ele perguntou ao irmão com um sorriso enquanto eles entravam no escritório.

Emmett não devolveu o sorriso. Ele estava sombrio. Ele fechou a porta do escritório e sentou atrás da mesa.

- Jacob viajou até El Paso e falou com nosso primo Quil – Emmett disse. Ele tinha as mãos em cima de uma pasta – Houve uma tentativa de assassinato de uma criança aqui em Jacobsville onze anos atrás. É idêntico ao caso em que você e Jacob estão trabalhando. O arquivo foi fechado e escondido, porque Quil tinha medo de que o homem voltasse e terminasse o serviço se descobrisse que a menina tinha sobrevivido.

Edward franziu a testa.

- A criança viveu? Existe uma testemunha?

- Sim – Emmett respondeu – É um caso trágico. Ela foi seqüestrada da própria cama e carregada até um trailer fora da cidade. Ela foi mantida lá por três dias – ele disse com os lábios apertados – Ninguém sabe o que ele fez com ela. Ela nunca falou sobre isso com ninguém. A vida cuidou de seus machucados. Ela passou semanas no hospital. Houve uma busca pelo seqüestrador, mas eles nunca o encontraram. Ele simplesmente desapareceu.

- A criança era uma menina? – ele perguntou.

- Sim. Ela tinha onze anos. Como as outras vítimas, ela tinha cabelo castanho e olhos claros.

- Por que, em nome de Deus, eles não dividiram essa informação com a agência? – Edward exigiu calorosamente – Poderia ter salvado vidas! Especialmente com uma testemunha viva que poderia identificá-lo!

- Ela estava vendada – Emmett disse – O tempo todo. Ela ouviu a voz dele. É tudo.

- Mas encobrir o caso...!

- Jacobsville é uma cidade pequena, e suas pessoas são poderosas – ele disse – Você conhece Quil. Ele não gosta de confrontos. Disseram o que ele deveria dizer, e ele fez. Contra o seu julgamento, devo acrescentar.

Edward soltou um suspiro áspero.

- Bem, o que está no arquivo? Existe algo sobre uma fita vermelha?

- Sim – Emmett deslizou o arquivo pela mesa. Ele observava Edward com uma expressão estranha.

Edward não podia entender porque até que ele abriu a pasta com o arquivo e viu a primeira das fotografias que foram tiradas na cena do crime, e a criança na hora do resgate.

A garotinha era roliça, como as crianças geralmente são quando alcançam a adolescência. Ela estava coberta por sangue. O cabelo castanho comprido estava encharcado dele. O top estava rasgado, assim como os shorts de cotton. As pernas e os tornozelos estavam sujos. A próxima série de fotos fora tirada no hospital, sem as roupas. Seu estômago exibia vários cortes de faca. Haviam esfoladuras por todos os braços e pernas. Ela tinha um olho roxo e a boca estava sangrando. Havia sangue ao redor dos pequenos mamilos rosados.

O dano combinava com o da autópsia da criança morta que Edward acompanhara, exceto que essa pobre vítima havia sobrevivido. Ele estudou as fotos e virou-se para pegar o relatório da polícia, que fornecia o nome da criança.

A respiração de Edward explodiu no silêncio do escritório. Seu coração parecia ter parado de bater. O nome da criança era Isabella. Isabella Swan.

As memórias piscaram em seus olhos. Isabella, tímida e com medo dele.

Isabella, permitindo que ele a segurasse com os olhos abertos e assustados. Isabella, colando-se a ele. Isabella, em seus braços, em sua cama, amando-o. Isabella segurando sua mão e radiando felicidade. Isabella, afastando-se dele no café da Sue...!

O quebra-cabeças encaixou-se. Isabella era inocente porque ela fora seqüestrada, assediada e quase morta por um maníaco homicida. E ele havia zombado da experiência dela. Pior, ele havia a seduzido e então chutado-a de sua vida, como um homem descartando uma toalha usada.

Ele apoiou o rosto nas mãos e tentou justificar o que havia feito a pobre e torturada alma devido ao pobre medo de aproximar-se muito dela. Deus do céu, ele pensou arrasado, o que foi que eu fiz!

Emmett não era cego. Ele sabia da fofoca entre Edward e Isabella, especialmente nas últimas semanas quando ela fora forçada a sair da cidade para acabar com os boatos. Ele e Edward não eram próximos, então ele não fizera perguntas. Mas o homem na sua frente não parecia muito arrogante agora.

Edward encostou-se em sua cadeira. Seus olhos estavam escuros. Ele havia perdido a cor das faces. O choque era totalmente notável.

Ele estava tentando arrumar justificativas para suas própria ações. Não havia dúvidas de porque ele havia sido excluído depois do modo como tratara Isabella. As pessoas importantes da cidade sabiam o que havia acontecido com ela. Eles estavam felizes porque ela havia encontrado alguém que poderia cicatrizar suas feridas emocionais, dar-lhe um pouco de felicidade. Não havia sido algum tipo de fofoca maliciosa em relação aos dois, ou uma tentativa de casá-los. Era felicidade, depois de tudo que Isabella havia passado, ela finalmente poderia ter um futuro adorável para confortar a dor do passado.

Ao invés disso, ela havia sido mais uma vez enganada pelos fatos. Por Edward.

Edward respirou fundo.

- Jacob queria contar a você – Emmett acrescentou depois de um minuto – Mas eu não confiei nele, já que ele não sabe os fatos do caso.

Edward encarou o irmão sem piscar.

- Ele não sabia?

Emmett balançou a cabeça.

- Isabella não disse a ninguém. Quil lhe forneceu os detalhes, junto com o arquivo. Para completar, ninguém sabe o que o animal fez com ela nos três dias em que a manteve como prisioneira.

Ele lembrava da criança morta, a terrível mutilação de seu corpo. Poderia ser Isabella. Ela poderia estar morta, ao invés de atacada emocionalmente e sexualmente e quase morta. Era como um pesadelo. Ele nunca havia pensado em si mesmo como um monstro. Até agora.

- Existe alguma evidência? – ele perguntou, forçando o cérebro nublado a funcionar.

- Sim. Eu apostaria meu cassetete de que o DNA vai combinar com o encontrado na última vítima.

- DNA – ele encarou Emmett enquanto a verdade cavava um buraco em seu coração – DNA! – Ele apertou os dentes – O filho da puta estuprou Isabella...!

Ele levantou da cadeira em um movimento poderoso, quase tremendo de raiva e descontrole.

Emmett entrou na sua frente antes que ele abrisse a porta.

- Sente-se.

- O inferno que sim!

- Eu disse, sente-se!

Emmett empurrou-o na cadeira e inclinou-se sobre ele, poderoso e estático.

- Lembre-se o que e quem você é – ele disse, os olhos verdes presos nos do irmão – Você não pode sair daqui como um cachorro louco, caçando sombras. Você nem ao menos tem um suspeito. O que você vai fazer, checar as mãos de todos os homens dos distritos de Jacobs e Tarrant?

Dito assim, parecia absurdo. Mas Edward não estava pensando direito. Ele estava furioso. Ele queria machucar alguém. Ele queria encontrar o maníaco sexual e estrangulá-lo com suas próprias mãos. Ele não se lembrava de alguma vez ter sentido uma raiva tão irracional. Pelo menos não desde que ele perdera seu próprio amor, há tanto tempo...

Mas ele já vivera muito no passado. Ele havia se acostumado a não envolver-se em amarras, a manter distância de qualquer outro relacionamento. Ele estava sozinho, por escolha. Mas Isabella havia pagado o preço. Ele havia atacado-a para defender-se. Ela nunca o perdoaria…

Ele olhou para Emmett com tardia realização. Isabella havia saído do pesadelo que era sua vida para lançar-se sobre Edward com esperança e antecipação. Ele havia atirado pelas costas, machucado-a verbalmente e emocionalmente. Ele a assustara tanto no café que ela afastou-se dele, tremendo como um coelho. Ele havia feito isso com ela, quando seu único crime era querer amá-lo.

Seus olhos fecharam-se em uma onde de dor. Isabella havia mandado Jacob até El Paso para expor o capítulo mais horrível de sua vida. Ela correra o risco reabrindo o caso, e sabendo que o assassino poderia voltar para terminar o serviço que começara.

Em um flash ele viu o que ela havia perdido quando Emmett lhe entregara o relatório. Isabella era a única pessoa viva que podia identificar o assassino das crianças. E dividir o caso com a polícia poderia matá-la também.


N/A Putz que capitulo heim... eu sempre choro quando o leio.

E agora o que Edward vai fazer? Curiosos?

E ai? Reviews?