Beta: TaXXTi
Entre Nós
Capítulo 12
- Jared... Jared! – Jensen chamava e sacudia o moreno de leve, já que ele estava desacordado há alguns minutos.
- Jensen? – Justin abriu os olhos, piscando várias vezes e se mexendo lentamente, tentando se adaptar ao corpo de Jared. – Oh, merda... isso funcionou mesmo – Justin se sentou, olhando para as mãos de Jared e mexendo os dedos, mal podendo acreditar.
- Justin...? – Jensen se afastou, um pouco assustado.
- Jensen... Uau! – Justin sorriu, ainda incrédulo, então percebeu o olhar assustado do loiro. – Jen, eu... eu estive tanto tempo vagando por aí, sem poder falar com você, sem poder te tocar... – Justin ficou de pé e se aproximou, tocando o rosto do namorado de leve, sentindo o calor e a maciez da sua pele. – Eu senti tanto a falta disso... eu mal posso acreditar que estou sentindo novamente... a sua pele, o seu cheiro... – Justin envolveu Jensen em seus braços, encostando a cabeça na curva do seu pescoço, aspirando seu perfume.
- Espera – Jensen se afastou do abraço, para poder olhar nos olhos do outro. – Justin, é mesmo você? – Era tudo surreal demais, não podia acreditar.
- Sim, sou eu, o seu furacão ruivo, lembra?
Jensen sorriu ao se lembrar do apelido. Fazia tanto tempo, mas era como se fosse ontem... A primeira vez que ficaram juntos, tinha sido uma noite divertida e inesquecível.
Flashback on
Jensen sentia-se um pouco tonto, já havia bebido demais, as luzes e a música eletrônica o faziam se sentir ainda mais eufórico. Não era o tipo de ambiente que costumava frequentar, mas como o seu amigo Chris tinha vindo à cidade somente para visitá-lo e ajudá-lo com a mudança, resolveu que seria justo fazer a sua vontade.
Estava saindo do banheiro da boate quando cruzou com um cara ruivo e muito bonito. Seus olhos se encontraram por um momento e Jensen podia jurar que vira um sorriso safado no rosto do outro, mas ele tinha sumido tão rápido que não conseguiu ter certeza.
Parou para pegar mais uma cerveja antes de voltar para onde Chris estava e de repente sentiu alguém agarrá-lo pela cintura e encostá-lo contra a parede. Era o mesmo cara ruivo que tinha encontrado há alguns minutos. Jensen o olhou, um pouco confuso, mas não teve tempo de processar o que estava acontecendo. Sem dizer uma palavra, o homem ruivo lhe roubou um beijo que o deixara sem fôlego. Jensen sabia que era o efeito da bebida e talvez se arrependesse depois, mas quando o outro interrompeu o beijo, tudo o que o loiro conseguiu fazer foi beijá-lo novamente, sentindo a fricção do corpo do outro apertando-o ainda mais contra a parede. Ele era lindo e aqueles lábios eram convidativos demais.
- Hey. Meu nome é Justin – o ruivo falou quando interromperam o beijo pela segunda vez, sorrindo.
- Eu sou o Jensen – o loiro de repente se deu conta que tinha beijado um completo estranho pela primeira vez.
- Então Jensen... você quer dançar, ou...?
- Não. Na verdade eu não danço, eu... eu nem sei o que estou fazendo aqui – Jensen riu. – Vim acompanhar um amigo, apenas – complementou, irritado por ter que quase gritar, devido à música muito alta.
- Sério? Eu também não curto esse tipo de lugar. Estou aqui pra pagar uma aposta, na verdade – Justin sorriu, um pouco sem graça desta vez. – O que acha de irmos para algum lugar mais tranquilo?
- Eu... é... – Jensen hesitou por um momento, mas ao olhar para o ruivo novamente, sentiu vontade de conhecê-lo melhor. – Eu só preciso avisar um amigo. Você pode me esperar lá fora se quiser.
- Ok. Não demore muito – Justin selou seus lábios, sorrindo, antes de sair.
Jensen se despediu de Chris e foi para fora da boate, mas se decepcionou quando não encontrou nenhum ruivo por lá.
- Está procurando alguém? – a voz conhecida fez com que Jensen se virasse, dando de cara com um Justin loiro, segurando uma peruca ruiva nas mãos.
- Uau! – Jensen ficou realmente surpreso.
- Loiro. Sinto muito desapontá-lo – Justin levantou os ombros e sorriu.
- Eu gosto de loiros. Mas tenho que admitir que você ficou uma delícia como ruivo.
- Ohhh, obrigado – gargalhou. – A peruca também faz parte da aposta que eu perdi. Agora que já apareci de cabelos vermelhos, numa boate badalada, acho que o Misha vai se dar por satisfeito – Justin fez uma careta.
- Espera... você disse Misha? Misha Collins?
- Ele mesmo. Você o conhece?
- Sim, nós somos amigos há algum tempo, já.
- Esse mundo é mesmo pequeno, hã? Mas então, o que você acha de irmos para um bar, onde podemos conversar sem gritar e com um pouco mais de privacidade?
- Depende. Quem é que vai me acompanhar? O loiro ou furacão ruivo que me agarrou lá dentro?
Flashback off.
- Eu sei, é assustador, não? – Justin tocou seus braços – que na verdade eram os braços de Jared – ainda espantado que tudo tenha dado mesmo certo. – Eu pensei que o Jared aqui estivesse me enrolando, mas ele cumpriu o prometido.
- Sim, ele cumpriu – Jensen não conseguia parar de olhar para aqueles olhos, tentando encontrar Justin neles, mas eram os olhos de Jared, o sorriso, a voz... era todo Jared. – Isso é... – o loiro não sabia o que dizer, sentia-se constrangido com aquilo, mas ao mesmo tempo excitado.
- É bizarro, eu sei. Jen, eu... eu estive perdido por tanto tempo... eu só queria poder chegar até você, eu só queria poder te tocar mais uma vez, só queria poder dizer mais uma vez o quanto eu te amo... Eu te amo, Jensen. Eu te amo muito.
- Eu sei – Jensen sentiu as lágrimas molhando seu rosto. – Eu também te amo. E eu sinto muito por ter sido um idiota da última vez que nos falamos, antes de...
- Não, não diga isso.
- Eu fui... eu estava com raiva e acabei dizendo aquilo tudo, eu te fazia cobranças o tempo todo, eu... eu era um péssimo namorado. Você merecia alguém melhor do que eu, Justin. Me desculpe.
- Jensen, eu sei que antes eu não percebia isso, porque talvez... talvez eu só fosse idiota demais pra perceber as coisas, mas agora eu posso ver com mais clareza. Eu queria te dar tudo... eu queria te dar o mundo pra fazer você feliz, mas eu não percebia que tudo o que você mais queria era que eu estivesse ao seu lado. As minhas prioridades eram outras e hoje eu me arrependo tanto... Eu dei tanto valor para os bens materiais, eu era ambicioso demais, e agora... agora eu vejo que nada daquilo tinha importância. Eu devia ter aproveitado cada minuto que podia estar ao seu lado. Eu devia ter dado a atenção que você merecia, eu devia ter sido mais presente, mais carinhoso... eu sinto muito por isso, Jensen. Eu sinto muito.
- Você não precisa se desculpar. Você me fez muito feliz, eu não poderia numerar a quantidade de bons momentos que nós vivemos juntos. Eu te amei, o tempo todo, mesmo quando estávamos brigando ou quando eu ficava emburrado. Você só estava sendo você mesmo e eu estava sendo ranzinza – Jensen riu, ainda com lágrimas nos olhos.
- Você sempre foi ranzinza. Por isso eu me apaixonei por você – Justin brincou, sentindo que Jensen estava muito tenso. – Jensen, eu... eu estava do seu lado quando você estava prestes a tomar aquele frasco de comprimidos. Eu entrei em pânico e não podia fazer nada. Foi então que eu envolvi o Jared em tudo isso. Eu senti que precisava te ajudar e foi a única maneira de chegar até você.
- Eu sei. Eu fui cético no início e sinto muito por isso, mas... agora eu sei.
- Você precisa seguir com a sua vida, Jensen. Tem um lado egoísta meu que fica feliz por você ainda pensar em mim, mas... eu já não faço mais parte desse mundo. Dói tanto pensar nisso, mas é a mais pura verdade. Você tem que parar de se culpar, meu amor. Você precisa se perdoar.
- Eu sei. Mas não é assim tão fácil. Eu só conseguia pensar no quanto eu tinha sido injusto com você e que eu nunca poderia reparar aquilo. E que eu não merecia ser feliz, sendo que você tinha tido um fim tão trágico, tão... tão injusto – O loiro não conseguiu segurar o choro e deixou Justin envolvê-lo em seus braços. Encostou a cabeça no ombro do mais alto e sentiu as mãos grandes dele acariciando suas costas. As mãos de Jared.
- O que aconteceu comigo foi uma fatalidade, Jensen – Justin segurou seu rosto com as duas mãos, olhando dentro de seus olhos. – Precisa ser forte e recomeçar... você merece ser muito feliz, nunca se esqueça disso – falou antes de beijar os seus lábios com suavidade.
Jensen ficou tenso e recuou por um momento. Sua mente estava em conflito, não sabia como agir ou o que pensar sobre aquilo.
- Eu sei, meu amor… eu sei o quanto parece estranho – Justin tocou o rosto do seu amado com carinho. Era uma situação complicada. Se já era estranho para si, estar no corpo de outro alguém, deveria ser ainda pior para Jensen. Mas sentia que não tinha muito tempo e a necessidade de tocá-lo, de sentir o gosto dos seus lábios e o calor do seu corpo mais uma vez, o estava enlouquecendo. Justin pensou que talvez nunca se sentira tão vivo em toda sua vida.
- Sou eu, não tenha medo... Eu estou aqui por você, eu preciso de você. Uma última vez, Jensen... eu te amo tanto – Justin roçou os lábios pelo maxilar de Jensen, muito de leve, até tomar a sua boca em um beijo cheio de sentimentos e saudade.
Foi estranho no início. Jensen fechou os olhos e se deixou levar pelo momento, mas não podia deixar de pensar que era Jared ali; os lábios dele, a língua dele invadindo sua boca... Ao mesmo tempo era Justin e aquilo tornava tudo tão confuso... não conseguia definir o que estava sentindo, mas era muito bom e, mesmo sabendo que era errado, não queria parar.
As mãos de dedos longos agora tocavam sua pele por baixo da camiseta, apertando sua carne e lhe causando arrepios. Jensen gemeu ao ter seu corpo imprensado contra a parede, sentindo o membro rijo do outro se esfregar em sua virilha. Sua camisa foi arrancada com pressa, assim como a camiseta que vestia. Justin lambia e mordiscava seu pescoço, ombros e peito, dedicando mais tempo aos seus mamilos, que já estavam enrijecidos.
Jensen sentira tanta falta daquilo... dos carinhos, dos toques do seu namorado... Era diferente agora, mas ainda assim podia sentir que era Justin ali. Fechou os olhos e tentou relaxar, tentou não pensar em Jared; apenas deixou-se levar pelo desejo que o consumia, pois se parasse para pensar, acabaria surtando. Era tudo louco demais, mas ao mesmo tempo tão prazeroso...
Quando Justin se ajoelhou à sua frente e abriu o cinto, botão e zíper da sua calça, Jensen pensou em fazê-lo parar, mas não teve forças ao olhar em seus olhos – os olhos de Jared – e ver puro fogo neles. Ao sentir a boca do outro envolver seu pênis, Jensen fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, aproveitando cada sensação. Ao mesmo tempo em que precisava de alívio, também queria que aquilo durasse para sempre.
Quando Jensen estava prestes a gozar, Justin parou o que fazia e encaminhou seu namorado até o quarto de Jared. Livraram-se rapidamente do restante das suas roupas e Jensen não pode deixar de admirar o quanto o corpo de Jared era lindo, seus músculos definidos pareciam ter sido esculpidos por um artista.
Jensen ficou sem graça ao perceber que Justin havia notado seu olhar sobre o corpo do moreno, mas seu namorado - ou ex - sorriu, ao invés de ficar chateado.
- Pelo menos eu encarnei em alguém quase tão bonito quanto eu, hã? – Justin piscou e voltou a beijar o loiro, se deitando sobre ele. – Eu quero você, Jensen – falou com a voz rouca de desejo. A voz de Jared.
Jensen se ajeitou na cama enquanto Justin abriu a gaveta do criado mudo, pegando camisinha e lubrificante de lá.
Justin preparou seu namorado com carinho, se deliciando com cada gemido, cada som ou palavra desconexa que saía da sua boca, seu gosto, seu cheiro... estava ciente de que seria a última vez que o teria em seus braços. Não podia reclamar, sabia o quanto era sortudo por ter tido a chance de se despedir do seu amor, e devia tudo isso a Jared. Ainda que tivesse infernizado a vida do moreno nos últimos meses, era muito grato e tinha que admitir que até sentia alguma simpatia por ele.
Ao sentir que Jensen estava pronto, Justin dobrou os joelhos do namorado para trás e se posicionou entre eles, sentado em seus próprios calcanhares. A visão do loiro ali, totalmente entregue, com o rosto afogueado e a boca entreaberta, fez com que Justin ficasse ainda mais duro, se é que isto era possível. Posicionou seu membro e o penetrou devagar, aproveitando cada sensação. Logo seus corpos se moviam no mesmo ritmo e se chocavam; Jensen fechou os olhos, não queria ver, apenas sentir. Queria que fossem apenas ele e Justin naquele momento, mas não conseguiu resistir... abriu os olhos quando sentiu o orgasmo o atingir como uma explosão. Era uma avalanche de sentimentos que não conseguia definir.
Depois de se livrar do preservativo, Justin envolveu o namorado em seus braços. Sentia que precisava ir, que seu tempo já havia terminado, mas não queria separar-se de Jensen, não tinha forças para deixá-lo.
O beijou mais uma vez, com paixão e desespero, querendo sentir o gosto de sua boca e a maciez dos seus lábios. Queria poder carregar a sensação de ter o loiro em seus braços consigo; Jensen era o seu paraíso.
- Eu te amo, Jensen – Justin falou ao encerrar o beijo, mantendo seu rosto ainda muito próximo.
- Eu também te amo. Eu não quero que você vá – Jensen tinha lágrimas nos olhos, podia sentir que aquilo era uma despedida.
- Eu queria poder ficar aqui para sempre, mas eu sinto que... está na hora. E eu acho que o Jared aqui deve estar querendo o seu corpo de volta, também – Justin sorriu, tentando descontrair o namorado.
- Ele vai se lembrar do que fizemos?
- Não. Não desde que eu assumi o controle – Justin não tinha tanta certeza daquilo, mas não queria assustar Jensen ainda mais.
- E o que acontece agora? – Jensen sentia seu coração disparado no peito.
- Eu não sei. Talvez eu tenha que encontrar a luz – Justin sorriu, acariciando o rosto de Jensen. – Você é a minha luz. É tudo o que eu mais amei na minha vida, mesmo que eu tenha sido um idiota.
- Não fale assim...
- Eu posso dizer que fui um cara sortudo. Passei os últimos anos da minha vida com o cara mais lindo e mais incrível que já conheci.
- Eu posso dizer o mesmo – Jensen sorriu, tentando segurar as lágrimas.
- Agora eu preciso tomar um banho, tenho que devolver este corpo do mesmo jeito que eu peguei. É melhor não deixarmos vestígios – Justin sorriu e foi para o chuveiro, tomou uma ducha rápida e vestiu as mesmas roupas que Jared usava anteriormente.
Depois de se limpar, Jensen se vestiu, então arrumou a cama e a bagunça que haviam feito no quarto. Não queria se preocupar com aquilo no momento, mas seria estranho e também constrangedor, ter que explicar para Jared o que tinham feito na sua ausência. Era melhor que o moreno não soubesse de nada.
Os dois foram até a sala, onde Sadie estava inquieta e assustada, mas não se aproximava de Justin. Provavelmente ela sentia que havia algo de errado com seu dono.
- Está na hora, Jensen – Justin abraçou o loiro pela cintura, encostando suas testas juntas.
- Não... por favor – Jensen sentia suas mãos tremerem e seus olhos embaçados pelas lágrimas. Abraçou o corpo do outro com força, num gesto de desespero.
- Ei... olha pra mim – Justin segurou o rosto do loiro entre as suas mãos. – Não fique assim, eu não quero ver você triste. Eu quero guardar o seu sorriso na minha memória... Pra sempre.
Jensen secou as lágrimas na manga da camisa e fungou, se forçado a sorrir, mesmo que com os olhos ainda marejados.
- Humm... melhor assim – Justin sorriu e o beijou pela última vez, antes de se sentar no sofá, segurando a mão de Jensen com firmeza. Estava com medo. Não sabia o que viria a seguir, mas sentia que precisava ir. Sorriu mais uma vez para o namorado e sentiu sua alma sendo levada. Os olhos de Jared se fecharam e Justin partiu com a imagem do sorriso de Jensen em sua memória.
Jensen chorava copiosamente, enquanto o corpo de Jared permanecia inerte, sentado no sofá. Tentou se recompor antes de tentar acordar o moreno, que parecia alheio a tudo o que acontecia ao redor.
- Jared – Jensen chamou devagar, temendo que algo pudesse ter acontecido ao moreno. – Hey! Jared!
- Humm... – Jared apenas gemeu, sem abrir os olhos.
- Jared, por favor, eu preciso que você acorde – Jensen insistiu.
- O quê? – Jared finalmente abriu os olhos, um pouco assustado, e passou as mãos pelo rosto, ainda sonolento. – O que aconteceu?
- Acabou – Jensen sentiu mais uma lágrima escorrer pela sua face. – Ele se foi.
- E você... – Jared se sentiu tonto. – você está bem?
- Sim – o loiro forçou um sorriso. – Eu vou ficar bem. Mas e você? Como está se sentindo? – Jensen estava realmente preocupado. Jared não parecia nada bem, seu rosto estava pálido e ele parecia extremamente cansado.
- Eu... é... – Jared tentou se levantar, mas perecia sem forças. – Eu preciso dormir um pouco.
- Eu ajudo você – Jensen deixou que o moreno se apoiasse em seu ombro e o conduziu até o quarto.
Jared tirou apenas os tênis e se deitou na cama com a roupa que estava usando. Em poucos minutos, estava dormindo profundamente.
Sem saber o que fazer, Jensen se deitou ao lado do moreno e acabou pegando no sono também. Acordou duas horas depois, percebendo que ele ainda dormia. Estava com medo que algo tivesse dado errado quando o outro finalmente despertou.
- Jared, você está bem? – Jensen o olhava, cheio de preocupação.
- Estou sim – Jared se sentou na cama. – Só um pouco cansado. Você não precisava ter ficado, Jensen.
- Eu jamais deixaria você sozinho. Eu fiquei preocupado, cara – o loiro estava sendo sincero.
- Então... vocês... conseguiram conversar?
- Sim, isso foi... incrível, eu mal posso acreditar que foi mesmo real. Graças a você eu pude finalmente me despedir dele e dizer tudo o que era preciso. Eu nem sei como te agradecer, Jared – Jensen tentou tocar o rosto do moreno, que se esquivou do toque.
- Não precisa agradecer, Jensen. – Jared se levantou da cama, se sentindo desconfortável. – O Justin parece ter encontrado paz, finalmente. Eu não sinto mais a presença dele.
- Sim. Eu e ele nos sentíamos culpados, por razões diferentes. A morte dele foi tão inesperada... e eu ainda sinto tanto, mas... parece que eu tirei um peso dos meus ombros, depois de falar com ele.
- É o primeiro passo pra você conseguir superar.
- Jared, o que aconteceu com você enquanto o Justin... você se lembra de alguma coisa?
- Não. Eu não me lembro de nada – Jared mentiu. Não queria fazer Jensen se sentir ainda pior. Aquela situação já era embaraçosa o suficiente.
- Tem algo que eu possa fazer por você?
- Sim. Você pode ir embora e me deixar dormir – Jared sorriu. – É sério Jensen, eu preciso de mais algumas horas de sono e é um pouco estranho com você aqui – Jared só queria ficar sozinho. – Eu vou ficar bem, eu prometo.
- Tem certeza?
- Tenho. Já é madrugada, você também deve estar cansado.
- Você me liga quando acordar? Só pra eu ter certeza que está bem.
- Sim, eu ligo.
Jensen ainda não estava convencido, mas mesmo assim foi embora. Não tinha o direito de interferir na vida de Jared e se assim ele queria, não havia mais nada que pudesse fazer.
Entrou em sua casa e, pela primeira vez em muitos meses, sentia-se em paz. Pensou em Justin e seu coração encheu-se de saudades, mas era diferente agora... não sentia mais aquela dor sufocante e aquela angústia que sentira por tanto tempo e que já era como se fizesse parte de sua vida. As lembranças agora já não traziam mais sofrimento, pois sabia que tinha sido perdoado. Ainda achava errado e injusto que Justin tivesse sido levado da sua vida tão cedo, mas nada podia fazer para mudar o passado, então decidiu se agarrar somente às boas lembranças. Os bons momentos que compartilharam ali, naquela casa. Mesmo que os planos para o seu futuro juntos nunca fossem concretizados, Jensen tinha certeza de que o que vivera ao lado de Justin tinha sido maravilhoso e intenso. Agora podia ver que amara e fora amado, e que era normal que ele e Justin tivessem desentendimentos como qualquer outro casal. Ainda tinha curiosidade em saber o que acontecera ao seu namorado depois que deixara o corpo de Jared, mas se sentia grato por ter tido a oportunidade de se despedir e de pedir perdão. Devia muito a Jared e sabia que nada que fizesse seria o suficiente para agradecer tudo o que ele fizera.
Era um pouco perturbador pensar no que tinha acontecido naquela noite. Mesmo sabendo que era Justin quem possuía o corpo de Jared, Jensen não conseguia deixar de pensar no moreno. Sentia-se culpado por ter usado o corpo do outro sem seu consentimento, mas como poderia se desculpar por aquilo? Jared provavelmente o odiaria se soubesse. Intimamente e sem querer sequer admitir para si mesmo, Jensen também não conseguia deixar de imaginar como seria se Jared estivesse no comando. Se fechasse os olhos, ainda podia se lembrar do toque das mãos grandes e fortes, do seu gosto e do seu cheiro, da textura dos seus lábios... Não. Jensen sabia que estava confundindo as coisas. Tinha que esquecer o que acontecera naquela noite, tinha que parar de pensar em Jared. Já era tarde, decidiu que precisava dormir e provavelmente tudo ficaria esquecido no dia seguinte. Ou ao menos era o que esperava.
- x -
Jared dormiu por mais de dez horas, mas ao acordar ainda se sentia cansado. Era como se Justin tivesse sugado todas as suas forças. Forçou-se a levantar e, depois de um banho demorado, tomou um bom café da manhã e resolveu sair para passear com Sadie. Percebeu que ela ainda estava um pouco receosa de se aproximar, devido aos acontecimentos da noite anterior.
- Hey garota – Jared se ajoelhou e fez carinho na nuca do animal. – Sou eu, você não precisa ter medo. Isso não vai voltar a acontecer nunca mais, eu prometo. Pode confiar em mim – Sadie relaxou aos poucos e deixou que Jared colocasse sua coleira. – Boa menina... – sorriu. – O que você acha de irmos visitar o Chad? Ei, nada de preguiça, você precisa se exercitar – o moreno falou quando a cachorra se deitou diante do sofá.
Quarenta minutos mais tarde, os dois estavam diante da casa dos pais de Chad e encontraram o loiro no jardim, terminando de roçar a grama.
- E aí, bro! – Chad abriu um largo sorriso. – Eu não vou te abraçar porque estou suado e é capaz de você não resistir ao meu cheiro másculo e acabar se apaixonando – o loiro brincou.
- É. Vai sonhando... – Jared riu e se sentou no meio fio da calçada, esperando que o outro terminasse o que estava fazendo.
Depois de alguns minutos os dois entraram, Jared tirou a coleira de Sadie e a deixou no jardim, junto com o cãozinho de Chad, os dois pareciam se divertir.
- Seus pais não estão em casa? – Jared estranhou o silêncio.
- Foram fazer compras, mas devem voltar logo. Inclusive o meu pai quer falar com você.
- Mesmo? – Jared estranhou. – O que ele quer comigo?
- Eu já te falei que começarei a trabalhar com ele na segunda-feira, não é? Então... eu sei que a empresa está só começando, mas o meu pai tem muitos contatos e ele conseguiu alguns clientes fixos já.
- Isso é ótimo – Jared só podia ficar feliz ao ver a empolgação de Chad.
- Não é? – Chad sorriu. – E nós precisamos de alguém de confiança pra trabalhar conosco, então... não consegui pensar em outra pessoa, a não ser você – o loiro falava enquanto Jared o seguia até o seu quarto.
- Chad... eu não...
- Eu não vou aceitar não como resposta, Jared, pode parar. Eu trabalhei por quase um ano naquele depósito da Pit stop e sei o quão fodido é aquilo lá, além deles te pagarem uma miséria. Você vai ganhar um salário melhor, vai ter um trabalho mais digno e já me falou que trabalhou com manutenção de equipamentos de informática uma vez, então não tem desculpa.
- Faz algum tempo, Chad. Eu não sei se eu...
- Eu vou te ensinar tudo o que for preciso. Isso ainda não é uma desculpa.
- Bom, você me deixou sem argumentos, mas... tem outra coisa, Chad. E se eu surtar como aconteceu na empresa aquela vez? Eu sei que... eu sei que você entende, mas e o seu pai? Ou algum cliente?
- O meu pai já sabe de tudo.
- O quê?
- A minha mãe vivia preocupada com você e achando que você estava doente... Me desculpe, Jared, mas eu tive que contar.
- E como... como eles reagiram? - Jared se sentou na cama, preocupado.
- Ficaram um pouco céticos no início, mas quando eu falei sobre o corpo do garoto que você encontrou e sobre o homem no lago, eles acreditaram. Você pode confiar neles, Jared. E depois, você já faz parte da família, não adianta querer fugir – Chad tocou seu ombro, lhe passando confiança.
- Obrigado, Chad – Jared ficou emocionado. – Mas é que... na verdade, eu não sei se irei ficar muito tempo aqui, na cidade.
O que? – Chad se aproximou e se sentou na cama, ao lado do moreno. – Como assim, cara? Você não pode simplesmente... você tem amigos aqui, não pode simplesmente ir embora e voltar a ficar sozinho. É ainda por causa do Justin? Você disse que resolveria tudo, eu não...
- Não, Chad. Está tudo resolvido, o Justin se foi. Mas é que... aconteceram outras coisas ontem à noite, e...
- Ontem? Você esteve com o Jensen, não me diga que aquele filho da puta...? – Chad se levantou, furioso.
- Chad, eu vou te contar tudo, só... sente-se por favor. O Jensen não fez nada, eu é que... eu fiz merda, Chad. E eu não te falei nada antes, porque... porque eu sabia que estava fazendo besteira e que você ia tentar me impedir.
- Jared... que diabos...? – Chad voltou a se sentar, preocupado.
Jared contou tudo o que acontecera na noite anterior, sobre a possessão, sobre Justin e Jensen, sobre como se sentira depois que tudo tinha acabado.
- Aquele filho de uma... – Chad caminhou até próximo à janela e socou a parede. – Eu sabia que não podia confiar nele.
- Chad, olha... eu sei o que parece, mas não foi bem assim. Eu poderia ter expulsado o Justin do meu corpo a hora que eu quisesse, eu...
- E por que não expulsou? – Chad abriu os braços, indignado.
- Porque... eu sei o quanto isso é patético, mas... eu quis. Mesmo sabendo que o Jensen estava pensando nele o tempo todo, eu... eu quis. Porra, eu quis!
- Você está apaixonado pelo Jensen, não está? Cara... por que você fica se torturando desse jeito? Você é melhor do que isso, Jared. Você merece alguém que te ame, e não que te use enquanto pensa em um fantasma idiota.
- Eu vou ficar bem, Chad. O Jensen não vai mais me procurar e logo eu vou ter superado isso tudo.
- Como você sabe que ele não vai mais te procurar?
- A única coisa que nós tínhamos em comum era o Justin. Ele se foi agora, acabou. O Jensen não precisa mais de mim.
- Talvez ele ainda queira ser seu amigo.
- Eu não acredito nisso. Toda vez que ele olhar pra mim, vai se lembrar do Justin.
- Que merda. Por isso você está pensando em deixar a cidade?
- É só uma ideia. Eu só não sei se eu quero ver o Jensen novamente. Não sei se eu vou conseguir suportar e fazer de conta que nada aconteceu. Por isso eu prefiro que ele não me procure mais. Dói demais saber que ele estava comigo, mas pensando em outro, entende? - Nem Jared mesmo entendia porque havia permitido aquilo. Não tinha o controle sobre os movimentos do seu corpo, desde que Justin o tomara, mas podia tê-lo expulsado a qualquer momento, se assim desejasse. O único problema tinha sido que depois de sentir os lábios de Jensen nos seus e de sentir o calor do corpo do loiro, Jared só conseguiu querer mais daquilo, mesmo que a sua mente gritasse que era Justin quem Jensen desejava, e não ele.
A verdade era que tinha sentido tudo... cada beijo, cada toque, o pau de Jensen em sua boca, a textura da pele do loiro, o gosto e o cheiro, tinha sentido o quanto ele era quente e apertado... tinha sido a melhor sensação que tivera em sua vida.
No fundo, estava se sentindo um pouco culpado por ter participado clandestinamente daquilo tudo, afinal, era um momento íntimo entre Jensen e Justin. Mas realmente não tinha ideia de como funcionava a possessão e não imaginava que sua mente fosse ficar alerta o tempo todo.
E não era somente o sexo, mas tinha sentido também toda a emoção da despedida, o sofrimento de ambos, o amor, o cuidado, o medo de Justin... Medo de deixar Jensen, medo do que estava por vir, do desconhecido... Tinha sentido tudo o que Justin sentira e não podia culpá-lo, era realmente assustador. Também não tinha mais dúvidas de que Justin realmente amava Jensen. Amava muito e se preocupava com ele. Justin tinha sido tão carinhoso e cuidadoso, que Jared quase não pode reconhecer nele o fantasma chato e pentelho que ele tinha sido o tempo todo. Ele só precisava de atenção e Jared se sentia feliz e aliviado por ter conseguido ajuda-lo, apesar de tudo. Não fazia ideia do que tinha acontecido com ele depois que abandonara o seu corpo, mas tinha certeza que ele já não estava mais por ali.
Continua...
Resposta às reviews sem login:
Maria Aparecida: Pronto, o Justin finalmente descansou. Agora é esperar pra ver no que isso vai dar, né? Rsrs. Beijos! Obrigada por comentar!
Guest: Jared não irá mudar de personalidade, como você viu, ele volta a ser ele mesmo depois que Justin partiu. Claro que a cabeça dele ficou uma bagunça depois dos acontecimentos, né? Assim como a do Jensen. Obrigada, e seja bem vindo (ou bem vinda, você não colocou nome... rsrs) para comentar sempre que quiser. Beijos!
Nadine: Obrigada querida! Ah, tadinho do Justin, acho que ele era incompreendido, afinal, não é fácil a vida de fantasma, né? Mas ele foi alguém muito importante na vida do Jensen e merecia um final digno. Obrigada por comentar. Beijos!
Gina: Se você pulou as partes com o Justin, acredito que tenha perdido muito da história. Por mais que algumas partes às vezes sejam chatas, são necessárias para a continuidade e não dá pra focar a fanfic inteira só em Jared e Jensen. Obrigada por ler e comentar. Beijos!
