A/N:Quero avisar que uma leitora, Nadinhah Evans Potter, fez duas capas para essa história. O link para as duas capas pode ser acessado pelo meu perfil.

Respondendo uma pergunta anônima. Não, eu não tinha essa fic pronta no meu computador. Eu tenho as idéias na minha mente e vou escrevendo e postando. Assim que termino o capítulo, eu posto. Quando vocês lerem esse capítulo, vão entender o porque da demora desse. Além do fato que eu viajei no fim-de-semana e não pude levar meu laptop...


Por Toda a Eternidade

"In front of your eyes, it falls from the skies

When you don't know what you're looking to find

In front of your eyes, it falls from the skies

When you just never know what you will find

I don't want this moment to ever end

Where everything's nothing without you"

Sum 41 - "With Me"

Capítulo 12 – Lágrimas

Lily POV

Ainda estou na Ala Hospitalar a espera para ser liberada. Os quatro marotos e a Mary estão comigo, e estão fazendo um alarde um pouco alto demais.

"Srta. Evans, controle as suas visitas. Eles estão incomodando os outros pacientes!" Madame Pomfrey diz.

"Desculpe, mas eu desisti de tentar controlar os marotos a muito tempo." E então eu tento argumentar ser liberada antes, "Mas se você me liberar, eles vão comigo, e os outros pacientes podem ficar na paz e no sossego."

Ela olha para mim com uma expressão calculista, e depois para os meus alegres visitantes, e depois para o relógio, e de volta para mim. "Tudo bem, só faltam 15 minutos mesmo. Mas você tem que levar um pouco do creme, e precisa passar no seu rosto a cada 2 horas, senão a dor vai voltar."

Ela me entrega o pote de creme, e eu me lembro de uma coisa, "Madame Pomfrey, será que você poderia me dar também um pouco de Poção do Sono Sem Sonhos? Eu preciso descansar para poder me recuperar bem."

"Claro que sim!" Ela diz, indo para o armário de suprimentos dela, buscar as poções. Ela retorna com um pequeno frasco. "Isso aqui vai durar dois dias. Se precisar de mais, volte aqui que eu te dou mais."

"Muito obrigada, Madame Pomfrey." Eu digo educadamente.

Na verdade a poção não é para mim, e sim para o James. A noite anterior foi a terceira noite do nosso experimento, e é bem claro que ele não dormiu sem pesadelos. Ele está com uma aparência super cansada, e cheio de olheira de novo. E como ele vai para casa, eu não tenho tempo suficiente para eu mesma preparar uma poção para ele.

"Será que vocês podem me dar licença?" Eu peço para os rapazes, já que eu tenho que mudar de roupa. Na mesma hora eles parecem estar completamente embaraçados, e James diz,

"Vamos esperar por você do lado de fora."

Quando a Mary pega a minha roupa eu levo um susto. Eu estava sem o uniforme, pois o havia deixado na sala comunal do meu dormitório, mas a camisa branca que eu estava vestindo está toda avermelhada de sangue.

"Como que eu vou vestir isso para a aula?"

"Deixe-me tentar uma coisa." Mary diz, apontando a varinha para a minha blusa e fazendo um feitiço. "Droga. Sangue é sempre complicado, nunca sai por completo."

"Mas melhorou bastante."

E é verdade. A camisa está mais rosada agora, não é mais uma visão tão terrível.

"Vou vestí-la para ir ao meu dormitório, e lá eu troco de roupa rapidamente. Afinal, a minha calça também está suja."

Me visto rapidamente, tento ajeitar o meu cabelo (que se mostra ser uma tarefa impossível, pois também tem sangue ressecado nele) e saímos da Ala. Como haviam dito, os Marotos estão esperando do lado de fora. E como eu havia esperado, eles levam um susto ao ver o meu estado e o da minha roupa.

"Ruiva, você não vai assistir as aulas assim não, não é?" Sirius pergunta inutilmente.

"Óbvio que não, Sirius. Eu vou no meu quarto para tomar um banho rápido e mudar de roupa. Vocês podem ir a aula, eu não vou demorar."

"Eu vou com você." James diz. "Eu esqueci de trazer a minha mochila quando vim te visitar de manhã."

E então nós dois saímos na direção do nosso dormitório, que infelizmente fica no terceiro andar. Isso significa que passamos por vários alunos no caminho. Alguns disseram estar surpresos por me verem de pé tão cedo, depois de um acidente tão grave. Então, eu ouvi diversos, 'Nossa, Lily, como seu rosto está inchado', ou 'Isso deve estar doendo.'. Outros levam um susto com a minha aparência, e ficam me olhando estáticos boquiabertos. Poucos são discretos, e fingem que não me vêem passar.

Quando entramos na Sala Comunal, eu decido entregar a poção logo para o James. "James, antes que eu me esqueça, eu quero te entregar isso antes de você ir para a sua casa."

Ele olha confuso para a minha mão esticada segurando o frasco. "Como?"

"Acho que você voltou a ter pesadelos, certo? Você está cheio de olheiras de novo. Mas desse jeito você pode dormir sem problema. Dura dois dias, como você sabe."

"Não, Lily. Eu não posso aceitar. Essa poção é para você. Você mesma disse para a Madame Pomfrey."

"Eu estava pedindo para você, James."

Ele finalmente pega a poção, e diz ressentido, "Obrigado. Eu preferia não ter que recorrer a isso..."

"Só mais dois dias, e depois fazemos outro teste, que tal?"

"Ok..." Percebo que ele concorda a contragosto.

"Bom, eu vou tomar um banho. Se você quiser ir para a aula, não tem problema."

"Eu espero você. Só não demora, ok?"

"Pode deixar." Digo sorrindo.

Entro no meu quarto rapidamente e separo a primeira roupa que aparece na minha frente. Quando entro no banheiro, eu gasto um tempinho me olhando no espelho. Como esse espelho é bem maior do que o que a Madame Pomfrey me deu, posso ver um pouco das minhas costas também. Meu corpo está cheio de manchas roxas, mas o pior mesmo é o meu rosto. Não é a toa que aquelas crianças estavam olhando assustadas para mim. Mas pelo menos eu estou viva, e isso só vai durar alguns dias, duas semanas no máximo.

Levo mais tempo do que eu gostaria lavando o meu cabelo, mas saio do banheiro em 10 minutos. Como ele havia prometido, James está sentado no sofá, esperando por mim. Será que ele está me esperando porque ele é um amigo muito atencioso, ou porque ele gosta de mim? É melhor eu não ficar pensando muito nisso, senão não vou conseguir me concentrar direito na aula.

Eu pego a capa do meu uniforme e a minha mochila, que estão nos mesmos lugares que eu havia as deixado, antes do teste de Quadribol, e digo, "Vamos, James?"

"Ah, agora está bem melhor. Muito menos assustadora." Ele diz brincando.

Já estamos atrasados para a aula, mas duvido que o Prof. Slughorn reclame comigo. Nos atrasamos muito mais, porque no caminho mais uma vez os alunos param para comentar sobre a minha aparência. Alguns alunos, em grande parte os mais novos, disseram até que eu estou com uma aparência assustadora... e todas as vezes que alguém falava isso, James dizia que eles tinham que demonstrar mais respeito com a Monitora Chefe, e eu tinha que impedí-lo de azarar esses alunos. Não vejo a hora do meu rosto voltar ao normal, e que parem de apontar para mim. Acho que é a forma de eu pagar pela burrice que eu fiz.

Finalmente chegamos na aula de Poções, e cinco minutos atrasados. Assim que entramos, Prof. Slughorn olha para nós dois, e diz, "Srta. Evans! Você não deveria estar aqui! Fiquei sabendo do que aconteceu." e então, como todos aqui nesse castelo, ele decide ter uma opinião sobre o meu rosto, "Nossa! Você tem certeza que não precisa estar na Ala Hospitalar? Seu rosto não está nada bom, nada bom mesmo... Mas talvez eu tenha alguma poção que possa te ajudar, eu vou pesquisar."

Não fazem nem trinta minutos que eu saí da Ala Hospitalar e já não agüento mais ouvir a mesma coisa. Será que eu estou tão horrível assim? Que todos estão com pena de mim por eu estar desfigurada? Mas a Madame Pomfrey disse que isso vai sumir com o tempo, e quem sabe as pessoas se acostumem e parem de apontar depois de um tempo? Duvido muito, pois quando se tem vários alunos adolescentes presos em um castelo, qualquer novidade vira assunto principal por vários dias, até que outro aluno faça outra coisa. Então é melhor eu me preparar para ouvir esses comentários por muito tempo.

O pior de tudo é que eu gostaria de dizer que nada disso me afeta. Que eu sou melhor do que eles. Que 'o que vem de baixo não me atinge'. Mas não é uma sensação nada legal ouvir 50 alunos comentarem que você está horrível em menos de 30 minutos. Não é nada legal para a minha auto estima, por mais que eu queira não ser afetada por esses comentários, é difícil não ficar chateada.

Respondo o Prof. Slughorn da mesma forma que eu respondi todos os alunos, "A Madame Pomfrey disse que isso vai sumir com o tempo." E vou para o armário de ingredientes pegar os ingredientes necessários.

"Como havíamos combinado, hoje você corta os ingredientes e eu mexo a poção." Digo ao James, enquanto sento na nossa mesa e coloco os ingredientes na frente dele.

Fico feliz que estou mexendo a poção hoje (1 vez no sentido horário, 1 vez no sentido anti-horário, depois 2 no horário, 2 no anti-horário, depois 3 no horário, 3 no anti-horário, e aumentando gradualmente até chegar a 50 no sentido anti-horário), e eu me concentro completamente na poção, podendo me desligar por alguns minutos dessa minha nova realidade.

Quando chego a 50 no sentido anti-horário, aviso ao James para colocar os ingredientes que ele cortou, e volto a mexer, mas dessa vez em vez de aumentar o número de vezes que eu mexo, tenho que diminuir, então começo com 50 no sentido horário, depois anti-horário, 49 no sentido horário, depois anti-horário, e assim por diante até chegar a 1. O bom também é que a sala está em silêncio, pois aqueles que estão mexendo estão se concentrando para não perder a conta, e os alunos que cortaram os ingredientes estão em silêncio para não desconcentrarem o outro. Bem, quase todos os alunos estão em silêncio. James e Sirius não param de reclamar do fedor horrível dessa poção.

Enquanto conto, eu falo, "Preparem-se, pois só tende a piorar, até o último passo, quando ela perder todo o odor."

"Não quero nem imaginar um fedor pior do que esse." James, comenta, com um dedo tapando o nariz.

Quando acabo de mexer, temos que deixar a poção repousar em fogo brando por 20 minutos, mexendo uma vez a cada 5 minutos, então eu posso conversar com o James.

"Você vai hoje para casa, certo?" Eu pergunto.

"Sim, Sirius e eu vamos depois da aula de Transfiguração. Mas o enterro é só amanhã de tarde, mas minha mãe precisa de ajuda para organizar tudo. Como meu pai era um Auror conhecido, estamos esperando que apareçam muitos bruxos."

"Quando vocês voltam?"

"Amanhã a noite, depois de termos arrumado tudo. Eu não sei se voltamos a tempo para a patrulha."

"Não tem problema nenhum, eu patrulho sozinha hoje e amanhã. Não se preocupe com isso, você tem coisas muito mais importantes para se preocupar do que uma patrulha para pegar alunos irresponsáveis."

"Obrigado, Lily. Mas na verdade eu não posso no domingo também. Tenho que ajudar o Remus com o probleminha peludo dele..."

É verdade, a Lua Cheia é no Domingo. Não é a toa que o Remus está com uma aparência super cansada. É incrível que não tenha nenhuma poção, nada, para ajudá-lo durante a transformação...

"Não tem problema. Eu faço a patrulha no domingo também."

"Eu compenso você depois por isso, Lily. Não é justo com você, porque afinal, nós dois somos Monitores Chefes."

"Não se preocupe, James. Eu não me incomodo."

Como de costume, Prof. Slughorn elogia a nossa poção, mas no final da aula ele avisa que temos que levar a poção para fazer um quarto passo durante o Domingo todo (com o Sirius dizendo um palavrão ao ouvir isso). Temos que mexer a poção uma vez no sentido horário a cada 30 minutos, das 8 da manhã (lá se foi o meu plano de dormir até mais tarde no Domingo) até as 17h.

Quando estamos guardando a poção no frasco, Sirius começa a reclamar,

"Teremos que ser babá da poção o Domingo inteiro? Que merda! Eu tinha planos com a Jennifer." Sirius reclama.

"Jennifer? E a Sophia?" Eu pergunto confusa. Achei que eles estavam indo tão bem.

"Sophia já era. Estava durando tempo demais, e ela estava achando que estávamos em um relacionamento." E ele treme ao dizer isso. Juro que não entendo os homens. Será que todos eles são assim? Será que o James também é assim? Será que a Mary está enganada, e ele quer comigo a mesma coisa que todos os homens querem? Se divertir um pouco, e depois agir como se nada tivesse acontecido? Em depois tremer ao pensar que eu queria um relacionamento com ele?

Arrumo as minhas coisas em silêncio enquanto penso nisso, e depois me separo dos garotos, dizendo que vou estudar. E eu realmente vou estudar. Estou atrasada em várias matérias por causa dos testes de Quadribol e por ficar na Ala Hospitalar depois. O único dever de casa que eu fiz foi o de DCAT. Os outros todos foram colocados de lado por causa da minha obsessão pelos músculos do James. Mas quando eu penso nisso, percebo que eu só fiz o dever de DCAT para tentar entender o relacionamento do meu Patrono com o do James.

Não posso deixar que essa obsessão repentina a tudo relacionado ao James tome conta da minha vida. Isso seria patético.

Então entro rapidamente no meu dormitório, e vou direto ao banheiro colocar o creme no rosto. Não mudou absolutamente nada desde de manhã. Vou colocar o gelo na hora do almoço, quem sabe assim melhora um pouco mais o inchaço, e eu fico menos assustadora.

Pego o material de Herbologia e Transfiguração. Vou começar com essas duas matérias. Mas ao ver pela janela que o dia está lindo, eu pondero que é um absurdo perder esses últimos dias quentes de Setembro presa dentro desse castelo frio. Então pego o material e caminho na direção dos terrenos, me deitando embaixo de uma árvore em frente ao lago, aonde vários alunos estão brincando, nadando, também aproveitando os últimos dias quentes.

Começo com a redação de Transfiguração, mas sou distraída diversas vezes. Têm grupos das casas da Corvinal, Lufa-lufa e Grifinória na água, na maioria do sexto e sétimo anos, que tem mais tempos livres que o restante. Óbvio que os quatro Marotos estariam aqui. Eles jamais perderiam um lindo dia desse estudando em um tempo livre. James e Sirius (ambos vestindo apenas um short) estão jogando um ao outro na água, tentando impedir o outro de respirar. Peter olha os dois rindo sem parar. Remus está mais afastado do grupo nadando no lago. No grupo da Lufa lufa tem o Tim Smith e o time dele de Quadribol.

Agora que eu já sei o porque dos músculos dos jogadores de Quadribol, os músculos do James não deveriam me impressionar tanto. Mas eu não consigo deixar de comparar os músculos dele com os do Tim, que também é um Artilheiro. Já que os dois jogam na mesma posição, os músculos dos dois deveriam ser similares, certo?

Mas não é bem assim. Apesar do Tim realmente ter músculos, eles não chamam tanta atenção quanto os do James. Por que será que são diferentes? Será que James treina mais do que o Tim, e esse é o motivo? Será que é uma predisposição genética do James? Enquanto eu analiso os músculos do Tim eu percebo que ele não chega nem aos pés dos do James. Ele é mais magrinho, os músculos dele não são tão definidos quanto os do James, principalmente o braço e as pernas.

De repente, vejo de canto de olho, enquanto eu ainda faço a minha análise comparativa no Tim, que James e Sirius pararam de tentar afogar um ao outro, e estão olhando para mim. Paro de olhar para o Tim e olho para eles, e vejo que o James está olhando para mim com uma aparência estranha, como se estivesse chateado comigo, e o Sirius está rindo sem parar. O que foi que eu fiz?

Fico olhando para eles, sem entender nada, quando ouço alguém me chamando ao meu lado.

"Oi, Lily."

"Oi, Tim." Digo, me virando para olhar para ele.

E quando ele me vê, ele tem a mesma reação que a maioria dos alunos. "Nossa, Lily! Seu rosto está mesmo horrível! Tinham me falado, mas eu queria ver para crer." E fica óbvio que ele não vai fazer parte da minoria dos alunos que são sutis sobre o assunto.

"O que você esperava? Eu fui atingida por um balaço!" Eu digo, começando a ficar irritada.

"Eu sei disso. Mas eu não achei que estivesse tão ruim assim."

"Acredite, de manhã estava muito pior." Eu digo, sem a mínima paciência. Nessas horas eu odeio ser Monitora Chefe. Como eu gostaria de azarar esse desgraçado. Mas tem muita gente olhando.

"Sério!? Nossa! É difícil imaginar." Alguém tem que ensinar bons modos para esse cara. "Mas vai melhorar, não é? Você vai voltar ao normal, certo?"

"Claro que vou." ',seu imbecil' eu penso. "No máximo em duas semanas."

"Ah, que bom! Odiaria ver alguém tão linda quanto você ficar com o rosto desse jeito para sempre." Ele diz sorrindo. Eu acho que ele acha que isso é um elogio.

"Felizmente é temporário." Eu digo, controlando muito o impulso de segurar a minha varinha e azarar ele. Vamos, Lily, conte até cem. 'Um, dois, três,...'

O imbecil se senta ao meu lado. Será que ele não vê que eu estou ocupada, tentando estudar? Não que eu esteja realmente conseguindo, novamente fui distraída por algo relacionado a James Potter. Juro que não sei o que está acontecendo comigo.

"Eu estava te assistindo quando o balaço te atingiu." Ele diz, olhando para mim. "Todo mundo começou a gritar. Achávamos que você tinha morrido. É muito bom te ver aqui hoje, mesmo com seqüelas do acidente."

E ele fica tocando num cacho do meu cabelo solto, enrolando nos dedos dele. Não estou gostando nada disso. Será que esse cara é cego? Será que ele não vê que eu não estou nenhum pouco interessada nele? Ele diz que eu estou horrível e acha que é um elogio?

Mas eu já vi que não vou conseguir estudar aqui. Não com esse imbecil ao meu lado.

"Tim, me desculpa, mas eu tenho que estudar."

"Eu posso estudar com você. Também estou fazendo Transfiguração."

"Eu estudo melhor sozinha." Digo, sem me importar em estar sendo mal educada.

"Ah, com certeza você vai gostar da minha companhia."

"Eu acho que não." Eu falo, nenhum pouco educada. Quem esse cara acha que é? "Eu vou estudar no castelo."

Enquanto junto o meu material, vejo que James não está mais lá, somente os outros três marotos. Que estão olhando estranho para mim.

Volto para dentro do castelo rapidamente, antes que o Tim resolva me seguir. Não acredito que por causa do idiota desse garoto, eu vou ter que passar um dia lindo como esse presa dentro do castelo. Digo a senha para a mulher de cabelos castanho furiosa, e entro na sala comunal.

Quando entro na sala, vejo o James deitado no sofá com o Pomo de Ouro dele, soltando e pegando, como ele sempre faz.

"Oi, James."

"Oi." Ele diz friamente.

"Cansou do lago? Você parecia estar se divertindo lá." Eu comento.

"Ficou muito lotado e eu resolvi sair." Ele diz novamente com um tom de voz frio.

"É... estava cheio mesmo. Também resolvi sair pelo mesmo motivo."

"Achei que você estivesse se divertindo."

"De jeito nenhum! O imbecil do Tim não me deixava em paz. Me fez perder um dia de Sol lindo como esse..."

"Achei que você gostasse do Tim... Vocês dois estavam juntos..."

"De forma alguma! Aquele cara é um idiota completo! Não se toca. Acredita que ele achou que dizer que o meu rosto estava horrível era um elogio? Não suporto aquele cara!" Eu falo, estressada ao me lembrar da cena, e me sentando na mesa para estudar transfiguração.

Ele pára de brincar com o pomo, e vira no sofá, olhando para mim e diz, "Está estudando o quê?"

Fico surpresa em ver que o tom de voz dele voltou ao ser o mesmo de sempre, e que ele está sorrindo.

"Transfiguração e Herbologia. Estou super atrasada nos deveres. Além disso ainda não consegui transfigurar a cadeira perfeitamente, como a Profa. McGonagall havia pedido, e eu queria aprimorar antes da aula. Com o meu passeio a Ala Hospitalar, eu não tive tempo de treinar nada." E toda vez que eu quero estudar, acabo sendo distraída por algo relacionado a você...

"Eu sou bom em Transfiguração. Se você quiser, eu posso te ajudar." Realmente, toda a frieza e hostilidade da voz dele sumiu. Depois dizem que as mulheres que são difíceis de entender.

"Se você não se incomodar, eu aceito..."

"Não me incomodo não." Ele diz se levantando. Vejo que ele ainda está vestindo somente o short que usou para nadar no lago. Tem uma mancha molhada no sofá, aonde ele estava deitado. Homens...

Aponto a varinha para o sofá e o seco. Ele olha para o sofá, olha para mim, e sorri abertamente. Não consigo deixar de sorrir de volta. E se senta na cadeira ao meu lado.

Ok, isso vai ser muito difícil. O motivo de todas as minhas distrações está ao meu lado, bem ao meu lado. Como que eu vou conseguir me concentrar agora?? Acho que a Mary estava certa... Talvez eu realmente esteja me sentindo atraída por ele... Mas é melhor eu parar de pensar nisso, porque ele está falando.

"Então, você gira a sua varinha assim, e..." Ele aponta a varinha para o lado e uma cadeira perfeita, cheia de detalhes na madeira, aparece. "Entendeu?"

É... não...

"Desculpa, mas não... Será que você pode repetir?" Eu digo, olhando para o livro, para não olhar para ele e não me distrair novamente.

"Você tem que ter a visão da cadeira em mente, com todos os detalhes antes de conjurar. Quanto mais detalhada a sua visão, melhor é a transfiguração. Então você gira a varinha assim-" E ele pára de falar. "Lily, você tem que ver como que eu estou girando a varinha, senão não vai adiantar."

Droga... Eu viro o rosto para olhar para o braço dele estendido. Não! Eu tenho que olhar para a varinha... para o jeito como que ele gira a varinha com esse braço... Eu estou em apuros...

Grandes apuros... Porque novamente ele faz o feitiço, e eu não vi como que ele girou a varinha. Mas eu não vou falar isso para ele, então resolvo tentar fazer a transfiguração.

E óbvio que eu não tinha a maldita cadeira em mente, e conjuro uma cadeira pela metade. Realmente pela metade. Parece que serraram a cadeira ao meio. Óbvio que ela não se equilibra e cai no chão, fazendo um estrondo enorme.

"Lily, para a cadeira aparecer pela metade quer dizer que você não estava se concentrando só na transfiguração. Tem alguma outra coisa na sua mente." Droga, ele é realmente bom em transfiguração. Mas eu não vou dizer o que está, não, o que estava na minha mente. "Vou te mostrar mais uma vez. Presta atenção ok?"

Prestar atenção não é difícil. O difícil é prestar atenção na coisa certa... Seria tão mais fácil se ele estivesse usando o uniforme dele. Mas pelo menos tem uma coisa de bom do meu rosto estar vermelho por causa do acidente, porque senão ele estaria percebendo como que eu estou corada.

"Deixa eu te mostrar de novo. Você gira assim." Pela terceira vez, ele conjura a cadeira mais perfeita que eu já vi. Dessa vez eu me forcei a observar a varinha dele, pois não quero que ele duvide das minhas capacidades mentais. "Tenta de novo."

Focalizo a cadeira bem forte na minha mente, e giro a varinha. Aparece uma cadeira completa dessa vez. Não tem todos os detalhes que eu queria, mas ainda é melhor do que antes.

"Muito melhor, Evans!" Ele diz, se levantando para analisar a cadeira conjurada. Ele balança a cadeira, e mostra que está um pouco bamba. "Mas você tem que tomar cuidado com o comprimento das pernas, senão elas ficam bambas assim."

Vai ver elas estão bambas porque as minhas pernas também estão... Será que tem alguma relação?

Mas continuamos treinando, conjuro mais três vezes, e no final consigo fazer uma cadeira não bamba, e com alguns detalhes.

"Eu vou mudar de roupa para almoçar. Acho que não a McGonagall não iria aprovar se o Monitor Chefe aparecesse assim para almoçar." Ele diz rindo. Pelo menos, seja qual for o motivo do mal humor dele quando eu entrei aqui, parece que não foi importante. Ele é o mesmo James de sempre.

"Eu espero você. Afinal, você me esperou de manhã." Eu digo, me sentando no sofá para esperar por ele.


Quando chegamos no Salão Principal, os três marotos já estão lá, assim como a Mary. Só que tem várias garotas em volta deles. Incrível. Sirius não mudou de roupa. Ele continua com o short que ele usou no lago, e com o cabelo todo molhado. As garotas estão loucas com isso. Inacreditável.

"Sirius, você vai ficar em apuros." Eu digo, depois que consigo me desviar das garotas todas e sentar no meu lugar de costume, em frente a Mary. "Se a Profa. McGonagall ver isso, você vai receber uma detenção, no mínimo."

"Não me importo com detenção." Ele fala. "Já tive tantas que uma a mais não é nada. Eu estava com fome, e não ia perder tempo indo até a Torre da Grifinória para mudar de roupa. Mas óbvio que eu não sou louco de assistir a aula da McGonagall assim."

Depois do almoço, vamos para a aula de Transfiguração, que a Mary também faz. Como esperado, a Profa. McGonagall manda continuarmos a treinar a conjurar a cadeira, mas agora conjurando cadeiras com detalhes. Por sorte eu treinei com o James e posso então aprimorar a técnica agora durante a aula.

"Muito bem, Srta. Evans. Muito melhor do que da aula passada. Vejo que andou estudando." Ela diz, depois de analisar a minha cadeira.

"Estão liberados," Profa. McGonagall avisa. "mas não esqueçam que tem que o prazo final para entregarem a redação sobre como conjurar uma cadeira perfeita é na nossa próxima aula, na segunda-feira."

Droga, eu ainda nem comecei a escrever essa redação.

"Lily, eu vou para a biblioteca, ok? Você tem aula de Runas agora, certo?" Mary pergunta.

"Sim, eu tenho. Pode ir para a biblioteca, Mary. Eu te vejo na janta, certo?"

"Claro, Lily. Boa aula." Ela se despede e sai da sala.

"Eu já vou, Sirius. Espera lá fora." Ouço o James dizer, e olho para o lado e vejo que ele está vindo na minha direção.

"Lily, estou indo para casa." Ele diz. "Tem certeza que não tem problema em patrulhar sozinha? Eu posso pedir para o Remus acompanhar você."

"Não precisa incomodar o pobre coitado do Remus. Ele está muito cansado, ele precisa descansar o máximo que pode."

"Se você tem certeza..."

"Tenho sim, e eu espero que tudo ocorra bem na sua casa, James. Dê os meus pêsames para a sua mãe. Ela deve estar muito triste."

"Pode deixar que eu passo o recado."

Então, ele me olha nos olhos, dá um triste sorriso e se aproxima de mim. Parece que vou voar de vassoura novamente, pois estou com um frio na barriga tremendo. Ele segura o meu rosto com as duas mãos, com muito cuidado para não tocar na parte que está inchada, assim como ele havia feito antes do teste para batedor. Meu coração parece que vai pular pela minha garganta. Ele se aproxima e beija a minha testa, antes de soltar o meu rosto e dizer, "Te vejo no sábado a noite."

E eu respondo com um fraco "Tchau.", e ele sai da sala de aula.

Se eu tivesse que conjurar uma cadeira para a McGonagall agora, ela estaria tão bamba que pareceria que estava tendo um terremoto.


James POV

Depois que me despeço da Lily, encontro com o Almofadinhas do lado de fora da sala de aula, para irmos ao escritório do Prof. Dumbledore.

"Pontas, cara, você está patético." Ele diz.

"Vai a merda, Almofadinhas."

"Você deveria fazer que nem eu, cara. Se divertir um pouco. Você está focalizado na Lily há muito tempo, Pontas. Que tal diversificar um pouco?"

"Almofadinhas, não começa." Pelo menos uma vez por semana ele vem com esse papo. Eu já olhei as outras garotas aqui em Hogwarts, e não me interessei. Simples assim.

"Só estou te avisando... é o meu papel como amigo."

Entramos no escritório do Prof. Dumbledore para irmos para casa.

"Ah, Sr. Potter, Sr. Black." Ele nos cumprimenta.

"Olá, Professor."

"Antes dos dois irem, eu tenho que dar um aviso importante. Muito importante. Sentem-se, isso envolve os dois."

Nos sentamos e esperamos. Estranho, eu não me lembro de ter aprontado nada recentemente para ser recriminado pelo Diretor.

"A Profa. McGonagall me informou que vocês atacaram e azararam um aluno do quinto ano. Vocês realmente fizeram isso?" Ele continua a falar.

Ah, isso é sobre o imbecil do Curt.

"Sim." Eu respondo.

"Sr. Potter, eu escolhi você para ser o Monitor Chefe, porque eu achei que você estava pronto para lidar com esse tipo de responsabilidade, e eu odiaria estar errado."

Merda, ele vai tirar o meu distintivo.

"Mas ele foi desrespeitoso com a Monitora Chefe. Ele não poderia sair impune daquilo." Eu tento argumentar.

"Você poderia ter utilizado outros meios para punir o aluno. Você é o Monitor Chefe. Você poderia ter tirado pontos, ter dado uma detenção. O que você não poderia ter feito, era bater ou azarar o aluno. Você tem que ser um modelo para os outros alunos de Hogwarts, e esse não é o modelo que eu quero que você passe."

Eu retiro o distintivo e coloco encima da mesa dele.

"Desculpa ter te decepcionado, Senhor."

Ele aparenta estar confuso pelas minhas ações, e diz, "Eu não estou te retirando da posição, Sr. Potter."

Agora quem está confuso sou eu. "Não!?"

"Não. Eu estou te dando um aviso. Um único aviso. Caso você faça algo similar a isso novamente, você vai perder o seu distintivo."

"Obrigado, Professor." Eu digo, pegando o meu distintivo de volta e prendendo-o ao uniforme.

"Mas," ele continua, "vocês dois vão fazer uma detenção na segunda-feira a noite, com a Profa. McGonagall."

Olho para o Sirius. Segunda era o dia que havíamos marcado para buscar a moto dele.

"Tem algum problema?" O Diretor pergunta.

"Não, Senhor, nenhum problema." Eu respondo rapidamente.

"Então eu creio que a sua mãe esteja esperando vocês dois."

"Sim, senhor."

Nós dois levantamos, e vamos para a lareira. Quando eu pego um punhado de Pó de Flú, o Diretor nos lembra educadamente, "Espero vocês dois de volta no sábado a noite. Meus pêsames, Sr. Potter. A perda do seu pai tem um grande peso para a comunidade bruxa. Ele era um excelente Auror, e um ótimo amigo."

"Obrigado, Professor." Jogo o punhado na lareira, e falo, "Mansão Potter."

Chego em casa, todo cheio de pó de lareira. Bato o meu uniforme para tirar o máximo de pó que eu consigo, e jogo a minha mochila no chão (minha mãe cismou que eu trouxesse o dever de casa para fazer hoje a noite).

"Mãe?" Eu grito. "Mãe?"

Estranho. Achei que ela estivesse a postos esperando eu chegar, como geralmente faz quando chego no trem.

Sirius aparece na lareira logo depois, e também acha a ausência da minha mãe estranha. "Ué? Cadê a mamãe?"

"Não sei." Eu falo, confuso. "Estranho. Achei que ela estivesse nos esperando."

"Mãe?" Sirius grita, tirando o pó da lareira do corpo. "Mãe?"

"Twinky?" Eu chamo a elfa doméstica da minha mãe.

"Sim, Sr. Potter, senhor?"

"Você sabe aonde a minha mãe está?"

"Sim, Sr. Potter. Twinky sabe."

As vezes eu esqueço que você tem que ser muito específico com os elfos domésticos.

"Aonde ela está, Twinky?"

"Sra. Potter está no quarto dela. Ela tem ficado muito no quarto. Coitada da Sra. Potter."

"Por que coitada da Sra. Potter?" Almofadinhas pergunta.

"Oh, Twinky não pode contar. Sra. Potter pediu para não contar para o filho dela ou para você." Ela diz, começando a ficar agitada, e puxar as orelhas dela.

"Por que a Sra. Potter pediu para não contar?" Eu tento contornar as regras da ordem da minha mãe.

"Porque vai deixar o senhor triste. Ela não quer que o senhor fique triste."

"Por que eu ficaria triste, Twinky?"

"Twinky não pode contar! Twinky não pode contar!" Ela repete, puxando as orelhas sem parar, e com seus grandes olhos cheios de lágrima.

"Ok, Twinky, ok. Não precisa contar." Eu tento acalmar a elfa.

"Obrigada, senhor Potter, obrigada." A elfa diz, se curvando sem parar.

"Estranho." Almofadinhas diz, "Os elfos são estranhos, mas a Twinky sempre foi mais ou menos normal."

"Eu sei. Eu vou falar com a minha mãe."

"Vou contigo."

Subimos as escadas, até o quarto dela, e eu bato na porta. "Mãe? Mãe? Você está aí? Mãe?"

"James?" Ouço a voz fraca dela vindo de dentro do quarto.

"Sim, mãe, sou eu. Posso entrar?"

"Sim."

Quando eu entro, eu me assusto. Ela está deitada na cama de pijama as três horas da tarde. Minha mãe sempre foi muito ativa, seja na casa ou fora dela. Mesmo tendo uma elfa doméstica, ela sempre gostou de se sentir útil, de ajudar a elfa. E ela sempre gostou de cuidar do jardim, sempre teve muito orgulho das orquídeas dela. Vê-la nessas condições realmente me assusta.

Me ajoelho no chão, ao lado da cama dela. Almofadinhas se senta no meio da cama, ao lado dela.

"Mãe?" Eu pergunto, realmente preocupado. "Você está bem?"

Ela olha para mim, e os olhos dela estão super inchados e vermelhos. Está claro que ela não está se alimentando corretamente, ela emagreceu muito desde a última vez que eu a vi, e isso foi no Domingo, antes do ataque, antes do meu pai falecer.

"James, Sirius." Ela parece estar surpresa. "Não sabia que já estava na hora de vocês chegarem. Desculpa, não deveria deixar vocês me verem assim." Ela se senta na cama.

"Mãe," Sirius diz, segurando a mão dela. "Não tem problema, isso não importa. O que importa é como que você está."

"Eu sinto muito a falta dele..." Ela diz, soltando a mão do Sirius e tapando o rosto com as mãos, para que não possamos vê-la chorar. Ela sempre gostou de ser forte.

"Oh, mãe." Eu digo, me sentando ao lado dela na cama, apoiando as costas no encosto da cama, e abraço ela, enquanto ela chora sem parar.

Sirius massageia as costas dela, e diz, "Nós também sentimos muita falta dele, mãe."

"Mas essa casa é grande demais." Ela diz, saindo do meu abraço, e limpando as lágrimas. "Eu fico aqui sozinha, sem ninguém para conversar, exceto a Twinky. São muitas lembranças. Muita saudade."

Realmente, eu tenho muita sorte por não estar aqui. Estando em Hogwarts, eu consigo me desligar um pouco das minhas lembranças. Não que eu esqueça que ele morreu, mas a dor está um pouco menor do que no início. O tempo que eu passo com os Marotos, com a Lily, até mesmo durante as aulas, estão sendo cruciais para que eu possa me recuperar dos acontecimentos.

Mas a minha mãe está sozinha nessa casa, nessa mansão enorme. E agora eu tenho vergonha, porque eu só mandei uma carta para ela, desde que meu pai morreu. Acho que é porque eu sempre estive acostumado a ver a minha mãe forte, que nem passou pela minha mente que ela precisava de ajuda. Da ajuda do filho dela. Que péssimo filho que eu sou.

"Desculpa, mãe," Eu digo, também com lágrimas nos olhos, "Eu deveria ter falado com você. Eu deveria ter voltado para casa, para te ajudar."

"Não!" Ela diz, "De jeito nenhum! Você não vai abandonar os seus estudos para ficar comigo. Eu proíbo você de fazer isso. Está muito difícil, mas eu vou conseguir."

"Eu prometo te escrever mais regularmente, mãe. Eu juro." Eu falo.

"Eu também, mãe." Almofadinhas diz.

"Senti muita falta de vocês dois." Ela diz, esticando os braços e abraçando a mim e ao Sirius ao mesmo tempo. "Vocês não sabem o quanto."

Depois de um tempo, ela solta o abraço e eu digo, "Que tal você tomar um banho, se vestir, e jantarmos todos juntos? Como nos velhos tempos."

"Eu adoraria." Ela diz, dando o primeiro sorriso desde que eu cheguei aqui. É um sorriso fraco, muito fraco, mas não deixa de ser um sorriso. Ela se levanta da cama, e vai para o banheiro dela.

"Ela precisa da gente, Pontas." Almofadinhas diz.

"Eu sei."

"Twinky!" Eu chamo a elfa.

"Sim, senhor Potter?"

"Por favor, prepare um jantar. Um jantar excelente. Com tudo que a minha mãe mais gosta. Ok?"

"Claro, senhor Potter, senhor." Ela diz sorrindo. "Twinky está muito feliz em ver a senhora Potter fora da cama, senhor." E ela aparata.

Por volta das seis horas o jantar fica pronto. Minha mãe já está com uma aparência muito melhor, ela está sorrindo de vez em quando. Quando nos sentamos para começar a jantar, ouço uma voz me chamando. Uma voz que eu reconheço em qualquer lugar. Olho para o Almofadinhas, ele com certeza também reconhece, porque ele está me olhando confuso.

"James?" A voz me chama novamente.

Eu me levanto e vou até a sala de estar, aonde a lareira fica, e realmente, ela está lá. "Lily? O que houve?"

Ela aparenta estar completamente envergonhada de estar aqui, e diz, "Desculpa. Eu espero não ter interrompido nada."

"Não, eu ia começar a jantar."

"É rápido, eu não vou te atrapalhar muito tempo. Vim só te entregar isso." Ela diz, esticando a mão, com um pequeno frasco na mão dela. A poção do Sono Sem Sonhos. "Você esqueceu, e eu achei que você fosse precisar."

Eu pego a poção e olho para ela, "Obrigado. Eu realmente tinha esquecido." Eu esqueci completamente, para falar a verdade.

"James, o que houve?" Ouço a voz da minha mãe, entrando na sala. Escondo rapidamente a poção, mas antes que eu possa falar qualquer coisa a Lily fala,

"Desculpa, Sra. Potter. Eu tinha que entregar algo para o James. Eu não queria incomodar. Meus pêsames pela sua perda." E ela se vira para a lareira, e pega um punhado de pó de flú. É óbvio que ela está envergonhada. Muito envergonhada.

"Espera." Minha mãe diz. "Nós íamos jantar agora, você não quer se juntar a nós?"

"Oh, não. Eu não quero me intrometer. Muito obrigada."

"Que besteira!" Minha diz, balançando uma mão, como se não fosse nada. "Duvido que você coma tanto quanto o Sirius. Não é incômodo algum. Twinky!"

"Sim, senhora." Twinky aparece, e Lily olha para ela impressionada.

"Twinky, por favor, coloque mais um lugar na mesa. Essa adorável garota vai jantar conosco."

"Sra, Potter, muito obrigada, mais eu não quero dar trabalho."

"Eu já disse que não é trabalho nenhum!" Minha mãe diz, caminhando até a Lily, e colocando uma mão nos ombros dela. "Você não tem noção de como que eu estava sozinha. E eu nunca tenho companhia de uma mulher. Você não vai me negar a sua companhia, não é?"

Coitada da Lily, não tem escapatória da minha mãe agora. Mas eu estou muito feliz que ela esteja aqui. Está ajudando muito na recuperação da minha mãe.

"Não, já que a Senhora insiste." Lily diz.

"Senhora, não. Me chame de Elizabeth." E minha mãe empurra a Lily até a sala de jantar.

"Ruiva!" Almofadinhas diz, sem o mínimo tato. "O que está fazendo aqui?"

"James esqueceu algo, e eu vim entregar para ele." Ela está muito envergonhada, é até engraçado.

"E eu estou forçando ela a jantar conosco." Minha mãe diz.

"Ótimo!" Almofadinhas diz radiante. Radiante demais para o meu gosto. "Podemos contar as histórias vergonhosas da infância do James para a Lily! Acho que ela adoraria ouvir. Eu sei que eu adoro."

Fico feliz de ver os olhos da minha mãe brilharem pela primeira vez desde que eu cheguei aqui, mas não quero que a Lily fique sabendo das minhas histórias de infância. Lily está rindo sem parar.

"Não! Não! Não!" Eu digo na mesma hora. "Ninguém vai me envergonhar hoje, ok?"

"Ah, James! Eu posso mostrar as suas fotos de infância para ela!"

De forma alguma! Não quero que a Lily veja um bruxo de quatro anos de idade voando na vassoura de brinquedo dele pelado pela sala, e rindo sem parar.

"Mãe, não!"

"Assim que acabarmos de jantar, Lily querida, eu vou te mostrar os álbuns de infância do James. Ele era uma criança adorável."

"Mãe, eu já disse, não! Com certeza a Lily não quer ver isso."

"Deixe de ser rude, James. Tenho certeza que ela não se importa, não é, querida?"

Lily, rindo agora, diz "Não, Sra. Potter, eu não me importo."

"Já disse para você me chamar de Elizabeth." Ela diz, mas sem ser grossa, e então ela vira para mim. "Viu só, Jamie, ela não se importa."

"Jamie?" Lily pergunta, rindo. Não preciso dizer que o Sirius, grande amigo que ele é, está com lágrimas de tanto que ele ri do desespero da minha situação.

"Só a minha mãe me chama assim." Eu falo. Odeio esse apelido, e não quero ouvir a Lily me chamando assim.

"Está decidido então, depois da janta eu te mostro os álbuns de fotografia. Você vai amar."

Não adianta mais eu reclamar, quando ela coloca algo na cabeça, ninguém tira. Pelo menos ela está agindo como sempre agiu. Incrível como poucas horas com a minha companhia e do Sirius, e agora a Lily, estão fazendo bem a ela. Não quero nem lembrar de como ela estava a pouco mais de três horas atrás, quando eu cheguei aqui. Só espero que quando formos embora amanhã, ela não regrida rapidamente.

Como ela havia dito, depois do jantar, ela convocou todos os álbuns com fotos da minha infância para mostrar para a Lily. Era álbum vindo de todos os cantos da casa com o Accio dela. Um deles quase atingiu a minha cabeça.

Enquanto elas riem da minha miséria, eu fico sentado no sofá em frente a elas. Vendo a Lily e a minha mãe agindo como se conhecessem a anos, e rindo do James de dois anos de idade correndo pelado pela casa, ou do James de três anos de idade chorando porque caiu do primeiro vôo de vassoura, ou do James de quatro anos de idade, segurando a varinha do pai e correndo pelo quintal, enquanto fazia luzes azuis saírem da vassoura, e muitas outras fotos embaraçosas. Do lado delas está o Sirius, grande amigo da onça que ele é, rindo sem parar das fotos.

Quando dão dez e meia da noite, a Lily se levanta e diz, "Elizabeth, foi um grande prazer, mas eu tenho que voltar ao castelo. Devo começar a patrulha dos corredores em meia hora."

"De jeito nenhum!" Minha mãe diz, e eu olho confuso para ela, assim como Sirius e Lily. "Você vai dormir aqui. Eu faço questão. Você é uma amiga do James e do Sirius, e eu faço questão que você participe do funeral."

"Elizabeth, eu não quero atrapalhar." Lily diz, com os olhos arregalados.

"Você não atrapalha em nada! Eu quero que você participe amanhã. Vai ser bom para todos nós. Você não vai negar isso a uma velha viúva, vai?" Pronto, minha mãe está fazendo chantagens com ela. Conhecendo a Lily, ela não vai escapar dessa.

"Nossa, Ruiva, quanta maldade sua!" Almofadinhas diz, com uma expressão (falsa) de surpresa completa.

"Lily," eu digo, "é melhor você concordar."

Apesar de eu ter sido envergonhado completamente nessa noite, gostaria muito de ter a presença da Lily amanhã, durante o enterro.

"Mas eu não tenho roupa." Lily tenta argumentar, mas eu sei que é em vão. "Nem o creme do meu rosto."

"Isso não é problema nenhum." Minha mãe diz, "Os elfos podem aparatar em Hogwarts. Twinky!"

Twinky aparece instantaneamente. "Sim, Senhora Potter. No que a Twinky pode ser útil?"

"Twinky, quero que você vá em Hogwarts, no dormitório da Monitora Chefe e pegue um pijama para ela, uma muda de roupa para amanhã, para ela usar no enterro, e o creme de rosto, e o material dela."

Na mesma hora a elfa desaparece.

"Mas eu não posso ficar! Eu tenho que avisar ao Prof. Dumbledore! Eu tenho que fazer a patrulha e meu dever de casa." Pronto, se ela já não havia conquistado a minha mãe, conquistou agora.

"Lily, querida, você se preocupa demais." Minha mãe diz, se levantando do sofá. "Deixe o Albus comigo." E ela vai até a lareira e chama o diretor. "Albus! Lily Evans vai ficar aqui essa noite e ela vai participar do enterro amanhã. Eu faço questão da presença dela. Você não se importa, não é?"

"Claro que não, Elizabeth. Creio então que a Srta. Evans vai retornar amanhã com o seu filho e o Sr. Black?" Vem a resposta do Dumbledore pela lareira.

"Sim. Todos voltam amanhã."

"Está tudo certo. Meus pêsames, Elizabeth, e saiba que é com muito pesar que eu não vou participar do enterro amanhã. Eu não posso deixar a escola desprotegida nos dias de hoje."

"Eu entendo completamente, Albus." E a conexão é desfeita. Ela se levanta da lareira, na mesma hora que a Twinky aparece com as roupas da Lily. "Vamos, Lily, eu vou te levar até o seu quarto." E as duas somem pela escada, para o andar de cima.

"Comporte-se com a Lily aqui durante a noite, Pontas." Almofadinhas diz, rindo, "Afinal, sabe-se lá o que vocês dois fazem com aquele dormitório todo só para vocês dois."

Eu jogo o encosto do sofá nas costas dele, mas ele já está subindo as escadas. Pouco tempo depois minha mãe desce as escadas, e diz,

"Jamie, meu filho, você fez uma excelente escolha. Ela é uma ótima garota! Muito responsável e educada, não poderia ter escolhido melhor."

"Mãe, não fala nada disso para ela, por favor. Não tem nada entre nós dois."

"Filho, você acha que caso ela não gostasse de você, ela teria vindo te entregar pessoalmente o que quer que ela tenha te entregue?"

Eu quero acreditar que ela está certa. Mas é melhor eu não falar isso para a minha mãe, então eu falo, "Mãe, por favor, esquece isso. Eu vou para o meu quarto estudar um pouco. Caso precise de alguma coisa, só falar." Eu me levanto e dou um beijo na bochecha dela. "Boa noite, mãe."

"Boa noite, filho."

Subo as escadas e vejo que minha querida mãe colocou a Lily no quarto em frente ao meu. Bato na porta, e digo "Lily, sou eu. Posso entrar?"

"Claro, James."

Abro a porta e a vejo sentada na cama, já vestindo o pijama, com o livro de Herbologia e vários pergaminhos em volta dela.

"Lily, desculpa a minha mãe ter forçado você a ficar aqui." Eu falo, me sentando ao lado dela na cama.

"Eu não me importo, James." Ela diz sorrindo. "Só não queria incomodar."

"Você não incomoda." Eu digo, segurando os cachos ruivos dela na minha mão e cheio de borboletas na minha barriga, que nem mais cedo, quando eu dei um beijo na testa dela, depois da aula de Transfiguração. "Vai ser bom ter você aqui amanhã."

"A sua mãe é uma mulher muito forte."

"Você tinha que ver quando eu cheguei aqui. Ela estava num estado deplorável. Espero que não volte a ficar, quando voltarmos a Hogwarts." Eu ainda me concentro no cacho que estou enrolando no meu dedo.

"É uma situação muito difícil para ela."

"Muito." Então eu paro de enrolar o cabelo dela, e olho para os olhos dela, "Vamos falar de outras coisas? Pode até ser do seu trabalho de Herbologia."

"Nosso trabalho de Herbologia. Você também tem que fazer."

"Ah, nem me diga. Melhor começar, não é?" E conjuro um pergaminho, e uma pena. "Você se importa se eu usar a sua tinta? Eu sempre tenho problema conjurando pote de tinta. A tinta acaba vindo fora do pote, e minha mãe me mataria se eu sujasse o lençol dela de tinta."

Ela sorri e diz, "Pode usar a vontade."

Ficamos fazendo o dever por meia hora, quando o Almofadinhas se junta a nós dois, dizendo que agora que nós já tínhamos feito a metade, não tem o porque ele ter o mesmo trabalho que nós temos, e lê o que escrevemos.

Uma hora depois, minha mãe pára na porta e nos deseja boa noite. Logo depois, Almofadinhas decide que ele já foi responsável o suficiente por essa noite, e vai dormir. Quando finalmente terminamos tudo, Lily pergunta,

"Que horas é o enterro amanhã, James?"

"As quatro da tarde, mas temos que ajudar a Twinky a preparar tudo."

"Você quer que eu te acorde a que horas?"

Olho para o relógio e vejo que já são quase uma hora da manhã. Como eu tenho que ter no mínimo oito horas de sono, mas também não quero sobrecarregar a minha mãe e a pobre da Twinky, digo, "As nove horas da manhã, se você não se importar."

"Eu já te disse que não me importo em te acordar."

Junto os meus rolos de pergaminho e falo, "Você está me levando para o mau caminho, Lily. Que coisa feia... Quem diria, James Potter com um dever terminado numa sexta-feira. Não conte para ninguém, ou você arruina a minha reputação." E pisco o olho para ela.

"Seu segredo está a salvo comigo, não se preocupe." Ela diz rindo.

Me levanto, mas me inclino sobre ela, sobre o rosto dela, ainda inchado, mas bem melhor do que de manhã, cheio de borboletas no meu estômago, e dou outro beijo na testa dela, e digo, "Boa noite, Lily."

"Boa noite, James."

Vou para o meu quarto e mudo de roupa, vestindo apenas uma cueca samba canção de vassouras voadoras, e me deito. Pego o frasco de poção, e engulo metade de uma vez só. Apago em menos de 8 minutos, em mais um sono sem pesadelos.

Sou acordado com a voz da Lily me chamando. Lembrando de tudo que eu tenho a fazer, tudo que me espera no dia de hoje, eu me levanto rapidamente. Descemos, tomamos café com a minha mãe (óbvio que o Sirius ainda está dormindo), e começamos a arrumar a casa para o enterro. Minha mãe decidiu enterrar o meu pai no terreno da nossa propriedade, perto do lago que passa a vinte minutos da casa. Era o ponto predileto dele.

Por volta de onze da manhã, Sirius acorda, reclamando que ninguém acordou ele para ajudar, e nos ajuda. Hoje no almoço, minha mãe está bem mais quieta do que ontem a noite. Todos estamos. A hora está chegando. É estranho, pois eu sei que ele está morto a quase uma semana, mas o enterro é algo final. O último adeus.

Quando vai chegando a hora, eu recebo todos na porta, ao lado da minha mãe, e do Almofadinhas. Lily achou que isso seria algo mais para a família fazer, e fica em um canto mais afastado.

Quando chega a hora do enterro, vamos caminhando até o local, e minha mãe começa a chorar durante a caminhada. Eu a abraço, tentando ser o mais forte o possível para ela. Sirius está com uma mão apoiada no ombro dela, também demonstrando o apoio dele. Lily está logo atrás de nós.

Chegando lá, o Ministro fica ao lado do túmulo e faz um discurso sobre a falta que o meu pai vai fazer para o mundo dos bruxos, sobre a grande pessoa que ele foi enquanto vivo. Depois Moody faz um discurso semelhante, dizendo que ele vai ser uma grande perda na luta contra o Lorde das Trevas. Quando ele termina o discurso, o túmulo é fechado magicamente, e minha mãe sai dos meus braços e caminha até o túmulo. Sirius a acompanha, mas eu fico parado aqui.

Eu sabia que esse enterro seria o meu último adeus. Eu achei que estaria preparado para isso, mas dizer adeus é mais difícil do que eu esperava. As lágrimas agora escorrem livremente pelos meus olhos, e eu sinto a Lily segurar a minha mão.

"James, eu sinto muito." Ela diz, também com lágrimas nos olhos, acariciando a minha mão com as duas mãos dela.

"Por que isso teve que acontecer, Lily?" Eu pergunto, olhando para ela, mas sabendo que ela não tem uma resposta para a minha pergunta.

"Eu não sei, James, eu não sei." Então ela me abraça, me confortando. Eu retorno o abraço fortemente, me agarrando a ela, me curvando apoiando o meu rosto no ombro dela, e chorando a perda do meu pai, mas contente por ela estar aqui para me dar o apoio que eu tanto preciso.


A/N: Que tal? Capítulo grande certo? Merece muitos reviews, certo?

Recorde de reviews até agora: Capítulo 10 com 20 reviews.