Título: O Destino de Isabella

Postado por: Gabriela Swan

Adaptação de: Kate Silver

Personagens: Edward/Bella

Rated: T/M – Cenas de Sexo (NC)

Advertências: Universo Alternativo.

Disclaimer: Edward, Bella e Cia pertencem à Stephenie Meyer. E "O Destino de Isabella" é uma adaptação de Kate Silver. Ou seja:

Não ganharei dinheiro algum com isso!

Sinopse:Depois de perder toda a família numa epidemia que assolou o país, Isabella assume a identidade de seu irmão gêmeo e ocupa o lugar dele na Guarda Real. O disfarce lhe possibilitará observar de perto o conde Edward Cullen, oficial dos mosqueteiros e o amigo que seu irmão confiara que a protegeria, mas que nunca apareceu para cumprir a promessa. Edward fica feliz ao ver seu companheiro voltar ileso da região devastada pela praga, porém o comportamento estranho do amigo o deixa intrigado... Até ele descobrir que sob o uniforme de mosqueteiro esconde-se a graciosa irmã de Emmett Swan. Será difícil explicar a Isabella por que ele não foi resgatá-la, e mais ainda convencê-la de que está disposto a honrar sua palavra. Mas Edward lutará com todas as armas para alcançar um sonho quase impossível: conquistar o coração de Isabella e fazê-la acreditar na sinceridade do seu amor!

Capítulo XI

Ela atingiu a água com um impacto violento que interrompeu o contato de seus dedos com os de Edward. Ao mesmo tempo, todo o ar escapou de seu corpo. As ondas se fecharam em torno de sua cabeça e ela afundou nas profundezas escuras e frias.

Cometera um erro sobre a água. Era pior do que fria. Era maligna e aterrorizante, impiedosa em sua incansável busca por presas vivas. Era tragada pelos longos tentáculos da morte, arrastada para o fundo do oceano onde peixes se banqueteariam com seu corpo e sereias de longos cabelos dourados fariam harpas com seus ossos.

Agitava desesperadamente braços e pernas, lutando pela vida e tentando voltar à superfície, onde poderia encher os pulmões de ar. Mas dedos persistentes a puxavam para baixo. Um monstro marinho, ela pensou em pânico, lutando com desespero e coragem para respirar novamente.

Mas era uma luta desigual. As mãos em seus ombros a levavam para baixo, para uma morte sufocante no fundo do mar.

Sua cabeça rompeu a barreira da superfície. Ar!

Ela encheu os pulmões com tanta avidez, que acabou inalando água, também. Tossindo, expulsou o líquido dos pulmões e voltou a respirar com alguma normalidade. A sensação era indescritível.

Edward nadava com uma das mãos, mantendo a outra em seus ombros. Era o conde, não um monstro do mar. E ele a salvara, em vez de afogá-la.

O pânico ia se desfazendo aos poucos.

— Tire as botas — ele a instruiu.

Isabella o encarou perplexa. Tentavam sobrevier no oceano revolto, e ele se preocupava com suas botas? O que imaginava? Que teria bolhas nos pés por nadar no mar gelado?

— Tire as botas! Elas se enchem de água e a puxam para baixo.

Ah, agora o que ele dissera começava a fazer sentido. Com os dedos gelados e doloridos, ela tentou alcançar as botas para descalçá-las. Imediatamente, a água a tragou e ela voltou apressada à superfície, assustada com a possibilidade de morrer ali.

Cullen bateu em seu rosto. Bateu com força.

— Respire fundo. Respire e tire as botas. Como soldado, deve obedecer a ordens. Respire fundo e tire as botas.

Ele estava certo. Era uma mosqueteira. Devia seguir suas ordens. Todo soldado é preparado para morrer no cumprimento do dever, se for preciso. Ela desamarrou as botas com cuidado, respirando fundo para encher os pulmões antes de submergir. Era difícil controlar o medo, mas Cullen a segurava com firmeza. Não permitiria que afundasse.

Uma bota já havia sido tirada. Ela voltou à superfície para respirar.

— Bom trabalho. Agora, respire fundo e tire a outra bota.

Seu oficial comandante estava satisfeito. O elogio a encheu de coragem. Isabella respirou fundo e repetiu o procedimento. Dessa vez foi mais fácil controlar o medo. Ela voltou à superfície antes de experimentar novamente o desespero por não poder respirar.

Sem o peso das botas, agora era mais fácil permanecer à tona. Movendo as pernas, mantinha a cabeça fora da água e respirava com menos aflição. Ainda tinham esperanças, afinal. Ficariam ali boiando, e se outro barco se aproximasse para resgatá-los, talvez pudessem pisar em terra firme novamente.

Ela olhou em volta. Tudo que via eram as ondas e a cabeça de Cullen. Nenhum sinal de um barco, exceto aquele que haviam saltado e que já se afastava. Precisavam de socorro, ou se afogariam.

— O barco... Precisamos encontrar o barco — ela disse com voz aguda, sinal de que estava à beira de um ataque histérico. — Temos de encontrar o barco, ou morreremos afogados.

Cullen bateu em seu rosto. Era a segunda vez que a agredia nos últimos minutos. Odiava erguer a mão para uma mulher, mas não tinha escolha. Se deixasse o pânico dominá-la, morreriam juntos.

A marca vermelha em sua face era a prova da violência do golpe. Isabella piscou, tentando conter as lágrimas, mas já estava mais calma.

— Deite-se de costas — ele instruiu, adotando um tom firme que a obrigaria a cumprir suas ordens. — Assim vai poder flutuar.

Fraca, ela fez como Cullen dizia. Ficaram ali flutuando por alguns minutos, sem dizer nada.

Cullen não queria perturbar a calma que se instalara, mas tinha de fazer alguma coisa para tirá-los da encrenca que havia criado. Ele bateu as pernas para erguer o corpo e olhar em volta. As ondas eram altas demais para que pudesse enxergar eventuais barcos que por ali passassem. Era inútil se esforçar.

Ele se deitou novamente e respirou fundo várias vezes antes de falar:

— O barco pesqueiro nos seguia, como ficou acertado? Estava enjoado demais no navio para prestar atenção em alguma coisa.

— Vi duas velas atrás de nós. Uma delas parecia seguir no mesmo curso do nosso navio, embora estivesse afastada demais para que eu pudesse ter certeza. Estudei sua posição antes de saltar, de forma que pudéssemos nadar para ela, em caso de necessidade, Mas, como disse, a distância era grande demais. Não vamos conseguir. — Não havia mais pânico. Pelo contrário, agora ela demonstrava uma preocupante apatia. Era como se estivesse conformada com a ideia de ficar ali flutuando até a exaustão, até fechar os olhos e se deixar engolir pelo oceano.

— Bata as pernas — Cullen ordenou. — Vamos nos mover. Precisamos descobrir em que direção temos de nadar.

— Para quê?

— Isabella, um soldado nunca desiste!

— Não sou um soldado. Sou uma mulher. Mulheres não podem ser soldados.

— Será um soldado até o momento em que o rei a liberar do serviço. Agora, trate de fazer o que estou dizendo. É uma ordem.

Com um suspiro resignado, ela bateu os pés, ergueu o corpo na água, olhou em volta e deitou-se de novo.

— Não consegui ver nada.

Cullen sabia o quanto Isabella se orgulhava por ser uma lutadora. Teria de lançar mão de seu senso de honra para plantar nela a vontade de tentar sobreviver, o ímpeto que a impediria de entregar-se à morte.

— Está se negando a cumprir ordens de um superior? Deve examinar a área e tentar determinar a localização do navio que viu antes de saltarmos no mar. Ou me diz para onde devemos nadar, ou eu mesmo a afogarei por insubordinação.

Sem muito entusiasmo, ela cumpriu a determinação do superior e marido, e depois de três ou quatro tentativas para enxergar alguma coisa além das ondas, apontou em uma determinada direção.

— Por ali — disse. — Alinhei o barco com uma colina que vi em terra firme antes de saltar. Se era mesmo o barco pesqueiro que deveria nos seguir, ele está naquela direção.

Sua certeza era um bom sinal.

— Vamos nadar para lá. — Não havia mais nada a fazer. A chance de resgate, embora pequena, despertou em Isabella um novo ímpeto. Ela nadava com coragem na direção determinada, onde, ambos esperavam, encontrariam o barco. Nadavam com o vigor dos desesperados, com a persistência de que não tem nada a perder além da vida. O vento soprava contra eles, e o progresso era lento.

De tempos em tempos, Isabella se erguia na água para confirmar a direção em que estavam nadando.

Pareciam estar nadando há uma eternidade. Cullen já sentia no corpo o torpor provocado pelo frio. Já temia não poder suportar por muito mais tempo, quando Isabella ergueu-se na água pela quarta ou quinta vez. Para sua surpresa, ela começou a gritar e agitar os braços.

— Poupe sua energia — ele resmungou. — Não há ninguém aqui para ouvir seus grito. — Era o fim. Só se mantinha consciente porque se agarrava ao juramento que fizera a Emmett Swan. Prometera ao amigo que cuidaria de Isabella. Não podia deixá-la morrer afogada se ainda havia uma chance de resgate, mesmo que pequena.

— O barco! — Isabella gritou animada. — Já posso ver o barco!

Ele balançou a cabeça para clarear as ideias. Era difícil concentrar-se. A mente queria divagar e perseguir ideias estranhas, lembranças da infância, do pomar de pêssegos em Burgundy, do aroma doce que pairava no ar atraindo as abelhas...

— Eles podem nos ver?

Uma onda grande os atingiu, e na vazante ele conseguiu ver o barco. Vinha diretamente na direção deles. Cullen fechou os olhos. Isabella seria resgatada. Cumprira a promessa feita a Emmett. Podia morrer em paz.

Ele sentiu alguma coisa atingir seu rosto, interrompendo o sonho com o pomar.

— Vá embora — disse sem abrir os olhos. Podia quase sentir na pele o calor do sol e o gosto doce dos pêssegos em sua boca.

O golpe se repetiu. Uma vez, duas... Ele abriu os olhos. Isabella o estava agredindo. Ele tentou empurrá-la.

— Deixe-me em paz.

— Preciso de você.

— Não se preocupe. Será resgatada e levada de volta à Inglaterra. Salvará Henrietta e conquistará toda a honra que alguém pode querer ter.

Ela bateu em seu rosto novamente. Era engraçado como a face podia doer, embora tivesse todo o corpo amortecido de frio.

— Preciso de você.

— Para quê?

— Você é meu marido, idiota! Além do mais, preciso de você para me ajudar a subir.

— Subir onde?

— No barco.

Ela tinha razão. O barco de pesca estava bem em cima deles, e um dos pescadores arremessava uma corda para que pudessem embarcar.

Com um suspiro resignado, o conde se despediu do sonho no pomar de Burgundy. Ainda não era hora de voltar para casa. O pescador amarrou uma corda em torno de seu peito, sob seus braços. Ele tentou se soltar.

— Salve Isabella primeiro. Minha esposa.

— Ela já está a bordo.

Cullen se deixou içar sem mais protestos.

Seu corpo tremia convulsivamente e tinha uma assustadora coloração azul. Um dos pescadores o envolveu com um cobertor seco.

— Desça à cabine com sua esposa e tire essas roupas molhadas, ou vai congelar.

O conde caminhou com passos trôpegos pela escada. Isabella já se despia quando ele entrou na cabine. Seus movimentos eram entrecortados, prejudicados pelo tremor que a sacudia da cabeça aos pés.

Cullen despiu-se, tentando aquecer o corpo. Isabella tremia enrolada no cobertor. Ele a tomou nos braços e usou o segundo cobertor para envolvê-los.

— Assim vamos nos aquecer mais depressa.

O navio escalou uma onda e desceu do outro lado, lembrando-os de que ainda tinham estômago. Cullen chegou a desejar estar na água novamente. Na água, teria conseguido morrer em paz e salvar parte de sua dignidade.

Isabella o empurrou para um catre no canto do espaço, ao lado de um balde.

— Deite-se. Vai se sentir melhor.

Ficaram deitados juntos no catre, sentindo os movimentos do barco que atravessava o canal. A cabine era ainda mais fétida que a primeira. Havia na atmosfera uma mistura de peixe podre, suor e miséria.

Cullen não tinha mais o que vomitar, mas não conseguia interromper os dolorosos espasmos.

Seu corpo começou a coçar e arder, como se estivesse deitado sobre espinhos. Pelo menos não estava mais entorpecido de frio. Sentia novamente os pés e as pontas dos dedos.

Durante as longas horas da travessia, Isabella se manteve grudada no marido, aquecendo-o com o corpo e mantendo os cobertores no lugar. Ele cochilou até a Inglaterra.

Quando o navio lançou âncora na costa inglesa, suas roupas estavam secas e duras de sal.

— Estamos a poucas centenas de metros da costa sul — o dono do barco disse quando foi despertá-los. — Não me atrevo a seguir em frente. Não à luz do dia. As autoridades portuárias me conhecem bem demais para me aventurar além desse ponto.

Isabella sacudiu o sal da jaqueta e a pôs sobre os ombros.

— Salvou nossas vidas — disse. — Somos gratos por isso. - Ele riu.

— Fui muito bem pago por esse resgate. Estamos quites. Agora, vão preferir nadar nesse último trecho, ou querem comprar meu bote e remar até a praia?

Cullen nunca mais nadaria na vida. Ele tirou duas moedas de ouro da bolsa que havia costurado no interior da jaqueta.

— Uma moeda pelo barco e outra por alguém que possa remar até a praia por nós.

— Posso ficar com o barco, então, quando o remador o trouxer de volta?

— Pode fazer o que quiser com ele. Não vamos mais precisar da embarcação.

— Tom — o capitão do pesqueiro gritou para um rapaz da tripulação. — Leve esses passageiros até a margem. E tome cuidado para não ser visto, rapaz.

Duas moedas de ouro eram pouco em troca da vida de Isabella. Sem mencionar sua vida, também. Por isso, o conde pegou mais um punhado de moedas e as colocou na mão do pescador.

— Aqui... As moedas que lhe dei antes faziam parte do acordo por nossa passagem. Estas são uma recompensa. A prova de nossa gratidão. Só estamos vivos graças a você.

— Foi um prazer negociar com tão correto cavalheiro, monsieur — o homem respondeu sorridente. Depois, deferente, ele tocou a aba de seu velho chapéu para se despedir dos passageiros que já saltavam para o bote que os levaria à praia.

Isabella sentiu vontade de gritar de alegria ao ver o primeiro sinal naquela área desolada da costa inglesa. O homem fleumático que trabalhava em sua terra olhou com ar espantado para os desconhecidos maltrapilhos que o abordavam. Porém, quando Isabella informou em seu inglês trôpego que precisavam de comida e abrigo e estavam dispostos a pagar bem por isso, ele se animou consideravelmente. O homem os conduziu até uma casa e os deixou aos cuidados da esposa, uma mulher exuberante cuja cozinha cheirava a caldo de carne e cebolas.

Ao ver as moedas de ouro que os hóspedes ofereciam, ela desapareceu por um momento, retornando em seguida com uma coleção de roupas limpas de tecido grosso de lã e algumas peças de algodão, certamente os trajes que eram usados por ali.

Isabella sentiu um enorme alívio ao ver o vestido simples e confortável. A mulher do fazendeiro deu a ela um balde com água fria, a que acrescentou um pouco da água que fervia sobre o fogo, e a levou ao fundo da casa para lavar-se e remover todo o sal do corpo. Aquecida pelas roupas limpas e simples, ela se sentiu renascer.

— Amanhã cedo iremos procurar o rei — Isabella anunciou naquela noite, quando se deitaram em uma cama improvisada no chão diante do fogo. Nunca antes soubera apreciar o conforto de um bom fogo. Depois do mergulho forçado no mar, a bordo do barco pesqueiro, chegara a acreditar que nunca mais seria capaz de aquecer-se. Agora, com o fogo crepitante de um lado e Cullen do outro, chegava até a sentir um certo calor. — Então, nossa missão estará cumprida.

— Não podemos ir ao encontro do rei nesses trajes. O mais baixo de seus lacaios nos atiraria à rua como pedintes insolentes. Vamos precisar de roupas novas para nos apresentar na corte com algum estilo.

Não gostava nada da ideia de atrasar ainda mais a conclusão de sua missão.

— Isso é mesmo necessário? Estamos apresentáveis. Parecemos fazendeiros sérios, gente trabalhadora e respeitável. Tenho certeza de que o rei nos receberá e ouvirá.

— O hábito faz o monge. As roupas fazem o homem. Se chegarmos como fazendeiros, seremos tratados como tal. Se chegarmos como soldados, seremos tratados como tal.

Isabella ficou em silêncio por um momento, pensando na verdade daquelas palavras. Quando estava vestida como mosqueteira, Cullen a tratava como um soldado do regimento. Mas, bastava usar um vestido, e ele a tratava como mulher. E não era o único a adotar essa prática. Os reis e suas cortes eram notoriamente propensos a julgar pela aparência.

— E se eu parecer uma fina dama francesa?

— Então, receberá o tratamento dedicado às finas damas francesas.

Não podia discutir com esse argumento. Conhecia bem a verdade do que ele dizia.

— Novas roupas, então, as melhores que pudermos comprar. Iremos à corte do rei inglês em grande estilo. Como embaixadores, não como pedintes.

— E depois de falarmos com o rei? O que faremos? — Isabella não tinha uma resposta para isso. Adiara deliberadamente a consideração do futuro, decidindo que seria melhor pensar nele quando estivesse fora de perigo. Por isso ela encolheu os ombros e ficou em silêncio.

— O rei da França queria matar Emmett Swan. Agora ele está morto. Seu corpo se perdeu no mar em algum lugar do canal entre a França e a Inglaterra. Seria sensato deixá-lo lá.

— Não posso mais ser Emmett, então? Não posso mais ser mosqueteira?

— Você escolheu abrir mão do serviço ao rei em troca da vida de uma mulher que nem conhece. Decidiu salvar alguém a quem o rei acusou de traição. A partir do momento que fez sua escolha, deixou de ser uma mosqueteira. — Ela não se arrependia dessa decisão.

— Eu precisava seguir o caminho da honra.

— Se Emmett reaparecer, o rei não descansará enquanto não o matar. Mais cedo ou mais tarde, vai acabar sendo vítima da ira de Luís XIV.

Isabella também não duvidava disso. O rei da França era implacável e rancoroso, perfeitamente capaz de matar por vingança.

— Tenho a impressão de que está diante de uma escolha: morrer como Emmett, ou viver como Isabella.

Sabia que o marido dizia a verdade, mas não conseguia aceitá-la. Por isso ficou em silêncio diante do fogo, deixando-se invadir pelo calor reconfortante.

.

Tinha de haver outro caminho. Tinha de haver. De uma forma ou de outra, ela o encontraria.

Cullen levou a mão de Isabella aos lábios e beijou-a.

— Prometi que teria sapatos novos quando se casasse comigo. Agora pode ver que cumpro minhas promessas.

Ela olhou para os próprios pés e torceu o nariz. — Você me prometeu botas novas. Sapatos de salto alto não correspondem ao que prometeu.

— São da cor de seus olhos.

— Deus me proteja de ter de lutar usando essas coisas! Perderia o equilíbrio e cairia sozinha. Mataria meu inimigo... de rir!

— Mesmo assim, ainda seria a mulher mais linda do lugar.

Ela interrompeu o contato físico, constrangida com seu comportamento tolo.

— Não precisa me fazer a corte. Guarde suas lisonjas sem sentido para quando estivermos diante do rei da Inglaterra.

— Mesmo que o rei da França já tenha enviado mensageiros ao rei inglês, ele certamente aceitará ouvi-la. Nenhum rei se nega a receber uma dama tão bela.

Isabella suspirou impaciente. Preferia que ele não a chamasse de bela naquele tom debochado. Sentia-se ainda menos feminina do que antes.

— Não me importa o que ele vai pensar da minha aparência. O rei pode me considerar um trapo velho, não vai fazer diferença. Enquanto estiver na Inglaterra, ainda serei um soldado no cumprimento do dever, não uma peça decorativa.

— Eu sei disso, minha querida esposa, mas o rei Charles da Inglaterra não sabe.

Vestida como estava em seda e cetim, e levando uma mensagem para o rei inglês de sua irmã na França, certamente obteria atenção imediata de qualquer platéia.

O rei Charles da Inglaterra a recebeu com um sorriso que ia muito além da simples cortesia.

— Diz que traz uma mensagem de minha querida irmã Henrietta. Certamente, uma mensageira tão bela só pode trazer boas notícias. Vamos, vamos, deixe-me tomar conhecimento das novas enviadas por minha irmã. Sou todo ouvidos.

Isabella olhou em volta com evidente nervosismo, notando o interesse dos cortesãos que cercavam o rei. Não podia anunciar o aprisionamento da irmã do soberano para toda a corte inglesa.

— Henrietta pediu-me que só transmitisse a mensagem aos ouvidos do rei — ela prevaricou.

O sorriso de Charles perdeu parte da luminosidade.

— Ela pediu? Bobagem! Tenho certeza de que todos aqui ficarão tão felizes quanto eu com as notícias.

— Majestade, permita-me transmitir a mensagem em particular, conforme solicitou sua irmã. Não me sinto à vontade falando diante de tantas pessoas.

Ele riu.

— Ah creio que nossa jovem amiga francesa é tímida. Não precisa ficar embaraçada, minha querida. Seu sotaque é simplesmente encantador. Muito bem, Rochester e Saville, venham comigo aos meus aposentos, onde nossa jovem mensageira poderá finalmente anunciar o que minha irmã quer que eu saiba. Imagino que as mulheres tenham direito a seus segredos. Além do mais, algumas notícias de mulher não devem mesmo ser anunciadas aos quatro ventos. Não de início, pelo menos.

O rei e os dois assistentes por ele escolhidos seguiram por um estreito corredor que levava do salão principal a uma sala menor bem perto dali. Isabella e Cullen os seguiram.

— Muito bem, creio que agora já pode falar — o rei decretou com certa impaciência na sala reservada. Ele já não sorria. — Espero que a interrupção seja justificada.

Agora que estavam longe da multidão, Isabella não mediu as palavras. Assim que a porta da sala foi fechada por um dos homens do rei, ela disse em voz alta e clara:

— Sua irmã Henrietta, a duquesa de Orleans, é prisioneira na Bastilha. Seu marido, Philippe de Orleans, não tem poder para libertá-la. Ele me mandou aqui com um pedido de ajuda.

Nota da Autora:

Desculpem a demora! Mas cá estou com novo capítulo.

Até breve,

~Gabi