Capítulo 11
-Monsieur Newton? Há um telefonema internacional na linha um.
Mike verificou o relógio. Três da tarde. Se era o que estava esperando, então eram nove da manhã em Nova York.
-Obrigado, Jéssica.
Ele agarrou o aparelho e virou-se para a janela, esfregando o estômago.
-Monsieur Newton falando.
-É Tyler.
Mike fechou bem os olhos.
-Sim. Vá em frente.
-Ela voltou das férias, mas não há telefone. A0parentemente o porteiro do prédio contou a ela que a esteve procurando, e ela permitiu que você entrasse, então, parece que seu problema está resolvido.
-Excelente trabalho, Tyler. Vou enviar-lhe outro cheque.
-Acho que não há mais necessidade de tentar encontrar a irmã.
-Não. Já me deu a informação que queria. Obrigado.
-Telefone-me se precisar de ajuda.
-Naturalmente – respondeu Mike, mas não podia imaginar quando precisaria de um detetive particular novamente.
Assim que o outro homem desligou, Mike interfonou à secretária:
-Reserve uma passagem para o próximo vôo para Paris e um lugar no vôo noturno do Concorde para Nova York.
-Algum problema?
-Um pequeno assunto que deve ser resolvido em um dia. Estarei de volta bem antes do aniversário de minha mulher.
-Muito bem, monsieur. Vou providenciar tudo imediatamente.
Mike precisava dar mais um telefonema. A Lauren.
Edward tomou um rápido café da manhã enquanto acelerava pelas estradas nevadas em direção ao aeroporto Bismarck, ansioso por estar a caminho de West Yellowstone. A caminho de casa.
No dia anterior, depois de despachar os prisioneiros seguros pela fronteira de Montana até a cadeia do distrito de Morton, em Dakota do Norte, telefonara para casa, desejando ter comparecido à festa de Ação de Graças de Ida no dia anterior.
Todos falaram ao telefone, aquecendo seu coração e fazendo-o querer estar em casa, junto deles. Junto de Bella. O orgulho em sua voz quando anunciou que finalmente acabara o suéter do bebê o fizera rir a valer.
Enquanto estivera em Nova York, parara numa butique de roupas infantis e comprara macaquinhos com pé, um branco, o outro rosa, para combinar com os coraçõezinhos do suéter. Mesmo que fosse um menino, poderia usar o rosa em casa. A idéia o fez rir. Bem como as roupinhas, que eram tão pequeninas que ele balançou a cabeça, incrédulo. Mas a balconista lhe assegurou que ficariam perfeitas num recém-nascido de até quatro quilos e meio.
O bebê de Bella seria lindo, uma duplicata em miniatura da mãe. Secretamente, desejava que fosse uma menina. Não podia evitar imaginar se nasceria com o cabelo ruivo e a mesma pele pálida cremosa, que por qualquer motivo ficava cor-de-rosa.
Vira Bella ficar assim duas vezes até então. Uma vez, havia duas semanas, quando lhe perguntara o que estava lendo, e na primeira vez que se viram, quando lhe abaixara as alças da camisola para...
Oh, Senhor, o que estava lhe acontecendo?
Por que não podia apagar a lembrança daquela noite? Estava começando a confundir as imagens. Não, não era verdade. Não mais.
Rosalie sempre teria lugar em seu coração, mas eram o rosto e o sorriso de Bella que o perseguiam agora.
De repente, a expectativa que sentiu ao saber que ela o estaria esperando na fazenda, ficando mais bonita à medida que a barriga crescia, pareceu ser uma terrível traição à memória de Rosalie. Acelerou ainda mais e chegou ao limite de velocidade da auto-estrada. Mas não podia fugir da culpa.
Estava tão atormentado que demorou a ouvir o chamado ao telefone do carro. Deu boas vindas à intromissão e agarrou o aparelho.
-Cullen falando.
-Rapaz, fizemos ponto.
-Rand... –Ele diminuiu a velocidade.
-O porteiro recebeu um telefonema do mesmo homem que ligou antes perguntando sobre Bella. Ele lhe disse que Bella voltara das férias, mas que o telefone não estaria funcionando por alguns dias. Mas, se ele quisesse falar com ela, bastaria chamar o porteiro, que ele permitiria sua entrada.
-Há quanto tempo?
-Há cinco minutos. Estou ligando em seguida.
-Vou me juntar a você. Pegarei o próximo vôo de Bismarck.
-Faça isso. Estou ficando cansado de minha própria companhia.
Edward riu.
-Sei o que quer dizer. Como anda a mudança de Bella, aliás?
-Sem problemas. Sua cunhada mantém uma casa arrumadinha. Separei uma mala com objetos pessoais e fotografias que imaginei que ela não quisesse colocar no depósito. Espero que tenha feito a coisa certa.
-Fez sim. Sei como trabalha. – Edward tinha Rand MacMullen em elevada estima. – Conseguiu encontrar a agenda de telefone?
-Sim. O telefone de Mike Newton estava lá, como ela disse. – Pausa. –Encontrei mais uma coisa entre as páginas.
-O quê? – Edward quis saber.
-Duas fotos. Se não estou enganado, companheiro, uma é sua. Está tão vestido que mal o reconheci.
Mônica enviara aquela foto. Estava surpreso por Bella ainda a ter.
-Qual é a outra?
-De um homem que combina com a descrição que o porteiro nos deu.
Newton. Ele odiava o nome, embora nutrisse uma curiosidade problemática pelo homem que derrubara as defesas de Bella, mentindo o tempo todo.
-Como ele é?
-Lembra-me um desses atores franceses que minha mulher adorava. Já viu um filme sobre um francês que navega até a Polinésia e se apaixona por uma nativa? No fim, ela pula no vulcão para agradar aos deuses.
Edward balançou a cabeça, desanimado.
-Não. Provavelmente não é do meu tempo.
-Ora, ora. Não vamos ficar irritados. O que estou querendo dizer é que esse camarada parece um ator. Se pudesse lembrar seu nome, você saberia. Ele até apareceu num dos filmes de James Bond.
-Qual?
-Não me lembro. Mas era o vilão.
-Nisso está certo! –Edward disparou, venenoso, espantando a si mesmo.
-Parece-me que se passou em algum lugar exótico...
-Sempre é assim, Rand.
-Não, agora espere um pouco. Digo realmente exótico, como a Índia.
Edward piscou. Ele se lembrava daquele. Louis Jourdan.
-Está falando do ator de Gigi? –Mônica adorava aquele filme.
-Sim, é ele. Me lembro agora. Louis Jourdan. Mas este camarada tem uma aparência ainda melhor.
Gostaria que Rand parasse de falar...
Depois de tudo o que Newton fizera a Bella, ela ainda mantinha sua foto. Será que o amava tanto assim?
Com os pensamentos em caos, conjeturou outra explicação, uma que quase o deixou maluco. Talvez ela estivesse mantendo a foto para depois mostrar à criança como era seu pai.
Edward precisou controlar a fúria.
Mike Newton não merecia ser lembrado. Nem sabia que Bella estava grávida, e sem dúvida não se importaria se soubesse. Ele não estivera lá para ampará-la quando ela desmaiara, nem enxugara seu suor quando ela passara mal com náuseas. Não sofrera dias e noites devido à pressão alta dela, nem saíra atrás de uvas porque ela estava com desejo.
Ele não fizera nada além de se aproveitar, sempre que quisera.
A idéia de suas mãos percorrendo o corpo de Bella...
-Edward? Ainda está aí, companheiro?
-Sim. Estou indo para o aeroporto agora. Vejo você quando chegar. Se... –Deteve-se antes de dizer algo que mesmo Rand questionaria. -... se o francês aparecer antes de mim, sabe o que fazer.
-Estou esperando por isso. Oh, e quando estiver chegando, me traga uma pizza completa. Estou ficando enjoado de lasanha vegetariana e bife Salisbury.
Enquanto Jesse guardava a caminhonete na garagem, Bella se apressou para dentro de casa.
-Ida?
-Estou na cozinha. Qual é o veredicto?
Bella despiu o casaco de couro de Edward, a única coisa que encontrara que pudesse agasalha-la, e o pendurou no armário. Descendo as botas, foi à cozinha só de meias.
-O bebê está grande, e eu também, e minha pressão ainda está normal. O dr. Harvey elogiou o seu cuidado no preparo da minha alimentação. Estou melhor a cada dia, e devo isso tudo a você e Jesse... e Edward. – Abraçou a caseira, e foi pegar um copo d'água.
-Não podia estar mais contente por você, querida. As coisas melhoraram muito por aqui.
Com exceção do desejo de Bella de Edward estar em casa. Tudo parecia mais completo quando ele estava por ali.
-Por acaso ele ligou enquanto estive fora?
-Sim. Há poucos minutos. Ainda está num caso e não volta por enquanto.
-Oh...
Sentiu um grande desapontamento. Fazia tanto tempo que ele estava fora. E ainda perdia seu telefonema... Conversar com ele se tornara o ponto alto do dia, e queria lhe contar sobre a visita ao médico. Queria ouvir sua voz.
Queria a ele.
Não adiantava mentir para si mesma. Estava apaixonada por Edward. Terrivelmente, desesperadamente apaixonada.
Precisava se recompor para que Jesse e Ida não desconfiassem de seu segredo. Curvando-se desajeitada para a geladeira, procurou uma laranja. Andava louca por laranjas ultimamente.
-Contei que encontrei Alice na cidade outro dia? –começou a conversar, enquanto descascava a fruta.
Ida preparava molho branco no fogão.
-Acho que sim. Alice é uma pessoa adorável. – Balançou a cabeça. – Querem tanto um bebê. Mas, pelo que Rosalie contou, ela nunca vai poder dar à luz.
-Oh, Ida! –lamentou Bella, com voz alterada. – Devia ter sabido disso antes.
-Como podia? –desdenhou ela, retirando a panela com molho do fogo.
-Tem razão. –Bella colocou uma fatia da laranja na boca. –Mas ela disse uma coisa que realmente me surpreendeu.
-O que foi?
-Ela me confidenciou que achava que Rosalie era mais insegura que eu.
-Ela está certa.
Bella foi pega de surpresa.
-Também acha isso? Mas Rosalie sempre foi a corajosa.
-Se fosse verdade, por que ela não enfrentaria Edward ao invés de fugir? –Ida pousou as mãos sobre os ombros de Bella. – Não a estou criticando, ouça bem. Se a mesma coisa acontecesse comigo, honestamente não sei o que teria feito.
-Nem eu – sussurrou Bella.
-Quer saber o que acho? Acho que, se tivesse sido você, se você tivesse ficado doente, teria contado a Edward e partilhado cada minuto do tempo que lhe restava.
Bella sentiu as lágrimas nos olhos, pela primeira vez em semanas.
-Por que diz isso?
-Por que sei o que aconteceu aqui na noite em que Edward voltou para casa e a encontrou em sua cama. Foi uma situação dos infernos, mas você não fugiu. Você nos fez levá-la até o chalé e forçou Max a encarar a situação.
Agora, era Ida que sentia as lágrimas.
-Aquilo exigiu mais coragem do que eu teria sido capaz. Edward pode ficar assustador quando está zangado, mas você não se intimidou. Você o forçou. Sua dor era grande, e era terrível assistir, mas seu amor por sua irmã era ainda maior.
-Ida está certa. –interrompeu Jesse. Bella não percebera sua aproximação. –Você é uma mulher muito forte e corajosa. Nós todos pensamos que ficaria naquela cama de hospital por meses. Ninguém se surpreendeu mais do que Edward quando você se recuperou tão rápido.
-Foi uma vergonha, Jesse. Pergunte ao meu psiquiatra. Eu estava morrendo por dentro.
-Claro que estava, mas não deixou que isso a abatesse. É sobre isso que estamos conversando. Alice percebe essa força. Foi por isso que fez aquele comentário.
Embaraçada e sentindo-se humilde pelas palavras gentis, Bella improvisou um agradecimento e secou os olhos. Buscando outra fatia de laranja, mastigou devagar e engoliu antes de se pronunciar novamente.
-Alice e eu vamos jantar no Lasso Club na quarta à noite. Ela vai levar o marido. Pensei em fazer algumas compras de Natal antes, e então, encontrá-los lá.
-Ótimo. –Ida assentiu em aprovação. –Agora que o médico lhe deu permissão para ficar de pé uma parte do dia, precisa de alguma distração além de dois velhos que vão dormir com as galinhas.
Num repente de emoção, Bella lançou os braços ao redor dos dois.
-Amo vocês dois. Não sei o que teria feito sem vocês.
-O sentimento é recíproco. –A voz de Jesse saiu alterada. –Ida e eu nos casamos muito tarde para ter filhos. Com a sua gravidez, nos sentimos como avós ou algo assim.
-Vocês são! – choramingou Bella, as lágrimas brilhando em seu rosto. –Entre vocês, Edward e Esme, meu bebê vai ser mais amado que qualquer outra criança no mundo.
Esme.
Bella quase se esquecera de que iria viver com a madrasta quando o bebê nascesse.
Jesse e Ida não sabiam disso ainda.
De algum modo, não se sentia capaz de contar-lhes. Não agora. Não depois do que acabara de confidenciar-lhe. Não depois de admitir a si mesma que nunca poderia viver longe assim de Edward. Nunca.
-A pizza está ótima. Realmente sabem como fazê-la em Nova York. Se conseguisse a receita, faria fortuna lá em Bozeman. – Rand olhou para Edward. – Não vai comer nem um pedacinho?
-Mais tarde – mentiu Edward, de pé junto à janela, de onde podia ver a rua dez andares abaixo.
Em missões normais, sentia uma alta no nível de adrenalina e uma fome insaciável. Mas dessa vez era diferente. Pessoal. A idéia de comida o nauseava.
Estava ficando impaciente por encontrar o homem que traíra Bella.
-Ele pode não aparecer esta noite, Edward.
Edward cerrou os dentes.
-Ele virá.
-Como pode ter tanta certeza?
-Instinto.
O filho da mãe ainda estava louco por ela, insano por ficar distante mais um dia, pois sabia o que estava perdendo. Morrendo de vontade de tocá-la, de se perder nela. Morrendo de vontade de sentir prazer ante à visão dela...
Que droga. Maldito homem.
O motorista de táxi agradeceu a boa gorjeta de Mike e partiu.
Era tarde. Vinte para as dez. Mas, devido a problemas na aterrissagem, o vôo atrasara, e chegaram a Nova York muito depois do previsto.
Mas precisava vê-la. Não podia suportar outro dia sem saber como ela estava. Não podia lidar com a culpa.
Chamou o porteiro e, um segundo depois, a porta se abriu.
-Oi. Depois do telefonema que recebi esta manhã, achei que seria o senhor. Eu o descrevi à srta. Swan, e ela disse que poderia subir a qualquer hora.
-Obrigado.
Mike passou pela porta, esperou que se trancasse automaticamente e adentrou o saguão. Mal notava a passagem de pessoas, e não se deu contar de estar partilhando o elevador com outras tantas.
Subiu até o décimo andar. Ainda bem que Bella concordara em vê-lo. Ela bem poderia ter-se recusado.
Antes, sempre que a via após uma separação, sentia o coração bater mais forte e também uma dor no estômago. Aquela noite não seria diferente, mas ela estaria diferente. E a idéia o arrasava.
O corredor estava vazio quando ele se aproximou da porta e bateu três vezes. Ela reconheceria sua batida.
A porta se abriu.
-Sim?
Mike deu um passo atrás. Em vez de Bella parada à entrada, via os olhos frios de um homem alto e moreno. Um homem consideravelmente mais jovem que ele, mais jovem, mais forte, em forma...
Não podia ter errado de apartamento. O que estava acontecendo?
-Estou procurando Bella Swan
-Entre.
Confuso, Mike passou pela porta e permaneceu parado. O local estava vazio. Vazio como um túmulo. Ouviu a porta se fechar.
-O porteiro me disse que ela estava aqui.
-Estava. Mas já se foi.
-Temo que não esteja entendendo.
-No último minuto, ela decidiu se mudar.
-Quem é você?
-O cunhado dela.
Mike percebeu de repente que ele era familiar. Então, lembrou-se de ter visto uma pequena fotografia da irmã de Bella com o marido, e fez a ligação. Respirou com dificuldade.
-Então, você sabe de tudo.
-Certo.
Mike sentiu um frio percorrer-lhe a espinha, ciente de que o parente podia fazer-lhe mal se fosse provocado.
-Ouvi dizer que ela esteve doente. Doente demais para continuar trabalhando.
-Certo mais uma vez.
-Ouça, senhor... Não me lembro de seu sobrenome.
-Cullen.
-Sim, estou me lembrando agora. – limpou a garganta. – Ela tem todo o direito de me desprezar mais do que eu desprezo a mim mesmo. Vou pagar por aquelas mentiras pelo resto de minha vida. Entretanto, estou preocupado com ela. Não durmo desde que monsieur Gide me disse que ela deixara o trabalho. Ela está bem? Por favor, preciso saber.
A calma fria do jovem deixou Mike sem ação. Era inútil apelar a ele.
Quando já desistira de obter qualquer resposta, o rapaz declarou:
-Ela vai sobreviver, se é disso que está falando.
Mike fez o sinal da cruz.
-Ela ficou doente porque descobriu que eu era casado?
Alguma coisa surgiu no fundo dos olhos de Cullen.
-Não.
-Grace à Dieu. – Mike sentiu as lágrimas brotando. Não chorava desde o dia em que os médicos disseram que Lauren nunca mais caminharia.
Tentou encontrar as palavras certas, mas desistiu e simplesmente contou a verdade.
-Amo minha esposa. Ela foi minha namorada de infância, minha querida amiga, a mãe de meus dois filhos. Quando ela ficou inválida, a amei ainda mais por sua coragem. Permaneci fiel a ela por toda nossa vida em comum, até que Bella surgiu. Mademoiselle Swan. No começo do ano quando estive em Nova York, pedi um intérprete, e Bella entrou na sala. Alguma coisa aconteceu, alguma coisa além de meu controle.
Embora detestasse admitir, Edward podia entender esses sentimentos. Alguma coisa também acontecera a ele ao avistar Rosalie, e ao encontrar Bella deitada em sua cama pela primeira vez.
-Até aquele momento, não achava que era possível amar duas mulheres ao mesmo tempo – murmurou Mike. Podia ouvir a própria voz trêmula. – Lutei contra esse sentimento nos primeiros quatro meses.
Edward se lembrou de que ela contara que se encontraram por seis meses, o que significava que dormiram por dois meses. Tempo suficiente para engravida-la.
-O que mais quer dela?
Era uma pergunta que Mike se fizera milhares de vezes.
-Sinto sua falta. Há um vazio em minha vida sem ela. Estou preparado para me divorciar de Lauren se Bella se casar comigo.
Edward não moveu um músculo. O filho da mãe realmente amava Bella. Não sabia que ela estava grávida, e ainda assim queria se casar com ela. Um novo pesadelo estava começando...
Mike observou que o outro homem empalideceu. Custara, mas a verdade fora dita.
-Não me deve nada, monsieur, mas espero que seja honrado o suficiente para levar minha mensagem a Bella. Se ela quiser entrar em contato comigo, sabe onde me encontrar.
Friamente, Edward disparou:
-Essa palavra, honrado, fica estranho em sua boca, não é, Newton?
Mike sabia que merecia aquilo.
-Se eu não receber notícias dela, poderei presumir duas coisas. Ou você não lhe contou que nos encontramos, ou transmitiu minha mensagem e ela rompeu mesmo comigo. De qualquer forma, não vou procurá-la nunca mais.
Por vários minutos, depois da partida de Mike Newton, Edward permaneceu na semi-escuridão, desolado.
Finalmente ouviu passos pesados sobre o assoalho e voltou-se para encarar Rand. Os dois homens se entreolharam. Mensagens mudas foram trocadas.
-Vai ter de fazer isso, companheiro.
Edward respirou com dor.
-Ele não a merece, Rand.
-É o pai da criança. Está preparado para se casar com ela. Sei que o que ele fez foi errado, mas o homem está apaixonado, dolorosamente. Até eu pude sentir isso, e estava lá na outra sala.
-Ele já tem filhos crescidos.
-Eu também, mas também tenho olhos na cara, e se uma mulher como Bella surgisse na minha frente, provavelmente me faria de idiota também.
-Ela não é a mulher certa para ele. Ele tem uma esposa.
-Vamos, Edward. Sua cunhada é uma beleza. Casado ou não, Mike Newton não é mais imune a ela do que qualquer homem. Você o ouviu. A mulher está inválida há anos. E, então, conheceu Bella. A questão é que ela também se apaixonou por ele. Afinal de contas, está grávida dele. Pense sob...
-Cale-se, Rand.
-O que há com você, companheiro?
-Nada da sua conta.
-Ficou da minha conta quando me pediu para montar campana.
-Fez a sua parte. Vai ser pago. Agora, vamos cair fora daqui.
O marido de Alice, Jasper, era uma pessoa muito espirituosa, e um imitador excelente que fez Bella rir a noite toda. Ela ainda ria quando eles a deixaram na fazenda tarde da noite, carregada com os vários presentes que ela comprara para Jesse e Ida para o Natal. Ainda não escolhera nada para Edward. Nada parecia certo, ou especial.
Por causa da tempestade de neve que acabara de cair, Jesse a levara à cidade para o jantar, e lhe passara o controle remoto, de modo que pudesse abrir o portão e seguir até a casa no carro do casal.
-Obrigada pela noite maravilhosa. Precisam aparecer para jantar na semana do Natal. Ida e Jesse não vão acreditar na sua imitação de Hitchcock, eles adoram esses velhos filmes. Telefono marcando um dia, certo?
-Combinado.
Jasper abriu a porta com a intenção de ajudar Bella a sair. Mas, de repente, luzes se acenderam na casa e uma alta figura masculina saiu ao encontro deles.
Edward.
Bella sentiu a pulsação acelerar.
-Quando voltou? –perguntou assim que ele lhe abriu a porta de passageiros.
Pequenos flocos de neve se acumulavam sobre seus cílios, enquanto, com o olhar, ele lhe estudava o rosto por um breve instante.
-Hap, um dos mecânicos do aeroporto, me deixou há poucos minutos. Agora sei o que aconteceu com meu blusão de couro. Estava à procura dele para fazer um boneco de neve lá fora, mas obviamente teve melhor uso.
Ela observou seu rosto, esperando que ele realmente não tivesse se importado.
-É a única peça que consegue me agasalhar. Saímos para jantar – contou, um pouco sem fôlego. O olhar dele estava em sua barriga protuberante. – Você está aqui fora há muito tempo? – Deixou que o comentário se perdesse.
Bom Deus, pensou Bella. O que está errado comigo? O que está acontecendo comigo
De repente, ficou ciente do silêncio. Ninguém dizia nada. Desviou o rosto porque o dele estava muito perto. Ele cheirava bem.
-Eu... eu acho que consigo sair sozinha, se me ajudar a descer.
Edward ignorou a sugestão e a ergueu do assento da cabine, resolvido a carregá-la para casa, o cabelo solto sobre seus braços.
-Boa noite para vocês – disse, voltando-se para Alice e Jasper. –Obrigado por trazer nossa futura mamãe a salvo. Devo-lhes uma.
Mas Jasper os seguiu até dentro da casa com os pacotes de Bella.
-Vamos aparecer na semana do Natal – declarou ele, deixando os pacotes na mesa do corredor. Então, acenou e foi para a porta.
-Vou tentar estar aqui. – respondeu Edward, sem desviar o olhar de Sílvia.
-Tchau, Jasper. Obrigada, mais uma vez. – A voz de Bella era apenas um sussurro.
-Não foi nada. Vejo vocês por aí.
Assim que Jasper se foi, Edward fechou a porta com a bota e foi para o estúdio, com Bella nos braços.
Essa proximidade a deixou em pânico.
-Onde estão Jesse e Ida?
-De acordo com o recado, foram pegar um cineminha na cidade.
A voz dele era rouca e grave. Ela sentiu sua respiração no rosto, e um calor lânguido e lento percorreu seu corpo.
Não, isto não pode estar acontecendo. Eu o amo, mas ele era o marido de Rosalie. Isto é errado.Seu corpo, entretanto, parecia não entender e estava reagindo por conta própria. Até o bebê parecia sentir alguma coisa, porque estava se mexendo bastante.
Pouco antes de baixa-la no sofá, o bebê a chutou nos rins e ela engasgou.
Os olhos de Edward procuraram os dela.
-Nossa, senti isso.
-Eu também – gemeu Sílvia. – Sabia que não devia ter comido tanto. Não há espaço. Gostei que tivesse me carregado da caminhonete, mas preciso ficar de pé para o bebê mudar de posição.
O atrito entre seus corpos deu-lhe prazer. Ela não sabia como lidar com as novas emoções, essas novas sensações excitantes. As pernas pareciam de borracha quando ele a aliviou do casaco de couro, que jogou sobre o sofá.
-Não acredito. –murmurou ele.
Ela seguiu seu olhar. A salopete cinza era feita de um tecido fino e se movia enquanto o bebê se movia também.
Encarou-a
-Dói?
O calor da lareira, o forte aroma de pinho que vinha da grinalda sobre o aparador a deixava tonta e sem fôlego.
-Quase sempre é desconfortável, principalmente quando insiste num lugar só.
Ele queria sentir. Ela sabia que ele queria. Mas a idéia de suas mãos sobre seu corpo quase a deixava em estado de choque.
Porque ela queria sentir as mãos dele sobre seu corpo.
Agindo por compulsão, totalmente fora de seu feitio, buscou a mão direita dele e a colocou do lado do estômago, onde o pé ou o braço do bebê se mexia para a frente e para trás com uma regularidade enlouquecedora.
Fechou os olhos e prendeu a respiração enquanto ele continuava tocando-a, examinando, pressionando gentilmente onde sentia os pequenos empurrões do bebê.
-Ela sabe que estou aqui. –murmurou ele. – Está me dizendo que fizemos contato.
-Ela?
-Tenho a sensação de que é menina.
Bella observou-o com os cílios baixos. O sorriso em seu rosto, em seus olhos, tão cheios de encantamento... sentia vontade de chorar.
-Se é menina, conhece a sua voz. –murmurou Bella. –Às vezes, quando você entra na sala e começa a falar, ela se move.
-Como sabe que ela está reagindo a mim?
-Porque ela não faz isso para Jesse ou Ida.
-Bella...
Deteve a mão sobre o ventre, como se estivesse à beira das mesmas fortes emoções que ela. Mas, quando ela o encarou, viu dor.
Como pudera se esquecer por um instante sequer?
Ele desejava que ela fosse Rosalie.
Estão gostando da Historia?
Eu já terminei de adaptar porem esta tendo poucos comentários
Que tal 70 comentários para o 12 sair?
