Vingança e o Fim da Honra:

A porta do Jardim se abre, dando-nos visão para a destruição deixada. Os três espectros voltam para o templo, tendo de encarar a todos nós. Os olhos de Camus, mesmo que não tivessem mais o brilho de antes, transferiam a mesma seriedade de sempre, e mantinham-se em mim e Hyoga como se, mesmo cego, soubesse onde estávamos. Meus punhos tremiam, e meus dentes rangiam como nunca antes, coloquei-me de pé, sem tirar os olhos dele, a raiva era tanta...

-- Por que...? Por que?? Eu me recusava a acreditar que fosse você... Tudo o que me ensinou é exatamente o contrário do que está fazendo agora. Por que está tão diferente? – e erguendo minha voz – Você nos traiu! Abandonou a gente! Você que se tornou um lacaio de Hades por uma nova vida, não é mais meu mestre, não passa de um covarde!!

Nem mesmo Hyoga podia acreditar que eu pudesse demonstrar tanta agressividade, o soco que não defendeu o cravou de costas na parede, e ele caiu de joelhos. Não via nada a minha volta, mas o que dizem é que as expressões de todos eram de espanto, mas as de Saga e Shura, mesmo a de Camus, pareciam de compreensão e profunda tristeza.

Ergui-o pelos cabelos que lhe caíam ao lado dos ombros, e preparei-me para atacar com minhas garras, vendo pela primeira vez as suas lágrimas. Nunca, em todos os anos de treinamento, o vira chorar, e justo agora, que era ele o traidor, via-se no direito de derramar lágrimas diante de meus olhos. Eu o tinha como um pai, o via como um modelo de ser humano e Cavaleiro, e agora ele mostrava, na minha cara, que tudo isso fora por água abaixo... Mas minha mão tremeu, eu não era como ele, os sentimentos que eu tinha... Sempre deixava transbordar... Senti-me engasgada, sem poder terminar o que começara. Soltei-o, as lágrimas pingadas em seu rosto pareciam ser sentidas, não pelo tato, mas por seu cosmo, me afastei sem dar as costas, chorando.

-- Por que...?

Saga aproxima-se de Mu, com o rosário na mão, estende-o ao Cavaleiro.

-- É uma lembrança de Shaka, fique com ela.

Ele o toma nas mãos, os olhares e cosmos emanados não são nem um pouco amigáveis. Aiolia avança, mandando Mu sair do caminho. Com toda a sua fúria e poder, acerta os três, lançando-os longe.

-- Levantem!! Vamos! Façam o que fizeram com Shaka, os três de uma só vez! O que foi? Os traidores perderam a vontade? Vou acabar com vocês agora mesmo! Desculpem-se com Shaka no outro mundo!!

Seu golpe é detido. Mu ainda tenta entender o sentido da morte de Shaka, devia haver algo profundo por trás de tudo. Mas o Leão é impulsivo, e clama por vingança.

-- O gesto de Shaka pode até ter muitos outros significados, mas eu não posso ficar parado depois de ver a morte de um amigo. Se não vingar Shaka, então não serei um homem de verdade.

Ele ataca com tudo o que tem, mas seu "Relâmpago de Plasma" é facilmente detido nas mãos de Saga, mesmo estando em péssimas condições.

-- Aiolia, se eu pudesse, te deixaria vingá-lo, mas não podemos morrer agora. Só temos mais quatro horas para chegar até Atena. Quem ficar em nosso caminho, terá o mesmo destino de Shaka!

-- Muito bem! Então vocês não darão um passo a mais. Mataremos os três aqui mesmo.

Os olhares se voltam para o centro da casa de virgem.

-- Milo!

-- Meu irmão!

-- Nala, enxugue suas lágrimas e veja o destino que devem ter assassinos traidores como estes três.

-- Milo, você saiu de sua casa sem autorização? – censura Mu.

-- Chega de discussão! "AGULHA ESCARLATE!!"

Sem piedade, Milo atinge os três com 14 de seus golpes.

-- Rendição ou morte? Vocês sabem que a "Agulha Escarlate" dá ao adversário a oportunidade de refletir. Mas para vocês que já morreram, só uma resposta é aceitável. Peçam desculpas a Shaka no Além! "ANTARES!!"

-- Milo, saia daí!!

O cenário se abre e o espaço pode ser visto. As explosões dos planetas e estrelas atingem quase que em cheio o Cavaleiro. Ele sofreria todo o impacto se não fosse o aviso de Mu poucos segundos antes. Estavam os três de pé, mesmo depois de terem sofrido a "Rendição Divina" de Shaka, e terem se tornado quase como mortos vivos, depois dos ataques de Aiolia e de 14 golpes de Milo.

-- Mas como? O que os mantêm de pé depois de tudo isso? – pergunta-se Milo, ainda atordoado com a situação enquanto, com Saga à frente, a tríade toma novamente a posição da "Exclamação de Atena".

Templo de Atena:

Está diante de sua estátua, o vento sopra, e as pétalas das Árvores Gêmeas chegam ao templo, algumas pousam sobre as mãos da jovem Deusa.

-- As pétalas das árvores do jardim de Shaka... Você mandou para mim suas últimas palavras. O que desejava me dizer antes de morrer?

Ela lê os símbolos, escritos com o sangue do Cavaleiro: "A... ra... ya... shiki... Arayashiki!" Atena cai sobre os joelhos, cabeça baixa, voz trêmula. "Shaka... Agora entendo o motivo de sua morte, e posso tomar minha decisão!"

Casa de Virgem:

-- Nós já abrimos mão de tudo antes e utilizamos a "Exclamação de Atena", não teremos problemas em utilizá-la de novo. Vamos acabar com vocês do mesmo jeito que fizemos com Shaka!

-- Não está esquecendo de nada, Saga? – intervêm Aiolia.

-- Aqui também há três Cavaleiros de ouro. – completa Milo.

Eles tomam também a posição do ataque, com Mu à frente. Como ele mesmo dizia, dois ataques que se comparam a um pequeno Big Bang, ao mesmo tempo, não teria um poder duas ou três vezes, mas infinitamente maior, todo o Santuário viria abaixo. Mesmo assim, a tríade de espectros não voltava atrás.

-- Vocês ficaram, loucos?! – exclama Hyoga.

-- Parem! – pede Shun – Não percebem que vão reduzir tudo a pó?

-- Vocês todos são Cavaleiros de Atena! – diz Seiya – Não é possível, mesmo vocês que dizem estar do lado de Hades, não é possível que apelem para algo tão absurdo.

-- Vão jogar tudo para o alto? De que vai adiantar se ninguém sobreviver? – tenta Shiryu.

Mas eu, assistindo à tudo aquilo, tentando achar uma saída, sem êxito, só consegui correr para o lado de meu irmão, implorando:

-- Milo... Pare com isso! Vocês enlouqueceram! Por favor pára!

-- Saia daqui, Nala, você e seus amigos. Sem uma armadura de ouro, serão pulverizados. Eu é que peço, Nala, salve sua vida.

Duas "Exclamações de Atena" são liberadas. Igualmente poderosas, se equilibram no centro do campo, formando uma enorme bola de energia dourada. Qualquer um dos lados que se desconcentrasse, por menos de um segundo que fosse, seria varrido com todo o poder dos dois golpes. Era inconcebível, e eu não aceitaria aquele ato de insanidade. Atirei-me no meio de campo de batalha, elevando meu cosmo o máximo que podia.

-- NALA!! – gritava Hyoga – O que ta fazendo?!

-- Nala, quer ser desintegrada? Saia daí!! – pedia meu irmão.

Até mesmo Camus venceu a falta dos sentidos quando percebeu a cena.

-- Você é que está louca agora, Nala. Pare com isso agora mesmo!

-- Não me dê ordens Camus! Não importa que eu não tenha uma armadura e um cosmo como os dos Cavaleiros dourados, eu não vou permitir que destruam tudo. Eu morro aqui se for preciso!!

Hyoga corre para o meu lado, seguido de Shun, Shiryu e Seiya. Estão prontos para me ajudar, mesmo sendo Cavaleiros de bronze, não permitiríamos o avanço das tropas de Hades. Com os cosmos elevados ao ápice, mesmo nossas armaduras trincadas brilham como as de ouro, e nossa união consegue lançar aos céus toda a energia dos dois golpes. O Santuário não é destruído, apesar do grande tremor sentido, mas a casa de Virgem termina de desabar sobre nossas cabeças, soterrando a todos.

--

Milo: NALA!! Cadê minha irmãzinha?? Cadê?? Eu vou matar esses três!! Eu vou te enforcar, Camus!! Pq...? Ç.Ç

Aiolia: Eu tb vou trucidar esses três... Ñ acredito q puderam fazer isso...

Mu: Calma, gente... Vamos achar os Cavs de bronze... Deve ter um pq disso tudo...

Milo: Ñ QUERO SABER!! Quero a Nala de volta!!

Kanon: Gente, calma... É só a fic...

Milo e Aiolia: CALA A BOCA, KANON!!

Mu: O.O

Kanon: ¬¬ Vcs q sabem... Vamos pro próximo capítulo... Er... Na próxima postagem u.u