Disclaimer:Naruto não me pertence.


Whispers

"Try to let go of the truth, the battles of your youth, because this is just a game... It's a beautiful lie, it's a perfect denial. Such a beautiful lie to believe in (...)"


11º Capítulo: morte

Num determinado ano e num determinado dia de um determinado mês, nasceu uma menina. Bem, quanto a isto não há grande novidade, se virmos bem devem nascer milhares e milhares de crianças no mesmo dia. Este menina não era nada fora do comum.

O seu pai e a sua mãe ficaram muito felizes quando a menina nasceu, eram os dois executivos brilhantes e ainda eram novos tendo o mundo todo à sua frente. Assim, e como é costume o pai da menina continuou a trabalhar, praticamente dia e noite, e a sua mãe ficou de baixa de parto durante algum tempo tendo depois regressado ao trabalho. Até aqui tudo bem. Contudo, foi a partir desta fase que o futuro e história desta criança dão, o que pode chamar uma volta de 360º alterando-se completamente. A empresa dos seus pais tinha conseguido um contrato importantíssimo e ir-se-ia expandir-se, o que implicava mais horas de trabalho e menos tempo passado em família no lar. Assim, e tratando-se de uma família abastada os pais deixaram a criança aos cuidados dos inúmeros empregados que possuíam indo a casa apenas de mês a mês. Isto pode parecer cruel, no entanto, os pais da menina, ao contrário do que se possa pensar não eram duas pedras frias e sem sentimentos, faziam questão de ligar sempre que podiam e as suas demandas acerca da educação da criança chegavam a irritar os empregados mais pacientes.

A menina assim foi criada. Os empregados da família, tendo também as suas próprias famílias nunca deram a devida atenção afectiva à criança, visto que tinham os seus próprios rebentos para cuidar. Além disso, é certo e sabido, 'patrão fora, dia santo na loja', e a ausência dos patrões fazia com que na maioria das vezes estes se tornassem desleixados.

Devido a isto não é de espantar que a menina tivesse crescido sob regime apertado, tendo aulas de línguas, de anatomia, de literatura, de ciências, de música, de canto e dança, contudo no tempo em que tinha livre ninguém lhe poupava um olhar sequer. A menina também nunca tinha ido para a escola sendo sempre educada em casa segundo os padrões mais elevados.

A partir dos seus 6 anos esta começou a desenvolver um fascínio por tudo aquilo que envolvia a natureza, e, aproveitando o vasto jardim de sua casa começou a estudar todo o tipo de insectos e aves que encontrava comparando-os com os desenhos que tinha num livro. Este foi o seu entretém até aos seus 10 anos. A partir dessa idade, e estando a entrar numa rebelião típica de pré-adolescente, a menina decidiu que esta era altura para fazer algo diferente. Não podendo sair muito mais de casa do que esporádicas visitas ao hospital ou a uma ou outra loja, esta dedicou-se a estudar todos os livros existentes na biblioteca lá de casa, mesmo estes sendo não muito aconselháveis para a sua idade. Um deles falava sobre coisas como a morte, nesse livro citava que esta não tinha cara concreta nem personalidade que merecesse ser destacada, não sabia nada da vida senão que o destino de tudo era morrer e que, para além de tudo isso viva fechada nas suas masmorras apenas saindo para cumprir o seu dever. A menina achou que as semelhanças entre esta figura e ela eram demasiado gritantes e sem se aperceber começou por se chamar a si própria morte. O nome até que soava bem no ouvido, bem melhor que o dela na sua opinião, além de mais, o facto de se escrever com letra minúscula, caindo na categoria de 'coisa' fazia-a sentir mais aproximada com aquilo que talvez era, pois na sua opinião apenas aquele que tem consciência que vive deve usar um nome com letra maiúscula e esse não era o seu caso. A morte vivia apenas e só para respirar, comer e ler. Nada mais a fascinava. Até certo dia.

O acontecimento que revolucionou a sua vida passou-se perto do seu 11º aniversário. A morte estava a experienciar um raro momento de alegria visto que os seus progenitores, termo que ela tinha lido no livro e preferia a 'pais', vinham a casa. Assim, encontrava-se sentada no sofá da sala com o seu melhor vestidinho branco abanando as pernas numa ansiedade desmedida. Eles estavam atrasados como de costume. Passados alguns momentos alguém apareceu, a morte nunca tinha visto nenhum animal daqueles excepto na televisão e tinha quase a certeza de que se chamava gato. Aquela coisa peluda veio-se enroscar aos seus pés. A morte ficou muito curiosa com aquilo. Era um bicho esquisito e nunca pensou que algo tão peludo pudesse existir, a morte apenas tinha visto insectos e aves, nunca tocara em nenhum canídeo e muito certamente, nunca tocara em nenhum felino também. A morte pegou-lhe então pelo pescoço para o analisar melhor retorcendo-o no ar e rindo parvamente quando o gato esperneava e soprava fazendo uns sons muito estranhos. Por isto, a morte teve de lhe apertar mais o pescoço para o sossegar e o bicho pareceu fazê-lo pois passados poucos momentos sossegou chegando mesmo a adormecer.

Depois da sua análise a morte voltou a pousar o felino no chão mas este não se mexeu mais. Tinha passado uma hora e o gato não mexera um músculo, o que fez com que a morte ficasse intrigada. Assim, e com muita determinação correu para a biblioteca buscar um livro qualquer que lhe dissesse o que se tinha passado. Percorreu todo e qualquer livro e estava difícil de encontrar a resposta até que por fim, num dos mais básicos descobriu que tinha asfixiado o gato matando-o.

A morte ficou chocada. Não sabia que se podia matar as coisas assim tão facilmente. Melhor ainda, a morte apercebera-se de uma realidade assustadora, só agora percebera o que o seu nome significava. Sinceramente, não lhe parecera assim tão mau. Quer dizer, num momento estamos cá e no outro… bem, no outro já não estamos. Não lhe parecia que fosse motivo para tanto alarido.

Eram agora 10 da noite e os seus progenitores ainda não tinham aparecido. A morte decidira que tinha de se entreter com alguma coisa e por isso, decidiu pôr em prática umas coisas que tinham aparecido num dos livros de anatomia. Não seria fácil, mas valia a pena tentar.

Eram 11 da noite quando o pior aconteceu, os pais da morte entraram exactamente quando esta estava de faca na mão pronta para abrir o gato e divertir-se um bocadinho a perceber um pouco da sua anatomia.

A mãe da morte ficou em choque e rapidamente começou a gritar que tinham criado um monstro e que a culpa tinha sido deles. O pai da morte, um homem mais prático apenas acabou por dizer que talvez a menina tivesse nascido com algum problema mental. Assim, as próximas semanas foram passadas entre consultas de psicólogos e especialistas, no entanto nada de errado foi encontrado na menina. Segundo os psicólogos, todos os valores morais e apreço pela vida tinham sido devidamente interiorizados e que, concerteza o episódio vivido tinha sido apenas um pequeno deslizes ou uma curiosidade de criança levada ao extremo.

O pai da morte aceitou esse facto calmamente e estava disposto a seguir com a vida, mas a mãe tinha outras ideias, sempre quisera uma menina que usasse vestidos bonitos, gostasse de se arranjar, fosse a nata da sociedade, enfim que fosse o sonho de qualquer concurso de beleza. A morte era uma menina calada, que lia muito e explorava ainda mais, não apresentando qualquer sinal de vivacidade.

Por fim, a mãe não aguentou e exigiu que a menina fosse levada. Assim aconteceu, a morte foi levada para a Academia de meninos especiais do 'Padrinho' Orochimaru onde ficaria a seu cargo pessoal.

A morte sempre soube que Orochimaru não era o seu verdadeiro padrinho no entanto, e devido ao facto de ele ser diferente, aceitou sempre como tal e sempre foram chegados. Quando o propósito da Academia de meninos especiais fora revelado, conduzir experiências que pudessem causar o desenvolvimento de mutações, a morte foi uma das poucas crianças que aceitou livremente que as experiências lhe fossem feitas, e fora também uma das poucas sobreviventes.

A morte no seu sentido tão único de ver a vida, não vira crueldade no que tinha acontecido, na verdade, tudo aquilo se encaixava perfeitamente na teoria da selecção natural de Darwin onde só os mais aptos sobrevivem. Orochimaru entretanto passara a dar ainda mais atenção a morte porque esta tinha uma das mutações mais estranhas alguma vez vistas.

A morte, tinha uma mutação feita à medida do seu nome, conseguia retirar energia às coisas assim como a controlar, e fosse qualquer tipo de energia: vital, gravítica, cinética, térmica, eléctrica. No entanto o seu poder tinha um senão, apenas podia usar e absorver uma fonte de energia de cada vez.

A morte descobrira isso da forma mais difícil. Após um ano com a mutação, e sendo agora a única sobrevivente das experiências, a morte tinha passado o tempo todo a formar-se em psicologia para assim conseguir lidar melhor com as pessoas, os progressos tinham sido poucos. Ao fim desse ano, Orochimaru organizara uma experiência onde esta tinha de absorver energia eléctrica e gravítica de uma vez. O resultado foi desastroso. A morte não conseguiu aguentar e, após os seus olhos chegarem à cor incrível de um verde anis, esta entrou num coma que acabaria por durar 2 longos anos.

Ela agora estava de volta. Melhor do que nunca, mais estranha do que nunca. E Orochimaru não podia fazer nada mais do que esfregar as mãos em contentamento.


Aí está outro mini capítulo com a história de um personagem, neste caso da morte, a minha OC. Devo dizer que já só tenho o próximo capítulo completo pois o 13º capítulo está-me a dar uma dor de cabeça de todo o tamanho. -'

Bom, por hoje é tudo. Btw, Step Up 3 rocks ;)