Bella POV.
Minhas mãos tremiam – muito. E eu tinha quase a certeza de que Rosalie e Jacob estavam falando alguma coisa, embora não tivesse certeza se era algo sobre mim ou para mim.
Porque eu só conseguia pensar que estava ferrada. Completamente ferrada.
A televisão já havia sido desligada, mas eu continuava a fitando. Meus olhos ainda conseguiam enxergar o repórter falando sobre o médico que aparentemente tinha realizado minha execução; meus ouvidos conseguiam ouvir sobre as facadas e o fato de ele ter sido amarrado e encontrado morto em seu consultório; meu corpo se lembrava da sensação de perder completamente o controle.
Controle que eu ainda achava não ter recuperado.
Um copo de água estava entre as minhas mãos, intocado. Não conseguia fazer minhas mãos pararem de tremer, então alguns respingos de água caíam ou em mim ou no chão.
Não sabia o que pensar.
Eu estava assustada. Assustada demais.
Porque eles sabiam. Sabiam que eu estava viva, que de alguma forma eu tinha conseguido escapar da prisão... E eventualmente, eles descobriram que Rosalie Hale me ajudara. Que Jacob Black estava me ajudando.
E toda a família Cullen correria perigo.
Pisquei lentamente, lembrando-me de tudo o que havia acontecido desde o dia que tirei minhas férias e resolvi ir visitar meus pais. Lembrei-me do que senti em cada momento.
A felicidade por estar ali com eles. O pânico, desespero, medo e o ódio ao encontrá-los mortos. As dúvidas, a raiva de ser acusada. O porquê de eles terem sido assassinados. A paixão por Edward, o amor que nos uniu apesar das circunstâncias. A sensação esmagadora ao conhecer a família dele, mesmo que fosse por minutos, mesmo que fosse uma visita. Toda aquela dor ao me despedir dele, achando mesmo que nunca mais o veria. A surpresa de acordar, de descobrir que eu estava viva. Todo aquele medo cada vez que a campainha ou o celular tocava. A esperança e o pânico ao me deparar com Edward diante de mim. O calafrio, o coração acelerado, as borboletas e tudo o mais quando nós nos beijamos, nos tocamos e nos entregamos mais uma vez. O adeus, a mentira e a certeza cada vez maior de que ele iria seguir em frente. E agora... uma mistura de sentimentos que eu simplesmente não conseguia explicar.
Definitivamente, eu não me assustaria caso ficasse louca.
- Bella? – A voz suave de Rosalie me despertou de meu estado letárgico. – Está tudo bem?
Eu solte um riso amargo, balançado a cabeça positivamente.
- Estou ótima – soltei.
Nenhum de nós falou nada durante alguns segundos, até que Jacob gentilmente retirou o copo de água da minha mão, colocando-o sobre a mesa no centro. Sentou-se ao meu lado, então, puxando-me pelo ombro e fazendo com que eu descansasse a cabeça em seus ombros.
- Você vai ter que ficar sozinha por algum tempo – murmurou. – Rosalie e eu temos coisas a resolver, assuntos que definitivamente agora vão vir à tona. Tem comida suficiente para alguns dias, mas não acredito que vamos demorar.
Assenti, engolindo em seco.
Eu não queria ficar sozinha.
- Vou ativar o alarme da casa – continuou. – Não abra a porta para ninguém. Rosalie e eu agora teremos as chaves, então não se aproxime da porta, não faça barulho. Mais do que nunca, você vai ter que ser corajosa, vai ter que realmente fingir que está morta, Bella.
Tornei a assentir.
- Vamos resolver tudo. – Rose murmurou gentilmente. – Não precisa se preocupar, só tomar cuidado. Qualquer coisa, nos ligue. E se mantenha segura.
Eu abracei Jacob de lado, sabendo que não podia pedir que eles ficassem. Seria egoísmo demais.
- Vocês não podem fazer isso – sussurrei. – Rose... a família Cullen. Jake, sua família... eu não posso pedir que continuem me ajudando. Todo mundo que está ajudando vem morrendo e isso é...
- Shh – murmurou Jacob. – Você tem que se manter viva e segura, ok? Nós vamos tomar conta de tudo. E logo você vai estar livre, confia na gente.
Assenti.
Porque era tudo o que eu podia fazer.
Abracei-os com força antes de irem embora. Imediatamente, assim que tranquei a porta e o alarme fora ativado, me senti sozinha.
Eu ficava sozinha praticamente todas as noites e já até havia me acostumado.
Só que aquilo era diferente.
Eu não sabia se ou quando eles voltariam.
Eu não sabia o que me aguardava.
E isso me assustava demais.
Rosalie POV.
As mãos no volante tremiam, mas eu consegui me manter firme. Parecia estar demorando horas até chegar ao apartamento que dividia com Emmett, ciente do que aconteceria quando chegasse lá.
Era importante que eu fizesse isso, era importante que as coisas dessem certo.
Era importante que Emmett me deixasse partir.
Estacionei em frente ao prédio, observando-o por alguns minutos. Por fim, suspirei, e estendi a mão para a mala que estava no banco ao lado, puxando-a para o meu colo. Abri-a rapidamente, apenas para verificar se tudo estava ali e coloquei o capuz antes de descer do carro rapidamente.
Cumprimentei o porteiro, dando um sorrisinho nervoso e adentrei o elevador, esperando pacientemente enquanto os andares passavam.
Não me sentia preparada quando cheguei ao andar do nosso apartamento e parei diante da porta, sabendo que demoraria ali. E que seria doloroso.
Abri a porta com a minha chave e soltei um suspiro de alívio quando vi tudo escuro. Emmett não estava em casa.
Aproveitei isso e comecei a trabalhar.
Coloquei a mala no chão, logo após acender a luz da sala, e retirei tudo o que eu precisava ali. Não sei como nem onde Jacob arrumou, mas ali tinham várias fotografias dos Cullen, desde pequenos até agora.
Retirei todas as minhas malas e guardei todas as minhas roupas, fotos e objetos pessoais, antes de começar a substituir os locais antes vazios, pelas coisas da família de Emmett. Quase uma hora depois, eu acreditava que tinha terminado.
E Emmett ainda não tinha chegado.
Conferi se eu realmente não esquecera nada para trás antes de ligar para Jacob, pedindo que ele apagasse todo e qualquer registro de que eu havia ligado para aquela casa ou para o celular de cada um dos Cullen.
Seria como se eu nunca tivesse existido na vida deles.
Guardei as fotografias restantes de volta na mala, puxando-a para mim, assim como as minhas malas. Esperei pacientemente, meu coração se acelerando a cada segundo que passava, até que ouvi o barulho da chave na porta e o canto alegre de Emmett.
A porta foi aberta e eu vi o meu namorado ali, sorrindo alegremente assim que me viu. Então, seus olhos passaram pela sala – agora estranhamente vazia sem as minhas coisas ali, mesmo já com tudo da família dele – e para as malas que estavam ao meu redor. Seu sorriso morreu e ele me olhou, a dor mais do que presente em seus olhos.
- Você vai me deixar? – perguntou, e sua voz estava trêmula demais.
Engoli um soluço.
- Ei. – Me aproximei dele, puxando-o para dentro do apartamento e descansando a cabeça contra o seu peito. Ele me abraçou forte, quase como se fosse me impedir de ir embora.
- Não me deixe, Rose – pediu. – Se eu fiz algo errado, prometo que vou melhorar e a gente pode fazer...
- Ei – interrompi-o. – Eu não estou te deixando, só preciso viajar por um tempo.
- Viajar? – indagou.
Assenti.
- Estamos na reta final do caso de Bella – sussurrei. – Eu vou viajar e pesquisar algumas coisas e devo estar de volta em breve...
Ele suspirou, mais aliviado.
- E é importante que você faça algo – pedi. – Eu quero que você finja que eu nunca te conheci, ok?
Emmett me encarou confuso novamente.
- Calma – sorri. – Se alguém perguntar por mim ou algo assim, fala que nós nos falamos umas vezes, mas depois eu desapareci e nunca retornei suas ligações. Eu quero que você peça aos seus irmãos e seus pais que façam o mesmo, embora não possa lhes contar ainda que Bella está viva, ok?
- Rose...
- Emm – interrompi-o novamente –, confie em mim, por favor? Eu prometo que vou explicar tudo quando eu voltar, mesmo que demore um pouco... E eu vou entender se você não quiser me esperar e...
- Eu vou te esperar – apertou-me em seus braços novamente. – E vai ficar tudo bem, não vai?
Assenti.
- Vai ficar tudo bem.
Saí do apartamento logo em seguida, sem deixar que Emmett me acompanhasse até o carro. Parti dali, agradecida por Jacob resolver o problema com o porteiro e as câmeras.
De fato, na vida dos Cullen, seria como se eu nunca tivesse existido.
Jacob POV.
O pacote que Bree me entregara estava aberto diante de mim e eu sorria ao analisar a única coisa que estava ali, mas que seria de grande utilidade.
Um mapa da casa de Riley, com um local específico marcado e uma coisa escrita: Isabella Swan.
A caixa que Riley prometera a mim e a Rose, a caixa que inocentaria Bella.
A caixa que a traria de volta à vida.
Meus olhos não conseguiam desviar os olhos daquele mapa. Eu precisava conseguir entrar na casa de Riley apenas tempo suficiente para pegar a caixa e sair dali.
Apenas isso.
Não sabia se alguém estava vigiando a casa ou até mesmo a procura dessa caixa que possivelmente era a única prova a favor de Bella, então precisava ser cauteloso, precisava ter a certeza de que era seguro.
Era somente disso que eu precisava.
Peguei meu celular, digitando os números já tão conhecidos por mim. Na primeira vez, chamou até cair, mas na segunda a voz mais do que familiar para mim, soou ofegante.
- Não vou nem perguntar o que você estava fazendo – resmunguei, fazendo uma careta.
Sam riu.
- Eu estava no banho – disse. – Escutei o celular tocando e corri até a ele, antes que você desligasse.
Revirei os olhos.
- Tudo bem – dei de ombros, embora ele não pudesse ver. – Enfim, preciso que você me faça um favor.
Conversei durante alguns minutos com Sam, pedindo que ele passasse às vezes na rua da casa de Riley, fingindo que estava voltando do trabalho ou algo assim.
Demoraria alguns dias, mas eu conseguiria.
Eu conseguiria pegar a caixa e provar a todos que Isabella Swan era inocente de uma vez por todas.
Edward POV.
Foram dias extremamente difíceis.
Eu não sabia exatamente como eu conseguia passar por eles. Minha mente sempre estava pensando em uma pessoa; meu coração sempre queria a presença de uma pessoa; meu corpo rogava somente por o corpo de uma pessoa.
Tudo parecia ser somente sobre ela.
Isabella Marie Swan.
Eu me levantava todos os dias, porém. Eu tomava um banho, comia e seguia para o trabalho. Estar com as crianças me fazia bem, principalmente agora que ter filhos seria algo difícil para mim. Eu almoçava com os meus pais, conversava com eles, com meus irmãos e cunhados, por mais que fosse praticamente difícil olhar para Rosalie e não me lembrar dela.
Na verdade, tudo me lembrava Bella.
Eu voltava para o trabalho depois do almoço e sempre ficava ali mais do que o necessário. Se antes chegar em casa parecia ter algum sentido – o mínimo que fosse, pelo menos –, agora tudo o que eu fazia era tomar outro banho, comer e ou me jogar na cama para assistir TV ou dormir.
A minha vida parecia monótona.
Na verdade, ela estava monótona.
O primeiro final de semana depois de estar com ela chegou, mesmo comigo implorando para que a semana durasse mais, corresse de forma mais longo.
Eu me levantei e logo após tomar um banho e comer, parti para a casa dos meus pais. Levei uma muda de roupas para passar uma noite ali.
Eu não me lembrava da última vez que tinha feito isso.
Minha mãe não conseguiu esconder a felicidade quando anunciei que ficaria com ela por todo o final de semana. Meu pai estaria fazendo um plantão até tarde da noite e Emmett só viria para o jantar, assim como Alice, o que significava que éramos apenas nós dois.
Conversamos durante um tempo, almoçamos e decidimos assistir um filme. Depois que ele terminou, levei minha mãe para fazer compras e tomar um sorvete.
- Você parece mais triste – mamãe comentou, já dentro do carro. Estávamos voltando para casa. - Quer dizer, você esteve triste por um tempo e pareceu melhorar... Só que tem alguma coisa agora que parece diferente...
Suspirei pesadamente, minhas mãos apertando o volante.
Eu não queria ter que mentir para minha mãe, mas havia feito uma promessa.
Se dependesse de mim, ninguém saberia da existência de Bella.
Provavelmente, ninguém nunca saberia, agora que ela havia deixado bem claro que tinha confundido os sentimentos, que tudo não passou de um momento.
Balancei a cabeça, tentando tirar essas imagens da minha mente.
- Está tudo bem – menti, dando de ombros. – Alguns dias são mais difíceis que os outros, mas é assim.
Ela assentiu.
- Você sabe que se precisar desabafar eu vou estar, não sabe? – sorriu para mim.
Eu sorri de volta para ela.
- Eu sei, mãe. Obrigado por isso.
Ela assentiu, voltando para a janela e deixando que mergulhássemos em um silêncio confortável.
Agarrei-me profundamente ao que eu tinha dito a ela.
Alguns dias são mais difíceis que os outros.
Eu sabia que seria um longo caminho, mas torcia para que tudo desse certo. Torcia para que um dia meu corpo, mente e coração parassem de rogar por uma única pessoa:
Isabella.
Bella POV.
Um dia.
Dois.
Sem notícias.
Os dias pareceram se tornar mais longos e chatos do que antes, agora que qualquer coisa que acontecesse fosse se tornar decisiva.
Uma ligação, um toque na campainha, uma batida na porta, uma mensagem.
Qualquer coisa que acontecesse... seria grande.
Dormir parecia difícil, assim como comer. Eu só conseguia pensar na morte do meu médico, nas palavras de Jacob e Rosalie. Só conseguia pensar que tudo estava perto do fim.
E isso meio que me assustava demais.
Qualquer barulho me assustava, assim como as notícias na TV. Ler parecia impossível, me concentrar parecia impossível.
Exceto quando eu estava escrevendo.
Eu poderia sentar por horas diante do notebook e escrever, só escrever. Talvez ali, enquanto contava a todos sobre tudo o que acontecera na minha vida desde que eu fora presa, eu conseguia desabafar, conseguia ser extremamente verdadeira.
Mesmo que ninguém nunca fosse ler.
Respirei fundo, puxando a caneca com chocolate quente para mim e dando um gole, antes de enfim fechar o notebook e sair do escritório. Já era tarde, era fim de semana.
E eu estava entediada demais.
Joguei-me no sofá, pegando o controle e ligando a televisão. Meu coração agora acelerava toda vez que eu via o noticiário, sempre esperando outra morte, sempre esperando que algo desse errado.
Porque eu agora só podia esperar por isso: notícias ruins.
Estava tudo tão calmo, tão parado.
E era chato ficar sozinha ali, esperando que resolvessem as coisas por mim, esperando que eles conseguissem provas para me inocentar.
- Espero que as coisas deem certo – falei para mim mesma. – Espero que tudo se resolva logo.
Eu realmente esperava tudo isso.
Esperava que tudo acabasse bem.
Jacob POV.
Sam me informava de seu progresso todos os dias. A casa silenciosa demais, escura e sem movimento algum.
Não sabíamos se alguém estava vigiando, se tinha colocado alguma câmera e isso era frustrante. Não podíamos esperar para sempre.
Então, decidi arriscar.
Vesti-me de preto e aproveitei a madrugada, partindo apenas com uma arma, lanterna e o mapa. Estacionei meu carro duas ruas antes e entrei por uma janela que estava com defeito, nos fundos. Liguei a lanterna, já disparando pelo caminho que indicava no mapa.
A porta do porão estava fechada e trancada, o que me fez congelar por um momento. Não havia tempo para arrombar a fechadura com cuidado, por isso chutei a porta, agradecido por seu estado não estar lá tão bom.
Busquei o interruptor, desligando a lanterna logo em seguida. Fui rápido em descer as escadas, o mapa aberto, parando diante da prateleira de livros. Contei de forma rápida também os livros, chegando ao certo.
Hesitando um pouco, puxei-o.
A estante se moveu, revelando um local ainda menor. Não prestei atenção em cores ou detalhes. Tornei a ligar a lanterna, meus olhos passando por várias caixas, várias coisas.
Só que só uma me importava.
O nome em uma delas me chamou atenção, o sorriso crescendo em meu rosto.
Isabella Marie Swan.
Peguei-a, tornando a sair e a fechar a estante. Saí dali o mais depressa possível, só apagando a luz. Consertar a porta estava fora de cogitação.
Saí pelo mesmo lugar que entrei, passando pelas ruas e adentrando meu carro. Não parei nem meio minuto. Não dei a atenção a nada, até estar seguro no meu escritório, a caixa de Bella em minhas mãos.
Finalmente depois de meses de trabalho, frustração e medo... alguma coisa dera certo.
A prova que ela era inocente, a prova de que ela tinha um futuro, agora estava em minhas mãos.
N/A: Desculpem por estar postando quase no sábado, mas enfim... Espero que gostem (;
Capítulo de semana que vem tem muita coisa acontecendo, então que tal comentarem pra eu saber o que estão achando?
Besos e até o próximo!
