Disclaimer: Esta é uma fic sem fins lucrativos, adaptada do livro "Delícia" da autora Julia Cohen e da editora Harlequin Books. Todos os direitos pertencem a autora e a editora, respectivamente.

Os personagens de Harry Potter e cia pertencem a J.K Rowling, Warner e Editora Rocco.

N/A – Capítulo 12...Obrigado pelos comentários...Mais de 40 reviews

Boa Leitura =) /

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CAPÍTULO DOZE

Harry desligou o telefone e praguejou.

Bem, o vazamento para a imprensa não era culpa de Christine, que jurou ter interrompido o contato com a imprensa no momento em que ele lhe pediu, na semana anterior, e Harry acreditava piamente nela. Além do fato de sua assessora de imprensa ser uma pessoa digna, recebia um excelente salário, e tinha de seguir e respeitar os desejos de Harry, mesmo que os desa­provasse.

Isso significava que os jornais haviam descoberto a história por conta própria.

Ele voltou para o quarto a fim de se vestir, e viu a cama onde havia feito amor com Hermione há menos de uma hora. A marca do corpo delicioso ainda estava nos lençóis e travesseiro. Ela tirara suas próprias conclusões, acusando-o sem direito de defesa. Como ele havia men­cionado, Hermione não trataria seus alunos daquele jeito. Mas com Harry, o homem com quem havia rido, trabalhado e feito amor, assumira que ele era culpado. Importava-se menos com ele do que com os adolescen­tes da escola que era paga para tomar conta.

Depois que se vestiu, Harry pegou o jornal que deixara cair no chão, e voltou a descer as escadas. Na cozinha, apanhou uma colher, abriu o freezer e tirou uma caixa de sorvete de chocolate. Frio, cremoso, divino.

Enquanto colocava o sorvete e o jornal sobre a mesa, viu a frigideira em cima do fogão. Pegou-a, e então ficou olhando para os ovos e para outra panela com água, por muito tempo. Este era o café-da-manhã que ela estivera prestes a lhe preparar. Lembrou-se da expressão de Hermione, parecendo furiosa. E absolu­tamente aterrorizada.

Não muito tempo atrás, ele teria deixado Christine vazar a informação para a imprensa. A razão para não ter permitido isso dessa vez era porque o fato de ter se apaixonado por Hermione o havia transformado num outro homem. Mas Hermione não sabia que ele estava apaixonado. Portanto, não podia imaginar como ele havia mudado, motivo pelo qual deveria contar-lhe.

Pegou o telefone na cozinha e ligou para o celular de Hermione. A ligação caiu na caixa postal. .

Hermione, eu amo você, pensou, mas não correria o maior risco de sua vida falando com uma secretária eletrônica.

- Sou eu - disse, em vez disso. - Precisamos con­versar. Não sei como o jornal tomou conhecimento da história, mas vou descobrir. Retorne minha ligação, por favor.

Em seguida, tentou o telefone da casa dela, mas também foi respondido pela secretária eletrônica. Deixou uma mensagem similar. Ele lhe daria meia hora para chegar em casa e ouvir as mensagens, então iria até o apartamento dela e declararia seu amor. De alguma maneira, descobriria um jeito de dizer aquelas três palavras, de modo que ela não duvidasse de sua sin­ceridade. Então Hermione sorriria e diria que também o amava.

Nesse ínterim, Harry perguntou-se como o jornal havia obtido aquela história. Ligou para Henry para avisar que chegaria atrasado e preveni-lo de que alguns repórteres poderiam aparecer no Magnum. Depois, serviu-se do sorvete e abriu o jornal.

Sua foto com Hermione fora tirada durante o passeio deles no Hyde Park. Hermione estava rindo e Harry inclinava-se para roubar-lhe um beijo. Eles estavam de mãos dadas. O paparazzo deve tê-los seguido o fim de semana todo, sem ser notado.

Ele leu o artigo, estremecendo diante dos pobres trocadilhos sobre cozinha, e de repente arregalou os olhos. O mistério estava resolvido. Soube imediata­mente como o jornal descobrira pelo menos parte da história.

Deixou o sorvete intocado sobre a mesa e dirigiu-se à porta.

Assim que o táxi parou diante de sua casa, Hermione viu dois homens parados do lado de fora, um deles com uma câmera. Murmurou para o chofer:

- Na verdade, acho que gostaria de ir para o Museu Vitória e Albert, por favor.

Ela passou o dia no museu, vagando entre a multi­dão, olhando para os desenhos de Rafael, sentindo o anonimato seguro. A beleza das pinturas deveria tê-la acalmado, mas não surtiu o efeito desejado.

Mais uma vez, havia se apaixonado por um homem que a traíra ou, pior que isso, que pagara seus subordi­nados para fazer isso por ele. Hermione se formara em Cambridge, mas era a pessoa mais tola do mundo.

Depois que o museu fechou, pegou o metrô de volta para seu bairro e caminhou alguns quarteirões para o apartamento de Gina. Se Gina a deixasse passar a noite e lhe emprestasse algumas roupas para trabalhar no dia seguinte, não teria de encarar ninguém da imprensa.

Quando virou a esquina da rua de Gina, todavia, viu um homem alto, moreno e delgado à porta da casa. Hermione parou de caminhar e observou a amiga e o homem compartilharem um beijo longo e apaixonado na calçada.

Então, virou-se e voltou para o seu apartamento. Gina tinha sua própria vida amorosa. Não tinha de ajudar Hermione a resolver seus problemas.

Cautelosamente, aproximou-se de seu edifício. Primeiro, ela verificou se o carro de Harry estava lá e percebeu que estava desapontada por não ver o Jaguar. Se ele fosse inocente, estaria tentando encontrá-la para explicar.

Olhou em volta à procura dos repórteres que vira naquela manhã. O local parecia limpo. De qualquer forma, pegou seus óculos de sol e colocou-os.

- Sinto-me uma daquelas agentes secretas - murmu­rou quando abriu a porta do prédio apressada e subiu correndo as escadas para o seu apartamento. Viu que a luz vermelha de sua secretária eletrônica piscava e tirou o fio do telefone da tomada. Examinou a campainha da porta, mas não soube como desativá-la. Ligou o apare­lho de som com música alta e foi tomar um banho.

Apesar de exausta, mal conseguiu dormir e ficou aliviada quando o relógio marcou seis horas da manhã. Ótimo, pensou. Se chegasse bem cedo na escola, poderia preparar todas as suas aulas. Talvez fosse um dia sem surpresas.

Não havia ninguém do lado de fora do apartamen­to, mas Hermione manteve um chapéu na cabeça de qualquer modo, enquanto caminhava para a escola e entrava pela porta dos fundos.

Estava escrevendo instruções no quadro-negro para a sua primeira aula quando a porta de sua sala abriu-se e Gina entrou, parecendo pálida e preocupada.

- Aqui está você - disse ela. - Venho tentando contatá-la desde ontem à noite.

- Desliguei meus telefones - disse Hermione.

- Sei disso. - Gina aproximou-se e a abraçou. - Esti­ve preocupada com você, querida.

- Estou bem - respondeu Hermione, engolindo em seco.

Gina deu um passo atrás e examinou o rosto da amiga.

- Não, não está. Você está em péssimo estado e não posso culpá-la. Parece que não dormiu a noite toda e, conhecendo você, não come há horas.

Comida? Era a coisa mais remota em sua mente.

- Não, estou bem.

-Não diga besteira. Pegue isso. E é melhor comer. Vou ficar de olho em você. - Ela tirou uma de suas barras de chocolate do bolso e entregou-lhe. Sabendo que não tinha escolha, Hermione sentou-se, desembru­lhou o chocolate e mordeu um pedaço.

- Chocolate não é um café-da-manhã saudável - co­mentou Hermione.

- É melhor do que nada. Ouça, detesto dizer isso, mas Howard quer falar com você sobre essa coisa toda no jornal.

Ela deveria saber que o diretor teria algo a dizer sobre os adolescentes aparecerem na imprensa nacional.

- É claro. Eu devia ter ligado para ele ontem, mas me distraí. Obrigada, Gina. - Ela se levantou.

- Espere, não vai a lugar algum sem isso. - Gina pegou a barra de chocolate que ela havia deixado sobre a mesa. - E vou ficar de olho.

Hermione obedeceu e mordeu o chocolate enquan­to percorriam a pequena distância até o escritório do diretor.

-Então, como Harry encarou a intromissão da mídia? - perguntou Gina.

- Harry aumenta sua popularidade com a intromis­são da mídia - replicou Hermione. - Ele deve estar ótimo.

- E quando você vai me contar sobre as suas noites picantes?

Hermione fez uma careta e não respondeu.

-Na verdade, só quero saber se você está apaixo­nada por ele.

Ela engasgou com o chocolate e engoliu com difi­culdade. Percebeu que sua amiga a estava encarando com seriedade.

- Sim, estou. Mas...

Gina interrompeu-a, passando os braços em volta dela.

- Oh, Hermione, isso é maravilhoso. Você merece felicidade, e ele é a pessoa certa para lhe dar isso.

- Ele não está me dando nada - protestou Hermione. - Ele...

Elas chegaram à sala do diretor. Obviamente Howard as estava esperando e tinha ouvido o som de suas vozes.

- Hermione - disse ele e ela sentiu uma ponta de apreensão. Ele era um homem afável e brincalhão nos assuntos do dia-a-dia, mas tinha pontos de vista defi­nitivos em relação à sua escola. - Obrigado por ter vindo. Por favor, entre e sente-se.

Gina deixou-os à vontade e saiu, fechando a porta.

Hermione sentou-se à frente de Howard e logo viu o jornal com a matéria da escola, aberto sobre a mesa.

- Desculpe-me por não ter ligado mais cedo - mur­murou. - Desliguei meu telefone.

- Realmente tentei ligar para você, mas precisamos conversar pessoalmente, de qualquer modo - disse ele, brincando com a ponta do jornal. - Fiquei muito surpreso ao ler essa história. Pensei que tivéssemos con­cordado sobre o nível de exposição na mídia.

- Sei disso e acredite-me: estou tão preocupada em ver Jennifer e Danny no jornal quanto você.

- Não tenho nada a ver com sua vida pessoal, é claro. E sabe que é uma professora valiosa para esta escola. Mas já recebi diversos telefonemas de pais, sem mencionar os de jornalistas. O pai de Jennifer está infeliz com esta história, e os pais de Daniel estão preocupadíssimos com o quanto isso poderá afetar o filho. Especialmente quando os nomes das crianças estão ligados a uma história sobre a vida amorosa da professora deles.

- Sinto-me horrível sobre isso, Howard. Se ajudar, posso lhe garantir que não verei mais o sr. Potter em situações privadas.

- Como falei, Hermione, não tenho nada a ver com sua vida particular, contanto que não envolva a escola.

- Obrigada, Howard.

- Contudo, não posso deixar isso ir mais longe. O envolvimento de Harry Potter com a escola tinha a condição de que as crianças não fossem identificadas. Devido ao que aconteceu, prefiro que ele interrompa suas atividades aqui.

- Mas... e quanto a Jennifer e Danny?

- Ainda poderão competir. Ouvi dizer que fizeram um grande progresso. As crianças representam um crédito para a escola. Tasha Cutter pode assumir o cargo e ajudá-los.

Hermione revoltou-se. Howard não poderia impedir as chances de Jennifer e Danny daquela forma.

- Eles fizeram um grande progresso, mas apenas por causa de Harry. Sabe como estes dois alunos eram antes. E o último ensaio deles foi um desastre. Sem Harry, podem perder a confiança. E a competição é no sábado.

- Sinto muito, Hermione. Não podemos correr o risco de manchar a reputação da escola. E, de qualquer forma, nosso acordo com o sr. Potter foi violado.

Pálida de raiva, ela se levantou.

- Se esta é sua decisão final, terei de aceitar. Mas espero que você reconsidere.

- É minha decisão final. E, por favor, sente-se. Ainda temos outro assunto a discutir.

Ela franziu o cenho e sentou-se.

- Sim, Howard?

- Por que você deu uma entrevista ao jornal?

- O quê?

- Devo dizer que fiquei surpreso. Você sempre teve um comportamento profissional excelente. Por que concordou em falar com um jornalista?

Ela olhou para Howard, que parecia estar falando sério.

- Não falei com nenhum jornalista. Estive, sim, evitando-os.

- Então, de onde eles tiraram estas citações? - dis­se ele, entregando-lhe o jornal.

A mesma manchete. As mesmas fotos. Ela não tinha lido além do primeiro parágrafo. Acabou de ler o arti­go e ficou boquiaberta.

"Numa entrevista exclusiva, Hermione Granger contou ao jornal que Harry, considerado o quinto homem mais sexy do Reino Unido, conquistou seu coração. Apesar de Potter ter tido muitas mulheres no passado, Hermione parece estar mantendo-o compromissado. É cedo para pensar em casamento, disse ela, mas quero ter filhos um dia. E o célebre chef parece estar apaixonado pela atraente professora, que obteve grau máximo em Litera­tura Inglesa na Universidade de Cambridge. Ele é muito talentoso, a bela morena nos contou com um sorriso."

- Oh! - exclamou Hermione, chocada.

Howard estava claramente esperando que ela dis­sesse alguma coisa.

Ela perguntou-se como o jornal conseguira aquelas citações, as quais pareciam um pouco familiares. Então olhou no final do artigo e viu: Clive Jones.

O dançarino de tango galês. Ele não aparecera de­pois do encontro. Ela dobrou o jornal e suspirou.

- Acho que cometi um grande erro.

- Está dizendo que não tinha intenção de dar essa entrevista?

- Pensei que estivesse tendo uma conversa em particular.

Howard assentiu.

- Entendo. Bem, isso torna tudo mais fácil. Deixe-me dizer, Hermione, você é uma excelente professora...

Ele fez uma pausa e o estômago de Hermione revol­veu-se.

- Mas?

- Mas você é o foco da atenção da mídia, mesmo que não tenha tido a intenção de dar esta entrevista. Não sei até onde esta história irá, mas neste momento há repórteres do lado de fora da escola. Jennifer e Daniel são menores e podemos tomar providências para protegê-los de exposição pública. Você não é. Estamos em junho, Hermione. Nada poderá desviar a atenção dos alunos que vão prestar exames públicos.

Ela viu o que estava por vir.

- Oh, Howard, não, por favor.

- Falei com o governador e decidimos que é melhor afastá-la da escola por algum tempo. Até que a poeira assente.

- Entendo - murmurou ela. - Isso é tudo?

- Sim - respondeu ele de forma empática. - Arran­jei alguém para cobrir suas aulas por esta semana, e então reveremos a situação na sexta. Gina Weasley tomará conta do grupo sob a sua tutela.

Então Gina sabia. Não era de admirar que estivesse tão preocupada.

- Peço licença para sair agora. - Hermione se le­vantou.

Howard fez o mesmo.

- Espero que tudo volte ao normal muito em breve. E é claro, mesmo que não esteja aqui, você deveria ir à Competição Culinária de Garotos no próximo sába­do. Afinal, acompanhou todo o processo.

Quando ela saiu, Gina a esperava no corredor.

- Hermione, sinto muito. Tentei convencê-lo a de­sistir dessa postura.

- Fui tão tola - disse Hermione, meneando a cabeça.

- Eu disse a Howard que você não deu essa entre­vista intencionalmente. Como eles conseguiram trapa­ceá-la? Ligaram para você ou coisa assim?

- Foi Clive. Sabia que ele era repórter?

- Quem é Clive?

- O dançarino de tango galés que você quis que eu conhecesse.

Gina arregalou os olhos.

- O dançarino de tango chama-se Dewi Thomas - declarou Gina. - Pensei que, uma vez que você parecia gostar de Harry, não estaria mais interessada nele. Então tivemos uma gostosa brincadeira informal este fim de semana.

- Dewi? Ele não se chama Clive?

Hermione encostou-se na parede do corredor, sen­tindo-se a maior tola do universo.

- O repórter era galês - disse Hermione. - Somente falei com ele porque havia prometido a você.

Gina parecia chocada.

- Oh, meu Deus, Hermione. Sinto muito.

- A culpa não é sua. É minha. Sou muito burra.

- Você não é burra. Está apaixonada. Nada mais. Hermione passou a mão no rosto.

- Acusei Harry de vazar a história para a imprensa. E fui eu quem deu a entrevista. Oh, como fui tola!

A sirene tocou e o corredor encheu-se de alunos em seus uniformes cor de caqui. Todos olhavam para Hermione quando passavam.

- Olá, professora, eu a vi no jornal! - gritou um deles.

- Recolha-se na sala dos professores - recomendou Gina. - Tenho de ir. Ligo para você mais tarde. - Deu um rápido abraço na amiga e desapareceu no meio da multidão.

Hermione sabia como disfarçar uma dignidade que não possuía. Ergueu o queixo enquanto caminhava para a sala dos professores e cumprimentou cada alu­no pelo nome, evitando, disfarçadamente, as perguntas sobre o artigo no jornal.

Logo, parou de ouvir comentários. É claro que aqui­lo significava que estavam falando do assunto nas suas costas. Sabia que as notícias haviam se espalhado.

O único consolo era que sabia que Howard era um profissional competente e discreto o bastante para não mencionar sua suspensão para os estudantes.

Portanto, possuía tempo suficiente para sair da es­cola antes que os rumores começassem a espalhar-se. Mas, antes disso, precisava dar um telefonema. Espe­rou até que o último professor deixasse a sala, antes de ligar para Harry.

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Faltava pouco para o almoço. O interior do Magnum tinha todas as mesas cobertas com toalhas brancas e vasos de flores no centro, e arte abstrata cobria as paredes. O centro da sala era tomado por um imenso aquário iluminado.

Hermione mentalizava o que havia planejado dizer enquanto esperava por Harry.

A porta da cozinha abriu-se e ele surgiu, vestido em jaleco branco de chef, que lhe enfatizava os cabelos escuros e os ombros largos.

Ela suspirou. A única coisa que não pudera planejar era como Harry reagiria ao vê-la. Com raiva, amargu­ra, decepção ou indiferença?

Em vez disso tudo, ele estava sorrindo.

- Hermione - murmurou, o tom mais caloroso do que ela esperava.

- Sinto muito, Harry - começou diretamente. -Ti­rei conclusões precipitadas e o acusei sem ouvir sua versão da história. Você é inocente. A culpa foi toda minha.

Encostado no aquário com o sorriso amplo, ele disse:

-Quantas vezes você ensaiou isso? Parece um texto de livro.

- Algumas vezes. Mas, ainda assim, é sincero.

- Tenho certeza. - Harry se aproximou. - Você não sabia que ele era repórter, sabia?

- Não.

- É preciso tomar cuidado. Uma vez joguei dardos com um sujeito num pub e li minha conversa, palavra por palavra, no jornal, no dia seguinte.

- Bem, não estou no seu ramo de negócios e nunca pretendo estar, mas isso foi uma coisa tola a fazer. E eu não devia ter dito tudo aquilo para você.

Ele deu de ombros.

- Talvez não, mas não dou um passo atrás com publicidade há alguns anos.

- Você está agindo como se não se importasse, mas deve estar zangado.

- Estive. Porém, não mais. - Ele encurtou a distân­cia entre ambos, e tocou-lhe o queixo de leve. Estou muito feliz em vê-la. Passei um bom tempo ontem tocando a campainha de seu apartamento.

Ela deu um passo atrás.

- Preciso de sua ajuda, Harry.

- Qual é o problema?

- A escola já ligou para você?

- Não. - Ele puxou uma cadeira para ela e se sentou também.

- Eles querem que você pare de trabalhar com Jennifer e Danny.

Harry soltou um suspiro profundo.

- Bem, suponho que os dois alunos estejam quase prontos. Se quiserem praticar mais...

- Não é somente de prática que precisam. Precisam de estabilidade e de uma rotina. Se mudarmos tudo agora, Jennifer perderá a confiança, e quem sabe o que Danny decidirá fazer? Eles precisam de você.

Harry ficou pensativo por um momento.

- Eles podem vir aqui. Cancelarei as reservas para as poucas noites que faltam. As crianças estarão numa cozinha profissional. Quando se acostumarem com ela, isso ajudará.

- Obrigada. Ligarei para os pais deles a fim de pedir permissão.

- Contanto que você esteja aqui com eles, não vejo problemas.

- Eu gostaria de estar tão segura quanto você. Os pais das crianças podem não concordar quando desco­brirem que fui suspensa da escola.

Harry a fitou, perplexo.

- Você foi suspensa da escola?

- Apenas por uma semana. Até a poeira assentar. Isso me dá tempo de pôr minhas leituras em dia.

- Que coisa, Hermione! Isto não está certo.

- Entendo as razões do diretor. Ele está colocando os alunos acima de tudo, e isso é correto.

- Você os está colocando acima de tudo também? Como se sente em relação a isso?

Hermione viu o aquário escurecer diante dos olhos.

- Sinto-me péssima. A escola inteira está falando de mim às minhas costas. Minhas aulas terão uma substituta. Sou uma história, e não uma pessoa.

Harry levantou-se, pegou-lhe a mão e ajudou-a a fazer o mesmo. Então passou os braços em torno de Hermione.

- O que importa - sussurrou, beijando-lhe a testa - é que estamos juntos outra vez. Tenho de lhe contar uma coisa.

- Não podemos ficar juntos novamente, Harry - dis­se ela. - Não é culpa sua, mas meus sentimentos me levam a fazer tolices quando estou a seu lado. Arrisquei as chances de Jennifer e Danny. Meu emprego corre risco. E você - ela teve de desviar os olhos antes de prosseguir: - Feri você também. Isso tem de parar.

- Tudo isso vai se resolver. As crianças se sairão bem. Você voltará para a escola logo. - Ela sentiu as mãos fortes em seus ombros, puxando-a mais para si.

-Não. - Ela o empurrou. - Não é somente isso. Desde o momento em que conheci você, perdi o con­trole.

- Mas não se preocupe com mais nada. Relaxe. Seja minha. Confie em mim.

Hermione meneou a cabeça.

- Não posso - murmurou. - Preciso entender o que está acontecendo dentro de mim. Tudo isso - ela fez um gesto com a mão - é demais. Você é tão intenso, Harry, seu mundo é tão aberto para todos e todas as coisas. Não posso mais competir com isso.

Ele não disse nada. O semblante era sério e os olhos pareciam sombrios.

Meu Deus, como ela queria abraçá-lo.

- Acho que você é uma pessoa incrível. E é um homem muito bom. Adorei estar com você, e também o respeito demais. - Harry recuou levemente diante daquelas palavras.

Hermione sabia que estava dizendo palavras inade­quadas, as quais não diziam a verdade inteira. Mas, se dissesse a verdade, jogaria tudo para o alto e voltaria a ficar com Harry. E não deveria.

- Foi divertido - disse ela. - Mas agora terminou.

- Divertido? - ecoou ele, sentando-se na cadeira com ombros caídos. - Vou precisar comprar mais sorvete.

Ela pensou em perguntar o que Harry quisera dizer, mas isso a levaria a mais conversa e, quanto mais tem­po passasse a seu lado, mais difícil seria deixá-lo.

- Vou embora e entrarei em contato com os pais dos garotos, então - concluiu Hermione. - Quando deverei dizer que você os receberá?

- Amanhã, às cinco. - Ele olhava para o tampo da mesa e parecia nem ouvir o que ela dizia. - Faremos isso na terça e na sexta, também.

Três noites de serviços do restaurante cancelados para ajudar dois alunos.

- Obrigada, Harry. Você é realmente extraordiná­rio.

Ele assentiu e de repente a olhou.

- Você estará aqui também, é claro.

- Eu...

-Alegou que eles precisam de estabilidade e de rotina.

- Sim. - Aquilo significava mais três ensaios com Harry, e depois a competição no sábado. - Está bem - concordou ela. Então se inclinou e deu-lhe um rápi­do beijo no rosto. - Vejo você amanhã - acrescentou e deixou o restaurante antes que o beijasse mais, antes que perdesse o controle outra vez. Porque, se perdesse, estava certa de que jamais o recuperaria.

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N/A – Oie florzinhas...Fiquei bem feliz com os comentários me incentivando a continuar...Então aqui estou com mais um capítulo pra vocês...Tenho que confessar que este capítulo me dá nos nervos...é muita enrolação e blá blá blá...Mas espero que tenham gostado...Creio que na terça-feira postarei um novo capítulo...e se não me engano o penúltimo...hauahauahau...

É isso...ainda não sei se farei outra adaptação ou se vou parar nessa...Mas espero que continuem acompanhando independente da minha decisão...

Agradecimentos sinceros a todos que mandaram reviews...