- Por que eu não posso ir, papai? – perguntou a menininha sentada na cama, observando a varinha refletida nos óculos redondos do homem. Era uma cena pouco comum, porque o pai não precisava dela para fazer feitiços.
- Empacotar. – Harry murmurou, com um longo volteio. Os objetos saíram voando pelo quarto, ajeitando-se dentro das duas malas. – Locomotor bagage. – elas flutuaram a alguns centímetros do chão.
- Papai? – Elanor chamou novamente, pondo-se de pé.
- Vamos, princesa. – ele estendeu a mão para a filha. Estava nervoso, o que a deixava sem jeito. Raramente Harry agia como se não a visse. A pequena parou em meio ao gesto. Harry virou-se para a porta aberta. Cindy estava parada ao lado de Mione, que tinha Gil-Celeb nos braços. A loira olhava confusa o bebê. – Venha, querida. – encorajou, tocando o ombro da menina e encaminhando-se para as duas mulheres.
- Harry! – Cindy Parker-Winter exclamou, atirando-se sobre ele. – Estive tão preocupada com você, meu bem!... Olá, Elanor. – completou ao sentir os intensos olhos verdes sobre si. – Como vão as coisas? Quando você volta para casa? Têm acontecido tantas coisas excitantes, Harry!
O bruxo desvencilhou-se do abraço.
- Preciso ir, Cindy. – disse, seco. – Depois nós conversaremos. – trocou um olhar com a amiga. Mione sempre desaprovara o namoro dele com a herdeira da segunda maior fábrica de bolsas para Poções da Inglaterra.
- Eu vou com vocês! – Cindy afirmou, pegando a mão do moreno entre as suas. Gil-Celeb chorou baixinho e remexeu-se. – Você deveria cuidar melhor desse menino, Hermione. Está com uma carinha de doente... – Harry percebeu um enorme esforço da amiga para não retrucar.
Elanor fechou a cara para a mulher.
- Se você sair da frente, a gente pode fazer isso.
- Elanor! – Harry repreendeu. "Por que não podemos simplesmente ir??"
- Não se atreva a usar esse tom comigo, mocinha!
- E você, não fale assim com a minha filha! – o homem bradou, descontrolando-se. – Depois nós conversaremos. – repetiu, mais baixo.
O bebê assustou e berrou alto. A loira olhou-o e um meio sorriso formou-se em seus lábios.
- Seu marido sabe que este não saiu ruivo? – seus olhos brilharam de malícia.
- E como poderia, não é mesmo? – a morena mordeu o lábio e procurou o rosto do amigo. Não agüentou. – Se Harry tem os cabelos escuros. – uma sensação triunfante a fez empinar o nariz.
- O que você está sugerindo? – Cindy virou-se confusa para Harry, para o bebê e para Hermione.
Gil chorava.
- Dê-me ele aqui, Mione... – o rostinho estava banhado de lágrimas e muito vermelho. – Shsh... Calma... Papai não vai gritar mais... – Elanor puxou as vestes do pai. Harry abaixou-se para que ela visse o irmão. A menina beijou-lhe a mãozinha.
- Talvez fosse melhor vocês conversarem. Eu levo as crianças até a entrada. Hagrid já está esperando.
Harry não tinha nervos para conversas civilizadas naquele momento. As decisões ainda pesavam em sua mente. E, agora que elas foram tomadas, pretendia executá-las o mais rapidamente possível. Ele não conseguia encarar a filha sem ver ansiedade. E Gil precisava urgentemente...
"Por nós."
- Eu quero uma explicação, e quero agora! – Cindy exigiu, batendo o pé.
- Locomotor malas. – Mione ergueu a própria varinha. Tomou Gil-Celeb dos braços do pai. – Estaremos lá embaixo. – informou, guiando Elanor pelo corredor do castelo.
- E então? – a loira instigou com as mãos na cintura.
- E então o que? – ele tornou, de má vontade.
- O que significa aquele menino? – os olhos dela faiscavam.
- Você ouviu Hermione. – Harry disse, a voz fria. – Ele é meu filho. – a boca dela abriu-se de espanto, mas ele fez sinal para ela não se manifestar. – Elenna o enviou para mim. Ele está doente. Estou indo encontrar a cura. E você está me fazendo perder um tempo precioso.
- Você acredita mesmo que ele é seu filho?
- Por que duvidaria? Eu sabia que ela estava esperando um filho, que só poderia ser meu.
- Ingênuo é o que você é, Harry Potter! Você é o bruxo mais famoso, mais influente que existe! Todos querem tirar vantagem de você! Quem me garante que esse menino não é uma farsa? – a loira disparou tudo num fôlego só. – Quem?... Eu estou aqui, não ela! – esbravejou. - A tal Elfa sequer deve lembrar que você existe!
- Eu me recuso a discutir isso com você.
- Por que não podemos ser apenas nós?
Harry sabia que esse dia chegaria, embora amaldiçoasse a impropriedade do momento. Passou a mão pelos cabelos eternamente rebeldes.
- Uma casa nossa, uma vida nossa... Você não tem provas de que esse menino seja seu.
- Apenas olhe para ele, Cindy... Pelo Merlin da Bretanha! Olhe para o garoto! Você não... Você não... entende... É fácil como respirar... É certo...
- Você não precisa dele! – ela exclamou, desesperada.
- Se você me der licença... – ele começou a andar, mas ela o deteve. Suas mãos agarraram o braço dele com força.
- Você nunca me amou, não é? – ela devolveu o mesmo tom frio.
O bruxo encarou-a, um sentimento ruim crescendo dentro do peito. Não previra que chegaria a esse ponto. Mal suportava o contato dela.
- Eu não enganei você, Cindy, - declarou, firme, procurando olhar no fundo dos olhos da loira. - se é isso que está insinuando.
- Mas se divertiu muito, não foi mesmo?
Harry fechou os olhos e suspirou.
"Ação e reação."
- Sim. Nós nos divertimos... Escute, não é hora nem local de termos essa conversa, ok? Quando eu voltar, sentamos e...
- Apostei tudo em você...
-... poderemos resolver tudo...
-... não vai me deixar assim...
-... várias vezes tentei lhe dizer...
-... tudo que eu fiz...
- Tenho que ir! – ele disse, imperiosamente, soltando-se dela.
- Eu estou grávida! – a loira gritou, a voz ecoando pelas paredes de pedra escura. Harry fechou os olhos, num pesar infinito, antes de girar nos calcanhares.
"Ação, reação e punição."
OUTRACENA
Os jardins exibiam um tom verde indecente para aquela época do ano. A ruiva pensou que fosse em decorrência da chuva. Os estudantes caminhavam despreocupados e ela invejou-os pela ignorância.
"Por que estamos fadados a viver esses dias cruéis?"
Ela abraçou-se quando um vento frio entrou pela janela. Sempre gostara de admirar as cores fortes de Hogwarts, em qualquer estação do ano.
"Guie-nos na escuridão... Abençoe-nos com sabedoria..."
A decisão que tomaram desencadearia acontecimentos como se tirassem uma carta da base do Snap Explosivo. Gina engoliu em seco, empurrando a pedra de gelo até o estômago.
"Como somos pequenos diante das forças do mundo..."
Ela fechou os olhos e aspirou o ar limpo, enrolando a capa de pele ao redor dos ombros estreitos. A capa fora presente das amigas de Avalon, com quem fizera sua iniciação na Religião Antiga. Pela primeira vez, ela arrependeu-se de ser uma Sacerdotisa. Lutar contra bruxos das trevas era uma coisa, mas ela nunca fora requisitada para guiar uma pessoa querida à destruição.
"Pode ser uma falsa interpretação... Não seria inédito..."
Ela procurava convencer-se, mesmo com o alerta em seu coração.
Algumas vassouras sobrevoavam as arquibancadas do campo de Quadribol e ela sorriu triste. A lembrança do vento assobiando nos ouvidos enquanto ela voava atrás do pomo de ouro surgiram como uma pequena luz nas sombras de seus pensamentos.
Então, Gina sentiu um sopro quente às suas costas e mãos envolveram-na, levando-a para perto de um corpo morno. Seu espírito reconheceu-o quando ele passou pela soleira da porta. Ela encostou a cabeça no ombro do homem.
- Precisamos ir, Virgínia. – a voz grave sussurrou e Gina notou a contrariedade com que ele dizia isso.
Draco discutira com ela por submeter-se à vontade dos outros.
- É uma estupidez! – ele esbravejara. – Se você conhece as conseqüências, para quê? Não seja tola, Virgínia!
- Não se pode parar a vida, Draco Malfoy. – ela argumentara simplesmente.
- Lyra? – a ruiva perguntou, ainda olhando para fora da janela da torre.
- Granger. A mulher está rodeada de pirralhos. – o loiro comentou, debochando.
- Espero que ela não enlouqueça por tomar conta deles... Dois bebês...
- Que ela faça algo de útil, já que não pode afastar-se do castelo. E o meio-gigante também se ofereceu.
- Vamos? – ela desvencilhou-se do bruxo, evitando que ele começasse a resmungar sobre os amigos, tomando sua mão e caminhando para a porta da sala.
"- Eu estou grávida!"
Eles já haviam descido dois lances de escada quando ouviram o grito estridente. Draco olhou para o corredor vazio e deu de ombros, já estendendo o pé para o degrau seguinte, mas Gina franziu o cenho e parou.
- Não seja mexeriqueira, mulher. – Draco repreendeu quando ela puxou-o.
- Cale a boca. Quem está gritando aqui?
- O que importa? Alguma garota descuidada e suficientemente idiota dev... – ele parou ao ver quem surgia na outra ponta do corredor. Um sorriso maldoso abriu-se no rosto pálido do loiro. Ele nem precisou raciocinar para ligar a expressão sombria do outro homem ao grito.
"Alguém merece uma sorte dessas?"
Harry queria que um buraco abrisse para que ele pudesse se atirar dentro. No momento em que vira o casal parado sabia que seus tormentos estavam apenas começando. Esforçou-se para seguir em frente, apesar do maldito grito ecoando ainda pelas pedras. Era tudo um completo absurdo. Loucura.
"As coisas boas vêm em gotas, mas as más vêm em turbilhões."
Chegou à escadaria de mármore e acenou com a cabeça, a garganta seca demais para outro cumprimento. Gina sorriu para ele, encorajando-o a juntar-se a eles. Harry procurou não olhar para Malfoy.
- Afinal, você deveria ter seguido o meu conselho e se livrado dela, hein, Potter? – o loiro comentou divertido. – Ai! – o cotovelo da bruxa chocou-se dolorosamente contra suas costelas. Ela lançou-lhe um olhar raivoso pelo canto do olho.
O moreno não deu mostras de ter ouvido a provocação. Desceu os degraus restantes da escadaria e dirigiu-se ao grupo esperando perto para a porta de carvalho em silêncio. Dian e Oengus conversavam com a diretora McGonagall, um pouco afastados dos outros. Snape e Timoth ouviam Hagrid contar sobre o mais recente ataque dos Neo-Comensais.
"Como se não bastasse tudo isso, ainda há a maldita guerra!" – Harry fez uma careta pela lembrança.
Mione e Rony discutiam como seria o transporte das crianças. Dois cestos flutuavam ao redor da bruxa. Elanor segurava a mão do irmão, mas soltou-a e correu para a escada.
- Papai! – exclamou, os olhos arregalados.
Harry abaixou-se e tomou-a nos braços, apertando-a forte. Não entendia porque ela tremia tanto.
- Você sabe que não precisa ter medo, princesa. Não é nada perigoso. – sentou-se nos degraus. – Não vou demorar. Prometo. Vai ficar tudo bem. – já estivera em tantas batalhas e ela não demonstrara esse temor. – Elanor, olhe para mim... Você vai se comportar? – a menina confirmou. Ele sorriu, tentando acalmá-la.
- Você vai trazer a mamãe de volta, papai? – os olhinhos verdes mexiam-se nervosos quando ela murmurou.
- Cuide de seu irmão, está bem? – como ele poderia responder?
- A mamãe não quer me ver?
- Pelo Merlin, não! – ele exclamou, assustado por ela pensar assim. – Sua mãe ama você, minha princesinha. – tocou o rosto dela. – Ama muito.
- Está na hora. – a voz de Dian soou clara pelo saguão, chamando as pessoas para a saída. Harry levantou-se com Elanor no colo. Gina despedia-se da filha e pegou a mão que Draco lhe oferecia. O moreno sentiu uma pontada de inveja, mas deixou a sensação passar.
"Por nós."
Lá fora, duas das carruagens da escola esperavam, puxadas por quatro Testrálios. Os druidas entraram na primeira, seguidos por Timoth, deixando Harry na companhia de Gina e Draco na outra.
E que as brumas se dissipassem. Avalon, mais uma vez, era o centro dos pensamentos deles.
Para o bem ou para o mal.
Bom, então, pessoas?! Vocês esperavam por essa bomba?!... rsrsrssrsr!! Lá vamos nós para Avalon!
Reviews, please!!
