Capítulo 9

Mais que Sonhos

Eu te amei quando estava tudo certo
Eu vou te amar quando tudo der errado.

Eu te amo quando os meu olhos estão abertos
Eu vou te amar quando eles estiverem fechados

(Fire Girl - Iggy Pop)


Uma decisão pode ser tomada de várias maneiras, o pior é quando ela é tomada, mas o final acaba sendo catastrófico. Porém, a decisão que é revisada inúmeras vezes e, quando está praticamente decidida, é revisada mais uma vez, quase sempre dá certo. E era com esse otimismo que Ginny se encontrava.

Ela estava sentada no salão comunal da Gryffindor há um bom tempo. Não que estivesse esperando alguém, necessariamente. Na verdade, Ginny levantou cedo por não estar conseguindo dormir. Há dois dias ela decidira que reconquistaria Harry, faria de tudo para que ele, finalmente, perdesse o autocontrole e percebesse que eles não poderiam ficar mais separados. Contudo, quando ela conversou com Hermione na noite anterior, contando seus planos, a amiga não fora a seu favor.

- Eu não acho que vai dar certo, Ginny - Hermione dissera.

- Por que, Mione? Você não acha que é um meio dele perder todo aquele controle idiota? Ele quer! Eu sei que quer! E eu não estou agüentando mais ficar longe dele!

- Mas, Ginny, pensa comigo. - E com toda sua lealdade, completou: - Se o Harry se sentir acuado por você, mesmo ele querendo, vocês vão acabar brigando. Você o conhece, Ginny. Se o forçar, ele vai te repelir mais ainda.

- Então o que eu faço? - ela perguntara frustrada.

- Você só tem que dar um tempo a ele.

Tempo. Era isso que ela tinha que dar a Harry. Porém, já o dera demais para seu gosto, mas mesmo assim... Merlin, por que tudo era tão complicado quando se tratava de Harry Potter? A propósito, quem inventou o amor devia ser um complexado.

Ginny soltou um bufo exasperado, tentando se concentrar num livro de Feitiços que tinha em mãos, mas só foi ouvir alguém descendo as escadas que levava ao dormitório masculino, que se empertigou na cadeira.

- Harry?

Harry se virou ao ouvir alguém chamá-lo, pois não percebera ninguém no salão comunal. Mais por ainda estar sonolento do que qualquer outra coisa. Entretanto, o mais interessante, era que aquela voz o despertou completamente, seu coração estranhamente batendo mais acelerado. Se não fizesse algo, seu coração sairia pela boca só em ouvir a voz de Ginny. Aquilo não era normal. Era?

- Caiu da cama? - ela perguntou divertida.

- Não, eu só... Só acordei mais cedo. E você?

- Eu também - falou Ginny, dando de ombros e sorrindo de maneira receosa.

Na verdade, ela estava pensando em colocar sua decisão em prática. Será que seguiria mesmo o conselho de Hermione? Bem, era sempre bom levar os conselhos da amiga em consideração. Então pensou que, se seguisse o plano de Hermione para se aproximar de Harry, o garoto pararia de correr dela como o diabo foge da cruz.

E agora eles estavam ali, sozinhos no salão comunal. O plano de Ginny modificado fervendo em sua cabeça. Nada melhor do que colocá-lo em prática naquele exato momento, principalmente ao ver que Harry, de vez em quando, lançava olhares pressurosos para a saída do salão. Ela decidiu chamá-lo antes que ele saísse desembestado dali.

- Harry, eu... Nós precisamos... Quero dizer, eu quero conversar com você.

- E seria sobre o quê? - ele perguntou, mesmo com uma parte de seu cérebro dizendo que não o fizesse.

Ginny mordeu nervosamente o lábio inferior e se levantou da poltrona, colocando o livro em cima dela. Andou silenciosa até Harry que se encostara ao único sofá de três lugares do salão, o qual lhe servia de apoio no momento, pois, pela intensidade do olhar da garota, misto a proximidade dela, Harry pensou que não conseguiria se segurar apenas com suas pernas e vontade.

- Sabe, Harry, não somos mais crianças, então... Olha, eu entendo o que você está fazendo com a gente. Não gosto, mas entendo.

Ela desviou o olhar por um momento, encarando a lareira apagada, enquanto torcia as mãos uma na outra. Respirou fundo e voltou a encará-lo, continuando a falar com a maior segurança que conseguiu passar, a qual não foi pequena.

- Eu só queria dizer que vou esperar. E... Bem, já que não podemos ficar juntos como namorados, podemos ao menos ser amigos, não acha? Você não precisa ficar cauteloso comigo, pois não vou mais ficar forçando você, ou então te rondando. Sei que você precisa dessa distância para se sentir seguro e eu vou te dar. Mas amigos nós podemos ser, não podemos? - perguntou novamente. - Eu queria te ajudar, sabe? Com aquilo... - disse num sussurro e olhando para os lados. - Posso ajudar a Mione com as pesquisas ou treinar algumas azarações e feitiços com você, Harry.

Harry escutava a tudo calado e essa reação era apenas porque não esperava uma proposta dessas de Ginny. Achava que a garota apenas o isolaria, ao menos até certo ponto, e depois partiria para cima dele, como ele estava pensando que estava acontecendo naqueles últimos dias. Mas, por mais que ele realmente queria e precisava de Ginny por perto, também sabia que tal situação era descabida, seria estranho. Mais uma vez, a sensação de tê-la tão perto, mas não poder lhe tocar, o frustraria e, com certeza, magoaria a ambos.

E o perigo de uma recaída seria bem maior. Harry não queria nem imaginar o que aconteceria se os dois, realmente, começassem a treinar azarações e feitiços sozinhos. Quer dizer, ele realmente queria imaginar, o problema era conter essa imaginação e a conseqüência que ela poderia trazer.

- Ginny... olha...

- Harry, se você quiser um tempo para pensar na minha proposta, tudo bem - disse sorrindo, mostrando que estava compreendendo. - Eu realmente quero te ajudar. E sempre serei sua amiga, independentemente da situação que a gente se encontre.

- Eu... Certo, eu... vou pensar - falou por fim, pois não conseguiu pensar em nenhuma resposta melhor. Não com ela o olhando tão esperançosa e com seus olhos brilhando.

- Obrigada, Harry - falou com animação.

E erguendo-se nas pontas dos pés, ela lhe deu um beijo na bochecha. E, ainda sorrindo e tentando não perceber o calor que seu corpo sentia só em dar um simples beijo na bochecha de Harry, Ginny foi até a poltrona e pegou seu livro. Despediu-se do garoto com um "até logo" e saiu do salão comunal.

Somente quando atravessara o retrato da Mulher Gorda foi que mudou seu sorriso de felicidade amical para um sorriso mais esperançoso e apaixonado. E fechando os olhos, suspirou. Com certeza, com essa opção de ser amiga de Harry, pelo menos enquanto ele tivesse que enfrentar Voldemort, Ginny passaria mais tempo ao seu lado, apreciando sua companhia, seu sorriso e, principalmente, a certeza de que ele não a repeliria. Então, quando eles menos esperassem, seriam um do outro novamente. Disso ela tinha certeza.

Então seguiu pelo corredor, na direção do salão principal, sem saber que Harry se encontrava entre triste e frustrado no salão comunal, sendo surpreendido por Ron e Hermione numa posição que demonstrava cansaço.

Ele estava com a cabeça abaixada e entre os braços, que estavam apoiados no encosto do sofá. Ron estava aos pés da escada do dormitório masculino, olhando para o amigo sem entender o que acontecia, assim como Hermione, que estava aos pés da escada do dormitório feminino. Eles então se olharam, mas apenas o necessário para fazerem uma pergunta muda, seguida de um consentimento em descobrir o que acontecera com o amigo.

- Harry? Você está bem? - perguntou Hermione, depositando a mão no ombro do amigo.

Soltando um suspiro cansado, Harry olhou para ela, sorrindo tristemente.

- Está tudo bem, Mione. Tudo na mais perfeita ordem - falou, soltando um risinho sarcástico.

- Então por que você não parece sentir isso?

- Porque não estou gostando da ordem das coisas. Preferiria que acontecesse o que eu previra, e não o que está acontecendo.

- Do que você está falando, cara? - perguntou Ron, com uma feição estranha de desentendimento.

- Nada, Ron. Nada. - Com um suspiro, jogou a mochila nas costas, instigando os amigos a descerem com ele para o salão principal. Então murmurou: - Ao menos assim eu teria uma desculpa.

E depois de se olharem sem entender, Ron e Hermione o alcançaram, seguindo os três em silêncio. Silêncio que reinou durante todo o café e grande parte da manhã, com apenas os murmúrios de Hermione, dizendo a Ron que as olhadas que Harry dava para Ginny, quando pensava que ninguém reparava, era o motivo que levava o amigo a estar daquele jeito.

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Como Hermione previra, o preparativo para o baile do Dia das Bruxas rendera-lhe muito mais trabalho extra, ao contrário do que os outros monitores receberam. Ela e Adam eram encarregados de refazer a lista dos alunos que iriam participar do baile, que seria permitido apenas alunos do quarto ano para cima, para se certificarem de que nenhum aluno mais novo burlaria as regras.

A noite passada ela ficara até tarde em reunião com Adam mais uma vez, refazendo a lista de alunos autorizados, escolhendo arranjos para as mesas, formulando uma decoração diferente, a colocação da mesa com as comidas e as bebidas que ficaria, provavelmente, nos dois lados do salão. Essa opção de deixar as mesas nos dois extremos laterais do salão foi para se ter mais espaço para a pista de dança e também as mesinhas altas, porém estreitas, onde os alunos poderiam depositar seus copos ou então os pratos de petiscos. O baile seria depois do jantar - que seria mais cedo -, então não seria necessário fazer pratos de comida como foi no Baile Tribruxo ou espalhar as mesas como naquela vez.

Meneando a cabeça, Hermione tomou mais um gole de seu suco de abóbora, sorrindo quando Ron lhe deu um beijo na bochecha para depois enfiar um pedaço de empadão de frango na boca.

Ela e Ron estavam bem novamente, graças a conversa franca que tiveram no fim de semana e que serviu para colocar os pingos nos i's, e isso a deixava numa situação tão tranqüila e renovadora, que seria impossível ficar tão estressada com qualquer coisa que fosse.

Porém Harry continuava calado, continuando a lançar rápidos olhares para Ginny, que estava um pouco mais a frente na mesa da Gryffindor, o que fazia Hermione confirmar suas suspeitas. De que o fato dele estar taciturno no começo daquela semana estava inteiramente ligado à caçula Weasley. Com certeza era pela conversa que Ginny tivera com o garoto. Provavelmente Harry estava pesando os prós e contras em ter uma amizade com Ginny. Mas já que ele não queria falar, ela não iria insistir.

Abrindo a edição matutina do Profeta Diário, Hermione começou a folheá-lo já que não tivera tempo de lê-lo no café da manhã, mas não encontrou nada mais que o "natural" naquele jornal. Matérias imprestáveis e, claro, um ataque num vilarejo que vivia bruxos e trouxas. Algo que era inevitável numa guerra.

Sentiu algo gelado em seu pescoço, mas não se assustou. Com certeza Ron acabara de beber o suco de abóbora, deixando seus lábios gelados. Será que a língua dele também estava assim? Hermione sorriu levemente, apreciando as sensações que os lábios de Ron fazia em seu pescoço, não a deixando concentrar-se no jornal. Logo sua imaginação fluiu. Será que seria bom beijar aquela boca gelada? Refrescar sua boca na de Ron que sempre era tão quente a ponto de lhe esquentar o corpo todo?

Soltando um risinho, Hermione tentou se desvencilhar do namorado e se concentrar na leitura, mas Ron já segurava sua cintura.

- Ron, estou lendo - falou Hermione, risonha.

- Não me diga que este jornal está mais interessante que eu? - falou num murmúrio manhoso, continuando a beijá-la no pescoço e indo para nuca.

- Não é isso. É que...

- Pode continuar lendo - Ron a cortou, e Hermione percebeu que ele sorria contra sua pele. - Não estou tapando seus olhos, estou?

- Como se fosse fácil... - murmurou Hermione, fechando os olhos ao sentir a mão de Ron se insinuar por sob sua blusa, às costas.

- O que disse?

- Ron, pára!

- O quê?

- Estamos no salão principal, por Deus!

- E daí, Hermione? É só você não fechar esse jornal que ninguém nos vê.

Hermione fechou os olhos mais uma vez, sentindo seu corpo responder às carícias de Ron. Certo que estava bom, mas, por Deus, estavam no salão principal, no meio do almoço com a escola inteira olhando para eles. Ao menos era isso que Hermione sentia.

- A Profa. McGonagal! - ela falou alarmada.

Ron rapidamente empertigou-se no banco, no que Hermione se levantou, rindo.

- Hei, isso não vale! - falou Ron, indignado.

- Se eu não dissesse isso, você não sossegaria.

Ela dobrou o jornal e o enfiou em sua mochila.

- Estou atrasada para Runas Antigas. Vocês têm tempo livre agora?

- A-ham - respondeu Ron.

Já Harry, que estava na frente dos amigos, mas do outro lado da mesa, sequer pareceu escutar. Parecia estar, na verdade, muito concentrado ora em Ginny que estava mais à frente, ora no pedaço de carne já pela metade em seu prato.

- Ótimo. Então façam o trabalho de Feitiços que está atrasado.

Ron revirou os olhos. Era só o que faltava: ele arranjar uma garota tão mandona quanto sua mãe.

- E não revire os olhos para mim, Ron Weasley - ela ralhou, embora sorrisse. Curvou o corpo nas costas de Ron, de modo que o abraçasse pelas costas com ele sentado, e sussurrou em seu ouvido: - Se no fim do dia o trabalho estiver bom, você pode até ganhar um abono.

- É mesmo? E qual seria?

- Ah, isso será na mesma proporção do seu trabalho... Ronald.

E, deixando essa insinuação pairando no ar, Hermione saiu do salão principal, rumando para a aula de Runas, não tirando, em nenhum minuto, o sorriso malicioso que tinha nos lábios.

Ron apenas limitou-se a menear a cabeça, também sorrindo. Comeu o último pedaço de empadão e olhou para Harry a fim de chamá-lo para irem fazer o trabalho de Feitiços. Mas, mais uma vez, o amigo estava aéreo, olhando para Ginny. Ron, então, olhou para a irmã, que parecia interessada numa conversa com Demelza, embora ele percebesse olhares discretos dela em direção a Harry também, que sempre disfarçava quando isso acontecia. Quer dizer, ele pelo menos tentava.

Harry, Ron reparou, estava mesmo aéreo esses dias. Na verdade, desde que ele e Ginny conversaram. Ron também ficara sabendo da conversa no mesmo dia pelo amigo. Aconselhara Harry a aceitar a proposta da irmã, mas, dois dias passados, ele não parecia ter decidido nada.

- Harry? - chamou.

Quando Harry encarou o amigo, sentiu-se corar, principalmente ao ver a feição risonha que Ron tinha.

- Quê?

- Vamos subir? Precisamos fazer aquele dever do Flitwick.

- Ah, vamos sim.

Eles saíram então do salão principal, mas antes que entrassem pela primeira passagem secreta que atalhava o caminho, Ginny os alcançou.

- Estão indo para a torre? - perguntou ligeiramente ofegante.

Ron afirmou com um aceno da cabeça, sem reparar que Harry quase tropeçara ao ouvir a voz da garota.

O trajeto até a torre da Gryffindor só não foi em completo silêncio, porque os irmãos Weasley travaram uma conversa, que Harry apenas se intrometia com alguns resmungos. Assim que entraram no salão comunal, ele foi diretamente para o dormitório, só saindo de lá, de volta para o salão comunal, com sua mochila nas costas.

Entretanto, mais uma vez, Harry sentia que não conseguiria se concentrar em seu dever, o que já estava se tornando um hábito não muito agradável. E tudo isso por Ginny estar à sua frente, pelo visto também fazendo um dever de Feitiços. Ele já estava na mesma página há dez minutos, e caso não tentasse estudar o pouco que fosse, seu tempo livre seria totalmente desperdiçado, mas não dava para se concentrar. Não com as palavras de Ginny ribombando em sua cabeça juntamente da falta que ele sentia em conversar com ela.

E olhando a esmo na página aberta do livro de Feitiços do Sétimo Ano, o que fazia as letras começarem a desfocar, tomou uma decisão. Mesmo com seu cérebro dizendo para não fazê-lo.

- Ginny, podemos conversar? - perguntou antes que perdesse a coragem ou, simplesmente, sua razão voltasse.

- Ahm... Claro, Harry.

Harry então enfiou tudo que era seu, e estava sobre a mesa, na mochila, jogando-a nas costas em seguida.

- A gente se vê na aula de Poções, Ron - ele falou. Se percebeu que estava um pouco ofegante, não deixou transparecer.

- Pronto - falou Ginny, também com sua mochila nas costas. - Vamos?

Então, ambos saíram do salão comunal, entrando na primeira sala vazia que encontraram. Harry só pedia a Deus que não estivesse fazendo nada impensado e que, ser apenas amigo de Ginny enquanto essa guerra não terminasse, não fosse um martírio. Se bem que num martírio ele já vivia.

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- Então, fez o trabalho?

Hermione havia acabado de encontrar-se com Ron nas masmorras.

- Comecei. Acho que vou precisar da sua ajuda, na verdade.

- Sem problemas. Mas aí os créditos irão diminuir, Ron - disse com um meio sorriso. "Deus, de onde estou tirando tudo isso", pensou divertida e sentindo-se corar levemente.

Realmente Hermione não fazia idéia de onde tirava tanta sensualidade espontânea. Provavelmente os livros que ela tanto lia não diziam que era o amor e o desejo, quando juntos, que nos faziam agir de uma maneira impensada e, por que não dizer, provocativa.

- Ah, mas para tudo dá-se um jeito, não é? - falou Ron, também com um meio sorriso, a abraçando e dando um beijo rápido em seu pescoço, fazendo-a arrepiar-se.

Mas se a intenção deles era continuar com aquele carinho, tiveram que parar. Primeiro por ouvirem um soluço alto, dando de cara com Lavender que era amparada por Parvati, pois ambas haviam chegado para a aula. E segundo, porque Harry havia acabado de chegar com um sorriso entre bobo e receoso. Mas antes que Ron perguntasse como havia transcorrido a conversa entre ele e sua irmã, ou Hermione tentasse descobrir o que havia acontecido, a porta da sala se abriu com Slughorn mandando todos entrarem. Não sem antes cumprimentar Harry com entusiasmo, recebendo apenas um "oi" meio vago do garoto, o que fez com que os amigos se olhassem mais uma vez sem entender patavina.

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Se Harry tinha algum receio em fazer algo impensado com Ginny por ter aceitado a proposta dela, ele deve ter saído de sua cabeça. Há uma semana que estavam se dando tão bem, que nem parecia haver uma tensão entre ambos. Como se nenhum amasse o outro a ponto de fazer uma loucura só se alguma situação cooperasse.

E esse tipo de situação até que começou aparecer, pois era inevitável. Algo como uma troca de olhares instintivos, se tocarem por simplesmente estarem dividindo o mesmo sofá ou rindo juntos por alguma coisa, ou, então, por estarem lado a lado na mesa da Gryffindor no café da manhã, almoço e jantar. A cumplicidade havia voltado. E a felicidade, mesmo incompleta, estava presente.

Mas se eles tinham vontade de favorecer essas situações, não deixavam transparecer. Ao menos tentavam. Era como se fosse um acordo mudo e mútuo de não-provocações. Uma confiança que Harry demonstrara ter nas palavras de Ginny, as quais foram ditas àquele dia no salão comunal da Gryffindor.

Então, se eles queriam bancar os cegos e burros, o que o destino poderia fazer? Só esperar, não é verdade?

Estavam numa sexta-feira, tomando café da manhã. Harry parecia rir de uma coisa engraçada dita por Ginny que, através de caretas, transformava sua história em uma piada. Nem pareciam perceber que Ron olhava de esguelha para Hermione que, mais uma vez, estava muito cansada por causa de mais uma reunião terminada tarde no dia anterior com Adam.

O correio havia acabado de chegar, junto da coruja que sempre lhe entregava o Profeta Diário. Hermione tomou o cuidado de abrir o jornal sobre a mesa para que Ron não tentasse nada indiscreto àquela hora, pois não estava com tanto ânimo assim, embora tivesse certeza de que, se ele tentasse alguma coisa, seu ânimo voltaria. Mas não estava com tanta vontade em testar essa teoria.

Porém, logo seu cansaço deu lugar a uma leve surpresa por ver mais um ataque, num vilarejo em Kent. Voldemort não costumava atacar tantas vezes na semana, pelo menos não que ela tivesse reparado ou feito uma média de ataques. Mas, meneando a cabeça, Hermione pôs-se a ler a reportagem.

Esse ataque poderia ser considerado um ataque normal, afinal não teve nenhuma morte importante, por assim dizer, mas o fato de ter acontecido um ataque há poucos dias e ter ocorrido, literalmente, uma chacina no lugar, fez com que seu estômago se revirasse e perdesse o apetite. Aquela chacina não era obra de lobisomens, que só chegavam a deixar um corpo daquela maneira tão irreconhecível, como se fosse um monte de roupas sujas, na lua cheia e com eles transformados. Com certeza Voldemort tinha conseguido outros seguidores.

E o fato de não conseguir pensar muito naquele momento pelo tanto de coisas que tinha na cabeça, não a deixou sequer imaginar quais criaturas teriam feito aquilo, pois tal obra não era também feita por feitiços ou maldições. Pelo menos até onde ela sabia. Então fechou o jornal, ocupando-se com seu suco, que era a única coisa que lhe descia depois de ver a foto da reportagem.

Mas com a bebida descendo pela sua garganta e parecendo lhe refrescar as idéias, seu cérebro começou a trabalhar. E logo ele a fez pensar na declaração de um bruxo que se referiu às pessoas do ataque. Ele disse que enquanto algumas apareceram e desapareceram, outras vieram voando. E o que mais impressionou, tanto o bruxo quanto Hermione, era o formato das asas de tais pessoas e, quando elas apareciam, não provocaram o tradicional estalo da aparatação.

Para Hermione, aquelas asas só podiam significar uma coisa: vampiros. E se ela não soubesse que o único tipo de vampiro que existia no mundo mágico era o tipo que havia no sótão da Toca, pensaria que o tão famoso Conde Drácula saíra dos filmes de terror e dera o ar da graça em Kent. Involuntariamente soltou um riso pelo nariz, o que Ron notou. Harry e Ginny ainda continuavam totalmente concentrados em si mesmos.

- 'Tá tudo bem, Mione? Alguma coisa engraçada no Profeta?

- Não, Ron, só... Só me lembrei de uma coisa. Vamos para a aula? - chamou, se levantando, no que os garotos fizeram o mesmo.

Ginny também se despediu e foi para mesa da Ravenclaw chamar Luna para a próxima aula, embora Harry ainda a tenha visto ser abordada por Jimmy a meio caminho.

A aula de Feitiços correra normalmente, ou seja, intensa e quase o tempo todo de prática, como todas as outras. O receio dos professores de que a guerra pudesse mais uma vez transpassar os muros do castelo, só tornava as aulas mais cansativas e puxadas. Quando saíram da sala de Feitiços, intencionando ir para a de DCAT, todos os setimanistas, de tão cansados, deixaram apenas suas pernas os guiarem.

Porém, Hermione sentiu que suas pernas pararam de andar logo depois de sentir também uma leve pressão em seu braço e, um pouco desnorteada, olhou para o braço e depois para quem o segurava, dando de cara com a expressão preocupada de Ron.

- Está tudo bem, Mione?

Ela tentou sorrir. Realmente tentou.

- Um pouco de dor de cabeça e cansaço, Ron. Só isso.

- Quer matar esse tempo? Faço uma massagem em você, para relaxar - falou sugestivo e com um meio sorriso.

Hermione tentou revirar os olhos, mas esse ato só fez com que sua cabeça doesse um pouco mais.

- Ron, não seja bobo. Temos uma importante aula de DCAT agora, e eu não posso me dar ao luxo de cabular aula. Nem você. Somos monitores.

- Eu só queria que você relaxasse. Sei que anda cansada e estressada por causa da monitoria e do baile - falou um pouco magoado.

- Desculpe - disse num suspiro e segurando a mão dele com as suas. - Não quis ser grossa ou te rejeitar.

- Não, você tem razão. As aulas são importantes.

Hermione soltou um riso pelo nariz. Ron Weasley concordando sem brigar? Sim, seu amor estava mudando.

- Cadê o Harry? - ela perguntou.

- Pedi para ele ir à frente, pois queria falar com você. Vamos então?

- Sim, mas vamos combinar o seguinte - falou sorrindo para depois passar seus braços pelo pescoço do namorado e lhe dando um beijo leve nos lábios, antes de prosseguir. - Vemos as aulas hoje normalmente e, mais tarde, já que não temos ronda, eu aceito sua massagem.

- Você não tem reunião com o Stewart? - perguntou emburrado e também como se cuspisse tal nome.

- Não. - Bem, ter ela tinha, mas nada que uma conversa e um adiamento não resolvessem.

- Hum... Vejo que Harry e eu não estamos sendo boa influência para você.

- Com certeza.

Deu outro beijo nele, mas logo o puxava pela mão, principalmente ao perceber que a intenção de Ron era aprofundar seu beijo. Mas, como ela dissera, eles tinham aulas importantes naquele momento, e o relaxamento ficaria para mais tarde, em momento e lugar mais propícios. Quem sabe na Sala Precisa?

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Todos estavam fazendo um relatório a pedido da Profa. Lakerdos durante a aula, o que a fazia aproveitar também o tempo para ler os livros que tirara da biblioteca há algumas semanas.

Os livros estavam espalhados pela mesa magicamente aumentada. Agora, além de Arte das Trevas e Runas Antigas, os livros também eram de Magia Antiga e um velho e grosso livro de Poções. E, atrás dessa montanha de livros, encontrava-se Ariadne. Seu rosto estava ligeiramente corado e seus cabelos, que viviam presos numa trança firme, estavam com alguns fios caindo nos olhos. Ela parecia bem concentrada, principalmente por minutos atrás estar escrevendo freneticamente num pergaminho. Mas desde que ela começara a se concentrar num parágrafo específico, não conseguia sair dele. Nem sabia mais o que dizia ali.

Respirando fundo, olhou rapidamente pela sua sala. Certificando-se de que seus alunos estavam concentrados no trabalho que ela os mandara fazer para que não precisasse se concentrar muito na aula, levou as mãos ao rosto, passando-as com certa sofreguidão. Ajeitou os cabelos e em seguida, quase instintivamente, apertou a pedra que estava abaixo de suas roupas, sentindo-a liberar aquele mesmo calor. Com certeza a pedra estaria azul-celeste naquele momento.

Ariadne não estava conseguindo, de maneira alguma, se concentrar, e o motivo a estava deixando muito irritada e nervosa. Em menos de duas semanas tivera o mesmo sonho, com as mesmas pessoas. E o fato do homem de cabelos brancos ser Sebastian, o mesmo que a infernizara desde a adolescência também através de sonhos, a fazia querer sair daquele castelo e procurá-lo para acabar com tudo aquilo.

Meneou a cabeça com a intenção de que seus pensamentos se esvaíssem junto de sua irritação e nervosismo, mas não adiantou. Parecia que a imagem dos dois homens estava impregnada em seu cérebro. Como se o ocorrido não fosse um sonho, e sim um fato vivido. Um fato real. E real até demais para o seu gosto.

Esquecendo-se dos livros e dos alunos, encostou-se na cadeira, começando a pensar.

A casa ela conhecia. Era a mesma da Romênia, na Transilvânia; a residência de Sebastian. Nunca poderia se esquecer daquela casa, pois foi lá que se deu conta que sua vida mudara há dezesseis anos, e mudara radicalmente. Nunca se esqueceria daquelas paredes negras e nem daquela enorme lareira que, mesmo no mais quente dos verões, era acesa. Não, ela nunca poderia esquecer Sebastian.

Ela sabia que o motivo de estar sonhando daquela maneira não era devido ao ódio que sentia por aquele lugar ou aquele homem. Havia alguma coisa errada. Algo que, naquele momento, ela não conseguia descobrir e essa falta de informação junto da figura do garoto no sonho só a deixava mais frustrada. Tudo isso era coisa de Sebastian. Agora, só restava a Ariadne descobrir "o que" e "por que".

Que interesse ele tinha que ela sonhasse com tudo aquilo? Apenas para lhe passar medo ou raiva? Não, com certeza não. Sebastian não era nenhuma pessoa inexperiente ou que se conformava em passar esses sentimentos nas pessoas sem motivo algum. Ele sempre tinha um propósito para qualquer ato. Sabia que a proteção que cercava o garoto era forte e não seria fácil pegá-lo, a fim de que o transformasse em vampiro, como o sonho mostrava.

Ariadne estava tão concentrada em seus pensamentos e tentativas de encontrar explicações, que não percebeu que um aluno da Ravenclaw a chamava há cinco minutos.

- Sim, Sr. Harrisson? - perguntou, ajeitando os cabelos mais uma vez e passando a mão no rosto de forma cansada, para encarar o aluno depois.

- Professora, eu... Eu queria perguntar sobre o que saiu do Profeta de hoje.

- E o que saiu?

- É que, bem, houve um ataque em Kent e parece que o ataque foi feito por lobisomens.

- E o que tem de estranho nisso? Sabemos que os lobisomens se aliaram a Voldemort.

Correram murmúrios lamentosos pela sala com o nome do bruxo.

- Mas não era lua cheia, professora - disse Hermione, que se interessara pela conversa. - Como eles poderiam deixar uma vítima naquele estado, se estavam na forma humana? E eu também não conheço nenhuma maldição ou feitiço que possa deixar uma pessoa daquele jeito.

- Saiu alguma foto no profeta? - Ariadne perguntou, franzindo a testa.

Harrisson prontamente retirou o jornal que tinha na bolsa e entregou à professora, voltando para seu lugar depois. E Ariadne viu, num misto de raiva e repugnância, o corpo praticamente estraçalhado de uma pessoa. Não saberia dizer se era homem ou mulher. Mas, dobrando o jornal devagar, falou:

- Realmente isso não foi serviço de feitiços ou lobisomens. - "Embora fosse obra de uma maldição", completou Ariadne em pensamento. Os flashes do mesmo sonho que estava tendo há algumas noites, bem claros em sua mente.

Os alunos ficaram em expectativa, esperando que a professora continuasse. Ariadne se levantou, ficando à frente da mesa e encostando-se a ela. O jornal dobrado e seguro em suas mãos.

- O que vocês sabem sobre vampiros? - perguntou devagar, como se receasse fazer a pergunta.

Alguns alunos se olharam, estranhando a pergunta, principalmente os que eram filhos de trouxas, pois, para eles, aquela pergunta parecia muito mais ambígua. Mas fora Hermione, embora com uma feição cética, quem levantara a mão.

- O vampiro parece um ogro escorregadio e dentuço e, em geral, habita os sótãos ou os celeiros de propriedades de bruxos, onde come aranhas e mariposas. Ele geme e, de vez em quando, atira objetos pela habitação, mas não é perigoso e, na pior das hipóteses, rosna assustadoramente para todos com quem se depara. Além de ser muito feio.

- Uma explicação perfeita, embora pareça uma gravação de Animais Fantásticos e Onde Habitam - Ariadne retorquiu com um leve sorriso. - Creio que esse tipo de vampiro habita no sótão de sua casa, não é, Ronald?

- Sim - disse Ron, corando pelos outros alunos o olharem, curiosos.

- Realmente esse tipo de vampiro não tem perigo algum, a não ser que você o irrite para valer, mas nada que um feitiço Lumus Solem não resolva.

- Como assim, professora, "esse tipo de vampiro"? - perguntou Hermione, ainda sem querer acreditar aonde a professora queria chegar. - A senhora não está querendo dizer que...

- Sim, Srta. Granger. Estou realmente querendo dizer isso que a senhorita pensou.

- Mas é impossível! Todos sabem que o único tipo de vampiro que existe é o tipo que vive na casa do Ron. Uma criatura mágica.

- Você tem certeza, Granger? - perguntou Ariadne em tom divertido e, também, em desafio, deixando sua aluna sem resposta. - O vampiro como criatura mágica existe, realmente. Mas... - Ariadne hesitou por um momento, mas depois de um suspiro resignado, continuou em tom determinado. - As lendas vêm dos mitos, que vêm das histórias, e estas só começam quando há fatos.

Ariadne parou de falar, pois queria a atenção total da sala e, quando percebeu que tinha todos seus alunos lhe prestando inteira atenção, continuou, apreciando também aquele poder que ela adquirira como professora.

- Pra começar, tenho que lhes explicar o que foram as Cruzadas. Mesmo que seja um resumo de uma vaga idéia. - Ariadne franziu o cenho. "Resumo de uma vaga idéia foi ótimo", pensou. - Elas, a grosso e verdadeiro modo, eram um jeito que a Igreja Católica encontrou para conquistar riquezas e território, dando como desculpa que estava apenas fazendo a vontade de Deus para que outra religião não se sobressaísse. Ou seja, uma atividade trouxa. Entre esses soldados que pensavam agir pela salvação dos fiéis cristãos, se destacou um cavaleiro romeno, conhecido como Draculea.

Ela fez uma pausa, mais para dar certo impacto a qualquer outra coisa, e vendo que os olhos de seus alunos brilhavam de expectativa, sorriu.

- Draculea foi então com sua legião para uma batalha contra os turcos, e deixou em seu castelo a pessoa que mais amava no mundo: sua noiva. Ele venceu a batalha, mas os turcos, como vingança, atiraram uma flecha em chamas em seu castelo, matando sua noiva quando ele já voltava para casa. Draculea chegou em casa a tempo de ouvir o último grito de sua noiva, e quando viu que não tinha mais jeito de salvá-la, sentiu-se traído porque a Igreja e Deus não protegeram a mulher, mesmo ele colocando sua própria vida em risco pela causa religiosa. Ele então se matou, mas não sem antes renunciar a Deus e a Igreja. Isso diante de seu castelo em chamas. E se minha memória não falha, ele usou as seguintes palavras: "Eu renuncio a Deus! Levantarei da minha própria morte para vingar a morte dela - sua noiva, no caso -, com todos os poderes das trevas! O sangue é a vida! E ele será meu!".

Ariadne fez outra pausa, voltando para sua mesa e encostando-se nela. Colocou o jornal em cima de seus livros e cruzou os braços na altura do peito, olhando para os alunos em seguida.

- Alguns dizem que ele se aliou às bruxas daquela época, e sua invencibilidade em batalhas se devia a feitiços, ou até transfusão de sangue que ele fez com alguns feiticeiros. Vocês podem achar que estou fantasiando, que isso é apenas uma história que os trouxas contam, mas eu lhes garanto: Conde Drácula realmente existiu. Mas ele foi destruído há muitos anos. Entretanto, como podemos ver, nos deixou descendentes - concluiu com um leve esgar.

- Então a senhora quer dizer que, quem participou deste ataque em Kent, aliado a Você-Sabe-Quem, foram vampiros? - pergunto Harrisson, aparvalhado.

- Exato.

- Não pode ser - indignou-se Hermione. - Vampiros só existem nos contos trouxas, ao menos os desse tipo.

- Qual tipo?

- Ora, que bebem sangue de pessoas para sobreviver, dormem durante o dia num caixão...

- Este tipo sim, existe apenas para os trouxas. O tipo mágico, que é o caso que está aliado a Voldemort... E não façam essas caras, pelo amor de Deus! O que está aliado a Voldemort... - Ariadne revirou os olhos ao ver seus alunos tremerem mais uma vez ao ouvir o nome do bruxo das trevas. - Bem, esse tipo não necessita de sangue para sobreviver, embora o apreciem em demasia. Mas repito: não pela sobrevivência, e sim pelo prazer em esgotar toda a vida que existe em um ser humano, além do gosto bom, como eles dizem. Para eles, o sangue humano é como a felicidade para os dementadores. Eles não resistem quando estão perto de um humano. Sentem o cheiro de sangue à distância. Assim como os lobisomens quando estão transformados.

- Mas eles não andam à luz do dia, andam? - cortou uma Hufflepuff em tom medroso, recebendo um olhar irritado de Ariadne.

- Andam. Se for descende de Drácula, andam. Os outros que são transformados pelo jeito, ahm, tradicional, só podem sair durante o dia, se o sol estiver oculto. E também não dormem em caixões.

- Mas os vampiros são como os lobisomens? Ou são todos cruéis, como nos filmes? - perguntou Harry.

Ariadne revirou os olhos.

- Digamos que o problema dos vampiros seja a alma. Se ela for podre, cheia de ódio, ele se torna sedento em sangue humano, em poder, em prazer sádico. Mas se restar um pouco de sentimento bom, o mínimo possível, mas forte o suficiente, ele consegue lutar contra essa maldição. Mas tudo isso se, e somente se, esse vampiro for descendente consangüíneo de Drácula e através dessa descendência se tornar um vampiro. - "Embora que exista algumas exceções desconhecidas", completou Ariadne, em pensamento. - Se ele for transformado por qualquer vampiro pelo jeito tradicional, não tem opção alguma. Vai se tornar um sedento e sádico pela eternidade. E, por Deus, não os confundam com os vampiros dos contos trouxas!

- E alguns desses vampiros que participaram do ataque são descendentes do Drácula? - perguntou Ron.

- O líder, apenas. Nenhum vampiro transformado se alia a um bruxo. A única coisa que eles fazem é sugar todo o sangue dele, a fim de seus poderes aumentarem, e, quando esse vampiro é descendente de Drácula, o deixa praticamente imortal, invencível. Se pensarmos por esse lado - falou, indicando o jornal e, consequentemente, o ataque -, não há nada pior do que um descendente de Drácula que tenha sangue bruxo correndo nas veias, e isso independentemente do modo que chegou lá. Só há um modo de destruí-lo, mas que, pelo seu poder, fica muito difícil.

- E como é? - perguntou Harrisson.

- Através de um feitiço: Plata-stakka Clavare - disse Ariadne, dando de ombros como se o feitiço fosse algo simples. - Esse feitiço foi inventado há mais de duzentos anos, e foi com ele que Drácula foi morto. Com esse feitiço, se conjura uma estaca de prata que deve ser direcionada para o coração morto do vampiro. Só assim você o mata. Como vê, Srta. Granger, não é muito diferente dos contos, não?

Hermione e Ariadne se olharam por um tempo, sendo que enquanto a aluna continuava descrente, a professora se encontrava taciturna, seu humor bem longe.

- Profa. Lakerdos?

- Sim, Harrisson? - perguntou, virando-se para ele.

- Existe algum vampiro descendente do Conde Drácula que também seja bruxo?

Mas antes que Ariadne respondesse, o sinal tocou, anunciando o fim da aula.

- Quero esses trabalhos prontos para a próxima aula.

- Mas professora... - Harrisson tentou argumentar.

- Na próxima aula, Sr. Harrisson. - disse seca, voltando a sentar em sua cadeira e dando atenção aos seus livros. - O último a sair feche a porta.

E assim aconteceu e, ao ouvir o baque leve da porta, Ariadne respirou aliviada, desejando que essa última pergunta fosse esquecida para a próxima aula.

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O jantar fora servido há um tempo e, mesmo a hora não sendo considerada tardia, todos os alunos estavam em seus respectivos salões comunais. Mais uma medida de segurança. Apenas os monitores estavam andando pelos corredores, mas cada um com um galeão falso para avisar a diretora se ocorresse algo.

Hermione estava em reunião com Adam, e Ron já tinha saído há vinte minutos, dizendo que iria buscá-la e que se encontraria com Harry em frente a entrada da sala da diretora. Naquela noite teriam a primeira reunião da Ordem da Fênix na escola. Isso por causa do ataque em Kent, denunciando que Voldemort conseguira mais seguidores e de um tipo diferente.

Pela quinta vez, Harry olhou para seu relógio e viu que já estava na hora de ir buscar sua capa da invisibilidade a fim de sair sem ninguém notar. Subiu sem deixar de dar uma olhadela para Ginny, que conversava com umas amigas, a qual o encarou de volta com as sobrancelhas erguidas, no que Harry sorriu de volta. Ela o fizera prometer contar tudo o que aconteceria na reunião, afinal não poderia participar.

Ninguém reparou que, dois minutos de Harry ter subido para o seu dormitório, o retrato da Mulher Gorda abriu e se fechou indicando que alguém passara por ele, embora não se tenha visto ninguém.

Harry procurou fazer o menor caminho da torre da Gryffindor à sala da diretoria. Com esse caminho ele também passava pela sala de reunião dos monitores. Com certeza seus amigos já estavam em frente às gárgulas, esperando-o. Mas só foi virar um corredor, que foi surpreendido por uma cena que não se via todos os dias: a Profa. McGonagall comicamente alterada. Certo que ela se irritava às vezes, mas, naquela hora, ela também parecia constrangida com alguma coisa. E foi só ver Ron e Hermione em frente a ela, que Harry começou a imaginar o motivo da irritação e constrangimento.

Sorrindo, porém cauteloso, ele se aproximou dos três, tendo tempo de entender as palavras finais da professora.

- Que vergonhoso! - ela dizia com os lábios tremendo e as bochechas levemente coradas. - Dois monitores, sendo que você, Srta. Granger, é Monitora Chefe!

- Me desculpe mais uma vez professora. Prometo que isso não vai se repetir.

Hermione parecia ter sido atingida por um feitiço de colorir, pois seu rosto estava incrivelmente vermelho, mostrando o constrangimento que se encontrava. Ron também estava corado, mas o vermelho mais intenso estava concentrado em suas orelhas, deixando-o, na visão de Harry, com uma aparência engraçada. Entretanto, sua expressão demonstrava que não estava tão preocupado com a bronca, como Hermione.

- Eu sei que isso não vai se repetir, Srta. Granger - falou McGonagall. - Mas devo adverti-los de que, caso isso se repita, serei obrigada a reportar tais atos aos seus pais.

McGonagall então se empertigou e sussurrou:

- Vocês vão para reunião?

Ambos afirmaram com um aceno da cabeça.

- Estamos esperando o Harry, professora - falou Hermione.

- Certo. Não se atrasem.

E, vendo-a seguir em direção à torre norte - a diretoria -, Harry decidiu se aproximar dos amigos, começando a tirar a capa.

Hermione, ao ver que a diretora havia virado o corredor, virou-se irritada para Ron que nem teve tempo de se defender de um tapa que a namorada lhe desferira no braço.

- Ai, Mione! - resmungou. - Que isso?

- Você está muito saidinho.

- Só estou recuperando o tempo perdido... - ele disse dando de ombros e sorrindo. Logo tentou abraçá-la novamente, mas foi repelido com outro tapa. - E isso agora?

- Isso, Ron - sibilou -, é para você aprender a se controlar.

- Mas a culpa é sua! - acusou como se fosse óbvio.

- Minha? - ela indignou-se.

- Claro. - E Ron foi tão rápido em puxá-la pela cintura e prensá-la na parede com seu corpo, que Hermione só teve tempo de dar um gritinho de surpresa e colocar suas mãos no peito do namorado. - Ou você não sabe que me provoca?

- A Profa. McGonagall... - Hermione começou a falar, mas foi só sentir que o namorado já se empenhava em beijar seu pescoço, que sentiu as pernas tremerem. - Ronald... - ela então ralhou com ele, afinal logo Harry poderia aparecer. Ou pior, um professor!

- A culpa é sua... Realmente sua... - disse num sussurro que arrepiou os pêlos da nuca de Hermione, que sorriu, não conseguindo mais resistir.

Ron então a beijou na boca, como se dependesse daquilo para sobreviver, enquanto descia sua mão que estava nas costas da namorada. E embora Hermione percebesse o que estava acontecendo, e também soubesse que destino teria aquela mão, não tinha forças para resistir, não com aquele ruivo que fazia suas pernas tremerem só em sentir a respiração dele em seu pescoço.

Porém, antes que a mão de Ron atingisse seu intento, eles ouviram alguém pigarrear perto deles, fazendo com que o casal se afastasse num salto, pensando que fosse um professor, ou pior, a Profa. McGonagall novamente. E embora tivessem ficado corados e constrangidos pelo flagrante, não puderam deixar de sentir alívio ao verem que era apenas Harry.

- Harry! - exclamou Hermione. - Você está aí há muito tempo?

- Tempo necessário para entender o que a professora quis dizer com vergonhoso - zombou.

O casal de amigos se olhou e Ron, extremamente corado, lhe perguntou:

- E você... ahm... ouviu o que a gente disse? Agora a pouco?

- Graças ao bom Deus não! - falou Harry rindo muito, porém sincero. E ao ver o amigo soltar um suspiro de alívio, agradeceu a Deus por realmente não ter ouvido nada.

- Nunca vi a Profa. McGonagall daquele jeito - falou Ron com um sorriso sem graça e coçando a nuca.

Hermione apenas bufou levemente, revirando os olhos.

- Ah, qual é Mione? A gente não estava fazendo nada demais. Só namorando. Na verdade, eu acho que aquela mulher tem que encontrar um namorado.

- Olha o respeito, Ronald! - ela disse exasperada, mas Ron apenas arqueou as sobrancelhas e a olhou divertindo, no que Hermione corou. Tinha que parar de chamá-lo daquela maneira em certos momentos. - Certo... Acho melhor irmos logo para a sala da diretora. Com certeza o pessoal já chegou.

Harry limitou-se a erguer as sobrancelhas e dar um meio sorriso. Seguiram então em silêncio para a diretoria, embora Hermione parecesse resmungar alguma coisa para Ron, que apenas sorria.

A não ser por duas ou três caras novas, todos os que Harry se lembrava de terem ido ao Largo Grimmauld pareciam estar na reunião que era numa sala adjacente à diretoria. Havia uma mesa oval enorme envolta por várias cadeiras, mas ninguém havia sentado ainda. Estavam divididos em alguns grupos, onde alguns tiravam conversa fora, enquanto em outros, a conversa os deixavam taciturnos.

O Sr. Weasley, que estava junto de Remus, foi o primeiro a avistar o trio de amigos.

- Olá, Harry - disse Remus animado, apertando a mão do garoto, enquanto o Sr. Weasley cumprimentava o filho.

- Oi, Remus. Estamos atrasados?

- Ah, não, não. Ainda falta a Ariadne para chegar. Charlie foi buscá-la.

- Meu irmão está aqui também?

- Está. Chegou da Romênia hoje cedo - falou o Sr. Weasley sorrindo. - Olá, Harry.

- Sr. Weasley.

- Ariadne disse que seria bom ele vir - completou Remus, dando de ombros.

- E aí, gente, beleza?

Os três também cumprimentaram Tonks que parecia bem animada e que logo enlaçava seus braços no de Remus. Mas não tiveram tempo para conversar, pois logo Charlie entrava na sala, seguido de Ariadne e a Profa. McGonagall, sendo que esta não deixou de lançar um olhar rígido a Ron e Hermione, que coraram.

Ron foi junto da namorada cumprimentar o irmão, o qual se mostrou feliz em ver o caçula dos garotos; além de ter dito um "até que enfim" alto o bastante para Harry ouvir e também deixar Hermione mais corada do que estava e Ron sorrindo orgulhoso. Eles também logo se juntaram à mesa, onde McGonagall pedira para todos se sentarem, embora Harry tenha notado que, quando Ariadne se aproximou de Remus e Tonks, esta envolveu o braço de Remus mais ainda com os seus.

A reunião começou com Remus passando um rápido relatório sobre o comportamento dos lobisomens, dizendo que realmente não foram eles quem atacaram o vilarejo de Kent. Na verdade, Greyback e os outros lobisomens nem chegaram a ir até o tal vilarejo. E, como agora não havia Snape para passar os relatórios sobre o comportamento dos Comensais, ninguém também sabia o motivo de Voldemort ter poupado seus antigos aliados.

Kingsley Shacklebolt falou logo depois, dizendo que crescera o número de bruxos controlados pela Maldição Imperius, o que quase fizera um estagiário do Ministério matar um Inominável, há duas semanas. Nessa hora, Hermione torceu o nariz por não ter saído nada no Profeta Diário. Pelo visto, mesmo mudando de Ministro, o Ministério da Magia não parava de abafar os casos.

- Mas o que nos deixou curiosos - continuou Kingsley -, foi o ataque à Mansão Malfoy, há algumas semanas.

- Vocês não descobriram nada? - perguntou uma bruxa esguia de cabelos curtos e crespos que se chamava Annete Dawlish, que Harry sabia ter se formado há três anos em Hogwarts e era irmã caçula do auror Dawlish, que também participava da Ordem da Fênix.

- Não - mas quem respondeu foi Tonks. - É estranho, porque tudo indicava que havia alguém sim morando na casa, mas, se fosse realmente alguém, seria Draco Malfoy pelo que o elfo disse. E por que Você-Sabe-Quem o atacaria?

Um silêncio sepulcral caiu naquela sala. Harry se encolheu na cadeira, sentindo seu estômago cair até as masmorras. Nessa hora ele gostaria que Ginny estivesse ali. A menção de Draco era logicamente ligada à morte de Dumbledore, e a mera lembrança do bruxo ainda deixava todos abalados. E foi McGonagall quem cortou o silêncio com sua voz enérgica.

- Bem, ainda teremos que descobrir isso, não é?

- Eu acho...

Todos viraram os rostos para olhar Hermione, que se pronunciara timidamente, quase num sussurro.

- Sim, Srta. Granger? - perguntou McGonagall.

- O que foi, Hermione? - encorajou Remus ao ver que a garota ficara acanhada.

- Ah... Bem... - ela começou incerta, mas logo seu rosto assumira a expressão que tanto Ron quanto Harry conheciam muito bem. Uma feição decidida, indicando que o que estava pensando era a mais absoluta verdade. - Bem, todos nós sabemos que Draco foi incumbido de matar... matar Dumbledore, mas foi Snape quem... bem, vocês sabem.

- Sim, e o que isso tem a ver? - perguntou Tonks.

- Que Voldemort ficou irritado por Draco não ter feito o que tinha de fazer - explicou com um tom mais decidido, sem se importar com a careta da maioria dos bruxos por ouvirem o nome do bruxo das trevas. - Será que ele não fugiu para outro lugar, quando aparatou daqui? E será que ele não está escondido até hoje?

Todos se olharam, relevando o que Hermione dissera.

- Se for assim - falou Kingsley -, o garoto está correndo perigo.

Harry fez uma careta com a boca. "Se Draco estava em perigo, era culpa do mesmo. Por que todos ficavam tão preocupados com isso?", pensou amargurado. Mas a única pessoa que pareceu notar sua reação foi Ariadne, que ergueu as sobrancelhas, fazendo Harry corar levemente e desviar os olhos, embora sua careta continuasse do mesmo jeito.

- Mas não foi para discutir a segurança do Malfoy que convocamos essa reunião, ou foi? - falou Charlie, no que todos concordaram.

- Certo. Pensamos nisso depois - disse McGonagall. - Profa. Lakerdos, a senhorita queira nos falar o que achou do ataque a Kent, por favor?

Ariadne empertigou-se na cadeira, colocando o braço esquerdo sobre a mesa, enquanto o direito ficava fora da vista de todos. Mas se olhassem sob a mesa, veriam que ela segurava a mão de Charlie como se dependesse disso para respirar.

- Eu creio que Sebastian está por trás desse ataque em Kent. Provavelmente se aliou a Voldemort - falou com sua voz e expressão impassíveis.

Mais uma vez todos se olharam um pouco confusos. Harry apenas soltou um riso pelo nariz. Lá vinha sua professora começar a falar, falar, mas, no fim, não dizer nada.

- E quem é Sebastian? - trovejou Moody.

- Um vampiro.

Enquanto alguns riram diante de tal teoria, outros fecharam a cara, pensando que Ariadne os estava tratando como idiotas. No entanto, ela logo se impôs, tratando de explicar, como fizera em aula, sobre os vampiros.

- Eles existem, Moody - ela continuou com frieza na voz. Retirou sua mão da de Charlie, que a olhou pesaroso, embora Ariadne não tenha demonstrado ter visto esse olhar. Ele a conhecia demais para saber o que significava aquela falta de contato. - Não estou inventando nada, afinal não tenho nem tempo ou saco para isso. Eu conheço Sebastian há algum tempo, assim como as vampiras que estão com ele.

- É verdade - falou Charlie, olhando para o pai e depois para Moody. - Eu vi as vampiras quando fui à região da Transilvânia, há alguns anos com uns amigos. Nós fomos naquele castelo que dizem ser do Conde Drácula, o que alguns bruxos também já foram e que fica em Strigoi, não o ponto turístico dos trouxas.

- E você viu o Conde Drácula por lá? - zombou Moody.

- Não.

- Ele não viu, porque Drácula foi destruído, Moody - disse Ariadne, alterando-se levemente. - Isso há mais de duzentos anos. Mas ele deixou descendentes, e Sebastian é um.

- E as vampiras que estão com ele? - perguntou Kingsley.

- Sebastian as transformou, embora uma delas, Katrina, também seja descendente do Conde, mas o sangue vampírico não aflorou nela.

- E ela pediu para ser transformada? - perguntou Moody, embora o tom jocoso tenha desaparecido.

- É o que parece - Ariadne disse, desdenhosa.

Ninguém disse mais nada depois de Ariadne ter falado. Parecia inacreditável que esse tipo de vampiros realmente existisse, afinal todos pensavam que ele apenas se limitava ao que haviam nos sótãos, fazendo barulhos infernais e comendo insetos.

- Então podemos concluir que para destruir esses vampiros tem que enfiar uma estaca de madeira no peito deles? - perguntou Annete.

- Não - falou Charlie.

- Mas... - começou Kingsley, mas logo Ariadne cortou.

- Eles não são vampiros de história trouxa, Kingsley - disse Ariadne. - Precisa-se de poder mágico para matá-los. Um feitiço, na verdade. - E Ariadne explicou: - Parecido com o jeito de matar o vampiro dos trouxas, mas não é como um feitiço simples de levitação. Precisa ser treinado.

- Bom, pelo visto temos coisas a fazer - falou Kingsley. - Vou instruir os aurores e o pessoal do Ministério.

- E Ariadne, você ficará incumbida de ensinar aos alunos - falou McGonagall, no que Ariadne assentiu, embora disfarçasse uma careta. - Bom, acho que vocês três podem ir para os seus dormitórios. Não iremos discutir mais algo que valha a pena - dirigiu-se então para seus três alunos.

McGonagall não sabia como permitira que eles se envolvessem nessa guerra tão a fundo. Mas como Harry sabia de coisas confidenciadas por Dumbledore, ela não podia fazer nada para impedir. Era melhor assim, ao menos poderia ajudá-lo, além de saber o que se passava debaixo de seu nariz.

Logo Harry, Ron e Hermione levantaram de suas cadeiras, despedindo-se dos outros. Ariadne também se levantou, mas foi na direção de Remus.

- Remus? - chamou com um sorriso.

- Ari! Que bom te ver.

Ele se ergueu da cadeira, finamente cumprimentando a mulher com um beijo no rosto. Estava feliz em vê-la, pois desde o casamento de Bill e Fleur não conversava decentemente com Ariadne. Tonks pigarreou, indicando sua presença ao lado dele.

- Ah, esta é Nimphadora Tonks.

- Tonks? - perguntou Ariadne antes que a mulher dissesse o que tinha em mente. - Ah, sabia que te conhecia. Você é filha de Andrômeda, certo?

- Isso mesmo. Conheceu minha mãe? - perguntou Tonks com uma careta de descrença, se esquecendo de falar "apenas Tonks, por favor!" como era de costume.

- Não muito. A conheci através de seu primo Sirius.

- Ah, sim.

Ariadne olhou de Tonks para Remus, depois para seus braços entrelaçados e, olhando para o amigo, sorriu.

- Já era tempo, Sr. Lupin - disse por fim, achando graça de Remus corar.

- Cala a boca - ele retrucou, embora sorrisse.

- Tonks, posso tomar Remus de você por um momento? Só quero conversar com ele. Prometo que o devolvo inteiro.

E antes que Tonks respondesse, Remus já era puxado por Ariadne para um canto da sala. Tonks só teve tempo de praguejar o quanto aquela mulher era abusada.

Remus mal teve tempo de respirar, Ariadne já falava quase num sussurro, que ele custou escutar.

- Preciso capturar Bellatrix - ela disse.

- Isso não é novidade - falou confuso. - Mas por quê?

- Preciso capturar Bellatrix, Remus, porque só com ela posso trazer Sirius de volta.


NA: Sim!!! Capítulo postadíssimo!! \o/

Então? O que acharam das revelações?? Finalmente estou começando a mostrar o significado do nome da fic! Ainda teremos encontro de vários representantes das trevas... Entre outras coisas mais..rs..

E, bom... Sirius volta sim senhor!! Sirius Black, Return!! huahuahuahauhauha... Ah, qual é gente?? Não posso ficar órfã de um dos meus personagens preferidos! (Além do fato da Rowling matar o Sirius e o Dumbledore, ser uma puta sacanagem com o Harry! O garoto perde todo mundo!) Eu chorei nas três vezes que li Ordem da Fênix!! E no sexto eu me debulhei em lágrimas quando Dumbledore foi morto!! E quando li na segunda vez, já chorei quando eles estavam na caverna... Pois é.. Sou chorona às vezes... hehe.. Mas o Dumbie não volta! Afinal, não há nenhum contra-feitiço para a morte, não é? --Infelizmente, diga-se de passagem-- E eu fantasio, mas nem tanto... A gente apenas tenta, e tenta, e tenta, e tenta... Ufa! Como tenta!!rs... E no fim fazemos o imaginavelmente possível.

Mas parando com o blá blá blá...

Agradecimentos especiais:

Márcia B.S.: quer dizer que minha Ariadne lembrou sua Samara?rss... Vamos ver em que mais elas se parecem.. Obrigada pelos reviews, e realmente é muito bom revisar nossas histórias... Espero que tenha gostado! Beijos.

Pedro Henrique Freitas: mais uma vez, obrigada! E quanto às repostagens: estou querendo fazê-las todo fim de semana, ao menos um capítulo. Mas como estou boazinha, foram mais quatro de uma vez. Beijos.

JulyBlack: expectativa lhe diz alguma coisa?? Tenho que acabar o capítulo de uma maneira que faça vocês quererem ler o próximo, e o próximo..e assim por diante..rs.. E o Rony e a Mione, realmente, são uma graça! Mas o Harry, bem, ele supera esse jeito tapado.. demora, mas supera.. nem eu agüento mais fazê-lo dessa maneira.. mas pra tudo tem um objetivo, até ele ser tapado desse jeito..hehe.. Mas o que achou dessa tática levemente modificada da Gina?rsrs.. Espero que tenha gostado! Super beijo! ;-*

Osmar Fogaça: já pensei que tinha me abandonado!! Não se faz uma coisa dessas com uma pessoa que está escrevendo sua primeira fic! Deixa a gente "deprê", sabia?hihi... Mas que bom que está gostando! E quanto a uma cena mais caliente... não tenha muita expectativa.. ainda estou devagar nisso.. embora esteja procurando deixar asas para a imaginação sempre que possível! (espero sair desse nível.. o.Õ - autora pervertida, não? rs.. só louca por NC também!) Espero que tenha gostado do capítulo! Beijos!! ;-*

Georgea: você em falta comigo e eu lhe dedicando capítulos! (atrasado, mas a culpa não é minha!!!) É..estou bem mesmo..hehe.. Por isso que mandei dois de uma vez!! Só pra castigar..rsrs.. Brincadeira, querida! Eu entendo sim! E como! E pode se sentir que sua ajuda praticamente fez aquele capítulo sair..rs.. E do mesmo jeito que você gostou da parte HG na escada, eu AMEI escrevê-la.. Eu acho isso tão tchuco! --"Só mais um pouco, por favor! Não vá embora!"-- Aihm..rs.. . Mas falando em amassos.. Este era pra ter saído no capítulo sete, mais precisamente quando o Harry vai se encontrar com a Ari, depois dela falar com o Alexey.. mas ele estava muito grande..rs..então cortei.. (Lívia corada e sorrindo de orelha a orelha por você estar se sentindo orgulhosa da maninha aqui!!) Beijoca, mana! (reparou uma leve modificação na explicação sobre o Drácula? Ficou melhor, não? Ao menos eu acho..rsrs)

Mickky: (respirando aliviada por estar livre das azarações)que bom que me livrei dessa..rsrs.. Mas acho melhor você respirar fundo e contar até três quando se tratar do Harry.. e se você o mata?? Como continuo a história??rsrs (nossa..que horror..hihi) E que bom que está gostando da história... Ainda teremos muita água pra rolar mesmo, e me azarar seria um crime horrível!! (fica nem vermelha com a falta de modéstia) Espero que tenha gostado deste capítulo! Beijos!!

E pra quem ainda insiste em ficar no escurinho: espero que tenham gostado do capítulo!

Beijos a todos,

Livinha