Fic baseada em um livro de mesmo nome de Lisa Jackson.

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Capítulo 8

- Você ainda o ama?

A pergunta de Caitlyn ecoou no banheiro enquanto Rin lhe penteava o cabelo.

- Se eu o amo? Não é uma pergunta fácil.

- Ah! E o que é fácil nisso tudo?

- O amor é complicado. São muitas emoções envolvidas...

- Você me ama.

- Claro.

- E sempre me amou.

- Eu sei, mas...

- Então por que o Sr. Taisho... Sesshoumaru ... Como devo chamá-lo?

- Ah, Deus, Caitlyn! Não sei...

- Papai parece estranho.

- Por que não deixa ele decidir? Depois, se você não se sentir confortável com a vontade dele, sugira outra coisa. Ele é uma pessoa razoável...

- Você se casaria com ele se ele pedisse?

- O quê? - Rin engoliu seco.

- Eu perguntei se...

- Eu sei, escutei da primeira vez. Só não consegui acreditar que estava me perguntando isso.

- Mas você se casaria'? - Caitlyn insistiu. Gentilmente, Rin segurou nos ombros da filha.

- Acho que não, meu amor. O que nós tivemos, eu e seu pai... foi há muito tempo e as coisas mudam. - Sentiu a frustração aparecer nos olhos da filha, mas não podia mentir.

- Isso não quer dizer que as coisas não possam voltar a ser como eram - Caitlyn retrucou, os olhos brilhando de novo.

Rin pendurou uma toalha úmida na barra atrás da porta e levou as encharcadas para a lavanderia, que ficava do lado de fora. Olhou para a Fazenda Taisho e suspirou. Sesshoumaru não aparecera durante todo o dia, e deliberadamente, ela também não fora lá.

Ambos precisavam de tempo para se acostumarem com a idéia de serem os pais de Caitlyn. Uma dor peculiar cortou seu coração: apesar de saber que era certo deixar Sesshoumaru fazer parte da vida da filha, ela se ressentia com a intromissão. Onde ele estivera durante os nove longos meses da gravidez, em que olhares curiosos a condenavam? Onde ele estava durante as vinte horas de parto, quando os médicos tentavam decidir se ela precisava de uma cesariana e ela tinha certeza de que morreria? Alguma vez ele a confortara? Abraçara-a quando, assustada com a responsabilidade de criar uma criança, chorara no travesseiro à noite?

- Meu Deus, Rawlings, agora você está parecendo patética e com pena de si mesma, o tipo de mulher que você odeia - disse a si mesma ao subir as escadas. Colocou Caitlyn na cama, deixou a luz do corredor acesa e desceu de novo.

Sesshoumaru estava esperando por ela, sentado relaxadamente em uma cadeira da sala. Ele a estudou com olhos impenetráveis.

O coração dela quase parou, e tudo que conseguiu fazer ao vê-lo foi sentar-se também, como se ele pertencesse a essa pequena família, como se realmente fizesse parte dela.

- Você me assustou... Como você entrou?

- A porta dos fundos não estava trancada.

- Nunca tranco antes de ir para cama. Mas deveria ter escutado sua caminhonete... - Olhou pela janela, onde a luz azul de segurança formava estranhas sombras sobre o quintal.

- Vim andando. Precisava de tempo para colocar minha cabeça no lugar.

- E Fang não latiu? - Olhou para o cachorro, que, deitado perto da porta dos fundos, tivera o bom senso de ficar envergonhado. - Que tipo de cão de guarda é você?

Com a cabeça descansando entre as patas, Fang sacudiu a cauda.

- Estou surpresa de você não ter subido para me ver colocar Caitlyn para dormir.

- Eu quis. Mas achei melhor conversar com você sozinho.

Uma pontada de desespero cortou o coração dela.

- Por quê?

- Temos muito o que conversar.

- Agora?

- É.

- Tudo bem, mas tome uma xícara de café enquanto termino algumas coisas. Volto em quinze minutos.

- Vou com você.

- Como quiser.

Sob um céu coberto de estrelas, vieram pelo caminho de cascalho até que o silêncio foi interrompido pelo berro de um bezerro que estava preso na cerca.

- Você vai ficar bem... - Rin tentava acalmar o bezerro. Uma de suas patas dianteiras estava bastante machucada e Rin decidiu levá-lo para dentro da cocheira até que o ferimento melhorasse um pouco. Agora ele berrava ainda mais alto, capaz de acordar um morto na cidade vizinha.

- Ele não está feliz aqui... - Sesshoumaru olhava o couro do bezerro manchado de azul de metileno.

- Não gosta de ficar preso... - Rin concordou e se curvou para abrir um fardo de feno.

- Não o culpo. - Sesshoumaru pegou o forcado antes de Rin e jogou o feno no cocho do bezerro.

- Está falando de você, agora? - perguntou Rin, tentando parecer indiferente, mas seu coração pulava. Compromisso não era uma palavra presente no vocabulário de Sesshoumaru Taisho. Com mãos repentinamente suadas, pegou um balde e foi andando até a torneira.

- Você não foi trabalhar com Curinga hoje.

Sabia que ele notaria sua ausência, esperava que perguntasse, mas não gostava de se explicar. Abriu a torneira e a água gelada começou a cair no fundo do balde.

- Precisava de tempo para pensar.

- Foi o que imaginei.

Quando o balde encheu, fechou a torneira e voltou para a cocheira. Sesshoumaru estava encostado na parede perto do forcado.

- O que decidiu?

- Nenhuma decisão. Realmente não sei o que fazer. -Ela encheu uma vasilha pequena com água do balde. Se ele pelo menos parasse de encará-la com aqueles olhos hipnotizantes. Saindo da cocheira, ela trancou o portão. Estava pendurando o balde em um prego perto da janela quando os dedos de Sesshoumaru cobriram os seus, envolvendo seu pulso enquanto ela segurava a alça.

Com a outra mão, ele empurrou o forcado para um fardo de feno.

- Certo, dei a sua chance. Agora é a minha vez. - Sentiu o hálito dele em sua nuca. Virou-se e ficou cara a cara com ele. O coração dela batia com força e, sem querer, seu olhar passou para os lábios dele.

- Pensei muito e decidi que o destino está me dando um presente. Amaldiçoei minha avó por me obrigar a morar nesta fazenda por seis meses como parte da herança, mas agora acho que foi uma bênção. Tenho tempo para conhecer minha filha e... - a boca dele se apertou nos cantos - conhecer você de novo.

- Você já me conhece, Sesshoumaru , e não me quis. - Não pôde evitar a amargura nas palavras. Tentou soltar a mão mas ele segurou com mais força.

- Você sabe, fui imaturo e insensato... - Ele chegou ainda mais perto, o que fez com que o coração dela acelerasse.

- E burro? - ela disse, o pulso batendo cada vez mais rápido.

- Talvez.

- Não tenho dúvidas sobre isso... - Ela disse, quase sem fôlego. - Cometemos muitos erros... Foi só isso que aconteceu.

- Você não se arrepende do que aconteceu entre nós? - ele perguntou, os olhos fixos nos dela.

- Não. - O coração dela agora martelava, o sangue corria. O ar na cocheira de repente parecia quente e escasso. - Tenho Caitlyn. Nunca me arrependerei de ter... estado com você. - Ela engoliu. - Por causa dela.

- Essa é a única razão? - Com uma das mãos, ele a tocou nos ombros, e ela se assustou, quase saindo do próprio corpo.

- Se você espera que eu diga que fico contente por termos tido um caso, que o sofrimento e a dor de sua partida e de seu casamento com outra é uma das minhas melhores lembranças, então está errado. Não posso dizer que não fico feliz por ter conhecido você, por ter transado com você, mas só por causa de Caitlyn. Sem você, não a teria agora. Fora isso, acho que nosso relacionamento foi um grande erro.

- Não foi tão ruim. Foi?

- Foi o inferno.

Ela empurrou o braço dele e o balde caiu.

- Sesshoumaru , me deixe em paz. Não é só porque você descobriu que é pai da minha filha que alguma coisa mudou entre nós. Já disse...

- Eu sei o que você disse e, como já falei antes, você é uma mentirosa, Rin. - Ele se inclinou para a frente, o olhar preso no dela, os braços a envolvendo apesar da resistência dela.

- Não, Sesshoumaru . Se você tem um pingo de decência...

- Não tenho. Nós dois sabemos disso. - Os lábios dele cobriram os dela com força, impacientes e exigentes. Sesshoumaru , não faça isso comigo, não quando tentei esquecer você por dez anos!

Com um leve gemido, ela se entregou ao beijo, abrindo a boca ao pedido da língua dele, que explorava mais fundo, tocava a dela, e juntas moviam-se rapidamente, acariciando-se, unindo-se, até que o mundo parecesse voar e ela tremesse por dentro querendo mais... muito mais.

Mas não podia. Era um fogo perigoso que corria por suas veias.

- Rin, Rin, Rin - murmurava ele. - Por que você faz isso comigo?

- Eu? Faço isso com você? Ah, Sesshoumaru ...

Ele a beijou de novo, e todos os protestos foram levados pelo vento quente de Wyoming. Tão naturalmente como se tivessem sido amantes pelos últimos dez anos, ela enroscou os braços no pescoço dele, ignorando os avisos que soavam em sua cabeça, escutando não a cabeça mas corpo, e o fogo, há tanto adormecido, reacendeu.

- Sesshoumaru ... - O protesto mais parecia um apelo.

Ele a levou para fora, onde o ar estava leve e a brisa balançava os galhos da macieira perto da porta dos fundos. Uma meia-lua subia no céu em que milhões de estreIas brilhavam, mas Rin mal as notou quando Sesshoumaru a beijou e a levou para a sombra mais distante da casa, onde a grama estava seca, o ar perfumado com a essência das rosas;

Com lábios fervorosos, ele a cobriu de beijos, tocando suas pálpebras, bochechas, queixo e pescoço.

- Você se lembra? - ele perguntou, a respiração quente perto do ouvido dela.

- Ah, lembro, lembro... - Ela tremia enquanto ele a abraçava.

Ele contornou as curvas da orelha com a língua, e as costas dela se arqueavam como o trigo ao vento.

- Minha doce Rin. Minha menina...

Todas as velhas mentiras vieram a sua cabeça. Pare, Rin! Use a cabeça! Ficar com Sesshoumaru Taisho é perigoso. Faça-o parar antes que seja tarde demais! Mas não conseguia. Ele desabotoou o primeiro botão da blusa dela e deu um beijo molhado e quente abaixo do pescoço. O desejo se espalhava pelo sangue e ela gemia antecipadamente a cada botão que ele desabotoava, permitindo que o tecido se separasse lentamente, expondo a pele clara acima da linha do sutiã.

A língua dele deslizou pelo pedaço de tecido rendado, e os mamilos se enrijeceram, pressionando o suave algodão até que a boca os encontrasse e os beijasse através da renda.

Ela arqueou e ele a abraçou ainda mais forte, e a beijou enquanto abaixava o sutiã, deixando os seios dela à mostra. Calor e desejo corriam pelas veias de Rin, latejando nas partes mais íntimas.

- Você é ainda mais bonita do que eu me lembrava -ele disse, a voz baixa e rouca.

Ela esperava, esperava mais, o corpo ansiava pelo toque dele, pela língua, mas ele só olhava para o seu corpo, banhado pela luz da lua.

- Sesshoumaru ... Por favor...

Ah, não, não estava implorando para ele, estava? Mas a paixão gritava por seu corpo: estava trêmula quando ele se sentou e a abraçou, trazendo o corpo dela para seus lábios. Ele sugava os seios dela como se sua vida dependesse disso, as mãos espalmadas nas costas dela, tão perto um do outro que ela sentia a ereção dele contra sua coxa, apesar de ainda estarem vestidos.

Isso era loucura. Perigo. Explosão. Mas ela não conseguia parar. Nunca deixara outro homem tocá-la, não desde Sesshoumaru , e depois de dez anos de rejeição, não conseguia segurar a onda de desejo que a inundava.

Ela abriu a camisa dele, acariciou os pêlos do peito e sentiu o abdômen dele se contrair em resposta. Ele ficou sem fôlego quando ela arrancou a camisa do cós da calça.

- Rin, Rin, Rin... você tem noção do que faz comigo? Ela engoliu seco.

- Acho que prefiro não saber.

- Prefere?

Arrancando a blusa dela de dentro da calça, ele pôs de lado a peça indesejada e habilmente abriu o sutiã, que foi jogado para longe. Por instinto, ela tentou cobri-los, mas ele segurou as mãos dela e admirou o torso nu, a pele clara iluminada pela luz da lua, os mamilos intumescidos sob o olhar dele.

- A sua beleza é indecente - ele disse, deixando-a corada. Ainda segurando as mãos dela, curvou-se para beijá-la. Fechando os olhos, ela tremia embaixo dele, as costas arqueadas.

- Calma - ele sussurrou na orelha dela. - Temos a noite toda.

Apesar de as mãos dele segurarem as dela como algemas, elas tremiam, e quando ele deitou a cabeça no abdômen dela, ela murmurou com uma voz que nem parecia dela:

- Sesshoumaru ...

Ele abriu a calça dela e a beijou, a boca e a língua tocando a calcinha, a respiração quente entrando através do algodão. Ela soltou um leve gemido.

Ele a beijou novamente, mas exatamente neste momento, o telefone tocou, alto e insistente, o som vindo pela janela aberta.

- Deixe tocar - resmungou ele.

- Não posso. - Os instintos maternais superaram o desejo.

- Não tem secretária eletrônica?

- Caitlyn vai acordar... - Rin estava se afastando dele, abotoando a calça rapidamente.

- Rin...

O telefone tocou mais uma vez e ela pegou a blusa, forçando os braços para dentro das mangas e abotoando enquanto corria para a casa.

- Pelo amor de Deus, Rin...

O terceiro toque foi curto, e quando Rin chegou na varanda dos fundos e entrou na cozinha, percebeu que Caitlyn atendera.

- Alô? - ela disse, segurando o gancho.

- ... Tommy Wilkins acha que você é uma prostituta ...

- Quem é? - perguntou Rin para a voz gemida. Silêncio.

- Ainda está aí? Está me escutando? Pare de ligar e de nos incomodar ou vou chamar a polícia e sua mãe, porque eu, pode acreditar, vou descobrir quem você é. - Ela ouviu passos na varanda e percebeu que Sesshoumaru conseguira escutar o final de sua conversa da varanda. A porta de tela estalou quando ele entrou.

- Mãe... - Rin escutou a voz de Caitlyn, tremendo, pelo telefone.

- Desligue a extensão, querida - disse Rin, rangendo os dentes e silenciosamente amaldiçoando o pirralho do outro lado da linha. - Tem mais algumas coisas que quero dizer...

- Não, mãe... Clique.

- Ainda está aí? - ordenou Rin, batendo na parede, frustrada. - Pode me escutar, seu...

- Desligaram - falou Caitlyn.

- Bom. É melhor assim. Estarei aí em cima em um minuto.

Desligando o telefone, ela foi para as escadas.

- Problemas? - ele perguntou, seguindo-a enquanto corria para as escadas.

- Algum pirralho acha legal ligar para cá e atormentar nossa filha.

- O que você quer dizer?

- Ligar a qualquer hora. Insultar Caitlyn ou não falar nada quando atendemos - ela disse sobre os ombros.

- Eles têm identificador de chamadas, você sabe... um aparelho que diz quem ligou, e tem um serviço que você pode ligar para reconectar com o último número que ligou para você.

- Aqui não tem.

Ela entrou apressadamente no quarto, onde a filha, ainda segurando o telefone, estava sentada na beirada da cama. A coberta estava puxada até o queixo e lágrimas caíam de seus olhos.

- Ah, querida. - Com o coração partido, Rin pegou o telefone da mão de Caitlyn, desligou e abraçou a filha com força. Dor e ódio corriam por seu corpo. - Está tudo certo.

- Eles me chamaram daquele nome de novo.

- Não dê ouvido a eles.

- Que nome? - Sesshoumaru estava parado na porta, a luz do corredor acesa atrás dele, contornando a sua silhueta. Rin não podia ver o rosto, mas a voz era baixa e intensa.

Ela balançou a cabeça.

- Não importa.

- Que nome? - Ele repetiu.

- Fique fora disso, Sesshoumaru .

- Acho que já fiquei fora disso muito tempo. O que a pessoa do telefone disse para você, Caitlyn?

Ela deixou escapar um soluço. Lágrimas quentes molhavam a frente da blusa de Rin.

- Eles falaram de novo - disse Caitlyn com a voz engasgada. - Me chamaram de bastarda.

- Quem? - Sesshoumaru perguntou. - Quem chamou?

- Não sabemos. Acho que já expliquei tudo isso - disse Rin, ainda abraçando a filha e embalando-a enquanto os soluços de Caitlyn aumentavam.

- Acho que é a Jenny. - Caitlyn fungou e tentou secar os olhos.

- Quem é Jenny?

- Jenny Peterkin - disse Rin - estuda na mesma sala de Caitlyn.

- Por que ela faria isso?

- Você sabe como são as crianças.

- Porque ela é malvada - falou Caitlyn e continuou: - E porque a Sra. Johnson me escolheu para uma viagem a Portland e ganhei dela no basquete e nas Olimpíadas.

Apesar da raiva, Sesshoumaru sentiu uma pontada de orgulho.

- Jenny não gosta de perder - disse Rin. - Ela é uma menina rica e mimada que está acostumada a ganhar sempre. Mas lembre-se, não podemos provar quem ligou. Você já está bem, não está? - perguntou à filha, e Caitlyn fez que sim com a cabeça.

- Não deixe ninguém tirar o melhor de você. - Sesshoumaru pegou na mãozinha dela. - Durante toda a sua vida, vão passar pessoas que só querem ridicularizar você. Algumas serão detestáveis, outras sorrirão para você enquanto por trás traem você. E às vezes até a sua melhor amiga pode se virar contra você, com ou sem intenção. - Olhou para Rin por um rápido segundo e depois se voltou para a filha. - Mas tem de manter a cabeça erguida e acreditar em você mesma. A maioria da pessoas não é má, pelo menos não o tempo todo, mas existem algumas por aí que podem fazer você perder a fé. Nunca perca, Caitlyn. Ela sorriu entre as lágrimas.

- Eu odeio Jenny Peterkin.

- Ah, não, meu amor - disse Rin, mas Sesshoumaru ajoelhou-se e olhou para a filha bem nos olhos.

- Continue odiando. Ao menos por enquanto.

- Eu quero ligar para ela e dizer que ela é uma convencida insuportável e tem a cabeça igual a de uma pulga!

Sesshoumaru riu.

- Tenho certeza de que você quer, mas não deve. Ainda não. Só vai piorar as coisas. Quanto mais enfurecida ela deixar você, mais ela vai continuar implicando, e no final você vai ficar parecendo uma boba. Então, apenas ignore. Acredite em mim, o que as Jenny Peterkins do mundo mais odeiam é quando alguém finge que elas não existem. - Lentamente, ele soltou a mão de Caitlyn.

Rin suspirou.

- Ok, a crise acabou. Por que você não volta para a cama?

- Mas ainda é cedo!

- Você já estava quase dormindo quando o telefone tocou. - Com um pouco de paparico e uma promessa de Sesshoumaru de que viria vê-la no dia seguinte, Caitlyn se enroscou na cama e caiu no sono em poucos segundos. Com Sesshoumaru observando do corredor, Rin apagou a luz.

- Isso costuma acontecer sempre? - perguntou quando chegaram no andar de baixo.

- Mais do que deveria. - Ela ficou parada perto da pia, olhando pela janela da cozinha, os dedos agarrados na beirada do balcão. - Às vezes ligam e não dizem nada, apenas desligam rapidamente. Como uns cretinos.

Uma pequena preocupação se instalou no coração de Sesshoumaru .

- É a mesma pessoa que liga?

- Acho que sim - ela disse levantando o ombro.

- Mas não tem certeza?

- Não... Por quê?

- Não é típico de uma criança de dez anos ligar e não falar nada. E mais provável que xingue e depois desligue. Mas às vezes são crianças diferentes. - Sesshoumaru olhou pela cozinha aconchegante. - Até descobrirmos, acho melhor ficar aqui.

- Por quê?

- No caso de você precisar de mim. Ela riu demonstrando estar nervosa.

- Ficamos bem por nossa conta por mais de nove anos, Sesshoumaru . Acho que conseguimos lidar com as coisas.

- Mas eu não sabia que tinha uma filha antes. Agora sei, e não quero deixá-la... nem você... sozinhas.

- Sua preocupação chegou um pouco atrasada, não acha?

- Antes tarde do que nunca - murmurou e saiu verificando janelas e portas e trancando as que estavam abertas.

- Você está paranóico...

- Característica da família. Está no sangue.

- O que isso quer dizer?

- Que quando a sua família tem dinheiro e um pouco de fama ou notoriedade, ou seja lá o que for, sempre existe a chance de algum maluco achar que tem a oportunidade de fazer um pé de meia. Seqüestro e chantagem são as principais fontes.

- Isso é doença...

Ele entrou no banheiro e fechou a janela. Trancou, virou-se e quase colidiu com Rin.

- É melhor se acostumar.

- Por quê?

- Porque Caitlyn é uma Taisho.

- Ninguém sabe disso.

- Ainda. - Ele lançou um sorriso enigmático. - É só uma questão de tempo.

- E daí, Sesshoumaru ? Você acha que de uma hora para outra ela vai se transformar em alvo? É isso que você está dizendo? - Santo Deus, isso não pode ser real. Ela e Caitlyn sempre tiveram uma vida despreocupada. E claro, sempre houve os insultos e as afrontas, mas as duas sempre estiveram protegidas aqui. Os medos que tinha com a filha incluíam as preocupações normais sobre acidentes ou problemas na escola, ou a crueldade das outras crianças, mas as preocupações de Sesshoumaru eram muito mais complexas e assustadoras.

- Acho que estamos fazendo tempestade em um copo d'água. Só porque uns pirralhos ligam não quer dizer que alguém vai machucar Caitlyn.

- Espero que você esteja certa - ele disse - mas no caso de você não estar, ficarei aqui.

- Meu Deus, Sesshoumaru , não acha que está exagerando? Sendo melodramático?

Ele se virou e a colocou contra a parede.

- Prefere apostar o futuro de nossa filha nisso, Rin?

- É claro que não.

- Então vai me deixar dormir aqui.

- Eu... eu não acho que seja uma boa idéia.

Os lábios dele se esticaram em um sorriso quase pecaminoso.

- Como vai me impedir? Vai me jogar pela janela? Apontar a espingarda do seu pai para mim? Chamar a polícia?

- Na verdade, pensei em seduzir você - ela disse tranqüilamente, sem desviar os olhos. - Convidar você para a minha cama, fazer tanto amor que você ficaria sem ar, imploraria misericórdia, e depois ficaria tão fraco que mal conseguiria se mover, aí eu chamaria os paramédicos para levarem você de ambulância.

Ele riu e tocou o rosto dela com um dedo.

- Engraçado, essa era exatamente a mesma tortura que pensei para você, mas se acha que é mulher suficiente para fazer tudo que prometeu, pode começar. Estou à sua disposição.

- Exatamente como deve ser - ela segurou o riso enquanto tateava a porta atrás de si tentando abrir o armário do corredor. Quando ele se inclinou para beijá-la, ela tirou um travesseiro e um cobertor velho que cheiravam a naftalina. - Aqui está, cowboy... Se quer ficar aqui, tudo bem, mas tem de ser no sofá.

- E todo aquele papo de fazer amor selvagem e apaixonado?

- Mentira! - E quando ele se inclinou para beijá-la, ela colocou as mãos nos ombros dele e balançou a cabeça. - É muito cedo, Sesshoumaru . Sem brincadeira, não acho que esteja preparada para me envolver com você.

- Como você sabe?

O sorriso dela se tornou gelado.

- Você sabe o que dizem... uma vez queimada, duas vezes mais prevenida. Acho que já fui queimada pela vida inteira.

Ele saiu do caminho dela.

- Não acho isso, Rin, e lá no fundo, se você pensar mais, vai concordar comigo.

- Apague as luzes.

- Rin...

- Boa noite, Sesshoumaru .

- A que horas é o café?

- Na hora que você prepará-lo. Eu gosto de ovos mexidos, e a Caitlyn gosta de panquecas. Mas o que você fizer, estará bom.

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