DOZE


-Oi, desculpe a demora. Estava organizando o que vou lhe mostrar na aula de hoje.

O enorme sorriso de Wesley foi o suficiente para Sheila perdoá-lo. Ela não costumava ficar preocupada com demoras, mas aquela era diferente, aquela espera tinha sido bastante longa, pelo menos para ela.

Tinha se sentado de costas para porta para diminuir a ansiedade do encontro, mas a tática não adiantou. Cada vez que ouvia o barulho da porta se abrindo seu coração acelerava e, se tivesse como medir, ela certamente poderia confirmar que a pressão também se elevara. Era aquela antiga maneira humana de se apaixonar que ela tanto detestava.

-Tudo bem, - ela disse devolvendo o sorriso - eu já estava comemorando o fato de não ter a aula...

-Bem, -disse a puxando pelo braço- então vamos logo antes que você resolva não ter.

-E eu tenho opção?

Ele não respondeu a pergunta e os dois saíram juntos pê­los corredores.

-O que vai me mostrar?

-Como funciona uma nave estelar, lógico que por alto, mas acho que vai gostar.

Ela sorriu carinhosamente, não tinha o menor interesse em saber como funcionava uma nave estelar, mas agradecia a Deus pelo chance de conhecer Wesley melhor.

-Seu sorriso é muito bonito...

Sheila ficou sem graça, só conseguiu pronunciar um pequeno obrigado e se calou, se dissesse algo mais Wesley certamente perceberia seu embaraço.

Ela era toda muito bonita, percebeu ele, seus cabelos ondulados lhe desciam pelo ombro e seu corpo era perfeito dentro do macacão com decote chamativo e mangas compridas e soltas.

-Se eu fizer uma pergunta, você não fica chateada?

-Depende, qual?

-Qual é seu nome?

Ela riu.

-Fiquei imaginando quando me perguntaria...Meu nome é Sheila.

-Sheila... é um belo nome.

Os dois entraram na engenharia. Wesley cumprimentou algumas pessoas, um dos homens até brincou com ele perguntando se Sheila era o motivo dele andar tão animado nos últimos dias. Ele apenas riu meio sem jeito e a puxou por uma porta que os levava a outra sala.

-Nossa... -os olhos de Sheila se arregalaram- o que é isso?

-Isso é a câmara de cristal Dilithiun , responsável por

tudo aqui.Essa é a nossa fonte de energia...Nunca ouviu falar?

-Sim , claro. Só nunca tinha visto uma , é tão... gran­de.

Ele riu.

-Tem que ser não acha? É necessário uma quantidade de energia muito grande para manter tudo aqui funcionando.

-Talvés daqui a alguns anos consigamos diminuir o espaço que ela toma...

Ele riu.

-Senhor Wesley Crusher, você sabia que o primeiro compu­tador que se tem notícias, construído por humanos, ocupava uma sala bem maior que essa e que sua capacidade era apenas de fazer contas simples como soma e subtração e mesmo assim demorava um bom tempo para efetua-las?

-Sheila, isso faz séculos.

-Mesmo assim conseguiram um avanço bastante significativo, comparado aos recursos da época é claro, em menos de cem anos. Conseguiram colocar as funções desse primeiro computador em um micro-chip tão pequeno quanto a minha unha.

Ela mostrou-lhe a ponta da unha do dedo indicador.

-Certo, certo. Entendi... Não duvide da capacidade de evolução das coisas... Que tal começarmos logo a aula?

Wesley mostrava tudo com muito entusiasmo, cada coisinha, cada botão era motivo para uma explicação mais detalhada. Além disso Sheila não prestava atenção em muita coisa e, quando notava isso, ele sempre voltava a explicação.

-Sheila! Será que você pode prestar um pouquinho de atenção no que eu falo?!

-Ah! Desculpe Wes... O que é isso? A grande parede de fichas parecia ter lhe prendido toda a atenção.

-Isso são os discos de leitura da nave, cada um deles identifica como e acionada a função do "buraco" em que ele se encontra...

-Como assim?

-Bem, esse, por exemplo, -ele apontou para uma das fixas - o computador só aceita comandos falados, porque esse disco está nesse... buraco, esse outro identifica as funções do raio-trator e esse aqui torna possível que o transporte funcione...

Um barulho familiar aos dois os interrompeu. Wesley tocou o símbolo dourado em seu peito.

-Crusher aqui.

-Wesley, aqui é Riker. Por um acaso há uma garota morena de cabelos encaracolados aí com você?

-Sheila, senhor?

-Sim, essa mesma, ela está aí?

-Sim. O que há?

-Poderia trazê-la a sala de reuniões um instante, há alguém que eu gostaria que ela conhecesse.

-Certo. Eu a levo. Crusher desligando, senhor.