Capítulo 12 – Acertos e Erros
Dean permanecia de pé. Esperava que o irmão lhe dissesse algo de convincente, já que o mais novo não fez um movimento sequer para se levantar. Entediado, o loiro resolveu pegar uma cadeira para si e sentou ao lado de Azrael – o anjo que mantinha uma postura séria frente aquela situação desagradável, e que sem dúvida poderia ser evitada, caso o Winchester mais velho usasse um pouco a cabeça e parasse de agir por impulso.
Observou, então, que Cass continuava de pé e resolveu quebrar o silêncio. Foi até o amigo e lhe pediu que sentasse por ali. O ser celeste aceitou a sugestão, mas se manteve distante do grupo; não queria falar mais nada que prejudicasse o entendimento do protegido.
– Será que você pode pensar um pouco em tudo que há, rapazinho? Ou terei de ressuscitar John para que ponha seus miolos no devido lugar? – o tom de Azrael era firme, forte, decidido. Queria que, de uma vez por todas, Dean entendesse o que se passava, para arquitetarem um plano hábil a fim de derrotar os inimigos o quanto antes.
– Só não quero que Sammy seja usado como foi nas outras vezes, e você nem sabe a que me refiro. Então não me diga o que devo fazer... Já sou grande o suficiente para decidir...
– Não, você tem razão. Não estou aqui para dizer o que deve ou não deve fazer, garoto. Eu apenas gostaria que compreendesse que, se sentíssemos que seu irmão estivesse caindo em uma armadilha, não teríamos vindo para esse maldito bar, para pôr juízo na sua cabeça!
– Quer que eu dê um crédito a ele? – perguntou, apontando para Samael.
– Não, quero que você coma hambúrgueres até se entupir! – exclamou o anjo, visivelmente contrariado por ter de responder algo tão óbvio. – Claro, ele pretende nos ajudar, então lhe dê um voto de confiança. Ou, ao menos, deixe Samuel seguir o caminho que lhe cabe.
– Diz isso porque não tem irmãos, nem família de verdade...
– Não repita isso, entendeu? – Azrael ergueu uma sobrancelha; era um claro sinal de que começava a se exaltar demais. – Cass é a minha família; Lúcifer também. E Kasbeel é parte disso, apesar de tudo... Nós sabemos o que é sentir, não somos tão desprovidos de sentimentos humanos, como souberam no decorrer do apocalipse.
– Não entendo... Por que Cass me disse que não conheciam muitas coisas... e que não sentiam como nós?
– Porque ele não revelaria algo tão relevante no decorrer de uma guerra sem freios; meu irmão é muito inteligente quando se trata de esconder sensações para zelar por quem deve, ainda mais se pega tamanha afeição. E foi isso o que houve.
– Ei, Azrael, por favor – murmurou Castiel, como se o outro tocasse em um assunto bastante delicado para o momento. – Não creio que precisemos conversar a respeito disso agora.
– Claro que sim – ele argumentou. – Esse sujeito tem de saber tudo que você fez para se dedicar, tudo que aconteceu durante o apocalipse... E olhe que nem falei sobre o que ocorreu antes, quando o arrastaram para o Céu, meu irmão – comentou, enquanto encarava Dean.
Ao escutar tais frases, o ser celeste se remexeu na cadeira; sentia-se visivelmente desconfortável pelas lembranças da tortura a qual fora submetido e a tudo que teve de prometer para prosseguir com chances de proteger o loiro; Cass teve de demonstrar a Zacharias que era merecedor de confiança, que poderia regressar a Terra sem maiores problemas. E, por mais alto que fosse pagar esse preço arriscado, ele o fez sem temor ou arrependimento.
– Certo – falou o Winchester mais velho, ainda contrariado por ter de admitir que se equivocara. – Darei uma oportunidade a Lúcifer, mas se eu notar uma coisa... De qualquer tipo... Qualquer merda, por menor que seja, sei o que farei.
– É, eu também; a diferença é que ficarei de olho em você, garoto – respondeu Azrael. – Nada de se exceder, ok?
– Pode deixar, não se preocupe – comentou o loiro.
– Bem, acho que está na hora de retomarmos o plano – disse Samael, após alguns instantes de silêncio. – Eu me referia ao treinamento de Sammy – comentou, para pô-los a par do que falavam antes.
– Creio que mereço saber de tudo, não é? Até porque, conversavam sobre a paranormalidade dele.
– Você vai saber, Dean – esclareceu Sam. – Mas considero relevante que fale com o Cass antes, certo? – sugeriu, em baixo tom, o rapaz.
– Tem toda razão – o Winchester mais velho se levantou e foi até onde o amigo estava sentado. – Ei... Tudo ok com você? – questionou, meio sem jeito.
– Sim, eu acho... Só queria tanto fazer parte... Sei, porém, que me considerará um tolo, que não vai entender nada... Então deixe... Não há necessidade de tocar...
– Espere, o que foi? Quer me dizer o que, exatamente?
– Bem... Como posso explicar sem parecer alguém um tanto... Ridículo? – perguntou-se, em um murmúrio. – Que gostaria de fazer parte da vi... – ele, entretanto, não completou a frase.
Dois demônios o derrubaram no chão com tamanha agilidade, que nenhum dos presentes – nem Lúcifer ou até mesmo Azrael –, puderam evitar uma violência tão extrema. E nem Castiel conseguiu impedir a queda; como foi pego de surpresa, bateu a cabeça no pé de uma das mesas próximas. Como não pôde ajudá-lo de imediato, Dean começou a lutar contra as entidades malignas, o que não perdurou; Samael os matou sem qualquer dificuldade, bastou somente um raio energético para fazê-los virar pó. Em seguida, foi até onde o Winchester mais novo estava – preso a uma parede pelo resquício da força de um dos demônios –, e o soltou.
– Vai chegar a tal nível em breve; não se preocupe – informou, com a calma que lhe era peculiar. – Vamos iniciar o treinamento hoje mesmo, se quiser – o rebelde o carregava no colo e, logo após, o sentou em uma cadeira.
– Sim, sem dúvida – Sam confiava nele, embora temesse uma sombria reviravolta. Mas o fato de que criaturas divinas partilhavam do plano o deixava mais tranqüilo.
Enquanto Bobby e Azrael verificavam se não havia demônios por perto, Dean levava Castiel para a casa do caçador mais velho. O Winchester queria saber, de uma vez por todas, o que o ser celeste pretendia ter dito na lanchonete.
