É sexy

Várias batidas na porta tiraram a morena do banho. Estava terminando de se arrumar quando a interrompiam com insistência na porta.

R: "Já vou!" – exclamou ao mesmo tempo que se aproximava da entrada.

L: "Olá amor." – Leisha sorria enquanto entrava na casa.

R: "Olá Le." – respondeu fechando a porta.

L: "Ei... tem um encontro?" – perguntou ao ver a morena arrumada e maquiada.

R: "Mais ou menos... O que passa?" – Rachel se sentava no sofá enquanto começava a colocar os sapatos.

L: "Nada. Por que ia me passar algo? Com quem tem encontro?"

R: "É domingo, são as 19:14 da noite, não estaria aqui se não acontecesse nada." – sorriu.

Leisha não pode evitar esconder um sorriso malicioso.

R: "Um momento." – se colocou de pé. "agora lembro... e então voltou de noite com um Brad Pitt... verdade?" – perguntou divertida.

L: "Não precisamente."

R: "Era George Cloney?"

L: "Muito engraçada... quase, mas não. Na realidade não voltei com ninguém, mas talvez da próxima vez que o veja, não duvido em atacar."

R: "Se apaixonou a primeira vista? Me conte... Como é?" – Rachel se perdia pelo lugar, recolhendo coisas e preparando sua bolsa.

L: "Huumm... primeiro me diga, com que combinou?" – ficou interessada.

R: "Com Quinn." – disse sem olhar para ela.

L: "O que?" – o gesto da garota ficou tenso. "Voltaram?"

R: "Não." – murmurou.

L: "Então?" – perguntou confusa.

R: "Sua mão veio, está de visita e me pediu que a acompanhasse. Não podia dizer que não a ela." – tratou de não dar importância.

L: "Te pediu ela ou a mãe?"

R: "A mãe..." – se deteve.

L: "Ah... Pensa em voltar com ela?"

R: "Não sei..."

L: "Se continuar ficando com ela, por ser que a dê esperanças..." – deixou cair.

R: "Le, achei que tinha vindo me falar de seu romance noturno, não do que eu faça ou deixe de fazer com Quinn."

L: "Ei, tranquila." – se levantou do sofá. "não quer dizer que aconteceu nada de noite... realmente, me interessa muito mais o que vai fazer com Quinn."

R: "Por? Sou maior, sei me cuidar."

L: "Não duvido... mas, o que pensa Quinn? Quero dizer, está me dizendo que você não sabe se vai voltar com ela, mas e ela?"

R: "Le, não vamos falar disso agora. Quinn e eu estamos dando um tempo, mas é inevitável que mantenhamos contato... e seguiremos tendo... não tem pressa."

L: "Não sei, me parece um pouco injusto na verdade." – a garota parecia mais incomodada por momentos.

R: "Injusto?"

L: "Sim, bem... você está sendo um pouco egoísta, quer se afastar dela mas não a deixa completamente... Não parou para pensar que talvez ela necessite estar com você ou não estar?"

R: "Não entendo a que vem isso agora... meus assuntos com Quinn, são meus. Ela aceitou me dar o tempo e isso é porque está de acordo. Não sou egoísta." – respondeu brava.

L: "Tá bem, tranquila... não digo mais nada."

R: "Melhor... Escute, não posso continuar falando, combinei as oito e já está ficando tarde."

L: "Ok. Depois me conta como foi." – sorria tratando de acalmar um pouco a tensão que havia crescido entre as duas.

A garota abandonou a cada da morena. Rachel necessitava terminar de se preparar para sair para buscar a loira. Sua pontualidade não podia falhar.

Na Ohio Avenue, Quinn terminava também de se preparar para o encontro. Estava um pouco nervosa, não só porque ia ver sua mãe, mas porque Rachel havia aceitado acompanhá-la e após a conversa que tiveram via mensagem instantânea na noite anterior, ao sabia como atuar com a morena.

Era evidente que existia uma aproximação entre ambas, mas Quinn não queria estragar o que haviam conseguido. Passou muito mal as duas semanas que não soube nada de Rachel e agora que parecia dar sinais de vida não tinha intenção de fazer algo que pudesse afasta-la novamente.

Sua melhor opção, esperar a reação da garota. Era a única maneira de não meter a pata, esperar que ela atuasse.

O som da campainha da porta a tirou de seus pensamentos. Ainda não eram as 20:00 e Rachel sempre era pontual. Não poderia ser ela.

Não se equivocou. Atrás da porta o olhar inquietante de Molly esperava ser recebida com agrado por parte da loira.

Quinn estranhou. Havia recebido essa mesma tarde a visita de Spencer, estiveram conversando e uma das conversas que foram a tona, foi a repentina raiva de Molly no clube.

Q: "Olá, como vai?" – disse com um forçado sorriso. Queria ser amável, de todas formas eram amigas.

M: "Te interrompo?"

Q: "Eh... não, entre." – se afastou da porta. "mas tenho que te dizer que saio em breve." – apenas faltavam 10 minutos para as 20:00.

M: "Vai sair?"

Q: "Sim, minha mãe está na cidade e vou jantar com ela."

M: "Ah... ok." – fez uma pausa. "dê um beijo nela da minha parte."

Q: "Darei." – respondeu com um sorriso ao mesmo tempo que preparava sua bolsa.

A loira havia optado por se arrumar um pouco informal. A calça de corte clássico cinza acompanhado por uma blusa leve preta com tranasparência que deixava entrever parte de sua roupa interior, combinando com um cabelo curto que havia decido deixar natural.

M: "Quinn, vim porque queria me desculpar." – confessou.

A loira deixou o que tinha entre mãos para atender a porta.

M: "Sei que de noite disse coisas absurdas e realmente não sei porque disse. Não devia te obrigar a que me avisasse... eu..."

Q: "Para Molly." – interrompeu. "sou eu que deve pedir desculpas. Não me custava nada te dizer que ia. Eu também teria ficado brava se você tivesse feito."

M: "Tão pouco devia te recriminar que falasse com essa garota... a amiga de Rachel." – abaixou sua cabeça.

Q: "Bom, aí não posso dizer nada. A mim também surpreendeu que me dissesse aquilo."

M: "Me entenda Quinn, você passa duas semanas trancada em casa por causa de Rachel e quando consigo te convencer a sair para se divertir, não te ocorre outra coisa que flertar com uma garota... e não com uma garota qualquer, mas com a amiga de Rachel."

Q: "Não estava flertando, não entendo porque todos pensam que eu buscava algo." – parou. "simplesmente encontrei com ela, a cumprimentei e conversamos enquanto lhe serviam o drink, mais nada."

M: "Quinn, você não é consciente do que faz. Acredite em mim, essa garota flertava com você."

Q: "Ora, vamos..." – se aproximou. "é Leisha, segundo me contava Rachel teve namorados espetaculares... só estava sendo amável."

M: "Se teve namorados espetaculares, aposto que agora busca namoradas espetaculares..."

Q: "Não diga tonterias... além do mais, é amiga de Rachel."

M: "Quinn, quando você olha com esses olhos que tem, a amizade se arruína."

Q: "Como que quando olho com esses olhos? São meus olhos de sempre, não troco eles para seduzir..."

M: "Temo que não é consciente do que provoca. Sorri e olha de uma forma diferente quando uma garota se mostra amável com você..."

Q: "Não seja exagerada, é absurdo... não vou seduzindo a todas aquelas que cruza meu caminho..." – disse tratando de terminar a conversa.

M: "O que você diga." – sorriu. "amigas?" – perguntou após uma leve pausa.

Quinn terminou de deixar tudo pronto e se aproximou da garota, lhe dando um terno abraço que foi bem recebido pela morena.

Q: "Sinto muito por minhas mudanças de humor." – murmurou ao ouvido da garota.

Nesse instante a porta de casa se abria e Rachel aparecia contemplando a cena um tanto surpreendida.

R: "Olá." – disse timidamente.

Quinn e Molly se separaram ao escutar a morena.

Q: "Olá Rachel... pontual como sempre." – respondeu com um leve sorriso.

Molly se afastou da loira abaixando a cabeça.

R: "Sim... sinto ter entrado sem chamar..." – se desculpou pela interrupção. Estava um pouco confusa.

Q: "Oh... não se preocupe." – respondeu sem dar importância diante o atento olhar de Molly.

M: "Eu já ia..." – se aproximou da morena que cumprimentou com um beijo na bochecha. "e temo que vai ter que fazer o mesmo." – comentou com ela. "Quinn vai jantar com sua mãe."

Rachel a olhou contrariada.

Q: "Rachel também vai." – interpôs a loira.

Molly ficou em silencio. Quinn em nenhum momento lhe disse que a morena ia sair para essa reunião com sua mãe.

M: "Ah... bem, então..." – gaguejou.

Quinn sorria enquanto a garota se afastava até a porta.

M: "Nos vemos no Planet." – disse lançando uma olhar para ambas.

Q: "Ok... dirija com cuidado." – foi doce.

Rachel permanecia imóvel na entrada. A atitude de Molly era estranha, brava, ao contrário da de Quinn, que não tinha deixado de sorrir desde que apareceu na casa.

R: "Tudo bem?" – perguntou rompendo o gelo, uma vez que Molly havia abandonado o lugar.

Q: "Tudo perfeito." – respondeu. "está... preciosa."

Rachel abaixou o olhar um tanto quanto envergonhada. Havia escolhido um curto vestido preto sem mangas e leve, com vários babados na saia, que provocava um gracioso e sensual movimento cada vez que a morena andava.

R: "Está pronta?" – interrompeu o olhar da loira.

Q: "Eh sim... mas decidi que vou chamar um taxi para nos levar."

R: "O que?... Por que? Quero dizer, tenho carro..."

Q: "Eu sei, mas é provável que vamos beber um pouco no jantar e não acho graça na ideia de ter que dirigir na volta."

Rachel não pode negar e aceitou a proposta da loira.

Quinn se introduziu no quarto aonde tinha seu telefone.

R: "Quinn?" – a chamou. "posso me servir um pouco de água?"

A loira a olhou da porta e se surpreendeu.

Q: "Rachel... é sua casa, não tem que me pedir permissão para nada...ok?"

A morena se limitou a sorrir e avançou até a cozinha uma vez que Quinn havia desaparecido.

Tudo seguia igual. A loira seguia fazendo alarde de sua perfeição e a casa permanecia em perfeito estado. Cuidadosamente arrumada, tal como ela gostava.

Encheu um copo de água e se dispôs a beber quando um barulho a distraiu. Provinha do jardim e movida pela curiosidade caminhou até a varanda.

Sua expressão mudou radicalmente quando pode distinguir com maior nitidez aqueles barulhos.

Os risos, os suspiros e um ou outro gemido inundavam o jardim que permanecia em absoluto silencio e envolto a escuridão da noite. Seus olhos se dirigiram para a casa de Shane.

O som saia de seu jardim e a expressão de Rachel mudou, se viu completamente surpreendida ao intuir a procedência daqueles suspiros. A voz de Shane se deixava descobrir e Rachel tampou a boca com a mão tratando de não expulsar o gole de água que acabara de tomar.

Q: "Rachel?" – a voz da loira a surpreendeu. "aonde está?" – perguntava enquanto entrava na cozinha.

A morena entrou na casa rapidamente e evitando que a loira pudesse falar a segurou pela mão com força, puxando ela para a varanda.

Q: "O que passa?" – perguntou confusa.

R: "Shhhh..." – pediu silencio com um travesso sorriso em seu rosto.

Quinn não compreendia nada. De repente estavam plantadas na varanda de madeira com vista para o jardim. A luz estava apagada e não podia distinguir nada ao redor. Rachel a olhava divertida.

R: "Escuta." – sussurrou enquanto voltava a beber do copo de água.

Quinn se manteve em silencio tratando de descobrir do que se tratava aquilo. De repente os suspiros voltavam a invadir o silencio.

Uma série de barulhos e gemidos se espalhavam e Quinn virou sua cabeça para o jardim de sua vizinha. Com a boca aberta e tratando de manter a compostura escutava como da casa provinham cada vez mais gemidos que pouco a pouco iam se convertendo em palavras inaudíveis e um ou outro palavrão.

Seus olhos voltaram para Rachel, que sorrindo observava divertida o rosto da loira.

Q: "É Sahne!" – exclamou quase sem voz.

R: "E não está sozinha." – sussurrou.

Q: "Já vejo." – voltava a lançar um olhar para a cerca que delimitava os jardins.

De repente notou como uma sombra avançava até o jardim e percebeu que Rachel sentia demasiada curiosidade para permanecer parada ali.

Q: "Rach..." – exclamou tratando de não levantar a voz.

A morena se virou e com vários gestos de mão a convidava para acompanha-la, para novamente dirigir seus passos até a cerca.

Quinn permanecia quieta. Não achava conveniente ter que fazer aquilo. Era evidente que Shane estava com alguém, com Carmen provavelmente, mas não deviam invadir sua intimidade.

Q: "Rachel." – voltou a sussurrar enquanto seguia os passos da morena que espiava curiosa atrás da cerca.

R: "Shhhh..." – voltou a dizer. "estão ali." – sussurrou apontando para o interior de jardim de Shane.

Quinn parou atrás da morena e levantando sua cabeça, olhou com curiosidade até aonde apontava.

Efetivamente, no meio do jardim e rodeada de várias velas que iluminavam o lugar, aparecia uma espécie de colchão ou mini cama, alinhada na grama. Um desfeito lençol caia por uma das laterais enquanto os corpos das duas garotas, completamente nus, se moviam sensualmente, dando carícias e beijos.

Quinn engoliu saliva, ainda que não podia ver a cara de Carmen, a reconheceu por baixo dos finos braços de Shane. A imagem de sua vizinha e amiga naquela situação voltava a lhe fazer recordar de quando no dia anterior interrompeu as duas no meio da sala. O calor encheu suas bochechas e rapidamente afastou o olhar.

R: "Essa é a Carmen?" – perguntou como sussurro sem afastar o olhar das duas garotas.

Q: "Sim." – respondeu um pouco envergonhada. "Rachel, vamos!" – segurou a mão da morena.

R: "Espera..." – a deteve. "quero ver a cara..."

Q: "Faça o que quiser..." – respondeu um pouco mais contundente ao mesmo tempo que se afastava da cerva e voltava para a varanda.

Rachel notou a pressão de suas palavras e após um último olhar, seguiu os passos da loira.

R: "Nunca vou conhecer a essa garota." – disse um pouco incomodada.

Q: "Rachel, não acho que seja o melhor momento..." – respondeu uma vez que chegaram na varanda.

R: "Não acha sexy?" – perguntou buscando o olhar da loira.

Q: "Sexy? Rachel, é Shane... não fico vendo minhas amigas mantendo relações."

R: "Não estou dizendo para ver, mas não me negará que não é sensual... fazer amor embaixo das estrelas, é impressionante." – os olhos da morena se perdiam olhando o céu estrelado.

Q: "Te recordo que você sabe o que é isso." – deixou escapar um sedutor sorriso.

Rachel voltou se olhar para a loira. Aquelas palavras a fez recordar quando anos antes, justamente quando ela tinha que ir para Londres, a loira a levou de surpresa para Port Clinton, aonde lhe deu uma das melhores noites de sua vida e precisamente foi embaixo das estrelas e com o lago Erie de testemunha.

Aquelas lembranças alteraram a calma que mantinha a garota e não pode evitar desprender um olhar cheio de desejo, que focalizou sobre os lábios da loira. As cenas das duas, nuas embaixo das estrelas, brincando com pedaços de frutas, golpeavam sua mente.

Quinn sentiu aquele gesto. A morena havia hesitado com seus olhos até pousar em seus lábios e isso indicava que a ideia de beijá-la rondava por sua cabeça. A loira engoliu saliva. Desejava com todas suas forças mas necessitava que fosse ela quem desse esse passo, tinha que ser Rachel que avançasse.

E assim fez, a morena não podia se conter e deu um passo até se aproximar a escassos centímetros da loira. Mas como sempre, algo estava por interrompê-las.

Rachel se guiou pela grade que cercava o alpendre do jardim e ao segurá-la notou que sua mão ficou grudada na madeira.

R: "O que é isso?" – perguntou separando rapidamente a mão.

Q: "Oh Deus..." – respondeu com um sorriso ao ver a palma da mão completamente manchada. "é tinta..."

R: "O que? E por que tem tinta?" – olhava para a mão sem saber aonde se limpar.

Q: "Venha." – puxou ela até entrar na cozinha. "limpe-se antes de que manche mais."

R: "Desde quando isso tem tinta?" – perguntou confusa.

Q: "Pintei essa manhã, estava um desastre..." – seguia sorrindo enquanto aproximava a morena até a pia da cozinha aonde colocou a mão dela.

R: "Isso não vai sair com água." – disse ao ver a ideia da loira.

Q: "Eu sei, espere um segundo." – se afastou enquanto ia para o jardim.

Se perdeu na escuridão até que chegou a uma pequena casinha, aonde tinha guardado os utensílios que utilizava para cuidar do jardim. Apenas uns segundos mais tarde, regressou a cozinha segurando um pote.

R: "O que é isso?" – perguntou.

Q: "Dissolvente... é o único que irá tirar a tinta."

R: "Deus..." – exclamou ao notar o forte cheiro que desprendia o líquido enquanto caia por sua mão. "sua mãe vai me olhar estranho quando cheirar isso."

Q: "Minha mãe!" – exclamou. "Deus, o jantar!"

R: "Que horas são?"

Q: "Não tenho nem ideia."

Nesse preciso momento o som de uma buzina soava na rua. O taxi esperava elas e tinham que sair apressadas.

Tinham conseguido eliminar a tinta d mão da morena, porém o forte cheiro de dissolvente havia se aderido a sua pele. Rachel mostrava uma careta de desgosto ao mesmo tempo que entrava no taxi.

Todo o tempo que utilizou para e preparar para a ocasião se via destroçado por culpa daquele estúpido incidente com a tinta. Quinn porém não podia evitar sorrir ao comprovar o gesto da morena. Lhe provocava graça mas não queria que Rachel notasse.

Q: "Me dê a mão." – exclamou a loira uma vez que rumavam até o restaurante.

Ambas iam compartilhando o banco traseiro do taxi.

Rachel aproximou a mão impregnada pelo cheiro e Quinn a segurou entre as suas. De sua bolsa tirou um pequeno pacote de panos umedecidos. Rapidamente se dispôs a limpar a mão da garota, esfregando delicadamente com um dos panos.

O cheiro suave inundou o taxi, eliminando qualquer resto de dissolvente. Rachel observava a ação e após vários minutos foi consciente de que a loira não parava seu movimento, apesar do cheiro desagradável já ter sido eliminado.

A loira permanecia absorta. Acariciava a mão da morena com doçura, sem ser consciente do tempo que transcorria. Rachel sorria ao vê-la naquela atitude. E mais ainda quando após observar como no dedo anelar da loira permanecia colocado sua aliança.

Aquela aliança que lhe deu antes de partir para Londres e que a loira não havia se separado nunca mais.

Quinn levantou seu olhar e descobriu Rachel a observando com um leve sorriso em seus lábios.

R: "Se continuar assim vai eliminar a cor da minha pele." – disse divertida.

Q: "Sinto muito." – respondeu rapidamente soltando a mão da garota.

R: "Não sinta por algo que desejou fazer" – sussurrou.

Era a terceira vez que a morena lhe repetia aquela frase em apenas dois dias, nada anormal se não fosse porque essa mesma frase foi ela quem disse pela primeira vez. O resto do caminho transcorreu com normalidade, mas com um mutismo abismal entre as duas.

Rachel se sentia bem daquela forma. Cada gesto que mostrava a loira lhe fazia compreender que seguia querendo a ela, que seguia a desejando e apesar de ter pedido aquele tempo separadas, a garota estava esperando por ela. Com paciência, com calma e inclusive com mais doçura da que poderia esperar. Aquilo a animava. Poder levar a cabo seus desejos de ser dependente, não estava influenciando de maneira negativa em Quinn e esse foi seu maior temor quando tomou aquela decisão.

Por sua vez, Quinn se debatia em um milhão de dúvidas. Rachel tinha desaparecido de sua vida, querendo encontrar novas experiências afastada dela. Tinha feito ela sentir que sua mera presença era um obstáculo na vida da morena. Havia focalizado todas suas frustrações nela. Tinha culpado ela de não conseguir o que tanto desejava e agora, por arte de mágica e quando menos esperava receber dela, voltava a aparecer. Com aquele sorriso, aquele olhar, aquela doçura e seus travessos jogos que lhe fazia perder a cabeça, sem esquecer do sabor de seus lábios. Esses lábios que conseguiam que esquecesse que o mundo continuava seu curso. Aquela aproximação poderia supor ser o passo definitivo para sua volta, mas devia ir com cuidado. Não queria botar tudo a perder por nada no mundo.

R: "O que acontece com Molly?" – rompeu o silencio.

Q: "Molly?... nada que eu saiba." – respondeu sem afastar o olhar da janela.

R: "Ok..." – deu por terminada a conversa. O tom de voz que havia utilizado Quinn era o mesmo que indicava que não lhe apetecia falar disso.

Quinn olhou a morena. Após uns minutos de voltar ao silencio, Rachel se entretinha jogando com o pano que antes havia lhe servido para eliminar o cheiro.

Q: "Está um pouco estranha." – disse tirando Rachel de suas ações. "se irrita com qualquer coisa insignificante e não são incômodos que passam em seguida... não sei."

R: "E não sabe por que está assim?"

Quinn lançou um olhar para sua garota. Era curioso, a morena estava lhe perguntando coisas sobre Molly, se perguntava porque estava brava ou se a garota não era capaz de dizer o porque. Isso mesmo é o que teve que sofrer a loira, quando Rachel chegava mal humorada em casa, quando não sabia o que lhe passava e tinha que aceitar a raiva como se nada acontecesse. Agora perguntava porque Molly fazia isso sem pensar em que ela já havia feito.

Q: "Não sei Rachel, comigo todo mundo termina irritada e ninguém me dá uma explicação ou motivo." – disse com um pouco de tristeza nos olhos.

Rachel sentiu aquelas palavras. Sabia que em parte iam dirigidas para ela.

R: "Talvez seja porque ficar brava com você dói mais do que a causa do que provoca." – fez uma pausa. "suponho que terminará confessando tudo."

Q: "Não sei." – não sabia o que dizer. "Spencer e eu estivemos conversando sobre ela e acha que pode ser por Shane."

R: "Por Carmen?"

Q: "Aham..."

R: "Mas... Molly já não sentia nada por Shane... ou pelo menos é isso que dizia."

Q: "Rachel, uma pessoa pode dizer o que quiser, mas os sentimentos sempre estarão... com maior ou menor magnitude, mas estarão. Ver aquela que foi um dos amores mais importantes de sua vida, voltar com sua ex, dói."

R: "Muito!" – sussurrou ao mesmo tempo que também abaixava sua cabeça.

- "Senhoritas." – interrompeu o taxista. "se me permitem que me meta na conversa de vocês." – Rachel e Quinn levantaram o olhar. "direi a vocês que deixem de falar de dor, de mal de amores e se olhem em um espelho..."

Quinn e Rachel se olharam confusas.

- "São jovens, preciosas, tem um sorriso encantador e aposto que podem dominar o mundo... deixem o mal de lado e desfrutem a juventude."

Ambas garotas sorriram.

Q: "Obrigada!" – respondeu lhe dando um enorme sorriso.

Rachel se contagiou da loira e também desenhou uma cara de felicidade em seu rosto.

O taxi parava sua corrida em frente ao restaurante. As garotas desceram e após despedirem do taxista se dispuseram a entrar no local. Rachel parou seu trajeto.

R: "Quinn." – murmurou parando os passos da loira que se virou para ver que a morena havia parado.

Q: "Diga."

R: "Se supõe que quando pisarmos no restaurante... será como sempre, verdade?"

Quinn voltou sobre seus passos se aproximando da morena.

Q: "Se não está cômoda, não se preocupe, acho que é melhor que diga a verdade a ela." – seu gesto ficou sério, mas mostrava um ápice de compreensão.

R: "Não... não digo por isso, eu estou encantada, é só que..." – se deteve.

Q: "O que ocorre Rachel?"

R: "Quero que... tenha claro que por agora..." – respirava profundamente. "necessito seguir como estamos... não... não quero que pense que..." – a morena gaguejava e sua expressão era quase impossível de entender.

Q: "Tranquila Rach." – segurou sua mão. "sei que faz isso por minha mãe e te agradeço de verdade... sei que as coisas não vão mudar tão rápido e sinceramente?" – fez uma pausa. "não espero assim. Ambas seguiremos com nossas vidas quando sairmos daqui." – foi contundente.

Quinn tratava de permanecer forte, queria demonstrar que mesmo que por sua cabeça tinha passado a ideia de que a morena começava a recapacitar, não ia deixar se convencer tão facilmente.

Rachel concordou com a cabeça, aceitando aquelas palavras como o que realmente queria lhe dar a entender.

Q: "Está tudo bem Rachel." – sorriu enquanto convidava a garota para acompanhá-la.

R: "Ainda assim..." – interrompeu, provocando que novamente a loira parasse. "apesar de que continue necessitando meu espaço... quero que saiba que... continuo de querendo." – lhe entrecortava a voz.

Quinn sorriu ao mesmo tempo que estendeu sua mão para que Rachel segurasse e juntas entrar no restaurante.

Q: "Eu sei..." – respondeu. "mas hoje ainda não me disse."


OBS. 1: História original escrita por CARMEN MARTIN na fanfic 2 NUEVOS CAMINOS (.net/s/7412103/1/2_Nuevos_Caminos)