Capítulo XI;
Hora de voltar.
[Rosalie]
- Eu te admiro, Rose, sério. Como vocês conseguem? Esse treco de depilação é pior que um murro no meio do estômago.
- Somos guerreiras, Emmett, e não, não dói mais que um murro no estômago. – Eu ainda ria do espetáculo de comédia que presenciei há minutos atrás.
Estávamos voltando para a escola a passos lentos atentos aos sons que eram escutados somente à noite, quando algumas pessoas se preparavam para dormir, outras para sair, outras enfiadas em bares, boates, clubes e festas. Nada de conversas altas, motores ligados, pessoas apressadas. Estava tudo tranqüilo.
Ninguém – excerto nós dois – parecia querer andar pelas redondezas.
- Certo...mas não deixa de ser um dor horrível.
- Talvez, é assim na primeira vez.
Por curiosidade, olhei o relógio de números romanos em meu pulso, me surpreendendo com o horário.
23h05m.
- Uou, foi rápido. – Disse distraída, atraindo a atenção – que antes estava na pedra que estava chutando – de Emmett.
- O quê?
- São vinte três e cinco, nós terminamos cedo. – Informei orgulhosa.
- Pois é, podemos aproveitar o resto do tempo. – Provocou, colocando as mãos no bolso frontal da bermuda marrom e erguendo os ombros, fingindo desinteresse.
- Emmett, Emmett.
- O quê? Te ofendi? – Perguntou sorrindo cínico. Retribui o sorriso e olhei para o horizonte.
- Não, mas é que essa sua perna com uma parte delipada e a outra não é extremamente broxante. – Respondi sorrindo triunfante.
De relanci vi seu olhar descrente. E como imaginei, ele não respondeu à provocação.
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[Alice]
- Porra Alice, pula cara, pula. – Jasper, que já estava firme sobre o solo, gritava desesperado para mim, que estava no quinto degrau da escada.
Eu estava eufórica e minha mente ainda estava reproduzindo as palavras agressivas e também as ameaças de morte que as pessoas molhadas por nós disseram. Eu ria e Jasper compreendia a revolta sentida por eles. Todos estavam devidamente arrumados esperando para entrar na boate mais movimentada da cidade e com um simples gesto, a noite estava arruinada.
O bar Fuego era incrivelmente grande e até os seguranças do local perceberem a movimentação do lado externo, entenderem o motivo para tal e correrem até o beco que encontrava-se há alguns metros suficientes para permitir que Jasper e eu corrêssemos, nós já estaríamos à uma distância considerável.
Obedeci ao comando e saltei, sendo agarrada pelos braços de Jasper e diminuindo o forte impacto de meus pés com o chão. Senti minha mão ser agarrada e meu corpo ser puxado bruscamente, obrigando-me a mover as pernas no ritmo de uma corrida.
Corremos para o caminho contrário ao bar, indo para um lugar qualquer. Jazz parecia desesperado pelo modo com olhava para trás de minuto em minuto. Depois de certo tempo correndo com desespero não tinha mais o mínimo de conhecimento de onde estávamos.
- Jasper, espera. – Pedi puxando com dificuldade o ar para meus pulmões. Ele diminuiu a velocidade da corrida, parando repentinamente.
- Tudo bem? – Perguntou ao me ver com as mãos no peito, respirando drasticamente.
- Jazz...eu nunca...co-corri...tanto...na minha...vida. – Disse com dificuldade, olhando, pela primeira vez desde que começamos a correr, para caminho que seguíamos. A boate em que nosso grupo freqüentava estava em meu campo de visão, aparentando movimentação como toda sexta feira à noite. Villa Lounge ficava à sete quilômetros de distância da escola que estudávamos e a cinco quarteirões de Fuego.
- Que horas são? - Perguntei quando Jasper olhou para seu relógio de pulso, consultando o horário.
- Vinte três e quinze.
- Certo...Então já que cumprimos nossa parte, vamos volta. Melhor chamarmos um táxi, certo? - Disse sentindo minha respiração volta ao normal.
- É, a escola está longe. - Ele concordou mexendo nos fios de cabelo.
- Vamos pegar algum dos táxis que ficam em frente ao Villa. – Sugeri, inclinando a cabeça para frente tentando localizar onde estariam os veículos.
- Vamos, tem um logo ali, vem. – Jasper voltou a correr, o que não era preciso, puxando-me para seguir rumo ao ponto de táxi há cinco metros de distância.
Quando nos aproximamos observei a figura sexy encostada na porta de seu táxi, mantendo as mãos dentro do casaco enquanto os olhos estavam na direção oposta.
- John. – Cumprimentei sorrindo o motorista conhecido por nós.
John sempre fora nosso guia de volta para a casa depois de muitas noites repleta de bebidas alcoólicas e diversão. Ele ganhava a vida conduzindo os clientes da boate para suas casas, tenho como fieis freguês o nosso grupo.
- Alice. – Retribuiu o sorriso, desencostando da porta do carro e estendendo a mão direita para mim e, como de costume, repousei a minha esquerda sobre a dele, recebendo seu beijo carinhoso.
- Fala aí, mestre. – Jasper louvou-o.
Tivera o costume de chamá-lo de mestre após saber sobre a facilidade de John para conquistar as mulheres. Segundo Jasper, tudo era devido a boa experiência e lábia indescritível que o motorista possuía, mas ao contrário dele, nós, garotas, – Eu, Rose, Bela e Brooke – afirmávamos incansavelmente que se tratava dos olhos verdes sinceros e penetrantes, a barba por fazer terrivelmente sexy, os cabelos castanhos, a voz profunda e sua simpática contagiante.
- Boa noite, Jasper.
- John, poderia nos levar até a escola Newton High School? – Perguntei passando por ele e abrindo a porta do veículo. Ele arqueou as sobrancelhas e virou para olhar-me.
- São quase vinte três e trinta, Alice.
- Eu sei. Mas, nós vamos nos encontrar com os outros lá. - Informei levantando os ombros, sorrindo.
- Oh, certo, levo com prazer. Entrem.
- Obrigada. - Agradeci entrando no veículo.
- Ei, John. – Jasper o chamou após entrar no automóvel. John olhou-o pelo retrovisor e sorriu, seu modo de informar que estava atento as palavras do garoto. – Será que você pode me dizer como fazer pra conseguir sair com uma mulher mais velha? Porque você sabe, dizem que as mais velhas são mais experientes. – Cuspiu as palavras com o sorriso largo formado nos seus lábios. A risada estrondosa produzida por mim foi seguida da rouca de John, que ligou o carro e deu partida para o itinerário conhecido por ele.
Jazz, definitivamente, não tinha jeito.
- Sim, Jasper, eu te digo. - Ele disse balançando a cabeça, sorrindo.
Fim do Capítulo XI
