Fanfic feita em homenagem ao aniversário de ~MaryHatsune, amiga e companheira. (Filha-bisneta. xD)

Julgamento.

Em uma sala escura, várias pessoas se reuniam para saber o futuro de um assassino. Não era uma tarefa fácil, considerando que o assassino tivera tamanho sangue-frio para matar a própria mulher e que poderia certamente fazer parte de uma quadrilha perigosa.

Os jurados consistiam em três mulheres e quatro homens. O primeiro homem era moreno e tinha olhos incrivelmente verdes escondidos pelos aros dos óculos. Algo que o diferenciava era a curiosa cicatriz na testa em forma de raio. O segundo era ruivo e de olhos muito azuis, o nariz repleto de sardas. Os dois últimos homens eram morenos e de olhos escuros, não havia peculiaridade física entre eles.

As três mulheres eram totalmente distintas. A primeira, de aspecto severo, tinha cheios cabelos castanho e olhos avelã. A segunda, de aspecto gentil, era ruiva, de olhos azuis e tantas sardas quanto o jurado ruivo. A última, de aspecto arrogante, tinha cabelos e olhos pretos e misteriosos.

Todos estavam sentados ao redor de uma grande mesa, com blocos de notas à frente, para anotar qualquer coisa que pudesse ser útil. Os quatro homens chegaram a um consenso, mas as três mulheres tinham certas dificuldades com a morena.

– Pelo amor de Deus, Parkinson, ele a matou! – exclamou cansada, a castanha.

– Granger, por Deus, ele não teria tamanho sangue-frio. – suspirou Parkinson.

– Tanto teria como teve! – disse a ruiva. – Hermione está certa.

– Cala a boca Weasley! – reclamou Parkinson.

– Ela está aqui para expressar a opinião dela, não pode mandá-la calar a boca. – disse o moreno dos olhos verdes, calmamente.

– Deixe Harry. – disse a Weasley. – O caso aqui é se Parkinson vai ou não apoiar-nos.

– Tudo bem, Ginny. – disse o ruivo. – Temos um consenso. Ele é culpado. O voto de Parkinson não será importante. Precisamos de no mínimo seis, e nós os temos.

– Vão condenar um homem inocente. – disse Parkinson.

– Ah é, Parkinson? – desdenhou Hermione Granger. – Como prova que ele é inocente?

– Não preciso provar! – exclamou Pansy Parkinson.

A discussão continuaria, se um sino não tivesse tocado, indicando que estavam ali há mais de seis horas. Todos suspiraram e Parkinson os olhou desafiante. Levantando-se, Hermione pegou seu bloco e leu seu conteúdo. Estava tudo certo: Draco Malfoy era culpado.

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O júri havia acabado de retornar da sala secreta, e estava novamente cara a cara com o assassino – ou o que eles pensavam ser o assassino. Os cabelos louro-platinados de Draco Malfoy contrastavam com os olhos cinzentos, tão calmos e impassíveis. Hermione se perguntava como ele conseguia ser tão impassível. Neville Longbottom, que estava ao seu lado, encarava-o com receio, enquanto que Dean Thomas olhava-o desafiante, crente de sua derrota. Malfoy sorriu afetado em resposta.

O juiz começou a falar, e Hermione prestava atenção em tudo que o velho homem falava. Por fim, o juiz declarou:

– Um dos jurados, irá passar algumas horas com o acusado para poder entender o outro lado, nada mais justo. Quem ficará com o réu?

– Que tal a Parkinson? – disse Ronald Weasley – Tão crente que...

– Cale a boca, Ron! – repreendeu-o Ginny.

– Eu vou. – disse Hermione. – Não tenho medo dele.

Hermione podia jurar ter ouvido "Nem deveria" da boca de Malfoy, mas imaginou estar sonhando. O juiz dispensou a todos dizendo que Hermione passaria três horas por dia, até o final do julgamento – que deveria acabar em três dias – com Malfoy, e decretar o veredicto. Começariam no dia seguinte. Hermione levantou-se e por um rápido vislumbre percebeu a beleza escondida no rosto maltratado pela policia de Malfoy. Mas isso não deveria vir à sua mente. Não agora.

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O dia seguinte chegara cedo demais. Levantando-se da desconfortável cama, Hermione se pegava pensando nas horas que passaria com o réu. Ele a atacaria? Diria que não era culpado? Certamente; é o que todos dizem. Olhou no relógio de cabeceira e viu que estava quase na hora de irem para o tribunal. Acordou Ginny delicadamente e as duas sacudiram Parkinson violentamente. A morena acordou sobressaltada e vendo as outras duas rindo, jurou vingança.

Quando deu a hora, saíram de seu dormitório e encontraram os quatro amigos – companheiros de júri, para Parkinson – desceram até o tribunal e se sentaram em seus lugares, em frente ao réu, e esperaram o juiz. Dois policiais entraram trazendo o acusado, e se postaram em frente à porta. Malfoy estava sentado em sua cadeira e olhava diretamente nos olhos cor de avelã de Hermione Granger e a mesma se perguntava o por quê da ação do acusado. O que ela teria de tão digno da atenção de Malfoy?

O velho juiz – que Hermione descobriu se chamar Albus Dumbledore – entrou na sala e todo burburinho cessou. Sentando-se em sua cadeira, começou dizendo:

– Está aberta a sessão do quinto dia de julgamento de Draco Malfoy, acusado de matar sua esposa, Astoria Malfoy, e de ocultar o corpo. Hoje, ouviremos a defesa e a acusação, e o júri se reunirá novamente, por menos tempo do que antes. A jurada Granger ficará as últimas três horas em companhia do réu e no dia final nos dirá a conclusão do júri e sua própria conclusão.

Todos concordaram silenciosamente. Hermione direcionou seu olhar do velho juiz para o réu louro. De repente, sentiu medo. Medo de quê, ela não sabia. Só sabia que seu corpo estremecia ao olhar diretamente nos orbes acinzentados de Draco Malfoy. Seria realmente medo? Hermione tentava se convencer de que era sim. Apenas medo. O que mais poderia sentir?

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Depois de ter ouvido a defesa e a acusação, o júri se retirou novamente para a sala secreta afim de novas opiniões – ou mudanças de opiniões, como era o caso. Sentando-se, Harry Potter disse:

– Não vamos enrolar. Sabemos que Malfoy é culpado. Apenas você, Parkinson, que acha o contrário. Comece explicando o por quê de achar isso.

– A verdade é quase gritante, Potter. – começou Pansy. – Malfoy não é culpado porque ele tem o álibi perfeito. Não era forjado, isso eu bem sei. Vocês prestaram atenção à defesa hoje? O álibi é perfeito! A mulher fora morta às 22:20 aproximadamente, e nesse horário ele estava saindo de um bar na companhia dos amigos Zabini, Crabbe e Goyle.

– E quem me garante que ele realmente estava saindo do bar àquela hora?

– Meu Deus, Thomas, vou ter que desenhar? – perguntou Parkinson, desdenhosa. – Os amigos, Z-a-b-i-n-i, C-r-a-b-b-e e G-o-y-l-e. – disse os nomes dos três homens, pausadamente.

– Okay. – concordou Ronald. – Mas e se os amigos estiverem mentindo? Podem estar ajudando ao Malfoy.

– Aí eles seriam presos por omitir a verdade da polícia. – explicou Pansy. – A polícia da Inglaterra é bem severa quanto a isso.

– Mas eles poderiam estar pensando que poderiam enganar à justiça e à polícia. – discordou Longbottom, timidamente.

– Também. – Pansy teve de concordar. – Mas me digam, só estão o condenando para não passarem por idiotas né? Porque exclamam aos quatro ventos que ele é culpado.

– Não, apenas queremos que a justiça seja feita. – interpelou Ginny Weasley.

Pansy suspirou. – Tudo bem. Mas ainda voto para a absolvição dele.

E o sino novamente tocou. Todos levantaram-se e seguiram para o tribunal. Depois de terem sentado, e ouvido as palavras do juiz, foram liberados, menos a Granger.

– Ora, Srta. Granger... – saudou-a o Juiz.

– Meritíssimo. – disse Hermione em resposta. – Onde ficarei com Malfoy?

– Rápida e direta, como me disseram. – Albus sorriu. – Ficaram em uma sala ao lado do tribunal, cercada por guardas. Estará segura, Srta. Granger. Por aqui.

– Sei que estarei. – Hermione sorriu, seguindo o velho homem.

– O réu a aguarda. – disse Dumbledore, abrindo uma porta e deixando visível Malfoy que estava sentado em uma cadeira, à espera de Hermione.

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Assim que entrou a porta fora fechada e a última coisa que viu foram os bondosos olhos azuis por detrás das lentes do óculos de meia-lua de Albus Dumbledore. Depois ela suspirou e olhou para trás onde Malfoy estava e este parecia entediado como se aquilo não fosse mais do que um passeio chato de escola.

– Então... Por que matou sua mulher? – Hermione começou e logo foi interrompida pela voz grave de Malfoy.

– Eu. Não. Matei. Astoria. – ele cuspiu cada palavra pausada e agressivamente. – O que vocês tem contra mim para não acreditar? Ouviram o testemunho dos meus amigos! Eu estava com eles no mesmo bar em que sempre vamos às sextas à noite e se perguntar ao dono do bar vai ver!

– Infelizmente não posso sair daqui para comprovar isso. – Hermione disse. – Mas talvez alguém possa. Qual é o nome do bar?

– Caldeirão Furado. – ele respondeu. – Íamos sempre no Três Vassouras – nome estranho, não? – mas decidimos ir nesse faz... Umas quatro ou cinco semanas.

– Por que mudou de bar? – Hermione perguntou curiosa.

– O Três Vassouras começou a ficar muito lotado ultimamente e nós detestamos multidão então vamos ao Caldeirão Furado que é mais calmo e menos movimentado.

– Entendi. – disse ela sentando-se na cadeira em frente a de Malfoy. – Eu costumava ir ao Caldeirão Furado quando namorava...

– Já teve namorado? – ele a interrompeu. – Talvez eu o conheça, quem era?

– O jurado Ronald Weasley. – ela disse, sorrindo.

– Meu Deus. – ele disse abruptamente. – Ele? Logo ele?

– O que tem contra o Ron? – ela se exaltou.

– Até aquele cara da cicatriz é mais bonito! Você tem um péssimo gosto. – e ele riu. A risada fria e sarcástica que ela imaginou ter ouvido quando chegou no tribunal no primeiro dia.

– Tudo bem, minha vida amorosa não é o caso. – ela cortou o divertimento dele. Ele tornou-use sério e sentou-se ereto na cadeira, visivelmente desconcertado. – Você não matou sua mulher, certo? – ele assentiu. – Então, quem a matou? Suspeita de alguém?

– Não... Não havia ninguém que quisesse mal à Astoria. Ela era uma mulher de bem com todos e que curtia cada dia como o último. Nós parecíamos mais amigos do que marido e mulher sabe...? Nunca ficávamos juntos em público e sempre éramos vistos separados. Só ficávamos juntos em casa onde seríamos mesmo marido e mulher. – ele sorria malicioso. Hermione corou. – Fiquei muito triste quando soube que Astoria havia sido assassinada e que eu era o primeiro e principal suspeito! Eu nem estava em casa, por Deus! Você acredita em mim, não acredita?

Ele havia se levantado e estava de pé em frente a Hermione a segurando pelos ombros. Hermione devia sentir medo, mas não sentia. Confiava no homem que estava à sua frente e sorriu para ele, concordando. Ele suspirou e seus olhos cinzentos ficaram mais azuis. Suas expressões suavizaram-se e agora ele parecia o garoto que fazia a farra toda sexta feira. O sorriso de Hermione se alargou e ela podia sentir a respiração do Malfoy próxima a sua e seus olhos logo se fecham e ela pôde sentir os lábios frios e macios de Draco.

E durante aquelas três horas eles se conheceram melhor. Seus gostos, seus medos, suas vontades. Convicções e fracassos. Aos poucos, a imagem do assassino frio e sem piedade some da mente de Hermione. Ela via agora o homem que Draco Malfoy era. Ao se despedir, ela prometeu que não iria condená-lo. Ele duvidou e ela disse que certamente não seria condenado. Caso fosse, prisão perpetua era o destino do Malfoy.

– Você vai ser livre e vamos poder nos conhecer melhor. – ela sussurrou no ouvido dele. – Quem sabe rola algo no futuro?

E a última coisa que ela ouviu foi a risada fria e sarcástica de Draco. E sorriu. Já amava aquela risada.

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Sexto dia de julgamento. Hermione estava inquieta em sua cadeira, sempre olhando para a cadeira onde o réu logo estaria sentado. Os minutos se arrastavam para a chegada de Draco e ela deu graças aos céus quando ouviu a porta ser aberta e os primeiros vislumbres louros adentrarem a sala. Ela suspirou aliviada, o que não passou despercebido pela morena que olhou indagadora para ela, que virou o rosto e começou a falar com Ginny. Parkinson percebeu os olhares que Draco Malfoy lançava à Hermione Granger e sorriu maliciosa. Então, havia algo ali...? Interessante. Poderia ajudá-la com sua vingança contra as duas amigas.

O juiz se anunciou e todos se calaram.

– Bom dia caros jurados. Está aberto o sexto dia de julgamento de Draco Malfoy acusado de... Ah, vocês já sabem disso. Hoje é o penúltimo dia de julgamento e hoje iremos ouvir o réu. – olhou para Draco, com os mesmos olhos bondosos. – Depois, Srta. Granger irá ficar novamente três horas com ele.

– "As três melhores horas do dia." – pensaram Hermione e Draco em conjunto.

– Então, se ninguém tem nada contra, comecemos com o réu.

Os jurados empertigaram-se em suas cadeiras, e, atentos, prestaram atenção em cada movimento – seja quão vão for – do réu, Draco Malfoy. Draco respirou fundo, expirou, e começou a sua explicativa, tão cansativa pelo motivo de já ter dito aquilo várias vezes e a várias pessoas.

– Eu não matei Astoria. – e ouviu as risadas sarcásticas de quatro dos sete jurados. – Eu estava em um bar com alguns amigos. Podem perguntar ao dono do bar, se não me engano, ele se chama Tom.

– Pode ter comprado ele para isso. – interrompeu Ginny.

– Não o interrompa, Srta. Weasley, por favor. – pediu o juiz.

– Desculpe-me Meritíssimo. – desculpou-se Ginny.

– Como eu dizia, eu estava em bar. Eu, Zabini, Crabbe e Goyle estávamos jogando conversa fora quando olhei no relógio e vi que era tarde, 22:15. Eu e Zabini tínhamos mulheres em casa, ao contrário de Goyle e Crabbe que poderia ficar mais um pouco. Enrolamos mais um pouco no bar, e depois saímos. Quando olhei no relógio, ao entrar no carro do Blaise, vi que era 22:20. Chegamos em frente à minha casa era aproximadamente 22:50. O bar era consideravelmente longe.

– Se me permite, Meritíssimo, gostaria de perguntar por que você – e quando digo você, me refiro ao réu – ia a um bar tão longe de casa? – perguntou Dean Thomas.

– Eu já expliquei isso à Srta. Granger – e ele sorriu, irônico como sempre, para Hermione, que corou palidamente por ser citada na resposta do Malfoy. – Mas eu mudei de bar porque o Três Vassouras – eu sei que é um nome estranho – estava começando a ficar muito cheio e eu e meus amigos detestamos lugares cheios. O Caldeirão Furado era mais calmo.

– Entendo. – disse Albus Dumbledore. – Continue com o relato sobre o que fazia na noite do crime.

– Claro. Assim que chegamos, me despedi de Zabini e entrei. Olhei no relógio do hall e vi que marcava exatamente 23:00 – Blaise e eu continuamos a conversar no carro – e assim que entrei no nosso quarto – meu e de Astoria – querendo tomar meu banho para podermos dormir, estranhei que ela estivesse deitada, aparentemente dormindo. Ela sempre me espera quando volto às sextas, mesmo que fosse muito tarde.

"Então eu vi. A marca da punhalada no pescoço de Astoria não deixava dúvidas se juntássemos as marcas de sangue em sua camisola branca. Ela estava morta. Lembro-me de que, peguei o celular e liguei para a polícia e em seguida para Blaise. Continuei a encarar o corpo frio de minha mulher, atônito. Mesmo que eu a tivesse matado, não teria ocultado o corpo, porque o policial que foi até a minha casa, encontrou Astoria na cama, deitada do jeito que estava. Não me achou em casa, porque eu estava transtornado o bastante para pedir ao Blaise para ir à casa dele. A mulher dele, Daphne, concordou e me deu os pêsames. Ela era a irmã de Astoria. E eu ainda me pergunto: Quem faria mal a Astoria?"

E terminou sem relato assim, com o ponto em que todos queriam descobrir: "Quem matou e por quê matou Astoria Malfoy?". Draco estava calmo para quem acabou de relatar a morte da esposa e que estava sendo acusado de homicídio. Hermione prestou atenção em cada palavra do Malfoy, anotando-as para poderem debater sobre isso nas três horas que ficariam juntos – mal sabia ela, que debater seria a última coisa na qual pensariam naquelas três horas.

– Então, Sr. Malfoy, o crime de ocultação de cadáver é falso? – perguntou o juiz. Os olhos azuis atentos a qualquer movimento de Malfoy.

– Correto. – respondeu Malfoy. – Podem perguntar ao policial que viu o corpo de Astoria na cama.

– O problema, Sr. Malfoy – começou Harry Potter – é que não temos o nome do policial.

– Procurem, vocês tem a polícia a serviço de vocês! – explodiu Draco. A calmaria sumiu de seu rosto.

– Controle-se Sr. Malfoy. – disse o juiz, calmo como sempre. – Seu relato acaba aqui. Pode se retirar com a Srta. Granger.

E o Malfoy e a Granger olharam-se em segredos mudos e sorrisos cúmplices. Parkinson olhou-os desconfiada. Definitivamente, pensou ela ao vê-los saírem da sala acompanhados por policiais, nesse mato tem coelho.

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Dentro daquela pequena e escura sala, o bloquinho de anotações de Hermione, fora esquecido em meio às caricias. Beijavam-se sofregamente, as mãos passeavam sem pudor. Em meio a tanta – suposta – paixão, Hermione largou-se dele, controlando-se para não se jogar novamente nos braços do Malfoy.

– Não... É certo. – ela disse, ofegante.

– Nada aqui é. – ele respondeu. – Se fosse, não estaria aqui.

– Você é louco. Se nos pegarem... Você vai ser condenado, certamente. Seduzindo a jurada? – o escárnio era visível na voz da moça.

– Não seduzi ninguém. Foi a jurada que se jogou nos meus braços assim que nos trancaram aqui. – se ela usava o escárnio, o sarcasmo era a arma do louro.

– Não me joguei em seus braços! – ela se fez de ofendida. – Talvez só um pouco.

Ele bufou. – Um pouco?

– Pare de ser tão sarcástico! – ela exclamou, sentando-se na cadeira em frente à mesa. Malfoy sentou-se ao seu lado, e passou a mão em seus ombros.

– Olhe, por favor, nem me leve a mal... Mas nem com a Astoria eu sentia o que sinto com você. Não é amor... Nem sei o que é. Mas eu quero esse sentimento, seja ele qual for. Eu preciso dele.

– Eu sei... Eu também quero. Mas não é certo. E eu não sou a garota típica que quebra regras. Eu me prendo a elas. Eu o quero e sei que é errado. E isso é conflitante! Eu não consigo me decidir... Eu deveria parar de vir nesses "encontros" em que deveríamos julgar seu caso, mas não, estamos aqui discutindo nossos sentimentos! Parkinson já está desconfiando e...

– Parkinson é a morena? – ele perguntou e ela assentiu. – Mande-a ao Inferno. – e buscou novamente a boca de Hermione a qual ela recusou, afastando-se do homem ao seu lado.

– Não posso simplesmente fazer isso, Draco! – era tão bom para ele ouvir seu nome ser pronunciado pela voz dela, mesmo que ela estivesse com raiva. – Eu não quero mais isso, Draco! Já chega! Hoje é o nosso penúltimo dia e não temos ainda sua condenação ou absolvição!

– Vai me condenar, Hermione? – a voz dele – que para ela sempre pareceu suave – estava marcada pela dor. – Vamos lá! Adiante as coisas e me condene! Leve-me à prisão perpétua! Ou melhor, seja piedosa e leve-me à morte!

– Não quero condená-lo! Você sabe que eu acredito em você! Mas... – ele temia que ela dissesse isso. – não é certo... Não é certo eu sentir isso por alguém que certamente pode ser condenado!

– Por que diz isso? – perguntou ele, o medo aparecendo em sua voz. – Todos votam para que me condene?

– A maioria. – ela respondeu com o olhar triste nas feições machucadas de Draco. O medo assolava aqueles olhos tão azuis e tão cinzentos ao mesmo tempo. – Nós tínhamos apenas um voto contra. E esse voto pode mudar! E se mudar, você é condenado!

– Então... não há escapatórias. – ele disse olhando para a mesa. – Eu vou ser condenado por algo que não fiz.

– Eu vou impedir Draco. – prometeu ela. – Eu prometo que impedirei!

Lágrimas tímidas nasciam em seus orbes e Draco Malfoy sentiu-se culpado por ter feito aquilo. Aproximou-se dela e limpou as lágrimas que insistiam em querer cair. Ela sorriu – parecia mais uma careta do que um sorriso – e ele a confortou em seus braços. A conversa se encerrava aí. Não havia mais nada a ser dito e eles poderiam ficar em paz. Por pelo menos algumas horas fora daquela onda de assassinato e julgamentos. Eles poderiam ser apenas Hermione Granger e Draco Malfoy sem júri ou réu. Apenas eles. Apenas desfrutando do sentimento que não sabiam que tinham.

O tempo acabou e Hermione fora obrigada a ir embora. Seus olhos conectaram-se aos de Draco e naquela troca de olhares, seus sentimentos foram expostos e eles descobriram. Não poderiam mais ficar um sem o outro. Ela sorriu para ele e naquele sorriso ele teve todo o conforto que poderia querer. Ele retribuiu e ela pôde ver naquele sorriso toda segurança que teria.

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– Tem alguma coisa rolando entre você e o Malfoy? – aquela pergunta fez Hermione se sobressaltar e olhar para sua indagadora.

– Não. – respondeu. – Por que acha isso... Parkinson?

– Porque se olhavam tão estranho no julgamento. – ela respondeu, dando de ombros. – Achei que pudesse ter algo... suspeito.

– Está imaginando coisas. – Hermione disse antes de se retirar para o dormitório onde se jogaria em sua cama.

Parkinson sorriu. Sim, havia algo. Ela medira todas as reações de Hermione e teve a certeza do que já sabia: havia algo entre Granger e Malfoy. E sua vingança estava armada.

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O último dia de julgamento amanhecia e Hermione estava apreensiva e tensa. Aquele seria o ultimato. O último dia deles e ela logo teria que dizer o que constatou do réu. Claro que ela teria de inventar muita coisa, afinal, o que ela menos fez naquela sala foi conversar com o réu. Mas ela faria de tudo para indultar Draco.

Levantou-se de sua cama e Ginny já estava de pé penteando os longos cabelos ruivos. Hermione sempre admirou os cabelos de Ginny Weasley. Tão longos e tão belos. Deveria dar um belo trabalho cuidar daqueles cabelos. Perguntava-se o por quê de Ginny ter deixado os cabelos crescerem até os joelhos. Ela sempre lhe respondia que era apenas porque gostava da sensação dos cabelos balançando às suas costas e que adorava prendê-lo em rabo de cavalo ou em tranças. Deveria admitir que era realmente belo.

Pansy Parkinson era o contrário de Ginny Weasley. Seus cabelos negros eram tão curtos porque Pansy não gostava de precisar se preocupar com os cabelos caso acontecesse algo. Os cabelos de Pansy não deixavam de serem belos, mas não chegavam à beleza surreal dos cabelos ruivos de Ginny Weasley.

Penteou os próprios cabelos, fazendo o impossível para que ficassem baixos. Não conseguiu, como previra, então prendeu-os com um elástico em uma rabo de cavalo alto. Também gostava da sensação dos cabelos balançando às costas. Mesmo que seus cabelos não fossem tão grandes como os de Ginny, chegavam próximos.

As três mulheres saíram de seu dormitório para acompanharem seus parceiros de júri. Os homens já estavam prontos há tempos e odiavam a demora que elas causavam cuidando de seus cabelos. Pansy resmungou algo que pareceu "culpa da ruiva" e seguiu em direção à porta seguida dos outros. Ginny xingou Pansy baixinho de um ou dois nomes que a morena não ouviu.

Caminharam até a sala de julgamento e assentaram-se em seus lugares de costume. O lugar já estava cheio de repórteres e de curiosos. Finalmente iriam saber o final do caso que mobilizou toda Inglaterra.

As portas se abriram e, como de costume, os guardas deixaram Draco Malfoy sentado em sua cadeira de frente para os jurados. Alguns dos curiosos que estavam sentados vaiaram Draco e o mesmo apenas se dignou a abaixar a cabeça. Hermione sentiu pena do louro e sorriu triste. Aquilo iria acabar. E quando acabasse, ela e Draco fugiriam para um país onde aquele caso não foi conhecido. América do Sul, talvez.

O juiz entrou e assentou-se em sua cadeira. Todo o murmurinho cessou quando ele assentou-se e disse:

– Iniciamos hoje o último dia do julgamento de Draco Malfoy. – o juiz olhou para o louro que o ouvia atentamente. – Hoje iremos ouvir os jurados e a Srta. Granger irá ficar apenas meia hora com o réu para logo vir com o veredicto.

Os jurados começaram a falar. Diziam tudo que passou por suas cabeças antes de serem chamados e tudo que passou depois que eram os jurados do caso mais famoso de Londres. Pansy Parkinson disse o que achava sobre a condenação de Draco Malfoy – "Perda de tempo." – e Ginny Weasley disse o contrário. Passaram-se boas horas com eles falando até que o juiz os dispensou para a sala secreta. Hermione ia sair com eles quando foi barrada e disseram a ela que deveria ir com Draco Malfoy e escrever seu veredicto ali.

Foram juntos à sala onde se encontravam e lá discutiram tudo que seria feito. Contavam com o voto de Parkinson para a absolvição mesmo que Draco não soubesse que seria ela que o absolveria. Eles tinham apenas meia hora e a usaram para planejar tudo. O sino tocou e os dois voltaram à sala de julgamento. Draco assentou-se em sua cadeira e Hermione na sua. Sorriram cúmplices um para o outro.

O juiz pegou os votos e seus olhos azuis perscrutaram todos os pequenos papéis. Crispou a boca e disse:

– Eu tenho em mãos o veredicto de nossos jurados. Quero apenas dizer algumas palavras. – ele olhou para Hermione e Draco deliberadamente e Hermione notou que ele já sabia o que acontecia naquela sala. E corou violentamente. – Justiça é apenas uma palavra. Nós fazemos ela valer com atos. Com os nossos atos. Só há uma coisa mais justa do que a justiça. O perdão. Aquele capaz de perdoar sempre terá a justiça ao seu lado. Peço para que os jurados e o réu levantem-se e venham à frente.

Os jurados e Draco obedeceram e ficaram de pé em frente ao juiz. Draco ficou ao lado de Hermione propositalmente e sua mão roçava à dela. Hermione estava ansiosa e olhava insistentemente ora para o envelope em mãos do juiz ora para Draco que sorria para ela, tentando encorajá-la e encorajar-se de que tudo ficaria bem. Hermione sorriu de volta e suspirou.

A voz do juiz deu o ultimato àquele romance.

– Culpado. – e o barulho do martelo chocando com a madeira foi a última coisa que Hermione ouviu.

Os jurados comemoravam enquanto Hermione e Draco ficavam parados aonde estavam. Olharam um para o outro em silêncio e Draco tentou consolá-la em vão pois sabia que a partir daquele momento tudo estava perdido. Eles não ficariam mais juntos. Albus Dumbledore olhou-os com pena e sorriu triste. Lágrimas tímidas brotavam nos olhos de Hermione Granger e, sem se importar com os presentes, jogou-se aos braços fortes de Draco Malfoy que a amparou. Escondeu o rosto no peito de Draco e chorou. Draco a consolava mas não conseguia acreditar em suas próprias palavras. Os jurados pararam de comemorar e passaram a observar a cena. Ginny parou de sorrir e se aproximou do casal para consolá-los. Harry se aproximou e ajudou a Ginny. O mesmo fez Ronald e o quarteto estava feito. Hermione continuava a chorar e quando os guardas apareceram para levar Draco ela chorou ainda mais, agarrada à blusa de Harry Potter.

– Draco...! – sussurrou sem forças para gritar.

– Adeus... Hermione. – ele sussurrou de volta se afastando cada vez mais.

– Eu... – mas era tarde. Draco Malfoy já estava longe e agora seria impossível ficarem juntos. De repente, os planos que fizeram sumiram da mente de Hermione. Ela continuou a olhar insistentemente para a porta como se esperasse que Draco voltasse correndo por ela e para ela. Mas ela sabia que aquilo não iria acontecer. E tudo que ela lembraria dele era a risada fria e sarcástica que tanto amava.

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Anos se passaram desde a prisão de Draco. Hermione o visitou várias vezes e a cada vez que o visitava ele parecia mais pálido e doente. Os médicos da prisão disseram que ele não aguentaria muito ali e Hermione parou de visitá-lo quando percebeu que ele iria morrer. Draco – em sua última visita – disse aquilo que Hermione sempre quis ouvir em todos os cinco anos que passaram-se.

– Eu amo você. – e aquelas três simples palavras significaram o mundo para a morena. Ela alegremente disse que o amava também e o último beijo fora dado.

Já havia passado dois meses desde que Draco Malfoy morrera na prisão. Os amigos dela e dele iam visitá-la todos os dias e ela se sentiu mais reconfortada ao lado deles. Até o dia em que recebera aquele telegrama.

"Olá querida Hermione,

Você provavelmente não me conhece, mas esperei até este dia para mandar essa carta. Meu nome é Daphne. Daphne Zabini. Sim, você conhece meu marido. Eu apenas queria lhe agradecer. Você salvou minha vida condenando aquele idiota do Draco. Ah, não foi você, foi a Pansy. Ela me disse que o condenou apenas por vingança a você. Ela sabia que ele era inocente e sabia quem era o culpado. Não imagina o quanto estou rindo aqui. Quero apenas que saiba que esse telegrama não sairá de sua casa para as mãos de ninguém. Ele irá queimar depois de dez minutos que foi aberto. Não lhe direi como fiz isso. Eu matei Astoria. Sim, eu matei a minha irmã porque ela estava tendo um caso com meu marido! Eu não suporto traição e matei o elo mais fraco. Blaise nem sonha com isso e ele não acreditará em você.

Até mais querida. Meus pêsames pela morte do Draco.

Daphne Zabini."

Aquilo tirou o chão de Hermione. Enfim descobrira quem matou Astoria e o porquê de Draco ter sido condenado no lugar de alguém. Lágrimas vieram aos seus olhos e Hermione chorou. Julgamentos não faziam bem a ela. E ela preferia não ter sabido que matou Astoria Malfoy. Porque ela havia se acostumado com a morte de Draco e reviver o momento em que tudo começou – a morte de Astoria – apenas revirava lembranças que não deveriam ser lembradas.

E ali Hermione ficou. Os seus amigos tentavam tirá-la de casa mas ela não saía. Todos tentaram e fracassaram. Hermione Granger ficara ali no chão frio e insosso. E por um instante, ela viu a imagem de Draco Malfoy sorrindo para ela. Rindo a mesma risada fria e sarcástica que ela tanto amava. E aquilo renovou os ânimos de Hermione. Se estivesse louca, pois bem, não haveria problemas. Poderia seguir sua vida, se a imagem de Draco aparecesse sempre que ela precisasse.

Fim.


Não perguntem como isso começou; eu não sei. o_o'
Obrigada por lerem! Quero review pessoal! Nem que seja pra dizer que poluo o site com fictions assim! Principalmente suas, Mary.
Ouvi a música 'Violet Hill - Cold Play' umas dez vezes escrevendo. xD

Baby;