O Jardim das Rosas
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Isadora é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 12:
Me faz falta mais do que nunca essa noite,
(Mi manchi più Che mai stasera,)
.I.
Todas as garotas já estavam reunidas no templo de Câncer, enquanto uma legião de cavaleiro estava do lado de fora, depois de serem 'gentilmente' expulsos de lá de dentro.
-Então, qual a ocorrência? –Yuuri perguntou, enquanto abria um saquinho de pipocas para comer.
-Aconteceu uma coisa; Milo comentou, andando de um lado para o outro, com a mão no queixo. –Até o papagaio ta sabotando ele, a gente precisa fazer alguma coisa;
-Tem certeza Milo? –Aishi perguntou.
-Ele mesmo falou; o cavaleiro respondeu.
-Acho que vamos ter que tomar uma atitude drástica; Shina falou, sentando-a ao lado de Yuuri, mas mal o fez a amazona afastou rapidamente o saquinho de pipocas dela e lançou-lhe um olhar envenenado.
-Isso é de dar medo; Celina murmurou para Litus, que assentiu silenciosamente.
-Mas como podemos interferir, sem que eles percebam? –Marin perguntou.
-Quem sabe se fizéssemos algo, em um lugar que fosse difícil de sermos vistas; Litus sugeriu.
-Onde? –Yuuri perguntou.
-No parque; Milo falou de repente.
-O que? –todas perguntaram ao mesmo tempo.
-Isso, vocês viram o parque de diversões que chegou a cidade, bem... É o único lugar onde passaríamos despercebidos; ele esclareceu.
-É, tem lógica; Shina falou, concordando.
-E também, não tem nenhum papagaio intrometido; o Escorpião completou lembrando-se desse detalhe.
-Mas precisamos de um jeito de levá-los até lá; Celina se manifestou.
-Eu tenho uma idéia; Aishi falou voltando-se para a ariana que engoliu em seco.
-o-o-o-o-
-Vocês estão ouvindo alguma coisa? –Kamus perguntou para os dois que estavam do seu lado.
-Não... Droga viu; Aiolia resmungou, enquanto colocava o fundo de um copo colado ao ouvido e a outra extremidade a porta, tentando com isso ouvir alguma coisa falada lá dentro.
-Droga digo eu, fui expulso do meu templo; Guilherme reclamou, lembrando-se que mal falara que não iria sair, Yuuri já o estava expulsando de lá.
-Hei, vocês não são os únicos não; Saga reclamou, enquanto ele e Shura tentavam escalar as paredes do templo para chegar a janela mais próxima. –Cuidado Shura; ele falou, enquanto tentava-se equilibrar nos ombros do outro.
-Toma cuidado ai viu; o capricorniano ralhou, tentando manter o equilíbrio para não caírem os dois, o pior era o peso do geminiano em suas costas.
-To vendo alguma coisa; ele falou, chamando a atenção dos demais.
-O que é? –os demais perguntaram agrupando-se em baixo da janela.
-Ah não; Saga falou desesperado ao perder o equilíbrio.
No momento seguinte um jato muito forte de água atravessou a janela jogando o geminiano no chão, levando os demais consigo, sem contar que a frente do templo quase ficou alagada.
-Que idéia é essa? –Kamus reclamou.
-Assim vocês aprendem a parar de bisbilhotar; Yuuri falou aparecendo na janela com Aishi e Marin.
-Nós conversamos em casa; Aishi falou voltando-se para o aquariano que encolheu-se.
-Isso serve para você também, Aiolia; Marin completou, com os orbes serrados para o noivo.
-Ferrou; os dois murmuraram, enquanto elas desapareciam da janela, voltando para dentro do templo.
.II.
Olhou atentamente para a tela a sua frente, deu um baixo suspiro, enquanto dava mais algumas pinceladas. Faltava pouco agora, mais uma semana e ele estaria finalizado; Isadora pensou, pegando a foto de amostra nas mãos.
-Vale das Flores; Isadora murmurou com ar pensativo.
Enquanto o Vale das Flores era repleto de rosas vermelhas, o Jardim das Rosas eram de azuis; ela pensou, pousando a mão instintivamente sobre o ombro onde havia a tatuagem das rosas.
Nunca pensou que justamente seu pai fosse fazer algo do tipo, alias, ele nunca lhe contara nada sobre isso. Se bem que, eles nunca tiveram muito tempo para conversar desde que à mãe morrera.
Aquele ano seguinte fora muito difícil, ele passava o tempo todo cuidado dos negócios da família para não se afogar em sua própria dor, enquanto permanecia com Marie, sua única companhia naquela casa enorme.
Depois chegou Heloisa, sempre duvidou que o pai gostasse dela, alias, nunca admitiu que ele houvesse esquecido sua mãe com tamanha facilidade.
Muitas coisas mudaram naquele dia que viu a madrasta com um homem em casa, seu pai havia feito uma viajem rápida até a casa do avô e por isso ficara sob os cuidados de Marie, mas a madrasta não fora junto, já que o avô fora veemente ao proibir a estadia daquela mulher em suas propriedades.
Quando estava andando pela casa, brincando de esconde-esconde com a babá, entrou em um dos quartos, mas não pensou que fosse ver uma cena, que certamente era censurada para a época.
Tentou contar ao pai que havia alguma coisa errada com aquela mulher, que ela não o amava e que ainda era tão sórdida a ponto de esperá-lo sair para encontrar-se com o amante, mas... Os adultos têm o péssimo habito de ignorar a palavra de uma criança e depois só ouvi-la, quando já fosse tarde.
E foi o que aconteceu, mal completou cinco anos comunicou ao pai que desejava ir ao santuário para treinar e ser amazona, mas a madrasta replicara dizendo que uma 'nobre' como ela não deveria pensar em coisas assim e quis proibi-la de ir.
Naquela mesma noite arrumou suas coisas e apenas ligou para o avô materno comunicando que iria independente do pai aceitar ou não. Já que ele dizia 'amem' para tudo que Heloisa dizia, ela não iria se sujeitar a isso.
Depois ficou sabendo que o pai quase ficara louco quando acordou na manhã seguinte e não a encontrou. A madrasta pouco se importou, mas ele deixou a Áustria indo para o santuário, o único lugar que ele tinha esperança de encontrá-la.
Eliot pediu que voltasse, prometendo que seria diferente e que jamais ouviria a madrasta novamente, antes da filha, mas foi irredutível. Disse que não voltaria e o mandou embora, dizendo que só voltasse no dia que ela não estivesse mais querendo tomar o lugar de sua mãe e ele, continuasse sendo um idiota que era traído em sua própria cama, por alguém que não valia nada e ele insistia em respeitar como uma 'dama'.
Palavras duras vindas de uma criança, mas como sua mãe dizia. Sempre fora muito precoce e isso lhe ajudou a sobreviver entre os chacais, porque viver no santuário, não era um mar de rosas principalmente na época que chegara, quando fazia pouco tempo que Ares assumira o lugar de Grande Mestre e os piores vermes haviam resolvido sair debaixo da terra para servi-lo.
Alongou os braços para cima, sentindo as costas estalarem, agora não era hora para ficar pensando nesse tipo de coisa, já havia passado mesmo; ela pensou, suspirando.
Ouviu o telefone tocar na sala, droga, havia esquecido de pegar o aparelho sem fio e levar para o ateliê. Cristina já fora embora a um bom tempo, então, teria que ir atender.
-Alô;
-Isa; Milo falou do outro lado, quase num sussurro.
-Milo, ta acontecendo alguma coisa? –ela perguntou preocupada.
-Preciso de ajuda;
-O que aconteceu? –Isadora perguntou, aflita.
-Aconteceu uma coisa, preciso que venha me encontrar aqui; ele falou com a voz fraca, quase rouca.
-Aqui aonde?
-No parque;
-Que parque Milo? –ela perguntou ficando preocupada.
-Eu sai com os caras, fomos ao parque de diversões aqui da cidade, mas aconteceu uma coisa e eu preciso que você venha aqui; o Escorpião pediu em tom desesperado.
-O que você aprontou hein? –Isadora perguntou.
-Isa, por favor, não piora mais a situação; ele falou fazendo-se de amuado.
-Ta certo, aonde você esta? –ela perguntou, temendo até imaginar em que situação ele estava para ligar para si.
-Estou na casa dos espelhos; Milo avisou.
-O que ta fazendo ai, hien? –Isadora perguntou desconfiada.
-Isa; ele falou em tom de aviso.
-Ta certo, daqui a pouco eu chego ai; ela falou quase rindo ao imaginar em que problema ele fora se meter na casa dos espelhos.
-Eu te espero;
-Ate; ela respondeu desligando.
Deu um baixo suspiro, subindo as escadas para o quarto, era melhor trocar de roupa antes de sair e tirar aquela tinta do corpo. Milo poderia esperar mais um pouquinho, pior do que estava não iria ficar.
-o-o-o-o-
Olhou atentamente para a rosa azul na cúpula cristalizada, ainda estava desconfiado quanto ao chamado repentino do Escorpião até ali, sendo que o mesmo desaparecera rapidamente, pedindo que esperasse.
A cada vez que se aproximava do vidro a luz azulada que envolvia a rosa se intensificava. Era estranho, mas aquela rosa não se parecia com às que vira no Jardim das Rosas, era diferente. Será que fora Isadora que a fez? –ele se perguntou, intrigado.
-Desculpe a demora Afrodite; Milo falou entrando na sala.
-Milo, quem lhe deu essa rosa? –ele perguntou, voltando-se para o cavaleiro.
Estancou por um momento, não pensou que ele fosse reparar nela de novo; o cavaleiro pensou recriminando-se por não ter levado a cúpula de volta para o quarto.
-Isadora, por quê? –ele perguntou impassível.
-Curiosidade, só isso; Afrodite respondeu, fitando uma ultima vez a rosa, era melhor não buscar por respostas das quais ainda não fosse a hora certa para tê-las. –Mas o que queria comigo?
-Bem...; Milo começou quando a porta do templo abriu-se bruscamente.
-MILO!
-Celina? –os dois falaram surpresos, pelo menos Afrodite estava verdadeiramente surpreso com a entrada repentina dela ali.
-O que foi? –o Escorpião perguntou, fazendo-se de preocupado.
-É com a Isa; ela continuou, como se estivesse aflita.
-O que aconteceu com ela? –Afrodite perguntou preocupado.
-Ela falou com a mamãe, disse que não conseguia falar com você; a amazona continuou voltando-se para o Escorpião.
-Uhn! É que acabou a bateria do celular e eu só troquei agora; ele falou da maneira mais inocente que encontrou, enquanto tirava o aparelho do bolso. –Mas o que foi?
-Parece que ela ta com um problema e precisa que você a encontre lá no parque; Celina explicou.
-Que parque? –Milo perguntou, fazendo-se de desentendido.
-Naquele de diversões, não entendi direito, mas parece que ela esta lhe esperando na casa dos espelhos. Agora o que aconteceu não sei, mas ela tava muito nervosa; Celina completou tão veemente que poderia convencer a si mesma de que aquilo era realmente verdade.
Mal abriu a boca para falar alguma coisa uma rajada de vento invadiu o templo e no minuto seguinte só estava ele e Celina ali.
-Nossa; ela murmurou espantada quando o pisciano passou por ela, sem que ela ao menos conseguisse vê-lo.
-Deu certo; Milo falou com um sorriso matreiro.
-...; ela assentiu. –Vou avisar as outras;
-Ta certo, já vou descendo, encontro com vocês no primeiro templo; ele avisou, antes da garota desaparecer.
.III.
Aquele era o único parque na cidade e final de semana, mal conseguia andar entre as pessoas; ela pensou, olhando para todos os lados vendo se encontrava algum conhecido.
Comprou a entrada e no empurra-empurra para passar por uma catraca, conseguiu finalmente entrar. Olhou para todos os lados procurando a casa dos espelhos.
Era melhor nem tentar imaginar o que o Escorpião fora fazer lá dentro; Isadora pensou enquanto caminhava pelo parque. O lugar era bastante grande e pela quantidade de pessoas, tinha de ser mesmo.
Nunca vira tanta gente reunida num lugar só daquele jeito, que não fosse num estádio de futebol para ver um clássico do tipo, Corinthians e São Paulo.
Caminhou mais um pouco parando entre o 'Kamikaze' e o 'Navio Pirata', provavelmente deveria estar perto; ela pensou, encontrando próximo a um dos guichês de ingressos, um senhor já de idade com um colete identificando-o como sendo um segurança.
-Com licença; Isadora chamou, aproximando-se.
-Pois não, senhorita; o segurança falou.
-Estou procurando a casa dos espelhos? Pode me dizer aonde fica? –ela perguntou.
-Pode seguir reto, passando pela 'Casa Mal Assombrada' e depois, vire a esquerda no quiosque de tiro ao alvo, ai você vai estar de frente para a casa dos espelhos; ele explicou, indicando com a mão, o caminho.
-Ta certo, obrigada; Isadora agradeceu com um sorriso gentil, enquanto se afastava.
-o-o-o-o-
Droga! Era gente demais, céus, como conseguiam ficar naquele lugar que mais parecia um formigueiro; Afrodite pensou irritado, enquanto saia do guichê que vendia os ingressos para entrar no parque, enfrentando um empurra-empurra para passar pela catraca.
Sabia que devia ter esperado Celina terminar de falar, assim pediria que ela lhe transportasse para dentro do parque sem passar por aquilo, mas não, sairá correndo quando ela falara que Isadora estava com problemas, que ignorara qualquer um que esteve em seu caminho, enquanto deixava o santuário.
Suspirou aliviado por conseguir sair daquela multidão e entrar no parque, agora vinha a pior parte, encontrar a casa dos espelhos.
Andou apressadamente pelo lugar, procurando por um segurança que pudesse informá-lo de onde poderia encontrar o que procurava, mas estancou ao ouvir uma voz conhecida.
-Ta certo, obrigada;
Virou-se na mesma hora, vendo uma farta cabeleira de fios esverdeados desaparecer na multidão. Não era possível; ele pensou correndo até o segurança.
-Com licença;
-Sim;
-Aquela jovem...; Afrodite começou, sem saber o que falar, ainda mais diante do olhar curioso do segurança. –Quero dizer, para onde ela esta indo?
-Olha rapaz...;
-Por favor, é importante; ele falou quase num tom suplicante.
-Casa dos espelhos; o segurança respondeu, achando estranho o interesse dele.
-Pode me dizer o caminho? –Afrodite perguntou, tinha de ser ela; o cavaleiro pensou.
-...; ele assentiu.
.IV.
-Deu certo; Aishi falou caminhando com Marin, Yuuri e Shina mais a frente.
Haviam se reunido em Áries e decidido que iriam as quatro, mas do nada, sabe-se lá de onde apareceram, Kamus, Aiolia, Guilherme e Shura, convidando-as para ir ao parque, com uma expressão angelical e inocente, bem atípica dos quatro.
Como iam para lá de qualquer jeito, não havia outra forma de continuarem com o plano traçado pelo Escorpião, sem leva-los junto.
-É, agora precisamos garantir que continue assim; a amazona de Cobra falou. –Sem que um daqueles ali, faça alguma coisa, mesmo que por acidente; ela completou, lançando um olhar de soslaio por cima do ombro.
-Não se preocupem que do Gui eu cuido; Yuuri falou com um sorrisinho timicamente canceriano.
As garotas trocaram um olhar compreensivo. É, tinham mais sete meses pela frente; o pensamento foi unânime.
Pouco atrás os cavaleiros cochichavam entre si, sendo novamente deixados de fora da conversa, como uma leve 'reprimenda' por ficarem ouvindo atrás da porta.
-O que elas estão tramando? –Kamus perguntou, curioso.
-Não sei, mas quando eu pegar aquele Escorpião; o canceriano falou, fazendo um sinal com as mãos, como se elas estivessem em volta do pescoço do artrópode. –Por culpa dele fui expulso do meu próprio templo; ele reclamou ainda inconformado.
-Você não foi o único, o pior é a Marin que quando quer, ela consegue gelar mais que o Kamus; o leonino reclamou.
-Hei! –o cavaleiro falou indignado.
-É você tem que concordar; Shura falou com ar compadecido.
-Você fala isso porque não é você que vai ter de dormir na sala; Mascara da Morte ralhou.
-Como? –os outros perguntaram.
-Amorrrrrrrrrrrr; Yuuri chamou, parando de andar um pouco.
-Sim; ele falou prontamente, empurrando os outros para o lado, para que pudesse passar e se aproximar dela.
-To com vontade de comer algodão doce, compra pra mim? –ela pediu com um olhar pidão.
-Tudo que você quiser; o cavaleiro falou, roubando-lhe um beijo antes de se afastar.
-Ah não esqueça que é dos bem grandes e também, traz um saco de pipoca doce e um cachorro quente; Yuuri continuou, enquanto ele se afastava.
-Mais sete meses; os cavaleiros murmuraram, vendo a cena a distancia, mas pararam ao ver as outras garotas lhes observando com atenção.
-Ma petit; Kamus começou docemente se aproximando. –Se quiser algo, eu compro pra você; ele falou.
-Uhn! Pode ser um espetinho de morango com chocolate; ela falou casualmente.
-Mas é do outro lado do parque; Kamus falou ao se dar conta de que teria de atravessar uma multidão de pessoas para chegar ao que ela queria.
-Ah, traz um pra mim também; Shina aproveitou a deixa.
-Deixa que eu vou; Shura adiantou-se, prontamente.
-Já que vocês vão, traz uma maçã do amor, pra mim; Marin pediu, voltando-se para o espanhol.
-Deixa, eu vou; Aiolia falou veemente.
-Bem... Se você não quiser, não tem problema; Aishi falou fitando o aquariano com os olhos brilhantes.
Suspirou pesadamente, ela sempre conseguia o que queria; ele concluiu.
-De maneira alguma, nós vamos lá, daqui a pouco estamos de volta; Kamus falou prontamente, arrastando Aiolia e Shura consigo, sem que eles ao menos pudessem falar alguma coisa.
-Isso sempre funciona; Aishi falou com um largo sorriso, para as garotas que assentiram.
-o-o-o-o-
-Finalmente; Isadora murmurou aliviada por encontrar a casa dos espelhos.
Subiu alguns degraus entrando na mesma, mas para sua surpresa aquilo era mais um labirinto de espelhos do que uma sala com vários tipos de espelhos, como as que conhecia.
-Milo! –Isadora chamou, procurando pelo Escorpião.
Não houve resposta alguma. É, teria que procura-lo mesmo; ela pensou, seguindo por um corredor cheio de espelhos, mostrando varias perspectivas de sua forma. Quase riu ao ver-se muito mais magra em um e baixinha em outro. Sem falar de um que aparecia com um cabeção, semelhante ao dos ETS do filme 'Marte Ataca'.
Aonde será que aquele artrópode estava? –ela se perguntou, vendo-se em meio a uma encruzilhada, aquelas coisas eram piores que labirintos e o lugar não era pequeno, vai saber aonde chegaria se pegasse o caminho errado. Alem de não encontra-lo, levaria horas para sair de lá. Isso é claro, se não saísse quebrando os espelhos, para cortar caminho.
Deu um passo à frente para pegar o caminho da esquerda, quando uma mão forte fechou-se sobre seu braço, puxando-a para trás.
-Mas o qu-...; Isadora falou virando-se para trás, mas quase deu um pulo ao deparar-se com o pisciano ali. –Filipe?
-O que esta fazendo aqui? –os dois perguntaram ao mesmo tempo.
Pararam por um momento, com um olhar confuso. Estranho, aquilo não parecia coincidência; os dois pensaram.
-O Milo me ligou, dizendo que veio com alguns cavaleiros para cá, mas que estava com um problema e pediu que eu viesse; ela falou, pensando até na possibilidade de Afrodite fazer parte do grupo. –Também esta procurando por ele?
-Não, estava te procurando; Afrodite respondeu com ar sério, começando a entender o que o Escorpião estava tramando. –Celina disse que você estava com problemas e-...; ele parou concluindo que fora tudo uma armação. –Isso é coisa do Milo;
-Você não esta querendo dizer que ele armou tudo isso, está? –Isadora perguntou, mas surpresa com a própria conclusão, por que ele iria fazer aquilo? Se bem que, a resposta veio logo, só de olhar para o cavaleiro a sua frente.
-Você tem duvidas? –Filipe falou veemente.
Balançou a cabeça levemente para os lados, iria esfolar aquele artrópode depois por lhe fazer ficar preocupada a toa; ela pensou, dando as costas ao pisciano.
-Aonde vai? –Afrodite perguntou a seguindo.
-Vou esforçar aquele artrópode por mentir pra mim; Isadora respondeu seguindo pelo caminho da direita, em busca da saída.
Mas o que Milo pretendia com isso? –Afrodite se perguntou analisando as possibilidades, até parar de andar de repente.
-O que foi? –ela perguntou, voltando-se para ele.
Ali não tinha papagaio; ele pensou, deixando um meio sorriso formar-se em seus lábios, fazendo Isadora recuar alguns passos, aquilo nunca queria dizer boa coisa.
-Aqui não tem papagaio; ele falou com um sorriso sedutor, aproximando-se dela.
-Uhn? –Isadora murmurou confusa, até corar furiosamente ao entender do que ele estava falando. –Filip-...; tais palavras morreram em seus lábios, ao senti-lo toma-los com os seus num beijo sôfrego.
Encostou-a na parede de espelhos, enlaçando-a pela cintura, as respirações eram entrecortadas e a ansiedade aos poucos sobrepujava a razão, praticamente inexistente agora.
Deixou que uma das mãos corresse de forma possessiva pelas costas da jovem, sentindo-a estremecer em seus braços, enquanto seus lábios se tocavam, acariciando-se, buscando cada vez mais um pelo outro.
Mais as deusas do destino às vezes são tão sádicas. Vindo do bolso da jovem, um barulho irritante começou a soar por todo o local, propagando-se com mais intensidade pelas paredes vedadas.
-Meu celular; Isadora falou, afastando-se um pouco dele.
-Deixa tocar; Afrodite murmurou, roçando-lhe os lábios de maneira provocante.
-Pode ser importante; ela falou, sentindo o corpo entorpecido e uma onda de letargia a envolver.
-Se for liga depois; ele falou, mas antes que conseguisse pegar o celular dela, Isadora esquivou-se desvencilhando-se de seus braços para atender ao aparelho.
-Alô; ela falou com a voz rouca.
-Isadora? –Shaka perguntou, achando estranho o tom de voz dela.
-...; pigarreou levemente, fazendo a voz voltar ao normal, enquanto sua face ficava escarlate diante do olhar do pisciano. –Como vai?
-Bem, mas...; o virginiano ponderou. –Esta acontecendo alguma coisa? –ele perguntou.
Afastou-se um pouco, não conseguira conversar com ele com Afrodite ali, mas não havia outro jeito.
-Não, e ai? –ela perguntou, virando-se de lado, de forma que o pisciano não conseguisse saber quem estava falando.
-Sem muitas novidades, apenas uma coisa estranha que aconteceu; Shaka respondeu sério.
-Q-que coi-sas? –Isadora falou com a voz tremula, ao sentir-se ser enlaçada pela cintura enquanto os lábios quentes do cavaleiro corriam pela curva de seu pescoço.
-Você esta realmente bem? –o cavaleiro perguntou, franzindo o cenho.
-S-sim; ela respondeu, estremecendo levemente.
-Desligue; Afrodite sussurrou em seu ouvido.
-Mas o que dizia? –Isadora falou, tentando manter a voz firme. Aquilo era muita crueldade.
-Senti um cosmo diferente no ar, alias, dois; ele explicou.
-Sabe de quem eram? –ela perguntou, serrando os orbes quando os lábios do cavaleiro desceram ao ombro.
-Não, um deles não é hostil, mas é o outro que me preocupa; o cavaleiro explicou.
-Manda ligar depois; o pisciano insistiu, aspirando profundamente o perfume de rosas emanado pelas madeixas esverdeadas.
-Entendo; ela balbuciou num fraco sussurro, diante daquele martírio.
Isadora tentou se afastar, para manter o pouco de racionalidade que tinha, mas sentiu-o estreitar ainda mais os braços em torno de sua cintura.
-Mas liguei para saber como estão as coisas; ele continuou, sem saber o que acontecia do outro lado da linha.
-Tudo bem; ela respondeu com a voz tremula.
-Você não está sozinha, não é? –o virginiano perguntou.
-Veja bem...;
-Desligue; o pisciano falou beijando-lhe a curva do pescoço de maneira provocante.
-Ta certo, depois a gente conversa, tenho a impressão que você esta bastante ocupada, então, não vou atrapalhar mais; ele completou com um sorriso maroto.
-Não é iss-...;
-Até mais; Shaka a cortou, tendo uma leve idéia de quem era que estava com ela.
-Até; ela falou soltando a respiração.
Desligou o celular e antes que o guardasse no bolso o pisciano o pegou, desligando-o em seguida.
-Hei! O q-...; Isadora parou sentindo os lábios dele tocarem os seus com suavidade, apenas num leve roçar, deixando que suas respirações se confundissem.
-Sem interrupções; ele sussurrou, envolvendo-a em um beijo sedutor e intenso.
Assentiu com um meio sorriso entre os lábios. Sentia a mente girar e dar piruetas, enquanto enlaçava-o pelo pescoço. Era como se o tempo houvesse simplesmente parado.
Continua...
