"A Marca Escarlate parte II"
- Dudes, será que isso ainda vai demorar muito?- questionou Hurley, segurando forte na mão de Libby que acariciava o ventre grávido de seis meses. – È muito horrível ouvi-la gritando desse jeito.
- Eu não sei Hurley.- disse Claire. – Comigo não demorou tanto assim, doeu muito, mas foi rápido.
Aline se virou para Desmond, que estava quieto ao redor da fogueira, esperando pelo nascimento do filho de Jack assim como todos no acampamento.
- Des, eu fico tão angustiada com esse tipo de coisa. Será que poderíamos dar uma volta pela praia enquanto as notícias não chegam? Assim podemos continuar aquela nossa conversa...
Desmond olhou para ela e deu um pequeno sorriso, assentindo. Os dois então caminharam para a beira da praia. A cada grito que Kate dava dentro da casa, Dionna estremecia, por isso comentou com Amanda e Debbie:
- Eu não quero ter filhos nessa ilha, de jeito nenhum. Sexo pra nós aqui significa dor!
As duas não ousaram discordar dela, principalmente Amanda que tinha muito medo de engravidar e ter que passar por tudo aquilo que Kate estava passando.
Dentro do quarto, o parto já estava bem adiantado e Kate sentiu uma imensa felicidade, um sentimento indescritível ao ouvir Sun dizer que seu filho estava nascendo. Com um último e enorme esforço, ela conseguiu trazê-lo ao mundo. Seus olhos brilharam ao vislumbrar o bebê pequeno nas mãos de Juliet. Depois de muito sufoco, ela e Sun conseguiram colocá-lo na posição correta e Kate não precisou ser operada.
- È uma menina!- anunciou Juliet segurando a pequena.
Os olhos de Jack se encheram de lágrimas e ele beijou a mão de Kate, num gesto silencioso de agradecimento por tê-lo feito pai. Porém, estranhamente a criança não chorava nem se movia. Juliet e Sun trocaram olhares angustiados.
- O que houve?- questionou Jack.
- Por que ela não está chorando?- perguntou Kate, num fio de voz.
- Eu não...-começou a dizer Juliet quando de repente a menina emitiu um choro doído, se contorcendo nas mãos da médica, como se tivesse acabado de notar que não estava mais no ventre de sua mãe.
- Deus!- murmurou Jack, aliviado ao ver que a filha estava viva.
Encharcou suas mãos de álcool e cortou pessoalmente o cordão umbilical, tomando-a com carinho em seus braços. Sun estendeu uma manta a Kate que a pegou de Jack, embalando-a em seus braços, completamente fascinada pela filha.
- Oi Lilly.- sussurrou com os olhos cheios de lágrimas. – È a mamãe querida, a mamãe!- era um sentimento completamente novo para Kate, ser mãe. Queria ser uma mãe muito melhor do que Diane tinha sido para ela, jamais renegaria Lilly por nada, nem por ninguém.
Juliet finalizou o trabalho de parto, retirando a placenta. Em seguida deixou-os, recolhendo todos os lençóis sujos de sangue, com a placenta enrolada em um deles. Ao passar pelas pessoas lá fora, que esperavam ansiosas por notícias, nada disse, deixando-os todos frustrados. Limitou-se em ir até o tonel de água potável lavar-se do sangue que se impregnava em sua roupa. Sun saiu logo atrás dela, anunciando:
- Jack e Kate têm uma filha!
Os aplausos irromperam no acampamento, o nascimento da filha de seu líder era um acontecimento muito importante e todos estavam felizes. Em seu quarto, Jack e Kate admiravam extasiados a pequena Lilly Jackline Shephard, que depois de tantos problemas vividos no útero de sua mãe, agora se mostrava para eles, uma garotinha forte e saudável. Lilly era pequena comparada ao bebê James, pensou Jack, mas era muito graciosa.
- Nossa, ela tem tanto cabelo!- admirou-se Kate, acariciando os fios escuros do cabelo da nenê. – Com quem ela se parece?- indagou exibindo um belo sorriso, que inevitavelmente recordou à Jack a Kate que conhecera quando caíram na ilha, a mulher forte e decidida por quem se apaixonara.
- Eu não sei, é difícil dizer ainda.- falou Jack segurando a mãozinha da filha. – Só sei que ela é linda!
Kate beijou a cabecinha de Lilly, que fez uma careta e se mexeu incômoda no colo da mãe.
- Será que ela precisa mamar?- indagou Kate, sentindo a blusa encharcada de leite. Jack sorriu.
- Eu acho que sim.
- Eu ajudei a Claire e também a Ana quando tiveram seus bebês, mas agora não sei muito que fazer.
Lilly começou a chorar e espernear. Jack a segurou um pouco para que Kate pudesse levantar a camiseta.
- Você vai se sair bem, Kate.
Ela pegou a menina de volta dos braços de Jack e tentou aconchegá-la em seu seio.
- Se ela ao menos parasse de se mexer tanto...- comentou Kate, frustrada.
Lilly estava vermelha e chorava muito, Kate já estava ficando desesperada.
- Baby, segure-a assim!- Jack a ajudou e Kate guiou a boquinha da nenê para seu seio. A menina finalmente conseguiu mamar e se acalmou.
- Agora tudo vai ficar melhor Kate, eu sei disso.
- Eu te amo Jack!- ela murmurou e eles se beijaram, selando mais uma vez o amor que os unia, e com a chegada de Lilly se sentiam completos.
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- Deve ser bom se sentir aceita em um lugar onde todos têm motivos de sobra para te odiar!
Juliet ergueu os olhos azuis ao ouvir aquele familiar sotaque iraquiano carregado e deu um meio sorriso. Estava sentada no batente de madeira da entrada de sua pequena casa de juncos de bambu, depois de fazer o complicado parto de Kate se sentia exausta, porém sem sono.
- E suponho que você tenha seus motivos para me dizer isso com toda essa entonação!- ela falou, sem se deixar abalar, como era seu costume.
Sayid balançou a cabeça negativamente:
- Meus motivos são os de todos, com exceção de Jack, acredito. Ele parece não precisar de explicações com relação a sua presença em nossa comunidade. Mas o resto de nós, com certeza precisa. Já está aqui há cinco meses, e sinceramente não me convenço que veio só porque estava com vontade de mudar de ares.
- Eu vim porque tive que vir.- ela enfatizou. – Depois de conspirar contra os "meus" na tentativa de ajudar Jack e seus amigos a se salvar, matando inclusive um dos "nossos", você acha que ainda iriam me querer lá?
- Isso é o que você diz, como desculpa para que a aceitemos aqui. Não importa se fez o parto da Kate, tomou conta de alguma criança, caçou javalis, colheu frutas ou ajudou na construção de nossas casas, eu não confio em você.
- Eu nunca achei que confiasse, isso seria subestimar o "grande torturador".
- Se quer a minha confiança, porque não me conta algo sobre o seu pessoal, o propósito deles aqui, o seu propósito?
Ela deu uma pequena risada:
- Não estou interessada na sua confiança, ou na de qualquer outra pessoa nesse acampamento, o meu único propósito, se quer mesmo saber é ir embora dessa ilha, é só nisso que eu penso nas 24 horas do meu dia. E se por acaso eu decidisse te contar o que eu sei sobre o meu pessoal ou esse lugar, você provavelmente iria querer me ver morta.
- E em que você acha que eu fico pensando nas 24 horas do meu dia?
- Sayid!- chamou Shannon, à porta da barraca deles, com um semblante um pouco intrigado ao vê-lo conversando com Juliet.
- Eu já estou indo.- ele respondeu sem parar de encarar Juliet.
- Se é em mim que você pensa, acho que deveria gastar melhor suas 24 horas pensando em sua esposa. Boa noite, Sayid.
Ela se levantou do batente, deu as costas para ele e entrou em sua casa, puxando a lona que servia de porta.
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(Flashback)
- E então? Onde estamos?- indagou Juliet, descendo do carro e seguindo Karen Degroot para a entrada de um imenso prédio que parecia ser um hospital, no entanto, estranhamente não havia nenhum tipo de identificação na frente do prédio, apenas uma portaria.
Karen trocou algumas palavras com o porteiro e elas entraram. Juliet caminhava com a mão direita nos quadris, segurando as costas doloridas devido à gravidez avançada.
- Não respondeu a minha pergunta.- insistiu encarando os olhos extremamente azuis de Karen, que contrastavam com o ébano de seus cabelos lisos e longos.
- Mittelos Biociência!- ela respondeu calmamente.
O rosto de Juliet iluminou-se:
- Por que não me contou que viríamos até aqui? Você disse que ainda não era o momento...
- Pois o momento chegou antes do que esperávamos Dra. Burke. Por uma incrível coincidência, recebemos uma paciente que foi tratada por você há alguns meses atrás no Hospital Memorial de Miami.
Juliet franziu as sobrancelhas.
- Quem?
- Ana-Lucia Cortez. Esse nome te diz alguma coisa?
- Na verdade...- ela começou a dizer, mas interrompeu a si mesma ao ver Ethan Room, seu colega cirurgião do Hospital Memorial de Miami aparecer saindo de um elevador estreito.
- Ethan?
- Juliet?- ele saudou apertando a mão dela enquanto tirava uma máscara cirúrgica do rosto.
- E a paciente?- indagou Karen.
- Está ótima, pronta para ser examinada pela Dra. Burke.
- De que paciente estamos falando?
- Então você não se lembra Juliet?- questionou Ethan.
Juliet balançou a cabeça negativamente.
- Venha comigo.- pediu ele.
- Eu estarei em meu escritório.- avisou Karen.
Ethan entrou no elevador puxando Juliet delicadamente pela mão, subiram exatamente dois andares e deixaram o elevador. Foram parar em uma espécie de recepção cujo nome pintado na parede em letras garrafais dizia: "Clínica de Reabilitação da Polícia Federal".
- Que lugar é esse?- Juliet perguntou, confusa, estava cada vez mais intrigada.
- È uma clínica de reabilitação para policiais que tiveram seqüelas, transtornos mentais após serem feridos em serviço. Nossa paciente, a que você não se recorda, é uma policial de Los Angeles que nós atendemos no Hospital Memorial, levou quatro tiros durante uma batida a uma boate, estava grávida, pedi sua ajuda...
Naquele momento, Juliet recordou-se dela.
- Sim, ela era muito jovem, fiquei sentida por não poder ajudá-la. Mas o que ela está fazendo aqui? Pensei que depois que você deu alta a ela, retornara à Los Angeles.
- E retornou, só que não conseguiu se adaptar ao trabalho e tiveram que interná-la provisoriamente, por isso foi mandada para cá.
- Entendo. Mas o que a Mittelos Biociência tem a ver com isso? Porque não há dizeres do lado de fora do prédio? E por que aparentemente a Mittelos funciona no mesmo prédio que a Clínica de Reabilitação da Polícia?
- Acalme-se Juliet, são muitas perguntas de uma vez só, mas vou tentar respondê-las aos poucos. Por ora, gostaria que fizesse todo o tipo de exames na Srta. Cortez.
Eles adentraram o quarto onde Ana-Lucia dormia profundamente com uma agulha de soro injetada em seu braço.
- Que tipo de exames?- questionou ainda sem ter certeza do que estava acontecendo ali.
- Exames de fertilidade, precisamos saber se ainda há possibilidades da Srta. Cortez conceber.
- Exames de fertilidade? Isso não faz sentido Ethan, você operou esta mulher no Hospital Memorial, viu em que condições ficou o útero dela devido aos tiros, porque ainda tem dúvidas sobre a fertilidade dela?
- Apenas faça o que eu te pedi, aí poderei entrar em maiores detalhes.
- Ok.- ela assentiu. – Apenas me diga mais uma coisa, a Srta. Cortez está ciente do que farei com ela?
Ethan não se deu ao trabalho de responder.
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(Fim do Flashback)
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- Eu faço idéia do que possa ter acontecido com a Tina.- confessou Desmond a Aline, ambos sentados à beira da praia.
- Você faz? Não acha que ela morreu durante a explosão da escotilha?- ela contestou.
- Absolutamente não. Se minha teoria estiver certa, há possibilidade dela voltar ou não.
- Como assim?- indagou ela, sem entender.
- È complicado, não adianta eu te explicar!
Aline estava nervosa por se encontrar ao lado dele, falavam sobre o desaparecimento de Tina, mas não era sobre isso que a brasileira queria falar. Arriscou:
- Des, eu admiro muito você.
O escocês olhou nos olhos dela, e deu um sorriso:
- Não faço idéia do porquê irmã, eu não sou um cara que deva ser admirado. Já fiz muita besteira na minha vida.
- Acho que todo mundo já fez.- ela concluiu. – E a razão pela qual te admiro é que você já está há mais de três anos nessa ilha e ainda não perdeu a sanidade, seguiu em frente e não terminou como a Rosseau.
- Não tenha tanta certeza sobre a minha sanidade...
- Des!- ela o cortou. – Eu gosto de você, muito mesmo e quando você começou a ficar com a Tina eu quase perdi a razão, me senti traída por isso deixei de falar com ela.
Desmond alargou os olhos castanhos diante daquela revelação. Aline continuou:
- Não teve um só dia depois que conheci você em que não desejei estar nos seus braços...- ela falava com muita sinceridade e Desmond estava muito surpreso. Achava a brasileira muito bela e se sentira atraído por ela quando chegara ao acampamento, mas acabou terminando nos braços de Tina porque fora ela quem tomara a iniciativa.
Vendo que ele permanecia calado com aquela revelação, Aline sentiu-se insegura e começou a pensar que não havia sido uma boa idéia confessar seus sentimentos a ele.
- Mas agora isso não importa mais né?- disse, derrotada. – Você a ama a Tina e...
Aline não conseguiu terminar de falar porque Desmond cobriu os lábios dela com os seus, calando-a. A brasileira suspirou diante de tal gesto, os lábios de Desmond tinham sabor de expectativa e uísque e ela deixou-se envolver totalmente por ele.
- O que foi isso?- perguntou Aline, timidamente assim que pararam para recuperar o fôlego.
- Foi a minha resposta aos seus sentimentos, irmãzinha.- ele respondeu sorrindo, acariciando os lábios carnudos dela com os dedos.
- Não me chame de irmãzinha!- ela reclamou, sorrindo de volta. Tornou a beijá-lo.
Desmond sussurrou no ouvido dela:
- Vamos sair daqui!
Aline assentiu com a cabeça e os dois saíram de mãos dadas pela praia rumo à casa de Desmond, rindo muito. A Sra. Lewis que saíra de sua casa momentaneamente para ir até o coletor de água viu-os juntos e torceu o nariz:
- Definitivamente não existe moral nessa ilha, com ou sem o Jack!
- Seja bem-vinda ao meu humilde lar!- gracejou Desmond quando entraram na casa dele.
Aline sorriu e deu um rápido beijo nele antes de despir completamente o vestido longo que usava, ficando somente de calcinha na frente dele. Desmond pegou a garrafa de uísque que estava sobre uma mesinha de madeira e bebeu um grande gole enquanto a saboreava com os olhos. Por que não se aproximara dela antes? Aline era uma mulher muito bonita, morena de traços exóticos, longos cabelos negros e lisos, seios médios, cintura fina, quadris largos e coxas grossas. Bem diferente de qualquer mulher que ele já tivesse visto na Escócia. Tina era muito bonita também, mas sua beleza era do tipo frágil, pele acetinada, esguia, ao contrário dela, Aline lhe passava uma imagem de guerreira, de mulher obstinada.
Pousou a garrafa de uísque novamente sobre a mesinha e despiu a camisa. Abraçou Aline com delicadeza e beijou seus lábios, afastou seus cabelos e desceu para seu pescoço, roçando a barba espessa nele até chegar ao colo, onde beijou os seios enrijecidos.
Aline deu um pequeno gemido. Desmond a tomou nos braços e a carregou para sua cama de cobertores e palha. Despiu-a de sua última peça de roupa e em seguida despiu a si mesmo. Aline admirou o belo corpo dele, estava agitada e nervosa, esperava por aquele momento há muito tempo e chegou a pensar que jamais aconteceria.
Ele se deitou sobre ela, beijando-a, línguas que se entrelaçavam voluptuosas. Deram-se as mãos, enlaçando os dedos uns nos outros. Aline acomodou-o entre suas pernas e gemeu mais alto ao sentir que o encaixe estava próximo. Desmond mordiscou o pescoço dela e sugou seus seios enquanto a possuía lentamente.
Aline arfou e sorriu ao senti-lo dentro dela. Voltou a beijá-lo cheia de paixão e murmurou:
- Des, como eu te amo, como eu te amo...
Amaram-se por toda a noite, finalmente os desejos mais secretos e fervorosos de Aline tinham se realizado.
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Kate acordou de repente, com um estalo de natureza desconhecida em seu ouvido. A cabeça rodava e o corpo inteiro doía. Confusa, tentou se situar até que as lembranças do parto difícil na noite anterior vieram à sua mente, mas apesar disso sentiu-se imensamente feliz porque lembrou de sua garotinha. Sorriu, querendo acalentá-la em seus braços quando se deu conta de que estava sozinha no quarto e a pequena não estava lá.
Sentou-se na cama com dificuldade e esfregou os olhos. Alguns raios de sol penetravam no quarto através das fendas formadas pelas junções dos troncos de bambu da casa.
- Jack?- chamou.
Olhou pelo quarto inteiro, Lilly não estava lá. O bercinho que Locke construíra para ela, assim como o fizera para Claire, estava vazio. Kate sentiu um aperto no peito e se escorou na parede de bambus tentando se levantar mesmo com o corpo dolorido. De repente, ouviu um choro inconfundível de bebê recém-nascido do lado de fora da casa e seu coração disparou. Com muito esforço caminhou para fora, vestindo somente uma das camisas de Jack. Chegou até a varanda e seu rosto assumiu uma expressão muito zangada ao ver Juliet embalando sua filha nos braços.
- Mas o que você está fazendo?- bradou Kate, irritada.
Lilly começou a chorar mais alto, inconscientemente sentindo a presença de sua mãe.
- Kate, o que está fazendo de pé? Deveria estar deitada.- disse Juliet, tentando acalmar Lilly sem sucesso.
- Por que está com a minha filha?- Kate perguntou outra vez, ignorando a aparente preocupação de Juliet com o estado de saúde dela.
- Eu vim ver como você estava, e a nenê estava chorando no berço, eu resolvi tomar conta dela um pouco para que você pudesse descansar, o parto foi muito difícil...
- Me dá a minha filha agora!- gritou Kate, estendendo os braços para que Juliet lhe entregasse o bebê.
- Kate...- começou a dizer Juliet quando uma voz masculina interrompeu a discussão das duas.
- O que está acontecendo?
Ao ver Jack se aproximando, Juliet apressou-se em entregar a menina para Kate. Ele franziu as sobrancelhas ao perceber a tensão crescente no ar. Lilly chorava muito e Kate estava com o rosto corado de raiva.
- Não estava acontecendo nada, Jack.- Juliet explicou. – Eu apenas vim olhar a Kate e peguei a Lilly um pouco para que ela pudesse descansar mais.
E dizendo isso, Juliet se afastou da casa deles. Kate deu um olhar enraivecido a Jack e entrou na casa, embalando Lilly.
- Calma filhinha, agora você está com a mamãe.- ela dizia doce para a criança.
Jack a seguiu para dentro do quarto, suas mãos ocupadas com uma bandeja improvisada que continha o café da manhã de Kate.
- O que você tem Kate?- perguntou.
Ela sentou-se na cama e abriu devagar os botões da blusa, expondo seu seio para amamentar a filha. A menina procurou pelo seio dela desajeitadamente, fazendo Kate sorrir.
- Está aqui bebê!- disse ela, guiando a pequena para o lugar certo, até que a menina começou a sugar direitinho. – Onde você estava?- perguntou ela a Jack em voz baixa para não perturbar Lilly, mas o tom ainda soou zangado.
- Acordei cedo, dei uma caminhada pela comunidade para ver se estavam todos bem e fui até a despensa preparar um café da manhã pra você...- ele explicou-se. – Não entendo porque está tão zangada comigo.
Kate deu um suspiro: - Me desculpe, eu não estou zangada com você, são esses malditos hormônios, desde que fiquei grávida não sou a mesma pessoa e agora me sinto insegura com o nascimento da Lilly. Fico pensando se serei uma boa mãe pra ela.
- Está se saindo bem.- falou Jack, sorrindo enquanto observava a filha mamar. Kate acabou sorrindo também, e ele sentou-se ao lado dela.
Ficaram em silêncio por alguns momentos admirando Lilly, até que Kate falou:
- Jack, eu simplesmente não posso confiar naquela mulher, não tem jeito! Não a quero com a nossa filha!
- Kate, você deveria tentar ser mais agradável com ela, está há alguns meses na nossa comunidade, cuidou de você durante toda a gravidez, fez o parto...
- Com a ajuda de Sun.- lembrou ela.
- Sim, mas a Juliet foi de fundamental importância para o nascimento da nossa filha, então eu insisto que você deveria tentar confiar nela!
Kate resolveu não discutir mais, imaginando que não ia adiantar, Jack parecia confiar cegamente em Juliet e isso era um problema, por isso tomou uma decisão:iria descobrir por si própria e com seus próprios métodos quais eram as intenções de Juliet na comunidade deles. No entanto, enquanto pensava nisso, Kate não fazia a menor idéia de que Juliet escutara toda a conversa deles do lado de fora do quarto. A loira sorriu consigo ao constatar que Jack confiava cada vez mais nela. Satisfeita com o que tinha ouvido, ela finalmente se afastou para longe da casa deles.
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(Flashback)
Se vivesse por mais de setenta anos, Juliet pensava em escrever sua autobiografia porque definitivamente teria muita coisa para contar. Acabara de completar 35 anos e acontecera mais coisas em sua vida naquele ano do que em todos os outros, e com certeza os próximos que se sucederiam seriam bastante agitados.
Pensava em todas essas coisas a caminho de um lugar que ela não fazia a menor idéia geograficamente de onde era, só sabia que queria muito estar lá. Tinha feito coisas das quais não se orgulhava para conseguir chegar ali, mas em seu íntimo acreditava que os fins justificavam os meios. Depois de terminar suas pesquisas para a Mittelos Biociência em Miami, curando a infertilidade de uma jovem policial, sem mesmo comunicar a ela, o que era totalmente ilegal, Juliet deu à luz algumas semanas depois ao bebê Julian, que milagrosamente pôde salvar do câncer terminal sua irmãzinha Alice. Mas tudo tinha um preço, não se cansava de repetir Richard, e não demorou para que esse preço viesse a ser cobrado.
Juliet acabou sendo recrutada, poucos meses depois do nascimento de Julian para um novo grande projeto da Mittelos Biociência, de natureza tão secreta que ninguém na comunidade médica tinha ouvido falar. Richard chamou-lhe a atenção mais uma vez e eles tiveram uma briga feia e Juliet gritou que preferia que ele estivesse morto ao invés de ficar interferindo em sua vida. Nesse mesmo dia, quando chegou do trabalho à noite, encontrou Richard enforcado no quarto, com o próprio lençol da cama e sentiu-se culpada por seus pensamentos, mas com o tempo, porém, começou a achar que o suicídio de Richard havia sido providencial e ela não hesitou mais em aceitar a oferta da Mittelos Biociência.
Por mais que os métodos da empresa parecessem pouco ortodoxos, e mesmo tendo que deixar seus filhos aos cuidados de sua irmã Rachel, Juliet seguiu sua ambição e não pensou duas vezes em aceitar o copo de suco de laranja cheio de tranqüilizante oferecido por um funcionário do projeto, para que não visse para onde estava sendo levada. Seriam somente seis meses e ela logo estaria de volta para sua família.
Acordou em um submarino e antes que entrasse em pânico por estar amarrada numa cama, seu amigo do Hospital, o Dr. Ethan Room, participante ativo do projeto tirou-a de lá e deixou-a aos cuidados do simpático e atraente Goodwin que a levou muito gentilmente até a residência do chefe do projeto: Benjamin Linus.
- Dra. Burke, estamos ansiosos para trabalhar com você.- disse ele, no momento em que foram apresentados.
Seu rosto iluminou-se diante daquela afirmativa, estava realizando um sonho, o sonho de fazer diferença na história da humanidade.
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(Fim do Flashback)
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Nikki já estava cansada de andar, o grupo havia caminhado a noite inteira ininterruptamente. Sawyer, que liderava o grupo, não quisera parar a marcha nenhuma vez, só queria saber de seguir em frente. Mas seguir em frente para onde? Questionava-se Nikki, se estavam indo para o acampamento dos Outros resgatar Ana-Lucia porque Sawyer parecia seguir sem rumo? O que o fazia achar que caminhando incessantemente encontrariam o lugar?
- Chega Sawyer, eu não agüento mais andar!- ela reclamou, recostando-se em uma árvore para descansar.
- Tudo bem "querida", se quer ficar por aqui sozinha, então fique ou volte para o acampamento!
- Eu vou parar também!- anunciou Paulo, tão cansado quanto ela.
- Òtimo!- exclamou Sawyer. – Menos dois para me atrasar.
- Atrasar para onde, Sawyer?- questionou Philip, parando também. – Você nem sequer sabe para onde estamos indo.
- Isso é verdade.- concordou Paulo. – Por que a impressão que eu tenho é de que estamos andando em círculos há várias horas.
Sawyer fez uma expressão zangada: - Ok, se vocês acham que eu não sei para onde estou indo, não é meu problema. Fiquem todos para trás, não os convidei mesmo.
E dizendo isso, ele continuou seu caminho. Entretanto, de repente, aquele velho e conhecido som metálico soou na floresta silenciosa. Todos se entreolharam atentos.
- O que foi isso?- indagou Nikki, assustada.
- Você não sabe?- sussurrou Philip.
- Shiiii!- pediu Paulo.
- Corram!- gritou Sawyer ao ver um redemoinho de folhas se formando na direção deles.
A fumaça vista de longe era um emaranhado de gases escuros, mas vista assim de perto, Sawyer quase poderia jurar que era transparente e que através dela podia enxergar o seu passado, presente e futuro. Pensava nisso enquanto se encolhia ao lado de Philip em meio aos juncos de uma velha árvore. Philip tremia quase convulsivamente, suor frio escorria por sua testa, era a primeira vez que se deparava com a tão terrível fumaça negra descrita por Locke em histórias assombrosas nas noites em volta da fogueira. Queria dizer algo a Sawyer, mas não conseguia.
Durante o redemoinho de folhas, Paulo e Nikki correram na direção oposta de Sawyer e Philip. Ela quase escorregou em um barranco de areia que dava num riacho lamacento, mas foi salva por Paulo, que a segurou firme junto de si. Agora estavam escondidos atrás de uns enormes pedaços de rocha, próximo ao riacho, bem quietinhos, esperando tudo se acalmar.
O espetáculo da fumaça, caçando-os à espreita durou cerca de três minutos, que pareceram eternos a Sawyer e Philip, até que a nuvem se dissipou arrastando folhas e galhos. Sawyer foi o primeiro a deixar o esconderijo de juncos para olhar ao redor, certificando-se de que estava tudo bem. Philip permaneceu parado no mesmo lugar, ainda muito amedrontado para mover-se. Sawyer voltou-se para ele, e com um sorriso sarcástico no rosto, disse:
- Qual é Nick Carter? Não vai me dizer que ainda está parado aí porque fez xixi nas calças?
- Cara!- bradou Philip, ofendido. – Eu lutei contra o exército dos Outros enquanto você estava sabe lá por onde, então não queira me chamar de covarde!
- Mas eu não estou te chamando de covarde, agora se a carapuça serviu, sinto muito!
Philip finalmente saiu do esconderijo e encarou Sawyer com os olhos irritados. Era muito jovem, sua aparência delicada, a pele muito branca e os cabelos acima da altura dos ombros o faziam lembrar Leonardo Dicaprio. Ao vê-lo tão zangado, Sawyer riu e falou: - Olha aqui Romeu, se quiser voltar para o acampamento, eu vou entender, afinal atravessar uma selva deve ser difícil pra um cara que ainda não saiu do High School Musical. E quando chegar lá, eu não me importo que diga a todos que fui eu quem sumi enquanto você dormia, assim eles irão te achar corajoso por ter vindo comigo até aqui.
- Não vim até aqui pra mostrar pro meu irmão Andrew, pra Mandy ou pro pessoal do acampamento que eu sou corajoso. Vim porque quero encontrar um meio de nos tirar dessa ilha!
- Oh, Mandy!- debochou Sawyer. – Você deve estar falando da sua cunhada cigana né? È, ela é alguém que eu gostaria de impressionar com a minha coragem, se é que me entende.
- O que você está insinuando?- indagou Philip, soltando chispas pelos olhos.
- Não estou insinuando nada, superboy. Então tá se quer mesmo me acompanhar até o esconderijo dos Outros, venha! Mas fique sabendo que não me responsabilizo pelas suas fraldas, rapaz!
- Sawyer!- gritou Nikki ao longe.
Sawyer fez cara de impaciência ao ouvir a voz dela: - E eu que pensei que a fumaça preta tinha devorado a Barbie Malibu. -Aqui!- gritou.
Paulo ouviu a voz dele e pegando na mão de Nikki seguiu na direção dela até encontrá-los.
- Vocês estão bem?- indagou ao vê-los.
- O que te parece?- questionou Sawyer malcriado. – Se querem vir, andem logo, porque a "Caravana da Coragem" já vai partir.
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- E o levantamento do estoque de alimentos que eu te pedi, Hurley?- indagou Jack, conferindo algumas barras de cereais no armário de madeira da despensa.
- Eu fiz ontem mesmo.- respondeu Hurley, entregando uma prancheta da Oceanic Airlines com folhas de papel timbrado da Dharma Initiative para ele.
Jack olhou-a atentamente e conferiu os itens.
- Hum...isso é tudo o que temos desde o último carregamento?
- È sim. Dude, os caras não mandam a "broca" pra gente tem uns quatro meses. Acho que eles se morderam de vez com a nossa cara.
- E quanto à carne?
- Bem, o Jin continua pescando, mas o nosso caçador oficial tem sido o Desmond. O Locke anda meio no mundo da lua esses tempos, devia conversar com ele!
Jack deu um suspiro profundo:
- Bom, se isso é tudo o que temos, vamos ter que racionalizar algumas coisas a partir de hoje, como o leite em pó, por exemplo, priorize as mulheres e crianças. Quanto aos cereais...
- Hey Jack!- saudou Libby chegando na cozinha. – Parabéns pela menininha! Fiquei muito feliz por você e Kate!
- Obrigado.- respondeu Jack sorrindo de orelha a orelha.
- Ela está muito linda assim, não está dude?- elogiou Hurley, abraçando Libby e acariciando o ventre dela.
- Oh sim!- concordou Jack. – Como tem se sentido, está tudo bem com o bebê?- perguntou tocando a barriga dela com interesse médico.
- Eu estou ótima, ansiosa para que ele nasça logo e esperemos que corra tudo bem!
- Ah vai dar tudo certo!- tranqüilizou Jack. – Afinal temos uma médica obstetra no acampamento.
- Sim, ela tem acompanhado toda a minha gravidez, me sinto segura com ela por perto.
- E falando nela, não a vejo desde hoje cedo quando ela foi à minha barraca verificar a Kate.
- Eu também não a vejo tem um tempinho.- comentou Hurley.
- Gente, vocês viram o meu marido?- indagou Shannon com uma expressão zangada. – Ele me prometeu que daríamos um passeio até a cachoeira, mas desapareceu no ar.
Jack franziu as sobrancelhas ao ouvi-la, entregou a prancheta com o levantamento dos alimentos de volta para Hurley e saiu caminhando para dentro da selva.
- Ô Jack, ainda tem umas coisas que eu queria te perguntar sobre a comida.
- Depois Hurley, depois!- ele limitou-se a responder já longe.
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- Eu me pergunto que tipo de pessoas são vocês que marcam uns aos Outros como se fossem gado!- disse Sayid ao ver Juliet banhando-se à beira da cachoeira.
Ela espantou-se ao ouvir a voz dele, estava sem a blusa e instintivamente cobriu os seios com os braços, uma espécie de cicatriz em um formato estranho de tamanho considerável era visível em suas costas.
- Ou você vai me dizer que mandou fazer isso nas suas costas porque achou que estava na moda?- continuou ele, se aproximando dela.
Juliet o fitou apreensiva, mas não deixou-se intimidar e perguntou:
- O que você quer de mim, Sayid?
- A verdade!- ele respondeu convicto pegando a blusa dela do chão e jogando em sua direção para que ela se vestisse.
- Que verdade? A sua ou a minha?
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(Flashback)
- O que estava pensando?- esbravejou Benjamin Linus diante da cela onde Juliet se encontrava encarcerada. Ela o fitou com olhos lacrimosos, estava desgrenhada e suja, encolhida em um canto da cela. – Anda, me responde!- ele insistiu.
- Estava pensando que faria diferença para a humanidade vindo para esse lugar! Que era a coisa certa a fazer, mas fui enganada! Vocês não são quem eu pensava que eram! Eu não quero mais ficar aqui, quero ir embora!- Juliet respondeu entre soluços.
- Juliet, tudo tem um preço, você fez sua escolha, veio para cá de livre e espontânea vontade, curamos sua filha e agora você nos deve!
- Sim, vocês curaram, mas eu nunca mais pude vê-la ou falar com ela, meu filho Julian nem sabe que sou sua mãe! Quero ir embora para ficar com eles, não sou de utilidade nenhuma pra vocês, as experiências não estão dando certo!
- Mas você não pode desistir de tentar, quem sabe quando Jacob nos mandará um sinal, hã?
- Não, eu não quero esperar mais, nada me prende aqui!
Já estava na ilha há quase três anos, o que deveria ser uma estada de seis meses transformou-se num calvário sem fim e agora ela se via completamente isolada, nas mãos daquelas pessoas. Quando começou a trabalhar para a Dharma Initiative sob a batuta da Mittelos Biociência achou que seu trabalho fosse dar certo e fazer alguma diferença. Estava feliz vivendo lá e realizando suas pesquisas, até se envolveu amorosamente com um dos médicos do projeto chamado Goodwin. Mas de uma hora para a outra, tudo começou a dar errado, as mulheres começaram a morrer, flagrou Goodwin na cama com outra e pegou-se pensando se havia mesmo tomado a decisão correta indo para aquele lugar. Sentia uma saudade imensurável da irmã e dos filhos, queria voltar para sua antiga vida.
Pediu isso a Benjamin e ele negou-lhe, depois de muito insistir sem sucesso resolveu fugir e tentar voltar sozinha, mas percebeu que estava presa num grande labirinto sem saída. Andou sem rumo pela ilha durante uns dois dias até que foi capturada de volta e jogada numa jaula como um animal. Então chamaram Ben e naquele momento ele a interrogava sobre o porquê de sua fuga.
- Juliet, alguma vez fomos ruins pra você? Deixamos de lhe dar alguma coisa que nos pediu?
- Sim!- ela gritou. – Vocês roubaram a minha liberdade, me privaram dos meus filhos. Por favor, Ben, quando é que vou vê-los?
- Quando o projeto der certo!
- E se isso nunca acontecer?- Juliet questionou, temerosa.
Benjamin deu de ombros.
- Veremos, se conseguir pelo menos um sucesso no projeto, quem sabe não a mandamos de volta para casa.
- Você promete?
- Quem sabe! Agora enxugue essas lágrimas e pare de se lamentar, se empenhe no projeto e poderá sair daqui. Greg!
Ele chamou um de seus guarda-costas que abriu a jaula de Juliet e saiu arrastando-a para fora dela.
- O que você vai fazer?- Juliet gritou desesperada ao ver todos sentados do lado de fora da jaula esperando para assistir algo.
- Vou mostrar para as pessoas daqui que não devem me desafiar como você fez!
- Como?
- Você será marcada!- disse uma mulher idosa com o timbre de voz grave e olhar ameaçador.
- O quê? Nãoooooo!- ela gritou e começou a chorar ao ver Danny se aproximando dela com um objeto de ferro no formato de um símbolo desconhecido aquecido em brasa.
No momento seguinte desmaiava de dor ao sentir o ferro quente devorando-lhe a carne.
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(Fim do Flashback)
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- E então? Quando vai resolver me contar alguma coisa?- Sayid indagou num tom de voz ameaçador. Juliet virou de costas para ele novamente e vestiu a blusa.
- È engraçado ter você aqui me ameaçando desse jeito.- ela observou. – Principalmente porque eu sei que estou diante de um torturador. Se acha que sou má pessoa Sayid, já se a perguntou a si mesmo quem você é?
- Não tente me confundir com os seus joguinhos psicológicos, se você não me disser alguma coisa agora mesmo eu...- ele começou a dizer cerrando os punhos quando foi interrompido por Jack que chegou naquele exato momento.
- Deixa ela em paz!- bradou.
Sayid voltou-se para ele com um olhar desafiador:
- E por que eu faria isso?
- Porque ela está sob a minha proteção. Jack afirmou.
- Òtimo.- exclamou Sayid. – Só quero saber quando é que ela vai começar a revelar o que precisamos saber sobre a gente dela! Jack é questão da nossa sobrevivência.
- Ela vai nos contar quando estiver pronta!
O iraquiano balançou a cabeça negativamente e falou para Jack antes de se afastar: - Não reconheço mais você!
Assim que ele se afastou, Juliet comentou, sarcástica:
- Parece que você feriu os sentimentos dele.
- Ele vai superar.- respondeu Jack com um meio sorriso.
- Obrigada Jack.
- De nada. Eu só espero que você continue sendo digna da minha confiança, caso contrário não poderei mais protegê-la.
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- Toc!Toc!- gracejou Claire ao adentrar a casa de Jack e Kate juntamente com Sun e Shannon.
- Olá!- respondeu Kate sorridente lá de dentro. Estava trocando Lilly.
- Oh!- exclamou Claire quando viu a nenê. – Mas ela é tão linda, Kate!
- E não é? Se eu tivesse uma máquina fotográfica agora estaria tirando milhões de fotos dela como uma mãe babona.
- E você está bem?- indagou Shannon deslumbrada com a garotinha.
- Eu estou ótima!- respondeu Kate. – Ainda me sinto dolorida, mas acho que estarei 100 em um ou dois dias.
- Juliet fez um bom trabalho.- comentou Shannon.
Kate franziu a sobrancelha ao ouvir aquele nome, e acrescentou:
- È, mas sem a ajuda da Sun ela não teria conseguido.
Sun sorriu.
- Eu tenho um presente pra Lilly!- anunciou Claire mostrando a Kate um par de sapatinhos azuis tricotados à mão, com fitinhas brancas enfeitando.
- Mas isso é muito lindo!- exclamou Kate, derretida.
- Eu fiz pra Lilly, a Sra. Lewis só tinha linha azul, gostaria de ter feito rosa.
- Ah não, são perfeitos. Não se preocupe com a cor, se a Lillly puxar a mim vai odiar cor-de-rosa.
- Vamos calçar no pezinho dela.- disse Shannon.
Kate concordou e começou a calçar os sapatinhos nos pés minúsculos e fofinhos de Lilly. A garotinha fez uma careta e remexeu-se irritada. Sua mãe tranqüilizou-a.
- Calma mãezinha, só vou colocar esses sapatinhos pra você ficar linda pro papai!
- E o filho do Sawyer?- perguntou Claire de repente.
Kate sentiu uma pontada de culpa no coração ao se lembrar do pequeno James.
- Ele é muito lindo, um principezinho. Ana era completamente louca por ele.
- Era? Acha mesmo que ela está morta?- questionou Sun.
- Sawyer acredita que não, ele fica fingindo que não pensa mais nela e no filho, mas eu imagino o quanto ele deva estar sofrendo e me sinto culpada por não ter conservado James comigo. Eu enlouqueceria se tirassem a Lilly de mim.
- Eu sentiria o mesmo se fizessem algo com Jung.- falou Sun.
- E eu com o Aaron.- completou Claire.
- Quisera eu pudesse ter um filho para poder dizer isso.- comentou Shannon, tristemente.
Kate mudou de assunto:
- Pronto, ela já está com os sapatinhos novos!
- Que linda!- derreteu-se Sun.
- E falando no Sawyer.- Kate lembrou. – Por onde ele anda que ainda não veio conhecer a Lilly?
- Eu não sei.- respondeu Claire. - Aliás, não o vejo desde ontem.
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- Sawyer será que a gente pode parar um pouco?- perguntou Paulo, arfando.
Sawyer fez cara de chateação.
- Sinceramente, eu não sei onde estava com a cabeça quando resolvi trazer vocês todos comigo, são uns folgados!
O grupo parou mesmo com a reclamação de Sawyer, e sentou no chão bebendo água de seus cantis. Sawyer aproveitou para ir esvaziar a bexiga e se afastou um pouco do grupo procurando um lugar reservado. Parou diante de uma árvore, fez o que tinha de fazer e já estava voltando para perto do grupo quando o barulho de um sino chamou a sua atenção. Correu na direção dele e não acreditou quando avistou duas vacas pastando não muito longe do que parecia ser uma pequena fazenda.
- Mas que diabo de lugar é esse?- indagou a si mesmo.
LOST
Continua no próximo episódio...
