Capitulo 12: Baile a Fantasia

Eu te esperei, sabendo que esse amor em meu peito nunca iria acabar. E da mesma forma, eu espero que você me espere e que não esqueça o nosso amor.



Entrou em seu dormitório e sorriu ao ver que seu sonho havia se tornado, finalmente, realidade; bem ali na sua frente estava a sua cama; intacta como deixara naquela manhã.

- Deus existe. – murmurou, tirando sua camisa e a jogando sobre a cadeira em sua escrivaninha.

Estava preste a se jogar contra o colchão fofo e as cobertas macias, quando uma caixa preta em cima de sua cama chamou sua atenção.

- Mas o que dessa vez aquela índia está aprontando? – perguntou, girando os olhos e se sentando, enquanto pegava a caixa e a colocava em seu colo.

Abrindo-a cuidadosamente, temendo ser alguma azararão, Draco estranhou quando viu somente um manto preto.

Pegando a veste nas suas mãos, a ergueu e pôde ver que era uma fantasia de vampiro. Sorriu.

Oh não, aquilo não era coisa de May...

- Pequena... Pequena... – disse soltando um leve riso, antes de voltar guardar a sua fantasia para o baile dentro da caixa, colocá-la sobre a sua cadeira e assim finalmente se jogar em sua cama para o seu tão esperado sono.

Fez uma nota mental antes de adormecer, que deveria muito agradecer a Mia pelo presente, ela simplesmente havia tirado um peso de suas costas. Já que por sua vez estava pensando em ir como Draco Malfoy mesmo.

"Você não vai dessa forma, mas nem que a vaca tussa, Draco" Mia havia lhe dito no dia anterior, de uma forma zangada onde a deixava ainda mais fofa.

Sorriu... Mas qual era o problema de ele ir como ele mesmo? Era bonito, charmoso, gostoso e de certa forma seria bastante... Original de sua parte.

"Sem graça, ridículo e sem um cumulo de consciência nessa sua jaca" Mia rebateu, bufando e batendo os pés contra o chão.

Suspirou e virou-se de lado, de modo que pudesse abraçar o travesseiro, como um gato manhoso. Permitiu que entre sua respiração, que saía de seus lábios, uma frase ficasse solta no ar antes de cair num profundo sono:

- Mas do que será que a May vai fantasiada?


- Vai, minha lindinha, amor da minha vida, luz do meu viver, paixão, minha irmãzinha preferida...

- Como se você tivesse mais. – interrompeu, mas mesmo assim May continuou:

- Chuchu, fofinha...

- Já falei que não, May. – Mia falou cruzando os braços – Mas que coisa! Por que você quer tanto saber como o Draco vai vestido no baile?

May passou a mão pelos cabelos e se ajoelhou de frente para a irmã e a segurando pelos ombros respondeu, com os olhos brilhando quase numa suplica:

- Oras, para eu ficar o mais longe dele.

Mia deu um leve sorriso pelo canto dos lábios, de uma forma que a deixava com uma fisionomia quase demoníaca. Ah, quando May visse Draco fantasiado daquela forma, mesmo que soubesse quem era ele, duvidaria muito que conseguiria resistir.

Era simplesmente a fantasia perfeita, que quebraria a barreira de gelo no coração da irmã.

- Maninha, relaxa, tenho certeza que quando você ver o Draco saberá que é ele. – mentiu. May ergueu uma das sobrancelhas de uma forma duvidosa.

- Como? – perguntou se levantando – Todos naquele salão estarão fantasiados com máscaras, tudo bem que até de longe eu iria saber quem seria a Chang, pois não é segredo para ninguém que aquela lá vai fantasiada como galinha, mas...- balançou as mãos de uma forma nervosa no ar – Isso não vem ao caso. Mas a questão é Mia... Por favor, me fala.

A primeiranista encarou a irmã com os olhos cor de mel, com um brilho divertido, onde mostrava que estava adorando vê-la suplicar sobre seus pés.

May bufou.

- Mas que garota sanguinária, sem coração, fria... Nem sei o que você esta fazendo na Corvinal! - Mia riu e antes de continuar seu caminho para o Salão Principal, deixou uma frase no ar:

- Eu aprendi isso com a melhor...- virando-se para a índia, terminou: - com você, maninha. E eu não estou na Sonserina, é porque meu coração não é tão negro como o seu.

May sorriu de uma forma que seus lábios quase chegavam a ultrapassar suas orelhas.

É, naquele ponto de vista Mia estava certa; ela era muito sanguinária.

Soltando uma bela gargalhada deu a volta nos calcanhares e começou a fazer o mesmo caminho que o da irmã.

- Tudo bem...- suspirou, enquanto virava o corredor – Vamos ver se a Mia está certa quando disse que eu saberia quem seria o Draco quando o visse fantasiado. – gemeu e girou os olhos – Só espero não errar no meu julgamento.


Dia do Baile

Batidas frenéticas na porta de seu quarto o trouxeram de volta ao mundo real, despertando-o do maravilhoso mundo dos sonhos.

Gemeu e trincou os dentes de raiva. Mas quem seria o infeliz que se atrevera a acordá-lo as... Olhou para o relógio e arregalou os olhos... Antes das dezoito horas?

Merlin, o baile iria começar às vinte horas e não podia acreditar que já tinha seres que já haviam começado a se arrumarem.

As batidas ficaram ainda mais fortes, e Draco temeu que sua porta fosse se quebrar pela tamanha força.

- Já vai, já vai! – resmungou quase aos berros, enquanto jogava as pernas para fora da cama e balançava a cabeça, tentando despertar.

Estava tendo um sonho tão bom, quase perfeito; estava numa mansão bastante luxuosa sentando sobre uma poltrona, sentindo as chamas da lareira ao seu lado lhe aquecerem e May vinha em sua direção, somente coberta por um robe preto, que delineava o corpo perfeito como um véu.

Ela sorriu maliciosamente e a cada passo que dava deslizava as mãos para o cinto, amarrado na altura de seus quadris, e quando a índia chegou bem a sua frente e estava pronta para permitir que a peça sensual escorregasse pelo corpo acetinado, ele fora acordado pelas malditas batidas.

- Sinceramente... Se for a Pansy, eu não irei responder pelos meus atos. – falou, se levantando e indo em direção a porta, onde as batidas continuavam ecoando em sua mente, fazendo-a latejar. Segurando a maçaneta prateada com força, girou-a e assim abriu a porta num rompante – Mas quem é o infeliz que se atreve a me acor...

- Eu também amo você Draquito. – a voz arrastada e irônica de May penetrou-lhe nos ouvidos, fazendo-o sentir um arrepio na espinha.

- Ma... May? – perguntou, piscando os olhos várias vezes, na tentativa de fazer sua visão voltar ao normal e parar de lhe mostrar tudo embaçado.

- Mas é claro que sou eu... Quem você esperava? Nicole Kidman? – a índia retrucou, já caminhando até o seu banheiro, folgadamente.

- Até que não seria uma má idéia. – Draco respondeu com um sorriso bobo nos lábios, antes de receber um travesseiro no meio da cara.

- Você também não é nenhum Brad Pitt...- May retrucou, olhando-o de cima para baixo. É bem melhor que ele!, Pensou suspirando pesadamente, enquanto dava as costas e voltava a caminhava em direção ao banheiro a tempo de ouvir Draco gritar a suas costas, e atirar o travesseiro com força na cama:

– Caramba Sutramy vai se f...- a índia se virou abruptamente impedindo-o de continuar:

- Cala a boca Malfoy, quer que todos saibam quem eu sou na verdade? – falou num tom de voz bravo, enquanto colocava sua toalha em cima do boxe e seu sabonete e shampoo na pia.

- Mas o que você pensa que está fazendo? – Draco perguntou, cruzando os braços em frente ao peito e apoiando o ombro na batente da porta. – Quer passar o resto das horas que resta até o baile, comigo? – os olhos azuis ganharam um brilho malicioso, fazendo a índia sentir as batidas de seu coração acelerar. Somente Merlin sabia o esforço que ela estava fazendo para manter seus olhos longe daquele loiro, que estava somente com uma calça preta sobre as pernas másculas, deixando a vista o peito viril, os ombros largos e os braços fortes.

Engoliu em seco, quando sentiu os olhos dele viajaram pelo seu corpo, acendendo uma tocha viva em seu ser, fazendo imagens da semana passada, na sala onde ensinaram Gina a dançar, ecoarem em sua mente, mostrando-lhe o que poderiam ter feito tão maravilhosamente bem, se não tivessem sido interrompidos.

Chacoalhou a cabeça, aquele não era o momento e nem a hora, para ficar com seus pensamentos ousados e eróticos em relação aquele pavão oxigenado.

Tomando coragem de fitá-lo no fundo dos olhos azuis, que tantas vezes a fizeram ficar sem ar, May colocou as mãos na cintura e assim respondeu com desdém:

- Para a sua informação, Draquito, o dormitório feminino fica uma zona quando tem um dia especial aqui em Hogwarts, e o banheiro então...- fez uma cara de nojo, fazendo o loiro soltar uma gostosa risada e passar a mão pelos cabelos lisos como se tivessem acabado de serem penteados. Ah, como ela gostaria de passar seus dedos por entre aquelas mechas platinadas e senti-las sobre a pele de sua mão.

- Então por que você não veio tomar banho aqui no ano passado? – agora fora a sua vez; permitindo que um sorriso malicioso cortasse seus lábios, a índia deu os ombros e respondeu:

- Por que no ano passado eu tinha o banheiro do Richard Cassidy, aquele Corvinal perfeito, para usar, mas como ele já se formou...- sorriu travessa – Bem... Só sobrou você.

O sorriso, que Draco tinha nos lábios, morreu e seu rosto tomou forma de traços sérios.

Só de pensar que May havia tomado banho no dormitório de outro cara, seu sangue lhe fervia entre as veias.

Maldição!, Teve o impulso de gritar. Mas mordendo a própria língua soltou um longo e pesado suspiro, como se sua vida tivesse acabado de lhe abandonar.

Encarando May mais uma vez, agora com os olhos cinzentos, disse num tom frio o bastante para fazê-la estremecer:

- Tome logo o seu banho. Eu também tenho que me arrumar. – e assim deu um passo para trás, fechando a porta do bainheiro fortemente a sua frente.

May arregalou os olhos e balançou a cabeça, enquanto começava a se despir.

- Fala sério... Cada dia que passa tenho mais certeza que o tio Lucios deveria ter colocado aquele pavão num manicômio. – murmurou, abrindo a porta do boxe e se colocando embaixo do forte jato de água quente. Sorrindo de uma forma bastante agradável, ao sentir à água deslizar pelo seu corpo, começou a cantarolar baixinho, sem se dar de conta que do outro lado da porta, um loiro prestava a atenção em cada ruído de seus movimentos, como uma cobra que examinava sua presa antes de atacá-la e, por fim, devorá-la até não sobrar um único osso.

Draco pegou furiosamente entre as mãos, o seu travesseiro e o colocou sobre seu rosto, entre suas bufadas, tentando não ouvir a voz a voz de May que entrava em seus ouvidos e fazia uma corrente eletrizante percorrer seu corpo.

Girou os olhos quando ela cantou, num tom afinado, uma das frases da canção:

- Cai o manto da noite e eu ainda te espero chegar. Não vá para longe, não me desaponte, o amor não sabe esperar. – a ouviu rir, fazendo os pêlos de sua nuca ficarem arrepiados, e para seu desespero ela continuou: – Estar só, é a própria escravidão e ver você, é ver na escuridão. – fazendo um ruído, como se estivesse brincando com a própria voz, cantou a estrofe de uma forma aguda e alegre: - E quando o sol sair, pode te trazer pra mim. E eu estarei aqui, esperando você. Por que...- murmurou e terminou – o amor não pode esperar.

Okay, se ela queria deixá-lo completamente louco e... Fora de controle, estava conseguindo de uma maneira incrível que realmente merecia um verdadeiro prêmio de ouro.

Tentando manter a calma, tirou o travesseiro do rosto e fitou o teto de uma forma desanimada, ainda podendo ouvir o som do chuveiro ligado. Mordeu o lábio... Malditas imagens; era como um verdadeiro desafio manter seu autocontrole. May estava a poucos passos de distância de si, cantando, passando o sabonete sobre a pele acetinada e a água morna escorrendo pelo corpo de curvas delineadas.

Gemeu... Por que tudo que é tão doce é proibido? E ainda sua mente pervertida lhe mostrando o que ambos poderiam fazer entre o vapor do banheiro, o fazia suar de uma forma como se tivesse acabado de sair de uma sauna.

Sentiu seu coração parar um batimento, quando ouviu o chuveiro sendo desligado.

- Ah, que ótimo...- disse irônico – Agora, só me falta ela aparecer usando somente uma toalha. – mal terminou de dizer e amaldiçoou-se.

A porta se abriu e o vapor espalhou-se pela atmosfera gelada de seu quarto. A silhueta da índia começou a tomar uma forma mais clara, cada vez que o vapor atrás dela sumia aos poucos.

- Nossa que banheiro bom hein Draco? – ela disse, recolhendo suas coisas de dentro da pia – Acho que vou vir tomar banho aqui todo o dia. – Pode vir, mas só se for comigo junto!, Draco teve vontade de dizer, mas sentando-se e estralando os dedos das mãos, impediu sua própria voz de proferir aquela frase.

May saiu finalmente do banheiro se revelando por inteiro, fazendo com que Draco entrasse num transe profundo de puro deleite.

Oh, senhor!

Ela estava incrivelmente sexy com aquela toalha, que lhe ia até a metade da coxa, os cabelos úmidos sobre os ombros, também nus, e a pele completamente molhada.

Engoliu em seco ao seguir com os olhos um caminho que uma gota fizera, deslizando do pescoço dela, para o ninho entre os seios.

- Ave Maria! – rezou, fazendo a índia rir divertida.

- Eu sei que sou um verdadeiro pecado, Draquito. Mas também não precisa ficar assim...- sorriu debochada – Descontrolado.

- Eu estou ótimo. – Draco respondeu rispidamente, se remexendo sobre a cama antes de pôr fim se colocar de pé e fitar a índia cara a cara – E não me chame dessa maneira; Draquito – ironizou -, parece que sou um boneco de pano.

A índia voltou a rir, agora jogando a cabeça para trás, fazendo com que as mechas negras de seu cabelo deslizarem entre seus ombros, num gesto incrivelmente simples, mas que para ele fora algo realmente sensual.

- Boneco de pano. Adorei essa. – falou – Me responda uma coisa, Malfoy. – começou, clareando a garganta – Com que roupa você vai ao baile?

Draco ergueu uma das sobrancelhas e cruzou os braços em frente ao peito.

- Para que você quer saber? - May deu os ombros.

- Para eu ficar o mais longe de você, claro. – o loiro sorriu.

- Eu vou de pavão. – May gargalhou, mesmo que tenha tentado esconder o arrepio que percorreu seu corpo, quando o viu dar um passo em sua direção, perigosamente.

- Ta bom Malfoy, conta outra... Agora uma que realmente cole.

- Eu vou de...- ele mordeu o lábio, numa forma que o deixava ainda mais atraente – Leão.

May suspirou. Por que ele tinha que sempre complicar tudo? Fizera uma pergunta tão simples.

- E vai também com uma bandeira da Grifinória estampada no traseiro? – fora a vez de ele gargalhar, jogando a cabeça para trás e fazendo as mechas platinadas caírem sobre os olhos, agora, azul-celestes.

Draco se aproximou ainda mais.

- Okay, eu vou de cobra. – May fez uma careta.

- Ta legal, você ta melhorando, mas ainda não acredito.

Respirou fundo e se arrependeu, quando o perfume dele lhe invadiu as narinas, a fazendo ficar arrepiada e ela sabia; não era por causa vento frio que entrava pela janela aberta do quarto dele.

Por incrível que parecesse, mesmo com a janela aberta e aquela brisa fria entrando por ela, o quarto estava quente, fazendo as gotas de água sobre seu corpo, começarem a escorrer por sua pele e pingar no chão de madeira formando uma pequena poça sob seus pés.

Mas quem estava ligando para aquilo, quando se tinha um loiro quase desnudo bem a sua frente, fitando-a como se fosse devorá-la a qualquer minuto com aquele mar azul das íris, onde ela temia tanto se afogar e não conseguir voltar mais para a superfície.

- Vai logo Draco me diz qual vai ser a droga da sua fantasia. – pediu de um jeito dengoso, vendo-o sorrir pelo canto dos lábios. Gelou, quando ele fazia aquilo...

- Eu vou de caçador. – ele murmurou, com o tom de voz mais rouco do que o normal. Por alguma razão, aquela frase lhe atingiu como um golpe, fazendo-a recuar um passo, quando viu que ele estava quase colando seu corpo ao dela.

- E... E quem você irá caçar? – tentou fazer uma brincadeira, mas aquilo só serviu para Draco aumentar ainda mais o sorriso malicioso.

Num gesto rápido, quase impressionante, ele a pegou pela cintura e assim jogou-a de encontro a sua cama. Com uma rapidez felina, se pôs sobre ela, lhe prendendo os braços em cima da cabeça, imobilizando-a.

- Eu não preciso mais sair para caçar...- murmurou de uma forma carinhosa e bastante rouca – Já que eu acabei de pegar a minha caça.

May sentiu sua respiração se alterar e seu coração entrar num ritmo disparado, aonde temeu que ele parasse a qualquer momento de bater.

Mas o que aquela gralha dourada pensava que estava fazendo?

Arregalou os olhos, quando a boca de Draco deu um leve roçar na sua e assim a deslizou até o seu ombro, limpando as gotas de água com a pontinha da língua, a fazendo ter que morder a dela própria para segurar um gemido.

- Draco...- murmurou, fechando os olhos e sentindo seu sangue correr mais rápido entre suas veias e uma chuva de sensações arrebatadoras invadi-la como um relâmpago forte numa noite de temporal.

- Eu sei que você quer isso tanto quanto eu...- ele respondeu, num tom que vez os pêlos de sua nuca ficarem arrepiados. Oh, sim, ela queria, mas se sentia pronta?

Tudo bem que muitos pensavam que ela, a glamurosa e popular Talamay Su não era mais virgem, até mesmo Draco pensava isso, mas a questão era; ela ainda era.

E ali, deitada naquela maravilhosa cama e com aquele loiro em cima de si, pressionando seu corpo contra o colchão e que a beijando de uma forma alucinante, não sabia como pará-lo.

Sua mente gritava para dar um basta naquilo tudo, mas quem disse que seu corpo obedecia a essa ordem? Ela fervia, queria mais. Muito mais. Queria chegar até o ponto onde um homem e uma mulher não poderiam mais continuar. Queria conhecer as sensações mais divinas na vida e para o seu descontrole, seu corpo, seu coração e sua alma haviam escolhido ele; Draco Malfoy.

Sentiu seus olhos lacrimejarem e assim os fechou, tentando segurar as lágrimas quando as mãos fortes e quentes de Draco – que já beijava o ninho entre seus seios - deslizaram pelo seu braço e pousaram sobre sua cintura, onde tinha a sensação de como estivesse lotada de borboletas que batiam suas asas lentamente.

Não podia ser... Como ela havia, ou melhor, como ele, havia conseguido entrar em seu coração, quebrando aquela barreira de gelo e o enlaçando a fogo?

Virou o rosto e o contorceu de dor. Não podia, simplesmente não podia acreditar que o seu pior pesadelo havia virado realidade; havia se apaixonado por aquela cobra oxigenada.

- Não...- um soluço saiu de seus lábios, fazendo com que Draco erguesse a cabeça e a encarasse preocupado.

- May? – chamou-a delicadamente, mas vendo que ela não iria encará-lo, segurou-lhe a pontinha do queixo e a fez virar o rosto para si, de modo que seus olhos se encontrassem com os dela – Tudo bem? – pôde sentir o corpo dela, sob o seu, começar a tremer levemente o fazendo engolir em seco. Como fora idiota a ponto de começar uma coisa sem ao menos perguntar se ela queria.

Saiu de cima dela e assim se colocou ao seu lado, apoiando a cabeça numa das mãos enquanto a outra pousava sobre a cintura dela, trazendo-a para mais perto de si, aconchegando-a em seu peito.

- Desculpa. – May murmurou, respirando fundo e permitindo que somente uma lágrima escorresse pelo seu rosto.

Draco sorriu e acariciou-lhe os cabelos sedosos, levando algumas mechas até seus lábios e passando-as sobre eles.

- Está tudo bem... Mas só achei estranho a sua reação. – ele falou calmamente – Todos sabem que você não é virgem, pelo simples motivo que sempre dormia no dormitório daquele Corvinal.

O corpo dela enrijeceu sobre seu peito o fazendo gelar.

Ela ergueu o rosto lentamente e em seus lábios um sorriso amarelo se formou.

- Draco...- sussurrou com a voz fraca – Só porque eu dormia no dormitório do Richard, não quer dizer nada que eu não seja...- a frase foi interrompida por novas batidas na porta, onde fizera com que eles levassem suas atenções a ela.

Draco se levantou quase de uma maneira que parecia com um verdadeiro tigre de sabre faminto, onde fez May perceber que, quem que fosse batendo na porta, sairia morto.

Levantou-se da cama e, abrindo o armário, dele pegou-lhe o roupão e o vestiu, permitindo que a toalha em volta de seu corpo escorregasse e caísse sobre seus pés.

Estava preste em ir ao banheiro quando ouviu uma voz conhecida, e parando no meio do caminho pôde ouvi-la gritar de uma forma irritante e pegajosa:

- Ai Draquinho, você está um verdadeiro pedaço de mau caminho vestido somente com essa calça.

Seus nervos começaram a ferver. Então, aquele loiro estava esperando Pansy desde o começo, quando ela chegara.

E ela ainda fora fraca a não conseguir resistir aquele charme barato de Don Juan.

Trincou os dentes e bufou. Ah, mas aquela fora a última vez que ela permitira que Draco Malfoy a tocasse.

Olhou para a cama, onde estivera deitada junto a ele há poucos minutos e pela primeira vez sentiu nojo. Teve que segurar o impulso de correr para o banheiro e despejar todo o seu café da manhã do vaso sanitário.

Respirou fundo e tentou não ligar para a sensação de aperto em seu peito e a dor em seu coração.

Ajeitando a coluna de uma forma ereta, pegou suas coisas rapidamente e assim andou em direção a porta, podendo ainda ouviu a conversa das cobras.

- Pansy, eu não vou pedir duas vezes, então, dê o fora porque eu estou muito ocupado agora e não estou com paciência para te aturar. – Ah sim, muito ocupado!, May pensou ironicamente. Estava ocupado com ela, para que depois que fizesse o que quisesse, iria sair correndo com o rabo entre as pernas procurando aquela buldogue, para continuar com aquele jogo patético.

- Mas, Draquinho... Eu pensei que...

- Pensou errado. – ele a cortou rispidamente, suspirando pesadamente.

- Mas... Eu consegui fazer aquele cachorrinho do Lênin me deixar em paz, só para passar aquelas horas maravilhosas com você.

May sentiu seu estômago dar voltas e teve uma vontade imensa de sacar sua varinha e matar aquela Sonserina que estava dando em cima de seu Draco.

Piscou os olhos várias vezes quando se deu de conta do que pensara; seu Draco? Mordeu a língua para não rir. Não queria nem ver aquele micróbio na sua frente pintado de ouro.

Suspirou e tirou o excesso de água dos cabelos.

- Horas maravilhosas? – pôde ouvir a voz de Draco sair num tom venenoso e sarcástico - Só se foram para você, porque para mim foram terríveis horas de torturas. Por Merlin Pansy, dê o fora e poupe o meu tempo e o seu.

- Mas...

Ele estava preste a perder o controle e gritar, quando uma voz feminina se pôs a sua frente.

- Não se preocupe, eu já estou de saída.

Virou-se e pôde ver May sorrindo para ele e andando calmamente em sua direção, com o seu roupão e com um dos lados caídos sobre o ombro, deixando-o a vista como um convite provocativo para tocá-lo com sua boca.

Sentiu seu sangue gelar quando a índia se pôs na pontinha dos pés e lhe deu um leve beijo nos lábios, antes de olhar para Pansy que se encontrava pasma com a cena.

- Oh, desculpe querida, acho que eu roubei o seu expediente com o Draquinho aqui, não é mesmo? – riu com desdém e se virou para o loiro – Obrigada por essas horas maravilhosas, meu amor. – dando um pequeno aceno com as mãos, caminhou para fora do quarto e quando assim fez, lançou um último olhar frio para Pansy e murmurou para que os dois ouvissem claramente – Divirtam-se. – e lançando um beijinho no ar, entrou no seu próprio dormitório.

Draco piscou os olhos várias vezes.

- May espera...- fez questão de ir até o dormitório dela, mas Pansy lhe bloqueou a passagem, colocando a mão na batente da porta a sua frente.

- Você não ouviu o que ela disse? – a garota perguntou, sorrindo maliciosamente – Depois é bom você me contar tudinho, pois eu me recuso a ficar como segunda, entendeu? Mas até lá vamos seguir o conselho dela e vamos nos divertir.

Draco girou os olhos e tirou a mão dela da sua frente e a empurrou levemente para trás.

Se não poderia continuar ao lado de May, não seria com Pansy que passaria suas ultimas horas.

- Tchau Pansy! – e assim bateu com força a porta na cara da Sonserina, indo em direção a sua cama na tentativa de conseguir dormir.


- Por que você tem que ser tão irritante? – perguntou, tentando subir as escadas em direção ao dormitório feminino, mas a mão do namorado em seu pulso a impedia.

- E por que você tem que ser tão linda a ponto de me deixar louco e não conseguir mais te soltar? – ele retrucou sorrindo de um mondo sensual e a puxando para si.

Naty girou as orbes azuis e encarou as cor de mel do ruivo a sua frente.

- Fred eu tenho que começar a me arrumar para o baile e ajudar a sua irmã também. – falou, dando um leve beijo nos lábios do namorado – Ela conseguiu trocar de quarto com a Hermione.

Um sorriso malicioso se formou nos lábios de Fred, que estreitou a morena ainda mais em seus braços.

- E onde está a minha irmã agora? – ele perguntou, mordendo o lóbulo da orelha da morena, a fazendo suspirar profundamente e sentir as pernas bambas.

- Ela me disse que teria que fazer algumas coisas e pediu para eu ir deixando tudo pronto pra quando ela chegasse. – pôde ouvir uma leve risada, onde fez os pêlos de sua nuca se arrepiarem – O que você está pensando em fazer Fred Weasley? – perguntou se afastando dele e colocando as mãos na cintura.

- Nada. – ele respondeu, passando a mão pelos cabelos ruivos e fazendo com que as mechas vermelhas parassem de cair sobre os olhos, que brilhavam de uma forma feiticeira – Só queria passar algum tempo com você de uma forma mais...- ele sorriu e os olhos brilharam ainda mais, perigosamente – intima.

- Pervertido! - Naty exclamou, para logo soltar uma gostosa risada que ecoou pelas paredes do Salão Comunal, completamente vazio.

Sorrindo, encarou o namorado e o abraçou, sentindo o calor dele penetrar sobre seus poros e percorrer seu corpo de uma maneira que a deixou arrepiada.

- Vamos combinar uma coisinha...- começou dengosa, roçando seus lábios nos do ruivo, que a abraçou – Agora eu tenho que ir para o dormitório da Hermione...– vendo que ele iria falar algo, fez questão de continuar com rapidez: - sozinha! – Fred fez bico e abaixou os olhos de modo desanimado – Mas depois do baile...– Naty continuou com o tom de voz sensual, ao pé do ouvido do ruivo que sorriu malicioso – Serei toda sua.

E sem permitir que ele lhe desse um beijo, se afastou e correu para a escada e assim subiu, sem olhar para trás.

Fred suspirou fundo e tentou controlar sua respiração alterada, enquanto caminhava até o seu próprio dormitório.

- Mas é cada uma que essa garota me apronta, que duvido que eu chegue vivo até os meus quarenta anos.


Virou no corredor e continuou a correr. Maldita hora que tivera que ajudar a professora de Herbologia com as plantas carnívoras na estufa cinco. Por que simplesmente ela não as deixava morrer? Seria tão mais fácil, simples e, conseqüentemente, menos trabalhoso.

E bem naquele dia, que seria o baile onde, provavelmente, May e Naty já deveriam estar lhe esperando no dormitório de Hermione para arrumá-la.

Bufou e começou a subir as escadas depressa. A sua sorte naquele dia estava realmente divina, pensou irônica.

Estava terminando de subir as escadas, quando parou bruscamente e curvou o corpo para frente.

- Aaaaah! – gemeu de dor, levando a mão ao peito. – Não, de novo não. – murmurou, entre a sua respiração cada vez mais pesada. Ergueu o corpo e jogou a cabeça para trás de uma maneira que sentiu tudo ao seu redor girar bruscamente.

Fechou os olhos, quando sentiu suas pernas bambearem e assim fazê-la não conseguir sustentar mais o próprio corpo.

Iria rolar escada a baixo, se não fosse pelos braços fortes que a seguraram naquele instante, acudindo-a.

- Gina! – ouviu alguém chamá-la, enquanto seu corpo era deitado na escada – Gina, por favor, fala comigo. – abriu os olhos lentamente e pôde ver as íris verdes de Harry olhando-a de uma maneira preocupada.

Sorriu e acariciou com a pontinha dos dedos o rosto aflito do melhor amigo.

- Harry. – disse o nome dele num tom baixinho, enquanto soltava o ar com força entre seus lábios, que começavam a ficar esbranquiçado.

Harry a trouxe para perto de si e a abraçou mais forte, na tentativa de esquentar o corpo dela, que esfriava a cada minuto.

- Deus, o que está acontecendo com você? – ele perguntou preocupado.

Gina ia responder, mas antes que pudesse, arqueou o peito para cima e gritou de dor, antes de arregalar os olhos e continuar a sentir pontadas fortíssimas contra seu peito.

De repente, sentiu algo grosso e gélido lhe subir pela garganta a fazendo ter uma enorme vontade de tossir. A dor continuava e cada vez que o liquido subia, seu peito se apertava de uma forma sufocante.

- Você não pode ficar aqui. – Harry falou com rapidez, pegando-a nos braços e subindo as escadas com ela. Correu até a Sala Precisa e trancou a porta com um simples olhar na fechadura.

Correu até a cama, que imaginara no canto da sala, e a colocou deitada sobre o colchão fofo e macio.

Tirando o próprio sobretudo, colocou-o sobre ela, fazendo-a sorrir levemente ao sentir o perfume dele impregnado na veste.

- Gi... Fala comigo. – Harry murmurou, deitando ao lado dela e lhe acariciando os cabelos ruivos molhados pelo suor que escorria pela testa. – Abre os olhos... Meu anjo...- pediu, tocando a bochecha pálida dela com os lábios, num toque carinhoso.

Estava fria, constatou.

- Harry...- Gina murmurou, começando a abrir os olhos lentamente e o fitando de uma maneira como se estivesse morrendo.

Seu sangue gelou. Senhor, será que era algo grave a ponto de ser fatal?

- Gi, o que esta havendo? – perguntou, vendo-a passar a mão pelos cabelos e se sentar na cama, pondo uma das mãos sobre o peito e massageá-lo.

- Eu...- a voz era lenta e baixa, como se tivesse tentando imitar o ruído de um vento noturno – Não sei... Já faz algum tempo que venho sentindo essas... Coisas.

Harry aproximou-se ainda mais e a abraçou, de modo que a cabeça dela ficasse apoiada em seu peito, enquanto seus dedos se enroscavam nos cabelos vermelhos.

- Não é melhor você ir na Ala Hospitalar? – comentou, beijando-lhe a testa e erguendo o rosto dela pela pontinha do queixo, de modo que seus olhos se encontrassem.

Gina sorriu de uma forma fraca e lhe acariciou a mão, que estava sobre a sua, em seu peito.

- Não se preocupe... Eu vou ficar bem. – disse num tom mais divertido, o fazendo sorrir carinhoso. Merlin, mesmo estando doente ela não perdia aquele sorriso que tanto o encantava. – Deve ser somente uma gripe.

Harry suspirou e aproximou seus lábios do canto da boca da ruiva, fazendo-a enrijecer o corpo.

- Se alguma coisa acontecer com você...- murmurou, ainda fitando-a dentro dos olhos, para aos poucos, começar a se perder naquele mar castanho azulado – Eu morro. Pois é você que me dá forças, Gi, pra continuar a viver.

A ruiva sorriu e lhe deu um beijo na bochecha, antes de abrir a boca e cravar os dentes nela, mordendo-o com força.

- Ai! – Harry gemeu, rindo pra valer – Sua canibal! – falou, olhando-a com os olhos cerrados e uma linha verde maliciosa e travessa brilhando, a fazendo engolir em seco.

Essa não, ele iria aprontar algo.

- Harry Potter! – Gina protestou, enquanto sentia o corpo dele ceder sobre o seu, a fazendo deitar na cama. – O que você está pensando?

Harry sorriu de modo sensual e os olhos verdes brilharam ainda mais, quando se pôs entre as pernas dela.

- Saiba de uma coisa, Gina...- começou, respirando pesadamente sobre o pescoço dela, fazendo-a estremecer – Com você... Eu não penso. – estava preste a erguer o rosto para beijá-la, quando sentiu as pequenas mãos da amiga entrarem por dentro de sua blusa e com as unhas começar uma caricia ousada sobre sua pele quente graças ao colete que usava, o fazendo tremer.

- Então... Potter. – ela começou, num tom que fez seu sangue gelar em puro delírio. – Saiba que eu, com você... Simplesmente não consigo me segurar. – num gesto rápido, ela passou as pernas pela cintura dele e com um impulso com o corpo, virou na cama, fazendo-o ficar sob si. Com um sorriso travesso e um brilho maligno nos olhos comentou num tom perigoso, mas extremamente sexy, o fazendo sentir os pêlos de seu corpo ficarem arrepiados: - agora, você irá receber um castigo por ter sido tão oferecido mocinho. – Harry ergueu uma das sobrancelhas, antes de arregalar os olhos ao perceber o que ela iria fazer.

- Pera ai Gininha... Eu... Estava... Brincando. – mas já era tarde de mais. Quando se deu de conta, a ruiva já havia começado a fazer consigas em si, o fazendo chorar entre as altas gargalhadas.

Gina também ria divertida, vendo-o se contorcer, e quando viu que Harry estava perdendo o fôlego, parou com a brincadeira. Deu um pulo da cama e pegou o sobretudo que ele usara para lhe aquecer.

Olhou para o amigo e sorriu ainda mais com a visão da cena; Harry estava deitado na cama com os braços abertos, com a respiração ofegante e com os cabelos ainda mais bagunçados. Balançando a cabeça, Gina vestiu o sobretudo dele e assim se pôs novamente sobre o moreno.

Era a visão de um verdadeiro anjo, Harry contestou, se pondo sobre os cotovelos e ainda fitando-a enfeitiçado. Os cabelos vermelhos caiam revoltos sobre os ombros dela e roçavam levemente nos seios, fazendo-o sentir uma leve inveja dos fios de fogo. As bochechas se encontravam rubras e os olhos o faziam estremecer em deleite, de tão profundos e misteriosos. Vendo que ela sorria ainda de modo travesso, murmurou num gemido piedoso:

- Ah não, eu me rendo... Mas, por favor, chega de coce...- Gina deu um leve sorriso e assim se inclinou sobre ele, calando-o com um leve beijo estralado nos lábios, o pegando de surpresa e fazendo-o arregalar os olhos e sentir o coração parar um batimento.

Uma serpente pareceu deslizar sobre seus lábios, penetrar sobre sua boca e percorrer todo o seu corpo, o fazendo estremecer sob aquele toque.

Céus, nunca nenhuma garota fora capaz de ter aquela atitude consigo, e ainda mais lhe fazer esquecer do próprio nome.

Respirou fundo, e quando estava preste a segurar Gina pela nuca e assim corresponder o beijo, ela voltou a se erguer.

- Até mais, Potter. E não se preocupe... Pois não vou morrer e deixar você aqui, nesse mundo, galanteando qualquer uma. – e dando um leve aceno com a mão, Gina caminhou até a porta e se foi, deixando para trás um... excitado Harry Potter.

- Banho... Isso... Preciso de um banho. – ele falou num tom apressado. – Gelado! – olhou para o ninho entre suas pernas e fez uma careta – Muito gelado!


- Mas onde você estava? – escutou May murmuras as suas costas, enquanto Naty colocava as fantasias em cima da cama.

Dando um leve sorriso fraco, olhou para as amigas, enquanto trancava a porta atrás de si.

- Digamos que a professora me segurou mais do que eu imaginava. – desculpou-se, vendo a índia erguer uma das sobrancelhas e se aproximar.

May segurou-lhe o sobretudo e inclinando-se o cheirou.

- Perfume de homem? – Naty perguntou num tom despreocupado.

- Sim! – May confirmou, cruzando os braços em frente ao peito e batendo o pé no chão.

Gina passou a mão pelos cabelos e tirou a veste pesada, enquanto abria e fechava a boca várias fezes.

- É do Potter? – Naty voltou a perguntar, enquanto colocava as sandálias em frente de cada vestido.

May riu com desdém e fez um gesto afirmativo com a cabeça, fazendo Gina engolir ainda mais em seco.

- Bem... ahn...- Okay, qual iria ser a desculpa; a verdade ou uma leve mentira? Respirando fundo, deu um de seus melhores sorrisos e assim respondeu: - é que eu estava com muito frio, e como encontrei o Harry no caminho...

- Ele te deu o casaco. – May interrompeu-a, fazendo-a responder com um gesto afirmativo com a cabeça. – Tudo bem então, eu acredito. – deu os ombros e se virou sobre os calcanhares. Gina pasmou ao ver que a amiga acreditara com tanta facilidade. E pensava que a índia iria fazer aquele interrogatório. Suspirou aliviada. – Vá tomar banho que eu e a Naty já tomamos o nosso. Temos exatamente, agora, três horas para o baile, já contando a hora adiantada por que...- revirou os olhos – Nós não iremos abrir salão, não é mesmo?

Gina riu e, pegando sua toalha, caminhou até o banheiro para uma rápida ducha.

May olhou para Naty, que ainda arrumava as roupas em cima da cama, caminhou até a janela e fitando o belo céu, comentou:

- Ela teve uma recaída e não quer nos contar. – Naty ergueu os olhos azuis e com um leve sorriso, concordou com um gesto de cabeça, fazendo a índia suspirar – E provavelmente quando ela estava quase caindo chegou o Potter...- disse o sobrenome do moreno quase como se fosse um xingamento – e a acudiu.

Naty suspirou e se colocou ao lado da amiga.

- E como ela deve ter ficado muito gelada...- encararam-se e disseram juntas:

- Ele deu o sobretudo dele para ela. – sorriram uma para as outras e sentaram-se no parapeito da janela, sentindo os calorosos raios de sol em suas costas.

- Temos que saber o que está acontecendo com ela May, estou começando a ficar preocupada.

- Eu também, Ná... Eu também. – colocando uma mecha dos cabelos para trás, ergueu a cabeça ao mesmo tempo que Naty e viram a porta do banheiro se abrir e aparece, entre a fumaça, a silhueta de Gina, cantarolando com o corpo coberto por uma toalha felpuda.

- Pronto meninas? – ela disse animada – Vamos começar com a transformação?

Bingo! A ruiva falara a palavra chave para fazer May e Naty abrirem um sorriso que ia de orelha a orelha.

- Eu fico com a roupa. – Naty falou, andando até a ruiva.

- Eu com o cabelo e a maquiagem. – segurando Gina pelos ombros a fez sentar-se na cadeira da penteadeira. Cerrando os olhos de modo pensativo empunhou a varinha. – Para começar, eu já me cansei desse seu corte reto, Gina, e esse seu cabelo. Então, vamos dar mais volume a ele. – e com um gesto de varinha, uma luz vermelha percorreu os cabelos da ruiva, fazendo-os ficarem compridos até a altura de sua cintura e completamente cacheados. Logo, a luz vermelha se transformou numa cor que fez Gina se lembrar da cor de ouro e logo luzes loiras finíssimas apareceram sobre seus fios de fogo. – Perfeito. – May disse orgulhosa. – Agora a maquiagem...- virando Gina para si, percorreu seus olhos negros pelo semblante dela e com um leve sorriso votou a mover a ponta da varinha e um novo facho de luz cobriu-lhe a face e na medida que ia desaparecendo, May pôde ver a pele da ruiva ficar ainda mais alva, os lábios, antes ressecados, estavam cheios e brilhosos graças a um brilho, que realçava a cor vermelha natural. As bochechas estavam ainda mais coradas e quando os olhos apareceram, May ficou impressionada; as íris antes mel-azuladas, estavam ainda mais claros, e o olhar ainda mais sensual. A camada de preto realçava sua cor e a sombra, levemente vermelha e dourada, dava-a um ar aristocrático.

- Meu Deus, Gi, você esta magnífica com essa maquiagem. – Naty comentou se ponto ao lado de May, que ainda continuava pasma.

- Se continuar assim, eu vou perde o meu cargo de garota mais bonita da escola. – a índia comentou – Isso é inadmissível. Vem cá Gina, deixa eu despentear você e borrar a sua maquiagem. – Gina gargalhou e jogou o corpo contra a cadeira, ainda mais relaxada.

Naty também sorriu e dando um tapa no braço de May, comentou:

– Mas esta faltando uma coisinha. – pegando a própria varinha, fez um feitiço onde o canto dos olhos dela e os cabelos ficassem cobertos por um pó brilhante, assim como as pernas, ombros e peito. – Agora sim. – piscou um olho para May, que riu. – Agora venha pôr a fantasia, Gi. – Gina se levantou e assim se colocou à frente de Naty, que sorria de modo confiante.

Tirou a toalha, já vestida com suas peças intimas.

- Vire-se. – a amiga pediu e ela obedeceu. Ergueu as pernas de modo que pudesse entrar dentro do vestido e aos poucos pôde sentir o tecido leve ir subindo por seu corpo, vestindo-o de modo que a fez se sentir uma verdadeira bonequinha. Ergueu os braços para logo arrumar o tomara-que-caia sobre seu busto. Pôde ouvir o zíper lateral sendo fechado e logo as mãos de Naty sobre sua cintura, arrumando as dobras da veste.

- Vire-se. – e assim ela fez. A bainha do vestido moveu-se com seu gracioso movimento, mostrando a provocante fenda na lateral de sua perna exposta. Abaixou-se e calçou as sandálias, fazendo com que a barra do vestido não arrastasse mais no chão.

May soltou um longo assobio e se colocou ao lado de Naty.

- Perfeito! Simplesmente perfeito. Agora sim os garotos vão cair aos seus pés Gi, e não será somente o Santo Potter, não. – Gina riu e assim passou a mão pelo peito, fazendo Naty torcer o nariz.

- Espere... Está faltando os toques finais. – correu até a mala que trouxera e de dentro desta tirou uma pequena caixa de madeira, bem trabalhada. Abrindo-a, tirou algumas jóias.

- Naty, eu queria usar o colar que a minha mãe me deu. – vendo que May iria protestar, continuou rapidamente: - Podemos transformar a cor prateada dele em dourado.

Naty sorriu.

- Tudo bem. – pegando o colar da ruiva, caminhou para trás dela e assim o colocou. Logo em seguida, segurou-lhe a mão e fez com que um delicado anel trançado em ouro, prata e bronze contornasse o dedo anelar da ruiva antes de, por fim, pôr no pulso dela, uma pulseira delicada com várias pedras vermelhas.

- Brinco. – May murmurou, caminhando até Gina e colocando o brinco; um delicado brilhante, onde era somente um leve enfeite. – Bem, vejo que a nossa queria Dama de Vermelho está pronta. – as três riram divertidas – Agora é a minha vez e da Naty de nos trocarmos, olha só, já passou uma hora, temos que nos apressar.

Com um sorriso, Gina sentou-se na cama e pegou sua mascara. Suspirou, aquela seria uma grande noite e Harry que a aguardasse.

Arregalou os olhos e piscou-os várias vezes ao ver May e Naty tropeçarem uma na outra e ao mesmo tempo iniciarem um duelo para ver quem iria usar o espelho primeiro.

- E essas são as minhas melhores amigas. – murmurou revirando os olhos.


As portas de carvalho do Salão Principal se abriram, revelando a seus olhos a belíssima decoração e os alunos que já riam e se divertiam.

O teto estava enfeitiçado para mostrar a todos o céu cheio de estrelas brilhantes e a grandiosa lua cheia que iluminava a pista de dança.

Mesas redondas coberta por toalhas brancas estavam enfeitadas por delicadas flores, assim como as paredes que haviam sido tampadas por cortinas de seda.

O chão antes de pedra fora transformado em madeira, e uma escadaria a porta do Salão dava o toque de idade media clássica.

Sorrindo, desceu a escadaria e caminhou até a mesa onde Rony – que estava fantasiado de arqueiro – estava sentado ao lado de Hermione. Não pôde deixar de franzir o cenho ao ver que a amiga estava um tanto quanto... Estranha, naquela roupa de leão, onde a própria juba do animal, ela fizera com o próprio cabelo.

Tentando segurar a risada, aproximou-se dos amigos e sentou-se na cadeira em frente a eles.

- Por que essas caras emburradas? – Hermione encarou-o de modo que os olhos castanhos o fuzilassem.

- Pelo simples motivo que seu amigo aqui teve a brilhante – ironizou - idéia de querer que eu e ele viéssemos fantasiados como um par...- Harry ergueu a sobrancelha pedindo para que ela continuasse – Era para ele vir de leão e eu de leoa, mas ele mudou tudo...- Rony riu com desdém.

- Você queria que eu fizesse uma juba e ficassem rugindo por aí. Poupe-me Mione, mas isso já é pagação de mico. – Hermione fez uma careta de raiva e pegando o guardanapo sobre a mesa atacou em direção ao ruivo acertando-o bem no meio do rosto.

- Você definitivamente é o legume mais miserável e patético que eu já tive a infelicidade de conhecer em toda a minha vida, Ronald Weasley. – e assim saiu batendo os pés pelo Salão.

Harry seguiu a amiga com os olhos, pasmo pela cena. Respirou fundo e voltou-se para Rony que apertava o guardanapo com raiva entre os dedos.

- Rony. – chamou-o amigavelmente. Céus, quando aqueles dois iriam crescer e pararem de brigar como duas crianças. – Rony. – chamou o ruivo novamente, que agora o direcionou os olhos faiscantes de raiva – Vai atrás dela. – disse num tom firme enquanto se sentava na cadeira.

- Você é louco? – Rony disse, sentando-se de um modo mais relaxado sobre a cadeira e arrumando o chapéu verde sobre a cabeça – Se eu for lá ela me mata.

Harry riu e girou os olhos. Era tão difícil de entender que Hermione queria que ele a seguisse? Nem ele mesmo era tão tapado assim... Era?

- Rony...- respirou fundo na tentativa de se acalmar – Vai atrás dela.

- Mas...- o ruivo tentou protestar.

- Agora!

Rony passou a língua sobre os lábios e estufou o peito.

- Me deseje sorte. – foi a única coisa que disse, antes de sair correndo e desaparecer além da porta do salão.

Harry sorriu e bebeu o conteúdo do copo que o amigo deixara sobre a mesa. Percorreu os olhos ao arredor e pôde ver que varias garotas da escola havia pintando o cabelo de vermelho.

Gemeu. Desde que o boato dele e Gina serem namorados ou melhores amigos se espalhou, uma grande parte da população feminina tentava imitar a ruiva em tudo.

Agora como ele iria saber quem era ou não a sua Gina?

Olhou para si mesmo e sorriu. Não estava mal com aquelas roupas pretas, onde a camisa se encontrava completamente aberta. A mascara que usava tampava somente seus olhos que continuavam verdes. Já com os cabelos, não teve muito que fazer, eram rebeldes e passar um pente por eles seria perca de tempo.

- Oi Harry. – uma voz doce e suave chegou a seus ouvidos o fazendo piscar os olhos e encarar a bela ruiva a sua frente. Oh não, aquela não era a Gina... Era? – Você está lindo.

Harry sorriu. Gina nunca iria falar daquele modo com ele, no mínimo iria gritar e dizer que ele havia tentado se parecer com uma largatixa preta. Mas, enquanto ela não chegava, nada o impedia de se divertir um pouco. Além do mais, Gina querendo ou não, ele seria o seu par naquela noite.

- Olá... Você é? – a jovem riu atrás da brilhante mascara dourada. Uma risada que irritou seus ouvidos e fez sua cabeça latejar.

- Ora seu bobinho sou eu...- ela falou, abanando o leque sobre o rosto fazendo os cabelos ruivos fajutos esvoaçarem – A sua Gininha.

Harry riu e tentando fazer uma perfeita cara de surpreso, segurou a mão da garota e levou-a aos lábios, fazendo-a suspirar.

Definitivamente, elas eram todas iguais.

- Oh sim, como não reconheci a minha melhor amiga. A jovem mais bela desse salão inteiro? – perguntou, num tom galante. – Gostaria de dançar?

Não fora preciso perguntar duas vezes, pois a jovem nem ao menos se deu ao trabalho de responder, pegou-o pelo colarinho e o arrastou até a pista de dança, onde mostrou a ele a certeza que não era Gina; ela odiava e não sabia dançar.

Aquela seria uma grande noite... Pelo menos até que Gina chegasse, e daquela vez a ruiva não iria conseguir escapar de seu beijo.

Precisava sentir a boca dela para matar a sua sede e aquele sentimento que o fazia acordar suado todas as noites. Necessitava passar seus braços em volta daquela cintura fina e delgada escondida por pesadas vestes.

Os Deus, como ele a desejava...

- Harryzinho, acorde, está pisando na barra do meu vestido. – balançou a cabeça e assim levantou a perna.

- Oh, me desculpe. – disse sorrindo, enquanto conduzia a jovem pelo salão.

Gina onde você esta?, Perguntou-se quando viu que a jovem voltava a rir numa forma exaltada ao pé de seu ouvido.


- Eu não vou conseguir. – Gina falou, dando meia volta nos calcanhares e tentando passar por Naty e May que a impediram, fazendo uma barreira a sua frente – Meninas, olha só o tamanho dessa escada; eu posso cair, rolar e passar a maior vergonha da minha vida, além do mais...- suspirou – Eu estou com medo.

Naty sorriu e colocou uma mecha de seus cabelos negros para trás de seu ombro. Fitando a ruiva com os incríveis olhos azuis, escondidos atrás da belíssima mascara, disse:

- Não precisa ter medo, pois eu e a May estaremos aqui. Gina, essa é a sua noite, esperamos por muito tempo até a chegada dela. – abraçou a ruiva. – Não desperdice a sua única chance amiga.

May riu e pulou animada.

- É isso aí. – disse, fazendo Gina encará-la – Eu nunca a vi tão linda Gi, então, estufa esse peito e entre naquele salão, fazendo todos os garotos caírem para trás. – abaixando o tom de voz murmurou – Você é capaz de tudo ruiva, só basta querer e ter determinação.

Gina olhou para as amigas de uma maneira tenebrosa.

À noite do Baile havia realmente chegado, e ela nunca pensou que iria desejar ter tido um pouco mais de tempo para se preparar para ele.

Iria encontrar todo mundo nele, principalmente Harry, que naquelas alturas já deveria estar beijando alguma garota em algum canto.

Inferno, por que teve que sair de sua cama? Poderia ter ficado muito bem lá, deitada, entre as cobertas quentinhas e pensando em sua vida. Deixando-a passar por seus olhos de um modo solitário e triste.

Abaixou a cabeça e olhou para os próprios pés calçados por uma belíssima sandália dourada de tiras finas.

A vida às vezes era injusta e a pior das injustiças era que Harry nunca iria corresponder o seu amor, pelo simples motivo de ser a irmã do melhor amigo dele e outro, por ser a melhor amiga dele.

Balançou a barra de seu vestido, sentindo o delicado tecido roçar sobre suas pernas.

E se ela nunca houvesse nascido? E se ela não pertencesse à famlá-ia Weasley? E se...

Fechou os olhos e cerrou o punho.

Chega!

Sua cota de autopiedade acabara de se esgotar.

Mesmo que sua vida pudesse ter tido rumos diferente, agora ela estava ali, linda com aquela fantasia, com duas amigas maravilhosas e pronta finalmente para encarar as pessoas de Hogwarts, que por tanto tempo a julgara; imatura, ingênua e... Feia. Isso, claro, até aquele ano.

Sorrindo, ergueu a cabeça e abriu os olhos.

- Vamos lá meninas. – disse num tom confiante, mesmo que temesse cair no chão, graças as suas pernas bambas – Vamos fazer esse Salão tremer.

Naty e May sorriram e arrumaram as próprias mascaras em seus rostos.

- Não se esqueça de falar com a sua voz quando canta, Gi. – a índia lhe alertara, quando as portas do Salão começaram a se abrir.

- Exatamente, pois se usar a sua normal poderão descobrir quem é você. – Naty falou respirando fundo e dando o primeiro passo a frente – Eu vou à frente. – e antes que as outras pudessem dizer alguma coisa, entrou dentro do circulo de luz, que iluminava o ambiente agradável do baile.

Sorriu e sentiu o doce perfume das flores, que percorriam ao arredor.

Vários alunos pararam de conversar para olharem em direção a escada onde estava, até mesmo algumas garotas haviam parado de dançar, menos uma que tinha seus braços ao arredor de um jovem alto, moreno e de incríveis olhos verdes.

Potter!, Naty pensou girando os olhos e começando a descer a escadaria do Salão.

Pôde ver que entre os alunos um garoto de cabelos negros, que lhe caiam sobre os ombros, usando um tapa olho, vinha em sura direção com um sorriso que a fez perder o controle da própria respiração.

Estava fantasiado de pirata, com uma calça bege suja entre as longas pernas, botas pretas e uma camisa branca bem amassada e aberta, deixando a vista o forte tórax.

Ele continuou caminhando, até que chegou na escada e assim lhe estendeu a mão, de modo educado.

- Se me permite, querida donzela. – ele começou, fazendo os pêlos da nuca de Naty se arrepiarem, quando aquela voz rouca e sensual penetrou em seus ouvidos, enviando para seu corpo uma carga eletrizante – Mas está noite a senhorita terá que ser seqüestrada por um pirata.

Naty riu e deslizou sua mão pelos dedos longos do jovem, e quando seus olhos se encontraram, fora impossível não reconhecê-lo.

- Oh, meu Deus, e quanto o senhor irá pedir pela minha liberdade? – perguntou, enquanto os braços fortes circulavam ao arredor de sua cintura.

O pirata sorriu ainda mais, de modo que a felicidade fosse estampada nos incríveis olhos cor de mel.

- Um beijo. – ele disse rouco, inclinando a cabeça em direção aos lábios de Naty, que os ofereceu sem nenhuma resistência.

- Fred...– gemeu, quando sentiu a língua do ex-ruivo passar sobre seus lábios e penetrar como uma cobra sedenta dentro de sua boca, saboreando-a.

Sentiu os braços fortes lhe estreitarem ainda mais, como se temessem que ela fosse sair correndo, fugindo de si. Mas a última coisa que ela desejava era sair de perto daquele corpo másculo, que se contorcia de prazer contra o seu, aquecendo sua pele como se derramassem pura brasa sobre ela, marcando-a. E era exatamente isso que Fred fazia; a marcava com aquele calor que emana dele, aquele calor que mostrava o tanto que ele a amava... A desejava.

Suspirou quando as mãos dele deslizaram pelas suas costas e perderam-se sobre seus cabelos, sentindo sua textura sedosa.

Fred não conseguiu conter o próprio gemido, quando as mãos pequenas da namorada acariciaram sua nuca e logo os dedos delicados se perderam em seus cabelos, cravando as unhas em seu couro cabeludo.

Fora impossível não reconhecê-la, linda como sempre, descendo aquelas escadas com tanta leveza que o fizera quase acreditar que ela estivesse flutuando.

O vestido azul marcava com perfeição as curvas belíssimas de Naty, onde a cor azul realçava ainda mais o tom dos olhos celestes dela. Aqueles olhos únicos, que ele reconheceria até mesmo a longa distância.

A mascara lhe dava um ar sensual, mas os cabelos soltos, lisos e brilhosos eram um convite para ele percorrer seus dedos sobre as mechas azuis que ela fizera.

- Pensei que você não iria vir. – murmurou ao pé do ouvido dela, enquanto parava de a beijar, e assim a levava até uma mesa – Estava preste a ir atrás de você. – Naty riu numa forma tão graciosa, que o fez sentir seu coração falhar um batimento.

- E você acha que eu seria louca de perder esse baile? – ela respondeu com outra pergunta, sentando-se.

Fred arrastou uma cadeira para o lado da morena e assim se sentou também, segurando-lhe as mãos acetinadas assim como o restante do corpo que ele tanto ansiava em se perder, entre as suas.

- Se você é louca? Disso eu tenho certeza absoluta meu amor, mas...- sorriu de modo malicioso – Tenho quase certeza que você não iria gostar de me ver entrando em seu quarto nessas horas somente para lhe avisar que estarei a arrastando para o baile. Além do mais, acredito que o nosso baile seria perfeito entre quatro paredes e em...- chegou ainda mais perto e assim sussurrou: - particular.

Naty respirou fundo e assim retirou suas mãos de entre as de Fred, que riu para valer ao ver sua reação.

Céus, nem em lugares públicos aquele ruivo não conseguia segurar os próprios hormônios?

Vendo-o erguer a mão e colocar uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, ele murmurou:

- Eu te amo. – Naty ia responder, mas foi bem naquele momento que outra pessoa entrou no Salão, dando o ar de sua presença misteriosa.

May tentou relaxar sobre as vestes escuras, mas estava bastante complicado.

Arrumou a mascara sob o longo capuz, que lhe tampava o semblante e assim começou a descer as escadas, pisando cada degraus de uma vez, com firmeza.

O som do salão estava bastante alegre e o ritmo parecia ter sido feito somente para ela, lhe enviando cargas tão sensuais que a fazia desejar retirar o sobretudo e mostrar o seu verdadeiro eu na pista de dança.

- Você é uma Sutramy, e não uma dançarina de cabaré. – disse a si mesma, começando a andar pelo Salão, em direção a mesa de bebidas. Chegou a estremecer quando algo em suas costas a fez sentir que era observada com tanto desejo. – Babe querido, mas não se atreva a colocar suas mãozinhas em mim. – voltou a dizer baixinho, enquanto se servia de uma boa quantidade de cerveja amanteigada. – Argh... Que bebida de pobre.

Uma risada a suas costas lhe chamou a atenção, fazendo-a virar bruscamente e se deparar com a escultura viva mais bela que já vira em toda sua vida.

O jovem ria sarcasticamente, mesmo que pudesse reparar que nela havia um toque de humor. As vestes eram que nem as suas; negras, pesadas e misteriosas.

Os cabelos eram loiros e caiam um pouco abaixo dos ombros, enquanto a mascara branca que usava tampava somente até o nariz arrebitado e fino, sendo que a boca levemente avermelhada ficasse amostra, assim como os incríveis caninos brancos.

- Vampiro? – perguntou, franzindo o cenho. O jovem sorriu pelo canto dos lábios, aonde havia uma pequena gota de sangue feita.

- Bela observação, e você? – ele perguntou se aproximando e pegando o copo de bebida de suas mãos e a colocando sobre a mesa, onde com os braços a prensou.

Que folgado!, May pensou, mesmo que estivesse gostando do jeito atrevido do rapaz que a fitava com os incríveis olhos negros.

- Não sei exatamente, Dama de Luto? – arriscou. Nem mesmo ela havia se tocado no que havia se fantasiado. Roupas negras, não tinha nada mais elegante e discreto. Além do mais, preto era a melhor cor de todas. Okay, depois do verde, prata e... Roxo.

Mordeu a própria língua para segurar uma alta risada. Definitivamente, ela seria Sonserina até mesmo depois da própria morte. Iria pedir que seu corpo fosse coberto pela bandeira da casa, somente para mostrar aos grifinorios asquerosos que os sonserinos eram muito mais que simples cobras, eram patriotas e idolatravam seu Lord. O veneno das trevas corria em suas veias.

- Não. – o jovem vampiro disse, aproximando ainda mais os belíssimos caninos de seu pescoço. O Merlin, se havia alguma coisa naquele mundo que a fazia esquecer até mesmo o próprio nome, era vampiros. – Eu falaria que você está fantasiada de uma verdadeira Lady das Trevas. – riu de modo que fez o capuz de sua capa deslizar pela sua cabeça, lhe revelando os incríveis cabelos, onde estavam mais longos e negros.

- Lady das Trevas. – repetiu fazendo os olhos de íris prateadas brilharem ainda mais – Soa bem. E pelo visto, você deve ser da Sonserina, pois não seria qualquer um que teria essa idéia.

- E você também deve ser, para vir com essa fantasia. – ele murmurou, percorrendo os olhos pelo seu corpo, fazendo um rastro de fogo por onde passavam.

May ergueu uma sobrancelha e assim se virou sobre os braços fortes, fazendo suas costas colarem sobre o forte tórax do loiro.

Por alguma razão, aqueles cabelos não lhe eram estranhos e muito menos o jeito sedutor do olhar.

- Então, é um ponto positivo para nós dois. – disse se servindo de um novo copo de cerveja antes de virar o rosto em direção ao do vampiro que ainda a abraçava por trás – Somos da melhor casa. E também...- percorreu seus olhos pelo corpo dele, o sentindo estremecer sobre seu gesto malicioso – temos ótimos gostos.

Ele sorriu e assim se afastou a fazendo sentir a brisa fria daquela noite.

- Gostaria de dançar? – ele perguntou, estendendo-lhe a mão, onde May graciosamente colocou seu copo de bebida, o fazendo segurar como um verdadeiro garçom.

- Não, obrigada, talvez mais tarde. – e mandando um beijo no ar para o loiro, sorriu e assim caminhou até a Ala onde estavam os alunos da sonserina, deixando para trás um atordoado, sem ao mesmo suspeitar, Draco Malfoy, que fitou o copo em suas mãos antes de soltar uma sonora gargalhada.

- Mas quem é ela? – ele perguntou, antes de virar nos calcanhares e seguir o caminho que a sua Lady fizera, sem ao menos desgrudar seus olhos dela.

Mas, antes que pudesse continuar com o seu movimento, as portas do Salão voltaram a se abrir e a imagem que surgiu foi tão espantosa que o copo escorregou entre seus dedos, espatifando-se no chão.

- Meu Senhor. – murmurou, ficando de frente para a escadaria onde a imagem da garota que acabava de entrar ficava cada vez mais nítida.

Não era o único a se encontrar naquele estado atordoado e abobalhado. Praticamente todos os jovens presentes naquele momento se encontravam da mesma maneira ou até mesmo mais chocados pela beleza estodeante da ruiva. Muitas garotas chamavam o seu par pelo nome num tom irritado, mas este parecia não ouvir, completamente enfeitiçado pela beleza da jovem.

E o mais perturbado de todos era Harry, que já tinha esquecido da dor de seus pés, graças aos vários pisões que recebera, ao longo de sua caçada por Gina, que misteriosamente não havia chegado.

Muitas garotas ruivas haviam chegado a si, dizendo que era a sua amiga, mas em segundos ele descobrira a verdade; ora pelo aroma do perfume, a voz ou até mesmo o jeito diferente que a jovem estremecia o corpo sob seus braços.

Com Gina era diferente, ela sorria de um jeito encantador, era ousada e maliciosa ao mesmo tempo, sem perder a sua pose de uma pessoa bastante carinhosa e afetiva.

Mas naquele momento tudo ao seu redor pareceu se desfavelar em puro pó, onde o vento daquela noite o levava para longe.

- Dama... De... vermelho. – murmurou entre uma respiração pesada e outra. Era ela. Era a garota com a qual havia sonhado... Era a dama de vermelho, a sua dama, que chegara para lhe tirar daquele sufoco e o fazer viver aquele sonho que o fizera estremecer, suar, excitar-se.

Sorriu e começou a caminhar em direção a escadaria, passando pelos garotos, ainda atordoados.

Ela estava ali, mais bela do que sua mente havia lhe mostrado. E, daquela vez, ela não iria fugir de seus braços quando estivesse a beijando. Não iria permitir, naquela noite, que o vento a levasse para longe de si.

Oh meu Deus! Foram as primeiras palavras que ecoaram em sua mente quando o viu.

Ele estava se aproximando. E cada vez mais sua respiração se alterava.

Umedeceu os lábios e segurou a barra do vestido com força. Lá estava ele, lindo naquela fantasia de... Lagartixa Preta? Balançou a cabeça, aquilo não importava.

Harry sorria e passava pelos alunos ainda abobalhados por sua entrada no Salão.

Seu sangue gelou.

O sorriso era luminoso, o corpo a mostra era divino – os ombros fortes e largos, o peitoral amplo e firme, a barriga rígida e malhada detalhadamente, e as pernas que o ninho entre elas mostrava uma força viril alucinante -, mas o que a assustava eram os olhos... Olhos que passavam pelo seu rosto parecendo que o conhecia de algum lugar. Mas para o seu alivio, Harry logo os descia em direção ao seu corpo, parecendo ser capaz de derreter sua roupa para poder saborear o prazer que seria vê-la despida.

- Reza Gina, reza...- disse a si mesma – Pai nosso que estais no céu, santificado seja...- mordeu a própria língua. – Pára de ser patética e mecha-se, vai ficar nessa escada quanto tempo mais?

Harry ainda continuava se aproximando, com os passos folgados e firmes e com um sorriso nos lábios sensuais, que Gina temeu rolar escada a baixo graças as suas pernas bambas.

Respirando fundo mais uma vez e prendendo o ar em seu peito, começou a descer a escadaria, ciente de todos os olhares curiosos dos alunos sobre si. Principalmente das garotas, onde havia em seus olhos aquela pontada de inveja; e dos garotos aquele brilho de desejo.

Pousou a mão delicadamente sobre o corrimão e a escorreu ao mesmo ritmo que ia pisando degrau por degrau.

A música soava de uma forma suave e alegre, ecoando pelas paredes do Salão e penetrando-lhe nos ouvidos, enviando sobre a extensão de seu corto cargas eletrizantes de excitação.

Só mais cinco degraus e chegaria ao chão da pista, e Harry já estava lá, esperando-a, pronto para transformá-la na sua mais nova presa.

Colocando sobre seus lábios o melhor sorriso, se pôs ao lado do melhor amigo, que ergueu uma sobrancelha e voltou a percorrer as íris esmeraldas sobre seu semblante.

Naty e May se encontravam em lados opostos sentadas e bebendo alegremente, mas Gina pôde sentir o olhar delas sobre si, graças aquele calor onde a fazia entender que elas estavam orgulhosas.

Colocando uma mecha ruiva atrás da orelha, abaixou a cabeça de modo tímido para logo voltar a levantá-la e encarar o melhor amigo, num convite silencioso para ele aproximar-se.

Harry oprimiu um sorriso e assim se aproximou cauteloso. Abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Gina fora mais rápida e pousou a ponta dos dedos sobre a boca dele, sentindo a sua suavidade e fazendo-a imaginar como seria a sensação de beijá-lo de verdade; exprimir sua boca contra a do melhor amigo e sentir o sabor daquela língua eloqüente roçando na sua, que com certeza a faria derreter sobre aqueles braços musculoso.

Ergueu mais um pouco o rosto, de modo provocativo, e sorriu amavelmente, enquanto deslizava seus dedos pela boca dele, pelas mechas negras que lhe caiam sobre o pescoço e assim parando-as sobre um dos ombros, onde com as unhas começou a fazer desenhos imaginários.

Conhecia Harry melhor que ninguém, e se tinha alguma garota que conseguiria resistir a todo aquele charme era ela. E o melhor de tudo era que naquela noite não seria nenhuma garota que iria cair aos pés dele, e sim ele que iria cair aos seus.

Aquela noite seria dela e de Harry e ninguém iria atrapalhar. Tudo poderia acontecer, e Gina estava rezando para que nada desse errado.

- Shhh... - murmurou, ciente de todos no salão estarem os observando, ansiosos por alguma atitude. Gina clareou a garganta e fazendo de tudo para emitir a sua voz de canto, continuou: - Não diga nada, pois tenho certeza que, neste momento, as palavras são desnecessárias.

Harry engoliu em seco quando uma brisa fria entrou por uma das janelas envidraçadas e arrebatou-se sobre si, no mesmo instante que a mão pequena e quente da Dama de Vermelho voltou a deslizar sobre sua pele, queimando a cada caminho percorrido com uma suavidade que o fez lembrar da graciosidade de uma pétala de rosa. Os dedos finos e delicados percorreram seu braço, parando em alguns lugares onde seus músculos se encontravam mais tensos, antes de, por fim, com um aceno de cabeça, começar a caminhar pelo salão deixando-o sozinho ao pé da escadaria.

Oh sim, aquilo tudo era bem melhor do que um simples sonho.

Olhou para a jovem ruiva que deslizava sobre o chão parecendo flutuar, de vez em quanto ela olhava por cima dos próprios ombros e o fitava com aquelas íris que o fizeram quase se afogar, e sorria para logo voltar o seu caminho, passando entre os alunos que, como ele, a seguiam com os olhos.

A música voltou a soar, ainda mais alta e animada, fazendo todos despertarem de seus transes e assim voltarem a dançar, agora comentando sobre aquela Dama. A sua Dama de Vermelho.

Umedecendo os lábios, começou a fazer o mesmo caminho que o dela, ainda a observando como um verdadeiro falcão que saboreava sua presa antes de dar o seu ataque e devorá-la. Matando aquela fome selvagem dentro de si.

Podia ver que ela não era o tipo de jovem que se deitava com um garoto logo na primeira noite. Ela parecia ser doce, delicada e angelical demais, mas o brilho daqueles olhos azuis mostrava uma pessoa selvagem, a qual fez seu sangue correr mais rápido entre suas veias, excitando-o.

- As santinhas sempre são as melhores. – murmurou a frase que um dia Sirius lhe disse, enquanto bebiam alegremente e escondidos no Três Vassouras.

Sorriu malicioso e arrumou a mascara sobre os olhos quando viu a jovem passar pela mesa onde Natalie e Fred estavam e estranhou ao ver que a ruiva lançou um olhar misterioso para a morena, que correspondeu o gesto com um sorriso no canto dos lábios, parecendo bastante orgulhosa e feliz.

Balançou a cabeça. Deveria ter sido somente impressão sua. Estava tão abobalhado, que sua mente estava começando a lhe pregar peças.

A Dama parou em frente à mesa onde eram servidas as bebidas e pôde vê-la se servir de uma refrescante limonada azulada. Ficou hipnotizado sobre o gesto insinuante, quando ela levou o copo aos lábios, bebeu um pouco do liquido e logo passou a língua sobre a boca, solvendo o excesso.

Sua garganta estava seca. Seus lábios estavam trêmulos e sua língua formigava.

Queria beijá-la. Precisava... Necessitava, para não perder aquela pouca quantidade de sensatez que ainda lhe restava.

Seu coração batia tão rápido que poderia a qualquer instante sair de seu corpo.

Ela estava lá, parava, somente esperando-o. Indefesa e sem nenhum tipo de barreira que pudesse protegê-la dele, de suas garras e, acima de tudo, de seu desejo.

Até que vai ser bem fácil!, Pensou, caminhando mais rápido até a ruiva, que ainda bebia calmamente, parecendo não perceber a sua aproximação.

Quando estava preste a pôr-se ao seu lado, uma mão pousou sobre seu ombro, o impedindo de continuar a andar.

Bufando frustrado por ter que parar para ver quem seria o miserável que o importunava, virou-se bruscamente, dando-se de cara com Colin, fantasiado de um verdadeiro jornalista.

Okay, não tão fácil assim!

- Olá Harry, posso tirar uma foto sua? – ele perguntou animado, segurando a grande maquina fotográfica nas mãos.

Harry teve que segurar o impulso de dar um soco na cara daquele pivete, quando uma luz branca brilhou diante de seus olhos, cegando-o.

Ah, mas se quando aquele esbranquiçado em sua visão sumisse, Colin ainda estivesse na sua frente sorrindo debilmente, ele não iria responder por seus atos.


Bateu com força a porta de seu dormitório fazendo com que o chão de madeira tremesse levemente, e caminhou até o seu banheiro. Pondo-se em frente ao seu espelho, não pôde deixar de segurar um grito quando viu a sua decadente imagem refletida nele; os cabelos crespos e volumosos estavam bastante escorridos, tampando suas costas como um tapete velho e pinicante a fazendo lembrar da juba de um leão que acabara de se molhar na chuva. A maquiagem dos olhos estava escorrida pelo seu rosto, marcando-o com um forte caminho negro, e seus lábios também estavam borrados, aonde o batom vermelho chegava até a metade de sua bochecha.

Soluçando entre as lágrimas, abriu a torneira fazendo um jato de água cair fortemente sobre a pia, molhando o chão. Com as mãos em forma de concha, jogou a água no rosto e começou a remover a maquiagem.

Pegou uma esponja e colocou um pouco de sabão nela e assim começou a esfregar o rosto com força, sentindo a dor de sua pele que parecia estar sendo arrancada.

Terminando de se esfregar, voltou a lavar o rosto com a água e assim fechou a torneira, antes de pegar uma toalha e enxugá-lo.

Suspirou fundo quando voltou a observar a sua imagem refletida no espelho; estava bastante vermelha, mostrando que não teve nenhum cuidado ao esfregá-la com força. Mas para o seu desapontamento, o caminho que as lágrimas fizeram ainda estava marcado.

Jogando a toalha sobre a pia, caminhou até seu quarto e assim sentou-se em sua cama, desolada.

- Por que ele tem que ser tão – suspirou. – lindo?

Abraçou seu travesseiro e, deitando-se de barriga para baixo contemplou, o céu estrelado além de sua janela.

Sentiu novas lágrimas marejarem em seus olhos, lhe embasando a visão.

Num gesto de raiva, Hermione pegou seu travesseiro e o jogou longe, antes de soltar um grito enfurecido e frustrado.

Ela namorava o quarto garoto mais bonito de Hogwarts, onde este estava comprometido com a primeira garota mais feia.

Gemeu e tampou o rosto.

Por que as coisas tinham que ser daquela forma? Fazendo-a sentir como se as trevas perfurasse seu coração e fosse o destruindo aos poucos.

Poderia ter sido tudo tão mais fácil, se ela e Rony continuassem simplesmente amigos, com suas discussões e ela lhe puxando a orelha para estudar.

Mas não, aquela droga de destino havia lhe pregado uma peça, que a fazia somente sofrer; apaixonara-se por aquele legume menstruado.

Ela não poderia ser bonita que nem as outras garotas? Esbelta, com aquele corpo perfeito, a pele acetinada e aqueles lábios gloriosos.

Olhou-se no espelho e logo abaixou o rosto envergonhada de sua aparência refletida; era gorda, tinha sardas pelo rosto, que se misturavam com algumas acnes, e sem esquecer que era uma CDF e com aqueles cabelos que pareciam mais uma verdadeira crina de cavalo suja a lama, que lhe caiam até a metade das costas, quando secos.

Mordeu o lábio de uma forma que pudesse prender em sua garganta mais um novo soluço choroso.

Rony era o seu verdadeiro sonho de consumo; alegre, forte e, acima de tudo, tinha uma beleza marcante; os cabelos ruivos chamavam a atenção facilmente, os olhos cor de mel esverdeados, que brilhavam de uma forma viva, e aquela boca que, quando tocava na sua, a fazia se sentir como se estivesse flutuando, ao mesmo tempo em que sua cintura era queimada com o calor daqueles braços fortes.

- Rony – murmurou o nome do namorado, enquanto observava com carinho o anel de compromisso que ele havia lhe dado no terceiro mês de namoro; era de ouro branco, com delicados diamantes circulando-o, onde na parte interior estava marcado; Rony.W e ao lado um coração brilhava, parecendo que aquele brilho mostrava a força de seu amor por ele.

"Eu te amo mais que tudo, Mi" A frase ecoou em sua mente naquele mesmo tom rouco e charmoso de voz que ele usava para a deixar entorpecida, fazendo-a suspirar fundo de uma forma que pudesse sentir o aroma doce das flores que circulavam os jardins de Hogwarts.

- Eu também te amo, Ron – disse para si mesma, levantando-se e abrindo o zíper de sua veste, permitindo que esta caísse sobre seus pés. Vestiu um robe e prendeu os cabelos num alto coque com uma presilha, antes de se apoiar no parapeito da janela, sentindo a brisa fria brincar com as mechas que lhe caiam sobre o rosto.

Moveu seus olhos para o lado mais iluminado do castelo; luzes coloridas piscavam entre as janelas envidraçadas onde sombras de alunos dançando apareciam nas paredes, a música era alta e agitada aonde se misturava com as vozes e gritos dos jovens.

Abaixou a cabeça e suspirou cansada, de modo que, nesse momento, não pôde escutar a porta de seu quarto sendo fechada e trancada.

- Isso sua idiota! – disse a si mesma, cerrando os punhos sobre o parapeito e socando-o – Graças a esse seu maldito orgulho você estragou tudo. – uma lágrima caiu de seus olhos e pingou sobre o parapeito de pedra – Agora você está aqui, sozinha, enquanto ele está lá se divertido. – socou novamente. – Você conseguiu perder a pessoa mais importante da sua vida, e essa será a menor distância entre vocês dois.

- Isso não é verdade – uma voz rouca atrás de Hermione soou, a fazendo arregalar os olhos e soltar um grito assustado, enquanto se virava e se deprava com Rony.

Ele sorria de uma forma gentil. Enlaçando a namorada pela cintura, prensou-a contra a janela.

- Eu sei que errei, Mi, mas você tem que concordar comigo que o motivo da nossa briga hoje foi um tanto que... Patética demais. – Hermione abaixou a cabeça envergonhada. Rony balançou a cabeça e a inclinou de modo que desse um beijo nos lábios da garota e a fizesse ergueu o rosto novamente para encará-lo. – Eu te amo demais, Mi, tanto que às vezes chega a doer. – levou uma das mãos dela em seu peito, fazendo Hermione poder sentir as batidas fortes do coração dele contra sua palma. – E essa será a menor distância entre nós. Por mim, meu amor, eu ficaria ao seu lado para sempre...- a voz dele era rouca, e ainda murmurada ao pé do ouvido da namorada, a fazia estremecer – Fazendo chuva ou sol. De manhã, à tarde, e de noite... Eu passaria todos os minutos com você pelo simples motivo que você, minha querida, é a pessoa que mais amo nesse mundo. – olhando-a nos olhos, disse sério. Senhor, Rony sério era algo que Hermione pensou que nunca estaria viva para presenciar – Não importa o que aconteça, ou em que posição você esteja naquela droga de jornal... Mi, para mim, você é a garota mais linda do mundo, pelo simples motivo que é você que tem o meu coração, a minha alma... Você me tem por inteiro.

Hermione sorriu emocionada, antes de pular nos braços do namorado e abraçá-lo com força.

E, naquele momento, todas as mágoas que sentia em relação a si ou a Rony pareceram sumir num passe de mágica.

Ele a fazia se sentir especial, e acima de tudo; a garota mais bela do mundo.

Ela o amava demais, e saber que esse sentimento tão puro era correspondido da mesma maneira tão intensa, selvagem... Carnal, a fazia entender que aquele amor não poderia acabar. Pois, tanto ela quanto Rony, haviam sido feitos um para o outro.

Até mesmo Harry e Gina. Mas aqueles dois eram tapados de mais para abrirem os olhos e verem aquilo.

Sorriu e sentiu os dedos de Rony deslizarem, envoltos em sua cintura, marcando-a com o seu toque quente e firme.

As mãos dele pressionaram com força a lateral de sua barriga, enviando por todo o seu corpo uma carga arrebatadora, que explodiu em seu peito e fez com que um gemido escapasse de seus lábios.

- Feche os olhos – ele murmurou com a voz mais rouca que o normal.

A luz da lua parecia ter se posicionado somente para eles, sendo que o seu quarto estava completamente escuro, e onde ela e Rony estavam, era iluminado pelo esplendor prateado daquela noite cálida e fresca.

O cheiro de terra molhada, graças ao sereno, misturava-se com os das flores e penetravam em seu quarto como uma onda, os englobando num único clima de puro prazer.

E foi no exato momento que a boca de Rony friccionou a de Hermione, que ela sentiu seu mundo girar ao seu redor.

A língua dele penetrou sobre sua boca, escorregando entre seus lábios, fazendo uma corrente serpentear sua espinha e logo em seguida uma busca sensual se iniciar dentro da boca um do outro. Sedentos por sentir seus gostos.

Rony a trouxe ainda mais para perto de si, de modo que o corpo de Hermione encaixa-se perfeitamente contra o seu, fazendo-a sentir o quanto ele a desejava naquele momento.

Seus hormônios afloravam, e ele não conseguia controlá-los. Queria mais, muito mais.

A boca da namorada tinha um gosto que o enlouquecia, aquela pele delicada e os movimentos corporais o enfeitiçavam. Os olhos castanhos dela eram quase um convite silencioso para ele se aproximar e assim se perder naquela tempestade nebulosa.

Mordeu-lhe o lábio inferior, antes de virar o corpo dela em direção a cama, e assim começar a movê-la até lá.

Suas mãos pararam sobre os ombros dela, e gentilmente abaixou as mangas do robe, deixando os ombros de pele alva amostra. Não conseguindo controlar o próprio impulso, beijou cada um deles com suavidade, fazendo Hermione estremecer.

- Rony... – ela disse entre um gemido e outro.

A noite pareceu ganhar mais vida diante dela quando suas mãos, impulsionadas pelo seu desejo, se colocaram para dentro da roupa de Rony, que havia tirado a fantasia, substituindo-a por uma blusa folgada e uma calça jeans.

Rony sorriu quando seus olhos se encontraram e assim ele beijou-lhe o semblante docemente, saboreando cada parte de seu rosto com a boca sedenta pela sua.

- Mi – disse rouco – é melhor eu ir embora, porque não estou conseguindo mais me segurar.

Hermione o segurou, enrolando seus braços envolta da barriga lisa e rígida de Rony, que girou os olhos em delírio quando os dedos dela ficaram arranhando sua pele, como uma verdadeira gatinha manhosa, incendiando-o.

- Passa essa noite comigo. – ela pediu baixinho, enquanto dava pequenos passos para trás e, não deixando de fitar o ruivo nos olhos, sentou-se ao pé da cama, com ele diante de si. Sorriu docemente, e o trouxe ainda para mais perto de si, de modo que ficasse entre suas pernas – Fica... Eu quero... E eu sei que você também quer.

A respiração de Rony se alarmou, e graças ao silêncio noturno, Hermione pôde ouvir as batidas fortes do coração dele.

Mas era claro que ela tinha plena consciência do que estava pedindo. E Rony provavelmente estava num estado ainda pior; resistir á tentação ou...

Respirou fundo quando o viu olhá-la duma forma que parecia ser capaz de ler a sua alma.

Oh, Senhor, ela o queria demais... Queria sentir aquele prazer alucinante onde somente um homem e uma mulher eram capazes de chegar. Queria ser dele, somente dele. Daquele que tinha seu coração e a sua alma, e agora queria pôr nas mãos de Rony seu corpo.

Fechou os olhos quando o ruivo sorriu e assim, num rompante, tirou a camisa, para logo jogá-la no chão e inclinar o corpo.

As mãos fortes e quentes pousaram sobre seus ombros nus e deslizaram pelo seu braço.

Mordeu a própria língua para segurar um gemido quando ele abaixou o robe além de seus seios.

Rony também gemeu. Numa forma de puro desejo e satisfação ao ver que ela finalmente estava preparada para recebê-lo por completo.

Ainda de olhos fechados, Hermione pôde sentir o corpo dele prensar contra o seu, e fazê-la deitar sobre a cama.

Oh Deus, aquilo era melhor do que havia imaginado.

Agora podia tocá-lo de verdade, sentir aquele calor que a fazia derreter como mel aquecido e aquelas sensações formigarem por todo o seu corpo.

- Eu te amo demais. – Rony murmurou ao pé de seu ouvido, quando as mãos fortes afastaram o robe, deixando-a somente com a sua delicada calcinha branca.

Jogando a cabeça para trás e cravando os dedos contra os lençóis, Hermione arfou quando sentiu a língua do ruivo deslizar sobre seu ventre.

Correspondendo as mesmas palavras que ele lhe dissera, respirou fundo e assim se entregou.

Permitindo que eles se amassem pela primeira vez sem fronteiras, fazendo com que somente as estrelas e a lua fossem testemunhas daquele ato de amor. Onde, não somente os corações e as almas se fundiram num único ser naquela noite, mas sim os corpos.


O chão tremia graça aos alunos que pulavam animados na pista de dança, mexendo os corpos em sintonia com a música animada de batidas rítmicas.

Passou a mão pelos cabelos e olhou ao arredor, procurando a sua Dama de Vermelho.

Mas por que, diabos, aquelas garotas de Hogwarts tinham que ter pintado os cabelos de ruivos?

Caminhou entre os alunos a procura dela, esticando o pescoço na esperança de achá-la. Nada!

Cerrou os punhos. Ah, se não fosse por Colin ele não a teria perdido de vista e naquelas horas poderia já estar a beijando, saboreando aqueles lábios, acariciando aquele corpo e se perdendo naqueles olhos azulados.

Cabelos ruivos, olhos azulados e um perfume doce... Definitivamente, uma combinação perigosa para seus hormônios. Mas, o que mais o tocava, era a voz; aquela melodia suave e tranqüila que penetrava em seus ouvidos e enviava cargas eletrizantes para sua mente o fazendo estremecer.

Estranhamente teve o leve pensamento de que conhecia alguém que se encaixava perfeitamente naquela descrição. Mas ninguém, naquele momento, veio a sua mente, pois somente uma única coisa ecoava nela; a Dama de Vermelho e os acontecimentos em seu sonho que ele faria ir muito mais além.

Cabisbaixo, por não tê-la encontrado, deu a volta nos calcanhares para ir se sentar, quando a encontrou finalmente, parada a sua frente sorrindo como um anjo que afastava todos os seus pesadelos.

Merlin, ela era linda de qualquer forma, mas de perto... As veias de seu corpo pulsaram.

Ele a queria... Desejava... E todas aquelas sensações arrebatadoras o faziam temer a ponto de não saber o que elas significavam.

Como precisaria de Gina naquele momento, falando as coisas certas e o fazendo entender o que passava por dentro de si.

Franziu o cenho; Gina!

Mas aonde aquela pimentinha havia se metido? O baile já estava no meio e nenhum sinal dela.

Por em breve momento todo o seu corpo paralisou, ao pensar que ela poderia estar no dormitório, deitada, passando mal. Céus, e se ela estivesse precisando dele? E ele ali, com aquela sua estonteante ruiva, que sorria de uma forma protetora.

Pôde vê-la começar a caminhar em sua direção, deslizando sobre o chão como uma cobra que estava preste a percorrer todo o seu corpo e mordê-lo num golpe fatal, fazendo assim, todos os seus pensamentos sobre a melhor amiga sumirem rapidamente.


Oh sim, definitivamente todos deveriam estar se divertido. Mas ela não estava!

Primeiro fora à ousadia daquele porco do Crabbe vir falar com ela, paquerando-a de uma forma que a fez sentir nojo até de si mesma. Para depois vir outros Sonserinos repugnantes.

Girou as íris e suspirou sobre a cadeira que estava sentada e remexeu o copo de sua bebida entre os dedos

Se olhasse para um lado iria ver com perfeição Naty e Fred rindo, beijando-se e abraçando um ao outro. Na outra extensão do salão; estava Gina e Harry conversando também muito animados. Até demais!

E ela? Sentada naquela porcaria de cadeira, recebendo olhares que não estavam nem um pouco a fazendo passar bem.

É melhor eu ir embora!, Pensou, já começando a se levantar, mas nesse momento uma mão pesada e gorda tocou em seu braço a puxando com força e quase a fazendo cair no chão.

- Ainda não benzinho. – disse uma voz gosmenta ao pé de seu ouvido, a fazendo sentir ânsia.

Virando o rosto, pôde ver o semblante vermelho, por causa da bebida, e suado, por causa do calor, de Crabbe.

Oh não, Free Willy havia voltado para lhe atormentar a vida, novamente.

- Daria para você tirar a sua patinha horrenda de mim? – perguntou entre os dentes, mesmo que o seu tom fosse de uma perfeita ordem. Mas o sonserino pareceu não perceber e apertou seu braço ainda com mais força.

Maldição, onde estava Draco quando precisava dele?

Balançou a cabeça. Draco que se explodisse. Aquela margarida era a última coisa que gostaria de ver na sua frente naquele momento.

Olhou ao redor na esperança de ver algum salva-vidas para lhe tirar daquelas garras asquerosas... Onde estava o seu vampiro, ou até mesmo...

- Tira as mãos dela, a moça não quer a sua companhia, cara. – uma voz gentil e firme soou atrás deles.

May suspirou aliviada e sorriu pelo canto dos lábios ao ver que finalmente alguém havia percebido o seu chamado de socorro.

Sentiu a mão de Crabbe afrouxar um pouco em torno de seu braço, dando-lhe a chance de puxá-lo para si com força, libertando-o.

Olhou por cima dos ombros e pôde ver um perfeito elfo de longos cabelos loiros e olhos magicamente coloridos.

Percorreu os olhos pelo corpo e constatou, satisfeita pelo belíssimo físico que ele continha, mesmo tampado por aquelas vestes azuis.

Pôde sentir o chão tremer graças aos pesados paços do sonserino, que se afastou no momento que o loiro se aproximou de si e a enlaçou pela cintura.

- Obrigada – murmurou, enquanto se deixava conduzir até a pista de dança pelo elfo, que sorria animado – Não sei o que teria feito se você não tivesse aparecido.

Os braços dele circularam ao redor de sua cintura por inteiro, enquanto instintivamente May posicionava suas mãos envoltas do pescoço dele.

- Você não sabe mesmo quem eu sou, não é? – ele perguntou de repente, começando a conduzi-la.

May cerrou os olhos e percorreu-os pelo rosto do elfo. Definitivamente, ou ele estava muito bem fantasiado, ou era um louco.

- Me desculpe, mas não. – o elfo riu divertido e a fez dar uma graciosa pirueta antes de voltar a posicioná-la entre seus braços.

- May, May...- ele murmurou, inclinando-se em direção ao ouvido dela – Que tipo de melhor amiga eu fui arranjar, não é mesmo?

A índia arregalou os olhos e tirou o capuz, revelando os seus longos cabelos negros, que percorreram suas costas como um véu noturno.

- Jo... Jorge? – murmurou estupefata.

O amigo riu ainda mais alto, de modo que jogou a cabeça para trás, balançando as longas mechas loiras.

- Finalmente! – May sorriu pelo canto dos lábios e assim perguntou provocativa:

- É bom saber que é você querido... Mas tenho a nítida impressão que você não sabe muito a respeito de elfos, não é? – o amigo franziu o cenho.

- Como assim?

- Bem... Conta à lenda que todos os elfos são... Gays. – soltou uma sonora gargalhada quando os olhos coloridos de Jorge se arregalaram.

- Você ta brincando? – ele perguntou ainda a conduzindo pela pista de dança – Eu não sabia dessa...- murmurou – Acho que vou voltar pro dormitório e trocar de fantasia.

- Para qual? – May perguntou – Pistoleiro?

Jorge riu sem emoção perante a gracinha.

- Engraçadinha você não é? – May deu os ombros de uma forma inocente, o fazendo sorrir e a trazer ainda mais para perto de si, apertando-a em seus braços – Eu estava com saudades, faz tempo que não conversarmos. Agora que a minha cópia foi tirada de mim...- ele soltou um muxoxo e olhou de esgoela para Fred.

May sentiu um aperto no peito. Era verdade, desde que Fred começou a ter um relacionamento com Naty, ele e Jorge não passavam tanto tempo juntos. E o pior era que como melhor amiga daquele gêmeo, ela não estava lhe dando tanta atenção como merecia.

- Me desculpe, querido... – disse arrependida – Eu não estou sendo muito presente na sua vida como deveria ser.

- Tudo bem – Jorge deu os ombros e a rodopiou novamente – O importante é que mesmo que você não perceba, eu sempre estou te olhando, velando até mesmo seu sono nas aulas da Minerva - riu irônico – mesmo que você não saiba May, eu ainda continuo cuidado de você, em silêncio, somente te observando de longe.

May abraçou-o.

- Eu te amo muito sabia? – Jorge sorriu e olhou-a debochado.

- Mas é claro, todas as garotas de Hogwarts me amam. – gabou-se, fazendo a índia lhe dar um tapa no ombro – Além do mais, quem além de mim e Fred tem a cara de pau de embrulhar a Madame Nor-r-ra numa caixa e enviá-la pelo correio pombal para o Filch no natal?

May gargalhou e abraçou o ruivo quando a música acabou e todos os alunos bateram palmas para o DJ.

- A Gina? – ela murmurou ao pé do ouvido dele.

- Okay, okay! – Jorge falou – Você ta certa, mas eu tenho que concordar com você que a minha irmã consegue a proeza de ser mais pentelha do que eu e o meu irmão.

A índia balançou a cabeça.

- E eu sou assim pela influencia dela. E a Naty também...- o ruivo balançou a cabeça.

- Minha irmãzinha, a doce Gininha... Oh Senhor, aquela garota tão pura virou um verdadeiro demônio.

May deu-lhe outro tapa.

- Jorge Weasley – o repreendeu – Não fale isso da minha melhor amiga.

- Hei, eu estava brincando. – abraçou-a carinhoso e percorreu seus dedos pelas mechas negras sedosas, sentindo o delicioso aroma do shampoo – Você está linda.

- Querido, acorda pra vida, eu sou linda. – May falou convencida, fazendo-o sorrir divertido. – E você não é o único que acha isso.

Jorge balançou a cabeça e lhe deu um gostoso beijo na bochecha.

- Ninguém iria conseguir não achá-la bonita... – ele falou com o tom de voz baixo e rouco, enquanto roçava o nariz no pescoço da índia – Nem mesmo um cego. – May riu.

- Jorge... Pare com isso. Você está me deixando sem jeito. – o ruivo iria responder, mas nesse momento uma mão pálida tocou-lhe no ombro, o fazendo se erguer e olhar para trás.

Por cima dos ombros largos do amigo, May pôde ver um vulto negro fazendo com que seu sangue gelasse.

Era ele!

- Eu sei que estou sendo imprudente, mas você já dançou com ela, será que eu poderia também agora? – o vampiro perguntou educadamente, fazendo Jorge torcer o nariz.

- Mas é claro – respondeu a contra gosto soltando May e conduzindo-a para os braços do vulto.

May sorriu agradecido para o amigo e num gesto rápido tirou o sobretudo que usava, revelando o seu belo vestido preto de um ombro só, também aberto nas costas, onde deixou a mostra a sua tatuagem; um dragão preto que percorria sua coluna, enrolando-se em sua coluna vertebral.

- Pode colocar em cima de uma cadeira para mim, querido? – perguntou a Jorge, que ficou surpreso com a visão de sua tatuagem, enquanto pegava o sobretudo que ela lhe estendia.

- Cla... Claro – respondeu ainda surpreso, dando a volta nos calcanhares e se afastando.

May respirou fundo e enxugou a testa com a mão, eliminando um pouco do suor.

- Quente aqui não é mesmo? – perguntou ao vampiro que sorriu, revelando novamente os caninos brancos e afiados.

- Se você quiser eu posso ir pegar aquele copo que você me deu quando a convidei para dançar pela primeira vez. – ele disse irônico, a fazendo rir.

May ia responder, mas naquele momento uma nova música começou e abafou sua resposta.

Os braços do vampiro circularam seu corpo, como se a embalasse, e num puxão gracioso, fez com que seu corpo se encaixasse com perfeição ao dele.

Os rostos se aproximaram, e quando seus lábios estavam quando se tocando, de modo que ela podia sentir o hálito febril dele sobre sua boca, o vampiro desviou os rostos e apoiou o queixo em seu ombro, aspirando o seu perfume.

- Delicioso...- ele murmurou, deslizando a ponta dos dedos pelo formato da tatuagem, a arrepiando.

May fechou os olhos e começou a ser conduzida de uma forma que um ar sensual e tentadoramente perigoso se apossou deles.

Oh sim, a sua noite estava começando a melhorar.


Os tambores, o som e a noite incrivelmente bela... Tudo parecia ter sido escrito somente para eles, fazendo que cada detalhe saísse perfeito.

E agora ela estava ali, falando e agindo de um modo que pensou que nunca seria capaz.

Pela primeira vez, sentiu como era ser observava por um garoto que a via como uma presa e faria de tudo para devorá-la.

E o melhor, era que aqueles olhos verdes a acariciavam como uma pétala, o desejo faiscava neles, o sorriso mostrava o tanto que estava fascinado e o tom de voz; rouco e sensual, lhe dava a entender que ele a queria e não iria desistir tão fácil.

Todos aqueles anos valeram a pena, todas as lágrimas que havia derramado por ele, cada palavra de dor e cada fibra contorcida em seu ser. Tudo valeu a pena para que ela estivesse ali, naquele momento, ao lado daquele garoto que por tanto tempo a fizera perder o rumo da vida. A fizera crescer, aprender e a entender o significado do verdadeiro amor. Que as almas gêmeas realmente existiam e que aquilo não era somente um pensamento de uma garota boba e apaixonada.

Levou novamente o copo aos lábios e sorriu delicada.

Senhor, aquele jogo de sedução era muito melhor do que havia imaginado.

- Você me encanta, sabia? – Harry perguntou, se aproximando cautelosamente e colocando as mãos para dentro de calça, para que pudesse segurar o seu impulso de tocá-la. Mas quem seria ela? Não vinha ninguém em sua mente com todas aquelas descrições, e provavelmente se ela fosse daquela escola, não teria passado despercebida por seus olhos. Ela era linda demais!

- E você me espanta. – Gina falou, colocando o copo sobre a mesa, calmamente.

Harry franziu o cenho.

- Espanto? – repetiu a pergunta – Por quê?

Ela deu os ombros e assim se apoiou na mesa, com as mãos para trás do corpo e a perna amostra casualmente por causa da generosa fenda.

Harry deslizou os olhos, como uma verdadeira caricia sobre a perna da garota e, enquanto sua boca ficava seca e seu corpo quente, como se o estivessem jogando dentro de um vulcão, fazendo-o suar frio.

Nunca em toda sua vida sentira tanto desejo por uma garota. E tinha certeza que se todas as cenas que vinham e iam em sua mente se realizasse, iria ser uma experiência fantástica e simplesmente maravilhosa. Algo que, talvez, despertasse algo nele, o fazendo ficar meio hesitante. Tudo era novo, principalmente aquelas batidas descompassadas em seu coração.

Sentia-se como um garotinho, que estava tentando chamar pela primeira vez uma garota para sair, e definitivamente ele já havia saído dessa fase e ido para uma muito mais além e... Divertida.

- Não é todo dia que as garotas têm a sorte de serem galanteadas pelo famoso Harry Potter. E nesta noite, ter sido a sua escolhida... Me assusta. – a Dama falou simplesmente, tirando-o de seus devaneios.

Harry arregalou os olhos e engasgou com a própria saliva.

- Como você sabe quem sou eu?

A ruiva sorriu e se virou, de modo que com um passo, fez com que a sua perna ficasse entre as coxas dele, fazendo os corpos ficarem encaixados e as respirações entrassem em harmonia uma com a outra.

- Tem uma única coisa que me diferencia das outras, Harry – Gina murmurou, ciente que estava entrando num terreno perigoso, e se continuasse nele não poderia mais voltar. Mas... Quem disse que ela queria? – Eu sei te reconhecer até mesmo às cegas...- ergueu o braço e com os dedos lhe acariciou os cabelos rebeldes. Um gesto que fizera tantas vezes, mas naquele momento tudo se mostrava tão diferente, como se estivesse lidando com um estranho. Um desconhecido, que fazia sua respiração se alterar, seu corpo arder e seu coração disparar em seu peito. – Pelo tom de sua voz...- cheirou-o no pescoço, roçando seu nariz na pele dele – Pelo seu perfume – ergueu o rosto e roçou seus lábios nos de Harry, enquanto seus olhos se perdiam nos verdes esmeraldas, que brilhavam reluzentes entre as luzes do salão – Pelos seus olhos, que me fazem perder o fôlego. Mesmo que você não saiba quem eu sou Harry...- sorrindo se afastou, o fazendo estremecer de frio – Eu sei muito bem quem você é.

Harry respirou fundo, tentando manter a calma.

Então ela o conhecia. Riu sem humor. Nos dias atuais quem era o infeliz que não iria conhecê-lo?

Pelo menos, uma vez por dia em alguma parte de algum misero jornal, teria que estar escrito; "E o Grande Harry Potter...". Por que simplesmente não o esqueciam? Fingiam que ele nunca havia sequer nascido e que Voldemort se encontrava no quinto dos infernos? Poderia ser tudo tão mais fácil.

Passou a mão pelos cabelos, antes de sorrir sem graça.

- Então, como você sabe quem eu sou... Por que não me conta quem você é?

Gina engoliu em seco. Com certeza aquilo era o que ele mais queria saber; quem era a pessoa que se escondia atrás daquela máscara.

Mas estava fora de cogitação.

Nem consiga imaginar qual seria a reação do melhor amigo se soubesse quem ela era.

Provavelmente iria sair correndo!, Pensou amarga, girando os olhos em desdém. Ela havia esperado praticamente sua vida inteira para se encontrar ali, e somente com um único passo falso todo o seu plano iria por água a baixo.

Mas não podia negar que se sentia um pouco decepcionada por Harry não ter descoberto quem ela era. Estava tão bem fantasiada a ponto de nem mesmo o próprio irmão vir a reconhecê-la?

Dando um leve sorrisinho amarelo, encarou Harry de modo provocante, antes de sibilar com os lábios sua resposta, fazendo com que ele tivesse que fitá-los para entender o que queria dizer.

Um gesto tão simples, que o fizera sentir o corpo inteiro ficar seco, como se necessitasse de algo para hidratá-lo.

- Não gosto de facilitar as coisas. - aproximando-se, ela mordeu a parte superior de sua orelha e escorregou os dentes até seu lóbulo, levando-o quase a loucura – Se quiser saber quem eu sou, terá que descobrir por si mesmo.

Harry segurou-a pela cintura e fez com que o corpo dela voltasse a ficar colado contra o seu, fazendo-o parar de estremecer de frio. Mas desta vez uma nova chuva de arrepios percorreu sua espinha.

Seu coração batia rápido e gotas de suor escorriam pelo seu rosto.

Estranhamente sorriu debilmente e fechou os olhos, pousando seu queixo sobre a cabeça da Dama de Vermelho, enquanto ela apoiava o rosto corado em seu peito descoberto, parecendo querer sentir a temperatura de seu corpo.

E ele soube que, graças àquela proximidade, ela também sentiu as batidas em seu coração, já que para fazê-lo engolir em seco, percorreu as unhas pelo seu abdômen.

De modo gentil, começou a conduzi-la para a pista de dança, onde uma nova música; sensual e perigosamente tentadora, soou pelo Salão.

Os quadris dela se mexiam sincronizados com o seus, de um lado para o outro, enquanto os seios volumosos friccionavam seu peito.

Percorreu os dedos pelas costas dela e sorriu vitorioso ao senti-la suspirar pesadamente.

Bom sinal! Pois mostrava que ele não era o único que estava começando a perder a linha da sensatez.

Rindo de uma forma bastante animada, afastou-se e num gesto firme a fez dar uma delicada pirueta antes de voltar a puxá-la novamente para si, tombando os corpos.

- Se eu te contar um segredo você promete guardá-lo? – murmurou ao pé do ouvido dela e devolvendo a provocação, Harry mordeu-lhe o lóbulo com a pontinha dos dentes.

- Claro...

Conduzindo-a ainda mais para o meio da pista, onde as luzes coloridas transformaram-se em brancas, pairaram sobre eles, iluminando-os e fazendo com que os alunos fizessem uma roda ao redor, observando-os atentamente.

Harry deu uma investida com o quadril sobre o dela, fazendo-a dar um passo para trás e girando-a, encostou as costas dela sobre o seu corpo novamente.

Erguendo-lhe os braços, deslizou a pontinha dos dedos pela lateral do corpo delgado, antes de repousá-los sobre a cintura. Sempre balançado os quadris de um lado para o outro, em sincronia com a música caliente.

Gina por sua fez, fechou os olhos quando as mãos de Harry percorreram a lateral de seu corpo, enquanto seus braços se entrelaçavam no pescoço dele.

- Eu não conheço... A sensação de estar apaixonado – Harry falou rouco, de modo que a respiração pairasse sobre seus cabelos. – Mas tenho certeza que, ao seu lado, eu vou descobri-la em breve.

O coração de Gina falhou e ela abriu os olhos abruptamente, de modo que ficasse nítido o seu espanto.

Virando a cabeça sobre os ombros, fitou Harry nos olhos e pôde ver que naquelas íris estava um brilho verdadeiro que a hipnotizou por alguns segundos.

Ela ouvira corretamente ou seu cérebro estava tão pairado que estava começando a lhe fazer ouvir coisas.

- Desculpe...- disse ainda atordoada.

Não, só poderia ter ouvido errado mesmo. Harry Potter apaixonado e, acima de tudo, por ela?

Teve o impetuo de beliscar o próprio braço para ver se aquilo era outro sonho. Mas deteve-se no meio do caminho. Sonho ou não, ela não desejava acordar. Queria continuar ali, com o seu corpo contra o de Harry e a música romântica – onde os tambores entravam em sincronia com seus quadris e pernas, ora balançando para um lado e outro, ora para frente e para trás – enquanto o som de alguma flauta egípcia a fazia contornar o corpo sobre o dele, como uma onda arrebatadora, os englobando de uma forma perigosa e sensual.

Harry sorriu e apertando-a ainda mais, lhe beijou o ombro, de modo que com a pontinha da língua fizesse um caminho úmido de brasa até a parte de trás da orelha de Gina.

- Vejo que acabo de descobrir o seu ponto fraco. – ele murmurou num tom divertido, ao senti-la apoiar-se com mais força em si, parecendo que a qualquer minuto iria cair de encontro ao chão.

- Eu também sei qual é o seu ponto fraco, Senhor Engraçadinho – Gina falou, mas logo se arrependeu ao ver o amigo franzir o cenho.

Estúpida! Besta! Anta! Idiota!, Uma voz irritante e grotesca gritou na mente de Gina. Ela era a única garota na face da Terra que sabia onde ficava o verdadeiro ponto fraco de Harry, pelo simples motivo que ele havia lhe contato nas férias passadas na Toca o local onde o deixava realmente sentir que estava caindo de um precipício sem fim.

- Ah, é? Então me mostre. Vamos ver se você sabe mesmo.

Hesitante, Gina virou-se entre os braços de Harry e aproximou sua boca da dele, perigosamente, sentindo o peito do moreno arfar com mais força contra o seu.

Mordeu a própria língua para segurar um gemido quando começou, lentamente, percorrer suas mãos pelo corpo rígido e definido de Harry, que já havia fechado os olhos como se estivesse gravando na mente o toque trêmulo de suas mãos.

As parando sobre o peitoral definido, sendo uma sobre o coração, Gina se curvou e assim lhe mordeu o queixo e deslizou a língua pelos lábios firmes do amigo, sentindo o seu gosto de menta e febril, alucinando-a ao ver que conseguira deixar ele bem aonde queria; em suas mãos. Enquanto ia as deslizando pelo pescoço, os ombros e finalmente no ninho entre suas mãos, fazendo Harry engolir em seco.

Sorrindo vitoriosa, Gina deu uma leve mordida marcando a pele de Harry com seus dentes.

Instantaneamente ele gemeu.

Erguendo o rosto, Gina encarou-o de modo maroto, mas o brilho nos olhos azulados não escondia a tamanha malicia, mostrando que ela havia gostado de ter feito ele gemer com o seu gesto ousado.

Se ainda havia algum fio de consciência na mente de Harry, este desapareceu naquele exato momento.

A música soou ainda mais forte e os tambores mais rítmicos assim como a voz da cantora.

Entrelaçando seus dedos entre as mechas vermelhas sedosas, puxou a cabeça da ruiva lentamente para trás, enquanto suas pernas de encaixavam entre as delas e os corpos começavam a se mover; como duas cobras.

Se havia algo do qual ele se orgulhava mais – depois de ser um grande conquistador e um ótimo apanhador – era dançar.

Puxou-a ainda mais para o centro e assim começou a conduzi-la em passos perfeitos e sorriu impressionado ao ver que ela o seguia da mesma forma.

Aquela ruiva definitivamente nascera para ficar entre seus braços. O perfume dela lhe aguçava todos os sentidos, o calor do corpo dela impregnava-se em sua roupa e penetrava em sua pele marcando-a, e o brilho daqueles olhos o faziam lembrar vagamente de Gina.

Suspirou e num gesto rápido girou a Dama de modo que logo a trouxe-se novamente para si.

Encostando sua testa na dela, lhe roçou nos lábios vermelhos, sentindo-os queimar sobre sua boca, e por um momento pensou se a língua dela seria capaz de fazer aquele mesmo gesto, de lhe dar aquela mesma sensação; plenitude, quentura, prazer!

- Você é perfeita de mais. – arfou quando a cantadora aumentou ainda mais o ritmo da música, fazendo com que os passos se tornassem mais rápidos.

Gina sorriu de modo agradecido pelo elogio e assim circulou os quadris, enquanto seus olhos brilhavam de satisfação; estava conseguindo dançar com Harry, e o melhor; até agora não pisara uma única vez em seu pé.

Abraçou o amigo pelo pescoço e assim continuou a ser guiada, agora movendo os ombros de um lado para o outro assim como seu corpo, num mesmo compasso que o corpo de Harry, que ondulava contra o seu, a fazendo sentir a tamanha força do desejo que ele tinha por si, roçando sobre sua coxa.

- Que tal convidarmos outros casais? – propôs, fazendo Harry franzir o cenho e sorrir maroto.

Naty e May a observavam com sorrisos esplendidos, mas não iria permitir que as amigas ficassem sentadas.

Com um braço de Harry segurando-a com firmeza por sua cintura, Gina jogou o corpo para trás e o desceu até o chão, fazendo com que seus cabelos caíssem sobre o piso e parecesse que sobre este havia uma poça brilhosa de brasa.

Volto a se erguer com um gesto firme de Harry, ele a girou em direção a May, onde arregalou os olhos ao entender as intenções da ruiva.

- Ah, não. – a índia murmurou, agarrando-se com mais força ao braço do vampiro, que sorria - Ela não vai fazer isso comigo. – vendo a ruiva aproximar de si, ondulando os quadris e movendo os braços em gestos sensuais, engoliu em seco – Oh, ela vai!

Gina sorriu entre a mascara e segurou May pela mão, puxando-a até o meio da pista.

Num reflexo rápido, May agarrou as vestes escuras do seu companheiro.

- Mas o que você ta fazendo? – ele perguntou quando pararam no meio da pista de dança, com todos os observando entusiasmado.

- Desculpe querido, mas não vou pagar esse mico sozinho. – o vampiro riu com ironia.

- Então se você se ferra, eu também me ferro? – May deu os ombros, enquanto o abraçava pelo pescoço, aproximando os corpos.

- Vejo que aprendeu o verdadeiro espírito da coisa.

Começaram a dançar, acompanhando os mesmos passos que Gina e Harry faziam, numa coreografia perfeita.

May olhou, por cima dos ombros do vampiro, Naty e Fred sorrindo e batendo palmas ao ritmo da música, assim como os outros alunos.

Sorrindo de modo perverso, sussurrou ao pé do ouvido de seu companheiro:

- Que tal mais um casal? – ele afastou a cabeça e a balançou de modo que não havia entendido aonde ela queria chegar – Me gire.

Dando os ombros, o vampiro rodou-a ao seu redor e logo a trouxe novamente para si, a flauta aumentou seu som e eles ondularam o corpo um contra o outro, podendo sentir cada forma, músculo e sensualidade.

Segurando-a pela mão, o vampiro fez com que May trombasse o corpo contra o seu e com a ponta dos dedos deslizou-os pela lateral do corpo delgado, a fazendo sorrir.

- Olhe lá o que vai aprontar. – ele falou, antes de girá-la para longe de si.

May parou exatamente na frente de Naty, que arregalou os olhos azuis.

- Como vai docinho? Divertindo-se? – May perguntou cinicamente, vendo Naty pular no colo de Fred e agarrá-lo com força, como se este fosse a tábua de sua salvação.

- May, meu bolinho de salpicão, você sabe que eu te amo, mas dançar não é muito a minha praia. – Naty olhou de modo angelical e inocente para índia, que riu.

- Vamos lá criatura, ponha esse esqueleto pra requebrar. – num gesto firme agarrou a mão da amiga e como Gina fizera, a arrastou para o meio do salão.

Fred suspirou quando Naty agarrou-lhe com força pelo colarinho, enforcando-o.

- Péra ai, não tem que me asfixiar.

- Me desculpe, foi sem querer.

- Tudo bem, mas agora o que a gente faz? – perguntou olhando ao arredor e vendo as luzes ofuscarem sua visão.

Naty deu um sorriso pelo canto dos lábios e o abraçou. Aproximando sua boca da do ruivo disse num murmuro:

- Dance. – abraçando-o, olhou por cima do ombro dele a mesa dos professores, que se encontrava atrás da banda que tocava sobre o palco. Seus olhos se encontravam com os de Dumbledore, que batia palmas animado. Os olhos celestes do diretor brilharam em diversão, enquanto o sorriso gasto entre as barbas grandes era de um grande carinho e afeto.

- Eu amo você. – pôde vê-lo gesticular com os lábios antes de mexer a cabeça num cumprimento, fazendo Naty suspirar emocionada e relaxar sobre os braços de Fred.

Virando-se de costas para ele, continuou a dançar.

Os alunos soltavam vários gritos, enquanto uma fumaça de gelo circulou a pista, embalando os três casais numa coreografia ainda mais provocativa.

- Naty...

- Sim Fred! – ele engoliu em seco e continuou a conduzi-la.

- Não sei quanto a você, mas eu tenho um pequeno probleminha. – Naty franziu o cenho e fitou-o de modo interrogativo.

- Qual?

- Eu não sei dançar esse tipo de dança. Bem... Não com essa música!

Naty não pôde deixar de soltar uma sonora gargalhada, enquanto abraçava com mais força o ruivo.

- Meu amor entenda uma coisa...- aproximando-se, sussurrou no ouvido dele – Esse tipo de música não se tem um estilo certo para dançar. – mordeu-lhe o lóbulo e murmurou ainda mais baixo, como um gemido de prazer – É como sexo, você não tem que saber nada, somente agir e deixar-se levar pelo momento. Pelas sensações...- fitou-o de modo malicioso – pelo prazer que a sensualidade te traz.

Num gesto rápido, se afastou dele e assim se proporcionou a sua frente.

May e Gina seguiram seu gesto e se colocaram na frente de Draco e Harry, que ergueram uma das sobrancelhas, mostrando que não estavam entendeu mais nada.

As três se entreolharam de modo cauteloso para ninguém suspeitar de suas verdadeiras identidades.

Os sorrisos nos rostos desapareceram, fazendo-as terem uma fisionomia misteriosa onde fez os garotos gelarem.

De repente tudo parou; a cantora parou de cantar, o som ia abaixando aos poucos até que por fim restou somente um único zumbido, os alunos não batiam mais palma, e o vento não se fazia mais presente. Tudo, absolutamente tudo, ficou vazio e silencioso.

Um silêncio relaxante, mas ao mesmo tempo excitante.

Harry olhou para a sua Dama e pôde vê-la passar a mão pelos cabelos de modo que o suor se espalhasse pelas madeixas rubras. Os dedos; longos, finos e delicados, deslizaram pelo pescoço dela, trilhando um caminho que ele seguiu com os olhos, parecendo gravar cada poro que ela continha. Os dedos continuaram a se mover sobre aquela pele que ele tanto ansiara dominar. Possuir. Amar!

Até que pararam sobre o colar que ela tinha envolto no pescoço; Era uma jóia dourada e o brilho se misturava com o natural de sua pele, pôde vê-la começar a brincar com um pingente em forma de meia lua. Oh Deus, como ele queria ser aquele colar, só por alguns segundos.

Ela sorriu marota e, num gesto ousado, fez com que os dedos fossem até o ninho entre se seus seios, levemente a mostra graças ao vestido tomara-que-caia, e assim tirou o suor dentro deles.

Harry passou a língua sobre os lábios e nesse momento um tambor junto ao som de um chocalho começou a soar e vento a circular, balançando os cabelos ruivos, que se perdiam ao arredor daquele corpo conveniado, embalando-o como uma manta de sangue.

Os olhos de Harry se perderam nos de Gina e num balanço ao ritmo do som oco, ela começou a mover os quadris, balançando-os como uma onda que se quebrava em uma rocha, num gesto firme e forte, deixando-o ainda mais louco.

- Merlin que me ajude. Respira, Potter. Respira bem fundo! – murmurou, vendo-a começar a erguer os braços ao som do chocalho, que vibrava e a fazia sorrir em volta do som perigosamente sedutor. – Muito fundo!

Mas o que o fez perder a sensatez e esquecer o próprio nome, foi quando ela começou a caminhar até si. Sorrindo provocante, os olhos parecendo queimá-lo sob aquelas chamas azuladas e o copo movendo-se como uma folha ao vento, numa dança divida da vida e da natureza.

Prendeu a respiração e fechou os olhos quando o corpo dela friccionou e logo girou ao seu contorno, parando a suas costas.

Os quadris dela tocaram nos seus e as pernas de enroscaram na sua. Abraçando-o por trás, Gina começou a movê-lo para frente e para trás, fazendo-o seguir o seu compasso e fazer Harry lembrar-se dos movimentos mais divinos do mundo; os movimentos de uma paixão selvagem, entre um homem e uma mulher, quando os corpos se fundiam em um único ser.

Ela balançou o corpo com mais força e sensualidade e o desejo em seu corpo começou a se espelhar ainda mais rápido, consumindo-o.

As outras jovens dançavam da mesma forma, e os garotos não estavam tão melhores quanto a si.

O do seu lado direito, um vampiro, já havia tirado a capa, revelando a calça preta e a camisa da mesma cor, desabotoada nos quatro primeiros botões.

O do seu lado esquerdo parecia que a qualquer momento iria derreter graças ao suor que escorria por sua testa, mostrando a tamanha força que ele se fazia para segurar o impulso de segurar aquela Dama de Azul e lhe mostrar como eles, ambos, poderiam ser maravilhosos juntos. Unidos!

- Está gostando, Potter? – a Dama perguntou, passando a ponta da língua atrás de sua orelha.

- Você não imagina o quanto. – ela riu, fazendo o som daquela risada o fazer estremecer.

- Bom saber disso – num rompante ela se pôs a sua frente, agora fazendo os mesmos passos com o rosto colado ao seu – por que ainda terá muito mais.

Harry segurou-a pela cintura e a acompanhou, assim como os outros que, como ele, pareciam estar enfeitiçados.

Tudo ao arredor pareceu sumir, e somente ficou naquele salão, em seu campo de visão, a sua Dama e em seus ouvidos o som da música.

Tudo estava perfeito, sedutor, eletrizante e incrivelmente prazeroso.

O calor era infernal e por alguns segundos ele desejou se perder dentro daquela boca doce e vermelha como uma pétala de rosa.

Respirou fundo tentando controlar os seus hormônios.

- Você me quer? – ela perguntou de repente, parecendo ler os seus pensamentos. Por acaso havia falado algo em voz alta? Maldição! Era um tapado mesmo!

- Muito. – respondeu, perdendo seus olhos nos seios dela, fazendo-a rir.

- Controle-se querido! – Gina pediu, fazendo de tudo para não ruborizar, aquele jogo fora ela que iniciara e teria que enfrentar com as conseqüências – À noite está apenas começando. E ela é apenas uma criança.

- Vamos lá para fora? – Harry perguntou, prensando-a ainda mais contra si – Aqui está muito quente. – não, ele não iria dar-lhe a chance de responder, pois quando ela abriu a boca se viu apossando-se daqueles lábios.

Num piscar de olhos estava dançando com ela, no outro a seduzindo, e no outro a beijando.

Pôde sentir os braços dela rodearem o seu pescoço e assim parar de se mexer, ficando assim, parados no meio do salão.

Harry sorriu e sentiu que ela também sorria, enlaçando-a pela cintura de modo terno, entreabriu os lábios dela com a língua. Iria senti-la, estava chegando perto, somente mais um toque para lhe saborear a boca de verdade.

Então, o momento quase aconteceu, quando sua língua roçou de leve contra a dela uma mão em seu ombro o arrancou dos braços da Dama.

Trincando os dentes com força, escutou aquela voz, irritante e frívola penetrar em seus ouvidos.

Havia chegado tão perto.

- Harry James Potter, não acredito que você esta tendo a cara de pau me trair com essazinha aí. – Cho Chang disse, colocando as mãos na cintura e o olhando através dos cerrados olhos, mergulhados em raiva. – Eu não estou acreditando nessa pouca vergonha!

Pouca vergonha?, Harry repetiu as palavras mentalmente.

Como aquela garota tinha a coragem de dizer que o que ele estava fazendo era uma pouca vergonha? Pelo menos não fora a sua Dama de Vermelho que havia lhe mandando uma coruja no meio da noite, enviando-lhe um bilhete onde dizia que era para encontrá-lo no corujal. Bem depois daquilo, era obvio o que haveria de acontecer.

Cerrou os punhos e abriu os olhos que, para o seu espanto, a Dama de Vermelho sumira.

Oh não, ela desaparecera, fora embora como a tempestade em seu sonho, distante de seus braços, de seu corpo e de sua boca.

Respirou fundo. Não, ele não iria se descontrolar. Ele não iria perder o controle.

Ele definitivamente não iria ter um piti.

- Dane-se todo o meu autocontrole. – disse a si mesmo virando-se e encarando a oriental com os olhos verdes escuros, como duas olivas. Chang estremeceu e a fisionomia dura tornou-se uma amedrontada.

A música havia parado novamente e os casais não dançavam mais, simplesmente encaravam-no esperando por alguma reação.

E sim, ele iria a ter.

May olhou para Naty e piscou-lhe os olhos de modo que fez a amiga entender; se Potter acabasse com Chang em publico, ela iria começar a amá-lo.

- Chang...- Harry começou, frisando o segundo nome dela como se o estivesse cuspindo, enquanto se aproximava cautelosamente. – Eu não sei exatamente o que uma garota tão mesquinha e repugnante como você esta fazendo num Baile como este. Porque sinceramente, se eu fosse você já teria me enfiado dentro de uma cova para esconder esse rosto ridículo, cheio de vergonha.

May assobiou e Naty engoliu uma forte risada.

Harry passou a mão pelos cabelos e apontou o dedo para a oriental, que arregalou os olhos puxados.

- Harry querido acalme-se, você está descontrolado...

- Descontrolado? – Harry falou, para logo soltar uma sonora gargalhada fria e sarcástica. May ficou impressionada como ele poderia ser tão Sonserino. – Não Chang, eu não estou descontrolado. Eu somente estou com uma vontade enorme de matar você. De fazer você desaparecer da minha frente e me dar o enorme prazer de nunca mais olhar para essa sua cara que me dá nojo. Diga-me, Chang, na última fez que se olhou no espelho, não sentiu pena de si mesma?

- Pena? – Cho repetiu, com o cenho franzido.

- Exatamente, pena! Porque eu teria. Ou, até mesmo, me assustaria de ver que o espelho não quebrou ao ter que refletir a imagem de uma garota tão baixa e cretina como você. – aproximando-se por completo, Harry se curvou sobre a chinesa e de modo baixo, lhe sussurrou no ouvido – Entenda uma coisa Changuizinha; Essa foi a última fez que você se meteu no meu caminho. Foi a última vez que você tentou enfiar esse seu nariz imundo em algo que não é da sua conta. Agora escute com atenção; eu e você não temos mais nada, acabou, eu já me diverti o bastante com você, já usei e agora descartei. Você já está fora do meu jogo Chang, foi bom enquanto durou usar o seu corpo como um brinquedinho de prazeres meus. Agora viva a sua maldita vida e me deixe viver a minha porque na próxima eu não irei responder pelos meus atos e esqueço as boas maneiras e faço questão de eu mesmo lhe da ruma verdadeira lição de auto-respeito e moral. Pois, nesse momento, querida, você não tem nenhuma. Absolutamente nada. Você não é ninguém que pode vir e se meter na minha vida. Você é um nada Chang, um nada, onde só passa na vida das pessoas para ser alvo de gozação. – encarando-a nos olhos, sorriu cínico – Tenha uma boa noite. – e dando a volta nos calcanhares começou a caminhar até a porta do salão, mas a voz arrastada na oriental o deteve:

- Para mim você fala isso não é Harry, mas eu sei que você me ama. E que um dia irá largar aquela imunda da Weasley e rastejar aos meus pés.

Naty arregalou os olhos. Mas que garota mais sem nexo. Olhando para May gesticulou com os lábios:

- Mas ela não se enxerga? – May deu os ombros. (-To falando a miopia do Potter é contagiosa, mas ninguém me ouve.)

- Eu já falei para ela abrir os olhos... Mas sabe como é, ela é orgulhosa e não me ouve. Agora fica assim; com o rabo entre as pernas e sozinha. – Naty balançou a cabeça e riu.

Harry não se deu ao trabalho de virar e encarar a ex, simplesmente enfiou as mãos no bolso da calça e respondeu:

- Tenha certeza Chang, se um dia eu abandonar a Gina será no dia de minha morte, porque aquela ruiva é a minha melhor amiga, e acima de tudo é a pessoa que mais admiro. Aprenda uma coisa – virou o rosto e a fitou com um sorriso frio nos lábios – no dia que eu voltar para você, será somente para usá-la novamente. Mas isso por um ponto extremo de necessidade. Até mais. – e mandando uma piscadela charmosa para Cho, foi embora, deixando-a para trás, sozinha, humilhada no meio do salão.

May começou a bater palmas, e Naty a rir, e logo todos os alunos no salão a imitavam, fazendo o rosto de Chang se atingir ainda mais a um tom intenso de vermelho.

Arrumando o vestido curtíssimo verde-limão no corpo, ela deu a volta nos calcanhares e foi se sentar, isolada, na última mesa, onde era escondida pela sombra de canto.


Caminhou com passos firmes até os jardins e olhou ao arredor; nada.

Com um suspiro, andou até uma árvore que ficava de frente para o lago e assim se encostou no tronco desta.

Seu corpo tremia por causa da raiva que acabara de sentir de Chang, mas sua boca queimava graças ao doce toque da boca da Dama.

Fechou os olhos e jogou a cabeça para trás.

- Onde você esta? – perguntou aos céus, numa prece.

Nesse momento, escutou um som de folhas secas sendo pisadas e assim abriu os olhos rapidamente.

O sonho! Agora sim ele estava se tornando realidade.

A Dama estava ali, sorrindo para ele e andando em sua direção, com os mesmos passos sensuais e os mesmos gestos insinuantes.

A brisa gélida balançava a fenda do vestido vermelho, revelando ainda mais aquela perna bem torneada e alva.

Engoliu em seco quando chegou bem perto de si, de modo que ficasse entre suas pernas.

Abriu a boca para falar algo, mas ela simplesmente sorriu ainda mais e tampou-lhe os lábios com a pontinha dos dedos.

Seu coração disparou e a sua respiração se tornou pesada.

Os dedos dela ergueram-se e delicadamente contornaram o formato de sua cicatriz.

- Não sei por que você odeia essa cicatriz. – ela falou rouca, parecendo sentir com ele, a tensão do momento.

- Graças a ela eu perdi meus pais e ganhei uma grande responsabilidade. – Harry respondeu a encarando, enquanto a abraçava pela cintura.

- Você esta vendo as coisas de um ângulo como lhe foi contado. – Gina respondeu de modo gentil.

- Como assim? – ela ficou na pontinha dos pés e com os lábios beijou-lhe a cicatriz.

- Eu acho a sua cicatriz um charme. Ela pode lhe representar uma guerra Harry, morte, sangue, gritos... Mas veja. – olhou-o de modo carinhoso. Harry sentiu-se emocionado; o brilho nos olhos dela não era de alguém que o via como Harry Potter o Herói ou O-Menino-Que-Sobreviveu. Não! Ela o via como Harry; um garoto normal como os outros. – Não é uma cicatriz que fará você ser diferente dos outro ou alguém mais importante – Gina levou sua mão ao coração dele – é aqui que faz. O coração. É com ele que você se torna a pessoa que nesse momento, que na verdade, é e não uma cicatriz. Você a vê Harry como o marco que mudou a sua vida. Mas eu a vejo como uma simples cicatriz, enquanto aqui dentro eu sei que há um garoto maravilhoso. – aproximou-se – As pessoas se tornam especiais pelas suas qualidades interiores e não com marcas em seu exterior.

Harry a abraçou com força, sentindo as palavras ainda ecoarem em sua mente, numa forma carinhosa e terna.

Senhor, aquela jovem era muito mais importante do que imaginara. Ela era como... Como quem?

Balançou a cabeça, isso não importava.

- Você é linda demais. - murmurou no ouvido dela, fazendo-a rir docemente. - Doce...- continuou, quando começou a deslizar a pontinha da sua língua pelo pescoço da ruiva, sentindo aquele sabor gostoso que não conseguia definir.

- É você que me faz assim...- Gina respondeu, desvencilhando dos lábios dele e o fitando dentro dos olhos verdes. - linda... Doce...- aproximou seus lábios dos de Harry, sentindo a respiração dele em sua boca, excitando-a. - Apaixonada. – e com um impulso, o beijou, sentindo finalmente aquela sensação que, por tantos anos, ansiou.


Tudo aconteceu tão rápido como uma brisa de inverno que trazia consigo a primeira nevada.

Gina deslizou seus braços para trás do pescoço de Harry, enquanto este a espreitava ainda mais em seus braços e entre suas coxas, na tentativa de aproximar ainda mais os corpos, fundi-los num único ser e ficarem juntos para sempre.

Os cabelos ruivos balançavam com graciosidade, enquanto os dedos de Harry; grandes e ágeis, se entrelaçava em seus fios de fogo.

O corpo dele queimava e o seu também... Um fogo frenético que se explodia em seu corpo como fogos de artifício, preenchendo-a ainda mais com aquele amor incondicional pelo melhor amigo.

Era tudo mágico, feiticeiro e incrivelmente encantador.

Gina sorriu, enquanto fechava os olhos lentamente e Harry pressionava com força a boca contra a dela; a mesma boca que por tantos anos havia fechados os olhos e sonhado, experimentando em silêncio como seria o seu gosto. E agora ela sabia!

Tinha um gosto doce e ao mesmo tempo amargo que se perdia em todos os cantos. Era quente e fervilhante, quase febril, onde fazia com que seu corpo parecesse flutuar. Não sentia mais o chão sobre seus pés e tudo ao arredor pareceu não ter mais nenhuma existência.

Ali era somente Harry e Gina; nada mais.

Gina sentiu seu mundo girar quando a boca de Harry começou a roçar na sua de um modo lento e terrivelmente torturante. Porque ele não a beijava de uma vez!

Ele suspirava pesadamente provando a ela que o que ele estava fazendo, não era somente ela que sofria. Ele também queria beijá-la, mas a calma, atenção e carinho que Harry estava tendo a fazia sentir vontade de chorar.

Será que todos aqueles anos ela fez um pensamento errado dele?

Será que com todas as garotas ele era tão atencioso daquela forma e não somente com ela, mesmo que não houvesse descoberto sua verdadeira identidade.

- Deus, você é única. – ouvi-o murmurar, enquanto, ainda com os olhos cerrados, mudava a cabeça de posição e voltava a roçar sua boca contra a dela em uma plena tortura.

Gina sorriu. Não! Não era com todas! Ela que estava recebendo um atendimento especial, e com aquele pensamento, ela sentiu que poderia explodir de pura felicidade.

Os braços fortes de Harry a espreitaram ainda mais, enquanto o tronco da arvore os impediam de cair sobre a grama.

Suspirou fundo e estremeceu quando, com a pontinha da língua, Harry deslizou sobre sua boca, pedindo a tão esperada passagem.

Era como estar no céu e no inferno ao mesmo tempo. Enquanto aquela chama de desejo e paixão a envolvia, a volúpia e a vertigem do céu a vazia ficar sonhadora e ainda mais apaixonada pelo melhor amigo.

Não dando nenhum sinal de resistência, Gina entreabriu os lábios e sentiu a mão de Harry em suas costas, apertando sua carne levemente, fazendo-a gemer baixinho.

Era uma loucura... Aonde havia metido a cabeça quando iniciara aquele jogo?

No coração, Uma voz uivou em sua mente, fazendo-a sorrir.

Entrelaçou seus dedos entorno nas mechas rebeldes do cabelo de Harry, sentindo a testura tão sedosa e despenteada.

Numa forma ousada, Harry afastou a cabeça e sorriu maroto, enquanto, com os dentes, lhe mordiscava o lábio inferior.

- Esta tentando me seduzir, Harry Potter? – perguntou num tom divertido, sentindo seu corpo estremecer.

- Não sei... Você está se sentindo seduzida? – Gina aproximou ainda mais o corpo contra o dele, prensando-o ainda mais contra o tronco grosso.

O vento fazia um zumbido em seu ouvido, parecendo sussurrar palavras fervilhantes onde somente serviu para o seu sangue ferver ainda mais entre suas veias pulsantes ao extremo de seu corpo. As águas plácidas do lago se quebravam sobre as pequenas pedras, fazendo uma melodia límpida e clara soar, transformando tudo ao arredor ainda mais perigoso e tentador.

- Eu, seduzida? – jogou a cabeça para trás, fazendo as mechas ruivas roçarem sobre as mãos dele em sua cintura – Estou me sentindo tentada.

Harry sorriu e assim inclinou o rosto.

- Então, somos dois... Por que eu estou aqui, nesse exato momento, quase me sucumbindo a loucura e ao desejo – chupou-lhe os lábios como se estivesse saboreando um sorvete – A loucura de tocar em seu corpo, e ao desejo de te beijar, te sentir. De te amar!

Gina sentiu seu coração disparar de uma forma tão alucinante e rápida que temeu que ele pulasse para fora de seu corpo.

Okay! Fazer Harry apaixonar-se por si, definitivamente, não estava em seus planos.

Caramba! Ela queria apenas um misero beijo. Era pedir demais?

Perdendo-se em várias frases que ecoavam em sua mente, lembrou-se de uma que lera há um certo tempo em um livro de poemas; "Amar e ser amada é viver em estado de êxtase".

Oh Senhor, Harry estava ali, naquele exato momento, lhe oferecendo o corpo, o coração e a alma, enquanto ela já havia entregado tudo aquilo em suas mãos desde o primeiro momento que o viu.

Mas ela não poderia aceitar. Não poderia revelar-se. O que iria acontecer se ele soubesse que a Dama de Vermelho não passava de sua melhor amiga, aquela a qual fora eleita uma das primeiras garotas mais feias da escola.

Pela primeira vez, Gina quis que o chão abrisse sob seus pés e a engolisse.

Como o destino era cruel. Todavia, tinha esperado por anos de sua infância pela aquela proposta, e no momento que deveria dizer sim, via-se obrigada a recusar.

Respirando fundo para manter a calma e não se acabar em lágrimas, Gina sorriu carinhosa e estreitando os olhos de modo brincalhão, acariciou o rosto de Harry que lhe beijou a palma numa caricia intima e sensual, enquanto segurava seu pulso e com o polegar fazia formas circulares sobre sua pele, marcando-a com o seu toque em brasa.

- Você é incrível – Gina murmurou, tentando esquecer o aperto em seu peito. Apenas uma noite! – Nunca pensei que você pudesse ser assim; tão perfeito com uma garota.

Harry sorriu e fez com que seus dedos deslizassem pelos lábios dele, delineado com carinho aquele formato tão perfeito e sexy.

- Eu nunca fui um brutamonte que obriguei, algum dia, uma garota a fazer algo que ela não quisesse. Mas com você é diferente – a voz dele não passava mais do que um simples murmúrio, misturando-se com aquele zumbido do vento – é uma garota especial. Tanto que somente de olhar para a sua beleza que me fascina, me faz lembrar da formosura de um anjo.

Gina riu.

- As suas palavras fariam qualquer garota acreditar que andou decorando algum livro de Shakespeare.

Harry riu também e balançou a cabeça, fazendo com que as mechas negras lhe caíssem em frente aos olhos verdes vivos.

- Não preciso ler livros de poetas para dizer simples palavras que podem muito bem sair daqui – levou a mão dela ao seu coração – não sei o que esta havendo comigo, mas você, minha querida Dama de Vermelho, esta me fazendo sentir sensações que jamais pude imaginar que existiam.

Sua besta, é o amor, Gina teve vontade de gritar, mas o sorriso impregnado em seus lábios a impediu de completar tal ato.

- Posso te pedir um favor? – Harry balançou a cabeça em concordância.

- Se estiver ao meu alcance – Oh sim, com certeza estava!

- Você poderia parar de me provocar e me beijar de uma vez?

Harry piscou algumas vezes, surpreso pela atitude ousada dela, enquanto seu coração disparava.

Ela era formidável; graciosa, carinhosa, doce e acima de tudo uma aura de sensualidade parecia englobá-la numa maneira tão natural, que ele teve que muitas vezes respirar fundo para manter o controle e não cair aos pés dela, implorando pelo seu amor.

Cuidado com aquilo que você quer!, Disse a si mesmo.

Não podia negar que as mulheres o fascinavam. Amava tudo nelas. Todas as pequenas peculiaridades. A maneira como se moviam com graça. O perfume e o riso. O sorriso tímido e sedutor. Acima de tudo a maneira como os olhos delas faiscavam, desvendando cada sentimento oculto dentro delas.

E ele, um Don Juan de primeira já acordara ao lado de muitas ao decorrer de seus últimos dois anos em Hogwarts, mas nenhuma delas chegava aos pés daquela ruiva. Parecia que ela havia feito alguma mágica sobre seus olhos, impedindo-o de lê-los e saber o que aquela Dama pensava, sentia e muito menos imaginava ao seu respeito.

Ela parecia que havia descido do Olimpio e flutuava em direção aos seus braços que a esperavam ansiosos apara aconchegá-la em seu calor.

Respirando fundo, balançou a cabeça de modo que uma mecha negra de seu cabelo fosse para trás de sua orelha.

- O seu desejo é uma ordem. – murmurou rouco, enquanto inclinava a cabeça e roçava seu nariz contra o dela, que sorriu e encolheu os ombros como uma gata manhosa, enquanto enroscava, numa forma mais aconchegante, os braços envolta de seu pescoço.

Ela tinha cheiro de rosas e algo a mais que não conseguia definir. Um perfume doce, ousado e único para seu olfato, onde se aguçou assim como seus outros sentidos.

Deslizou sua boca sobre a dela, como um pano de seda que deslizava sobre o corpo de uma mulher nua, moldando-o com suavidade; sentindo-o, provando-o.

O gosto... Era quente e adocicado, quase febril, que o levou ao desejo eloqüente.

Um gosto único, onde ele jamais seria capaz de esquecer.

Com a respiração pesada, onde seu peito subia e descia num ritmo descompassado em harmonia ao da Dama, Harry entreabriu os lábios e com a pontinha da língua fez com que ela entreabrisse o dela também.

Pronto! Agora mais nada seria capaz de quebrar aquele momento, atrapalhar de sentirem-se de uma forma mais intima e quente.

Puxando-a para si de uma forma possessiva, Harry deslizou sua língua para dentro da boca dela e numa dança sensual enroscou-se contra a dela.

O vento tornou-se mais gélido e a noite ainda mais estrelada. O esplendor da lua pareceu que havia se tornado ainda mais luminoso enquanto os animais da floresta proibida pareciam que haviam começado a cantar.

Gina sentiu o chão sob seus pés sumir realmente, e não ficaria espantada ao saber que estava flutuando.

Com os olhos fechados, tanto ela quanto Harry, puderam ver as pequenas faíscas douradas que começavam a circular seus corpos em aspirais, que subiam, enviando-lhes chuvas de arrepios que serpenteavam suas espinhas.

As folhas do chão elevaram-se ao relento e numa dança harmoniosa começaram a circullá-os também, como se a natureza, o vento e a luz daquela noite estivessem abençoando-os.

Gina apertou-se ainda mais contra aquele corpo, quando a língua dele começou a deslizar de encontro a sua, tocando-a com sofreguidão. Como se a sua vida dependesse daquele toque, daquele sabor e daquelas sensações.

Harry sentia que em seu corpo borboletas flutuavam, enquanto seu sangue fervia sobre seu corpo, enquanto Gina sentia pela primeira vez a vertigem tomar conta de seu ser.

As bocas se tocavam numa composição perfeita. De pura sincronia, assim como as línguas.

Em toda sua vida, Gina nunca pensou que o beijo de Harry pudesse vir a ser tão formidável.

Já beijara outros garotos, mas com ele... Com o melhor amigo, aquele o qual vinha sonhando desde pequena, era diferente. Sentia que estava no lugar certo, com a pessoa certa e sentindo arrepio e emoções certos para aquele momento tão volumoso.

Parecia que o tempo havia parado assim como a Terra de girar, somente para fornecer a eles mais tempo de poderem se tocar e de sentirem-se.

Num gesto rápido, Harry virou o corpo e prensou-a contra a madeira da arvore, fazendo estremecer graças às cascas ásperas contra sua pele nua das costas.

Ele a prendia com os braços envolta de sua cintura, enquanto as pernas musculosas haviam se colocado ao lado de seu corpo, impedindo que ela pudesse fugir.

Ele deslizou as mãos pelo seu corpo até que erguer os braços e desenrolou os dela de volta de seu pescoço.

Com um suspirar pesado ele a prendeu, por cima da cabeça, segurando-lhe os pulsos numa forma provocante.

Sorriram.

O ar faltava em seus pulmões, mas eles não queriam parar. Queriam mais. Muito mais!

Queriam chegar a um estágio que nada e nem ninguém seria capaz de parlá-os.

Com Harry, Gina queria descobrir o verdadeiro prazer entre um homem e uma mulher, queria descobrir aqueles recantos proibidos e tentadores.

Mas Harry já pensava diferente... Ele queria descobrir a sensação de plenitude, as emoções do amor e como seria se perder sobre aquele corpo acetinado que se encaixava perfeitamente contra o seu; queimando-o, marcando a brasa. Como se o calor do corpo dela fosse capaz de ultrapassar suas vestes e fundir-se a ele.

Sentiu os dentes dela deslizarem sobre sua língua, o fazendo gemer em volúpia e em uma loucura que o fazia imaginar que seria a mesma de estar caindo em direção a um abismo sem fim.

Ia caindo e ela era a sua tábua de salvação. Aquela que traria de volta a sua vida, a chama de seu corpo e o brilho em seus olhos.

Jamais poderia esquecer o gosto daquela boca, o brilho dos olhos e principalmente aquela voz tão doce.

Suspirou pesadamente quando uma brisa fria arrebatou-se sobre si, fazendo-o se exprimir ainda mais contra ela, aquecendo os dois corpos ainda mais.

As bocas se buscavam, as línguas se tocavam numa forma selvagem, que aos poucos ia amenizando para logo somente se roçarem, num toque apaixonado e doce.

Aquilo era melhor do que Harry algum dia poderia ter imaginado.

Tudo estava perfeito, e o beijo dela era simplesmente incrível. De modo que chegava a ser viciante.

Mas Harry queria buscar mais recantos, queria provar mais daquele gosto e daquela pele acetinada que parecia queimar sua carne.

Num gesto ousado, deu mais uma investida com sua língua contra a dela, circulando-a de forma brincalhona, antes de quebrar o contato dos lábios e encostar sua testa, suada, na dela.

Os lábios tremiam e Harry sorriu ao ver que a boca dela estava rubra como uma verdadeira pétala de rosa.

- Tudo bem? – perguntou com a voz rasa, ainda podendo sentir seu coração disparado contra seu peito.

Ela o abraçou ainda mais, de um jeitinho meigo e carinhoso.

- Huhum...- Gina respondeu, roçando o nariz na curva do pescoço de Harry, fazendo-o rir deliciado com aquele momento tão pleno – No que você esta pensando?

Harry abraçou com ternura, colocando seu rosto ao lado do da Dama que repousava em seu peito.

- E desde quando alguém é capaz de pensar com uma pessoa tão maravilhosa como você em seus braços? – disse com simplicidade, sentindo-a sorrir – Você é tudo o que eu sempre sonhei, esperei... E agora eu quero, ao seu lado, conhecer o amor. – a voz era num sussurro arrastado, fazendo os pêlos de Gina se arrepiarem.

Oh, Senhor! Como ela queria que aquele momento nunca terminasse. Era tão bom ficar nos braços de Harry, que poderia ser capaz de passar o resto da sua vida bem ali, sentindo o calor dele, a respiração pesada e os batimentos acelerados do coração.

Suspirou e se aconchegou melhor entre os fortes e músculos braços que percorriam suas costas numa caricia intima e protetora.

- Harry, as coisas não são bem desse jeito – disse sentindo sua voz começar a falhar, graças às lágrimas que ameaçavam escorrer por seu rosto, embaçando sua visão.

Harry afastou o rosto, de modo que seus olhos encontrassem os dela. As íris azuladas se encontravam opacas e tristes, de modo que ele não conseguia entender o motivo, mas ainda se sentia extasiado com aquele olhar tão misterioso e penetrante.

- Tudo é possível – declarou sorrindo e colocando uma mecha ruiva atrás da orelha dela e aproximando novamente a sua boca contra a dela, enquanto repousava suas mãos sobre o rosto angelical, acariciando as bochechas vermelhas com os polegares. Gina fechou os olhos, de modo que tentava gravar o carinho na memória. – Tudo!

Inclinando o rosto, Harry voltou a beijá-la. Podendo, novamente, saborear aquele gosto adocicado e quente.

As línguas se buscaram numa forma mais terna desta vez, tocando-se lentamente, parecendo ansiarem em decorar cada recanto secreto.

Gina gemeu e deslizou suas mãos pelo peito de Harry, que enrijeceu os músculos, enquanto a boca dele continuava oprimindo a sua.

Os arrepios percorriam seu corpo, fazendo-a sentir novamente tudo ao arredor girar.

Se um dia tivera alguma duvida que o que sentia por Harry não passava de uma simples paixonite, esta havia acabado de desaparecer para sempre de sua mente.

Seu coração batia numa forma que parecia chamar pelo dele, implorando pelo seu sentimento recíproco. Por aquele amor não correspondido.

Uma lágrima escorreu pelo canto de seus olhos, perdendo-se entre sua boca e a de Harry, transformando o gosto doce do beijo em salgado.

Sentiu ele morder a pontinha de sua língua, antes de por fim dar-lhe um beijo estralado e voltar a encarar com os olhos verdes inundados por um sentimento que pela primeira vez, Gina não conseguia compreender.

- Por que não me fala um pouco de você? – ele perguntou, colocando-se ao seu lado e com a mão em sua cintura a fez sentar sobre um tronco da arvore, com a cabeça apoiada em seu ombro, enquanto brincava com as mechas vermelhas caídas entre seus dedos. – Pelo que vi, você já sabe de tudo e mais um pouco ao meu respeito.

Gina riu divertida. Ela sabia muito mais do que ele poderia algum dia imaginar.

Respirou fundo.

- Pois bem, o que você quer saber? – estava decidida a abrir somente parte do jogo. Além do mais, contar um pouco de si, não faria mal a ninguém.

- Tudo!

- Engraçadinho... Você sabe que não irei contar tudo, por isso faça perguntas inteligentes. – Harry suspirou e virou-se para a Dama. Segurando-a pelos ombros a fitou bem fundo, passeando os olhos pelo semblante corado.

- Sabe, seus traços não me são estranhos – Alerta vermelho! A mente de Gina gritou, fazendo-a se pôr na defensiva – Eu tenho a leve impressão que conheço esses olhos, a cor de seus cabelos e a sua voz, mas...- Harry balançou a cabeça – Não consigo me recordar.

Gina sorriu amarelo.

Miserável! Besta! Tapado! Cego, Sentiu vontade de gritar a plenos pulmões.

Abaixou a cabeça, tentando não mostrar a sua fisionomia de desapontamento, por descobrir que Harry não era capaz de reconhecê-la.

E ela seria capaz de saber quem seria ele ate mesmo com os olhos vendados.

O que o amor era capaz de fazer.

- Eu devo ser parecido com alguma garota...- respondeu baixinho.

- Sim, você e mais aquela meia dúzia de cabelos vermelhos que tentaram se parecer com Gina.

Gina sorriu de modo maroto ao ouvir o tom tão amável que Harry usara para tocar em seu nome.

- Essa Gina... Ela é muito importante para você? – perguntou, fitando Harry com interesse e fazendo de tudo para tentar abafar o seu coração, que parecia que a qualquer minuto iria explodir.

Harry ficou com o olhar perdido em algum ponto de jardim, parecendo pensar na resposta. Por fim, respirou fundo e contemplou o céu.

- Demais. – falou num tom de voz carinhoso, quase sonhador – Sabe aquele tipo de pessoa que quando você conhece, sabe que não será mais capaz de viver sem ela? De estar ao seu lado, de contemplar o sorriso ou o brilho dos olhos. Gina é isso para mim...- virando-se para a ruiva sorriu – Aquela pimentinha é a base da minha existência, acho que sem ela eu não seria esse jovem que sou hoje. Graças a ela, pode-se dizer que sei como é ser realmente humano e como a vida é bela.

Gina sorriu emocionada e num impulso jogou-se nos braços de Harry e beijou-o com vontade e paixão, depositando naquele beijo todo o seu amor.

Harry sorriu ao mesmo tempo em que fechava os olhos, ainda surpreso pela atitude inesperada.

Quando o beijo se encerrou sua respiração se encontrava alterada e as bochechas da Dama ainda mais vermelhas.

- Qual é o seu nome? – perguntou de repente a fazendo dar os ombros, misteriosa – Que casa pertence? – arriscou.

Gina riu, ele nunca desistia.

- Grifinória! – Harry assobiou.

- Vejo que estamos começando a nos entender. – falou divertido ao ver que ela começava a se abrir – Quantos anos?

Gina se levantou e rodopiou na frente do melhor amigo.

- Quantos anos acha que eu tenho? – Harry fitou-a de cima para baixo, aquecendo-a com aquele calor de predador nas íris incrivelmente verdes.

- Quinze? – ele arriscou a fazendo rodopiar mais uma vez, onde fez com que a fenda do vestido de abrisse ainda mais.

- Bingo! – Gina respondeu parando em frente a Harry e tocando-a no rosto. – Esta com calor? – perguntou, fazendo-o franzir o cenho, desconfiado.

- Aonde esta querendo chegar com essa pergunta, mocinha?

Mordendo o lábio inferior, como uma criança que acabara de fazer sua primeira travessura, Gina sorriu de modo luminoso, fazendo o peito de Harry se aquecer encantado.

Ela olhou ao arredor parecendo certificar-se que não havia ninguém nos arredores que pudesse vê-los.

- Nada de mais. – respondeu tirando as sandálias e as colocando sobre o tronco ao lado de Harry, que tinha uma sobrancelha erguida, enquanto a observava se afastar – Só que a noite esta tão linda, não tem ninguém em volta – começou manhosa – e bem, eu estou com calor e...- ela olhou para o lago de modo significativo, fazendo Harry engolir em seco.

Ela não ia fazer o que estava pensando. Ia?

A música no Salão Principal pareceu tornar-se ainda mais alta, englobando aquele momento.

Gina fechou os olhos e se virou de costas para Harry, podendo sentir o olhar dele sobre si.

Começando a mover os quadris numa forma sincronizada com a música, levou a mão a lateral de seu corpo e assim começou a abaixar o zíper, deixando a mostra, aos poucos, sua pele arrepiada.

Abriu os olhos e olhou para Harry sobre seu ombro, podendo ver o amigo engolir em seco mais uma vez e começar a suar.

Sorriu sensual.

- Não me diga que nunca viu uma garota nua, Potter? – zombou, enquanto erguia os braços e passava a mão entre os cachos ruivos do próprio cabelo, sem parar de mexer o corpo.

Harry demorou alguns segundos para conseguir encontrar a voz, perdida em alguma parte em sua garganta.

- Já... Claro. Mas...- a risada dela interrompeu-o.

- Mas comigo é diferente- o vestido deslizou pelo corpo dela como uma verdadeira luva, e o brilho da lua dava um tom prateado ao corpo acetinado de curvas perfeitas e delineadas.

Harry sentiu seu coração falhar um batimento, sufocando-o quando a imagem daquela deusa a sua frente tornou-se ainda mais nítida para seus olhos.

A delicada e fina peça vermelha de sutiã e calcinha deixavam pouco para a imaginação.

E Harry sentiu-se um verdadeiro rato encurralado por um gato.

Se ela quisesse levá-lo a loucura. Parabéns! Estava conseguindo e com muitos méritos ainda.

Cerrou os punhos e apertou os pés com mais força contra o chão, tentando manter o controle e a sensatez. Sentiu uma pulsada forte no ninho entre suas pernas.

Uma gota de suor escorreu por seu rosto e deslizou pelo seu pescoço e peito, perdendo-se no caminho de pelos que faziam um caminho alem de sua calça.

"Me, amore don't you know My love I want you so Sugar you make my soul complete Rapture tastes so sweet."

A música do Salão soou de forma animada aos arredores de Hogwarts, enquanto a Dama se virava para si, contemplando-o com os mesmos olhos que o hipnotizavam.

- Merlin...- murmurou num fio de voz, vendo a imagem dela diante de si, como se tivesse sido acabada de ser esculpida.

Gina riu docemente, antes de pegar o vestido e jogar ao encontro de Harry, acertando-o em cheio no rosto.

Ele riu divertido e segurando a veste de tecido delicado nas mãos, cheirou-a podendo apreciar melhor o perfume dela.

Gina deu a volta nos calcanhares e aos poucos foi entrando do lago, sentindo o calor daquela noite cálida tocando em sua pele.

Estremeceu e segurando a mascara no rosto mergulhou, fazendo com que seu corpo deslizasse sobre o submundo marinho.

Harry colocou o vestido sobre o tronco e se ergueu, começando a procurar a ruiva com os olhos, onde até agora não voltara à superfície.

O tempo passava e ia sentindo seu peito se apertar. Será que teria acontecido alguma coisa?

- Maldição! – resmungou, começando a tirar os próprios sapatos, mas no meio do gesto ouviu um borbulhar de bolhas e olhou para a água e o que viu o fez ter que morder a própria língua para segurar um alto gemido de prazer.

A dama começou a emergir entre as águas como uma verdadeira sereia, enquanto o corpo ia sendo iluminado pelo esplendor da lua, onde esta era refletida sobre a superfície cristalina da água.

A Dama se ergueu por completo passando a mão pelos cabelos molhados, alisando-os ainda mais sobre a extensão das costas.

A máscara ainda tampava-lhe o semblante, mas ele podia muito bem ver o brilho celeste daqueles olhos e o sorriso na boca que ainda se encontrava bastante vermelha, graças aos seus beijos.

As gotículas da água começavam a deslizar pela pele acetinada e Harry passou a língua sobre os lábios, tentando controlar o impulso de secar o corpo da Dama com o seu próprio, deitlá-a sobre a grama e assim amlá-a, sem se importar de que onde estavam, era um local publico em Hogwarts.

Mas, naquele momento, com ela ali, quase nua na sua frente, o corpo molhado e olhando-o num convite sedutor, nada importava. Somente ele e ela!

- Você não vai entrar? – ela perguntou, jogando os braços para trás e começando a nadar.

Harry ficou impressionado com a agilidade e a graciosidade dos gestos que ela fazia na água, fazendo-o lembrar de um peixe.

- Não está fria? – perguntou num fio de voz, assustando-se por ainda conseguir proferir uma palavra.

A ruiva riu, de modo que jogou a cabeça para trás e a cabeleira agora com um tom de vermelho queimado, flutuava sobre a superfície.

- Está sim – ela disse, erguendo a cabeça e fitando-o com os olhos maliciosos e um sorriso maroto no canto dos lábios. – mas tenho certeza que com você aqui junto comigo, faremos essas águas ferverem. – e assim submergiu, escondendo-se novamente no fundo do lago.

Respirando fundo e cerrando os olhos para ver se conseguia enxergar alguma coisa, alem da escuridão do fundo do lago, Harry ergueu-se de modo quase felino, como um leão em busca de sua presa.

Mesmo não a vendo sabia que ela estava ali, a sua espera. Esperando ansiosa pela sua boca, pelo seu toque e pelo calor de seu corpo. E ele, como um bom anfitrião, não iria desapontlá-a em nenhum quesito.

Passando a língua pelos lábios secos e clementes pela boca da Dama, começou a se despir com calma, como se estivesse dançando em ritmo ao vento noturno, que brincava com seus cabelos revoltos, jogando as madeixas negras sobre seus olhos.

Tirou os sapatos e as meias e logo se ocupou com a sua camisa preta que, como, já estava completamente desabotoada, a fez escorregar por seus braços; o leve tecido tocando cada recanto de sua pele e de seus músculos.

Com um sorriso maroto, deslizou seus dedos até o cinto que prendia sua calça, e num gesto firme o desafivelou.

Tirando o cinto envolto de sua cintura, colocou-o ao lado de sua camisa no chão, enquanto seus dedos começavam a abrir a braguilha, abrindo o zíper de modo que o som cortasse o ar num gesto perigosamente sensual.

Puxando a calça para baixo, fez com que ficasse amostra somente a sua cueca samba-canção preta, que moldava com perfeição as coxas másculas e as pernas fortes, onde deixava pouco para a imaginação feminina.

Jogando a calça de canto, começou a caminhar em direção ao lago.

Pôde ver uma imagem de cabelos vermelhos esvoaçantes começar a se formar na medida que a jovem ia novamente se aproximar da superfície.

Sorrindo debochado entrou no lago, sentindo a água gelada tocar em sua pele, arrepiando-a.

- Ai, que gelo. – reclamou, sentindo as pequenas pedrinhas e a areia no fundo do lago.

Começando a caminhar, ficou olhando a imagem da ruiva ir se movendo sob o submundo das águas geladas, como uma sereia, movendo o corpo em gestos sincronizados com as ondas que o vento fazia sobre a superfície prateada.

Mas em pouco tempo a escuridão do fundo da água a cobriu como uma pétala de rosa, que começava a se fechar no inverno.

Alguns segundos se passaram e Harry ficou apreensivo. Era capaz um ser humano agüentar tanto tempo em baixo da água?

- Ruiva? – chamou-a de modo preocupado, olhando ao arredor; nada! Nem sinal dela ou de algum facho vermelho.

Seu coração apertou em seu peito.

Continuou a caminhar quando escutou um som de bolhas ao seu lado, fazendo-o virar bruscamente e sorrir travesso ao ver que ela nadava em sua direção, como um verdadeiro tubarão que acabara de ver sua presa.

Prendeu a respiração, quando ela chegou perto de si e ergueu-se, deslizando as mãos por suas pernas e indo-as deslizando pela sua pele até chegar em seus ombros, passando pela sua barriga e tórax.

- Sentiu saudades? – ela perguntou dengosa, colocando o corpo molhado de encontro ao seu, que ainda estava seco, fazendo uma corrente elétrica de calor percorrer mais rápido entre as veias de Harry.

- Muitas. – ele falou galanteador, abraçando-a pela cintura e fazendo com que o busto firme dela se espremesse em seu peitoral.

- Hum...- ela emitiu, antes de erguer os olhos e girlá-os de forma dengosa – Então, que tal matarmos essa saudade?

- Ótima idéia! – Harry inclinou a cabeça, quando os dedos dela deslizavam para trás de sua nuca, abraçando e aconchegando-se ainda mais em seus braços como uma gata manhosa.

Os lábios se tocaram de uma maneira terna e logo se aprofundou, fazendo com que as línguas buscassem uma pela outra. Se tocando, sentindo-se e matando aquela ansiedade de seus gostos.

Gina gemeu e permitiu-se morder o canto da boca de Harry, enquanto as mãos dele percorriam a extensão de suas costas, marcando-as com seu toque em brasa.

A música do Salão Principal tornou-se ainda mais alta.

Harry parou de beijá-la e afastou a cabeça.

Afastando-a de si, segurou-a firme pela cintura e a fez girar e logo trazê-la para perto de si, colando as costas dela sobre seu tronco.

Subiu as mãos pela barriga dela até que as mãos parassem sobre os ombros e as deslizasse pelos braços, secando-os das gotas cristalinas do lago.

- Dança comigo. – Harry pediu num sussurro rouco, enquanto vento voltava a dançar envolta deles, fazendo com que algumas pétalas das flores nas grandes arvores, flutuassem sobre o ar e caíssem sobre a superfície do lago.

Gina riu e apoiou a cabeça no ombro do amigo.

Sentiu os dedos de Harry entrelaçarem nos seus e em um movimento suave começou a mover o corpo de encontro ao seu, de um lado para o outro. Ele fez com que seus braços deslizassem pela água do lago, onde várias ondas se formaram.

Gina sorriu animada, quando ele a fez inclinar o corpo para frente e logo para trás, movendo os quadris e os pés de um lado para o outro.

As ondas emolduravam seus corpos, parecendo uni-los ainda mais.

Gina sentia como se entre eles não havia um começo e um fim. Tentava ver se via algum lugar aonde eles, com os corpos tão juntos, começavam e terminavam. Mas não achava.

As mãos de Harry começaram uma busca em seu corpo; tocando-o, incendiando-o, o sentindo. Parecendo querer gravar cada curva.

Sentiu a respiração arfada dele sobre a curva alva de seu pescoço, mostrando o tamanho do desejo que ele sentia por si.

- Você é linda. – ele murmurou, segurando-lhe a cintura delgada e virando-a para si, fazendo com que o busto firme e volumoso friccionasse contra o seu peito.

Os braços dela rodearam seu pescoço, quase como instinto.

- Boa menina. – sorriu, inclinando sua cabeça, e movendo o corpo dela em ritmo ao seu, na melodia da música do Salão, que ainda se fazia ouvida.

A boca dela tocou na sua, num toque delicado e quente. Fazendo com que o mesmo desejo de experimentar muito dela, lhe arrebatasse sobre seu corpo.

Foi algo quase inevitável não sentir o ninho entre suas pernas começar a pulsar.

A língua dela buscou pela sua, numa maneira faminta e a dele pela dela por uma ansiosa.

O beijo foi apaixonado, febril, e Harry temeu derreter sobre aqueles lábios tão doces e saborosos.

Nunca, em toda sua vida, havia conhecido uma garota como aquela. E a vontade de mergulhar na tão deliciosa viagem sob aquele corpo, o fazia ficar quase enlouquecido.

Mas quando estava preste a fazê-la deitar sobre a água, algo estranho começou a acontecer.

O corpo da ruiva ficou rígido em seus braços e ela quebrou o contato dos lábios, curvando-se para o lado e começando a tossir.

O corpo dela, antes quente, ficou instantaneamente frio, como as águas daquele lago.

Ela pôs as mãos sobre seu peito e afastou-o de si, enquanto curvava ainda mais o corpo e tossia.

- O que esta acontecendo? – perguntou preocupando, vendo-a colocar os dedos sobre a têmpora.

Levou a mão à testa dela e ficou surpreso ao ver que fervia em febre.

- Você não pode ficar aqui desse jeito. – disse, pegando-a no colo e tirando-a da água.

Olhou para a sua varinha, dentro do bolso de sua calça e com um único olhar, fez com que esta começasse a balançar e um brilho dourado surgiu na ponta da varinha e em segundos apareceu na frente deles um pequeno cobertor sobre a grama e outro onde serviria para cobri-los.

Gina ficou impressionada ao ver o tom das íris verdes de Harry ficaram ainda mais claras, quase se perdendo na cor esbranquiçada dos olhos, e brilhosos, como uma verdadeira jóia.

Ele ajoelhou sobre o cobertor e a colocou deitada, delicadamente, enquanto Gina podia sentir seu peito ainda se apertar e sua garganta arder.

Ele cobriu-a com cuidado e pôs-se ao seu lado, acariciando-lhe os cabelos ruivos molhados com uma mão, enquanto a outra repousava sobre sua cintura, abraçando-a de encontro aquele corpo forte, num gesto protetor e ao mesmo tempo possessivo.

- Shhh...- Harry murmurou no ouvido dela, enquanto lhe beijava o semblante, e sentia sobre seus lábios que a temperatura da febre ia abaixando, e a cor rosada do rosto dela começava a voltar ao normal.

Por alguma razão, estranhou o mal estar repentino dela e por alguma razão aquilo o fez lembrar-se de alguma coisa, mas não sabia exatamente o que.

Gina fechou os olhos e respirou fundo. Gemeu com a dor que sentiu ao colocar em seus pulmões o oxigênio. Seu corpo doía, seu pulmão parecia que a qualquer minuto iria ser achatado por completo e sua garganta ardia e algum liquido deslizava sobre ela.

A mão de Harry penetrou para de baixo do coberto e assim começou a percorrer sua barriga com os dedos, arranhando-a de leve algumas vezes com as unhas.

Estremeceu, mas não de dor e nem de frio. Mas sim de um calor que começava pulsar dentro de seu corpo.

O mal estar ia desaparecendo aos poucos e não demorou muito para que voltasse a seu estado normal.

Abriu os olhos e encontrou os de Harry, fitando-a de modo preocupado.

Mas havia algo à mais naquele brilho estranho sobre os olhos verdes. Um brilho que ela não conseguia entender.

- Você está se sentindo melhor? –a voz dele era rouca e baixa, quase no nível audível do murmúrio do vento noturno.

Gina sorriu e acariciou-lhe os cabelos molhados, fazendo com que as mechas rebeldes deslizassem entre seus dedos.

- Não poderia estar melhor. – respondeu, erguendo a cabeça e levando a sua mão para trás da nuca dele, aproximando-o ainda mais de si.

Harry fechou os olhos e saboreou a sensação da respiração dela sobre sua boca seca.

Sorriu e achou uma graça quando ela aconchegou-se ainda mais ao seu corpo, e fez com que ele se colocasse dentro das cobertas, juntinho ao corpo miúdo dela, abraçando-a com paixão.

- Se algum professor nos pegar aqui...- ele começou a dizer, mas os lábios macios dela, pressionando com vontade contra os seus, o calou.

A boca dela estava gelada e contra a sua, quente, fez com que uma carga elétrica percorresse seu corpo, enlaçando-se ao seu coração que começou a bater ainda mais rápido contra seu peito, que descia e subia num compasso lento e pesado.

A ruiva o abraçou e fez com que seu corpo fosse para cima do dela, mostrando-o que somente o calor dos cobertores não era suficiente. Ela queria mais. Muito mais... E ele também.

O beijo foi lento, as bocas roçando somente uma nas outras, parecendo querer reconhecer e marcar o território.

Gina entreabriu os lábios e permitiu que o beijo se aprofundasse, ficasse ainda mais tímido, enquanto percorria com as unhas as costas másculas de Harry, arrepiando-o.

O seu corpo parecia que ia caindo cada vez mais sobre um precipício sem fim, e a razão ia levantando vôo.

As mãos deslizavam sobre seu corpo, fazendo um caminho de fogo, enquanto seus lábios ardiam, queimavam e pediam por mais.

Gemeu quando as pernas de Harry enroscaram-se nas suas, fazendo os corpos unirem-se ainda mais.

Respirou fundo e gemeu quando as línguas se tocaram, lentamente, fazendo círculos e saboreando o seu sabor.

Os dentes dele mordiam-lhe o lábio inferior e deslizavam sobre sua língua que começava a ficar dolorida. Mas quem disse que Gina se importava com isso?

Havia esperado por aquele momento por tanto tempo que agora a única coisa que queria era desfrutá-lo da melhor forma possível.

Uma coruja piou e o vento tornou-se ainda mais forte, arrastando as folhas secas caídas no chão pela relva verde, enquanto as pétalas de rosas flutuavam no ar, parecendo dançarem.

Harry se colocou sobre os braços e virou a cabeça, sem parar de beijá-la.

Era como uma onda, que subia sobre seu corpo e logo desaparecia para depois voltar novamente com uma força maior ainda, consumindo-o com sua sensação de sufocamento.

Abra seu coração e seus olhos, Uma voz melódica murmurou dentro de sua cabeça.

Harry gemeu, entre um suspiro enquanto as bocas buscavam-se de modo delicado e romântico.

Tudo estava acontecendo muito rápido.

Mas se ele tinha algumas certezas, essas eram; no momento que pôs suas mãos naquela ruiva, não conseguiria mais largá-la. Não conseguiria esquecer o sabor daquela boca tão eloqüente e, acima de tudo, não esqueceria jamais, o jeito tão meigo que ela o tocava e como os dois, juntos, seriam maravilhosos se permitissem fundirem e se perderem naquele desejo.

Sorrindo, parou de beijá-la e observou com certo orgulho os lábios rubros e inchados dela.

- Você não vai me mostrar o seu rosto? – perguntou, enquanto enrolava em seu dedo uma mecha vermelha e logo a passava sobre seu nariz, sentindo o aroma doce e pelos lábios, num gesto que enfeitiçou Gina.

- Eu... não posso. – disse quase sem fôlego, vendo-o abaixar ainda mais o tronco sobre seu corpo, prensando-o sobre o cobertor.

- Não pode ou não quer?

Gina respirou fundo e abraçou-o, gravando em sua memória aquele momento.

O que mais ela queria era gritar para ele quem ela era. Que ela era aquela ruiva, irmã de seu melhor amigo, aquela pimentinha que ele tanto atazanava e que salvou das garras de Voldemort.

Que ela era aquela que ele tanto confiava e que o amava de uma forma tão avassaladora e pura que chegava a doer.

- Não posso. – respondeu num sussurro baixinho, sentando-se e pegando seu vestido.

Harry sentou-se ao seu lado, contemplando cada um de seus movimentos.

- Por quê? – ele perguntou, num tom de voz misterioso.

Gina jogou os cabelos para trás e num gesto defensivo levou a mão a máscara em seu rosto.

- Porque não! – exclamou começando a ficar nervosa – Você poderia parar de fazer essas perguntas, esta dificultando ainda mais as coisas tanto para mim como para você.

Harry suspirou, dando-se por vencido. Passou a mão pelos cabelos molhados, fazendo com que pingos espirrassem.

- Tudo bem. – falou meio cabisbaixo. Gina sentiu seu coração se apertar, sabia o tanto que era importante para ele saber quem ela era, mas o mais importante era manter-se em puro sigilo.

Olhou para o céu e sorriu para a tão bela noite.

- Está uma noite maravilhosa.

- Sim, maravilhosa. – Gina estremeceu ao sentir o calor de Harry tão perto de si, e não pôde deixar de sentir seu rosto corar quando viu que ele não estava se referindo a noite.

- Vamos conversar...- Gina disse, tentando quebrar aquele momento tão tenso e perigosamente excitante.

- Boa idéia, talvez assim eu consiga descobrir um pouco sobre você – Harry falou sorrindo – Pelas suas roupas eu chuto que você deva ser da grifinória – o sorriso gentil transformou-se num malicioso – e pelo seu corpo, deve estar no quinto ano.

Okay, ele não era tão toupeira assim, Gina pensou, começando a soar frio.

- Certo – respondeu. Tudo bem, aquelas questões não a comprometiam, mas não sairia daquilo – Acho que não seja necessário eu ter que fazer uma pergunta dessas, já que sei quem é você. – mesmo que não tivesse revelado sobre ter consciência quem ele era, o que poderia dizer sobre uma pessoa onde conhecia até mesmo do avesso? Teve vontade de rir, mas mordendo a língua segurou-a em sua garganta.

- Isso é a mais pura injustiça, além de uma grande maldade. – a língua dele começava a percorrer seu pescoço, para logo dar um forte chupão sobre este, marcando sua pele.

Gina gemeu e abraçou-o.

- Mas é graças a todo esse mistério que faz você gostar cada vez mais de mim.

Harry fechou os olhos e mordeu-lhe o lóbulo da orelha.

- Isso é verdade. – sorrindo, ele afastou o rosto e a fitou no fundo dos olhos – Seus olhos...- comentou – Não me são estranhos, eu sei que conheço alguém que tem esse mesmo brilho, mas... Não me recordo de quem seja.

Gina fechou os olhos quase como instinto e assim encostou sua testa na dele.

- Por que não para de tentar achar algum rosto parecido com o meu e aproveita esse tempo que ainda temos juntos?

Não foi preciso dizer duas vezes, e quando Gina deu-se por si Harry já havia se apossado de seus lábios, numa forma provocante e possessiva, fazendo-a delirar.

Cravou suas unhas no couro cabelo dele e sentiu as madeixas negras lhe acariciarem a pele da mão, enquanto a língua dele provocava a sua numa forma tão perfeita que Gina se viu obrigada a ter que respirar fundo várias vezes para não perder a sensatez.

Harry a tocava como se não estivesse somente se aproveitando dela e daquele momento que se encontrava em seus braços. Ele fazia muito mais que isso, a adorava, e se não fosse pelo pouco tempo e pela mascara que tampava seu rosto, ela já teria permitido que ele a amasse.

Transformasse-lhe numa mulher de verdade!

Oh, Merlin! Como ela desejava aquilo. Como havia sonhado com aquele momento.

A língua dele buscando a sua em movimentos sensuais e lentos, para logo transformá-los em rápidos, percorrendo toda a extensão de sua boca, enquanto as mãos quentes e grandes acariciavam-lhe o corpo, incendiando-o com seu toque.

Quando os lábios se separaram, para pegarem fôlego, estavam os dois vermelhos e ofegantes.

- Nunca conheci uma garota... Tão... Linda... Louca... E ao mesmo tempo...

- Linda? Sexy? Misteriosa e...

- Estranha! – Harry completou, num tom brincalhão fazendo ambos rirem.

Gina colocou uma mecha vermelha atrás da orelha e se levantou.

Sentindo o olhar de Harry sobre si, vestiu o vestido e ergueu os cabelos.

- Poderia fechar o zíper para mim? – pediu com um jeitinho delicado, fazendo Harry sorrir e levantar-se também, quase como um robô que obedecia com perfeição às ordens de seu criador.

Mas Gina nunca pensou que Harry iria fechar o seu vestido daquele jeito. Fechou os olhos quando ele se curvou sobre o fecho e segurando-o com a boca começou a deslizá-lo para cima, fechando-o, enquanto com a pontinha da língua, passava sobre a pele dela, que ia sendo coberta pelo tecido leve e marcante.

- Pronto. – murmurou sensual no ouvido dela, enquanto as mãos se perdiam para a entrada da fenda.

Gina abriu os olhos e sorriu pelo canto da boca, antes de se esquivar dos braços fortes.

Erguendo os olhos, pôde escutar o som do relógio do castelo, que soava como uma cantoria, insinuando que já era meia noite e meia.

- Tenho que ir. – havia prometido para May e Naty que iria encontrá-las há uma na sala secreta delas no quinto andar, mas antes disso queria ficar um pouco sozinha, para colocar seus pensamentos em ordem.

Harry gemeu e abraçou-a com força, como se ela fosse a coisa mais valiosa para si e não queria se separar dela nunca.

- Não...- ele disse muxoxo – só mais um pouco.

Gina negou com um gesto de cabeça.

Teria que ser naquele instante, se não toda a coragem que havia posto em seu peito para partir iria abandoná-la e ela iria se ver obrigada a revelar ao amigo quem era na verdade.

- Eu tenho que ir mesmo. – murmurou, acariciando-lhe o rosto e olhando para os olhos verdes, agora, escuros.

- Quando irei vê-la novamente? – Gina deu os ombros.

Amanhã, depois de amanhã, nas férias de natal, no verão e provavelmente até o último dia de sua vida, amigo desnaturado de uma figa, Ela sentiu vontade de dizer.

- Não sei. – respondeu – Mas espero que seja em breve – Por que eu tenho que te beijar!

Harry a abraçou com mais força.

- Vou te deixar uma coisa bem clara...- ele a olhou numa forma que Gina sentiu seu coração parar de bater. Harry estava sério, e aquela fisionomia o deixava ainda mais belo. – Mesmo você não me dizendo quem é, eu vou encontrlá-a novamente, e aí sim você não vai mais fugir, entendeu? Posso vê-la amanhã mesmo e não poder reconhecê-la, mas fique certa de uma coisa...- aproximando da boca dela, Harry disse por fim antes de beijá-la com ardor – eu vou tê-la novamente para mim, e será para sempre.

Por alguma coisa a Terra havia parado de girar? O vento de assoprar e as badaladas do relógio de tocar?

O mundo pareceu sumir e somente as estrelas pareceram circulá-los e o esplendor da lua a iluminá-los.

Abraçou Harry com força de encontro a si, enquanto sentia os lábios dele pressionarem o seu num beijo de muitas promessas.

Mas tudo que era bom acabava rápido.

Começando a sentir suas pernas bambearem, Gina se separou dele num rompante, antes que fosse tarde demais.

Olhando-o pela última vez como A Dama de Vermelho, deu a volta nos calcanhares e saiu correndo em direção ao castelo, sentindo um vazio enorme em seu peito, mas para o outro lado seu coração batia rápido de modo como se a qualquer momento fosse saltar para fora de seu corpo.

Poderia estar sentindo uma imensa dor, mas ao mesmo tempo sentia uma alegria tão grande que seria capaz de explodir.

Riu quando começou a atravessar o hall.

Sim, ela e Harry iriam se encontrar novamente, e fosse o que o destino estivesse preparando para eles, ela iria esperar.


Olhou para a relva escura a sua frente e suspirou.

Olhou para as cobertas sobre si e pôde ver a imagem dela ainda deitada ali, mas um brilho, perto do pequeno local onde a ruiva havia estado com a cabeça repousava viu uma pequena jóia.

Ajoelhando-se, se aproximou e pegou a jóia entre os dedos; era um colar delicado onde continha um pingente em forma de lua.

Ficou impressionado ao ver que a cor dourada deste ia desaparecendo e ia tornando-se num tom de ouro branco bastante belo.

Abrindo o fecho da jóia a pôs em seu pescoço.

- Agora sim eu tenho certeza...- disse a si mesmo, ainda tocando no colar com um, brilho de esperança nos olhos – que você, Dama de Vermelho, vai ser minha.


- Fred, você está louco? – Naty falou, vendo que o ruivo a arrastava para fora do Salão e a puxava para dentro de uma sala.

- Sim! – ele respondeu sorridente – Por você!

Naty girou os olhos e permitiu-se ser conduzida até a janela. Fred a abraçou por trás, circulando a cintura dela com seus braços e pousando seu queixo no ombro dela.

Naty sentiu o corpo dele enrijecer, quando com um dedo ela lhe percorreu o pescoço, sentindo a textura de uma corrente.

- O que foi? – perguntou, virando-se entre os braços fortes do ruivo. O conhecia bem de mais, e Fred Weasley calado por mais de dois minutos era sinal de problemas – Você esta muito... Calado.

Fred suspirou.

- Eu tenho algo para te perguntar.

Naty engoliu em seco e arregalou os olhos quando o ruivo tirou de dentro da roupa um colar onde sobre este havia dois anéis pendurados.

Oh meu Deus, ele não iria pedir...

Viu-o tirar o anel menor da corrente e assim ajoelhar-se a sua frente.

Oh! Ele ia!

Naty sentiu seu coração disparar com a cena. Fred pegou sua mão e olhando-a bem no fundo dos olhos sorriu com todo o amor possível.

- Natalie McBride você aceita ser minha namorada?

Mas que tipo de pergunta era aquela? Naty pensou entorpecida com as sensações que a invadiam como raios.

Era como se o seu maior sonho estivesse se realizando bem naquele momento.

Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, não conseguindo mais conter a sua felicidade.


Pôde ver uma porta se abrindo e uma luz saindo sobre esta. Estava a um passo para chegar na tão famosa porta da felicidade.

- E você ainda pergunta. – Fred sorriu ainda mais e colocou o anel no dedo dela, antes de levantar-se e abraçá-la com força.

Tirando-a do chão, a rodopiou no ar.

- Naty... Naty... Naty! – ele falou seu nome a cada pirueta.

Naty ria com entusiasmo enquanto sentia a jóia sobre seu dedo, brilhando.

- Eu te amo. – falou, quando Fred finalmente a pôs no chão e encarou-a nos olhos, contemplando-lhe o semblante como se ela fosse a obra mais divina do mundo – te amo demais... Meu namorado!

Fred gargalhou.

- Eu também te amo... Minha namorada! – e com um beijo apaixonado, eles selaram o começo daquele namoro.

Os ruídos noturnos dos animais que estavam adentro da floresta proibida faziam alguns ruídos, fazendo-a estremecer.

Mas que lugar encantador e romântico, Pensou irônica, enquanto seus dedos entrelaçados com os do vampiro a sua frente se apertavam ainda mais.

Ele olhou-a por cima dos ombros.

- Com medo- May pôde ver o sorriso debochado que surgiu sobre os lábios pálidos, deixando a sua vista os incríveis caninos.

Cerrando os olhos correspondeu o sorriso.

- Não! – respondeu secamente – Só estava imaginando se depois desses ruídos de animais famintos iria aparecer uma tribo de canibais.

O vampiro riu, e a risada dele fez o coração dela dispara. Mas o que estava acontecendo com ela? Maldição!

- Boa idéia, mas garanto-lhe que não seria uma tribo de canibais que iria devorlá-a. – um brilho malicioso pareceu brilhar como duas jóias por de baixo daquele capuz negro.

May riu sem humor.

- Engraçadinho! – continuaram a caminhar em silêncio, e os animais continuavam a fazer sons estranhos. E o vento piava ao pé de seu ouvido, fazendo a índia estremecer algumas vezes.

- Para onde estamos indo? – perguntou, quebrando aquele silêncio incomodo.

O vampiro sorriu novamente, mas desta vez era numa forma divertida.

- Você vai ver. – foi à única coisa que ele disse antes de puxlá-a para si e pôr-se a suas costas e num gesto rápido, tampou-lhe os olhos com as mãos – confie em mim e continue andando.

O caminho estava escorregadio graças ao sereno úmido que fazia a terra do chão ficar daquele jeito. May deu graças a Deus quando sentiu sobre seus pés um caminho de pedregulhos.

Mas o que tinha na cabeça quando aceitou o convite para dar uma volta com aquele desconhecido?

Pôde ouvir ao longe, numa forma baixinha, o som de uma forte corrente de água chocar-se com rochas.

Uma cachoeira, Pensou, fazendo um sorriso brotar sobre seus lábios.

- Pronta? – o vampiro murmurou de repente em seu ouvido, parando de andar.

O som estava bastante forte e podia sentir alguns respingos lhe cair sobre o rosto.

- Sim! – respondeu. As mãos pálidas descobriram seus olhos e bastante curiosa May ergueu as pálpebras.

A cena que viu a deixou estupefata; uma grande cachoeira se quebrava nas rochas, como havia imaginado. Um lago fazia-se sobre seus pés, onde sobre a superfície ondulada estava o reflexo do belíssimo céu.

Flores silvestres enfeitavam o local, assim como as altas arvores verdes e a grama bem cortada.

- Que lindo. – exclamou encantada.

Pôde escutar uma risada alegre a suas costas e assim se virou, podendo ver o seu vampiro, não mais com a capa e sim com uma mascara negra que lhe tampava a metade do rosto, e os cabelos lhe caindo sobre a cor pálida do rosto.

Os olhos brilhavam, e May temeu derreter sobre aquele brilho feiticeiro nas íris.

- Fico feliz que tenha gostado. – ele falou, como uma cobra. Começando a se aproximar, Draco fitou a morena a sua frente, encantado cada vez mais com aquela beleza incrível e encantadora. – Você é a composição mais perfeita que eu já vi em alguma mulher. – elogiou-a e sentiu a respiração em seu peito arfar graças ao sorriso que ela lhe deu.

Os delicados braços circularam seu pescoço, enquanto o miúdo corpo pressionava o seu, fazendo-o imaginar cada curva.

Não conseguindo controlar mais os próprios impulsos, Draco inclinou sua cabeça e beijou-a com sofrerão.

O som da cachoeira sumiu e restou somente para eles o som de seus próprios gemidos.

As línguas se enroscavam uma nas outras, ansiosas por seus gostos febris.

May gemeu quando os dedos longos apertaram seus cabelos, enviando para seu corpo uma sensação perfeita de vertigem e prazer.

Estavam tão envolvidos com aquele momento que não ouviram o som de um galho quebrando e somente se deram de conta que estavam sendo observados quando uma voz surpresa exclamou:

- Draco? May?

Os dois se separaram como se houvessem acabado de recebeu um choque elétrico.

May olhou para a relva verde e pôde ver o rostinho corado de Mia, fitando-a com os olhos cor de mel esbugalhados.

- Mia? O que esta fazendo aqui? – ela e Draco perguntaram ao mesmo tempo antes de se fitarem pasmos.

- Draco!

- May!

Um tirou a mascara do outro revelando seus verdadeiros semblantes.

May sentiu seu estômago dar varias voltas enquanto Draco ainda continuava com a mesma fisionomia pasmas e abobalhada.

Mia se aproximou deles e abraçou as pernas da irmã.

- Ah maninha, imagine a cara da mamãe e da tia Narcisa quando saberem que você e o Draco estão namorando.

Os dois balançaram a cabeça e olhando para a pequena garotinha que sorria de orelha a orelha.

- Nós não estamos namorando! – exclamaram juntos antes de se fuzilarem com os olhos.

Draco passou a mão pelos cabelos num gesto nervoso.

- Como descobriu esse lugar, pequena? – ele perguntou ríspido.

Mia o encarou com o queixo erguido.

- Tinha que ser loiro mesmo. – ela debochou revirando os olhos – Vocês estavam tão envolvidos um com o outro que nem perceberam quando eu sai do castelo e comecei a segui-los. – o sorriso que ela deu mostrava que estava bastante satisfeita.

May respirou fundo e segurou a irmã pelos ombros.

- Você tem três segundos para voltar a seu dormitório, deitar-se na cama e dormir. – ameaçou soltando a irmã e empurrando-a em direção ao mesmo caminho que viera.

Mia fez bico.

- Mas, eu...

- Um! – May começou a contar, cruzando os braços em frente ao peito.

- May, por favor...

- Dois. – batendo os pés e mostrando a língua, Mia começou a correr em direção ao castelo, murmurando palavras indecifráveis, mas algumas Draco pode entender como; "Depois sou eu a pirralha", "Ela que não me venha pedir desculpas e com beijinhos depois!", "Índia filha duma mãe... Ah! Droga, nossas mães são as mesmas!".

Suspirando, encarou May e pôde ver que ela olhava para a cachoeira de forma nervosa, mesmo que sentisse a atenção dela sobre si.

Sorriu. Aquela índia não conseguia enganlá-o. Estava com medo como uma verdadeira gazela no deserto.

- May – chamou-a, aproximando-se novamente, cauteloso.

Ela recuou.

- Não chegue perto de mim – sibilou entre os dentes. Draco riu.

- Não creio que esta tão tímida assim. Já nos beijamos outras vezes.

May suspirou. Aquele loiro era mais burro que uma porca. Será que ele não percebia que estava se apaixonando por ele, e a última coisa que queria era aquela desgraça?

- Malfoy, primeiro – fitou-o com arrogância – eu não me esqueci que já havíamos nos beijado outras vezes. Segundo... Também não me esqueci como você beija mal.

Draco gargalhou.

Se tinha algo que May era péssima, era mentir. Principalmente para ele.

- Se eu beijasse tão mal, você não teria gemido como gemeu agora pouco nos meus braços. – antes que ela pudesse fugir, enlaçou-a pela cintura novamente – Não teria me abraçado com tanta força ou correspondido o beijo com tanta paixão.

A índia fez uma careta.

- Eu estava somente fazendo uma caridade para a sociedade protetora dos animais.

O loiro sorriu debilmente.

- May, você não pode calar a boca por somente um momento e deixar-se viver pelas emoções?

May respirou fundo. Ah, se ela agisse por suas emoções, iria fazer uma loucura.

- Se continuarmos com isso – apontou para si e para ele – como vamos agir amanhã?

Draco deu os ombros.

- Não pense no futuro, a noite é uma criança, e ela ainda não acabou.

May riu pela primeira vez e o abraçou.

- É, ainda não acabou. – e antes que ela pudesse mudar de idéia, Draco a beijou novamente.


Gina suspirou e permitiu-se cair sobre macio pufe branco na sala.

Naty e May estavam dez minutos atrasadas e aquilo começava a irritá-la.

O sono batia em sua porta e não se deu vencia ainda em consideração as melhores amigas.

Mas também por que toda vez que fechava os olhos a imagem de Harry e ela se beijando há poucos minutos no lago penetrava-lhe a mente. Fazendo-a estremecer.

- Meu Deus! – murmurou, esfregando o rosto.

Naquele momento a porta da sala se abriu num rompante, fazendo-a ter um sobressalto.

Naty e May estavam bem a sua frente; vermelhas, ofegantes, os cabelos despenteados e as roupas amassadas.

Gina ergueu uma sobrancelha.

- Está por acaso, havendo uma guerra e eu não fui comunicada?

Naty girou os olhos e conjurando um sofá para frente da ruiva sentou-se neste e ao seu lado May se acomodou, ainda parecendo estar num profundo transe.

- Okay, o que esta havendo? – Gina voltou a perguntar, impaciente.

May engoliu em seco.

- O Draco me beijou!

Naty respirou fundo.

- Eu e o Fred estamos namorando. – mostrou o anel em seu dedo.

Gina sorriu e clareando a garganta falou:

- E o Harry me beijou. – Naty e May arregalaram os olhos e as bocas pareceram que a qualquer minuto atravessariam o chão.

Gina gargalhou e gritou histérica quando as duas amigas pularam em cima de si.

Continua...