Na manhã seguinte, Isabella despertou ao sentir o raio do sol refletir sobre sua face. Removeu-se incomoda na cama e ficou de barriga para baixo, tentando ignorá-los. Suspirou resignada e se sentou no colchão, descobrindo que não estava em sua cama, nem no quarto que supostamente tinha que dormir na casa do senhor Cullen.

Então as imagens chegaram a sua mente, em forma de cascata. Suspirou de novo, esta vez com um cansaço que começava a fartá-la. Retirou o cobertor de suas pernas e se levantou da cama ao mesmo tempo em que esticava seus braços e bocejava. Observou ao seu redor, mas não havia sinais de Edward.

Um pouco decepcionada, passou as mãos pelos braços tentando aplacar o insistente frio que tinha invadido seus ossos e pele. A noite anterior não levava pantufas nem sandálias, por isso lhe tocou sair descalça do quarto.

Caminhou lentamente, dando-se conta de como eram próximos seu quarto e o de Edward, algo no que não tinha reparado nos quatro dias que levava ali. Observou o relógio pendurado na parede e suspirou aliviada ao ver que eram sete da manhã, algo bom, já que lhe dava tempo de vestir-se e arrumar-se para chegar ao colégio as oito, bem na hora em que começavam as aulas.

Rapidamente se introduziu em seu quarto e abriu o armário. Pegou uma blusa de cor branca e um jeans negro a jogo. Uns sapatos esportivos e umas meias; com a toalha sob o braço se aproximou do banho, onde abriu a ducha com água quente e se introduziu dentro.

Lavou seus cabelos uma vez e ensaboou seu corpo duas vezes. Algo que gostava da mansão Cullen era a reserva de água quente que não parecia acabar nunca. Mas por mais que desejasse ficar todo o dia sob a deliciosa temperatura da água, sua mente lhe rogou para que saísse… E assim o fez; envolveu-se rapidamente na toalha e se secou no quarto. Logo depois de hidratar seu corpo com creme, colocou a lingerie e logo se vestiu com rapidez.

Quando voltou a ver o relógio, eram sete e vinte minutos. Suspirando aliviada, desenredou seu matagal de cabelos e colocou uns braceletes e uns brincos prateados que combinavam corretamente com sua vestimenta. Já completamente arrumada, saiu do quarto para se chocar totalmente com Gerad.

- Bom dia, senhorita.

- Bom dia, Gerad – Isabella não se surpreendeu ao ver a bandeja com todo tipo de nutrientes nas mãos dele, mas mesmo assim arqueou uma sobrancelha.

- Vai a alguma parte?

Isabella assentiu fracamente.

- Vou sim. Hoje é terça-feira, tenho que ir a escola – Sorrindo tentou esquivá-lo. Então se precaveu de algo que não tinha levado em conta ao entrar em seu quarto. – E Brownie?

Dando a volta começou a procurar o seu cachorrinho, sem obter muito êxito voltou a olhá-lo. Gerad fez uma careta.

- Está com o senhor Cullen.

- Ah sim? –Perguntou surpreendida. Brownie tinha reagindo muito mal diante de Edward, assim realmente se surpreendeu ao ouvir aquela resposta por parte de Gerad. Movendo-se e esquivando-se de maneira rápida de Gerad e da bandeja de comida começou a caminhar pelo corredor.

- Senhorita Isabella, espere! O senhor Cullen não gostará que você não tenha comido!

Mas já tinha avançado pelo corredor o suficiente para afastar-se dele. Sentindo-se mal por deixá-lo falando sozinho, saiu da casa.

Edward deslizou seus dedos por entre as orelhas do cachorrinho de Francesca. O pequeno poodle abria a boca desfrutando da carícia. Tentou manter-se calmo para ouvir os pensamentos de Isabella e os de Gerad na parte de cima. Aspirou e expirou, enquanto acariciava Brownie.

Era frustrante que ela não obedecesse suas ordens. Mas Isabella inclusive não lhe pertencia para fazer caso de suas ordens. Logo ela seria dele. Jasper o observa fria e calculadoramente do outro lado do escritório e Emmett franzia o cenho enquanto mantinha as cortinas fechadas evitando que o sol penetrasse pela janela.

Emmett tinha trocado sua experiência pela habilidade de caminhar sob a luz do sol. Mas Jasper preferiu ficar nas sombras e trocar sua experiência por poder. Um a humanidade e o outro justamente o contrário. Suspirou pesadamente.

- Não vai atrás dela? –Perguntou Jasper.

Edward o fulminou com o olhar.

- Esqueça de sua habilidade de ouvir coisas – Edward sorriu levemente – E não, não irei atrás dela. Ela virá para mim, somente tenho que esperar.

- Mas você está preocupado por outro ataque de asma.

- Sua habilidade é uma merda, sabia? – Jasper sorriu.

- A mim não é como se eu gostasse da tua. Se não bloquear minha mente, invadirá e saberá que tipo de pensamentos tenho – Edward observou claramente como Jasper se movia incomodamente em seu assento. Apesar de que somente tinha poucos anos de vida, Jasper possuía experiência como a de um vampiro de dois mil anos de vida. Houve momentos em que queria perguntar o porquê.

A porta soou.

- Adiante.

Qual foi sua surpresa ao ver Isabella entrar no escritório. Não tinha ido? Apenas tinha descuidado dos pensamentos durante uns minutos. Como é que era possível que não lesse quando trocou de opinião?

Envergonhada ao haver-se dado conta da presença dos outros dois homens, Isabella entrou lentamente na habitação.

- Bom dia, Senhor Cullen.

Esteve a ponto de corrigi-la, mas sua expressão o deteve. Elevou as esquinas de seus lábios em um sorriso. Morta de calor, Isabella se via extremamente formosa e adorável.

- Bom dia, Isabella – Se voltou aos seus companheiros e a convidou a entrar por completo à escura habitação. A única luz da estadia era a que penetrava por debaixo das cortinas – Francesca, esses são Jasper Whitlock e Emmett Brown do W&B. Meninos, ela é Isabella Swan, a filha de Charlie.

No último momento, Isabella decidiu que era muito boa idéia ir saudar Edward. Não, na realidade só queria vê-lo e ia pôr como desculpa que estava procurando Brownie, para deixá-lo a cargo de Gerad antes de ir-se. Mas jamais pensou que tivesse visitas. Quem vem tão cedo fazer visitas?

Precaveu-se de que Edward tinha a mesma roupa de ontem. Teria estado trabalhando com os dois homens? Causou-lhe pena por havê-los interrompido e retrocedeu um passo.

- Bom… Se vocês estão ocupados, poderia ir e…

- Está tudo bem, Isabella. Passa algo? – Outra vez ele a tinha chamado Isabella, certamente esse era seu nome… Mas lhe parecia estranho que não o tivesse cortado como normalmente costumava fazer. Tragou saliva e observou como Brownie se movia entre os braços dele.

- Estava procurando o Brownie.

Edward olhou-a e sorriu. Levantou o cachorrinho de seu colo e o colocou com cuidado no chão. Nesse instante Brownie encaminhou-se para ela. Isabella o levantou nos braços e o cão começou a lhe lamber os dedos da mão. Tentou agüentar a risada que esteve tentada a soltar, devido às cócegas proporcionadas pelo pequeno ato do cachorrinho.

A porta se abriu e Isabella se sobressaltou. Gerad apareceu em seguida.

- Senhorita Isabella, uma garota chamada Kristen Stewart, está lá fora perguntando por você.

Assentindo, deu a volta.

- Obrigado, Gerad – Voltou o olhar para Edward e lhe sorriu timidamente – Obrigada a você também, Edward. E foi um prazer conhecê-los, senhor Whitlock e senhor Brown.

E saiu da habitação apressadamente com Brownie nos braços.

Robert cerrou os olhos no momento em que a limusine estacionou à frente da mansão de Edward. Observou em volta e esperou uns instantes para que o cansaço acabasse. Não tinha bebido sangue em semanas e tampouco tinha tomado um dia para descansar.

Não é como se o necessitasse. Tampouco era muito urgente a vontade de tomar sangue. Um vampiro podia durar semanas completas sem tomar sangue, dependendo de sua resistência e estado. Havia alguns que com muito boa concentração mental, conseguiam agüentar meses. Outros que estavam fracos devido a feridas, tinham que tomar diariamente.

Tampouco era boa idéia, tomar muito sangue. Um par de sorvos bastava. Se não o faziam desse modo, o sangue do vampiro ficava poluído convertendo-o em um monstro descerebrado que somente serve para matar e tomar sangue.

Algo chamou sua atenção. Levantou a vista e parada na porta estava "Ela". Foi como se lhe golpeassem no estômago e o desejo ligado à sede de sangue e ao cansaço, removeram-se em seu interior. Robert tinha jurado manter-se afastado da garota que nem sequer sabia quem era e, assim, a dor, a nostalgia e a solidão o matariam… Não faria mal a ela.

Era formosa, não como as modelos ou garotas da televisão, porque a garota que era sua companheira era muito normal. Não era extravagante nem estava carregada de maquiagem. Com os cabelos pretos, cortados em camadas até os ombros, o corpo corretamente moldado e as curvas perfeitas que compunham seu corpo estavam ocultas sob uma folgada camiseta branca e uma saia que chegava nos tornozelos. Era tão perfeita, tão pequena e bonita… Mas não podia.

Por que estava ali? Que fazia na casa de Edward?

Então Isabella Swan saiu pela porta e se pendurou no braço da outra moça. Tragou saliva e desviou a vista. Era amiga de Isabella?

Levantou o olhar e observou as garotas caminharem para o automóvel enquanto falavam. Observou as costas dela… Recordava havê-la visto em outro lugar.

A sua mente chegou no dia do funeral de Charlie e Renée Swan… Kristen Stewart; tinha-a visto caminhar lhe dando suas costas; recordou haver-se sentido estranho quando a viu de costas e perguntou a um homem quem era. Não era possível… A amiga de Isabella?

Se a havia visto… Somente de costas e alguma vez em festas sociais… Mas como? Desceu do carro depois que a limusine de Kristen se perdeu de vista e pediu ao chofer que estacionasse no jardim traseiro se por acaso tinha que sair fugindo. Já era um costume. E caminhou apressadamente para a entrada… Disposto a comprovar o que estava pensando e com a amarga sensação de que se não se controlava, procuraria todas as maneiras de fazer Kristen Stewart sua .