12º Capítulo: O Plano
Na manhã seguinte, todo mundo acordou cedo. Tomaram seu café, e cada um tomou um rumo diferente. Grissom levou Brass ao jardim para mostrar-lhe seus feitos na jardinagem, seu mais recente hobby; os jovens Grissoms, acompanhados de Othis e Ozzie, foram aos seus respectivos quarto, ver suas caixas, e Catherine ajudava Sara na cozinha. Sara já tendo posto o peru no forno, ocupava-se das tortas de abóbora.
Lá pelas dez horas, Emily entrou na cozinha. Sara salpicada de farinha lavava as espigas de milho, para cozinhar. Lembrou-se da moça, que quando criança ficava fuçando em tudo, enchendo-a de perguntas.
- O que você quer Emily?
- Você! Vem comigo ver sapatos para o frio?
- AGORA, filha? Além de eu estar ocupada, é feriado. Tudo está fechado! Deixe para amanhã!
A moça não se deu por vencida e insistiu. Catherine desviou-se um pouco das ervilhas que estava debulhando numa tigela. Pensou que aquela era uma desculpa bem fraquinha, para tirar Sara de lá.
Mas Grissom sabia o que estava fazendo, ao escolher a moça para aquela tarefa: ele conhecia bem a filha que tinha.
- Então, a gente pode ver hoje, que está tudo sossegado e comprar outro dia.
- Vamos amanhã, que já não terei o almoço de ação de graças!
- Mas eu queria ir hoje...
- Hoje não posso! Vá com sua amiga Sally!
- Ela não está disponível, além do que, eu queria sair com você, mamãe!
Catherine sentiu que Sara balançou. Mas ainda se mantinha irredutível. Foi então que Emily emburrou e fez biquinho, ficando extremamente parecida com Grissom:
- Se fosse um pedido de William, você iria na hora; mas como sou eu...
Aqueles eram os pontos fracos de Sara: ser acusada de favoritismo e a moça ser tão parecida com Grissom; a quem ela negava poucas coisas... Catherine resolveu dar um empurrão:
- Pode ir, Sara! Eu olho o forno e ponho o resto dos vegetais pra cozinhar.
- Tem certeza, afinal você é convidada...
- Ora, Sara, eu não sou visita! Sou a tia Cath, não? Faço parte dessa família! E já fiz muitos almoços desses. Sei o que fazer não se preocupe!
- Obrigada, amiga! – Sara abraçou e beijou Catherine. – Essa menina anda muito mimada!
Sara tirou o avental e pediu uns minutos pra se pôr decente. A filha concordou e pediu-lhe a chave, ela ia dirigindo e enquanto esperava, tiraria o carro da garagem. Sara deu-lhe a chave do carro e subiu. Emily deu uma piscada cúmplice, acompanhado de um "missão cumprida", bem ao estilo dos CSI's, a Catherine.
Ao sair, Sara passou pelos homens no jardim; deteve-se um pouco, falou com Brass, trocou algumas palavras com Grissom e beijaram-se. Emily olhava a cena pelo retrovisor. Embora tivesse crescido vendo essas cenas, talvez porisso mesmo não lhes dava o devido valor.
Quando Sara se acomodou no veículo, Emily deu a partida. Sara não se aguentou e desabou, em cima da filha:
-Muito bem, Emily Sidle Grissom! Pode me explicar essa sangria desatada!Por que você não podia esperar até amanhã, mocinha? Ficou bonito deixar sua tia Cath encarregada do almoço?
Emily estava séria e parecia não estar pensando em almoço, tia Cath, ou mesmo sapato.
- Papai é o amor de sua vida, não?
- Sim, por que dessa pergunta, agora?
- Mamãe, quando você soube que papai era "o cara"?
- Acho que desde que pus meus olhos em cima dele, em San Francisco! – Sorriu Sara se recordando!
- Você sentiu arrepios na nuca, quando ele olhou pra você?
- Sim!
- Ele tinha uma certa olhada, que conseguia fazer você se sentir despida?
-Sim... e ainda tem! – Sorriu Sara, sem revelar à filha em que ocasião isto acontecia.
-... E, quando acidentalmente sua mão toca na dele... - Emily pensava em quando derrubou os talheres no chão.
- PARECE QUE UMA DESCARGA ELÉTRICA PERCORRE SEU CORPO... – Falaram mãe e filha ao mesmo tempo, e risadas iguais, sacudiram seus corpos.
- Você sente isso pelo Othis?
´- Como você sabe que é ele!
- Ora filha! Não nasci ontem. E não sou cega também!
- Quem mais sabe mamãe? Papai?
- Não, não creio! Ele teria me contado. Ele é muito desatento para essas coisas!Mas não se preocupe: seu pai gostava muito de Warrick, ficaria satisfeito!
- Bem, não sei! Pouco conversamos e não sabemos nada um do outro. Passamos com louvor no teste de pele, mas isso não é suficiente para se saber se tem algo mais sério aí... Quero ter o amor, o entendimento, o cuidado que um tem com o outro, o respeito e a cumplicidade, que vocês têm.
Sara nem teve tempo de ficar emocionada, achando afinal que tinham passado direitinho o que queriam para os filhos, porque a feliz e estouvada mocinha, jogou-se em seu pescoço.
- Adoro você e papai!
- Tudo bem! Mas que tal ficarmos vivas, para isso? – Perguntou Sara, enquanto pegava a direção, na rua hoje deserta e calma.
- Mamãe você foi para Vegas para investigar o pai de Othis, não?
Com os olhos da memória, Sara reviu tudo, e contou essa história pela milésima vez, com a diferença, que Emily prestava agora uma atenção especial.
Por vontade da moça, que tinha ordens expressas de manter Sara longe de casa o máximo de tempo possível, viraram de ponta a ponta o centro comercial de Chicago.
Voltaram perto de uma hora, com Sara desconjurando, cansada, preocupada e faminta. Entraram e passaram pela sala de jantar. Tudo estava silencioso e ás escuras. Sara estranhou: onde se meteram todos? De repente:
- SURPRESA!
