Doze Passos
por D-B
1.
Apenas uma vez você disse o que sentia realmente.
2.
Era dia dois de Janeiro.
3.
Foi uma frase de três palavras.
4.
Ela piscou quatro vezes, freneticamente. Parecia perdida – aterrorizada, para ser mais exato.
Você sentiu um pingo de suor escorrer pela nuca enquanto a observava abrir e fechar a boca.
5.
Ela disse cinco palavras desconexas, uma após a outra, encarando você nos olhos.
6.
Então, deu seis passos até a porta do quarto do hotel barato, segurando a bolsa com força e ajeitando o blazer, saindo sem fechá-la.
7.
Você deu sete socos enfurecidos na parede.
8.
Oito dias se passaram. Ela não mandou cartas, nem você.
Você acreditou que nunca mais a veria na vida. Talvez ela estivesse apavorada.
Você não queria pressioná-la – ambos eram casados, tinham filhos... Certamente não deveriam se ver mais.
9.
Você bebeu nove doses de firewhisky no gabinete numa tarde gelada e quando Astoria finalmente veio falar com você, parecia preocupada.
– Estou ótimo – você respondeu tentando não transparecer a melancolia.
Não tinha coragem de olhar para a esposa, então manteve a janela sob seus olhos prateados e frios.
10.
Durante esse tempo, escreveu dez cartas, mas rasgou todas em seguida.
O inverno estava acabando e você continuava miserável.
Ela continuava sumida.
Sua ausência doía mais do que você conseguiu prever e agora amaldiçoava o dia que pronunciara aquelas três palavras.
Talvez devessem ter continuado apenas com sexo.
Sem conversa.
11.
Eram onze da noite quando seu elfo te chamou no gabinete. Você estava um pouco embriagado, tinha acabado de voltar de um jantar e Astoria estava no banho. Você desabotoou as mangas e as enrolou, então afrouxou a gravata.
– Quem é a essa hora? – perguntou impaciente, alisando o colete preto que usava.
O elfo arregalou os olhos, inseguro, e engoliu em seco. Depois, inclinou-se numa reverencia exagerada.
– Creio que seria melhor se o senhor descesse imediatamente, senhor Malfoy.
12.
E lá estava ela, com um sobretudo creme encharcado da chuva que caia lá fora, naquela noite de primavera.
Você ficou parado na escada, abismado, mas tentando mais do que nunca aparentar indiferença.
Weasley deu doze passos até parar na sua frente.
Seus cabelos ruivos pareciam mais vermelhos do que nunca e pingavam no carpete caro do seu hall de entrada.
Ela estava séria, mais séria do que nunca, e te encarou com os olhos castanhos que você não via faz muito tempo.
– Eu te amo também.
Foi um sussurro.
E você sorriu.
