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CAPÍTULO DOZE

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- Não.

Toda a igreja se espantou. As velhas levaram as mãos à boca e o padre piscou os olhos, embasbacado.

- D-Desculpe? – ele disse. – Senhorita? Aceita Miroku Taisho como esposo? – repetiu, como para ter a certeza que a noiva se enganou na palavra.

- Não.

Sakura desfaleceu e Tatsu teve que a segurar entre os braços. Izayoi abanava um pouco as mãos em frente ao rosto dela, mas tinha um sorriso no rosto, tal como InuTaisho, que se mantinha sentado com os braços cruzados.

- Kagome… o que…? – Miroku perguntou, atónito.

- Eu não quero… - ela se virou para toda a igreja chocada e falou alto, para todos a ouvirem. – Desculpem por estragar um casamento assim desse jeito. Mas não posso continuar essa farsa! Eu não me estou casando com Miroku por amor! Isso é um casamento arranjado! Porque se fosse por amor… - caminhou até uma Sango perplexa. – Esse casamento seria entre… - a pegou pelas mãos e a conduziu até Miroku que a recebeu com um sorriso. – Vocês.

As velhas levaram as mãos ao peito, enternecidas pela atitude dela.

- Kagome! – disse Tatsu, furioso. – O que você pensa que está fazendo?

Ela o ignorou e se virou para Miroku, mas toda a gente a ouvia. – Fique com Sango, sejam os dois muito felizes! Eu… - se virou para a porta enorme aberta ao fundo da igreja e sorriu. – Eu tenho um homem para apanhar.

Apanhou as saias e começou a correr pela igreja fora. Sakura, que tinha acabado de acordar, desfaleceu novamente após gritar pela filha. Kagome riu, sentindo-se rebelde e passou por todos os convidados sorrindo, que se iam erguendo ao vê-la passar.

- Agarrem essa noiva! – gritou Tatsu, estendendo o braço na direcção dela. – Não a deixem escapar!

Alguns homens se ergueram e tentaram apanhá-la, mas Kagome era mais ágil e conseguiu fugir. A última coisa que viu antes de sair da igreja e entrar na estrada cheia de trânsito, foi Miroku beijar Sango apaixonadamente.

Riu outra vez, desejando toda a felicidade a eles.

Segurou as saias mais forte, até os nós dos dedos ficarem brancos, e correu o mais que pôde. O véu voava atrás dela, acompanhando os seus movimentos. Kagome se enfiou pelo meio das duas faixas, onde os carros estavam todos parados e iam na direcção da praia, ao que parece, estava muito calor esse dia e todos quiseram apanhar um pouco de sol.

A praia.

Inuyasha estaria lá.

Rezava para que estivesse! Não lhe apetecia muito correr a cidade toda atrás dele naquele vestido cheio de folhos e muito menos com aqueles saltos.

Os homens que estavam nos carros, aborrecidos de morte, abriram as janelas e apitaram. As pessoas que passavam no passeio paravam e gritavam, a encorajando e apoiando. Kagome apressou-se mais ainda, sentindo-se corajosa e selvagem ao correr com aquele vestido a arrastar atrás de si e o véu a esvoaçar. Depois de alguns minutos, viu finalmente a praça que dava para a praia.

Toda a gente que lá passava deu passagem para a noiva em fuga, alguns tirando fotos e filmando, outros rindo e batendo palmas. Estava exausta, tinham sido mais de quinze minutos correndo e não estava propriamente habituada.

Desceu as escadas quase voando, tirou os sapatos em dois tempos e correu para a silhueta masculina de cabelos prata e terno que passava na água, ali perto. A sua respiração era descompassada, o calor fazia-a suar e ficar quente, o vestido pesava-lhe toneladas, mas estava determinada. Aquele homem já não lhe escapava.

- Inuyasha!

Ele olhou para os lados, procurando por ela, e quando a viu, deixou cair os sapatos que levava nas mãos, surpreso.

- Inuyasha! – ela gritou, lágrimas cristalinas caindo e voando de seu rosto, criando diamantes no ar. – INUYASHAAAAA!

Inuyasha abriu os braços na direcção dela mesmo antes de saltar em cima dele. Com esse movimento, o véu se desprendeu e o coque de tranças se desfez e os cabelos voaram, ondulados, em torno do rosto dela. Ela se acomodou em seu peito, mas a força do impacto fez Inuyasha ter que dar uma volta com ela ao colo para não cair. A praça se encheu com uma multidão de curiosos que queriam saber o que fazia ali uma noiva esbaforida, correndo e gritando que nem uma louca.

Uma louca apaixonada.

- Inuyasha! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! – ela disse, se abraçando ainda mais forte a ele e chorando. – Não quero me casar com Miroku, eu quero você! Quero ficar com você para o resto de meus dias, porque se não for assim, eu não quero mais viver! Eu te amo! Me perdoa por ter sido uma idiota com você! Me perdoa!

Inuyasha inspirou o perfume delicado bem fundo e depois a afastou o suficiente para colar os lábios no beijo mais apaixonado que dera em toda a sua vida. – Eu também te amo, Kagome!

Toda a praça gritou, extasiada, e bateram palmas ensurdecedoras. Havia assobios e gritos dos mais entusiasmados e alguns atiraram chapéus e peças de roupa ao ar. Não tinham ouvido nada, apenas os gritos de Kagome, mas o beijo apaixonado que trocavam agora significava mais do que um milhão de palavras de amor.

- Venha comigo, Kagome. – ele pediu, sem fôlego. – Quero te levar para minha casa.

Ela assentiu e ele a levou no colo, como recém-casados, até ao carro. Todo o mundo se desviou, ainda batendo palmas, e deram passagem ao casal feliz.

O trajecto até casa dele foram os cinco minutos mais longos de suas vidas. Estavam ansiosos por estarem sozinhos. Inuyasha conduziu a mais de 300 à hora, deixando Kagome um pouco receosa. Pediu para ele ir mais devagar mais de três vezes, mas ele a ignorou. Assim que chegaram, Inuyasha a levou no colo outra vez e fechou a porta como pé, a fazendo rir.

- Até parece que estamos casados! – ela disse quando ele a largou no meio da sala.

Os olhos dourados brilharam e então começou a tirar a maldita gravata, sem a deixar de fitar.

Kagome viu como o peito dele se revelava, enorme, firme e quente, à medida que a roupa dele desaparecia. Em tronco nu, ele a agarrou e começou a beijar com paixão, desejoso de a ter.

- Da outra vez que você me ligou… - ele murmurou perto de seu rosto, sua mão acariciando o cabelo dela e o braço a apertando contra si. – Você disse que se rendia.

- Sim… - ela fechou os olhos, abandonando-se em seus braços.

- Estava se referindo a passar a noite comigo, certo?

- Sim. Mas depois a Kikyou apareceu e…

- Shhh… Não fale mais dela, está tudo acabado.

- Vocês já se acertaram?

- Ela foi embora ontem. Eu mesmo me certifiquei que ela entrasse no avião. - ele a beijou de leve e sorriu. - Essa noite você não escapa.

Kagome riu um pouco. – Nem quero.

Inuyasha então a beijou profundamente e ao mesmo tempo foi desfazendo os laços e os cordões que apertavam por fora do fecho lateral do vestido. Depois de várias tentativas frustradas, ele rosnou a meio do beijo e separou os lábios.

– Mas que diabos…! – esticou as garras e cortou os tecidos, deixando o vestido solto por fim. – Me promete que em nosso casamento vai trazer um vestido mais rápido de tirar, por favor, ou eu entro em pânico na nossa lua-de-mel! -disse enquanto ela ria e deslizava o vestido pelo corpo até ficar apenas em langerie. Era bege e com um corpete feito em parte de rendas. Inuyasha baixou os olhos pelas pernas dela e gemeu ao ver a liga que todas as noivas usavam. – Meu deus… Isso tudo era para o idiota do meu irmão? Não acha que exagerou, não? Ele não merecia assim tanto.

Ela mordeu o lábio e baixou os olhos. – Estou horrível, não estou? É que Hitomi me obrigou a usar isso e me emprestou a liga que ela usou no casamento dela, não tive como recusar.

Ele lhe levantou o queixo com uma garra. – Não está horrível, Kagome. Deveria aprender a saber o efeito que faz nos homens. Olhe. – abriu os braços para ela e Kagome entendeu suas palavras. O vulto palpitante em suas calças não mentia.

- Eu… - corou.

Inuyasha a pegou nos braços e a levou até ao quarto, a beijando pelo caminho.

- Você vai esbarrar numa parede!

- Não vou nada. – voltou a aprisionar os lábios num beijo.

- Olhe a mesa! – apontou.

Ele a ignorou e a beijou de novo enquanto saltava agilmente por cima da mesa. – Me beije, Kagome, e esqueça tudo o resto.

- Mas você vai acabar nos esborrachando contra… - era difícil falar com aquela língua áspera e hábil entrando e saindo maliciosamente em sua boca, por isso se rendeu e o abraçou pelo pescoço, pedindo mais.

Quando finalmente encontrou a porta do quarto, Inuyasha a abriu com um pontapé e a fechou com outro. Foi em direcção da cama e deitou a moça seminua em cima da colcha suave, enquanto desatava a calça fitava-a com olhar intenso, cheio de promessas quentes e sedutoras. – Sabe, eu diria que essa seria a nossa primeira noite, mas a gente já dormiu junto…

- Até parece que fizemos alguma coisa… - debochou. – Apesar que, se alguém o tivesse visto dormindo nu e abraçado a mim, teria pensado logo coisas erradas.

- Eu só não fiz nada com você nessas noites porque te respeitava. Eu não queria que você pensasse que sou um tarado. Sou um homem muito honrado, senão você já não seria… - de repente, se calou. – Kagome, você ainda é virgem?

Ela se encolheu um pouco e olhou um ponto qualquer do cómodo. – Sim. – murmurou quase inaudivelmente.

Ele sorriu. – Bom, se eu não fosse um homem nobre, você já não seria virgem há muito tempo.

Ela sorriu timidamente e lhe estendeu os braços. – Venha cá, então, meu nobre.

Inuyasha não pensou duas vezes antes de se deitar, nu, em cima dela e lhe devorar os lábios novamente, arrancando rapidamente a pouca roupa dela. Traçou uma trilha ardente da boca até ao pescoço e depois até aos seios. Agarrou a carne macia com a mão e beijou o cume com suavidade, sentindo-a gemer, lambeu em espiral e quando chegou ao topo do mamilo, o sentiu duro que nem pedra. Abriu a boca e os caninos arranharam a pele sensível, provocando estremecimentos gostosos à garota.

- Inu… - se arqueou para ele, inconscientemente.

Inuyasha passou a mão pelas pernas dela e continuou até encontrar o lugar mais íntimo dela. A carne febril quase gritou de alívio quando seus dedos e suas garras a acariciaram. Estava tão húmida e tão quente que Inuyasha teve que desviar a boca do seio dela para gemer de prazer. – Kagome…

Sem se conter, foi beijando o corpo dela em toda a extensão, passando pelos seios, a barriga, o umbigo e finalmente chegou onde queria. – Inu… yasha…? - Kagome olhou, curiosa, para ele quando lhe abriu as pernas e a olhou com o sobrolho franzido. – Não! – as fechou instintivamente, mas ele a deteve e prendeu as mãos junto às coxas, prendendo os seus movimentos. – Não olhe para mim! – pediu, fraca.

Inuyasha a observou e a achou linda, levou a boca à carne exposta e a beijou. Depois, a devorou.

Kagome se mexeu bruscamente debaixo dele, sacudida pela sensação violenta e agradável de estar na boca dele, gemendo e se arqueando para ele. – Inuyasha!

Era uma experiência totalmente nova e intensa para ela. A luz do sol entrava pela janela e tocava os cabelos prata junto ao seu baixo-ventre, criando uma aura angelical à sua volta. A cada golpe da língua áspera e audaz, ela gemia mais alto e chamava por ele, aturdida. As mãos puxaram a colcha com força quando Inuyasha a segurou com firmeza pelas nádegas e se aprofundou nela, enfiando mais a língua.

Quando atingiu o orgasmo, Inuyasha gatinhou por cima dela e a observou. Tinha os olhos fechados, suor limpo escorrendo pelo pescoço e seios e respirava rapidamente. Como tinha tido tanta sorte para ter uma mulher daquelas apaixonada por si? A que deus havia feito um ritual Inca sem se dar conta? – Você está bem?

Kagome abriu ligeiramente os olhos e os raios solares os penetraram, intensificando-os. – Hum, hum… - subiu as mãos cuidadosamente pelo tronco sulcado de músculos.

Ele levou o nariz até ao pescoço dela. – E gostou? - a moça assentiu, envergonhada, o fazendo rir. – Que bom… Então tenho permissão para continuar, não tenho?

- Toda.

- Isso pode doer um pouco, mas eu prometo ser delicado, sim? – a beijou.

- Isso eu quero ver! – brincou.

Ele lhe mordeu a orelha em forma de reprimenda, se posicionando ao mesmo tempo entre suas pernas. – Você adora brincar com fogo.

- Acho muito estimulante brigar com você.

- Estimulante… - sorriu. Um braço escorregou por trás das costas dela e a outra mão se apoiou ao lado do rosto dela. – Kagome… - a advertiu de novo, lembrando subitamente a sua fama de playboy. – Dessa vez eu não vou fazer sexo…

- O quê? Porque não?

- Dessa vez… Eu vou fazer amor. Com você e mais ninguém. Prometo.

Ela se emocionou e o beijou com infinito carinho. – Oh, Inu… O que eu fiz para que você me amasse?

- Eu prometo fazer de tudo para não te machucar. Não vai sentir nada.

- Isso é uma pena, eu queria sentir… tudo. – semicerrou os olhos, sentindo a cabeça do membro dele a tocando, provocando silenciosamente.

- Ah, você vai. E de que maneira. – lhe lambeu o pescoço. Depois, iniciou a penetração lentamente.

A jovem foi cravando os dedos nos ombros dele à medida que o sentia entrar nela. Os corpos estavam encaixando perfeitamente, Inuyasha acomodando seu quadril contra o dela, a barriga contra a dela e o peito contra os seios fartos. Quando entrou completamente dentro dela, parou durante uns segundos, para que se habituasse ao seu tamanho.

Kagome o achava enorme. Estava admirada com o seu próprio corpo por o ter recebido tão bem, sem dor ou incómodo algum. Soube o momento exacto quando um fio de sangue lhe escorreu pela coxa até ao lençol branco e olhou nos olhos de Inuyasha. Ele percebeu e a beijou, como se desculpando por lhe ter tirado a pureza. Mas ela não se importava. Tinha a certeza absoluta que ele era o homem por quem esperou a vida inteira para se entregar tão plenamente.

Sentia todos os pontos de seu corpo em contacto com o dele, desde os pés até à cabeça. Abriu um pouco mais as pernas, permitindo que ele se acomodasse melhor. Com o movimento dele para se encaixar melhor, ambos gemeram de prazer. Inuyasha se dobrou um pouco para olhar o corpo dela se unindo ao dele. Os cabelos prata caíram como uma cortina sobre o rosto dela, que fechou os olhos, o sentindo mover dentro de si lentamente.

Inuyasha começou a mover os quadris muito devagar, atento a cada expressão no rosto da amada. Uma mão segurava a cabeça dela junto ao colchão e afagava os cabelos negros, a outra alisava o corpo dela, desde os seios até às coxas grossas e firmes. A cada estocada, tortuosamente lenta e intensa, as mãos dela pressionavam mais as costas dele, o deliciando.

- Kagome, quero que me toque mais… - ele ronronou. – Por favor…

Ela obedeceu, se aventurando pelo corpo viril sulcado de músculos tensos que se crispavam a cada carícia. Era um sonho de homem. As costas eram enormes, firmes e musculosas, as ancas eram estreitas e ágeis com os seus movimentos, e o traseiro… Meu deus… Aquele traseiro era o melhor de todos! Duro e firme. A vontade de o apertar era tanta que ela mordeu o lábio e desceu as duas mãos em direcção a ele.

Assim que Inuyasha sentiu as mãos-travessas o apalpando, riu. – Sua depravada! – lambeu o ombro dela e a penetrou com intensidade. Ambos gemeram e Kagome se arqueou instintivamente contra ele. – Você é tão apertada, Kagome… Tão doce, tão pura…

- Inuyasha… - sussurrou em seu ouvido, depois mordeu o ombro dele quando o sentiu investir novamente com intensidade. – Aaaahhhh!

- Perfeita…

Inuyasha começou a se mover mais rapidamente, sentindo urgência em tomá-la dessa vez. Era a primeira vez que se deixava levar por uma mulher. Kagome era sua dona agora, mais nenhuma mulher seria tocada por ele a partir dali. Só aquela que se entregava a ele agora. Debaixo de si, gemendo seu nome com uma voz doce e sensual.

Kagome ergueu os braços e puxou a cabeça dele para seu pescoço, querendo tudo dele. – Mais, por favor! Mais! Aaaahhhh! Inuyasha!

- Kagome! Eu… Eu te quero só para mim!

- Sim! – gemeu, o levando para seus seios. – Eu sou sua…

Inuyasha abocanhou um seio e o chupou com força, penetrando-a mais forte agora. Os gemidos deles eram ouvidos por toda a casa, os suspiros se espalharam pelos cómodos e as promessas de amor eterno invadiram o ar.

- Eu te amo, Inu!

Inuyasha levantou a cabeça e a olhou com seus orbes incandescentes, duas bolas gémeas de puro ouro líquido a olharam tão profundamente que Kagome se julgou um livro aberto para ele. Inuyasha mergulhou tão fundo nas piscinas límpidas do seu olhar, no seu coração tão apaixonado, que ficou sem ar. Os movimentos dele eram frenéticos, quase violentos, extremamente prazerosos. Kagome o abraçou como pôde, sentindo a pressão no seu interior crescer a níveis tão altos que se sentiu desfalecer.

- Inuyasha!

- Ka… gome… - ele gemia, de olhos fechados, com o rosto colado ao pescoço dela.

Num último movimento, Kagome chegou ao clímax, gritando o seu nome. Inuyasha também o alcançou ao mesmo tempo, derramando todo o seu sémen dentro dela. Com isso, a mordeu no pescoço, cravando bem fundo os caninos, e a marcou sua fêmea. Ele escorregou um pouco e ficou deitado de lado, Kagome o abraçou pela cintura e sorriu.

Ali, de costas para o sol, Inuyasha era como um anjo.

Porque tanta perfeição junta, tanta beleza masculina só poderia vir de um ser divino. Era sem dúvida a criatura mais bonita que alguma vez vira. Ele tinha os olhos fechados enquanto tentava acalmar a respiração, o suor limpo lhe escorria o rosto e o resto do corpo, os cabelos prata espalhados pelo colchão e o rosto com expressão de fadiga. Parecia um anjo caído do céu, como se tivesse feito um enorme esforço e recebido uma recompensa ainda maior.

Ela suspirou de deleite e ele abriu os olhos de um golpe. Foi como sofrer o impacto de duas lamparinas quentes. – Te machuquei?

- Não. Mais meigo seria impossível. – lhe beijou o nariz, emocionada e envergonhada.

Tentou se enroscar nele, mas não lhe foi permitido. Inuyasha se colocou de novo em cima dela e lhe tirou o fôlego com um beijo longo e depravado. – Ainda bem, porque tenho a intenção de fazer amor com você até não conseguir mais andar.

Ela suspirou e se rendeu de bom grado a ele. Inuyasha a possuiu mais três vezes antes de ficarem exaustos ao extremo e caírem nos braços um do outro, adormecidos.

O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O

O sol já estava alto quando Kagome acordou com uma mão no seio e outra entre as pernas.

- Inu?

Ele riu em seu pescoço, estavam deitados de lado e ela tinha as costas contra o peito dele. – Já acordou, minha Kagome? Pensei que estivesse cansada.

- Você me acordou. – o corrigiu. – E eu tenho muito sono ainda. Estou muito cansada.

- Ah é? E quem é o responsável por isso?

- Você. – respondeu, manhosa.

Sentiu uma mordidela suave na orelha. – Sou?

- Sim, é.

Ele riu contra o pescoço. – Sabe, quando eu morrer, o Paraíso ideal para mim seria um céu cheio de Kagomes nuas e sentadas nas nuvens, me chamando com o dedinho. Prontas a me satisfazerem e amarem.

- Ah, e tudo isso porque uma só Kagome não chega para sua Senhoria. – debochou.

- Eu disse 'quando morrer'. Estou bem vivo. – afirmou, aconchegando o membro já erecto no traseiro dela. – Por enquanto, uma Kagome é o suficiente para me deixar maluco. - Inuyasha a virou para si e a beijou, pronto para mais um round, mas o celular que estava na mesa tocou, frustrando seus planos.

Kagome riu do beicinho dele, o empurrou pelo peito e esticou o braço até ao aparelho. Ao olhar o ecrã, quase gritou. – É a minha mãe!

- Quer que eu atenda? – perguntou, apoiado sobre o cotovelo e deitado de lado.

- Não, não! – suspirou pesado. – Eu trato disso. Alô? – uns gritos histéricos se ouviram do outro lado da linha e ela desviou o aparelho quinze centímetros do rosto. – Eu… - mais gritos. – Eu sei que foi uma vergonha, mas mãe, eu… - outro grito. Inuyasha bufou e tentou lhe tirar o celular, mas ela lutou por ele, se escondendo debaixo das cobertas. Inuyasha a agarrou e a puxou para cima de novo, a fazendo rir. De repente, ela ficou aflita. – Bom, ele está aqui, sim… mas eu… - ela fechou os olhos e suspirou pesadamente, rezando mentalmente. – Ele quer falar comigo? Então… passe para ele.

- O que foi?

- Seu pai quer falar comigo.

Ergueu a sobrancelha. – Até quero ver o que vai dizer.

- Também eu! – mordeu o lábio, receosa, depois ajustou melhor o celular no ouvido. – Oi? Sim, sim, InuTaisho! Estou ouvindo!

Inuyasha viu como, em segundos, o rosto de Kagome se transformou numa máscara de tristeza profunda, com lágrimas grossas jorrando de seus olhos. Arrebatou o aparelho à sua amada quando ela quase nem conseguia respirar por tanto soluçar.

Ele rosnou ao outro lado da linha. – O que você lhe disse? Diga! Porque a deixou nesse estado, seu maldito? – nunca antes tinha falado assim com seu pai, tinha sempre se dirigido a ele com respeito e companheirismo, mas Kagome se encolhia e se abraçava tanto em procura de consolo que se descontrolou. – O que lhe disse? FALA! – ordenou, com voz mais firme. InuTaisho se desculpou e desligou, sua voz delatando um sorriso enorme.

Bufando, atirou o celular para a mesinha e abraçou Kagome firmemente. – Ssshhh! Calma, meu amor, me diz o que ele te disse. Por favor. Me conte tudo.

Kagome sorriu por entre lágrimas. – Seu idiota, não era preciso gritar com seu pai assim. Ele não me disse nada de mal, eu é que sou uma burra.

- Porque diz isso?

- Ele me disse palavras de confiança, Inuyasha. De apoio. Só chorei porque nem meus pais saberiam me dar tanto amor como os seus me dão.

- O que ele te disse?

- Ele nos desejou toda a sorte do mundo, Inu, e isso foi tão bom ouvir que não aguentei e chorei que nem um bebé. Me desculpe se te assustei. – falou, limpando as lágrimas e se acomodando em seu peito.

Inuyasha sorriu e a abraçou. – Sua boba, não me pregue mais um susto desses. Pensei o pior de meu pai.

Depois de uns beijinhos ternurentos e carinhosos, o estômago de Kagome roncou que nem uma metralhadora, fazendo Inuyasha rolar na cama de tanto rir.

– Não ria, seu idiota! – ela ralhou, juntando o lençol à volta dos seios e dando pequenos socos nas costas e no peito dele, conforme ele rolava. – Estou faminta e isso não tem piada!

- Que horas são? A gente dormiu assim tanto? Era de manhã quando a gente cá chegou.

Ela pegou o celular e disse. – Cinco e meia da tarde. Não só perdemos o desjejum e o almoço, como também quase perdemos o lanche.

Kagome vestiu a camisa de Inuyasha, que era tão grande e larga que lhe ficava pelas coxas e deixou um botão aberto para mostrar metade dos seios, com intenção de provocar Inuyasha.

Fizeram panquecas, torradas com doce ou manteiga, comeram frutas maduras e suculentas e beberam suco fresco com gelo. Inuyasha não perdia a oportunidade de brincar com ela, mordendo um morango e a beijando logo de seguida, para partilhar o sabor do fruto. Ela não ficava atrás com suas provocações, deixando que um cubo de gelo preguiçoso descesse calmamente pelo vale dos seios, esbarrando contra um seio. Gostava de ver as labaredas no olhar faminto do hanyou, que parecia pronto a lhe saltar em cima.

Kagome atendeu o celular de novo. – Alô? Oi Sango, que surpresa! … O QUÊ? - Inuyasha desviou os olhos do tacho que lavava e olhou para a moça sentada na bancada, estupefacta com alguma notícia. – VOCÊS SE CASARAM?

CRASH!

Inuyasha olhou os copos que deixou cair no chão. Era impressão sua ou tinha ouvido que Sango e Miroku tinham dado o nó? – Repete. – disse, se aproximando dela e lhe tirou o celular. – Vocês o quê?

- Ah, oi, Inuyasha! Aqui é a Sango! Só liguei para dizer que ainda não é tarde para aparecerem na festa do meu casamento com Miroku! Assim que Kagome fugiu do altar eu casei com seu irmão. Somos cunhados agora! – riu. O outro lado da linha estava cheio de música e risos, bem como som de copos e talheres chocando. Estavam no restaurante para o copo-d'água. – Sakura e Tatsu estão aqui também, mais conformados e até curtindo a festa! InuTaisho quer falar a sós com você e Kagome, pelo que sei. Mas Miroku é que sabe desse história melhor do que… Oh, espere, ele está aqui querendo falar com você. Até já. E diga a Kagome para vir à minha festa. AGORA!

- Tá bom, depois a gente aparece.

O celular foi trocado e a seguir ouviu a voz de Miroku. – Irmão?

- Aí! Como vai o recém-casado? – brincou. – Eu bem dizia que um dia desses você matava nossa mãe do coração. Como ficou sem noiva, se atirou na madrinha dela, seu safado! – ouviu risos do outro lado da linha.

- É, bom… depois a gente fala sobre isso. Espero que apareça aqui. Sango me mata se Kagome não vier!

- E o seu irmão que vá para o diabo que o carregue, não é?

- Às vezes você percebe tudo sem precisar explicar… Ahahahah! Brincando. Olha, papai quer falar com você e sua mulher, a sós. – Inuyasha sorriu internamente, sabendo como o irmão já sabia que lhe agradava imenso ouvir alguém dizer que Kagome era sua mulher. – E nossa mãe também.

- É para dar algum sermão?

- Não faço a mínima ideia, mas é melhor obedecer. Sabe muito bem como mamãe fica assustadora quando zangada e eu, sinceramente, tenho mais medo dela do que de papai. Se eu fosse a você vinha para cá voando.

- Cá para mim você está me mandando correr para aí porque tem medo de outra mulher… - sentou no balcão e aceitou a garfada de salada de fruta que a jovem lhe deu. – Sango, o nome dela, não é?

- Deixa de ser engraçadinho… - ralhou. – Você é que ainda não a viu zangada. Espero sobreviver a esse casamento. – riu.

- Você sabe… Só o sexo forte é que domina! –Miroku disse um impropério em resposta à sua provocação e ele gargalhou. – Até logo, irmão, e não se preocupe, eu e Kagome iremos aí mais tarde.

Desligou e abriu a boca para outra garfada, mas Kagome desviou o garfo e o levou à boca, o deixando com cara de parvo ainda esperando. – Pensa que é tudo para você? – riu, depois deu o prato a ele e se levantou para varrer e colocar no lixo os cacos dos copos partidos. – Tenho que me vestir e tentar arranjar uma maneira de transformar esta juba no penteado que tinha antes para poder ir para a festa de Sango.

- Porque não vai com o cabelo solto? Eu gosto mais dele assim.

- Quando os cabelos estão espalhados na almofada, é diferente, Inuyasha. – sorriu, indo depositar tudo no lixo. - Também não sei como vou vestida. Além de você me ter rasgado metade do vestido, ele é de noiva. Não vou a uma festa de casamento vestida de noiva!

- Não se preocupe com nada, se quiser eu te levo a casa de meus pais e você pega um vestido de minha mãe. Apesar da idade, ela se veste como uma menina no auge da juventude. – falou com descaso.

- Mas ela está muito bem conservada! Sua mãe é belíssima! Nem aparenta vinte e oito!

- E já é quarentona!

Kagome lhe atirou o pano de cozinha à cara, sorrindo. – Vou tomar banho, você quer ir primeiro?

- E que tal irmos juntos?

Ela sorriu, desapertando a camisa, quando esta caiu no chão e a deixou completamente nua, Inuyasha deixou o queixo cair. – Por mim tudo bem.

No banho se ensaboaram mutuamente, esfregando com carinho as costas um do outro e partes um pouco mais íntimas, e depressa as risadas se transformaram em suspiros e gemidos de prazer quando Inuyasha a ergueu sobre seus quadris e a possuiu contra a parede do chuveiro, com a água quente caindo sobre suas costas. Ambos gritaram mais alto que o barulho da água a correr e prometeram nunca se separar.

Depois, Inuyasha a levou até a casa de InuTaisho e deixou que Kagome escolhesse o vestido que queria, a ajudou a prender um pouco os cabelos numa trança frouxa e larga ao lado do rosto e vestiu um terno emprestado do pai. Ainda assim ficava um pouco grande, mas quase nem se notava. InuTaisho sempre seria o mais corpulento dos Taisho.

O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O.O

Assim que chegaram, minimamente arranjados para uma festa, ao restaurante reservado para o copo-d'água, todo o mundo parou. A música animada cessou, os convidados pararam de falar e rir, os criados pararam a meio do caminho com as travessas de comida fumegante e os noivos, que cumprimentavam as pessoas de mesa em mesa, se ergueram e viraram para o casal recém-chegado.

- Oi, pessoal! – disse Inuyasha, acenando. – Os autógrafos são só depois da meia-noite!

- Inuyasha! – Kagome o acotovelou.

- Que foi? Da maneira como nos olham até parece que somos famosos.

- Bom, pelo menos eu sou! Devo ser conhecida como a 'Noiva em Fuga'.

- Isso não era um filme com a Sandra Bullock?

- Inuyasha! Noivinha! – Miroku veio os receber de braços abertos e com um sorriso enorme no rosto. Atrás dele, Sango o seguiu e fez um gesto aos músicos para que continuassem. – Ainda bem que vieram! – depois sussurrou para eles. – Ainda bem que vieram mesmo! Estava ficando com medo da Sango!

Ambos riram quando Sango lhe deu um tapa no pescoço. – Está se queixando do quê? Já está desistindo?

- Nunca, meu amor!

- Acho bom. – depois de o beijar rapidamente nos lábios, se atirou em Kagome. – AMIGA! Estou tão feliz! Nem acredito que me casei! Não havia nada planeado!

- Pois, eu sei! E seus pais? Como reagiram?

- Err… Ainda não falei com eles… Mas tenho intenção de mandar um postalzinho da ilha onde vai ser minha lua-de-mel.

Kagome abanou a cabeça, rindo dela. – Sua mãe vai ter um chilique!

Enquanto falava, Sango começou a ficar amarela e cambaleou um pouco. Miroku a segurou. – Você está bem, Sango?

- Eu… - tocou o estômago. – Eu não sei… Acho que… - colocou a mão na boca e correu para fora do salão, em direcção ao banheiro.

- Sango!

- Esperem aqui. – Kagome disse, saindo atrás dela. – Eu vou ter com ela.

Sango estava agachada e agarrada à sanita, vomitando tudo. Kagome lhe colocou a mão na cabeça, a apoiando, e depois a ajudou a levantar para que Sango pudesse ir ao lavatório lavar a boca. – Você comeu alguma coisa fora do prazo?

- Acho que não. Eu espero que não.

- Hmmm… - pensou. – Bebeu alguma coisa que não te caiu bem? Vinho, champanhe, whisky?

- Também não, sabe que não bebo muito.

Kagome ficou pensativa enquanto ela tentava avivar as bochechas com água fresca. - Sango, posso fazer uma pergunta?

- Pode. – secou a boca com a toalha e se observou, um pouco menos pálida, ao espelho.

- Você tomava precauções quando ia dormir a casa do Miroku?

- Sim, claro.

- Todas as vezes?

- Não foram assim tantas, Kagome, só… Oh, meu deus!

- O que foi?

- Houve uma vez que a gente não tinha camisinha e, fazendo as contas, meu ciclo está atrasado.

Ambas se olharam e Sango levou a mão à barriga. Lágrimas desceram pelo seu rosto bonito e as duas se abraçaram rindo e chorando de felicidade. – Parabéns, amiga!

- Calma, ainda nada é certo! Mas… Ai, estou tão feliz! Será que Miroku vai gostar da notícia?

- Claro! Vai ficar radiante e pressinto que vai se pavonear diante de Inuyasha. Sabe como eles são quando as mulheres alheias engravidam e as deles não. – brincou.

Depois de se ajeitar melhor, Sango saiu com o rosto num espelho de felicidade para a festa, acompanhada da melhor amiga.

Quando chegaram ao salão, InuTaisho, Izayoi, Tatsu e Sakura falavam com Miroku e Inuyasha. Assim que ele a avistou, fez um gesto com a cabeça e os seis se dirigiram a uma pequena sala privada.

Chegou a hora de enfrentar as feras, pensou, deixando Sango para trás com Miroku.

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CONTINUA…

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