Amor & Cerveja Amanteigada
Inspirado em Amor & Cuba Libre de Álvaro Cardoso Gomes.
Uma viagem muito longa.
Acordei me sentindo imensamente feliz e aliviado. Meu primeiro semestre em Hogwarts estava terminado e por mais que eu tivesse feito verdadeiras amizades ali, eu realmente precisava de férias. Levantei rapidamente e fui tomar banho. Uma sensação de renovação, de coisas boas vindo pela frente. Eu ainda tinha muitas dúvidas, mas preferia não pensar sobre elas.
Desci para o café da manhã e quando dei por mim, já estava dentro da cabine do trem. As horas haviam passado voando.
- Ai, meu pé! - berrou Lovegood para Potter, que por sua vez, ficou vermelho como um tomate.
- Como você consegue ser tão desastrado, Quatrolho? - perguntou Zabini, com a delicadeza de sempre.
Gargalhamos alto.
- Blaise... - chamou Lucy, baixinho. Ela era a mais delicada de todos.
- Tudo bem, Lucy. - sorriu Potter, tranquilo. - Já estou acostumado com esse aí. - respondeu, olhando ferozmente para Zabini.
Continuamos colocando as bagagens no compartimento acima de nossas cabeças. Tínhamos de fazer caber oito malas naquele micro espaço.
- Deu tudo aí? - perguntou Weasley para mim.
- Acho que sim, meu.
Estávamos todos dentro de uma cabine só. Eu e Pansy sentados na janela, com ela abraçada a mim. Weasley e Granger sentaram a nossa frente, do outro lado sentaram Lucy e Zabini (no mesmo banco que eu) e por último, Lovegood e Potter.
- Ah, cala boca, Bagulhão! - resmungou Zabini, porque Weasley estava tirando com a cara dele por estar com cara de bobo apaixonado.
Rimos da cara dele. Lucy corou violentamente, ficou quase tão vermelha quanto os cabelos dos Weasley.
- Não precisa ficar tímida, Lucy. - disse Granger, compreensiva. - Todos sabemos que esses garotos são uns panacas.
- Mas, você bem que gosta de dar uns pega em um de nós né, Granger? - disse eu, contendo o riso, não tinha como evitar essa.
Granger Taturana me olhou com cara de ódio. Pansy beijou-me o rosto, sorri para ela.
- Sabe, Granger, para uma grifinória até que você sabe das coisas. Eles REALMENTE são uns panacas. - murmurou Pansy, divertida.
Todos meus amigos caíram na gargalhada por causa da minha cara de pateta.
- Ei, minha namorada não deveria estar me defendendo?
- Não, Malfoy, ao contrário de você, ela é inteligente. - rosnou Granger.
Me senti feliz, ao menos Pansy estava tentando se inturmar com a 'escória' da grifinória.
- Então, quem é que vai pra tua casa, Bagulhão? - perguntou Potter, já acomodado ao lado de Lovegood, totalmente duro, com medo de mover um músculo.
Dei um sorriso de lado. Como ele podia ser tão desajeitado na frente das garotas? Ele era o FAMOSO Potter, não tinha explicação. Mas, eu o conhecia bem e sabia o quanto ele não tinha experiência nesse assunto.
- Todos que estão aqui dentro, eu acho.
- Eu vou apenas na segunda semana. - sorriu Pansy, no mais amigável que conseguiu. Parkinson e Weasleys não eram exatamente famílias íntimas uma com a outra.
- Tudo bem, então. Mas, acho que é isso. Fora os amigos da minha irmã.
- Vai caber isso tudo lá dentro, Bagulhão? - perguntou Zabini. Não, ele nunca aprenderia a ser delicado.
Eu próprio tinha minhas dúvidas, já que a casa não era uma das maiores, mas por mim, desde que não passasse as férias em casa, estava ótimo. Não que eu não gostasse da minha família, mas não tinha amigos lá. Não iria ser muito interessante.
- Blaise... - chamou Lucy, baixinho - como sempre.
Rimos com vontade. Algumas coisas nunca mudariam.
Pansy olhou-me carinhosa. Eu sentia um imenso carinho por ela. Eu sabia que não a amava, mais sentia um imenso carinho por ela.
- Eu gosto de você, Draco. - sussurrou ela em meu ouvido, lambendo o lóbulo da minha orelha.
Senti meu corpo estremecer, mas eu sabia que não era amor, não era...
- Eu também gosto de você, Pansy. - sorri de lado. - Muito.
Senti nojo de mim. Senti raiva de mim.
Ela aproximou-se e me beijou. No começo era só aquela boca que eu já tanto conhecia apertando a minha e comecei a sufocar. Abri um pouco a boca. A língua dela encostou nos meus dentes. Acabei abrindo a boca mesmo e então não deu mais pra controlar, beija-a com vontade, apertando seu corpo bem junto do meu, senti ela tremendo e então a larguei.
Nos olhamos no fundo dos olhos e foi quase como se ela soubesse. Quase como se ela soubesse toda verdade só de olhar pra dentro dos meus olhos.
- Eu vou lá com as minhas amigas. - sorriu ela. - Tenho que entregar umas coisinhas pra elas, tá bom?
Só acenei com a cabeça.
- Mais tarde eu voltou. - e dizendo isso meu deu um selinho, um tchau geral e saiu pela porta da cabine.
Meus amigos começaram a rir da minha cara, me chamar de bobo apaixonado, mas eu não via nada disso, eu não escutava nada, eu só pensava... Eu só pensava na Gina.
Eu precisava sair de lá. Sair de lá e por meus pensamentos em ordem. Mas, na realidade, eu não queria pensar sobre nada daquilo. Não queria mesmo. Como ninguém sabia do que se passava na minha cabeça, eu apenas disse que ia ao banheiro e não voltei mais.
Entrei em uma das cabines vazias que havia no fim do trem. Sabia que ninguém iria me incomodar lá. Fiquei pensando na vida, escutando os risinhos infantis das garotas do primeiro ano... Será que nem no final do trem eu tinha paz?
Ouvi passos no corredor e então um garoto e uma garota - que obviamente não tinha me visto - entraram na cabine ao lado e começaram a se beijar loucamente. Fiquei olhando aquilo estático. Eles não sabiam que estavam em um estabelecimento cheio de criancinhas inocentes? Ri dos meus próprios pensamentos, não que eu fosse o garoto santo, mas alguma coisa naquele cena estava estranha e eu não sabia dizer o que era.
Um casal de namorados não se beijaria daquele jeito, ao menos não em um local onde todos pudessem ver. Um garoto e uma garota que estavam recém se conhecendo não se beijaram daquele jeito. Um casal de amigos DEFINITIVAMENTE não se beijaria daquele jeito. O único tipo de relacionamento onde ocorreria um beijo tipo aquele seria em...traição.
Aquilo realmente não seria da minha conta, até porque cada um trai quem quiser e eu não tenho nada a ver com isso, mas não iria ficar vendo aquela cena, não com tantos pensamentos confusos na minha cabeça. E foi então que eu vi. Eu vi Finnigan beijando uma das garotas da grifinória. Sim, com certeza era ele. Sai rápido dali. Como aquele cafajeste conseguia fazer algo desse tipo com a Gina? Não era possível!
Senti nojo dele. Senti raiva dele. Ele era pior que eu em qualquer outro aspecto. Ele era um verme.
Fechei meus punhos com raiva. Finnigan não tinha o direito que fazer isso com Gina. Aquela ruivinha adorável e toda sorrisos e carinhos. Ela estava fazendo o impossível para ficar com ele. Porque aquela besta não enxergava isso? Eu daria qualquer coisa para estar no lugar dele e... Eu não podia pensar essas coisas. Eu tinha namorada.
- Oi, Draco! - chamou Gina, sorrindo.
- Oi, Gin. - murmurei, nervoso.
Olhei para os lados, nervoso. Há apenas dois passos atrás de nós o namorado dela a traía com outra. Apertei mais ainda minhas unhas contra as palmas das mãos. Eu sentia meu estômago se contrair e suava frio. O que fazer? O que fazer?
- Algum problema, Draco? - perguntou ela, preocupada. Olhou-me desconfiada.
- Nã-não... É.. bem.. ãhn..
- Para, Simas! - exclamou a voz da garota. - Alguém pode escutar!
- A Gina tá bem longe daqui, amor. - respondeu ele, totalmente sem pudor.
Gina olhou-me horrorizada, buscando consolo, confirmação, qualquer coisa. Tranquei a respiração. Eu podia dizer que não era o que ela estava pensando, que não era e que...Eu não sabia o que fazer. Eu sentia como se fosse eu o traído, via a dor naqueles olhos castanhos e me sentia quase tão crápula quanto Finnigan. Eu não deveria ter deixado ela ficar com ele, eu deveria ter dito alguma coisa, feito alguma coisa...
Me coloquei entre a porta e ela. Era a única coisa a se fazer. Era a atitude mais sensata a se tomar.
- Draco... - chamou ela quase sem voz.
Você me perguntou
Eu engasguei sem coragem, travei
Não me atrevi a responder
Por que é que eu não desisto de você
Por que?
eu nao desisto
Por que é que eu não desisto de você
Por que eu nao desisto
- Não. - disse, firme. - A última coisa que você precisa é entrar ali dentro, Gina. - sussurrei.
- Draco. - rebateu ela, segurando as lágrimas.
Ouvimos risadas e passos e então o casal saindo da cabine como se nada fosse nada.
- Gi-gina! - exclamou o crápula, horrorizado. - Eu posso explicar, amor, não é nada disso que você tá pensando.
- A última coisa que você vai fazer agora é se explicar pra ela, Finnigan. - rosnei, olhando-o fixo nos olhos, uma fúria tomando forma dentro do meu corpo.
- E quem é você pra me dizer o que eu posso ou não posso fazer?
- De você eu não sou nada, eu mas eu sou amigo da Gina e tenho certeza que ela vai me ouvir quando eu disser pra ela nunca mais olhar na sua cara.
Finnigan me olhou com ódio e tentou se aproximar de Gina, ela, por sua vez, aproximou-se mais de mim e segurou firme no meu braço. Senti o calor ir se espalhando pelo meu corpo, fazendo minha cabeça girar. O toque delicado de suas dedos finos em meu braço eram como um calor em brasa, mas eu não podia me distrair.
- Você vai sair daqui com a sua namoradinha e acho melhor você NUNCA MAIS se aproximar da Gina, está ouvindo bem? - rosnei, novamente, trazendo Gina de encontro ao meu corpo, recostando seu rosto delicado em meu peito.
- Ótimo. - resmungou Finnigan. - Eu não a queria mesmo. - e dizendo isso saiu com aquela vaca loira a tira colo.
Coloquei as mãos uma de cada lado do rosto de Gina. Ela mantinha os olhos fechados, espremidos, os apertava com força, como que para esquecer tudo o que havia presenciado.
- Gina. - chamei, suavemente. - Gina, olha pra mim.
- Eu não quero abrir os olhos, Draco. - sussurrou ela, soluçando. - Se eu abrir os olhos tudo vai se tornar mais real do que já é.
- Me escuta: eu não posso apagar o que você já viveu, ruiva, mas eu posso mudar o que você vai viver daqui para frente e pra isso você tem que prestar atenção no que eu vou falar agora, certo? - perguntei, dando-lhe um beijo no rosto, abraçando-a logo em cima.
Senti-a recostar o queixo no meu ombro e acenar afirmativamente.
- Eu vou te deixar chorar hoje, mas só hoje, entendeu bem? Depois de hoje você não vai derramar mais nenhuma lágrima por aquele cara que foi o idiota o suficiente para não peceber o que tinha nas mãos.
- Você é um doce, Draco. - sussurrou ela, e senti sua respiração quente em meu pescoço.
Me mostre como você faz esse truque
Aquele que me faz gritar, ela disse
Aquele que me faz rir, ela disse
E coloque seus braços em volta do meu pescoço
Me mostre como você faz isso
E eu prometo, eu promete
Que eu fujo com você
Eu prometo que eu fujo com você
Entramos na cabine vazia onde eu estava minutos antes. Gina olhou-me com carinho, um carinho que eu tanto queria ver em seu olhar multiplicado por cem. O olhar que minutos antes eu sei que ela dirigia para Finnigan. Senti um aperto no coração. Um dor por ela não gostar de mim, uma dor por ela ter sido magoada.
- Me mostra como rir de novo... - pediu ela, tristonha. - Me mostra, Draco...
- Eu mostro, sim, ruivinha. - sussurrei, acariciando-lhe os cabelos. - Pode deixar que eu mostro.
Senti Gina me abraçando forte e abracei-a de volta. Senti suas mãoszinhas chegando no meu pescoço, a respiração quente na minha bochecha. Aquila situação toda estava me deixando tonto.
- Eu só queria poder gritar e, não sei...eu... - suspirou ela, cansada.
Abracei-a ainda mais forte do que antes, segurando-a possessivamente pela cintura. Gina levantou a cabeça, fitando-me confusa.
- Você faria isso comigo, Draco? - perguntou ela, incerta. - Você...faria?
- Nunca, ruivinha, eu nunca faria nada que pudesse te magoar.
Gina olhou-me de uma maneira estranha. O silêncio estava impregnado na cabine. Virei o rosto para o lado da janela, tentando pensar em algo pra dizer. Virei novamente para olhá-la nos olhos no mesmo instante que ela e ficamos bem perto.
Eu sabia o que iria acontecer. Eu sabia o que ela estava pedindo com aquele olhar suplicante, mas eu também sabia que era errado, era completamente errado. Ela não queria pelos motivos certos e eu queria por motivos certos, mas completamente proibidos.
- Draco... - chamou ela, baixinho.
Fui descendo minhas mãos, fazendo carinho nas costas dela, Gina me aperta mais e mais, pousando a testa no meu ombro. Afastei seus cabelos ruivos com a mão e vi aquele pescoço alvo e delicado me chamando. Beijei-o suavemente sentindo o corpo dela tremer e se aninhar ainda mais contra o meu. Beijei de novo. E deixei a boca ali, fui subindo, subindo, dando pequenos beijos na direção da boca. Gina não me impedia e eu estava alucinado.
Isso é errado. Isso é errado. Era a única coisa que eu conseguia pensar, mas ao mesmo tempo eu sentia o quanto queria aquilo, o quanto Gina também queria e o próximo passo foi completamente impensado.
Beijei o canto da boca ela, e senti seus lábios se mexerem, indo de encontro ao meu. No minuto seguinte, nossas bocas se encontram pra valer, senti as mãos dela me segurando pela cabeça me trazendo para ainda mais perto e dali pra frente foi aquela loucura. Não dava mais para eu fingir que era o cara santo que não iria fazer o que queria só porque tinha namorada.
E então aquele pensamento caiu como uma pedra no meio de nós dois. Larguei-a rapidamente, branco como uma cera.
- Gina, eu... - murmurei, completamente desconexo.
- Desculpa, Draco. - sorriu ela, triste. - Olha o que eu te fiz fazer, eu...Você tem namorada e eu to triste eu... eu não sei o que eu pensei, Draco.
- Não tem problema. - sorri, um pouco aliviado por ela não ter descoberto o meu segredo e um pouco magoado, por as minhas suspeitas de que ela estava fazendo aquilo por motivos errados, estarem certas. - Não tem problema, Gina.
Enquanto isso eu ficava pensando na Pansy. No quanto eu havia sido igual ao Finnigan. O quanto eu havia sido tão crápula quanto ele...Por mais que eu não gostasse de Pansy como ela gostava de mim. Por mais que meus sentimentos fossem de outra pessoa, eu não queria magoá-la. Eu não queria fazê-la sofrer...
- Você é uma pessoa digna, Draco. - murmurou ela, como que adivinhando meus pensamentos. - Não pense nem por um segundo que você é igual ao Simas. Foi um erro idiota, porque você quis me consolar e eu forcei a barra, certo?
- Cer-certo. - murmurei, desnorteado. - Amigos? - perguntei, nervoso.
- Amigos. - sorriu ela.
E então ela caiu no choro novamente, completamente abatida e triste, desabafando sobre todos os momentos felizes que os dois tinham passado juntos. E eu ali, agindo como se fosse o melhor amigo dela, quando no fundo eu me sentia completamente diferente do que tentava passar. Mas, ao invés, de dizer qualquer coisa sobre isso...
- Eu sei, eu sei... - foi o que eu murmurei repetidas vezes durante aquela longa viagem.
A luz do dia me colocando em forma
Eu devo ter dormido por dias
E movendo lábios para respirar seu nome
Eu abro meus olhos
e me encontrei sozinho
Srtas. Weasel: não poderia concordar mais com vcs! Porém, sabemos o quanto um garoto, principalmente o Draco, pode ser um tonto né? ahuaiahuaaiu thankx pelo review! kisses! xD
miaka: pois é, goria! Ele tá meio confuso meeesmo.. e a Pansy tinha q tá no meio da história né? obrigada pelo review! beeeijos! xD
CutieBabe: uma das minhas leitoras mais compreensivas! xD E q bom q vc está gostando e achou a idéia criativa! Adooorei o review! E aí, gostou desse cap?
Karollzinhah: desculpa, mas eu estou quase sem tempo.. por isso não consegui te mandar o email e demoro para postar os caps... Sorry mesmo! e q bom q vc comentou! beeeijos! Continue lendooo! xD
Kyra: Pode deixar que a Pansy fica com alguém no final.. ehuehieuieh Eu tbm gosto dela, apesar de tudo.. ehuehieuh
Obrigada a todas que comentaram, ou que apenas leram e não comentaram, etc e tal. Os reviews de vcs realmente me inspiram muito a escrever mais e mais rápido. Sinto muito, mas estou muito sem tempo, e agora virá duas semana só de provas e eu não tenho o próximo cap pronto, por isso, espero um pouco de paciência de todas vocês, o próximo cap virá, talvez demore um pouco mais do q o esperado, porque eu sou meio exigente com meus caps.. hehehe Enquanto isso, divirtam-se com as minhas outras fics, sim? xD Mas, não se preocupem, tentarei fazer o mais rápido possível!
Bom, eu particularmente gostei muito deste cap, não todo, mas algumas partes, porque apesar de haver um certo action vibrante entre o Draco e a Gina, mesmo ele sabendo que gosta dela, ele não deixa de se importar com a Pansy e de ter respeito por ela. Eu gosto disso no Draco, no meu Draco, quero dizer, hehehe... Mesmo ele gostando pra caramba da Gina, ele quer agir corretamente. O que vocês acharam?
Bom, agora é só esperar o próximo cap.
Obrigada mesmo a todas vocês e...
Enjoy! xD
