Kagome's POV
Acho que aquilo foi a coisa mais esquisita que já me aconteceu. Quero dizer, o que você acha de passar anos convivendo com seu irmão e depois ficar agarrada com ele na sua cama enquanto assistem a um filme qualquer?
Eu podia sentir minhas bochechas queimando feito fósforo e minhas mãos suando de tão nervosa que eu estava. Mas confesso que grande parte desse nervosismo passou depois que eu beijei o Inuyahsa pela primeira vez (e foi a melhor coisa do mundo!), o motivo agora era o idiota do Sesshoumaru que vivia colocando a cabeça na porta e nos fiscalizando. Por favor, não existe nada mais constrangedor do que isso.
Ele já havia interrompido dois beijos nosso alegando que a mão do Inuyasha estava muito escorregadia. Arg, cadê a Rin quando se precisa dela?
Depois de meia hora com meu irmão mais velho sem querer nos deixar em paz, acabamos desistindo de fazer qualquer coisa e resolvemos prestar mais atenção ao que se passava na tevê.
O gato do Orlando Bloom estava lutando com aqueles monstros do Piratas do Caribe e não pude deixar de notar que o Inuyasha lançava alguns olhares surpresos para a comissão de trás da Keira Knightley! Revirei os olhos e lhe dei um beslicão.
- Ai, caramba! - ele resmungou alto, o suficiente pro Sesshoumaru voltar a nos assombrar.
- O que aconteceu? - ele entrou no quarto e nos encarou com as sobrancelhas juntas. Notei que havia algo em sua mão e quase quis matá-lo por estar sendo tão infatil.
- Primeiro, - eu disse dando um sorriso irônico - largue esse taco porque ninguém aqui quer jogar baseball e segundo, por que você entrou desse jeito aqui? Não aconteceu nada de mais, ok?
- E por que ele gritou desse jeito? No mínimo você bateu nele por fazer alguma coisa - senti o Inuyasha se encolher atrás de mim e eu me controlei pra não beliscá-lo de novo, quero dizer, pra que esse medo todo do Sesshoumaru, apesar de estarmos juntos agora não significa que ele mudou em alguma coisa. Ta, ele mudou sim, mas não muito.
- Ah, claro. Ele estava me traindo - Sesshoumaru me lançou um olhar confuso e o Inuyasha abriu a boca pra protestar, mas eu disse antes que um dos dois pudesse ter a chance de dizer algo: - Olhando pra bunda da Elizabeth! Satisfeito? - cruzei os braços e fiz bico.
Sem dizer mais nada, nosso irmão mais velho saiu do quarto, de novo, e nos deixou em paz, mas não totalmente porque eu sei que, no quarto ao lado, ele estava escutando tudo o que dizíamos.
- O que quer? - Inuyasha disse se afastando de mim enquanto passava a mão no lugar onde eu o besliquei - Me matar? É isso? Porque o Sesshoumaru não está normal, Kagome. E eu sei que é só qualquer besteirinha acontecer pra minha cabeça rolar... Pare de rir! - completou quando comecei a gargalhar da cara dele.
As coisas, definitivamente, nunca mais voltariam ao normal. Oras, com o meu namoro com o Inuyasha tenho certeza de que o meu pai teria outro infarto! Fora que essa mania do Sesshoumaru de nos vigiar iria piorar cada dia mais. O que eu não conseguia entender era o medo que o Inuyasha sentia dele, os dois sempre brigaram por tudo, sempre se atacavam e todo aquele blá-blá-blá normal. Qual a novidade?
- Eu não te entendo mais! - falei enquanto limpava o rosto com as lágrimas que escorreram de tanto que ri.
- Como assim? - ele se sentou de frente pra mim e me vi obrigada a dar pausa no filme, eu queria algum tipo de desculpa pra passar mais um tempinho com ele.
- Você sempre apanhou do Sesshoumaru e ele também já recebeu alguns socos seus, por que tanto medo dele, agora? - levantei uma sobrancelha enquanto esbanjava um lindo sorriso.
- Tudo que está relacionado a você é um perigo - Inuyasha começou a fazer gestos exagerados com as mãos - Lembra o que aconteceu com aquele seu vizinho? - não entendi bem o que ele quis dizer com aquilo, mas finalmente entendi o que ele quis dizer.
Quando eu tinha meus doze pra treze anos, um garoto - muito lindo, confesso - veio morar com a família na casa ao lado da nossa. Por um milagre do destino, nós dois nos conhecemos enquanto eu brincava com a Sango na rua. Ele se tornou um grande amigo meu e acabou que nós meio que, ficamos a fim um do outro, entende? Mas claro que o Sesshoumaru não gostou nem um pouco dessa história e quase que o tal menino foi parar no hospital. O papai ficou uma fera, com ele, por bater no garoto e comigo, por estar sendo "precoce". Haha.
- Sim, o que tem?
- O que tem? - ele repetiu horrorizado - O que tem é que ele já está grandinho, - Inuyasha ironizou a ultima palavra enquanto terminava - ou seja, se aquele garoto quase morreu por causa de um mero murro, imagina o que aquele doido poderia fazer comigo agora? Pra piorar, o papai está no hospital e não tem mais tanto poder sobre ele. - ele sussurrou, com medo que o Sesshoumaru aparecesse de novo.
- Não precisa ter tanto medo assim - eu sussurrei também, me aproximando mais dele, comecei a alisar seu cabelo - O papai não está mais aqui pra colocá-lo de castigo, mas eu sei que contra mim ele não vai. Você mesmo disse que se tratando de mim o Sesshoumaru faz de tudo... e eu sei que se pedir a ele, nada acontece a você.
- Bah! - Inuyasha resmungou e revirou os olhos - Isso é o que você pensa.
- Caramba, dá pra confiar um pouco em mim? - fiz bico outra vez e parei de alisar seu cabelo.
- Ah, mas eu confio em você. - ele sorriu, e foi um dos sorrisos mais lindos que eu já o vi dar - Só não confio nele! - apontou para a porta e me encarou com os olhos arregalados - Quem garante que ele não vai cortar minha cabeça fora quando eu dormir?
Ok, às vezes a imaginação do Inuyasha era bem fértil. Considerando que eu duvidava que os sentidos de Hanyou dele - ou sei lá o nome disso - estariam a mil por hora, já que ele está se borrando de tanto medo. Fora que eu tenho certeza de que o Sesshoumaru não seria capaz de algo assim, ainda mais com o nosso pai doente.
- Deixe de ser bobo! - bati de leve em seu braço - Não vai lhe acontecer nada, nem que pra isso eu tenha que dormir com você.
Tudo bem, eu sei que isso soou meio... bem, claro que analisando de uma forma, aparenta ter duplo sentido, mas eu juro que falei na maior inocência do mundo. Se eu tivesse outras intenções com o Inuyasha já teria pulado em cima dele há horas, além de que eu realmente estou preocupada com o que o nosso irmão mais velho pode fazer a ele. Não estou cem por cento confiante.
Mas mesmo assim, vi que um sorriso malicioso se formou em seu rosto. Fiquei corada e minha mão coçava para lhe dar um outro beliscão.
- Dormir comigo? - suas sobrancelhas acompanharam o sorriso e eu tive um pouco de medo da cara que ele fez - Nossa, Kagome. Nunca pensei que logo você, a santinha da família, diria algo assim.
Uma risada saiu de seus lábios e eu me toquei, suspirando aliviada, de que ele estava só brincando. Por isso resolvi entrar no joguinho dele.
- É, - mordi o lábio inferior - tem algo contra a minha ideia brilhante?
- Não mesmo.
E então ele acabou com toda e qualquer distância que ainda pudesse existir entre nós dois. Não sei como posso fazer pra explicar as sensações que corriam pelo meu corpo naquele momento. Era a coisa mais incrível e inacreditável que alguém podia me proporcionar. Sua mão segurava meu rosto e sua boca se encaixava na minha como uma peça de quebra-cabeça.
Senti que ele estava me deitando na cama enquanto ficava em cima de mim, eu sabia que ele não iria passar do sinal vermelho, o próprio Inuyasha já repetira várias vezes que era abominante qualquer contato mais íntimo antes do casamento. Infelizmente o Sesshoumaru não sabia disso.
Foi tudo tão rápido que eu só lembro de estar beijando o Inuyasha, sentindo seu peso sobre mim quando aquele peso saiu de forma brusca. Escutei um barulho forte na parede e um grito de dor.
- Sesshoumaru! - gritou desesperada me sentando na cama.
- Você está bem? - ele perguntou mexendo no meu rosto - O que aquele canalha te fez? - ele encarou Inuyasha com nojo e raiva ao mesmo tempo.
- Eu estou, mas ele não - apontei pro garoto jogado no chão - Não acredito que fez isso - me afastei dele e fui correndo até o Inuyasha.
Ao chegar perto, notei que seu rosto estava vermelho e escorria um pouco de sangue da cabeça. Fuzilei Sesshoumaru com os olhos, ele estaria ferrado se o Inuyasha não estivesse acordado! O ajudei a se levantar.
- Acho melhor irmos até a Rin. Ela sabe o que fazer com isso; - apoei o braço dele nos meus ombros e senti a presença de Sesshoumaru atrás de nós. É sério, ele precisa aprender a controlar a força que tem, senão qualquer um se machuca.
Inuyasha gemia o tempo todo enquanto eu o carregava - ou melhor, tentava carregar - até a escada.
- Deixe que eu o levo - Sesshoumaru disse aparecendo na minha frente e pegando o irmão nos braços, enquanto o levava escada abaixo.
Por mais raiva que tivesse dele, eu sabia que o Sesshoumaru ainda sentia a necessidade de cuidar do Inuyasha, e isso era a sua forma de pedir desculpas.
xx
- AI, ISSO DÓI! - Inuyasha berrou mais uma vez quando eu tentei colocar a pedra de gelo na sua cabeça.
Essa era uma das coisas que eu mais odiava nele, sempre foi assim. Quando se tratava da saúde, ele fazia o maior drama, até pra tomar vacina era uma festa até convencê-lo a aceitar o fato de que iriam furá-lo com uma agulha. A única pessoa que conseguia este feito era o papai, e como ele estava ausente de nossas vidas por um tempo indeterminável, tivemos que nos virar. E parecia não estar funcionando.
- Se você parasse de se mexer tanto, nós já teríamos terminado - Sesshoumaru resmungou enquanto ele e a Rin limpavam o sangue antes que secasse e fosse mais complicado de tirar.
- Você só diz isso porque não é com você. Ai, Kagome! - pelo menos dessa vez ele se segurou na pia e só fez gemer.
- Ah, vai, nem ta doendo tanto assim. - eu disse revirando os olhos e o virando na minha direção. Do jeito que o Inuyasha estava naquele dia, cheio de não-me-toques era melhor não forçar muito a barra. Por isso eu resolvi só cobrir o corte - que nem foi muito grande - com um band-aid.
Como resposta ao que eu fiz, ele fechou os olhos e apertou a pia com mais força ainda.
Quando conseguimos concluir o nosso trabalho impossível e todo mundo se acalmou a Rin começou a preparar um café pra criança que estava entre eu e o Sesshoumaru.
O silêncio que reinou na cozinha - fora o barulho que a Rin produzia enquanto preparava a bebida - foi terrível. Nunca me senti tão desconfortável na minha vida e o pior de tudo é que isso tudo acontecia entre as duas pessoas com quem eu sempre tinha assunto pra conversar ou sempre tinha alguma coisa pra fazer. Definitivamente nossa família não estava em seus dias normais.
Cansada da situação, me sentei em uma das cadeiras da mesa da cozinha e o Inuyasha ficou do meu lado. O Sesshoumaru só nos observava com aqueles olhares de gavião que espera qualquer movimento em falso pra atacar a presa.
Ignorando aquilo completamente, eu segurei a mão do Inuyasha e fiquei fazendo carinho nos seus cabelos de novo. Ele fechou os olhos e aproveitou o meu toque, quase que me esqueci que não estávamos sozinhos na hora. E eu digo quase porque fizeram a questão de nos atrapalhar mais uma vez, e de propósito, é claro.
- Acho melhor combinarmos algumas regras aqui! - Sesshoumaru disse colocando uma cadeira entre eu e o Inuyasha e se sentando nela. - Acreditem, isso está sendo tão ruim pra mim quanto pra vocês... - ele fez uma pausa pra respirar fundo e continuar - Então, já que o papai não está presente pra resolver isso com vocês, prefiro que façamos um acordo. O que acham?
- Se isso for o suficiente pra você nos deixar em paz, eu topo na hora - Inuyasha disse sorrindo ironicamente.
- Claro, por que não? - falei cheteada com mais uma interrupção.
- É o seguinte, vocês poderão ficar juntos e fazer todas essas coisas melosas que namorados fazem. - ao dizer isso, Rin deixou um copo cair no chão, a sorte era que não era de vidro. Ela pediu desculpas e olhou feio para o Sesshoumaru, que ficou vermelho. Maravilha, agora ele estava com problemas amorosos. Bem feito. - Bem... - ele tentou se recompor - Mas nada de dormir no mesmo quarto!
- Pois é, né? - eu disse colocando uma mão no ombor dele - Eu e o Inuyasha somos dois adolescentes que estão doidos pra procriar! - Sesshoumaru me fuzilou com o olhar enquanto Inuyasha ria da piada.
- Estou falando sério! - ele disse especialmente para mim, o que era errado. Oras, eu por acaso tenho culpa de ele ser um chato? E além de que ele não tinha nenhum motivo pra estar aborrecido. A Rin estava praticamente namorando com ele, eu já tenho quinze anos e sei me virar muito bem sozinha, obrigada. Nosso pai está melhorando e com a graça de Deus volta pra casa em alguns dias.
- Relaxa, irmãozinho! - falei me levantando da cadeira e indo ajudar a Rin com o café - Nós não vamos fazer nada de mais! Dá pra confiar em mim?
- Ah, mas eu confio em você. Só não confio nele! - apontou pro Inuyasha e nós nos olhamos com os olhos arregalados. - O que foi? - Sesshoumaru perguntou sem entender.
- Vocês não negam que são irmãos - eu disse enquanto ria.
- Kagome, lave suas mãos antes de pegar em qualquer coisa aqui, sabe como seu pai é rígido nessas coisas - Rin me pediu, eu ainda fico impressionada como ela consegue ser doce e ao mesmo tempo dar uma ordem. Ai, ela é meu orgulho!
- Sim, senhora - ergui o braço e coloquei a mão na cabeça, como os caras do exército fazem.
Subi as escadas sob os olhares dos homens da minha vida e fui até o banheiro que ficava no andar de cima. Comecei a pensar em tudo o que estava acontecendo e como as coisas ficariam assim que o papai descobrisse sobre o meu pequeno namoro com o Inuyasha. Do jeito que era, talvez ficasse furioso conosco ou só chateado. Acho que a saúde dele não vai permitir que ele grite muito. É, pelo menos isso.
Senti um pouco de frio quando passei por uma das janelas do corredor e por isso, a fechei. Estava sentindo um clima estranho ali em cima, mas ignorei completamente.
Foi quando me lembrei do pessoal da escola! O que eles diriam quando me vissem andando por aí de mãos dados com o Inuyasha? Caramba, com certeza ele seria tachado como o cara mais galinha do mundo e eu como a garota mais... bem, vocês entenderam. Aposto que a Kikyou será a primeira a querer divulgar tudo, arg, como eu a odeio! Mas até que vai ser bom ver ela levando um fora lindo e maravilhoso bem na cara, haha.
Ao chegar no banheiro, abri a porta. Todo o frio que eu senti antes sumiu de um segundo pra outro, sendo substituído por um calor absurdo, enquanto minha visão era ofuscada por uma claridade que deixaria qualquer um cego. Tudo isso foi seguido de um barulho ensurdecedor.
BUM!
Oi, oi, minha gente (:
Cara, acho que todas as vezes em que eu voltar aqui vai ser com um pedido de desculpas, ha. Mas é preciso pedir desculpas sim, afinal de contas eu passo semanas sem dar sinal de vida, não? Felizmente já entrei de férias e terei mais tempo livre pra atualizar tanto essa fic quanto as outras. Tô com um projeto aí pra criar algumas one-shots de Inuyasha (Nunca fiz nenhuma sobre esse anime) e por isso me adicionem no Author Alert pra receberem a notícia da atualização, ok?
Foi meio triste receber só quatro reviews pela última atualização, mas enquanto alguém estiver lendo essa joça, eu continuo (Y)
Obrigada a vocês, meninas, que perderam um mísero segundo de seu precioso tempo comigo.
Beijos e até a próxima! :D (se ainda tiver alguém pra ler x.x)
Ayame Gawaine: KKKK, sim. Pra quem pensa que a Kagome tem medo de enfrentar o irmão-cunhado, se enganou legal u_u haha. Adorei escrever essa cena dela reclamando com ele, foi muito divertido! Ah, espero que tenha gostado da sessão cinema, hehe. Um beijo pra ti!
XXXX: Obrigada por compreender meus estresses de provas -' Sim, sim, o beijo finalmente saiu. Eu tava pensando em prolongar um pouquinho mais o tempo, mas deu pena de deixar vocês esperando mais ainda xD Ah, claro. Quando o único problema ta no papel, a gente só rasga, taca fogo, pisa em cima, amassa, corta, destrui e ta tudo certo zo/ Mas é como eu sempre digo, sempre existe alguém pra atrapalhar e deixar as coisas melhores do que já estão! Obrigada minha linda pelo apoio e pelos elogios, me emocionei quando disse que amava a fic, de verdade *-* Um beijo enorme! Espero que tenha gostado do capítulo.
Adrii-chan: Muitíssimo obrigada pelas boas-vindas ^^ Own, muitíssimo obrigada pelos seus elogios, flor. É muito gratificante saber que meu trabalho agrada tanto a vocês. Um beijo!
Aricele: Ah, claro. Dia dos namorados ontem e eu sozinha em casa! Pois é né? Ninguém nunca me disse isso também. Bem-vinda ao clube, haha. Ainda bem que gostou do capítulo e espero que goste desse também. Um beijo enorme.
Deixa uma review, eu te dou um doce hm u_u
