Capítulo 12 – No cubículo

Dumbledore gesticulou para uma moça numa túnica de iniciada e pediu:

– Hermione, prepare Severus para ser iniciado nos testes.

A moça, uma bonita jovem de cabelos volumosos, fez uma reverência e delicadamente acompanhou Severus para um outro aposento, diferente daquele que ele ocupara antes. Esse era sóbrio, sem janelas, paredes nuas, com apenas uma cama, uma cômoda, uma mesa e uma cadeira.

– Que lugar é este?

– É para onde vão os candidatos a testes. Este era o cubículo de Draco. Pode vestir a túnica.

Ele foi para trás do biombo e indagou:

– Você também tem um cubículo?

– Sim, na ala feminina. Tenho estudado muito e espero passar pelos Mistérios.

– Dumbledore não me disse nada sobre estudar. Eu não estudei. E se eu não passar nos testes por não ter estudado? – Severus começou a se angustiar, pensando que poderia perder Harry. – Eu não sabia que era preciso estudar!... Eu... queria muito passar...

– Calma. Os testes são diferentes para cada um. As recompensas, porém, geralmente, são um companheiro ou companheira.

Ele emergiu de trás do biombo, usando uma túnica branca, sentindo-se meio ridículo com o traje. Indagou:

– Então você também tem uma cara-metade?

Ela enrubesceu, assentindo, com um sorriso tímido:

– Eu fui prometida a alguém. Eu não o conheço ainda, mas sei o seu nome.

– E quem é ele?

– Não posso dizer. É parte de meu teste. Mas sei que ele é tímido, sensível e muito companheiro. Mal posso esperar para conhecê-lo.

– E ele é um dos iniciados?

– Sim, ele também se submete aos testes nesse exato momento. Olhe, vou deixá-lo descansar. Os iniciados geralmente ficam sozinhos para meditar. Os testes devem começar ao raiar do sol. Alguém virá apanhá-lo. Boa sorte.

– Para você também.

Ela saiu, com um sorriso tímido. Severus não gostou da notícia de acordar tão cedo, mas confortou-se com o pensamento que fazia aquilo por Harry.

Sozinho, trancado naquele quarto, ele pensou na decisão que tomara. Agora estava unido a Dumbledore. Temia por si, mas não sentia ter feito uma escolha errada. Só esperava poder adiar o confronto com a ira de Lord Voldemort.

Pensando em tudo isso, ele terminou adormecendo sem sentir. Acordou ainda durante a noite, sobressaltado, não só pode ter pegado no sono sem querer, mas porque havia alguém sobre ele, a encarar seu rosto.

Sonolento, não teve certeza de reconhecer a pessoa.

– Draco?

O louro tinha um sorriso no rosto, e Severus não gostou de ver aquilo. Logo descobriu o motivo.

– Olá, Severus. Vejo que não me esqueceu. Também não me esqueci de você. Apesar de ter causado minha ruína diante do velho, você não sai da minha cabeça.

Severus tentou se erguer:

– Draco, não devia estar aqui.

O rapaz sorriu, ganancioso, segurando-o pelos ombros:

– Vim atrás de uma compensação pela humilhação que você me fez passar. E não pense que dessa vez vou me contentar com alguns beijinhos. Dessa vez eu quero tudo a que eu tenho direito, Severus. E você vai me dar. Por bem ou por mal.

Num movimento rápido, Draco forçou seu peso em cima de Severus e com uma mão prendeu seus braços para cima, imobilizando-o. Preso, Severus tentou debater-se, mas viu, com horror, os lábios frescos do jovem cobrindo os seus. A outra mão de Draco, que estava livre, percorria a túnica branca e fina.

– Não! – gritou Severus. – Ajudem! Socorro!

Então ele se lembrou, com horror, que Hermione lhe dissera que os candidatos eram deixados sozinhos naquele lugar. Ninguém viria ajudá-lo.

A túnica fina rasgou-se, do pescoço até o joelho, expondo a maior parte de seu corpo. Severus gelou, Draco sorriu ainda mais, faminto.

– Socorro!! Estuprador! Socorro!

Uma onda de horror e nojo percorreu Severus. Seu corpo jamais conhecera o de outro, e ele gostava de pensar que estava se guardando para algum amor verdadeiro. Provavelmente Lord Voldemort, que era o único que mostrara qualquer tipo de sentimento por ele, ao menos até Harry aparecer. Mas Draco queria tomá-lo à força, e Severus não queria que sua primeira vez fosse num ato de violência.

Então alguma coisa fulgurou dentro do quarto, Draco soltou um grito e Severus sentiu que o agressor era arrancado de cima de seu corpo. Sentou-se na cama, cobrindo-se com a túnica rasgada e então viu o rosto pálido de Lord Voldemort diante de si.

Lord Voldemort nunca o tratara mal, e Severus estava tão assustado, tão desnorteado e aturdido, que ele o reconhecera como um refúgio seguro. Portanto, foi por instinto que Severus se jogou em seus braços:

– Meu Lord!...

Ele estava para ter uma surpresa.

Próximo capítulo: Lord Voldemort para o resgate! Ou não?