Gente, desculpem a demora pra atualizar, mas esse mês de provas, trabalhos e protestos me deixou esgotada.

Esse capítulo é curtinho perto dos outros, mas acontece o que JÁ DEVIA TER ACONTECIDO HÁ MUITO TEMPO! Hahahaha. Espero que vocês gostem. Beijões e prometo atualizar mais rápido agora, já que estou com toda a história na cabeça.

O BAILE

Estou ridícula, era o que eu pensava enquanto me olhava no espelho. Hermione insistira que eu devia ir ao baile de qualquer maneira e comprara-me um vestido. O vestido era lindo, eu não podia negar. Era de um azul escuro profundo que me fazia lembrar petróleo ou uma poção espessa e escura que eu havia feito em meu primeiro ano em Hogwarts. Era um vestido bem simples na frente, de um corte fechado e mangas compridas detalhadas com renda da mesma cor nas extremidades, porém nas costas o vestido era completamente aberto e Gina havia jurado que Fred teria um infarto. Hermione trançara meu cabelo em um bonito coque e eu usava maquiagem. Ela também estava linda, eu tinha certeza de que era a mais linda daquela escola com aquele vestido rosado com camadas de babados. Gina estava muito bem arrumada também, embora lamentasse o fato de Harry não tê-la convidado para o baile.

Eu estava particularmente curiosa para saber quem era o par de Hermione, visto que a garota não quis contar para ninguém, nem para mim, com medo que eu contasse à Fred e a informação chegasse aos ouvidos de Ron. Eu desconfiava que ela tinha uma queda por Ron, mas achei exagero manter a sete chaves a identidade do garoto que a acompanharia.

Quando cheguei ao topo da escada, hesitei. Deixei que Hermione descesse na frente e vi inúmeros olhares recaírem sobre a garota e os alunos ficarem de boca aberta. Sorri com isso. Confesso que fiquei surpresa ao ver que a garota havia dado a mão a ninguém mais ninguém menos do que o campeão de quadribol Viktor Krum. Desci as escadas, e não pude deixar de notar o modo como Cedric me encarava. Ele estava ao pé das escadas, vestindo um smoking preto e uma gravata prateada. Nunca o tinha visto tão lindo como naquele momento. Ele me encarava com olhos surpresos e a boca levemente aberta, mas foi tirado da espécie de transe em que se encontrava pelo seu par.

Cho estava bonita, devo admitir. Usava um kimono prateado e tinha os cabelos negros muito bem presos em um coque simples. Cedric estendeu o braço para a garota, sorrindo, e os dois se dirigiram ao salão.

Não sei o que está olhando – Fred aparatou ao meu lado e falou em meu ouvido – seu par é muito mais interessante.

Por Merlin, Fred – eu gritei – quer me matar do coração?

O garoto deu uma gargalhada alta e estendeu o braço para mim, sorri e aceitei, entrando com ele no salão.

O salão parecia ser feito de gelo. Claro, é o Baile de Inverno, é para parecer frio, estúpida, pensei com sarcasmo. Assim que chegamos ao centro do salão, o diretor anunciou que os campeões dançariam uma valsa para abrir a pista. A valsa bruxa era bem diferente da valsa que os trouxas estavam acostumados, era mais pesada e agitada. Assim que a música começou a tocar, os campeões se dirigiram ao centro da pista e começaram a dançar. Harry pareceu um pouco atrapalhado no início, tropeçando nos próprios pés e arrancando risos meus e de Hermione, que, por sua vez, se movia com leveza e graciosidade. Mas no decorrer da dança Harry pareceu ter sido atingido por um feitiço, pois dançava com passos complexos e perfeitamente calculados, o que lhe deixou mais engraçado ainda. Fleur parecia uma ninfa dançando, movia-se com suavidade e calma. Cedric conduzia Cho com um sorriso no rosto, dançando como se aquilo fosse uma brincadeira e a fazendo rir. Algo se mexeu dentro de meu estômago e eu tive que manter o foco em Viktor Krum e minha amiga para conseguir permanecer ali. Assim que os outros casais se colocaram a dançar também, Fred puxou-me para o centro da pista. Apoiei minha mão esquerda em seu ombro e com a direira segurei a mão dele, incerta sobre o que fazer.

Preciso te confessar uma coisa – eu disse a ele, que arqueou as sobrancelhas – não faço ideia de como dançar valsa bruxa.

Como uma bruxa não sabe valsa bruxa? - ele perguntou divertido.

Meu pai é trouxa, e minha mãe parece se interessar mais por música trouxa do bruxa – respondi, dando de ombros.

É só se segurar em mim, eu te guio.

Assenti afirmativamente com a cabeça e tentei acompanhar os passos complicados daquela dança. Após três danças e algumas centenas de pisões nos pés, eu disse a Fred que iria pegar algo para beber e sentar um pouco. Ele foi até George, provavelmente combinar algum jeito de explodir alguma coisa.

Dirigi-me até a mesa de bebidas e enchi uma taça prateada com uma bebida de coloração azul e me virei em direção às cadeiras. Assim que dei o primeiro passo em direção às cadeiras, pisei na barra de meu vestido e tropecei, derrubando todo o líquido no chão.

Inferno sangrento! - eu praguejei.

Eu ajudo – uma voz conhecida anunciou, aproximando-se de mim.

Com um aceno de varinha, Cedric limpou meu vestido,e então pegou a taça de minha mão e a encheu novamente, servindo-se de uma também.

Achei que não a veria no baile – ele disse, entregando-me uma das taças.

Desculpe-me te desapontar – eu respondi sorrindo e levantando os ombros. Ele sorriu.

Não desaponta – ele tomou um gole da bebida e eu repeti o gesto, sentindo um gosto parecido com tutifruti descer pela minha garganta – está aproveitando?

Na medida do possível – confessei – Está tudo lindo, Fred é divertido e uma ótima companhia. Mas meus pés já começaram a doer e eu estou cansada. Acho que não nasci para festas.

Dance comigo – ele pediu, como se não tivesse prestado atenção em uma palavra que eu disse. Ele me olhava de um jeito que estava começando a me deixar um pouco perturbada, como se tivesse sido alvo de algum feitiço de hipnotizar.

Ele estava com a mão estendida a espera de uma resposta e por algum motivo eu queria aceitar. Eu não sabia dançar, eu odiava bailes, mas eu queria dançar com ele. E então pousei minha mão direita sobre a dele. Ele a levou até os lábios e a beijou rapidamente, antes de puxar-me até o centro do salão.

Uma de minhas bandas preferidas estava tocando, As Esquisitonas. Na verdade era a banda preferida de nove em cada dez adolescentes bruxos naquela época. A música era agitada, um rock pesado e dançante, mas era de maneira calma que eu e Cedric nos movíamos. Deitei o topo de minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos. Era fácil dançar com ele, era tão natural aos meus pés acompanhar os movimentos dele como era ao meu corpo ficar junto do dele em um abraço.

Você é linda – ele sussurrou, causando-me arrepios. Tentei não me ater ao fato de que ele disse que eu era linda, e não que eu estava linda, mas não consegui. Uma sensação desconfortável se apoderou de meu estômago e meu coração batia descompassado. Levantei o rosto para olhá-lo e, quando o fiz, nossos lábios se roçaram e Cedric fechou os olhos.

Por que você faz isso? - perguntei num fio de voz, de repente me sentindo sufocada.

Faço o quê? - ele perguntou, abrindo os olhos.

Isso – eu sussurrei – me deixa confusa.

Eu não sei – ele confessou num sussurro, apertando mais o braço em volta de minha cintura e fechando os olhos novamente. Eu sentia sua respiração calma contra minha bochecha e me perguntava como o coração dele podia estar batendo tão calmamente enquanto o meu batia freneticamente, como se fosse sair pela boca a qualquer momento. Fechei os olhos e respirei fundo. Senti os lábios dele esbarrarem nos meus mais uma vez, e mais outra, e mais outra, até que por fim se encontraram em um beijo casto e rápido. Abri os olhos, alarmada.

Ele me encarava como se procurasse uma resposta, mas sem proferir uma única palavra. Senti frio quando ele separou o corpo do meu e me olhou com os olhos cheios de arrependimento. Senti-me magoada e com raiva. Meu olhos estavam enchendo d'água e eu sabia que deveria sair dali o mais rápido possível, antes que começasse a chorar e as coisas fugissem de controle.

Você é um idiota, Cedric Diggory – eu disse, virando as costas e correndo em direção a porta.

Pensei ter ouvido Harry me chamando, mas não conseguia ver nada, pois minha visão estava turva das lágrimas. Tirei os sapatos assim que alcancei as escadas e subi correndo descalça até a Torre da Astronomia. Eu precisava de ar, precisava respirar porque de repente todo o ar fugiu de meus pulmões e eu sentia uma dor enorme no peito. Sentei-me no chão frio e agarrei minhas pernas, sentindo o vento gelado no rosto e um nó subir por minha garganta, até se tornar um choro convulsivo.

Eu sentia uma tristeza que não conseguia compreender direito, chegava a doer fisicamente. A única coisa que eu conseguia pensar era que havia perdido a amizade de Cedric para sempre, e que a culpa não era minha. Isso era ainda pior. Se a culpa fosse minha, eu pisava em cima de meu orgulho e voltava correndo aos braços dele, mas isso não era possível agora, não nessa situação. As coisas eram mais complicadas e eu me vi presa entre ter o amor de Ced ou não ter nada. E ele havia escolhido o nada. E eu me sentia um nada.