-Quero saber por que você me petrificou - reclamou Ginny ruidosamente.
-Porque eu sabia que na primeira tentativa você ia azarar ela pra machucar, pra garantir que ela não chegasse perto de mim.
Ginny riu.
-Parece que você me conhece bem, não é meu amor?
Harry riu em seguida, abraçando a namorada em seguida. Após esse episódio, passou-se uma semana e as aulas voltaram. A primeira coisa que ocorreu foi um simulado pra ver se os alunos do sétimo ano haviam estudado, e não teve erro: muitos não passaram. A sorte de Harry e Ron foi a revisão que Mione havia feito com eles um dia antes de voltarem às aulas, e eles se saíram muito bem, assim como alguns outros, como Malfoy, Luna e Neville.
Certo dia, Harry estava na torre da Gryffindor quando Louis chegou e o chamou.
-Harry, Minerva quer falar contigo. Ela não me disse o que era, mas pediu que você fosse o quanto antes falar com ela. - Depois de alguns segundos, antes que Harry fosse embora, Louis lembrou-se de algo - Ah, e ela disse que você fosse sozinho.
Essa última ressalva deixou o jovem Potter ressabiado. A diretora do colégio queria falar com ele, e sozinho? O que poderia ser?
Em seguida Harry se dirigiu rapidamente para a sala da direção. Nos corredores, passou rapidamente por Pirraça jogando pedras de gelo em alunos do terceiro ano e por Filch tentando evitar com um guarda-chuva, que virava a cada dois minutos, molhando o zelador inteiro com água gelada.
Rapidamente chegou à frente da gárgula. Porém, a principal coisa Louis esqueceu de informar a senha da sala da direção, e ele não tinha como voltar sem se atrasar mais. Foi quando uma garota morena apareceu. Ela era pouco menor que Harry, com os olhos lilases - sim, lilases - e os cabelos intensamente negros, em contraste com sua pele intensamente branca; Mas a cor era de um branco saudável.
Havia um quê naquela garota que era familiar a ele, e quando ela sorriu, mais ainda.
-Vamos? - perguntou ela, o convidando a entrar na sala da diretora.
Meneando com a cabeça, Harry seguiu a misteriosa menina. Sem entender nada do que MacGonagall queria, seguiu para a sala em questão.
Após subir a escada em caracol da torre de acesso à sala da diretoria e passar pela porta, lá estava Abeforth. Aí Harry não tava entendendo mais nada.
MacGonagall estava na mesa da diretoria, com algumas coisas em seu poder, com o quadro de Dumbledore virado para a frente, como se o registro mágico do diretor quisesse falar com ele.
-Obrigado a todos por virem. Como tutora dos bens de Alvo, ele me pediu que lesse a vocês o testamento dele a todos os beneficiários. E todos eles estão presentes aqui.
-Mas professora, já não houve a leitura do testamento do professor Dumbledore?
-É normal você fazer dois testamentos. Aquele em que você, a srta. Granger e o sr. Weasley foram contemplados era um testamento especial, não oficial para efeitos práticos. Este é o oficial.
Com isso, Harry parecia cada vez mais confuso. Que Abeforth estivesse ali, para a leitura do testamento do irmão, era o correto. Já ele mesmo e a menina, o jovem Potter não entendia a conexão, mas sua confusão se transformou em calma, uma vez que ele saberia o porquê por meio da ex diretora da Gryffindor.
-Bom, quase todos aqui se conhecem. Harry, você já conhece Abeforth, certo?
-Sim, professora. O sr. Dumbledore me ajudou bastante quando eu invadi Hogwarts para iniciar batalha.
-É, e quase custou a minha pele, não é, sr. Potter? - perguntou o irmão de Alvo de forma bastante carrancuda.
E nisso, Harry riu de nervoso.
-E essa, Harry, é Amanda Dumbledore.
-Sua filha, sr. Abeforth? - perguntou o jovem Potter ingenuamente.
-Não, minha sobrinha.
O mundo caiu pra ele ao ouvir isso. Filha de Alvo Dumbledore? Como isso? Por quem ele havia se apaixonado? Mais uma vez Dumbledore se mostrava muito misterioso. Quem seria a mulher que arrebatara o coração do bruxo mais poderoso de todos os tempos?
Muitas dúvidas permeavam as ideias do jovem Potter, e nada parecia saná-las. Primeiro, um segundo testamento de Dumbledore. Depois, uma filha que nem sequer aparecia no Best Seller de Skeeter, o que significava que muitas coisas da vida do bruxo havia escapado à repórter.
Foi quando MacGonagall começou a leitura do testamento.
-Bom, sem demoras, vamos à leitura. "Eu, Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore, produzi este documento atestando para quem deixarei meus bens após minha partida deste mundo, uma vez que na época da produção deste documento não estava muito bem de saúde. Vamos aos bens, sem demora."
-"Meus livros, toda minha coleção literária, eu doo à Hogwarts, na esperança que seus alunos possam fazer bom uso deles."
-"Meu dinheiro e minhas posses de valor serão divididas, sendo as propriedades agora pertencentes ao meu irmão Abeforth Aaron Dumbledore, e o dinheiro à minha filha Amanda Ariana Dumbledore."
-"E por fim, deixo esta chave em anexo a Harry Thiago Potter, para que ele aprenda com meus acertos e erros. Ela o levará ao seu destino."
Mais uma vez, Alvo Dumbledore incluíra Harry em seu testamento, e dessa vez era oficial - ele era beneficiário do ex diretor da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. A chave era pequena, do tamanho do dedo mindinho do moreno, mas ainda assim parecia ser bastante forte.
Assim que o objeto tocou a mão direita do jovem Potter, ela começou a emitir um brilho fraco. Era estranho, mas ele sorriu. Era quase como se fosse o calor de Fawkes invadisse sua mão. Porém, quando Harry se sentou na cadeira que lhe era destinada, que era mais longe da mesa da diretora, o brilho ficou mais fraco, mas ainda assim brilhava.
Abeforth recebeu as escrituras das propriedades pertencentes ao irmão e os contratos de aluguel; Amanda recebeu um contrato de Gringotes, ao qual MacGonagall explicou a ela que sumiria assim que ela assumisse a propriedade do cofre.
Em seguida, Harry se levantou pra perguntar à professora se ele estava dispensado. Foi quando o brilho da chave aumentou. Isso não passou despercebido por ninguém.
-Professora, posso andar pela sala um pouco? - perguntou o moreno, mudando a pergunta inicial a propósito.
-À vontade, Harry. Também estou curiosa. - confidenciou Minerva.
Em seguida, o jovem Potter andou à frente da mesa, e o brilho se intensificou. Pouco, mas ocorreu. Ele estava com a chave apontada para uma prateleira de livros logo atrás da cadeira onde, até momentos antes, Minerva estava.
-Professora, tem algum aposento atrás dessa estante?
-Acho que sim... Deixa eu me lembrar... - e MacGonagall forçou um pouco sua memória no que dizia respeito àquela estante. Muitos minutos se passaram numa agonia muda, e nada lhe havia refrescado a memória.
Foi quando ela resolveu tocar a estante, lembrando-se de quando estivera naquela mesma sala, com o diretor da época, o professor Dippett. Ela tinha somente 14 anos naquele dia. Ela tocara a estante para sentir a madeira, que lhe parecia muito bonita, e achou um lugar que tinha, em baixo relevo, o contorno de uma mão. Guiando-se por essa lembrança, Minerva se levantou e, com isso, lembrou-se da explicação dada pelo professor Dippett. Atrás da estante havia uma saleta onde somente o diretor em exercício de Hogwarts poderia entrar, e lá se isolar, não só fisicamente, mas também magicamente do mundo.
Foi quando ela se deu conta que aquela sala poderia não estar ativada desde que Snape morrera. Talvez ele nem soubera da sala, ou se Dumbledore lhe contara sobre ela, usando a saleta para dar relatórios completos para o retrato do diretor e conselhos para como agir, com a escola sitiada do jeito em que se encontrava.
Ela tocou a marca - que ela achara rapidamente depois de ter se lembrado do fato e a estante correra para o lado esquerdo, abrindo uma porta. Era uma das simples, mas no que um texto, possuindo uma caligrafia fina e inclinada - e que fez Harry arregalar os olhos, fazendo com que Amanda chorasse - dizia "Somente aquele que for o diretor da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts poderá abrir esta porta; E somente ele, e os autorizados magicamente por ele poderão adentrar a esta sala".
-A letra do papai... - disse Amanda, enxugando as lágrimas.
-É... É mesmo a letra do professor Dumbledore. Será que a sala reflete o texto com a senha do último diretor que a abriu?
-Só se eu abrir a porta vamos descobrir - disse Minerva.
E, em seguida, ela estendeu a mão para a maçaneta, e canalizando sua magia, disse firmemente...
-Eu, a atual diretora de Hogwarts, Minerva Athena MacGonagall, ordeno que se abra. - ela entoou desse jeito porque sabia que um simples Alohomora não funcionaria.
As letras brilharam e, no momento seguinte, sumiram. E, com isso, a porta se destrancou.
-Então Severo nunca soube dessa sala... - disse Minerva, pensando alto.
-Eu esqueci, tantas coisas a pensar pra parar Voldemort... Ele poderia ter usado essa sala pra se comunicar com a Ordem, bem sei. - disse Dumbledore, de seu quadro.
-Tudo bem, Alvo. Todos esquecemos algumas coisas. - disse MacGonagall.
Harry prosseguiu com a chave em cima da mão espalmada pra cima, e cada vez que ele dava um passo adentro da sala oculta, a chave brilhava mais e mais. Ele também notou que, perto de uma estante, o brilho se intensificou tanto que a chave vibrava. Erguendo a chave para a parte de cima da peça, a chave parava de vibrar; Foi quando ele abaixou, e a chave vibrava com mais força. Quando ele chegou ao chão, viu uma pequena caixa. Ao passo que ele pegou a caixa, a luz mudou de cor, de branco pra dourado, e a chave parou de brilhar.
Saíram da sala secreta e se sentaram novamente ao redor da mesa da diretoria. A chave brilhava firmemente, em dourado, enquanto não era inputada na fechadura à qual era relacionada. Harry ficou observando atentamente àquele comportamento, enquanto os demais observavam a pequena caixa. Minerva e Amanda olhavam com franca curiosidade, enquanto Abeforth olhou por cinco segundos, desviando o olhar, em claro sinal de desagrado.
Foi quando o jovem Potter entendeu que aquela chave fora impregnada de sua energia corporal para que respondesse ao seu toque, assim como foi com o Pomo de Ouro que ganhara na primeira vez em que um testamento de Dumbledore fora lido a ele, e por ninguém menos que Rufus Scrimgeour, antecessor de Kingsley no cargo de Ministro da Magia.
Ao passo que a chave que foi inserida em sua fechadura, a luz dourada voltara a ser branca, uma vez que Harry deixara de tocar a chave para poder abrir aquela pequena caixa. Dentro dela havia um cristal, uma safira azul e um bilhete. Estranhando tal presente, o jovem Potter leu a mensagem na mesma caligrafia fina, inclinada e imensamente caprichada de Dumbledore.
"Harry, a Safira Azul é mágica. Permite que você converse com pessoas que já se foram, independentemente de onde eles estejam. O tempo que durará dependerá de seu poder mágico. O cristal é conhecido como "Cristal da Alma", cuja serventia eu não descobri até o momento. Como estou doente, como você bem soube, não tenho mais esperanças de como eu poderia descobrir sua utilidade, então a deixo a você, pois é jovem e inteligente. Pode demorar bastante, mas não desista. Eu sei que é um item mágico raro e muito antigo, por isso esse cristal me chamou a atenção. Outro conselho que lhe dou é nunca desista de seus sonhos, por mais que eles lhe pareçam impossíveis. Tenha calma, treine pra ficar mais forte e não esmoreça, assim você sempre vencerá.
Com carinho, Alvo Dumbledore."
Em seguida, em respeito aos demais, Harry leu a carta em voz alta, ao qual despertou lágrimas em MacGonagall, um sorriso sincero em Amanda e um risinho de desdém de Abeforth.
-O que é tão engraçado, sr. Dumbledore?
-Ele te deu mais uma missão. O que foi que eu te falei no dia da batalha de Hogwarts? Mesmo depois de morto, ele quer que você se arrisque a tentar fazer algo que nem mesmo ele conseguiu, e olha que ele era bastante brilhante em muitos campos da magia...
Harry ficou olhando para o irmão do ex diretor de Hogwarts. "Como dois irmãos podem ser assim tão diferentes?", pensou ele. Mas em seguida deu de ombros. Se Dumbledore lhe dera essa última missão, mas que não havia pressa para que fosse cumprida, ele a faria com calma.
O que mais o impressionou foi aquela safira azul. Claro que sugava os poderes mágicos, mas não era de forma definitiva - isso de acordo com Alvo - então se provou um bem valioso... Mas ele usaria com cuidado, pois já viera, quase que instantaneamente, a lembrança do que passara quando, ainda no primeiro ano, ele encontrara o espelho de Ojesed. Se não tivesse sabedoria pra usar aquilo, além de ficar sem seus poderes mágicos com frequência, não pensaria em outra coisa.
Colocou as duas pedras dentro da pequena caixa que as continha e a fechou. Desde que Harry tinha pego as pedras em suas mãos, a chave parara de brilhar, e continuara assim mesmo depois que ele a trancou novamente. Agora que o segredo estava revelado, não havia mais porque de ela brilhar.
MacGonagall ficou estupefata; Já ouvira diversas vezes Dumbledore falando daquela Safira, mas vê-la era a comprovação de que eram verdade as histórias que ele contava sobre ela, e por isso lhe levou a crer o que fizera ele aceitar, senão ao menos abrandar sua dor, no que dizia respeito à Ariana (Sim, Minerva MacGonagall tinha comprado o livro de Rita Skeeter).
Depois de algumas formalidades e de todos (claro que Abeforth achou aquela ação completamente descabida, mas mesmo assim o fez) terem assinado o testamento, a leitura acabara.
-Bom, acho que eu não preciso mais ficar aqui nesse lugar. Vou arrumar minhas coisas no cabeça de Javali e vou embora. Espero que você encontre outro que queira aquele pé sujo que até poucos minutos atrás eu chamava de lar, Minerva. Boa sorte e até qualquer dia, quem sabe.
E assim ele se levantou, indo embora. Antes, se despediu secamente da sobrinha.
-Amanda, por que eu nunca te vi aqui, em Hogwarts? - perguntou ele, desejando conhecer filha de seu mestre.
-Porque papai me mandou para a academia mais próxima de casa, nos Estados Unidos, a Academia Magna Phia de Magia e Bruxaria. Assim eu poderia ficar mais perto de minha mãe. Mas ele vinha me visitar sempre nas férias, quando não tava trabalhando aqui.
E, depois de uma despedida rápida, Amanda se foi do mesmo jeito em que apareceu: do nada.
Antes de voltar para a torre da Gryffindor, Harry questionou MacGonagall se ela queria falar com ele mais alguma coisa, e ela lhe respondeu negativamente. Então o garoto se despediu de sua antiga professora e se pôs a caminho da sede de sua casa em Hogwarts.
