Disclaimer: Harry Potter, personagens e lugares são propriedade de J.K. Rowling, Warner Bros., Scholastic, Bloomsbury e Rocco. Esta história não tem fins lucrativos. Plágio é crime. Não copie sem autorização do autor.
Título: How to Save a Life
Autor: Megalomaniac&co.
Gênero: Angst \ Romace
Classificação: M
Spoilers: 7
Observação: In-Hogwarts / Pós-Hogwarts
Projeto: Continue Plotado DHr I
Capa: (tirem os espaços) http : / / i161 . photobucket . com / albums / t233 / DarkAngelSly / how – to . jpg
How to Save a Life
a fic by megalomaniac&co
Capítulo 11
Ela dizia adeus para seu filho. Era como se ela despedisse de si mesma ao olhar o trem de Hogwarts apitando. Os seus cabelos castanhos, seus olhos curiosos e sua expressão de audácia acompanhava a tudo com uma novidade deslumbrada. Ele grudou o nariz na janela e quase que a mãe não podia conter sua emoção.
A vinte metros da plataforma, um loiro alto também se despedia de seu filho. Seu rosto já não tinha a mesma maciez, seus cabelos não escondiam as entradas do tempo e seus olhos escureceram. Em nenhum momento foram castanhos, azuis ou verdes. Eram olhos cinzas, cansados, de tempestade que nunca caía, nunca descontrolava.
Ao seu lado, a loira miúda, Astoria Greengrass-Malfoy também acenava para Scorpius. Ele e Albus tinham desenvolvido uma amizade ímpar. Isso fez Potter e Malfoy precisarem conviver o mínimo socialmente aceitável. Não que não houvesse contra-tempos, destemperos e coisas assim; era apenas mais civilizado - sim, era essa a palavra - que quando crianças.
Três famílias na estação 9 ¾ observando seus filhos tomarem rumos tão diferentes dos seus próprios, com escolhas provavelmente mais fáceis e problemas menos árduos. Harry sorria para os três filhos, mesmo que no fundo tivesse medo que Albus virasse alguém como Malfoy. Ginny não se preocupava com tais coisas e até mantinha uma cordial convivência com Astoria. E Ron, bem, Ron não se esforçava nem um pouco para que as coisas se harmonizassem.
Enquanto ela e Malfoy... Bem, eles não precisavam pensar nisso, precisavam?
Malfoy apertou de leve o ombro da esposa que seguiu lado a lado com ele. Os dois de preto, os dois loiros, os dois com marcas da idade. Pareciam tão perfeitos um para o outro, ainda que aquela harmonia fosse demasiadamente falsa. Como o cinza.
Ela estava sozinha e o peito só apertou com a distância cada vez crescente da plataforma e o trem. Via a si mesma encantada com o mundo mágico e descrente com o mundo real. Fez as escolhas mais sensatas e nem por isso eram mais fáceis. Uma lágrima marcou seu rosto ao mesmo tempo em que fechou os olhos.
Para o mundo, era apenas uma mãe se despedindo de seus filhos por um ano.
Para ela mesma, era só seu coração partido doendo de novo.
E quando Draco olhou para trás de relance e os olhos dos dois se encontraram, ela sabia que ele não sabia. Mas com certeza entendia, porque parte daquela dor era dele também.
E mesmo assim ele virou para frente, passou o braço pelos ombros de Astoria e foi embora.
Como o próprio trem.
-x-
- Hugo Weasley!
A voz da professora levou uma corrente de energia para sua espinha. Droga, ele tinha mesmo que ser o último a ser selecionado?
As ameaças de seu pai ainda pairavam sobre sua cabeça, parecendo que ficaram mais intensas desde que Albus, o filho do tio Harry, fora selecionado para a Slytherin e ficara amigo de Scorpius Malfoy.
"Não ligue para seu pai, querido. Você pode ser amigo de quem quiser e pode ser selecionado para qualquer uma das casas que nós nunca iremos deixar de te amar..."
Essa era sua mãe, claro. E foi nela que ele pensou ao caminhar duramente até o banquinho, tentando respirar fundo e se acalmar. Antes do Chapéu Seletor cobrir seus olhos, a última coisa que ele viu foi Albus lhe acenando, junto com o garoto loiro que ele supôs ser o tal Scorpius, ambos cheios de entusiasmo.
Talvez Sonserina não fosse tão ruim assim.
-x-
"(...)
A Slytherin parece ser legal, mamãe, mas estou com medo da reação do papai. Sei que ele vai ficar muito bravo comigo por causa disso. Você pode tentar controlá-lo pra mim?
E Albus e seu amigo Scorpius estão sendo muito legais comigo. Nem parece que eu sou só um aluno qualquer do primeiro ano.
Mas Hogwarts é tão legal...
(...)"
Hermione suspirou pesadamente. Era tudo o que ela precisava: seu filho como amigo do filho dele.
Ele tremeu só de pensar.
Não havia pensado que aquela podia ser uma possibilidade real. "Você pode ser amigo de quem quiser...". Achava que era só algo que deveria dizer para acalmar seu filho diante das palavras do pai.
Por um instante ela quis ter concordado com Ron no que dizia respeito aos Malfoys.
-x-
O silêncio na sala de jantar da mansão Malfoy só era quebrado, ocasionalmente, pelo barulho da porcelana, ou dos talheres. Astoria riu, chamando a atenção de Draco, ela era, em geral, muito quieta pela manhã, mas silêncio era melhor do que palavras vagas e sem sentindo.
- Você vai querer ler isso. – falou Astoria com ar de riso. Ele abaixou o jornal e notou uma carta aberta ao lado da xícara de café.
- Scorpius? – ela acenou positivamente com a cabeça.
- As novidades do segundo ano. – ela lhe passou um pergaminho e outro papel, que Draco reconheceu como sendo uma foto.
Draco examinou a fotografia e todo seu café da manhã começou a girar rápido demais no estômago.
A sala comunal da Slytherin era o plano de fundo para três garotos parados lado a lado. O mais baixo, da esquerda, Draco reconheceu como Albus, o do meio era seu filho e havia o da esquerda. Não tão alto, cabelos impossivelmente lisos e castanhos, rosto fino e de traços simétricos, corpo magro, o nariz era em empinado, como se estivesse acima de todos, do tipo sabe-tudo, e os olhos, claros demais para serem considerados um azul puro, e eram tão, mas tão parecidos com o do garoto ao seu lado, que poderiam dizer que eram os mesmos.
"Mãe, Pai,
Estou bem, o segundo ano é como o outro, mas acho que agora que vamos fazer coisas realmente interessantes. Esse ano quero entrar para o time, eu e Al já nos inscrevemos os testes, que serão semana que vem. Tenho certeza que serei o melhor goleiro que a Slytherin já viu, afinal, foi treinado por você pai, que é o melhor.
Estou enviando uma foto que tirei na primeira semana, como você, mamãe, pediu. Nela estão Albus e Hugo Weasley, primo de Al. Ele é do primeiro ano, mas é legal e inteligente o suficiente, já somos muito amigos.
Semana que vem escrevo contando como foi o teste, e se eu passei (o que sei que vai acontecer.)
Até semana que vem, amo vocês.
Scorpius M"
- Se ele não fosse tão idêntico a você, Draco, nem diria que é seu filho.
Draco saiu do transe e olhou chocado para Astoria.
- O quê?
- Scorpius, Draco, ele arranjando como amigos os filhos do Potter e do Weasley, como o mundo dá voltas, não? Ninguém diria que é seu filho. – respondeu ela rindo.
Draco voltou a encarar a foto. É, o mundo dava voltas, e até voltas demais, se querem saber. Hugo... Granger. Não a chamava pelo sobrenome de casada, não iria fazer o mesmo com o filho dela. A comida protestou novamente.
Castanho e cinza. O garoto tinha cores e a ausência delas, todas aquelas duas que ele gostava.
Ninguém diria.
- Já está indo? – perguntou Astoria surpresa, quando Draco se levantou.
- Estou.
- Mas o expediente ainda não começou.
- Assuntos inacabados.
Era hora de 'conversar'.
-x-
Hermione sempre chegava cedo no trabalho. Por mais que Ron insistisse sobre não ser necessário era mais forte que ela. Sentia-se melhor assim, às vezes encarar Ron era insuportável.
Mesmo com a passagem dos anos não ficara mais fácil, nem um pouco mais fácil, carregar aquela lembrança, pensar naquela verdade sobre seu filho.
A porta se abriu, Hermione levantou a cabeça, assustada.
Os olhos cinzentos estavam apertados. Draco Malfoy entrou batendo a porta e jogando uma foto sobre a mesa. Albus, Scorpius e Hugo sorriam na imagem. Scorpius e Hugo eram dois garotos diferentes, mas havia pequenas semelhanças, os cabelos lisos e brilhantes de ambos, diferindo apenas pela cor. O rosto delicado, o corpo magro, em certos aspectos chegavam a ser iguais.
Principalmente os olhos.
Ela empalideceu. Os olhos de Scorpius eram iguais os de Draco, assim como os olhos de Hugo não se pareciam com o azul de Ron, nem com o castanho dela. Eram cinzentos. E Draco percebera isso.
- Draco...
- Eu quero ouvir apenas a verdade, Hermione.
O medo parecia palpável para a mulher de tão forte que o sentia. Draco permanecia em pé na sua frente esperando uma resposta que ela não sabia como verbalizar.
- Não sei do que está falando. - disse Hermione finalmente.
Draco olhou para ela por uns segundos, como se a estivesse estudando. A mulher na sua frente quase não parecia ser a Hermione que ele tinha conhecido anos atrás. O medo dela era quase palpável.
- O seu filho é meu filho também? - inquiriu Draco quando lhe agarrou um braço. Queria que ela olhasse para ele. Queria que ela parasse com as mentiras, com as justificações falsas, com o medo. Porque é que ela não assumia de uma vez por todas?
- O... quê? - gagejou ela.
Draco forçou-a a olhar para ele. Queria ver o impacto do chocolate nos olhos dele. Queria que aquele Weasley fosse Malfoy. Queria, queria, queria. Mas não adianta só querer e isso ele já sabia por experiência própria.
- Ele tem os meus olhos, os meus cabelos, o meu rosto. Ele é meu, não é?
Hermione finalmente olhou para cima e Draco pode ver os olhos marejados de lágrimas. No entanto, nenhuma caiu. Quando ela finalmente quebrou o contato visual, disse:
- O Hugo será sempre filho do Ron, não importa de quem veio o espermatozóide que o originou.
E Draco ficou parado a tentar absorver a informação daquela frase e Hermione aproveitou para fugir daquele lugar, só que não conseguiu ir muito longe, porque Harry estava com a carta de Albus nas mãos, e a olhava incrédulo, seu olhar indo de Malfoy para ela.
E, no fundo, Hermione sempre soube que esse dia chegaria.
-x-
"Não, não posso nem pensar na hipótese da Granger estar mentindo. Hugo tem o sangue do meu sangue", pensava, "Hugo é um Malfoy".
Draco levou as mãos à cabeça. Não, não podia. Hermione Granger não podia ter se engravidado dele, justo dele, e ainda por cima Draco só souber disso anos e anos depois. Hermione devia ter contado para ele. Devia.
"Mas o que isso mudaria, afinal?"
Nada, ele concordou. Não mudaria absolutamente nada. Provavelmente ele negaria a paternidade e se recusaria a fazer o exame de DNA. Provavelmente isso só iria ajudar para que Hermione fosse mal vista pelo mundo bruxo inteiro.
Saiu do escritório. Aquele escritório só lhe trazia más lembranças. Ou boas. Draco não sabia mais distinguir o que era bom ou não era. Só sabia que fora naquele escritório que Hugo, seu Hugo, foi concebido.
Não, não. Hugo nunca seria filho de Draco. Hugo seria um Weasley pela vida toda. Hugo sempre será filho de Hermione Granger Weasley com Ron Weasley.
E agora Ron Weasley tinha a garota que Draco queria e o seu filho. E provavelmente sempre teria.
Porque ele era Slytherin demais, covarde demais. E ele sabia que foram justamente esses adjetivos que estragaram a vida dele.
R E V I E W !
