Chapter 11: Mansão Malfoy
10 – MANSÃO MALFOY
Nas semanas seguintes Hermione conseguiu finalmente novas pistas sobre as horcruxes e eles sabiam que teriam que partir. Não foi em comum acordo, mas nenhum deles comentou sobre a partida eminente para nenhum outro membro da morte.
Somente Harry tinha um pedido muito importa para a pessoa que mais confiava.
- Você é o único que pode me ajudar Malfoy! – Harry resmungou irritado.
- Você pirou de vez, Potter! Essa sua cicatriz tá te deixando completamente biruta! – Draco reclamou em tom de total descrença.
- Eu não vou ficar aqui durante toda a guerra, tenho assuntos para resolver. – Harry parecia desanimado jogado contra a cadeira.
- Isso eu já saquei! – Draco revirou os olhos e passou a mão pelo cabelo – Só não entendo porque você ta pedindo isso justamente para mim.
- Porque você é o único egoísta o suficiente para não pensar no grupo, só estou pedindo para você cuidar de mais uma pessoa! – Harry começava a perder a paciência.
- Obrigada pelo elogio, Potter, mas porque você acha que eu protegeria a Weasley? – perguntou o loiro começando a ficar irritado também.
- Eu não acho que você protegeria... – Harry olhou fundo nos olhos cinza de Draco – Eu estou pedindo que você proteja!
- Isso é um erro, Potter! – Draco apertou o nariz com o indicador e fechou os olhos – Você já pensou se ela começa a gostar de mim? Ela está frágil! E quando você se for ela vai ficar muito pior!
- Você vai seduzir a Gina? – Harry olhou horrorizado para Draco com os olhos arregalados em pânico.
- Não seja idiota, Potter! – Draco fez uma careta de repulsa – Só estou falando que a Weasley é uma garota carente e sonhadora.
- Eu sei! – Harry concordou, conhecia muito bem a ex-namorada.
- E você está pedindo para que eu fique ao lado dela. – Draco apertou ainda mais forte o nariz.
- Exato. – concordou Harry começando a ficar desanimado.
- E você acha que não corre nenhum risco deixando-a aqui comigo? – Draco continuava a massagear o nariz de forma hilária.
- Malfoy, a Gina não se apaixonaria por um crápula como você. – Harry riu dos desatinos do loiro.
- Se você acredita nisso! – ele suspirou cansado.
- Vai protegê-la então?
- Vou fazer o que estiver ao meu alcance. – prometeu Draco.
- Obrigado!
No dia seguinte...
- Bom dia Sra. Weasley! – disse educado Draco.
- Bom dia, querido! Aqui o seu café... – a Sra. Weasley fungava e tinha os olhos vermelhos.
- O que aconteceu? – perguntou Draco preocupado.
- Eles partiram, hoje de madrugada... ninguém viu... – as lagrimas corriam pelo rosto redondo enquanto Draco ficava estático.
- "Mas ela nem ao menos se despediu!" – o pensamento de Draco foi interrompido pela chegada da filha caçula da Sra. Weasley.
- Bom dia! – disse sonolenta Gina.
- Bom dia Weasley! – Draco respondeu seco perdendo totalmente o humor que ele já não possuía.
- Bom dia querida! – Molly veio dar um beijo na filha.
- O que houve mãe? Porque a senhora está chorando? O que aconteceu? – a garota entrou em pânico.
- Nada querida... – Molly tentou desconversar, pois sabia que a filha não ia receber bem a notícia.
- Eles partiram Weasley! – Draco falou arrogante – Foram embora sem avisar ninguém!
- Quem partiu Malfoy? – a garota perguntou confusa, mas com os olhos se enchendo d'água imaginando muito bem quem tinha ido.
- Quem mais? – desdenhou Draco – Potter, Granger e Weasley.
- Não... Eles não podiam ter ido assim... – a garota começou a chorar e a Sra. Weasley olhou feio para Draco que não ligou, estava particularmente irritado com a Granger para notar.
- Querida... – Molly tentou abraçá-la que se desvencilhou correndo para o quarto.
E assim começava o início do fim.
### Você não pode me amar ###
Malfoy se levantou num salto tinha chego em casa fazia pouco tempo, mas já era hora de dormir, teria um dia cheio amanhã, e uma noite muito importante no jantar oferecido por seu pai para os amigos íntimos. Draco suspirou a lembrar que amigos íntimos eram aqueles que como seu pai haviam se desligado do Lorde das Trevas, mas que continuavam a ter os mesmos objetivos de vida: arte das trevas e desmoralizar trouxas e traidores do sangue. Algumas coisas não mudavam facilmente.
No caminho para seus aposentos, Draco chegou ao longo corredor do andar superior, que dava para todos os quartos da casa. Naquele corredor havia praticamente um museu Malfoy, uma coleção dos retratos de todos os homens da genealogia da família desde muito tempo.
Draco podia passar rapidamente por ali, mas resolveu fazer algo que a muito tempo ele não fazia: olhar os quadros e refletir sobre as decisões.
"Roger Malfoy - 1315/1347", Draco leu no rodapé do retrato que trazia um homem jovem de cerca de vinte anos, mas com linhas de expressão bem marcadas, que o faziam parecer bem mais velho.
Draco continuou andando vagarosamente, passou por alguns outros Malfoys e parou novamente em "Michel Malfoy - 1493/1537". Este chamou a atenção de Draco por não ser louro como ele e seu pai, e sim ter os cabelos muito escuros e a pele levemente bronzeada.
Quando chegou em "Richard Malfoy - 1566/1610" e percebeu que ele também parecia muito jovem, Draco se lembrou que uma vez, quando ele ainda era criança, seu pai lhe dissera que era o costume da família ter seu filho homem retratado assim que se tornasse homem.
Sim, um artista, o melhor do mundo mágico, havia sido chamado para pintar Draco há algumas semanas, mas ele ainda não havia visto o resultado final.
Adam Malfoy, Henry Malfoy, Felix Malfoy, Robert Malfoy, Emilio Malfoy, Brian Malfoy, Derick Malfoy, Louis Malfoy.
Tantas gerações retratadas naquele corredor.
Draco foi passando os olhos por cada um deles, todos com mais ou menos a sua idade, todos com as melhores roupas de sua época, seus nomes gravados no mais puro ouro. O garoto não pode deixar de notar que nenhum deles havia vivido mais do que 60 anos, uma idade bastante baixa para um bruxo.
O garoto pensava nisso, quando se deteve em frente a "Julian Malfoy - 1823/1842". Ele estava acordado, e seus olhos muito claros chamaram atenção naquela escuridão do corredor e ele não apenas era jovem na pintura, como tinha falecido muito jovem.
Draco suspirou olhando para os retratos no corredor inseguro. Era difícil admitir, mas as vezes tinha duvidas quanto as suas escolhas.
Olhava toda a linhagem Malfoy a sua frente, grandes e importantes homens, será que algum dia alguém diria o mesmo dele? Draco sabia que o respeito que seu pai impunha era devido ao medo que sentiam dele e no decorrer da guerra ele percebeu que não gostava desse tipo de respeito. Tentou mudar na medida que pode, pois afinal de contas nunca deixaria de ser um Malfoy.
Passou seu olhar pelos quadros adormecidos e se deu conta que o retrato de Julian ainda o encarava com a típica expressão de orgulho dos Malfoy, enquanto os pensamentos dele gritavam.
"Você sabe, Malfoy, que não há absolutamente nada que você possua que tenha conseguido por mérito próprio e isso te mata por dentro, porque você tem plena consciência do quão patético e medíocre você é."
- O que lhe aflige jovem Malfoy? – Draco reconheceu a uma voz arrastada tão parecida com a sua vinda do quadro.
- Se fiz a escolha certa ou joguei nosso nome na lama. – Julian o fitou com ar de desgosto.
- Você pretende casar com uma trouxa? – a voz alarmante e seca vinha de um quadro atrás de Draco.
- NÃO! – o garoto quase gritou passando as mãos pelos cabelos, gesto que por sinal havia adquirido com a convivência do Potter e essa constatação o fez sorrir internamente – Nunca!
- Então qual é o problema? – a voz arrastada de Julian insistiu – Um Malfoy não deveria ter duvidas!
- Você acertou querido. – Draco se virou abruptamente ao reconhecer a voz de Narcisa no fim do corredor – Embora seu pai nunca admita isso, você tomou o melhor caminho.
- Não tenho tanta certeza... – Draco suspirou caminhando em direção a mãe.
- Você escolheu viver e nada é mais importante para um Malfoy do que continuar a sua linhagem – Narcisa encarou o filho – Acha que conseguiríamos sair vivos? Acha que o Lorde das Trevas iria nos dar privilégios?
Draco gargalhou acido.
- Não, aquele velho mestiço iria nos destruir para tentar executar seus planos doentios e sem nenhum sentido – e virando-se para sua mãe completou – se só puro sangue viverem quem iria nos servir?
- Sim, você foi muito inteligente tenho que ressaltar. – ela sorriu para o filho - Você é melhor que o seu pai no final. Ele tem orgulho de você!
- Ainda tenho medo de decepcioná-los – Draco tinha os olhos intensos na mãe.
- Meu filho, você pode tomar as decisões mais absurdas a primeira vista, mas no fim elas se tornam perfeitas. Você é um Malfoy! – todos os quadros que já haviam acordado com a conversa deles concordaram com as palavras de Narcisa e Draco sorriu satisfeito, ele sempre sabia dar a volta por cima, sua mãe tinha razão.
Draco acordou desanimado no dia seguinte do jantar oferecido por seus pais, contudo estava animado por querer ir ao odioso baile de Melanne Morritis, mas por outro não queria dar esse gostinho a ela e ainda tinha seus pais, o que eles diriam dele ir num baile oferecido por um casal de trouxas?
- O que te perturba filho? – Narcisa falou seca estudando a fisionomia do filho na sua frente fazendo-o se irritar de como a mãe percebia fácil suas variações de humor.
- Nada. – Draco respondeu igualmente seco, mas não teve coragem de encarar os olhos de Narcisa a sua frente baixando seu olhar para o prato de comida.
- Se você diz... – Narcisa lançou um breve olhar para Lúcio que também parou para analisar o filho.
- Para quem teve coragem de me desafiar a algum tempo atrás você está me parecendo muito o velho Draco submisso de antes. – Lúcio falou sarcástico cruzando os braços se encostando na cadeira encarando o filho que apertava com força o talher em sua mão.
- Lúcio... – Narcisa lançou um olhar de reprovação para o marido, mas Draco a cortou erguendo a mão antes que esta pudesse continuar.
- Não mãe, meu pai tem razão. – e encarando o olhar do pai continuou – O que você sabe sobre os Morritis?
Lúcio fechou a expressão totalmente em desagrado e sua voz saiu levemente debochada – Stephanus Morritis, diplomata trouxa que auxilia o Ministério na relação entre o mundo trouxa e o bruxo.
Narcisa sorriu diante da total cara de desprezo do marido e de perplexidade do filho - Seu pai está levemente irritado, pois pelo que parece esse tal diplomata trouxa – Narcisa não conseguiu não torcer o rosto a palavra trouxa fazendo Draco sorrir debochado recebendo um olhar duro da mãe de volta.
- Pelo que dizem vai haver um grande baile amanhã na mansão dos Morritis e todas as grandes famílias bruxas foram convidadas para o evento. – Narcisa não conseguiu esconder o desgosto de suas palavras.
- Menos os Malfoy. – Draco completou sentindo o olhar pesado que seus pais lançaram sobre ele.
- Até mesmo Arthur Weasley foi convidado. – Lucio bateu na mesa com tanta força que qualquer outra pessoa teria pulado de susto, mas Draco e Narcisa conheciam bem o gênio dele para se importarem.
- O mundo bruxo está cada dia mais decadente. – Narcisa disse balançando a cabeça em desaprovação.
- Não entendo a sua irritação, pai, um trouxa e traidores do sangue, sinceramente. – Draco encarou o pai esperando uma explicação, fazendo com que Lucio adquirisse uma postura reta e autoritária antes de responder.
- Todo o Ministério vai estar lá, inclusive a imprensa, que por sinal diz que todas as famílias importantes foram convidadas. – Draco se deu conta que era o orgulho Malfoy que fazia seus pais estarem irritados.
- Perdemos muito nessa guerra. – Narcisa sorria desgostosa olhando para sua mão sobre a mesa.
- Eu fui convidado. – Draco comentou voltando a comer normalmente.
- Você? – Lucio sorriu sarcástico para o filho.
- Todos os alunos dos últimos anos de Hogwarts foram convidados, principalmente os da Sonserina. – Draco manteve o tom calmo de voz enquanto Lúcio voltou a comer como se o filho nada tivesse dito.
- Por quê? – Narcisa encarava o filho por cima da sua taça de vinho.
- A filha dele está em Hogwarts. No ultimo ano, ela era da Nirehtyls.
- Uma sangue-ruim na Nirehtyls? – Lucio recrutou descrente.
- Pensei que aquela escola tivesse mais classe. – Narcisa baixou a taça voltando a comer. – Você vai? – Ambos encararam o filho.
- Deveria?
- Apenas para mostrar que não somos tão facilmente esquecidos. – Narcisa falou sorrindo.
- Acho que posso fazer esse sacrifício. – Draco deu uma risada debochada, mas estava feliz por dentro. Nunca poderia imaginar que um dia em sua vida seus pais iriam convencê-lo a ir numa festa trouxa.
Draco vestiu uma roupa trouxa negra, era considerado de gala, um smoking como tinham dito e se sentiu estranho, mas essa era a roupa para ir ao tal baile dos Morritis. Se olhou no espelho e até que gostou do que viu. Seria bonito de qualquer maneira não importava a roupa incomum.
- Deixe me vê-lo. – Narcisa apareceu na porta do quarto.
Draco deu duas voltas se exibindo para a mãe.
- Você está lindo! – Narcisa olhou com admiração para o filho, achava-o cada dia mais lindo e seguro de si.
- Obrigado.
- Mais ainda existe algo te incomodando. – Narcisa se sentou calmamente na poltrona do quarto apreciando o filho único.
- Não é nada, mãe. – Draco ajeitou a gravata nervoso.
- Você está gostando de alguém? – Draco suspirou irritado e isso confirmou as suspeitas de sua mãe. – Quem é ela?
O simples fato de lembrar de Melanne fez com que Draco sentisse seu coração disparar, sua face ficou corada e ainda que ele tenha se esforçado muito, não conseguiu disfarçar, fazendo com que Narcisa abrisse um sorriso.
Estava indo para uma festa na casa dela e se sentia nervoso. Era ridículo.
Draco ainda não se sentia a vontade para falar sobre ela, muito menos para Narcisa, até porque não existia verdadeiramente nada entre eles. Ele não sabia como a mãe reagiria a descobrir que ele estava gostando de uma nascida trouxa.
- Não me olhe assim, filho! O que tem demais eu querer saber sobre sua namorada? – perguntou Narcisa sorrindo.
- Eu não tenho namorada! – respondeu Draco seco.
- Eu conheço você, sei que gosta de alguém, então, porque ela ainda não é sua namorada? – quis saber Narcisa.
- Eu nunca pedi que fosse e nem pediria. – respondeu rápido – Não existe nada na verdade!
- Mas o suficiente para te deixar perturbado. – Narcisa encarou o filho.
- Olha, mãe é complicado, ela não é como nós! – respondeu Draco sem encarar a mãe.
- O que quer dizer? Que ela não é puro sangue é isso? – perguntou calmamente, fazendo com que Draco a encarasse tenso. – Eu nunca imaginei que algum dia você pudesse se interessar por uma garota nascida trouxa. – a mulher olhou risonha a decoração verde escuro do quarto do filho e os quadros estranhamente mudos. – A linhagem pura sempre foi valorizada pela família Malfoy; É uma tradição antiga a idéia de que o sangue-puro está diretamente ligado ao poder e ao respeito e sinceramente fico feliz em saber que, embora seu pai tenha enchido sua cabeça com esses pensamentos sem sentido, você já não se importa!
Draco nunca tinha sentido um alívio tão grande em sua vida. Narcisa era tudo para ele, a pessoa que mais amava, não poderia ir contra ela. Seu pai nunca entenderia, mas isso não importava na verdade. Se sua mãe aceitasse, sabia que o pai não discordaria.
- Como você vai? – Narcisa mudou de assunto ao ver a expressão relaxada do rapaz. – "Ele sempre fará a escolha certa mesmo que não perceba"
- Vou me encontrar com Zabini e depois vamos ser buscados por um veiculo trouxa – Draco fez uma careta de desgosto.
- Não quero nem imaginar o que vão servir nesse baile. – Narcisa olhou encantada para o filho dando uns últimos retoques na sua roupa e cabelo.
- Eu espero que no mínimo sirvam firewisk. – Draco tentava inutilmente fazer sua mãe parar de lhe arrumar o cabelo.
- Eu espero que eles no mínimo saibam o que é isso. – Narcisa riu se encaminhando para a saída do quarto. – Boa festa querido! – e dizendo isso fechou a porta do quarto deixando Draco novamente sozinho.
Ele se viu uma ultima vez no espelho, mas antes de sair ouviu os quadros dizerem – Você está um gato, menino Malfoy – sorriu convencido e se encaminhou para a orla da floresta aonde poderia aparatar na casa de Zabini.
- Finalmente Malfoy! – a voz manhosa de Pansy ecoou da sacada da casa. – Estávamos só te esperando.
- Boa noite! – Draco respondeu sorrindo se encaminhando em direção dos amigos.
- Aonde está seu par Draco? – perguntou Zabini risonho, sabia muito bem que o amigo não tinha convidado ninguém.
- Pansy? – disse sedutor fazendo uma reverencia.
- Não ouse me dirigir a palavra Draco Malfoy – e abrindo um sorriso completou – Além disso estou indo com o Blás...
Draco suspirou entediado e os dois riram de braços dados.
- Pansy? – Draco colocou as mãos no bolso e encarou o amigo – Pansy Parkinson? Imaginei que você convidaria a Mayers.
- Ela já tinha sido convidada! – respondeu Pansy achando graça do olhar mortal que Zabini lançava para Draco e esse respondia a altura – Parem vocês dois! O carro chegou! Vamos! – pegando o braço dos dois seguiram em direção a limusine que os aguardava.
