Vindicated

Sinopse: Ginny luta ao lado dos rebeldes contra o governo tirano, mas quando ela cai nas mãos do rei, conseguirá ela manter seus ideais?

Disclaimer: Os personagens dessa história pertencem à Warner Bros e à J. K. Rowling.

Sobre a Fic: Baseada na música She's a Rebel, Green Day; e Vindicated, Dashboard Confessional.


Epílogo

"Você não deveria fazer isso." Disse Natalie, sentada em um banco de pedra olhando para o homem que segurava uma criança ruiva, com um pouco mais de um ano.

Um garotinho. Seu filho.

O homem se aproximou, sentando-se ao lado de Natalie, virando o rosto para olhá-la, enquanto tentava evitar que as mãozinhas ávidas do garotinho puxassem seus cabelos negros.

"Fazer o quê?" Ele perguntou, entregando a criança para Natalie ao ver que ela desistira de seus cabelos e começara a esticar os braçinhos gordos em direção à mãe.

"Vir até aqui. Fingir que se importa." Rebateu Natalie, pegando o filho no colo e o beijando na testa. Era seu bem mais precioso. Seu filho, que a mantivera sã e acabara com seus desejos de se juntar a Charlie, onde quer que ele estivesse agora.

Porque um pedacinho de Charlie ficara, e ela amava esse pedacinho mais do que qualquer outra coisa. E por seu filho transformaria a Inglaterra num lugar melhor, para que ele crescesse em meio à prosperidade e à justiça, para então tornar-se um grande Rei, tal qual ela sabia que Charles teria sido.

"Eu não estou fingindo, Natalie. Por que sempre pensa o pior de mim?" Ele perguntou, mas como sempre suas feições não traíam seus sentimentos. Sempre imparcial e misterioso, de uma forma que tanto incomodava quanto fascinava Natalie.

"Culpe os seus olhos, Tom. Eu nunca consigo dizer o que está pensando. Seus olhos escondem sua alma." Natalie desviou o olhar.

O pequeno Charles espalmou as mãozinhas nas bochechas de Natalie, rindo em seguida; o sorriso inocente e verdadeiro que ele era capaz de distribuir a todos, e ela apenas a ele.

"Eu sempre falo o que penso." Disse Tom, com a voz calma e macia, a qual todas as vezes fazia Natalie estremecer, como o primeiro vento fresco sobre a pele depois dos dias de calor.

"Pode estar mentindo." Falou e sorriu, porque Charles pegara uma mecha de seu cabelo e a olhava fascinado, como se não compreendesse como aqueles fios voltavam a ficar cacheados mesmo depois que os esticava. E ria-se, divertindo-se com a nova brincadeira, tentando segurar cada vez mais fios em suas pequenas mãos.

"Eu não tenho motivos para mentir. Não para você." Ele falou, sem deixar de observá-la, e Natalie conseguia sentir a força dos olhos negros sobre si, penetrando sua pele e alcançando sua alma, vendo aquilo que ela escondia de todos, mas não conseguia esconder dele.

Que ainda sofria. Todas as noites.

Todas.

Assim que assumira o trono, Tom viera visitá-la algumas vezes, para que discutissem como ficaria a situação dele como Cônsul, e o que ganharia por ter lutado ao lado da oposição. E naquelas breves visitas, eles trocaram palavras que nada tinham a ver com acordos e negócios, e trocaram olhares significativos.

E as visitas se estenderam, e não cessaram, e se tornaram mais freqüentes. Ele a ajudava a governar, a ter pulso firme; falavam sobre política e metas a princípio, e antes que ela percebesse, já contava a Riddle sobre suas inseguranças, medos e sobre a tristeza que a perseguia. E ele ouvia, paciente.

E assim surgiu uma estranha amizade, como uma flor que desabrocha, contra todas as possibilidades, em meio a uma terra estéril, seca e hostil. E internamente ela agradecia por alguém ter se preocupado com como se sentia depois que a colocaram no trono.

Cada um seguira seu próprio caminho. Cada um tinha seus próprios pesadelos para enfrentar sozinhos.

Mas ela tinha seu filho, Charles, e tinha Tom.

"E por que eu tenho tanta dificuldade em acreditar em você?" Perguntou, olhando para o filho, que continuava brincando e rindo e falando algumas palavras que não precisavam de respostas.

"Mami, cabeio, olha mami."

"Talvez porque você sinta medo de deixar outro homem entrar na sua vida. Ainda está agarrada, com todas as forças, ao seu falecido amante, e teme traí-lo deixando qualquer outra pessoa se aproximar e tocar sua alma como você deixou que ele a tocasse. E sente medo de que, se permitir, irá sofrer tudo de novo. Você continua sofrendo pelo passado, e temendo pelo futuro, sem perceber, Natalie, que isso a faz perder o presente." Disse Tom, mas não havia repreensão em sua voz. Nunca havia repreensão em sua voz, e talvez fosse isso que deixasse Natalie tão exasperada. A forma como ele falava, e deixava que ela absorvesse as palavras, refletisse, e tomasse as decisões por si mesma.

Ninguém nunca lhe oferecera isso. Nem mesmo Charlie, quando falara em nome dela para Ginny, dizendo que ela escolhera não se casar com o Barão. Ou quando ele não permitira que ela fosse para a guerra com ele. E irritava-se ainda mais, recriminando-se por estar comparando Charlie com Tom.

Mas pior do que isso, era ouvir e ver a verdade nas palavras de Tom. Ele estava sempre certo.

Virou o rosto para ele, encontrando as orbes negras que naquele momento espelhavam sua alma, mas quando abriu a boca para falar, alguém chamou por seu nome.

Era Ginny.

"Eu vou deixar vocês conversarem." Disse Tom, levantando-se. Natalie observou-o passar por Ginny; eles trocaram algumas palavras, e então a ruiva caminhou até o bando, sentando-se onde antes estivera Tom.

"Suas visitas estão cada vez mais escassas." Comentou Natalie. "É bom vê-la novamente."

Ginny sorriu, passou a mão pelos cabelos de Natalie, como faria uma irmã mais velha e beijou o pequeno Charlie na testa.

"Vemeio, cabeio." Ele riu.

"Igualzinho ao seu, Charlie. É inegavelmente um Weasley." Falou Ginny, com um sorriso, antes de se voltar para Natalie. "Como você está?"

"Estou bem."

"Riddle continua visitando-a com freqüência." Ginny não perguntou, mas afirmou, pensativa.

"Somos amigos." Retrucou Natalie, corando, como se Ginny a tivesse recriminado pela proximidade que surgira entre ela e Tom, o que não era verdade.

"Apenas amigos?" Perguntou a ruiva, olhando para Natalie com seus olhos mais velhos que o corpo.

Natalie encarou a falta de brilho nos olhos da ruiva, olhos tristes e apagados desde a última batalha, desde a queda de Draco Malfoy. Ginny tinha apenas vinte e dois anos e já passara por tanto: guerras, perdas, mortes. E depois de tanto sofrimento, parecia que nada traria de volta o brilho que antes iluminara os olhos castanhos; por mais que houvesse satisfação em seus olhos quando falavam sobre as mudanças na Inglaterra, ou carinho, quando encarava os amigos e familiares, o fogo se fora, morto pela mesma flecha que atingira o corpo de Malfoy há dois anos.

Nos primeiros meses depois que Natalie subira ao trono, ela e Ginny estavam sempre juntas, conversando e se apoiando, dividindo suas amarguras e emprestando uma à outra suas forças. Mas com o tempo Ginny começou a se afastar; mudou-se do castelo e refugiou-se longe de todos, fugindo da dor, das lembranças, de si mesma.

Em vão.

Natalie já não sabia como poderia ajudá-la. Era como se um abismo houvesse se aberto entre elas. Ginny isolou-se do mundo mais do que a própria Natalie. Porque Ginny não tinha um filho por quem viver, e não tinha Tom, como Natalie tinha.

A ruiva suspirou ao ver o silêncio constrangido da garota.

"Eu jamais a repreenderia por seguir a sua vida, Natalie. Eu nunca pensaria que está traindo a memória de Charlie. E se Tom Riddle pode fazê-la esquecer, fazê-la feliz, seja como amigo, amante ou marido, a escolha é sua. A vida é sua. Você tem apenas dezenove anos, não deveria sofrer tanto."

"E você tem vinte e dois, e sofre ainda mais." Acusou Natalie, sorrindo de leve.

"Não é sobre mim que estamos falando." Ginny olhou para Charlie, que acomodara o rosto no ombro de Natalie e agora cochilava, despreocupado. "Apenas... não se julgue por seguir em frente sem Charles. Ele não iria querer isso. Guarde-o como uma lembrança maravilhosa de seu passado, mas não se prenda a ela como você tem feito até então."

Natalie assentiu fracamente; Ginny tinha razão. Já estava na hora de ela abaixar suas defesas, e permitir que seu coração batesse novamente, vivo e apaixonado pela vida.

"Você também..." Começou a dizer, mas Ginny fugiu do assunto, começando uma nova conversa.

Falaram sobre banalidades sobre alguns minutos, até Natalie lembrar-se da misteriosa carta que fora enviada ao castelo, destinada à Ginny.

"Uma carta sem remetente? Você abriu?" Perguntou Ginny, e Natalie negou.

"Não, vamos lá dentro, vou pegar para você."

As duas caminharam para dentro do castelo, encontrando-se com Tom. Natalie foi buscar a carta em seu quarto, já aproveitando para colocar Charlie no berço.

Ginny se apoiou em uma parede, cruzando os braços sobre o peito e olhando para Tom.

"Eu espero que suas intenções com Natalie sejam as melhores, Tom." Falou, atraindo os olhos negros para si. Ele sorriu de lado.

"E adiantaria eu dizer que elas são?" Ele falou, debochado, sentando em uma poltrona rústica, enquanto esperava Natalie voltar.

"Adiantaria..." Disse Ginny, lúgubre. "Você lutou ao nosso lado, e cumpriu com sua palavra. Eu confio em você, Tom, e Natalie também, por mais que você insista em passar essa imagem de homem misterioso e duvidoso. Só... continue cuidando bem dela, como eu não tenho sido capaz."

Tom não disse nada, apenas assentiu, com um quase imperceptível aceno de cabeça, antes de desviar o olhar para a porta, por onde Natalie adentrava, segurando um pedaço de papel desbotado na mão.

"Chegou há mais de dois meses. Como você não dava notícias há três meses..." Ela deixou a frase morrer, olhando curiosa enquanto Ginny rasgava o envelope e desdobrava o papel.

Ginny de imediato reconheceu a caligrafia precisa e ondulada de Albus, surpresa, pois o velho senhor sumira desde a queda de Malfoy.

"É de Albus." Falou, fazendo Natalie arregalar os olhos e se aproximar.

"O que ele diz?" Ela perguntou. Albus fora como um pai, ou avô, para Natalie. Cuidara dela desde pequena, além de ensiná-la a ler e escrever.

"Não muito. Pede para que eu vá até Lindisfarne, na Northumbria, e procure por ele. Diz que vou saber como encontrá-lo. Diz que você o verá em breve."

Os olhos de Natalie brilharam, antes que seu sorriso esmorecesse.

"Mas já faz meses desde que ele escreveu essa carta. Por que ainda não apareceu?" Perguntou, chateada. Sentia uma falta enorme de Albus, e por dois anos achara que ele também havia morrido.

"Talvez esteja esperando que eu vá encontrá-lo primeiro." Disse Ginny, ainda olhando para a carta, perguntando-se o porquê daquilo.

"Aonde você está indo?" Perguntou Natalie, ao ver Ginny disparando para a porta.

"Vou encontrá-lo. Sinto que é algo importante, e estou dois meses atrasada." Falou, por cima do ombro, sumindo da vista de Natalie.

Tom levantou-se da poltrona, seguindo também para a saída.

"É melhor eu ir também..." Falou, mas Natalie o segurou pelo pulso quando ele passava por ela.

"Não, fique . Eu gostaria de ter alguém com quem conversar sobre... o comércio entre Dover e os germânicos; e você é amigo de Neville." Ela justiçou, ciente de que Riddle sabia que mentia.

Mas ele apenas sorriu.

E ficou.


Foram semanas de viagem até que Ginny chegasse a Lindisfarne, um povoado ao norte de Inglaterra, quase na divisa com a Escócia. Ela perguntou por Albus aos moradores locais e aos pequenos comerciantes.

Ninguém soube dizer a localização exata da moradia do misterioso senhor. Os que o conheciam, disseram que ele aparecia no povoado raramente, comprava comida e alguns outros suprimentos, curava os doentes, doava poções e remédios, e então sumia por dias ou semanas antes de aparecer novamente.

A única dica que Ginny conseguiu foi que ele sempre se aproximava do povoado margeando o Rio Tuede, que desembocava no Mar do Norte.

Ginny seguiu o Rio, até alcançar o mar. Não havia nenhuma propriedade, mas a vários metros da costa havia uma ilha com declives que se convergiam até uma elevação, perto da beira, onde um pequeno castelo de pedra cinzenta, que se misturava às pedras em volta, repousava, isolado e solitário, ao som das fracas ondas que quebravam perto da praia de cascalhos que margeava a ilha.

A maré estava baixa e ,afastando-se de onde o Rio Tuede desembocava, era possível alcançar a ilha a cavalo. E foi o que Ginny fez. Os cascos no animal afundaram no banco de areia que surgira com a maré baixa, mas era firme o suficiente para que avançasse sem problemas.

Era um lugar incrível. A visão do azul mar misturando-se e contrastando com o verde da grama que cobria toda a ilha, interrompida apenas por eventuais rochas que saltavam à superfície, enquanto ovelhas e cabras pastavam perto do castelo simples, que mais se parecia com uma fortaleza, dava uma sensação de paz e tranqüilidade ao lugar. Era como um refúgio, escondido do resto do mundo.

Havia alguns estábulos e um galpão de madeira e palha perto do castelo, e alguns cachorros apareceram, latindo, assim que Ginny desmontou do cavalo. Os cachorros; contudo, apenas a rodearam, abanando os rabos e sacudindo os quadris, arfando com as línguas de fora.

Fez carinho em um deles e olhou para o caminho de pedra que levava até a entrada do castelo, onde Albus aparecera, descendo como se seus pés não tocassem o chão. Ginny sentiu-se aliviada ao vê-lo. Encontrara a propriedade.

"Albus!" Adiantou-se alguns passos, e abraçou-o. "Por que você sumiu? Natalie sente a sua falta."

Albus a encarou, com seu olhar bondoso e complacente.

"Eu precisei me afastar, não pensei que por tanto tempo, mas, agora que você está aqui, posso voltar para Birmingham, e passar os anos que me restam ao lado de Natalie." Ele sorriu, agraciado com a idéia.

"Mas... porque só agora pode voltar?" Perguntou Ginny, sem entender o que ela tinha a ver com o retorno de Albus.

Ele colocou a mão sobre o ombro da ruiva, guiando-a para o lado oposto da subida de pedra.

"Sei que deve estar cansada da viagem, mas sinto que isso não pode mais esperar. Você sabe, Ginny, eu nunca desejei a morte de Draco, ele era, assim como Natalie, como um neto para mim-"

"Albus, eu não-" Começou Ginny, pensando que Albus a chamara até ali apenas para acusá-la de matar Draco; e a lembrança da qual ela tentara fugir por todos aqueles meses voltou-lhe à mente com força total. Porém, Albus continuou falando, sem deixar que ela o interrompesse.

"Mas Draco cresceu tendo Lucius como sua referência e, mesmo com eu educando-o, ele se transformou naquilo que Lucius esperava de seu herdeiro; mas sempre houve algo de bom em Draco, algo que teria se perdido com o passar dos anos se você não tivesse entrado na vida dele. Ele precisava de alguém que o fizesse lutar contra a educação, referência e crenças que adquiriu e recebeu durante toda a vida. Alguém forte e determinada que mostrasse a ele seus erros e despertasse nele seu lado humano."

"E você está dizendo que eu, eu, a pessoa que o matou, despertei esse lado de Draco?" Ginny perguntou, com amargura. Ela agora também tinha dois lados. O lado que afirmava que ela fizera o que precisava fazer, por seus irmãos, por seu pai e pela Inglaterra, e outro que a acusava e condenava pela morte de Draco, apenas porque era Draco. Não Draco, o rei da Inglaterra; não Draco, o homem que matara seu irmão. Apenas Draco; seu Draco.

"Você matou apenas o lado de Draco que precisava morrer, Ginny." Falou Albus, com a voz suave. "Como eu já disse, eu nunca desejei a morte de Draco, apesar de querê-lo afastá-lo do trono, e colocar Natalie em seu lugar. O corpo de Draco não foi encontrado, suponho?"

Ginny estranhou a pergunta repentina.

"Não... nós não-"

"Bem, faz sentido, visto que eu retirei o corpo dele do campo de batalha com ajuda de dois soldados e o trouxe para cá." Ginny olhou para Albus, com os olhos arregalados em surpresa. "Ele está vivo, Ginevra."

Ginny parou de caminhar, assim como achou que seu coração parara de bater. Abriu e fechou a boca diversas vezes, até que Albus apontou para frente. Virou-se e olhou adiante, franzindo as sobrancelhas devido ao sol forte. Caminhando pela praia, ela viu o vulto de um homem alto e forte, aproximando-se.

E quando os cabelos platinados refletiram a luz do sol, ela soube. Draco estava vivo.

Olhou de novo para Albus, como uma criança na espera de uma confirmação, que veio em forma de um sorriso e um leve acenar de cabeça.

Não esperou que Albus falasse mais nada. Desceu até a praia e correu. E ele não demorou a reconhecer os cabelos vermelhos ondulando no ar como os raios de sol que desciam até a praia durante o pôr-do-sol. E correu também.

Ginny só percebeu que parara de correr quando sentiu os braços de Draco a envolverem, fortes, firmes como ela se lembrava. Já não conseguia enxergar com nitidez devido às grossas lágrimas que escapavam pelos cantos de seus olhos.

Oh, why you look so sad?

Tears are in your eyes

Come on and come to me now

Don't be ashamed to cry

Afastou-se dele apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos, e confirmar que ele era real. Tocou-o no rosto, ainda sem conseguir acreditar que ele estava mesmo ali, vivo, abraçando-a, e sorrindo. Sorrindo de uma forma diferente. Uma forma descompromissada, livre, leve e sincera. Um sorriso aberto. Um brilho forte nos olhos cinzentos.

Ele apenas a olhava, observando-a rir e chorar ao mesmo tempo, incapaz de expressar tudo que se remexia sem seu peito. Mas sem dúvidas, dentre todos os sentimentos, o maior era a felicidade.

"Draco... eu ainda não consigo acreditar... diga que é real." Pediu, e ele encostou a testa na dela, sem deixar de sorrir, sem diminuir o aperto em sua cintura.

"É real, Ginny." Ele murmurou, e ela quase não acreditou que estava ouvindo a voz dele novamente. Não a voz em seus sonhos, em sua mente, apagada, perdendo-se em memórias antigas.

Real.

Let me see you through

'cause I've seen the dark side too

"Eu vi você caindo, Draco. Eu atirei a maldita flecha, eu-"

"Shhh. Não fala nada. Isso passou, Ginny. Você percebe? Agora nós podemos deixar o passado para trás. Meus erros morreram e foram apagados naquele dia, e você pôde me perdoar. Não há nada entre nós agora, nenhuma barreira, nenhum arrependimento. Apenas eu e você."

E Ginny percebeu que ele estava certo. O passado ficara para trás, e nunca mais iria atormentá-los. Ela não via mais a tormenta e a escuridão nos olhos antes tempestuosos; agora eles eram como o dia depois da tempestade, claros, límpidos. Draco não mentira quando dissera estar se purificando.

E agora nada, nenhuma culpa, nenhum erro, poderia condená-la por amá-lo.

When the night falls on you

You don't know what to do

Nothing you confess

Could make me love you less

Segurou-o pelos cabelos, sentindo a textura dos fios loiros outra vez, antes que os lábios quentes dele se fechassem sobre os seus, cheios de saudades; porém, sem o desespero de outrora, sem o medo de que aquele poderia ser o último, sem o medo de que algum deles acordasse e percebesse que aquilo não era real, que não poderia ser. O gosto era doce e certo. Não existia mais o tom amargo para separá-los. Não existia nada além do toque dos lábios e línguas, amando-se e completando-se.

E as mãos dele deslizaram por suas costas e se perderam entre seus cabelos, puxando-a mais contra si, aprofundando o beijo, enquanto também sentia a pele dele sob seus dedos.

Quebrou o beijo, e beijou-o no pescoço, abraçando-o com força.

"Você não me odeia." Mais falou do que perguntou, com um toque de incredulidade na voz. Ela tentara matá-lo, desde o início, desde a primeira vez em que o vira, e no final, atingira seu objetivo.

"Não mais." Ele sussurrou no ouvido de Ginny. "E você, Ginny, ainda me odeia?"

Ginny soltou um riso abafado no pescoço dele, e Draco sentiu as lágrimas dela em sua pele.

"Não. Eu não te odeio." Inclinou-se para trás e olhou-o novamente nos olhos, sorrindo abertamente. Um sorriso que não aparecia em seu rosto desde a morte de Bill, Arthur, Percy e os gêmeos.

Ele afagou os cabelos ruivos, sorrindo também.

"Eu pensei que você não viria." Admitiu, e Ginny acariciou-o no rosto, deixando o sorriso sumir para dar lugar a uma expressão apaixonada.

"Eu nunca mais quero te deixar, Draco." Falou.

E voltou a beijá-lo.

I'll stand by you

I'll stand by you

Won't let nobody hurt you

I'll stand by you


Albus partiu para Birmingham ainda naquela tarde, deixando a propriedade para Draco. Ele contou que o lugar fora seu lar quando ele era pequeno, antes de sair pelo mundo, especializando-se em curas, plantas e poções. E agora ele a deixava para os dois.

"Você não vai querer voltar?" perguntou Ginny, com as costas apoiadas no peito de Draco, os braços dele envolvendo-a pela cintura, enquanto eles olhavam Albus se afastar, até desaparecer, ao longe.

"Não. Eu estou bem aqui. Não sinto falta de ser Rei, não sinto falta do resto do mundo. Eu apenas sentia falta de você, e você está aqui agora." Ele beijou-a na dobra do pescoço, e Ginny sorriu.

"Eu não quero voltar. Não há mais nada lá para mim. Porque você está aqui." Falou baixinho, e Draco virou-a para si, e beijou-a com força, como se tudo que precisasse ouvir fossem aquelas palavras.

Pegou-a no colo, arrancando um gritinho e uma risada de Ginny, e subiu pelo caminho de pedra, sem parar de beijá-la, até que entraram em um dos quartos do pequeno castelo.

Take me in, into your darkest hour

And I'll never desert you

I'll stand by you

Ele colocou-a no chão, e olharam-se novamente. Porque não cansavam de olhar um para o outro. Devagar, começaram a despir um ao outro. Ginny deixou que Draco tirasse sua blusa, e admirasse seu colo nu, sem se sentir suja e culpada por estar fazendo aquilo, como acontecia antes. E despiu-o também, apreciando o torso desnudo e deslizando os dedos pela fina cicatriz no peito dele, sentindo lágrimas virem-lhe aos olhos. Ele segurou a mão que passeava por seu peito e levou-a até a boca, beijando-a.

A expressão dele era suave, e seus toques gentis como nenhuma outra vez antes; sem a pressa, ou a briga por quem estava no comando. Sem lutas ou ressentimentos, apenas o amor que sentiam um pelo outro transformado nos gestos e nas carícias que trocavam.

Deitaram na cama, já nus, sendo lambidos pelos últimos raios de sol que entravam pela janela, enquanto as mãos passeavam e tocavam, sentindo, reconhecendo e descobrindo velhas e novas sensações.

And when...

When the night falls on you, baby

You're feeling all alone

You won't be on your own

Ele tocou-a entre as pernas, e beijou-a nos seios, sugando-os devagar, e então mais forte, arrancando gemidos dos lábios rubros. E ela tocou-o também, apreciando os sons de aprovação que ele soltava, antes de voltar a beijá-la.

"Eu senti tanto a sua falta..." Ele falou, com a voz rouca.

E sem que conseguissem esperar por mais tempo, completaram aquele momento. Ginny ofegou ao senti-lo dentro dela novamente. E aceitou tudo o que aquilo representava.

Estavam começando de novo.

Um novo início.

Moveu-se com ele, não se importando em gritar o nome dele no final, e pela primeira vez deixando-se abraçar sem nenhum remorso, apenas um sorriso. Não conseguia deixar de sorrir.

"Eu te amo..." Ouviu-o murmurar, e beijou-o de leve nos lábios, afagando os cabelos loiros.

"Eu também amo."

Para sempre.

I'll stand by you

I'll stand by you

Won't let nobody hurt you

I'll stand by you

Take me in, into your darkest hour

And I'll never desert you

I'll stand by you


Imagens de Lindisfarne, Holy Island:

http:/www(PONTO)edwud(PONTO)com/photos/lindisfarne_castle_holy_island(PONTO)jpg

http:/www(PONTO)bbc(PONTO)co(PONTO)uk/tyne/content/images/2007/08/08/lindisfarne_470_470x312(PONTO)jpg

Música: I'll Stand By You – Glee.


Nota da autora: Eu sou péssima com despedidas. Então antes vou tirar possíveis dúvidas de vocês.

Tia Mila, você planejava a morte do Draco e esse epílogo desde o início?

Sim, não ficou fofo?

E você planejava matar o Charlie desde sempre, e terminar a fanfic com o par Natalie/Tom?

Sim e não. Eu planejava fazer o par Charlie/Natalie desde sempre, e matá-lo no final, mas a idéia de Natalie/Tom veio da fofa da Vira-Tempo.

De onde saiu a idéia da fic?

Foi depois que eu li a fanfic Flor da China, que eu total recomendo. E não, as histórias não têm nada a ver, mas se eu contar que tive o plot de Sob o Domínio do Mal lendo o livro Os cadernos de Dom Rigoberto, ninguém acredita...

Qual fanfic você vai começar a escrever agora?

No momento ando meio enrolada com alguns Challs do seis vassouras, mas em breve começarei a escrever com afinco À Moda Antiga.

Então é isso, chuchus. Muito obrigada a todos que acompanharam, leram, incentivaram, deixaram reviews em todos os capítulos, em alguns capítulos, colocaram no alerta e nos favoritos.

Sem vocês eu nunca conseguiria terminar fic nenhuma. *abraça todo mundo*

De coração, adoro vocês. Beijinhos! =*

E, já sabem: R E V I E W !