ILYRIA
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Ilyria é uma criação minha para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 12: Mudança Radical.
I – Escolhas.
O dia já começava a amanhecer, sentiu aos poucos os raios de sol invadirem a janela, lhe despertando completamente, hoje não teria treino, por algum motivo a mãe lhe avisara que não treinariam antes dela resolver alguma coisa que não quis lhe contar.
Celina levantou-se da cama ainda sonolenta. Lembrando-se do que acontecera na noite anterior, achou estranho o que aconteceu, mas preferiu não perguntar nada para a mãe, já que a mesma preferiu não falar nada, mas não podia ignorar que quando Hanay falara sobre o jovem de cabelos lilás que encontrara na vila, a mãe ficara nervosa. Quem seria ele? –ela se perguntou intrigada.
-Celina, já esta acordada? –Ilyria perguntou, batendo na porta.
-Sim, pode entrar; a jovem de orbes rosados falou, terminando de vestir-se.
Como não treinaria, não iria colocar o uniforme e sim um leve vestido azul claro, que não deixava de destacar a singularidade da jovem.
Dezoito anos, quem diria que aquela garotinha irritadiça, filha da amazona agora seria bem mais do que uma adolescente. Uma mulher com uma ampla perspectiva do que queria, como todo ariano o era; alguns chegariam a concluir.
Os longos cabelos encaracolados de um castanho-esverdeado, jaziam lisos e presos em uma perfeita trança, que ela acabara de terminar, quando Ilyria entrou.
-Bom dia, querida; a amazona falou, depositando um beijo no topo da testa da jovem.
-Bom dia, mãe; Celina respondeu.
-Podemos conversar? –Ilyria perguntou, sentando-se na beira da cama.
-Claro; Celina respondeu sorrindo e sentando-se ao lado da mãe.
-Celina, você bem sabe que durante a vida toda eu nunca lhe escondi nada, não é mesmo? –Ilyria falou, lembrando-se que desde os três anos de Celina, prometera que desde que a filha entrasse na maior idade, não lhe esconderia nada e tudo que ela desejasse saber sobre seu passado não se negaria a responder.
-Sei mãe; Celina respondeu por fim.
-Bem, a cerca de três anos atrás, os cavaleiros de Athena travaram uma difícil batalha contra Hades, imperador do mundo inferior; Ilyria começou. –Quase todos os cavaleiros morreram nessa batalha ou até mesmo antes dela começar.
-Como assim?
-Os cavaleiros de Athena são ao todo 88 que representam as principais constelações do equador celeste, eles variam entre amazonas e cavaleiros, 24 ao todo são cavaleiros e amazonas de prata, 10 são os principais cavaleiros de bronze e no topo da hierarquia estão os 12 Sagrados Cavaleiros de Ouro; Ilyria esclareceu. – Ainda existem 42 armaduras que não apareceram, que variam entre prata e bronze, que pertencem a amazonas e cavaleiros.
-Como a sua, mãe? –Celina perguntou.
-Sim, a minha armadura é a de Lincys de prata, para o santuário ela esta perdida;
-Eu lembro quando a senhora falou que a lacrou pouco antes de eu nascer; a jovem falou recordando-se do que Ilyria falara.
-Bem, a cerca de dezoito anos atrás eu passei por um teste que me permitiu estar apta a conquistar a armadura de Lincys; Ilyria falou. –É um teste muito difícil e requer uma resistência muito grande.
-Não entendo, mãe; Celina falou confusa.
-Celina querida, eu não vou conseguir terminar seu treinamento; Ilyria falou, vendo a surpresa nos olhos da jovem. –Mas conheço um cavaleiro que é um dos melhores mestres, que pode terminá-lo por mim; a jovem completou.
-Um outro mestre, mas porque? –Celina perguntou confusa, desde que começaram a treinar, pensara que a mãe continuaria com ela até conquistar a armadura.
-Celina, o teste final é muito difícil, sei que você é capaz, mas também sei que como mãe eu não conseguiria fazer isso com você; a amazona de Lincys falou. –Por isso pedi que esse cavaleiro completasse seu treinamento e me dissesse se você esta apta a herdar a armadura; ela completou.
-Acho que entendo, lembro que a senhora falou sobre como foi seu teste com meu pai, mas quem é o cavaleiro que a senhora se refere? –ela perguntou curiosa.
-É Mú de Áries, cavaleiro guardião do primeiro templo zodiacal do santuário de Athena; ela respondeu, surpreendendo a jovem.
-U-um ca-va-lei-ro de ou-ro? –Celina perguntou surpresa. –Mas a senhora não disse que todos haviam morrido.
-E morreram, mas essa parte da história quem vai lhe contar é o Mú, isso se você aceitar se tornar aprendiz dele; Ilyria falou com um olhar enigmático.
-Mas se eu aceitar não vou poder mais ficar perto da senhora? –ela perguntou chorosa.
-Não se preocupe, sempre que puder estarei com você, mas não vou interferir no treinamento que Mú vai preparar para você e tem mais, você irá para o santuário como uma amazona; ela completou.
-Sair de Jamiel, mas...; Celina foi cortada.
-É por pouco tempo que ficaremos longe, logo eu vou pra lá ficar com você; Ilyria tentou faze-la entender. –Alem do mais, Mú treinou comigo em Jamiel antes de me tornar amazona;
-Ah! Então é esse aquele cavaleiro que a senhora falou que era um grande amigo? –Celina perguntou animada.
-Sim, um ótimo amigo; Ilyria respondeu, sorrindo.
-Está certo, se a senhora confia nele, porque não; ela completou. –Quando parto?
-Não se preocupe, logo Mú virá aqui para avisar, fique tranqüila; Ilyria a acalmou.
-Tudo bem; Celina falou, vendo Ilyria se levantar.
-Bom, tenho algumas coisas para fazer, porque não dá uma volta na vila?
-Acho que vou mesmo; Celina respondeu seguindo a mãe para fora da casa.
II – Informações Demais.
Mal notaram que amanhecera, os dois arianos permaneciam sentados, um de frente para o outro.
-Mú, me desculpe por não ter lhe contado nada antes; Shion falou.
-Entendo como deve ter sido difícil para o senhor; o ariano falou, tão pálido quanto um papel, era informação demais para um único dia, na verdade passara a noite em claro ouvindo ambas revelações, que há um tempo atrás seriam a seu ver completamente impossíveis.
-Só os deuses sabem o quão difícil foram esses últimos anos, sem saber onde ela esta, sem ter nenhuma informação de seu paradeiro, se esta viva ou morta; Shion comentou, recostando-se na poltrona.
-"E agora, não posso simplesmente falar pra ele, 'Mestre a Ilyria ta viva, vivendo em Jamiel e você tem uma filha que por sinal, vai se tornar minha aprendiz'"; Mú pensou recriminando-se pelo sarcasmo do próprio pensamento. –Mas o senhor nunca a procurou? –ele perguntou, tentando saber o quanto o mestre sabia.
-A mais de dois anos atrás que eu mandei agentes ao Tibet procurarem por ela de maneira discreta, mas as respostas foram sempre negativas; Shion explicou. –Essa noite fui até o Tibet eu mesmo;
-O senhor foi? –ele perguntou espantado.
-Fui, encontrei um monge chamado Hiray, ele me disse que conheceu Ilyria, mas a cerca de dois anos ela saiu do Tibet sem dizer para onde ia, isso ocorreu após a morte de Miatsu, aquele monge amigo meu que pedira que eu a treinasse; Shion completou, como se lesse os pensamentos do pupilo.
-"Ele sempre a procurou"; Mú pensou com um olhar satisfeito. –"Agora Ilyria não tem motivos para adiar sua vinda ao santuário"; ele concluiu. –Mestre, me diga uma coisa;
-O que? –Shion perguntou, estranhando o olhar do cavaleiro sobre si, era um olhar indecifrável, dificilmente Mú agia dessa forma enigmática que nem mesmo ele sendo seu antigo mestre conseguia saber o que se passava pela mente dele.
-O que o senhor faria se encontrasse Ilyria? –ele perguntou casualmente.
-Mú, você sabe de alguma coisa por acaso? –Shion perguntou desconfiando, mas o ariano sabia que o mestre desconfiaria.
-Infelizmente não mestre, apenas tenho curiosidade; Mú respondeu com a cara mais deslavada do mundo. –"Detesto ter que mentir, mas agora as coisas só dependem da Ilyria"; ele pensou.
-Entendo; Shion murmurou, ignorando a possibilidade do ariano lhe esconder algo, afinal se ele soubesse seria o primeiro a contar-lhe; assim pensava ele. –Bem, não faço idéia; ele respondeu por fim.
-Entendo, não lhe culpo; Mú respondeu. –Ahn! Mestre, já amanheceu, infelizmente tenho que ir, deixei Kiky em Jamiel e nem ao menos o avisei que voltaria para cá; Mú falou, embora já soubesse que o pupilo a essas horas já estava em Rozan e não em Jamiel.
-Tudo bem, quanto tempo mais pretende ficar em Jamiel? –Shion perguntou.
-Talvez dois dias ou mais, não sei; ele respondeu vagamente.
-Está certo, faça boa viagem; Shion falou se levantando e sendo seguido pelo ariano.
-Até mais; Mú falou desaparecendo em seguida.
-"Ilyria. Ilyria. Aonde será que você esta se escondendo?"; Shion se perguntou, abrindo a porta do quarto para sair.
III – Um encontro casual.
Celina andava calmamente pela vila, o dia não estava tão quente, apenas agradável, porem a jovem não podia reprimir que vez ou outra uma discreta veinha saltasse na testa, toda vez que encontrava um garoto que mal sairá da puberdade assoviando e tentando lhe chamar a atenção.
Era incrível, que mesmo Hanay tentando convencê-la do contrario, ela não conseguia se interessar por nenhum daqueles garotos.
Estava tão imersa em pensamentos que mal notou que ao virar uma das ruas, outra pessoa fazia o mesmo caminho. Conclusão, ambos chocaram-se um no outro, porem a jovem teve o azar de escorregar num piso molhado, iria ao chão se ele não houvesse lhe segurado.
-Ahn! Me desculpe senhorita, não a vi; o ariano falou segurando a jovem pela cintura.
-Ahn! Tudo bem; ela respondeu sorrindo timidamente, para em seguida corar furiosamente ao ver em que situação eles estavam.
-Bem, acho que é melhor ficarmos mais atentos quando virarmos uma rua; Mú brincou, soltando a jovem que suspirou aliviada.
-Acho que sim; Celina respondeu, colocando as mãos para trás do corpo de maneira infantil. –Ahn! Tenho que ir, com licença; ela falou tentando se afastar.
-Só um minuto; Mú falou, detendo-a. Celina estancou, voltando-se pra ele.
-Sim;
-Por acaso você se chama, Celina? –ele perguntou, olhando a jovem de cima a baixo, reconhecendo a encarnação do mestre vestindo saia; ele não pode evitar o pensamento maroto.
-Você me conhece? –ela perguntou desconfiada.
-Deixe que eu me apresente; Mú falou com um sorriso sereno, aproximando-se da jovem e tomando-lhe uma das mãos. –Mú de Áries; ele completou depositando um beijo ali.
-Você é o cavaleiro de ouro que treinou com a minha mãe; Celina falou, visivelmente empolgada.
-Sou; ele respondeu com um meio sorriso.
-Ótimo, espero que não esteja ocupado; Celina falou rapidamente, segurando o cavaleiro por um dos braços e arrastando-o dali.
-Como? –Mú perguntou confuso, diante da atitude da jovem. –"No gênio ela puxou a Ilyria, sem duvidas"; ele pensou balançando a cabeça.
-Minha mãe disse que você me contaria como os cavaleiros voltaram a vida e principalmente o que eu quisesse saber sobre meu pai, então por gentileza comece; ela falou num fôlego só, porem a ultima parte soou mais como ordem.
-Não acha melhor irmos com calma? –Mú perguntou, enquanto ainda era arrastado pela jovem até uma pracinha não muito longe do centro da vila.
-Tenho todo o tempo do mundo; ela respondeu com um sorriso animado. –Alem do mais, minha mãe disse que é você que vai terminar meu treinamento e que teria de ir ao santuário; Celina começou, recebendo um aceno afirmativo vindo dele. –Então, quando o treinamento começar suponho que você não vai ter tempo para me contar tudo, então quanto antes começarmos, mais rápido terminamos; ela falou como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
-"Vai ser um longo dia"; o ariano pensou.
IV – Surpresas.
Acabara de acertar as coisas com Celina e Ilyria sobre a vinda da jovem até o Santuário, mas ainda faltava uma coisa a resolver. Precisava falar com Athena sobre isso, mas sem que o mestre soubesse da pequena surpresa que o esperava.
Ainda não acreditara em tudo que estava acontecendo e que fora praticamente designado por Ilyria a 'cuidar' da filha e terminar seu treinamento. Celina era a mistura de Shion e Ilyria de forma perfeita, o gênio da mãe, impertinente e geniosa, porem era muito parecida com Shion.
Só esperava que o mestre não visse a ligação enquanto Ilyria não chegasse, mas por um lado às coisas ficariam mais fáceis, Celina já sabia de tudo, Ilyria não lhe escondera nada sobre o passado e a jovem concordava em manter-se impassível até os pais se acertarem.
Mú subia praticamente às pressas as escadarias dos templos, de certa forma esquecera-se completamente que agora poderia usar telecinese para chegar no ultimo templo. Já que Athena autorizara isso.
-Mú, há quanto tempo? –Kanon comentou, vendo-o subir as presas e passar pelo Templo de Gêmeos quase correndo.
-Não muito Kanon, mas como vai? –ele perguntou visivelmente animado.
-Bem, mas e você, parece mais animado, esta acontecendo alguma coisa? –o geminiano perguntou curioso.
-Se eu contasse você não acreditaria; ele respondeu rindo.
-"O Mú esta diferente"; Kanon pensou, vendo o jeito descontraído do cavaleiro.
-Mas depois eu te conto, tenho que falar com Athena e resolver algumas coisas primeiro; o ariano completou.
-Está certo, até mais; Kanon falou despedindo-se e entrando no templo, ainda pensando no que poderia ter acontecido com o amigo.
-o-o-o-o-
-Como vai Mú? –Saori perguntou com um doce sorriso, recebendo o cavaleiro.
-Melhor impossível senhorita; ele respondeu, sorrindo.
-A que se deve a sua visita? –ela perguntou deixando os papeis em cima da mesa da biblioteca e prestando a atenção nele. Havia algo diferente, um brilho mais vivo no olhar.
-E o mestre? –ele perguntou não vendo Shion ali.
-Visitando o vilarejo com alguns cavaleiros; Saori respondeu.
-Bem senhorita, preciso lhe pedir algo muito importante; o ariano começou.
-Algum problema? –Saori perguntou preocupada.
-Pelo contrario, apenas gostaria que não contasse nada sobre essa conversa ao Mestre Shion? –Mú pediu. –Digamos assim que a surpresa vai ser melhor; ele completou com um sorriso maroto.
-O que está tramando Mú? –Saori perguntou, curiosa.
-Me promete? -ele insistiu.
-Tudo bem, não vou falar nada, mas me diga estou curiosa; ela falou ansiosa.
-Bem... Gostaria de pedir permissão para terminar o treinamento de uma amazona em particular; ele falou ficando serio.
-Uma amazona; Saori murmurou. –A que constelação ela pertence?
-Áries e Lincys; Mú respondeu. –Porem é pela armadura de Lincys que ela quer lutar;
-Pensei que essa armadura estivesse perdida; ela comentou, lembrando-se do que Shion lhe dissera há um tempo atrás.
-Essa jovem passou boa parte da vida treinando para conquistar essa armadura, gostaria de saber se posso terminar seu treinamento? –ele insistiu.
-Fico feliz que tenha resolvido treinar uma amazona, são poucos os cavaleiros que fazem isso, fique a vontade para trazê-la ao santuário; Saori respondeu.
-Muito obrigado; Mú respondeu numa respeitosa reverencia. –E se não se importar preferia que ela permanecesse no templo de Áries, eu gostaria de evitar que algumas amazonas que vivem no vilarejo comecem com as represálias, pelo menos até conseguirmos arrumar uma forma de resolver isso sem mandá-las para a 'Ilha'; ele completou, com um olhar cúmplice.
-Não tem problema, faça como quiser, pode até ser melhor para ela passar esse tempo no seu templo, habituando-se às regras e ficando longe de pervertidos; Saori comentou abafando um riso.
-Obrigado mais uma vez por me lembrar desse detalhe; Mú falou balançando a cabeça. –Ainda tem o Escorpião, mas creio que já sei como resolver isso; o ariano comentou com um meio sorriso.
-Mas o que essa jovem tem de tão especial, para que você me faça prometer não contar nada para o Shion? –Saori perguntou intrigada.
-Bem, a história é meio longo; ele começou com um meio sorriso.
-Pode começar, sou toda ouvidos; a jovem deusa falou se acomodando mais na poltrona que estava sentada e indicando outra a ele.
Continua...
