Após ser jogado de um lado para o outro, Ronald acabou despertando enquanto era arrastado por dois comensais. Ele estava com seus braços
amarrados por cordas que os comensais não tinham no momento ou ele não percebera. Provavelmente um incarcerous, pensou. Decidindo o que
fazer, resolveu que pôr um momento, ele iria se fazer de desacordado e aproveitar para ver e ouvir o que eles quisessem lhe mostrar.
- Então esse é o tal Weasley? – disse uma voz pedante – Não parece tão durão assim. Vocês conseguiram capturá-lo.
- Muito engraçado Nott. Não vejo qualquer um de vocês se mexendo para fazer alguma coisa para acabar com os traidores do sangue – disse
outra voz, em burla.
- Isso é claro, porque nós temos subalternos para fazer isso por nós... em outras palavras, vocês! Agora levem-no às masmorras. O Lorde irá vê-lo
quando desejar.
Assim que foi deixado sozinho, devidamente acorrentado a grilhões mágicos, o jovem ruivo resolve contestar a voz constante em sua mente.
Porém, contrariamente ao esperado, a voz não vinha de sua consciência, mas do receptor em sua orelha direita, maneira pela qual, Kingsley e os
outros poderiam saber o quê estava se passando com ele e interagir. A voz constante em sua mente era a de Hermione Granger, que o chamava
há alguns minutos.
- Ronald, responda... Ronald!
- Pequeno 14, para Grande Pai 20. Na escuta?
- ... Pequeno o quê? Grande Pai? Do quê você está falando?
- E se supõe que eu deveria ser o filho de bruxos puro sangue sem noção do mundo trouxa... depois eu explico – comentou bufando.
- Onde você está? Por que não respondeu antes? Está ferido? – começou a enxurrada de perguntas.
- Herms, tô te ouvindo desde o primeiro grito. Só não podia responder até agora. Fala mais baixo. No momento estou em uma masmorra,
algemado à parede pelos pulsos; não é confortável e as instalações deixam a desejar. E continuo quase tão ileso quanto no começo dessa
história. Como está Gabrielle.
- Está bem, Bill e Tonks estão pesquisando sua memória em busca de quaisquer informações que possam lhe ajudar.
- Certo. Mantenham silencio de comunicação por enquanto. Estou ouvindo passos.
Os sons do mundo exterior eram uma mistura de passadas, lamentos e choros, vindos das outras celas e risadas sádicas. Quando a porta se
abriu, uns totais de 4 comensais estavam diante dele.
- Ora, ora... ouvimos falar que você foi capturado... eu pensei em passar para lhe dar um alô – disse um comensal, sarcástico.
- Desculpe, mas quem é você? – perguntou o ruivo, com indiferença.
- Blaise Zambini, Weasley... vai me dizer que esqueceu?
- Não é como se eu prestasse muita atenção em você realmente – espetou, com um bocejo, fazendo com que os outros comensais rissem de
Zambini.
- Não se preocupe, você provavelmente se lembrará do meu nome na hora de pedir clemência! – cuspiu o comensal – Isso é claro, depois que o
Lord das Trevas terminar com você.
- Como estamos animados... – comentou surpreso o ruivo – cara, guardar tanta raiva dentro de você pode subir sua pressão arterial. Devia
tentar...
- Cale-se! – gritou, enquanto os outros comensais gargalhavam às suas custas – e vocês, imbecis, levem-no de encontro ao nosso Senhor.
Enquanto os outros dois retiravam-lhe os grilhões, os dois restantes o mantinham na mira de suas varinha.
- Pelo visto, não conseguiu escapar desses grilhões – disse um comensal se aproximando – não é tão bom mago quanto ouvi nas histórias. –
completou com um sorriso.
- A verdade é que eu nem tentei... se quisessem me matar, já o teriam feito. Logo pensei, se não querem me matar, em algum momento irão
retirar essas algemas.
-Vamos! – vociferou Zambini, enquanto o cutucava com a varinha – um movimento em falso e você está morto.
Andaram pelo corredor, onde o jovem pôde ouvir gritos de misericórdia e risadas insanas. Ao que parecia, esse era o lugar onde os comensais
faziam os interrogatórios. Se bem que ao ruivo, ele pensou que muitas dessas pessoas já tinham contado tudo o quê sabiam, há muito tempo.
Andando por corredores escuros, os 5 jovens andaram por diversos andares até chegarem diante de uma porta. A reverencia por aquele local que
os outros homens mostravam por aquele lugar, não deixou dúvidas ao ruivo. Ele estava perto de seu objetivo. Blaise Zambini entrou pela porta e,
depois de alguns segundos, voltou para buscá-lo; os outros comensais foram dispensados do acompanhamento.
Entrando pela sala ele viu que a sala que um dia foi de Rufus Scriegmore estava completamente mudado. Agora a única parede disponível era a
parede leste. Junto ao bruxo que, ele acreditava ser Voldemort, estavam outros comensais da morte. Provavelmente um círculo intimo, ou assim
eles acreditam. Segundo Alvo, aqueles que se juntavam à Riddle no começo acreditavam que eram dignos de confianças, quando na verdade eram
peões.
- Ora, ora! Vejo que temos um convidado especial. Imagino que você seja Ronald Billiius Weasley, não é? – disse um homem pálido e sem nariz,
cerimoniosamente.
- Sim, sou eu mesmo. Estaria correto acreditar que você é Tom Riddle? – retorna amistosamente o ruivo. Por um momento, o ódio parece destilar
do mago obscuro, mas ele apenas se controla e comenta.
- Então é esse o jeito que vocês encontraram para evitarem tremer ao ouvirem meu nome? Eu esperava que vocês fossem mais fortes que isso.
- Não me tire pela maioria. Como você se referiu à mim pelo meu nome de batismo, achei que seria educado fazer-lhe o mesmo. Honestamente,
não ligo se você se chama Tom Riddle, Lord Voldemort, Aquele-que-não-deve-ser-nomeado ou apenas João. Um nome é apenas um nome.
- Realmente peculiar você se mostra. Espero que perdoem meus associados pelo método que utilizaram para trazê-lo à minha presença.
- Honestamente, um convite para um chá teria sido igualmente efetivo. Estava curioso em conhecê-lo.
- Ora, obrigado pela cortesia. Terei isso em conta da próxima vez. Talvez você já conheça alguns de meus associados, mas é de educação que eu
lhes apresente: os senhores Macnair, Avery, Crabble e Goyle (pais), Rabicho, o casal Lestrange e por último e não menos importante...
- Não me fale, eu adivinho: cabelo louro platinado, cara de idiota estampada em uma cabeça em forma de batata e uma aura de bajulador... Lúcio
Malfoy, estou certo? – mandou Weasley. Como era de se esperar, o aludido não ficou nem um pouco feliz com a menção. Voldemort, no entanto,
estava realmente contente com isso.
- Vejo que você fez a lição de casa... realmente é um homem prudente, senhor Weasley. Mas tem alguns amigos seus dos tempos de Hogwarts
que querem lhe dar as boas vindas.
Da outra porta, surgiram dois comensais encapuzados, de aparência maciça, mais pareciam lutadores de sumô. Segundo as historias que ouvira,
poderia ter quase certeza que eram Crabble e Goyle Jrs. Os dois se adiantaram com varinhas em punho, prontos para atacar.
- Ouvi falar que sua magia é incomum. Logo pensei que seria de bom tom que fizesse uma demonstração para a elite bruxa.
- Nesse caso, que tal arranjar alguns oponentes que valham a pena? Esses dois não tem muita postura de quem sabem muita coisa... se apóiam
no tamanho deles e não em suas capacidades – disse Rony, enquanto se colocava em posição de luta.
- Sectumsempra! – disparou Crabble ao ruivo que esquivou com facilidade.
- Crucio! – tentou Goyle com o mesmo resultado.
- Collossus! – berrou o primeiro.
- Petrificus Totalus!
Mas era tarde demais, a cada feitiço lançado, o ruivo se aproximava um pouco mais dos comensais e os abateu com extrema facilidade; Goyle
levou um chute na ponta do queixo que o deixou inconsciente, enquanto Crabble teve seus pontos de pressão apertados e estava imóvel.
Voldemort estava aplaudindo.
- Bravo! Bravo! Realmente você não precisou de magia para derrotar esses dois. Estou surpreso com você e claro, decepcionado com eles. Acho
então que devo acatar sua sugestão e aumentar as apostas.
Enquanto isso na base da Operação Cimitarra, o grupo de resgate estava com o ouvido colado no rádio-escuta. À cada movimento do jovem ruivo.
Eles aguardaram com ansiedade ao ver como ele provocara Voldemort e como ele colocara as informações sobre o novo ponto de materialização
enquanto ofendia Lúcio. Esperaram apreensivos, enquanto ele lutava contra Crabble e Goyle. Então Gina sussurrou para seu namorado.
- Você entendeu o que ele está fazendo?
- Além de comprar uma morte lenta e dolorosa? – interrompeu Neville.
- Ele esta os irritando para que fiquem descuidados – comentou Harry – é arriscado, mas deve funcionar.
Todos os 3 olharam para a castanha que havia voltado de sua excursão com Kingsley pela memória de Percy. Ela estava ansiosa e tremia
levemente. Sua face expressou pavor, quando ela ouviu sobre quem enfrentaria o seu amado a seguir:
- Grayback! – falou Bill, com raiva.
No ministério, Fenrir Grayback entrou por uma porta em sua forma lobisomem. Estudando o ruivo por um tempo, ele apenas ajeitava a distância
para o salto.
- Ele não é um de seus antigos colegas de Hogwarts, mas ele possui uma conexão com você: ele era amigo pessoal do lobisomem que você matou
na floresta – falou Lúcio.
Avaliando o oponente, Rony viu os olhos de Grayback e pegou um exemplar do Profeta Diário que estava próximo à uma poltrona, enrolando-o
como um maço. De repente, o lobisomem pula para cima do jovem com grande rapidez. Em um segundo, o jovem comparou-o com um flash
fotográfico e pensou ser ele ainda mais rápido. Quando o ser estava por aterrissar em cima do rapaz, ele saltou para o lado com velocidade e
graça, não antes de acertar a cabeça de Grayback com o exemplar do Profeta.
- Cãozinho mau! – disse, enquanto esquivava de um novo ataque, bloqueando uma garra com o braço, enquanto a outra mão socava o peito do
lobisomem. Infelizmente, o ruivo descobriu que os músculos de seu oponente pareciam feitos de concreto. Uma bocanhada foi evitada com
dificuldade no ultimo segundo, mas isso não impediu que Grayback tivesse sua mandíbula fechada com um gancho de direita. Por sua vez, ele
conseguira rasgar as vestes do jovem, abrindo alguns arranhões severos em seu estomago. Tomando uma posição distante, ambos combatentes
voltaram a se estudar em busca de uma brecha. O comensal atacou novamente e foi esquivado com facilidade, enquanto tomava um contragolpe
na forma de uma voadora giratória, vingando-se com uma rasteira. Quando saltou para morder o oponente caído, acabou abocanhando o Profeta,
enquanto o ruivo socava seu pescoço, para que ele perdesse o fôlego.
- Chega! – pronunciou Riddle – já vimos o que você pode fazer. Fenrir, terminamos por hoje.
- Isso só começou, cabelo de fogo! – rosnou o lobisomem, enquanto saia de cima do jovem.
- Quem é um bom garoto? Quem é um bom garoto? É sim. É você sim. – disse o rapaz, olhando para o lobisomem com humor, enquanto este
continuava lhe encarando como se quisesse matá-lo.
- Reconheço que suas habilidades são incríveis, jovem Weasley. Contudo, falta-lhe visão.
- Poderia conceituar melhor a questão, Voldemort?
- Seu Maldito! Como ousa pronunciar o nome de nosso senhor com essa boca de sangue impuro? – guinchou Bellatrix Lestrange.
- Silencio Bella.
- Sim Milorde.
- Como eu dizia, falta-lhe visão. Você e seus amigos conseguiram se organizar claramente e estão nos dando um certo incomodo, atacando meus
comensais da morte...
- Obrigado! É como diz aquele velho adágio: "servimos bem, para servir sempre!" – interrompeu o homem.
- Contudo, não passam disso: um incomodo. Para cada comensal que vocês tiram de circulação, mais três me juram lealdade. Faça as contas... é
só uma questão de tempo.
- Ou de um maior esforço. Se bem que você poderia mandar mais comensais para suas missões, aí nós derrotaríamos mais do que já derrotamos
e, quem sabe, com um pouco de sorte, eles param de brotar do chão – sorriu Rony.
- E você já pensou por um segundo, que pode estar lutando pelo lado errado?
- Como assim?
- Ora pense bem: você é um mago diferente de seus amigos aurores. Alguém que não tem medo de sujar as mãos quando necessário. Alguém
que é determinado e forte. Pensa bem sob pressão. É astuto como uma cobra... em suma: você é quase um de nós – Voldemort sorri sedutor –
nunca pensou em estar do outro lado?
- Honestamente, sim. Quando voltei para Londres, me perguntei qual era o lado certo dessa guerra... mas aí me lembrei de um velho amigo que
me disse como se pode definir um herói.
- E como seria? – perguntou Tom Riddle.
- É aquele safado que faz umas p#$&s heróicas. Mesmo quando não se exigem dele. Além disso, a história é escrita pelos vencedores... logo me
resta derrotar vocês e escrever a história – completa tranquilamente. Todos os comensais na sala riram estrepitosamente.
- Reconheço que é um homem otimista para dizer o mínimo. Aceita um chá? – disse o mago obscuro, sinalizando-lhe uma cadeira – ouvi dizer que
você foi atingido por uma sina, enquanto procurava uma de minhas horcruzes. É verdade?
- Sim foi isso mesmo... ao que parece, eu decifrei a Sina que colocaram como proteção e descobri como anulá-la.
- Isso é muito raro. Deve ser o primeiro que consegue isso.
- As pessoas me disseram isso. Mas não acredite em tudo o que elas falam.
- E você foi treinado por bruxos estrangeiros.
- Em termos simples, sim.
- E acredito que eles lhe pintaram um quadro do que está acontecendo aqui. Um quadro no qual nós somos os injustos.
- Na verdade não. Eles deixaram que eu decidisse o meu caminho. Você deve conhecer o conceito de livre arbítrio, quando morou no orfanato.
Nesses locais eles costumam pregar a doutrina católica.
- Eu estive sempre além desses conceitos mundanos. Então devo supor que se eu lhe perguntar algo sobre uma informação que eu quero saber,
você não me responderá.
- Temo que não – sentenciou o ruivo.
- É uma pena saber disso. Bella, poderia ter a bondade? – pediu como quem pede ajuda para pegar uma folha.
- Império! – gritou a mulher, enquanto o raio atingia o ruivo, fazendo com que seus olhos ficassem opacos e o globo ocular lentamente ficasse
leitoso. Todos estavam satisfeitos com a maldição na sala quando, para surpresa de todos, o jovem levantou-se e começou a andar cambaleante
em direção à Lestrange com os braços esticados e dizendo:
- Stars!!
Assustada pela visão, Bellatrix, tentava inutilmente pará-lo: Detenha-se! Detenha-se! Maldito seja, pare de uma vez!
- E então... o que acharam da minha imitação de zumbi? – perguntou o ruivo, fazendo com que os olhos leitosos voltassem a ficar tão azuis quanto
antes.
- Mas... mas... eu amaldiçoei você! – gritou desesperada a comensal.
- Sim, você o fez. Mas isso não funciona comigo.
- Como...? – perguntou Rudolph Lestrange, vendo o estado de sua mulher.
- É uma questão de mente forte... não acredito que nenhum de vocês consiga – diz, apontando para os comensais presente – já Voldemort seria
uma outra história.
- Obrigado pelo elogio.
- Não é um elogio. É uma constatação. Pessoas como nós somos muito centradas em nós mesmos para permitir esse tipo de manipulação. No seu
caso, nem outros sentimentos como companheirismo, amizade, amor, entre outras. É por isso que eu lhe digo: não precisa chamá-los de
associados. Pode chamá-lo de lacaios mesmo.
- Império! – gritou novamente Bellatrix, com resultados iguais após alguns segundos. – Nesse caso, veremos se as outras maldições imperdoáveis
não funcionam em você. Crucio!.
Gina, que já amparava Hermione depois da luta contra Grayback e a maldição Império, olhou assustada para Bill. Todos se preparavam para ouvir
os gritos de agonia de Rony, mas não ouviram um único gemido. Ao ver Remo chegar, Hermione suplicou para irem ao resgate.
- Remo, precisamos tirá-lo de lá agora.
- Não podemos Hermione. Se sairmos daqui e regatá-lo, estaremos invalidando o esforço que ele fez para...
- Foda-se o esforço! Eu o quero vivo! Eu estou falando da vida dele. Nenhuma informação vale isso!
- Shhhh. Escutem – sussurrou Harry, que estava tão preocupado como os outros. Mas não deixava transparecer isso. confiava em seu sensei e
entendia a mesma devoção que ele tinha para com o dele. Eles eram amigos e já enfrentaram com valentia comensais da morte quando ainda
estavam na escola. Mas isso tudo foi antes e ele sempre estiveram juntos. Ele agora estava sozinho e cercado de comensais e ainda assim não se
rendia nunca, tampouco desistia. Seu trem de pensamentos foi quebrado pelas palavras do ruivo no rádio-escuta.
- Desculpe... eu perdi... alguma coisa? – disse com evidente dificuldade.
Voldemort estava oficialmente furioso. Nada que ele fazia, conseguia quebrar aquele homem de Dumbledore à sua frente. Mesmo em clara
desvantagem numérica, ele continuava desafiando-os e agora, nem ao menos as maldições estavam ajudando. Agora o jovem ruivo conheceria a
força da varinha poderosa.
- Crucio! – gritou aquele que um dia foi chamado de Tom Marvolo Riddle.
Dessa vez, a dor foi ainda maior do que ele lembrava ser possível. Sentia como se não suportasse ficar calado, mas ainda assim, decidiu como
seria seu grito:
- ISSO! COÇA UM POUCO MAIS PRA CIMA! B-E-L-E-Z-A! – gritou com toda a sua força. Quando a tortura parou, ele sentia seus músculos como
geléia e com muito esforço, conseguiu se incorporar. Respirando com dificuldade, ele procura manter contato visual com o Lorde das Trevas.
- Vejo que sua pose foi quebrada – disse o oponente, feliz – agora está preparado para dizer-nos onde está o bastão de Watoomb?
- Nunca ouvi falar. E obrigado por me avisar o que devo procurar.
- É agora! – disse Bill enquanto Hermione se concentrava para abrir o portal – Que os caninos de Hagatooth... – calou-se ao ouvir a voz irada de
Voldemort.
- Avada...
- Accio bandeja de... – gritou Rony.
- Keda...
- ...prata!
- ...vra!
Na antiga sala de Rufus Scriegmore, o tempo pareceu se deter. Todos viram como o mestre das trevas foi enganado em seu próprio jogo por um
garoto que mal atingira a maioridade. Malfoy, se lembraria disso anos depois com um sorriso. A maioria dos comensais que sobrevivessem à
guerra olhariam esse momento histórico como sendo decisivo. O dia em que alguém fora mais esperto que o homem que não-devia-ser-nomeado.
Todos viram a fúria de seu mestre invocando a maldição assassina, enquanto o jovem convocava uma bandeja de prata, que estava na sala.
Todos viram como a maldição se dirigia ao ruivo que apanhou a bandeja como escudo e rebateu a maldição, mandando-a para cima de Nott. Uma
das coisas que todos sabiam dos tempos de colégio era que alguns metais tinham a capacidade de influenciar as propriedades mágicas. O que a
maioria deles não sabia era que a prata era um desses metais. No entanto Rony sabia disso. Esse era o momento perfeito para gritar pelo portal.
- Apoio! – e todos na sala de briefing entenderam completamente a mensagem.
- Hermione, sentenciou Bill.
- Que os caninos de Hagatooth permitam que eu me transporte até o meu destino! – concentrou-se na parede leste, ignorando a imagem de um
jovem ruivo pedindo ajuda cercado de comensais – Neville, vai!
Sem esperar uma segunda ordem o jovem entrou pelo portal e, ao sair jogou sua recente criação: o Big bang. A poção era uma mistura de pó de
dente de dragão com essência de explosivim mas sumo de mandrágora e curare, uma raiz brasileira que os índios usavam para envenenar suas
flechas. O curare era um ativo de ação incapacitante, o que pretendia fazer com que os comensais tivesse seus movimentos imobilizados. Junto à
fórmula estão, Neville tinha aceitado a sugestão de Rony, cristais de magnésio, que formavam o clarão cegante e permitia que os alvos fosse
momentaneamente cegados por alguns segundos.
O clarão do Big bang colocou os comensais atônitos pela surpresa. Isso permitiu a entrada dos outros membros da O.C. na sala. O grupo era
composto de Harry, Mione, Gina, Fred, Jorge e Bill, que ao ver a situação do caçula, decidiu vir ou vir. Todos de varinha em punho para qualquer
eventualidade. O plano era entrar, imobilizá-los, pegar o alvo e sair. Neville, contudo, teve outras idéias; ao ver Bellatrix Lestrange sob efeito do
Big Bang, começou a lhe aplicar um cruciatus atrás do outro, como vingança. Isso tirou os comensais que não foram atingidos pela poção de seu
estado de choque, causando agora uma feroz batalha.
- Sectumsempra – mandou Rudolph Lestrange, para salvar sua mulher da fúria de Neville. O feitiço atingira o jovem no braço, fazendo-o perder a
concentração.
- Desmaius – gritou Gina para um comensal.
- Protego! – revidou este, para a ruiva.
- Expeliarmus! – gritou Harry para Malfoy.
- Incarcerious! – proferiu Bellatrix para Nevile, que conseguiu desviar.
- Império! – sentenciou Nott, para Bill que estava cuidando de Avery. Rony entrou no caminho da Maldição e conseguiu anulá-la com sua força de
vontade.
- Crucio! – Gritou Voldemort para Harry. sua irmã adotiva protegeu seu flanco esquerdo.
- Difindo!
- Aquamenti! - mandou Fred, lembrando-se da estratégia que seu irmão usara quando os enfrentara, nos jardins de Hogwarts. Sem dizer uma
palavra, Jorge concluiu o ataque.
- Electricus!
Rony voltou à luta, nocauteando Malfoy e Nott. Correndo em direção aos comensais que ainda estava de pé, ele começou a desferir alguns golpes,
quando foi pego por um sectumsempra, vindo de Voldemort. Esse feitiço rasgou a barriga do ruivo, deixando a mostra partes de seu estômago.
- Um ataque surpresa, que curioso. Ousado devo dizer. Estou muito impressionado com seu modo de pensar, jovem Ronald.
- Obrigado... – disse enquanto segurava o conteúdo de seu estômago com uma mão e sangrava profusamente.
- Crucio! – gritou Harry em direção de Voldemort, forçando-o a lutar contra o jovem, enquanto Ronald conjurava as faixas escarlates para envolver
sua barriga. Isso ia segurar o ferimento por um tempo, mas ele precisava reagrupá-los para poderem sair dali. Jorge o puxava pelos braços,
enquanto Fred cobria-o quando ele ficou de pé, viu que só precisavam resgatar Neville e Harry, que duelava em pé de igualdade contra Voldemort
- Fred, vá por Neville, eu salvo Harry.
- Mas você... – começou o gêmeo.
- Agora! – vociferou e seguiu seu caminho. Quando chegou até onde o moreno estava, o jovem pronunciou:
- Refluxus! – e uma barreira púrpura se meteu entre os dois. Voldemort enviou um Crucio, mas este bateu na barreira e retornou a ele – vamos
Harry, a barreira vai nos dar cobertura.
Com tanta preocupação, o jovem Weasley não viu que era observado por alguma coisa. Esta veio furtivamente até onde ele e seu amigo estavam
e pulou em sua jugular, cravando suas presas nele.
- Nagini! – gritou Harry – Neville!
E em um movimento decidido, o jovem filho de Frank e Alice Longbottom sacou a espada de Griffyndor e decapitou-a com extrema perícia, mal
tocando no corpo de seu professor e amigo. Uma imagem de Voldemort em sua semivida, anterior à recuperação de seu corpo povoou a sala.
- Hermione, Rony está ferido. Abra o portal – pediu Bill, quando viu que todos estavam juntos. A castanha não se fez de rogada e abriu o portal.
Para St. Mungus.
- Meu senhor! - foi ter a ele, uma fanática Lestrange, enquanto o tomava com carinho e devoção. O homem que fora Tom Riddle a afastou com
rudeza.
- Saia de perto de mim! Vocês não conseguiram dar conta de um punhado de crianças! Felizmente, Nagini deu sua vida para cuidar do bastardo
Weasley. Ele pode ter escapado da Sina, mas não sobreviverá ao veneno de minha Horcrux.
Quando todos os atuais habitantes do hospital de St. Mungus se assustaram ao ver repentinamente um portal de luz se abrir em pleno ar e um
grupo de pessoas procuradas pelo atual governo. Uma delas inclusive estava marcada como inimigo público numero 1. O que era engraçado vindo
de um garoto tão franzino. Apesar do lugar ser vigiado por um verdadeiro lote de comensais, todos foram pegos de surpresa. Os jovens que se
teleportaram, não estavam em melhor situação. Um silencio incomodo surgiu entre eles até que Gina pensou rápido:
- Saiam daqui! – gritou – nós temos uma bomba e vamos explodir o lugar!
Nem foi preciso um segundo aviso, toda a multidão começou a se encaminhar para a saída, causando tumulto e pânico generalizado. Isso deu ao
grupo um tempo precioso.
- St. Mungus, Mione?! – gritou Bill – quer que prendam a gente?!
- Quando vocês falaram que ele estava ferido eu...
- Esqueçam – apartou Jorge – Harry, o que aconteceu com ele?
- Ele foi picado por Nagini. Neville, procure nos quartos um benzoar. Isso deve salvá-lo.
- Eu... ainda... não estou... morto – sussurrou o caçula, que era amparado por Fred – boa... jogada... irmãzinha...
- Aprendi com o melhor – disse a ruiva, verificando a condição dele – Eu tomo conta aqui. Fred, procure ataduras e me dê sua camisa, vamos fazer
uma compressão na barriga dele.
dois minutos depois, o tempo se esgotara. A prova disso é que Neville Longbottom vinha correndo pelo corredor com alguns benzoares nos braços
e esquivando-se de feitiços. Fred estava armando uma barricada com os moveis que tinham à disposição. Jorge cobria Neville e Harry saqueava
algumas poções aleatoriamente.
- Mione, abra o portal. Agora!
Após o pedido de Gina, a castanha se concentra uma, duas vezes e... nada.
- Não consigo! – gritou desesperada.
- Como assim?! - voou pra cima dela, Bill.
- Não consigo me concentrar – sussurrou.
- Gina, Rony pode fazê-lo? – perguntou seu namorado.
- Ele mal está consciente. Ele alterna seu estado entre consciente e inconsciente. – Ennervate! – soltou o feitiço e fez com que o ruivo abrisse os
olhos – Ronald, Hermione não consegue abrir o portal, acha que pode fazê-lo?
- ... Tele... porter – sussurrou o ruivo. Após nada aparecer, ele resolveu colocar toda a sua força em um único grito – TELEPORTER!
No mesmo instante, um portal se abriu e os membros da operação cimitarra, não perderam a oportunidade de ingressar nele. Quando saíram do
outro lado, notaram que estava sob um sol escaldante, mesmo no início da tarde. O lugar indicava não haver presença humana, além de um velho
aborígine que os observava sentado em uma pedra. Como mais velho, Bill dividiu-os em funções.
- Muito bem... para onde Rony nos levou? Gêmeos, examinem o perímetro. Temos que saber se há comensais por aqui. Harry... Neville, montem
uma barraca. Precisaremos de sombra para o Rony. Gina, acorde-o outra vez. Precisamos saber onde ele nos trouxe.
- E eu? – perguntou Hermione.
- Informação. Veja se há alguma pista local para descobrirmos onde estamos.
Nesse momento, o jovem caído começa a ter uma convulsão.
- Neville, cadê o maldito benzoar! – gritou Gina – Bill, não consigo acordá-lo. Precisamos fazer alguma coisa.
- Droga! Precisamos de uma boa idéia!
Enquanto Neville jogava a pedra para que gina colocasse na boca de seu irmão, uma jovem castanha pensava em tudo, enquanto observava a
paisagem árida de um deserto. Deserto? Com um velho aborígine sentado em uma pedra. Rony a contara mais de uma vez aquela passagem da
vida dele. Se o Sol já estava no meio de seu caminho costumeiro e eles saíram do Ministério no começo da madrugada, isso queria dizer que onde
quer que eles estivessem, tinha obviamente, o fuso horário de algumas horas. Olhando para o ruivo que, apesar do benzoar, ainda se debatia e
babava. As conexões de seu local atual foram deixadas para sua mente
- Estamos na Austrália! – disse a jovem – se meu palpite estiver certo, estamos a dois dias da civilização. Esse é o lugar onde Rony esteve com
seu mestre, antes de embarcar para Londres.
- O benzoar não está adiantando – choramingou Gina – eu estou ficando sem idéias.
- Dê-lhe essa poção! Informou Neville – isso poderá fazer com que vejamos suas veias e descobriremos o que está acontecendo.
Assim que a poção fez efeito, eles puderam ver que o efeito da pedra não era absoluto. Ela lutava contra o veneno, mas estava apenas vendendo
caro a derrota. Eles precisavam de um grande milagre para salvá-lo e Hermione sabia onde encontrá-lo.
- O senhor é Teleporter, o mago não é? – falou ao aborígine ao se aproximar – nosso antigo diretor, o Professor Dumbledore falou que você era
um dos anciões, um dos pilares da magia. Pode nos ajudar a salvá-lo? Pode não significar muito para você, mas significa muito para nós todos. Ele
significa tudo... para mim! – rogou a jovem. Teleporter não disse uma palavra, mas apontou para Harry, que estava dando assistência ao cunhado
– Harry!
Quando este se virou para ver sua amiga, viu que uma mão que apontava para ele. Em seguida, o aborígine apontou para a própria cabeça com
um dedo e deu leves pancadinhas como dedo em sua cuca.
- Ele parece querer dizer que você pode ajudar o Rony, se usar a cabeça... o quê ele quer dizer com isso?.... pensa Hermione, pensa... cabeça...
crânio... cérebro... mente... Legimens! É claro! Eu sou a burra mais burra que eu conheço, Harry também é um Legimens! Ele quis dizer que você
pode ler a mente de Rony!
- Mas eu nunca fiz isso intencionalmente... além do mais, de que adianta fazer isso se ele está ferido?
- Vamos, Harry... qualquer idéia é uma boa idéia nessa hora – cobrou Gina – faça o contrário do que lhe ensinou Snape.
- Humm... abrir a mente, relaxar... estender minha consciência – de repente, o jovem se viu em uma imensa sala branca com uma porta e
segurando-a fechada com suas costas, estava Ronald Weasley – Ei, deu certo!
- Porque demorou tanto, Harry?! – exigiu o ruivo.
- O que quer dizer com isso? Você planejou isso tudo?
- Eu fui picado por uma serpente! Uma maldita serpente que também é uma horcrux! Como você acha que isso estava no meu plano? Só imaginei
que você teria a idéia de ler minha mente algum momento.
- Por quê?
- Porque vocês precisam de uma idéia para ajudar o principal homem das idéias da equipe. Isso quer dizer que vocês teriam o pensamento que,
enquanto eu tivesse consciente já teria bolado um plano. Se conseguissem-no acessá-lo em minha mente poderiam utilizá-lo.
- E porque você está segurando essa porta?
- Essa é minha representação mental do meu sistema imunológico. Detrás dela está o veneno, logo estou barrando o veneno dentro do meu
corpo, impedindo-o de se espalhar.
- Então você tem um plano? – perguntou Harry surpreso.
- Eu sempre tenho um plano. E meu plano depende de Hermione. É um trabalho de precisão.
- Detesto ser estraga prazer, mas se é o caso você está morto! ela tem mãos de Parkinson. Gina tem mãos firmes!
- Mas ela não sabe abrir portais. A idéia é que Herms abra um portal nas veias e artérias onde o veneno está concentrado e sugue-os para fora
do meu corpo. Gina tem experiência como sanadora de emergência e ficará a postos para que ela não rompa meus vasos sanguíneas.
- Certo, mas pode ser muito sangue. Você só tem 3 litros no seu corpo, lembra-se?
- A baixinha pode me colocar em estase, enquanto ela induz ao coma, minha medula trabalha para repor o sangue e o benzoar auxilia a luta
contra o veneno que restar.
- Você me assusta. Não pode deixar nada para o azar?
- Não. E caso dê tudo errado, lembre-se de descobrirem o quê é o bastão de Watoomb. A missão é mais importante que um indivíduo.
Saindo do transe, o moreno foca o olhar em seu amigo e assente.
- Hermione, você tinha razão... ele tem um plano. Você precisa abrir um portal nessa artéria para retirar o sangue que está contaminado. Se
retirarmos a maior parte do veneno, o benzoar e o sistema imunológico de Rony podem fazer o resto.
Todos olharam para a jovem que tinha o rosto tomado pelo terror. Coube à Bill tirá-la do estado de choque pela notícia.
- Elegante, heróico e estúpido. É com certeza um plano dele. Hermione, pode executar o plano.
- Mas...
- Ele confia em você e isso para nós é suficiente. Se ele acha que você pode fazer isso, nós vamos acreditar nisso.
- O portal é muito grande. Posso cortar uma artéria por acidente!
- É por isso que Gina está aqui, Mione –contestou Harry – Rony já tinha pensado que se algum de nós se ferisse, precisaríamos de alguém que
tem habilidades como sanadora. Ele só não esperava que fosse ele o ferido. Você ficou falando do quanto precisava dele, quando ele estava na
América, lembra? Pois é hora de mostrar que pode estar com ele para o que der e vier. Você pode fazê-lo. Se acreditar em você.
- Certo Hermione, lembre-se das aulas... o portal pode ter a forma e o tamanho que você quiser... Gina, qual o tamanho que você acha que eu
devo tentar?
- Concentre-se nas artérias, abra o portal com meio milímetro de diâmetro. Se necessário depois aumentaremos.
Procurando manter suas mãos firmes, a jovem abriu o portal na veia jugular, a mesma onde a picada de Nagini acontecera. Alguns metros para
frente na mesma clareira, o sangue negro saia do portal. Tudo ia bem até que um ligeiro tremor da castanha fez com que ela rompesse o vaso.
- Droga! – criticou-se, exigindo maior dedicação.
- Não se preocupe, estou com você à cada passo do caminho. Nada que você faça não pode ser consertado se agirmos juntas. Somos uma família
e estamos todos aqui. Certo, rapazes? – exigiu a ruiva.
- Ela tem razão, Hermione – disse Harry – agora se concentre.
A jovialidade de Rony parecia ter abandonado ele junto do sangue envenenado. Ele estava pálido, mas não convulsionava mais. Embora o veneno
da cobra fosse mágico, algumas leis da física não podiam ser quebradas e o veneno não podia se reproduzir. Desse modo, após dez minutos de
esforço ininterrupto, a maior parte do veneno estava fora do corpo do jovem. No entanto, junto dele tinham saído quase metade do sangue do
ruivo.
- Gina, coloque-o em estase. Isso dará a Rony, um meio de sua medula produzir sangue. Bill e eu nos encarregaremos de levá-lo para dentro.
Assim que entraram na tenda, Hermione permitiu-se colapsar. Sentia-se tão vulnerável quanto na vez que teve que alterar as memórias de seus
pais para salvá-los da guerra. Naqueles dias, o ruivo esteve ali para ela. Agora, ela esteve ali para ele. Nunca imaginou que isso seria tão
desgastante física e mentalmente, mas agora acabara. Estava tudo nas mãos dele.
- Não se preocupe, ele em breve levantará daquela cama esbanjando energia e pronto para suas discussões – disse Fred, enquanto a abraçava.
- Você pensou rápido, cunhada. Enquanto todos nós só olhávamos aquele cara ali como se fosse parte da paisagem, você conseguiu se comunicar
com ele, resolver um enigma e fazer uma operação mágica. Nada mal para um dia de trabalho – completou Jorge – Agora é melhor você descansar.
Foi uma noite difícil para todos nós e faremos turnos para cuidarmos de Roniquinho.
- Mas...
- Sem mas... você precisa estar descansada para sua vigília. Quem sabe Merlin não está do seu lado e você pode despertá-lo com um beijo, no
melhor estilo contos de fada?
- Odeio vocês, sabia? – disse a jovem, derrotada. Embora sua boca proferisse tais palavras, o sorriso em sua cara dizia outra coisa. Sorriso este
que foi acompanhado pelos gêmeos.
Dois dias depois, um enfermo Ronald Weasley acordou de seu coma induzido para ver outro Ronald Weasley olhando para ele.
- Taí uma coisa que... não se vê todo dia – sussurrou, arranhando sua garganta.
- Ronald, sou eu... Hermione. Tive que assumir sua identidade com uma poção Polissuco para poder comprar comida. Seus irmãos não sabem como
usar um cartão de crédito. Aliás, como você conseguiu um cartão de crédito internacional?
- Quando... você tem dinheiro...por que não ter um cartão de crédito?
- E como você consegue dinheiro trouxa?
- Eu ganhei de presente uma cesta de ações de um de meus professores. Por ventura, essas ações eram de uma multinacional que ele possui.
Além disso, não dá para criar uma identidade como agente do M.I. – 5 sem ter dinheiro indo para a conta. Seria suspeito.
- Uau! Isso é incrível!
- Mas... você tem razão... eu devia ter ensinado meus irmãos à usar o cartão... se bem que... devo admitir... você está linda.
- Bobo – sorriu a castanha – eu estava tão... preocupada – começou a soluçar.
- Não se preocupe... eu estou aqui... e lhe devo minha vida... – tentou levantar-se, mas sentiu uma tontura. E voltou a deitar.
- Você ainda não está recuperado. Precisa descansar mais, mas eu não conseguia vê-lo dormir, sem saber se você estava bem.
- Então você me despertou? Sempre ouvi que você era adepta às regras.
- Mas também sou curiosa. Eu queria fazer uma pergunta: como você pôde fazer um accio? Você não estava com sua varinha.
- Pode me emprestar um pinça? Já lhe explico. – disse quando pegou a pinça, começou a tirar do dedo mínimo da sua mão direita uma farpa de
madeira.
- Use sua varinha e aumente essa farpa, por favor.
- Ampliatus! – disse a jovem e a lasca revelou-se uma varinha. Não qualquer uma, mas a inconfundível varinha torta do ruivo, que mais parecia um
galho de árvore. – Você é incrível! A tinha com você o tempo todo! Por isso não estava preocupado.
- Mione... – disse o jovem, achando graça da situação. Chamá-la assim, quando ela estava ainda com sua forma – eu nunca deixo de estar
preocupado. Apenas confio no meu julgamento e nas minhas capacidades. Eu não sou o temerário que você pensa. Eu apenas uso meu cérebro
para imaginar as possíveis situações que podem dar errado. Se algo que eu previ acontecer, eu terei um plano de contingência. Se algo que eu
não planejei acontecer, eu improviso, como todo mundo faria. Mas isso não significa que eu sou um fanático pelo perigo. Agora, me deixe levantar.
- Você não pode levantar ainda – protestou, severa.
- Tenho fome, não estou morto e não vou obrigar ninguém à me trazer comida! – contestou relutante – Pode escolher entre me ajudar ou reclamar
comigo, mas vai ter que andar rápido – diz, saindo do quarto e indo em direção à saída da barraca. Quando ele saia, foi abraçado por sua irmã.
- Idiota! – murmurou a ruiva – Estávamos tão preocupados.
- Eu sei baixinha... mas vocês foram ótimas me curando... e todos foram muito valentes no Ministério.
Bill cumprimentou seu irmão com um aceno. Ele não queria fazer uma cena como Gina, mas estava tão feliz quanto a pequena. Fred, Jorge e Harry
estavam sorridentes vendo que, mesmo pálido, ele já estava de volta à ativa. Neville estava amuado em seu canto.
- Neville... me acompanhe – disse para seu aluno, assim que sua irmã o soltou. Todos sabiam que eles teriam aquela conversa e não era segredo
para ninguém que a raiva de Longbottom por Lestrange, colocou todos em perigo. Quando estavam sozinhos e afastados dos demais, o moreno
perguntou:
- Você está bem? – pareceu preocupado com a palidez do amigo.
- Fisicamente eu vou estar. Você colocou em risco toda a missão para vingar-se de Bellatrix Lestrange. Arriscou não só a sua vida, mas a de todos
nós e uma informação sobre algo que os comensais querem pôr as mãos. Sabe o quê significa? Significa que foi imprudente e egoísta. Não faça
isso de novo! – completou, apoiando-se em uma pedra.
- Então estamos bem? – perguntou Neville.
- Lógico que não! Eu quase morri por seu egoísmo. Se a pergunta é: vou guardar rancor? Lógico que não, você é um amigo e a única coisa que
você fez foi errar. Isso nos colocou em risco, mas já era uma situação arriscada. E vou me vingar em você nos treinamentos! – disse com um
sorriso sádico, enquanto caminhava de volta para o acampamento.
- E então? – perguntou Harry.
- Ele sabe que fez errado e sabe que não deve fazer de novo – respondeu Rony – agora... onde estamos?
- Austrália. Você não se lembra de ter nos teleportado? – perguntou Bill.
- Não... eu só me lembro de... espere... Austrália? Onde está Teleporter?
- Lá no alto – indicou Gina, enquanto o ruivo abria um portal e se transportava para lá.
- Obrigado por ter nos salvado – disse, enquanto se prostrava em sinal de respeito. Aquele homem o colocara no lugar ideal para que ele
retomasse sua vida como membro do clã Weasley e ele seria eternamente grato. Teleporter dessa vez, apenas olhou para o ruivo e assentiu. Sua
irmã que aparatou próximo à ele, ralhou.
- Você deveria estar dormindo. Ainda não se recuperou da sua perda de sangue e já está abrindo portais à torto e a direito?
- Já vou irmãzinha. Só vim agradecer à alguém importante – disse sinalizando o aborígine. Este apenas sorriu.
- Rony, quando iremos embora? – perguntou Gina.
- Acho que alguns dias, porquê?
- Uma das coisas que você não sabe, por causa da sua memória é que Mione teve que desmemorizar seus pais, para salvá-los da guerra e os
enviou para Austrália... seria muito bom para ela que pudéssemos fazer contato e ver seus pais felizes. Significaria muito para ela.
- Por quê ela nunca me contou isso? – perguntou chateado com a morena.
- Ela não fala muito disso com ninguém, mas estar na Austrália, sem ter visto os pais, isso à está devastando-a.
- Não fale nada. Iremos atrás dos pais dela amanhã – disse quando viu a cabeça de Teleporter mover-se assertivamente.
Depois disso, o ruivo pôde finalmente conseguir alguma coisa para jantar. O deserto ficava muito frio ao anoitecer e uma jovem mulher estava
próximo à fogueira para se esquentar, vigiando em seu turno. Foi nesse momento que um homem colocou em suas, uma manta.
- Você devia estar dormindo! – cortou a castanha.
- Dormi por dois dias, não vou dormir de novo. Além disso, é melhor assim, não? Vigiar juntos em vez, de ficar sozinha? Além do mais, eu tenho
uma pergunta para lhe fazer?
- Qual? – interessou-se a castanha.
- Em que cidade seus pais estão?
- Não quero falar disso.
- Então vamos brigar mais uma vez. Não tem porque não vermos como seus pais estão.
- Isso não é da sua conta!
- É da minha conta se envolve você!
- O quê você disse?
- Envolve você? Envolve Harry? envolve Neville? Meus irmãos? Minha família? Então me envolve! Gina me contou sobre o quê você fez para
proteger seus pais. E eu já sei que faz pelo menos, 3 anos que você não os vê. Não vai nos custar nada, olhar por seus pais. Qual a cidade?
- Não vou dizer.
- Então... vou ter que arrancar de você – sorriu maldosamente, enquanto começava a fazer cócegas – e... então? Vai me contar ou não?
- Pára...pára...hahaha...idiota... Mildurra... Mildurra.... – confessou sob tortura, a jovem.
- Eu sabia que ia arrancar de você! – sorriu vitorioso.
- E como sabe que eu falei o lugar certo?
- Porque você sabe que eu estou fazendo a coisa certa. E você quer vê-los e sente saudade deles.
- Rony... eu... – foi calada pela voz do ruivo.
- Não precisa me agradecer. Eu sou tão incrivelmente maravilhoso que você não conseguiu evitar em tentar se parecer comigo – piscou um olho
para a jovem – Agora, vá dormir. Amanhã cedo levantaremos acampamento sentido Mildurra.
A manhã seguinte revelou uma pequena guerra entre os membros da Operação Cimitarra. Havia um grupo composto por Bill e Gina que dizia que
eles deveriam informar os outros que eles estavam bem. Outro composto pelos gêmeos que dizia que eles deviam voltar para a sede. E Rony
estava determinado à encontrar os pais de Hermione. Mesmo que ela estivesse apoiando as duas idéias, ela estava contente com a possibilidade
de ver seus pais novamente, mesmo que eles não soubessem que ela era sua filha.
- Vamos fazer do seguinte modo: Bill e Neville voltam para a Inglaterra agora. Eles cuidarão dos próximos passos da Operação Cimitarra. Nós e os
gêmeos visitaremos os pais de Hermione e depois iremos para casa. Neville, você irá procurar em todos os lugares por qualquer coisa sobre o
bastão de Watoomb. Pergunte para Alvo e para Prof. McGonnagal se possível. Embora duvido que eles saibam muita coisa além do que soubemos.
- Porque acha isso? – perguntou Harry.
- Porque se fosse relevante, ele teria dito que era mais um objeto que poderia ser uma Horcrux. Como nunca soubemos da existência desse
bastão de Watoomb, isso significa que o bastão nunca esteve ao alcance de Vol... embora acredite que o feitiço não funcione aqui, não devo me
arriscar... ou que a história do bastão era tão envolta em mistério, que ele era considerado um mito, mesmo entre os bruxos.
- E você acha que consegue abrir um portal daqui até a sede? – perguntou Neville.
- Steve abriu um da América para a Inglaterra. Não é a distância que importa, porque você corta caminho – disse, pronunciando as palavras e
abrindo o portal até a sala de briefing – eu vou na frente para ver se tudo está certo. Vocês virão atrás de mim.
Na sala de briefing, todos olham esperançosos para o portal que se abre. Molly estava aos prantos, reabre seus olhos com esperança, diante da
aparição do portal, amparando Fleur. Nesse clima, um jovem ruivo sai do portal.
- Oi gente! – diz, impressionado pela quantidade de gente que estava na sala – não posso explicar agora, mas Bill e Neville explicarão para vocês.
Estaremos bem e voltaremos em torno de alguns dias. – diz isso, enquanto seu irmão mais velho abraça sua esposa e Luna corre de encontro à
Neville. – Tchau! – completa, voltando para o deserto australiano. – Muito bem, vamos embora!
Caminhando pelo trajeto e ajudando uns aos outros, os jovens fizeram o trajeto inverso do que Rony havia feito com seu mestre, muitos meses
antes, do mesmo jeito. Desse modo, ele sentiu-se conectado com seu mestre. Unidos pela eternidade na relação mestre / discípulo, ele sentia
saudade de sua antiga vida. Assim que essa missão terminasse, ele buscaria retornar para seus mestres e passar algum tempo com eles.
Chegando em um determinado ponto, Harry chamou sua atenção para algo:
- Estamos sendo espreitados por lobos.
- Não são lobos. São dingos. Eles não costumam atacar em bando. Quando não mexermos com ele, não mexerão conosco se não estiverem com
fome.
- Isso explica porque eles estão cercando a gente? – considerou Jorge.
Em verdade, os dingos estavam cercando os jovens. Rony, olhou a situação de maneira divertida. Era a mesma coisa que ele passara.
- Círculo de proteção em Gina e Hermione! Eles procuram os alvos menores.
- Não gostei do comentário! – musitou Gina.
- Deixe-me cuidar disso! – disse o ruivo se encaminhando à frente, procurando o líder da matilha. Quando achou o dingo, ele apenas encarou-o
por um tempo. Olhando-se nos olhos, o dingo reconheceu-o e ladrou. Todos os outros, olharam para eles e seguiram seu líder então para fora do
alcance deles.
- Como você fez isso? – perguntou, Fred.
- É um velho amigo! – disse, com um sorriso – continuemos. Herms, o quê pode nos dizer sobre seus pais. Não podemos dar uma bola fora.
- Eles são dois dentistas e eu mudei o sobrenome deles para Robert e Jane Jenkins.
- Jenkins? – perguntou Harry.
- O nome de solteira da minha mãe era Jenkins. Isso significava que eu não teria que cuidar de muitas coisas. Era apenas cuidar de documentos. E
mandar eles para fora, com dinheiro suficiente para começarem uma nova vida. Uma vida sem problemas, nem perigos, mas...
- Uma vida sem Hermione – completou Gina, em tom de suporte – não se preocupe. Já resolveremos isso.
- Não! Não faremos nada. Iremos até eles veremos que estão bem e nós iremos cair fora.
- Hermione – chamou Harry – você passou por coisas que ninguém precisava passar. Não vamos deixar você fazer isso. Você deve ser lembrada
por seus pais. Agora pode ser que eles não fiquem satisfeitos em saber que os últimos três anos foram uma mentira, mas pelo menos saberão
que colocaram uma pessoa maravilhosa e preocupada com eles no mundo. Tão altruísta a ponto de perder o que tinha de mais precioso em prol
de salvá-los. A cidade já está próxima. Vamos direto para a rodoviária e seguiremos até onde?
- Coober Pedy. De lá, pegaremos um vôo até Mildura. E lá encontraremos Robert e Jane Jenkins... eu prefiro Granger... já pensou que nós
chamaríamos sua mãe de J.J.? – cutucou o ruivo.
O ônibus até a cidade de Coober Pedy ficou mais do que feliz com os 6 passageiros a mais. A viagem duraria cerca de 4 horas e meia por uma
estrada que corta o deserto. Um ambiente perfeito para aqueles que tinham que repor horas de sono. Infelizmente para um jovem ruivo, sua
companheira era uma nervosa jovem castanha que não parava de falar.
- Acha que eles ficarão muito irritados comigo? – perguntou pela sétima vez.
- Herms, você salvou-os do que acreditava acontecer. Eles estarão gratos à você! Assim que descobrirem que essa maravilhosa pessoa é a
maravilhosa filha deles, tudo se acertará.
- Queria ter sua segurança – musitou a garota.
- Não precisa da minha segurança. Eu estou com você o tempo todo.
- Significa muito para mim.
- Eu sei e não poderia ser de outra forma. Somos uma família.
Com muita facilidade depois que pegou a mão do ruivo, a jovem dormiu. Enquanto isso, Gina observava seu irmão, com um sorriso malicioso. E
Fred e Jorge contavam quanto valia um possível beijo deles na bolsa de aposta da Ordem da Fênix. Não sabiam quando esse beijo aconteceria,
mas eles estariam ali para tirar a foto.
- Como assim eles se mudaram? – perguntou assustada a garota. Nunca tinha passado pela sua cabeça que seus pais poderiam sair em busca de
outro lugar.
- Eles queriam viver em outro lugar. Por quê ela está assim? – perguntou a jovem recepcionista.
- É que ela tem uma importante correspondência para eles. Por isso, ela teve que vir de Londres até aqui. Eu e meus irmãos estávamos em uma
viagem de intercambio e resolvemos ajudá-la com isso. você poderia nos dar o novo endereço deles?
- Infelizmente eu não posso fazer isso. Eu não os conheço, e também não vou entrar em detalhes, mas isso é antiético.
- Tudo bem, nós entendemos. – disse o ruivo, encaminhando-se para a saída.
Todos encaminharam-se para a saída. Hermione estava inconsolável; isso significava que encontrar seus pais seria ainda mais difícil. Não era o
melhor momento da sua vida. Foi outra coisa quando o jovem ruivo, abraçou-a lateralmente.
- Não estamos desistindo, Herms. Tudo o quê precisamos é de um pouco de charme e uma distração. – olhou para ela, piscando um olho – Jorge
será o charme e Fred a distração. Eu tentarei investigar de outra maneira.
Voltando para o hotel, as garotas foram para seu quarto, enquanto os rapazes ficaram no saguão.
- Qual o seu plano, Ronald? – perguntou Jorge.
- Vocês dois podem receber alguma informação, se a distraírem e contarem uma história triste. Uma história na qual tenha morte e promessa, mais
algumas meias-verdades. E provavelmente um convite para jantar. Não se preocupe, não contaremos para sua namorada.
- E qual é a sua linha de investigação alternativa? – perguntou seu cunhado.
- Projeção astral. Vocês lembram-se de quando Steve apareceu como uma projeção astral para fazer meu diagnóstico? Se eu seguir a linha astral
deles, posso encontrar os dois ou pelo menos o local aproximado. Mas atenção, Harry... não deixe ninguém e absolutamente ninguém encostar em
mim enquanto eu estiver no mar astral ou a pessoa poderá se perder no mar astral. Você precisa ficar de olho em mim... se convulsionar, cair da
cama ou qualquer coisa, não toquem em mim. O mundo astral tem perigos únicos e eu fui ensinado à enfrentá-los. Entendeu?
- Sim. Ninguém toca em você.
- Ótimo, agora vamos dormir.
Na manhã seguinte, Hermione e Gina não encontraram ninguém no café. Apenas um bilhete de Fred e Jorge, avisando-lhes que estariam tentando
obter informações com a recepcionista.
- Vamos Mione, sabe que nada pode deter os gêmeos. Nem mesmo Kate e Angelina. E olhe que elas tentaram! – gracejou a ruiva.
- Onde estarão os garotos? – perguntou a castanha.
- Saudades de alguém em particular?
- Engraçadinha. Devíamos chamá-los para o café. – proferiu Hermione.
- Vamos ver se há alguém no quarto deles – disse a ruiva, encaminhando-se para a recepção – Bom dia. Pode me dizer se os ocupantes do quarto
327 já desceram.
- Um momento senhorita... eles ligaram dizendo que não queriam ser perturbados e pediram o café em seus quartos.
- Entendo. Obrigada. – e virando-se para a castanha – devem estar cansados. Eu sei que é um pedido estranho, mas sou irmã do ruivo e
namorada do outro ocupante. Poderia nos emprestar uma chave para verificarmos se eles estão bem?
Olhando para os lados, a recepcionista disse: - Tudo bem, mas me arranja um encontro com o seu irmão – disse piscando o olho para ela.
Hermione apenas rodou os olhos.
- Verei o que posso fazer. Obrigado!
Foram se encaminhando para o elevador, enquanto a ruiva ria gostosamente da cara de sua amiga.
- Ora! Você não está ajudando, Gina.
- Isso te passa por não marcar seu território logo, Mione. Se tivesse agido com um pouco mais de malícia, já estaria com meu irmãozinho ou, na
pior das hipóteses teria colocado aquela recepcionista no lugar dela. Alem do mais, podemos mandá-la em um encontro com um dos gêmeos. Ela
não foi específica sobre qual dos meus numerosos irmãos ela estava disposta a sair. – completou sorrindo.
Quando entraram no quarto de hotel que os dois amigos e cunhados dividiam, encontraram Harry dormindo no sofá, em frente da televisão,
enquanto o ruivo estava sentado na cama em posição de lótus, aparentemente cochilando enquanto meditava. Enquanto Gina, foi acordar seu
namorado, ficou de costas para a amiga que olhava embevecida o jovem. Ele estava dormindo... aqueles lábios tentadoramente prontos para
serem beijados. Era uma oportunidade que Hermione não iria perder. Aproximando-se lentamente, ela se preparou para beijar o ruivo quando
ouviu o resmungo semidesperto de seu melhor amigo.
- Não faça isso, Mione – o protesto de Harry foi inútil quando ela beijou o ruivo e continuou na mesma posição. Gina que olhou a cena toda disse:
- Qual é o problema com um beijo inocente?
- Rony não está dormindo, está em transe. Ele está em uma dimensão astral ou algo parecido, tentando encontrar a pista dos pais de Hermione. E
se alguém o tocasse enquanto ele estiver em transe. Essa pessoa também ficará. Pelo que ele falou, esse lugar pode ser muito perigoso.
- Oh-oh! – disse a ruiva.
Ironicamente, a aludida estava além das palavras ou , mais precisamente, alem de seu próprio corpo físico. Ignorando completamente o lugar
onde estava, ela se via assustada e sozinha, com dificuldades de equilíbrio e olhando uma linha que a ligava ao seu corpo físico. Ela podia
observar seu corpo físico, como se estivesse a milhares de quilômetros de distancia do mesmo. Essa era a essência do Plano Astral.
- Hermione burra, burra, burra! Isso te passa por querer fazer as coisas se deixando levar! – bufou, enquanto olhava para si mesma em estado
translúcido. Longe dela, havia um imenso farol obscuro irradiando com uma luz negra a região. Quando ela se virou para o norte, ela viu um farol
muitíssimo maior, que lançava uma luz negra sobre uma enorme região. Instintivamente ela analisou que esse farol deveria estar a milhões de
quilômetros de onde ela estava, o que significava que o seu tamanho era descomunal. Nesse momento, ela notou uma linha próxima a ela, mas
que se estendia ao uma linha comum, mas que a atraia incontrolavelmente. A linha estava próxima à dela, tanto quanto ela (ou seu corpo físico)
estava próxima do ruivo.
- Então... – formulando a teoria para si – se essa linha está ligando eu lá embaixo a eu aqui em cima, essa linha aqui deve estar ligando Rony aqui
do mesmo modo. Isso ou eu vou mexer com alguma coisa desconhecida nesse lugar desconhecido de qualquer maneira não posso ficar aqui
parada, flutuando.
Em seguida, a jovem deu um puxão na linha com bastante força. Força suficiente para chamar a atenção do ruivo mas, ao invés dele ser trazido
até ela, Hermione foi levada até ele.
- Ah... oi, você vem sempre por aqui? – falou ela quando viu a forma translúcida do ruivo.
- Hermione?! O quê está fazendo aqui? Como você chegou no plano astral?
- Então é assim que se chama? Plano Astral? – perguntou assombrada.
- Espere... você tocou meu corpo no hotel?
- Bem... pode se dizer que sim.
- Isso é o que eu ganho por deixar Harry de vigia. E como você... – começou a falar, de repente olhou para a sua linha que o ligava ao seu corpo.
Esta se mostrava embaraçada com a da castanha – você não tocou na minha linha, tocou? – perguntou perigosamente.
- Hum... eu não devia ter feito isso? – perguntou abobada.
- Argh! Maldição! Eu não acredito que eu estou passando por isso!
- Fiz besteira?
- Hermione! Você nos vinculou!! – gritou furioso. A jovem continuava com cara de paisagem, sem entender o que se passava com o ruivo. Ele
pareceu notar, pela cara da jovem que ela não tinha consciência da burrada.
- Olhe para aquilo – disse apontando para o lugar específico. Do alto ela pôde ver seus pais.
- Você os encontrou! – tentou abraçá-lo, mas este recuou, intrigando a jovem.
- Olhe suas linhas! – disse, irritado. Como se entendesse, ela observou que as linhas do pai e da mãe pareciam um novelo de lã – agora olhe as
nossas linhas.
Igualmente elas pareciam um único bolo de fios.
- Você nos vinculou! Estamos presos um ao outro pela eternidade!
- Como assim? – perguntou ela.
- No nosso plano de realidade, as pessoas se conhecem, se apaixonam e casam, certo? Quando duas pessoas estão no plano astral, que por sinal
é uma dimensão física representativa da nossa realidade corpórea, as linhas nos ligam ao nosso corpo. Quando duas pessoas se amam, as linhas
se embaraçam, a ponto de não sabermos onde uma termina e outra começa. Isso é o vinculo. A manifestação nesse plano do amor.
- Então... – disse feliz – você me ama?
- Eu não tenho opção!! – gritou ele – estamos vinculados. PARA TODO O SEMPRE!
- E porque você faz isso parecer tão horrível assim? – perguntou ofendida.
- Porque graças a você eu não tenho livre arbítrio – disse iracundo – a verdade é que eu estou preso a você e você a mim.
- Então não me ama? – perguntou, desiludida.
- Isso é irrelevante. Você sofrerá se ficarmos separados. Eu sofrerei. A única maneira que eu conheço de desvincular uma pessoa é com ela
desaparecendo daqui. Ou lá debaixo. Vamos, já sei onde seus pais estão – disse, dando as costas para a jovem.
- Rony?! – chamou a atenção do garoto, que se virou – como você se movimenta aqui?
- Pense que está nadando. Ou voando, também funciona.
Seguiram em silencio até onde a jovem estava anteriormente. Quando se preparavam para retornar, ela perguntou ao homem.
- O que é esse farol negro?
Ronald olhou para ela, estranhando a pergunta, mas quando ela apontou o local, ele notou uma forte torre. Lançando um sinal para ela
acompanhá-lo, ele chega mais próximo. Voando ele percebe que esse farol provém da manifestação astral de seu cunhado.
- Isso é o Harry – falou confuso – devemos estar vendo o lado malvado dele. – completou com humor.
- Se esse é o Harry, o que é aquele farol gigante no horizonte? – perguntou com seu espírito contestador de sempre. O sorriso do ruivo se
esfumaçou. E uma aura inquieta se apossou do ruivo.
- Me acompanhe! – disse Rony, subindo em direção ao espaço. Até ver uma representação do planeta Terra no mundo astral. Em seguida, ele
comparou os dois faróis. Um deles estava posicionado no sudoeste da Austrália. O outro tomava todo o espaço correspondente à Inglaterra,
Reino Unido e parte da Europa. Nesse momento a mente do ruivo começou a processar as informações até ali.
Hermione olhou para o jovem. Ela já o observara em diversas ocasiões, enquanto suas habilidades de gênio específico se manifestavam. Ele
estava trabalhando no problema. De repente ele disse.
- Pense agora em mover seu corpo. pense em abrir seus olhos.
No momento seguinte, eles estavam de volta aos seus corpos. Ainda compartilhando um selinho que tinha colocado-os mais em problemas do que
em soluções. Se afastando levemente e rompendo o beijo, ele deu as costas para a castanha.
- Hermione, você ta legal? – perguntou a amiga.
- Ainda não Gina, mas eu vou ficar.
- Ei, Rony... cara, desculpa, mas quando eu vi, já foi – contestou o moreno, ao ver a cara de poucos amigos do jovem.
- Você achou os pais da Mione? – perguntou a ruiva.
- Blackall. Norte do país.
- Que cara é essa? – perguntou Harry ao amigo.
- Harry... Alvo lhe disse certa vez que quando Riddle tentou lhe matar, você ficou com parte da essência dele, certo?
- Sim... mas porque você está falando isso? – interessou-se o moreno.
- Sentem-se... o que eu tenho para dizer não será agradável – a castanha sentou-se. Ela já tinha formulado uma teoria e se o que o jovem ruivo
dissesse batesse com a dela, não seria fácil de aceitar, para dizer o mínimo. – já tenho a localização do último horcrux.
- Rony isso é ótimo – interrompeu sua irmã – agora só temos que nos livrar dele e... – foi interrompida pela voz de seu irmão.
- O problema é que esta horcrux é a parte de Voldemort...
- Que está comigo. Então... eu sou a horcrux? – perguntou perplexo.
- Sim. Acredito que Hermione, nesse passeio não autorizado ao plano astral, tenha chegado à mesma conclusão.
- Sim, mas não tenho nenhuma idéia de como destruir essa horcrux.
- Fácil... me matando. – disse o moreno, como se fosse a coisa obvia.
- Você está maluco? – perguntou Gina, temerosa.
- Fácil. Vocês me matam e ele se torna mortal novamente. Aí só precisam de alguma pessoa para fazer o serviço. Todo mundo sai ganhando. –
disse, entrando em modo de sacrifício.
- E quanto à mim, Potter? E quanto aos nossos sonhos? – perguntou sua namorada à borda de lágrimas.
- Gina... eu... – foi calado pela mão de seu amigo que lhe deu um tapa, surpreendendo a todos. Em seguida ele pegou o amigo pela gola da
camisa e levantou-o do chão.
- Muito bem Harry... eu quero que me ouça com bastante atenção – falou, perigoso – não é preciso ser um gênio, para saber que sua relação com
a minha irmã é mais que um simples namoro e, dado ao tempo que vocês acamparam é quase seguro que vocês tenham tido relações.
Normalmente não me importaria; confio plenamente nas decisões de Gina. Mas se você quer bancar o mártir suicida, deixe-me lhe dizer uma coisa:
não antes de levar minha irmã ao altar! E isso só vai acontecer quando mandarmos Riddle de volta ao inferno de onde ele não deveria ter saído!
Eu vou dar um jeito de matar essa horcrux sem ter que te matar... ou morrerei tentando. Agora peça desculpas à minha irmã por fazê-la chorar,
Potter!
- Rony... eu..
- Peça... desculpas! Já!
- Gina, eu... ah, ele tem razão. Eu deveria ter mais fé em nós. Desculpe ter agido assim... Ah... Rony? – pediu o moreno para seu amigo soltá-lo.
Coisa que ele fez imediatamente. Como resultado, o jovem que tinha uma horcrux dentro dele caiu estrepitosamente no chão. Gina olhava para
seu irmão vermelha. Nunca imaginava que ele falaria essas coisas na frente dela. Hermione estava branca. Fazia muito tempo que não via essa
faceta do ruivo. Desde que voltara da América, sempre fora complacente e, incluso bonachão com todas as situações possíveis. Mesmo que
incorressem em risco para a vida dele. Ela se lembrou de nunca deixá-lo irritado.
- Gina... vamos conversar... seu quarto – disse o ruivo, secamente. Pela cara dele, ela achou que era melhor não fazer frente á ele no momento.
Despedindo-se de Harry por uns minutos, ela seguiu seu irmão até o corredor. Lá abriu a porta de seu quarto.
- Muito bem, te escuto – disse ela temerosa.
- Desculpe!
- O quê?!
- Eu sei que não tinha o direito de expor sua intimidade, mas precisava de algo que fizesse ele reagir. Sinto muito pelo constrangimento... peguei
muito pesado?
- Não – contestou surpresa, ela nunca imaginou que ele é que pediria desculpas – apesar de tudo o resultado foi positivo. Como você soube?
- Eu não sou burro. Era só uma questão de somar dois mais dois. Mas o motivo que eu a chamei aqui é que eu preciso de um conselho...
- Se eu puder ajudar – comentou a jovem, ainda aturdida pela atitude do ruivo. Este pegou de sua mochila, uma penseira e a colocou na mesa.
- Desde quando você tem uma penseira?
- Desde que eu peguei emprestada do Alvo – disse, enquanto ela ficava boquiaberta – relaxa, não é como se ele fosse precisar dela agora.
- Humor negro!
- Desculpe – disse enquanto pegava uma memória e a colocava na penseira. Exatamente a memória do ocorrido no plano astral. Sua irmã
mergulhou e depois de alguns segundos voltou até ele – e então?
- Uau... Rony... se serve de consolo, ela já gostava de você desde que vocês tinham 11 anos. E ela segue te amando.
- Certo. Isso pode ser verdade, Gin. Mas e do meu lado. como eu posso chegar para ela e dizer que a amo, se eu nem tenho certeza. Ela é uma
mulher incrível e não merece isso... argh! Já tô falando como um homem apaixonado... eu não acredito nisso! – disse enquanto sua irmã se
divertia vendo a cena.
- Não se espante que eu ria. Sempre gostei de ver você nesse seu dilema em relação à ela. Além do mais você dá muita atenção à esse fio astral
ou seja lá como se chama. Por que,se esse é o caso, você não corta o fio e o costura de novo?
- Gina, isso não é piada. Não existe uma tesoura astral... é isso! Você é um gênio! – disse enquanto pegava a irmã no colo e a rodava. Os risos
dela, chamaram a atenção dos outros dois ocupantes do quarto ao lado que apareceram para comprovar o que ocorria. Viram quando o jovem
colocava a irmã no chão e esta estava visivelmente enjoada.
- Idiota! Quase que eu coloco o café da manhã para fora. Mas qual foi a grande idéia que eu dei?
- Harry! Já temos a solução! Eu devo ser o burro mais burro que eu conheço.
- Que solução? – perguntou a castanha.
- A espada espiritual. Iremos forjá-la. Como eu ainda não sei, mas sei que pode ser feita. Se foi feita uma vez, pode ser repetida. E acho que sei
onde iremos descobrir isso.
- Grandes notícias, pessoal! – irromperam Fred e Jorge – conseguimos o endereço dos pais da Mione!
- Blackall, Norte do país, Avenida St. Evans 362.
- Odeio seus novos poderes – comentou Jorge – a única coisa boa é que eu tenho um encontro hoje a noite e nem pensem em contar para
Angelina.
- Sortudo – suspirou Fred – ele vai se dar bem e eu vou ter que me virar aqui, pajeando vocês.
- Não se preocupe, maninho – sorri Gina, maldosamente – Eu acho que posso dar um jeito no seu problema, dessa vez.
No dia seguinte, um grupo de 6 pessoas, das quais 4 eram ruivas, chegavam no aeroporto da cidade de Blackall. O clima entre o casal
Potter/Weasley era de união e desafio ao mundo. Viajando com 3 irmãos, ela estava desafiante a todo instante. Já entre o "casal"
Granger/Weasley, o clima era estéril. Poucas palavras foram trocadas desde que eles voltaram do Plano astral. Rony jantou sozinho aquele dia,
sob pena de sentir-se indisposto. Hermione tentou procurá-lo, mas Gina negou com a cabeça. Não foi difícil para a morena descobrir que sua
amiga já estava inteirada do que aconteceu na outra dimensão. Apesar de tudo, ela estava tranqüila e, quando as duas conversaram durante a
madrugada, a ruiva apenas disse: "Ele se preocupa por você, mas teme que estejam em sintonias diferentes e, por isso, ele queria definir a
situação de vocês sem fatores externos. Agora com esse novelo astral, por assim dizer, você só tem que convencê-lo. O lado bom é que para
você, a fidelidade de meu irmão já está assegurada.
- Mas Gina, e se ele conseguir cortar o tal fio astral?
- Conquiste-o de novo! E quantas vezes forem precisas para que entre naquela cabeça dura que vocês devem ficar juntos! Mas com plano astral
ou sem plano astral, você já estava muito bem encomendada. Ele precisa apenas de tempo... e de um incentivo certo".
Enquanto todos ficavam esperando, o ruivo foi até o balcão de informações, seguido de perto pela morena. Quando ele chegou lá perguntou para
a atendente.
- Bom dia, poderia me dar o posto de atendimento da empresa telefônica da cidade mais próximo daqui?
- Claro! – sorriu a jovem atendente, enquanto escrevia em um papel, as informações necessárias para os turistas. Aquele era um pedido incomum,
especialmente vindo de um jovem que parecia estar de férias, mas ela o atendeu prontamente.
- Aqui está! Caso queira ir de ônibus, é só pegar este ônibus no terminal da saída norte e pedir para o motorista lhe avisar. Ou entregue este
endereço para um taxista que ele lhe levará lá.
- Muito obrigado e bom serviço.
- Boa estada na cidade! – disse sorrindo a atendente. Quando os dois se foram, a jovem suspirou – É uma pena que já esteja amarrado.
Chegando até o local onde estavam os outros, ele apenas assentiu com a cabeça e todos o seguiram. Cada um com suas dúvidas que não podiam
esperar para ser dirimidas.
- Ei, Rony... por que você não nos transportou para lá direto? – quis saber Jorge.
- Parte do treinamento de vocês. Precisam aprender a ser trouxas, fazer as coisas como trouxas sem ficarem deslumbrados como papai. E se fosse
para resolver tudo como bruxos, vocês não teriam o encontro de ontem, certo?
- Por falar nisso, obrigado por fazer a nossa com relação à dinheiro trouxa – interveio Fred – por quê está pagando tudo nessa viagem?
- Porque eu posso cobrar de vocês mais tarde. Harry não pode aparecer em Gringotes. Gina... considere um presente de formatura adiantado e
Hermione... não tenho desculpas para estar pagando para ela. Estou fazendo e pronto.
- Olha só o amor está no ar – gracejou Harry, antes de ter o braço torcido pelo amigo – certo, certo... desculpe... afinal de onde você arranjou
tanto dinheiro?
- Roubei 17 bancos e sou procurado pela interpol em 7 países diferentes, satisfeito? – disse o ruivo, olhando para seus irmãos que param de
acompanhá-los e arregalam os olhos – Pelos deuses, vocês não tem senso de humor?
- Bom é que você tem todos esses poderes e não seria nada difícil... – começou a argumentar Gina.
- Pensando na possibilidade... aceita sócios? – perguntaram os gêmeos.
- Idiotas!... Um de meus sensei é dono de uma corporação e me deu umas ações da empresa dele, como parte de meu treinamento. Daí eu usei
minha habilidade de prever padrões... na época eu não sabia que eu tinha, mas pensando bem, provavelmente era ela se manifestando naquela
hora... e comecei a duplicar os ganhos, comprei mais ações, fui aprendendo como funciona o mercado financeiro, sob a tutela de meu sensei
acabei fazendo uma cesta de ações. Vendi na hora certa, comprei mal, perdi um pouco, ganhei um pouco... e controlo todas as minhas aplicações
pelo Notebook. Além disso, sensei James me transferiu uma soma do dinheiro dele, do tempo que ele trabalhou para a L.L.&L.
- Fascinante! – sussurrou Hermione. Ela também queria saber de onde vinha toda a grana que o ruivo tinha. Ele normalmente puxava um cartão
de crédito internacional e pagava as contas deles sem a menor preocupação – E por que estamos indo para um posto de atendimento da
companhia telefônica?
- Temos que encontrar o consultório de seus pais. Somos 6 pessoas... é muito mais simples explicar a presença de seis pessoas em um consultório
dentário do que em uma residência de um casal sem filhos.
Chegando lá, cada um pegou uma lista telefônica e começou a procurar. Enquanto Gina e Hermione procuravam na lista residencial pelos telefones
da casa do Jenkins, os outros estavam à caça do consultório. Ao final de 50 minutos, Harry conseguiu achar o endereço.
- Aqui vamos pessoal: 750, Rose St. Devo marcar uma consulta?
- Não... iremos próximos ao fim do expediente. Isso quer dizer que não terão muita gente na fila e ninguém depois de nós.
- E qual será a alegação? – perguntou Gina, enquanto iam para se registrar em uma pousada. Após uma rápida apresentação e check inn, o ruivo
continuou.
- Deixe que nós cuidamos disso. Jorge? – disse o caçula, enquanto andava para distribuir as chaves – preciso que me dê uma porrada.
- Seu desejo é uma ordem – disse o irmão se preparando.
- Aqui não, imbecil. Isso tem que ser feito próximo à hora do fechamento do consultório. Daí podemos ter a emergência que precisamos.
- Certo! E quando precisar de uma boa porrada é só me pedir – disse o gêmeo. Enquanto isso, Fred ficou resmungando "ele sempre se diverte".
Separados para descansar da viagem, Rony está quase dormindo quando ouve o chamado de seu colega de quarto:
- Rony...? Ta acordado?
- Agora estou... o que quer, Harry? – suspirou pesadamente.
- Foi mal... é só que eu não consigo dormir, desde que você me contou que eu tenho uma horcrux dentro de mim.
- Desculpa cara, mas eu achei que você devia saber – lastimou o jovem.
- Não! Você está certo. Eu sempre odiei ficar no escuro, com todos sabendo mais sobre mim do que eu mesmo... você também se sente assim,
não?
- Sim. É por isso que eu não quero ver nenhuma lembrança de vocês. Por que se eu morrer nessa guerra, será a pessoa que vocês conheceram e
que está aqui; não um eco do passado que era perseguido pelos fantasmas de algo que não poderia ser que vocês lamentarão.
- Vire essa boca para lá. Você não pode morrer aqui. Se isso acontecer muitos de nós ficarão arrasados. Pense em sua mãe, Gina, Hermione...
- Não quero falar dela.
- Mas vai ter que falar. Ela me contou sobre o que aconteceu no plano astral. Você está culpando ela? – interrogou perigosamente.
- Deveria estar culpando você! Eu te pedi uma coisa simples, mas você preferiu dormir vendo televisão...
- Engraçadinho! Ela está nervosa com a reunião de seus pais e você não está ajudando.
- Tem razão... eu prometi que estaria para ela nessa hora... – disse levantando-se.
- Prometeu? Quando? – disse pícaramente o moreno, abraçando o travesseiro e dando tórridos beijos no mesmo.
- No ônibus... pára de pensar bobagem – riu o ruivo, saindo em seguida. Ao bater no quarto que a irmã dividia com a castanha. Ele ouviu soluços,
enquanto sua irmã abria a porta. Com um olhar para a caçula, ele entendeu tudo. Passando por ela, foi até a cama em que a jovem estava
encolhida, em posição fetal, e afagou seus cachos.
- Shhh... eu estou aqui... tudo vai dar certo... são só mais algumas horas... em pouco tempo, você vai estar tão feliz que nem se lembrará que está
chorando agora... porque estará chorando de emoção.
- Você veio... – sussurrou Hermione – eu achei que não queria me ver...
- Eu disse que estaria aqui para você, não disse? E eu cumpro minhas promessas...
- Mas... e quanto?... – começou, mas foi interrompida por uma forte mão, que fechou delicadamente seus lábios.
- Isso sou eu que esta aqui. Fazendo isso porque eu quero estar aqui. Eu sinto que estar aqui é o certo, então estou. Nem mais, nem menos.
- Rony... posso deitar no seu colo? – pediu frágil.
- Chega pra lá – pediu suavemente, afagando o cabelo da castanha. Quando ela deitou-se, ele começou a fazer carinho nos cabelos dela,
enquanto ela contava sobre os pormenores da infância dela com os pais. E nessa posição dormiram.
Eram aproximadamente, 6h30 da noite, e o casal Robert e Jane Jenkins preparavam-se para encerrar o longo dia de trabalho quando uma
emergência dentária se fez presente. Ao que parece, um jovem ruivo tinha se acidentado e quebrado um dente há pouco. Seus irmãos e alguns
amigos estavam na sala de espera com o jovem. A recepcionista recebeu-os e fez um pouco de seu trabalho até dar seu horário e ela ser
dispensada pelos patrões. Enquanto os dentistas faziam uma cirurgia de emergência no ruivo, notaram que ele parecia levemente familiar. Quase
como se pertencesse à um passado que eles não conseguissem lembrar. Mas cada membro do casal guardou essa impressão para si.
No fim, eles escoltaram o ruivo ate a sala de espera, onde uma surpresa os aguardava.
- Ei, Jane... – disse Robert, cutucando a esposa – veja só se o mundo não é realmente pequeno?
Olhando para o marido, enquanto ele apontava para onde estava uma jovem castanha junto com 4 ruivos e 1 jovem moreno, aguardando
ansiosamente o resultado da microcirurgia.
- Meu Deus, Robert... é inacreditável. Você é Hermione Granger, não? Filha do casal de quem alugávamos a casa na Inglaterra? Está um pouco
longe casa, mocinha. – riu Janet. Para logo ser acompanhada pelo marido.
- Oh... – começou a jovem, pega de surpresa, mas com um toque no ombro de sua cunhada, se recompõe imediatamente – na verdade, eu vim
aqui para encontrá-los. Por certo, meus amigos estavam em viagem de intercambio e resolveram bancar os aventureiros e me ajudar à
encontrá-los.
- Mas... não ficamos devendo nada... ficamos? – perguntou atordoado, Robert.
- Não, longe disso... na verdade, chegou uma carta para vocês. Eu recebi essa carta como dona da casa, mas quando eu lhe expliquei o ocorrido,
eles me disseram que essa carta deveria ser entregue em mãos e que eles pagariam minhas despesas. Após alguns telefonemas para confirmar
que eram pessoas idôneas, meus pais acharam que seria interessante eu vir conhecer a Austrália e encontrar meus amigos. Fomos até Mildurra,
onde vocês deixaram o endereço para as correspondências, e soubemos que vocês se mudaram para Blackall. E como já estávamos quase,
nenhum deles quis desistir na reta final, então viemos todos. No caminho, Rony quebrou um dente e aqui estamos – disse, entregando a carta.
- Falando nisso, que tipo de acidente ele sofreu? – perguntou Janet.
- Bom, parte disso é culpa minha – comentou Jorge – digamos que ele queria virar à esquerda e eu à direita.
- Agora isso faz sentido – sorri Robert, abrindo a carta. Assim que rasgou o selo, o homem puxou o conteúdo, coçou o queixo, estranhando a
mensagem – Amor, isso lhe diz alguma coisa? – pergunta, dando o envelope para a esposa.
- Não. – comenta cética.
- Algum problema? – perguntou Gina.
- Tem apenas uma frase, escrita em latim. Nenhum de nossos conhecidos sabem latim. Agora, até eu fiquei curiosa com esse mistério – comenta a
dentista.
- Podem ler a frase em voz alta? Eu conheço um pouco de latim.
- Omnium consensu Obscure Per litteras revellio (o que está obscurecido se revelará ao consenso de todos).
Imediatamente uma nevoa prateada saiu da carta, envolvendo o casal de dentistas estes ficaram imóveis na cena. Suas faces estavam
inexpressivas, enquanto a jovem Hermione Granger explicava aos amigos.
- A primeira parte do feitiço está concluído. Agora será necessário que algo faça com que as memórias desencadeiem-se automaticamente.
- Em resumo, você quer dizer que eles precisam pegar no tranco? – comentou Harry.
- Sim. Eu vou contar algumas das histórias de minha infância para ver se ajuda.
- Por que você não faz magia? Eles sabiam que você era uma bruxa... logo fará sentido para eles – comentou a ruiva.
- Boa idéia, Gina! Lummus – conjurou a jovem, sacando a varinha. Os resultados não foram sentidos.
- Rony, venha comigo – sussurrou Harry. seguindo o amigo, ele notou que os gêmeos estava separados dos esforços das garotas em fazer os
pais de Hermione voltarem à si.
- Certo, Roniquinho... você vai fazer alguma coisa para ajudar Mione. Você vai beijá-la. – comentou Jorge, como se fosse a melhor idéia do mundo.
- Como assim? – perguntou Rony.
- Se você beijá-la... o lado pai do pai dela irá despertar, por que um homem está beijando a sua garotinha. Ele ficará irritado e a mãe dela irá
despertar para colocar as rédeas no marido. Todos saem ganhando – completou Fred.
- E qual o ganho de vocês nisso? – perguntou desconfiado.
- Ora, estamos fazendo isso pelo bem geral... – disse Harry, com a anuência dos gêmeos. Contudo um olhar atemorizante de seu melhor amigo fez
com que ficasse claro a necessidade de revelar a verdade.
- Nos temos uma encomenda da foto do primeiro beijo de vocês de mais da metade da Ordem da Fênix. E quando a gente ganhar a guerra, você
vai ficar famoso como o homem que encarou Riddle desarmado e teve peito para conversar com ele civilizadamente e ainda por cima enfiou uma
edição do profeta na boca de um lobisomem. Essa foto vai vender como água.
- Tá bom. Vamos tentar do seu jeito... mas quero 50% da grana das fotos.
- Mas você não precisa dela.
- Vocês têm a Sortilégios e tampouco precisam dela. Se abrir mais um pouco a boca, eu irei pedir 55%.
- Tudo bem, eles concordam. Mas você tem que beijá-la o mais descaradamente possível – diz o moreno.
- Ect tu, Harry? se isso não der certo eu vou matar você.
Saindo de perto dos gêmeos e do amigo, que preparavam as câmeras, o ruivo se aproximou silenciosamente e viu que nada fazia com que
reagissem.
- Herms? – chamou incerto. Algo dizia que o humor da castanha não estava para brincadeiras.
- O quê...? – foi calada pela torrente de endorfina que veio com o beijo do ruivo. Quando ela abriu a boca para protestar, terminou por sentir o
contato de uma língua imperiosa, exigindo interação. Naquele momento pais, guerra, amigos tirando fotos, simplesmente nada daquilo foi
registrado pela jovem. Tudo o que ela sentiu foi o contato do homem que ela amava.
Ele estava exigente, queria mais, ansiava por mais e ela não iria negá-lo. Fechou os olhos e continuou o beijo, que se em um começo pareceu
meio receoso, depois que a sensação de frio na espinha passou, tornou-se um tórrido beijo, daqueles que anos atrás, o próprio Ronald
contestaria como vergonhosos. Quando ela abriu os olhos, se viu perdida na mirada intensa daquelas orbes azuis que tanto amava; sem que ele soubesse, tinha o poder de fazer qualquer coisa com ela, com apenas um olhar: ela sabia que daria tudo para aquele olhar, mas não era isso o que a deixou mole; por um momento ela viu algo naquelas órbitas, que lhe pareceu muito similar ao que ela sentia pelo jovem. O clima foi quebrado por um grito.
- Hermione! – em seguida, Robert Jenkis, ou Robert Granger, como ele se lembrava agora, estava empurrando o ruivo para longe da sua filha e o
socando impiedosamente – Fique longe da minha garotinha, seu animal!
- Robert! – chiou Janet, indo para cima do marido, antes que ele matasse o ruivo, que fora pego desprevenido . Enquanto isso, Fred, Jorge e Harry
estavam rindo da má sorte do ruivo. Eles haviam apanhado dele nas ultimas disputas e nos treinos. E não podiam se dar ao luxo de perder de
gravar a oportunidade de um homem trouxa de meia idade, surrar o homem que havia lutado contra 7 bruxos e vencido sem experiência prévia.
Enquanto isso, uma emocionada Hermione Jane Granger abraçava seus pais, enquanto Ginevra Molly Weasley se dividia entre olhar comovida a
cena e auxiliar seu irmão, desmaiado.
Sim, o aniversário é meu... o especial é de vocês!
Espero que tenham curtido o capítulo. esse foi de longe, o capítulo mais longo que eu fiz até agora para qualquer fic. sei que tem gente que já fez maiores, mas acho que cheguei no meu limite... mentira, resolvi que ia dividir a coisa. Originalmente, o capítulo anterior deveria chegar até a
Austrália, mas no fim, desiti da idéia. Espero que aproveitem o capítulo. como não podia deixar de ser, teve algumas piadas interessantes. vamos
à tecla sap:
- "Pequeno 14 para Grande Pai 20" - isso eu tirei de um antgo comercial das tvs Dueto da Philco (aparelhos com tv e vídeo cassete integrado,
procurem no You tube). Sim, sou velho... fazer o quê?
- "Stars!" - bom, essa pelo menos é contemporânea. Quem assistiu o Resident Evill 2, ou jogou o Resident Evil 3 para playstation sabe quem o
ruivo imita nessa fala. Isso mesmo, Nêmesis faz sua ponta aqui como inspiração para a piada.
Como prometido no capítulo passado, eu coloquei uma pseudo pegadinha e disse que ia comentar nesse capítulo. E todo mundo notou a cena,
mas ninguém fez a alusão. É a ideia da tortura: embora a maioria dos leitores, que deixam reviews sejam mulheres (não que eu me queixe disso),
pensei que alguém faria a alusão com a tortura do filme "Justiceiro" que saiu em cartaz uns 2 ou 3 anos atrás. Antes que vocês pensem que eu
sou um plagiador descarado de cenas de filmes, euro deixar claro que eu não roubei a cena do filme. Roubei da Revista em quadrinhos "Grandes
Heróis Marvel" nº 50, de maio de 1995, que trazia uma história do Justiceiro. Sim, eu ainda tenho a revista. E imaginei como seria sádica utilizar
essa tortura um dia, ainda em 1995. Ou seja, o roteirista do filme roubou minha ideia, que eu, habilmente, diga-se de passagem, tinha usurpado
do roteirista da história. Já a frase que Cho diz para Herms: "nem me sobe, nem me desce" eu tirei do Chaves. Chaves Ruleia!!!
Caso queiram saber sobre as atividades do jovem Weasley na bolsa de valores, ressalto que ele não tem ações da Vale do Rio Doce, Nem
da Petrobras. Embora seria uma boa ideia dar uns toques para ele investir em empresas sólidas do mercado emergente, onde a crise é só uma
marolinha...
Cybelle Lupin,
Antes de tudo, vamos dar uma olhada para ver se esse é o capítulo certo para comentar....beleza, é esse mesmo. Agora só falta verificar quando
eu for postar, haha. E, sim... você é fera.
Como você viu nos comentários acima, a ideia da tortura não é originalmente minha, mas mesmo assim foi divertida de se escrever, que dirá de
ler. Mesmo assim vou concordar com você: eu sou Fantástico!!! E sim, ficou fodástica (não ligo para seus modos, pois como diz o sábio Pica-Pau:
"Tenho muitas manias... e são todas ruins!"
Agora o lance da tradição era algo que eu fiquei pensando durante uns capítulos. O legal de personagens como os gêmeos e Luna, é que você
pode jogar as coisas mais absurdas pra cima deles que é possível construir algo engraçado. Depois foi só colocar as outras mulheres na
sequência. Uma confusão saudável entre tradições bruxas e trouxas. Além de colocar uma briga no casal Tonks e Lupin, o que os torna mais
veróssimil. Espero que tenha aprovado a discussão entre Cho e Herms; eu sempre pensei que todo homem deveria ter uma amiga até a página
2: aquela que você sabe que é só amizade, mas se ambos topassem, poderia se desenvolver mais (não... não sou machista. Se eu fosse, eu
diria que todo homem tem direito à uma amiga periguete!!)... E toda mulher também. Daí o beijo super tórrido! (eita isso soou bem).
Quanto o beijo deles, tinha que ser algo especial. algo que marcasse o passo da história. Desse modo, ele se deu durante a busca pelos pais da
nossa castanha. e eu o dividi em duas partes: um selinho que a leva para o plano astral (beijo roubado sempre é melhor) e o beijo real. Este foi
o melhor escrito possível no momento, por quê eu tinha que me basear por minhas próprias experiências narrativas e descobri que nunca, na
historia desse país, eu tinha escrito uma cena de primeiro beijo entre duas pessoas e, nada nada, já faz muito tempo desde meu primeiro beijo.
Sempre dizem que o primeiro beijo a gente nunca esquece, mas ninguém colocou em pauta nessa frase, as palavras Alzheimer e amnésia
alcoólica, rs....
Não há motivo para inveja, Cybelle. O francês, como toda língua latina (derivada do latim) possui uma certa semelhança com o nosso idioma. Isso
nos facilita a compreensão e assistir filmes ajuda na fala. Agora se o lance é a escrita, faça como eu: use um tradutor on-line e um bom dicionário
francês-português. Ou você acha que esse capítulo se passa na Austrália e eu já visitei o país? Agora falando sério, por um segundo: se você
quer mesmo aprender francês, vá em frente. compre um dicionário familiarize-se com as palavras, perca o medo da língua, assista filmes em
francês com legenda e preste atenção na pronùncia. ouça músicas no idioma pela net. Como você acha que eu estou aprendendo espanhol?
Tudo começou aqui no e fui atrás. Aí está a mensagem espiritual do dia.
Como diria Nelson, dos Simpsons: Te cheiro mais tarde.
Layla Black,
Esse capítulo vai ficar sem a pegadinha... não aguentei e quis logo falar quais são. Mas o próximo está recheado de pegadinhas (pelo menos
duas). já sei: vou lançar um concurso. quem descobrir o maior número de citações no capítulo do mês que vem, poderá influênciar uma cena no
capítulo seguinte. Gostou? Que ótima ideia!! "Eu sou o fera... fera neném" (mais uma citação para você descobrir de onde vêm. Essa não conta,
mas vai te entreter um pouquinho, rs.
Calma com a nossa velha amiga de olhos rasgados. Ela é apenas a amiga periguete (ui!! agora fui machista) do ruivo. Isso não quer dizer que
ela tea a intenção de estrgar o romance deles. Ela tem uma opinião e guarda para si... como a maioria de nós tem quando seu amigos está
namorando alguém que... bem... não é exatamente a mais social do mundo e te faz querer sair pela janela da casa dele quando ela chega
(literalmente). Mas Cho não é nenhuma periguete... só um pouquinho aberta, em relação ao ruivo, mas eu queria que eles tivessem uma amizade
mais voltada para o humor do que a relação que ele mantinha com Herms.
E como você pediu ação, ação nesse capítulo teve até demais. Que tal lhe pareceu?
Nos lemos,
Fan Surfer
De repente...30!
