Notas da Autora

Frente às provocações de Fuji, o inevitável acontece. O sangue saiyajin de Sakura ferve de ira, enquanto ela é tomada por um desejo que surge do fundo de seu ser, perante o humano a sua frente.

Capítulo 12 - Fase eliminatória. Parte II

Mas, seu avô a para e fala:

- Não faça isso, vai ser desclassificada.

- Ele atacou covardemente Luap-chan e a sua mãe.

- Para começo de conversa, ô revoltada, elas não deveriam estar aqui e inclusive, quero ver você levar o caso para os monges. Você acabará advertida. E se quer resolver a pendência, resolva agora. - ele fala com um sorriso de canto.

Nisso, um dos monges se dirigia ao local, atento ao início do conflito, enquanto que os demais competidores observavam ansiosos o desfecho do mesmo, sendo que as duas gatas se sentiam culpadas, olhando agoniadas de um para o outro.

- Seu...!

- Não faça isso, Sakura. – ele fala seriamente, colocando a sua mão no ombro dela.

- Mas, tou-chan...

- Qual o problema, aberração? Não tem coragem de enfrentar esse Fuji?

O terráqueo fala altivo, adorando ver a contenção que a saiyajin exercia em si mesmo para não partir para cima dele, enquanto o chikyuujin detestava a interferência do avô dela.

Havia percebido desde que ela entrou naquela área, que aquilo na cintura dela não era um apetrecho e sim, uma cauda, pois, naquele momento, a cauda desenrolou da cintura da jovem e chicoteou o ar, percebendo que era por que estava irritada.

Além disso, o fato dela ter uma cauda e ter derrotado o rei dos demônios, a tornava uma aberração, a seu ver.

Havia reconhecido o significado do movimento da cauda, pois treinou em um dojo frequentado por muitas feras humanoides, sendo que muitas dessas tinham cauda, inclusive, havia dinossauros humanoides, assim como outros que treinavam e, portanto, após anos de observação, conseguia ler os movimentos das caudas.

Afinal, por ser um gigante, ele só conseguia vaga em um dojo onde havia outros gigantes e feras enormes, pois, os normais, não conseguiam comportar alguém do tamanho dele, que podia matar facilmente um humano menor. Ele era um humano, tido como um gigante.

- Quer ser desclassificada? – o avô dela pergunta, com a face séria.

- Não... Mas...

- Deixe para acertar as contas no ringue. Mas, lembre-se, não o mate.

Fala com visível preocupação, pois temia que a sua neta extravasasse o seu poder nele, pois, percebeu que ela não tinha problemas em matar alguém, sendo que sabia que Sakura se continha por ele.

Mesmo assim, em nada diminuía seu amor por ela, e ademais, era uma uchyoujin (extraterrestre) e não uma chikyuujin e, portanto, culpava a essência da raça dela pelo fato não se importar com certas coisas, que para muitos, soaria como atos frios.

- Como assim? – ela arqueia o cenho.

- Vocês irão lutar um contra o outro.

- Números dois e dez, subam ao ringue, por favor.

O juiz fala, olhando a prancheta, assim como o seu relógio de pulso, ficando um tanto impaciente, pois, era a terceira vez que os chamava.

Então, não desejando nada menos do que o mais puro mal um para o outro, ambos sobem, sendo que o adversário de Sakura se sentia confiante, sabendo que se a derrotasse, ganharia um status considerável.

Já, a saiyajin, enrolou novamente a sua cauda na cintura, sentindo a sua ira atingir níveis alarmantes, enquanto que não compreendia o motivo dela ficar tão irada quando pisavam em seu orgulho e cuja consequência, era o surgimento de um forte desejo de humilha-lo, passando a sentir certo prazer frente a esse pensamento, enquanto sorria malignamente, deixando-se levar por esse desejo que vinha do fundo de seu ser, pois, para a mesma, parecia ser algo inerente a ela, pelo que percebeu com o advento dos anos.

- Ganbare, Sakura! – Luap fala, torcendo pela amiga, enquanto assistia com os olhos expectantes.

Mutaito afaga a cabeça da gatinha e fala:

- Não se preocupe. Ela vai vencer, Luap-chan.

- Isso mesmo, minha filha. – a mãe dela fala carinhosamente.

- Só espero que ela não se exceda...

Mutaito murmura para si mesmo, preocupado, pois, sabia ler os gestos de sua neta e a saiyajin estava muito irritada, sendo que Fuji a humilhou e isso só agravou a situação dele perante ela.

Afinal, percebeu que desde cedo, o ato de pisar no orgulho dela, ao humilha-la, somente a deixava demasiadamente irada.

Então, ele viu o sorriso maligno de Sakura e sentiu alívio, pois, apesar de ser um sorriso preocupante, o mesmo indicava o fato de que ela pretendia humilha-lo o máximo possível antes de derrota-lo e preferia isso, em vez dela usar toda a sua força e poder, acabando por mata-lo.

Então, ambos se posicionam, um em cada ponta da arena e nisso, Fuji fala com altivez:

- Vou varrer o chão com você, aberração. Nunca vi um humano com cauda de macaco. – ele fala com um sorriso presunçoso no rosto.

- Só fala asneira... Acredite, existe algo muito pior do que a derrota e irei adorar fazer isso com você.

A saiyajin fala com um sorriso maligno e cada palavra com diversão, sendo que a cauda dela saiu da cintura e abanava lentamente para os lados, com ele percebendo que ela estava sentindo prazer.

Para Fuji, tal comportamento era um tanto desconcertante, sendo que jurava ter visto uma espécie de fera por detrás dos orbes ônix, espreitando-o e frente a isso, deu um passo para trás, enquanto sentia seu sangue gelar, pois, tinha a ilusão que estava em frente a uma fera, cujo anseio era somente para destroça-lo com as mandíbulas e frente a tal visão, ele engole em seco, se arrependendo amargamente de tê-la provocado.

Uma parte dele dizia para desistir da batalha, mas, ainda havia seu orgulho que lutava para ser ouvido e impulsionava o mesmo a lutar, por mais que para ele soasse como um ato insano, pois, nunca sentiu tanto medo na sua vida, quanto agora, tanto pela onda opressora de ki dela, quanto pela fera detrás dos olhos da saiyajin que parecia rosnar e rugir, com os seus orbes rubros como sangue, desejando destroça-lo.

Definitivamente, ao mesmo, a sua adversária estava longe de ser normal e parecia que estava ouvindo um leve rosnado e que vinha dela.

Porém, o timbre era tão baixo e reconhecia como sendo de prazer, que somente aqueles com audição aguçada ouviam, assim como ele e outros, além das gatinhas. Os demais humanos não ouviam nada, sendo que o juiz que se afastava e se posicionava, não parecendo ouvir nada.

- Parece um rosnado... mas, o timbre é de prazer, não é, kaa-chan? – Luap pergunta, olhando para a genitora.

- Sim, filha, Você está aprendendo a definir rosnados e rugidos. Sim, é nesse sentido.

Mutaito arqueia o cenho e pergunta:

- Qual dos dois está fazendo isso?

- Sakura. – Nya fala com evidente surpresa em sua face – Não sabia que humanos podiam rosnar como feras.

- Bem, ela tem uma cauda, Acredito que ela consiga fazer isso.

Ele comenta, reconhecendo o rosnando de prazer, assim como a cauda dela que ondulava no ar, juntamente com o sorriso maligno da mesma.

Frente a tudo isso, a sua amada neta tinha guardado uma humilhação violenta para seu adversário e em decorrência disso, passa a sentir pena dele, notando que Fuji percebeu o seu erro, pois, podia ver a sombra do medo nos olhos dele.

Porém, era tarde demais para fazer algo e agora teria que arcar com a consequência amarga de seus atos. Provocar Sakura era um ato, no mínimo, insano.

Então, o juiz ergue a mão e depois a abaixa, dando o comando de início da luta:

- Hajime!

Fuji se preparava para avançar ao reunir a parca coragem que possuía, quando percebe que seus pés não queriam se movimentar e então, olha para Sakura, que olhava malignamente com um sorriso presunçoso no rosto, sendo que dobrara os braços em frente ao corpo, despreocupadamente.

Ele luta contra o seu corpo, sendo que o juiz não compreende o ocorrido e ela fala, com a cauda dela voltando à cintura:

- Pelo visto, as suas palavras eram vazias... Vejo que está tremendo, enquanto exala a medo... Patético.

O adversário fica com raiva e tenta reunir a sua coragem, juntamente com a sua fúria, para se movimentar e nisso, consegue avançar.

Os espectadores respiravam lentamente, ansiosos para ver o desenrolar da batalha, pois, ele era tão enorme que seus pés ocupavam o ringue lateralmente e precisou curvar a cabeça, para ficar de pé, com muitos duvidando que ele fosse, de fato, um humano, devido ao tamanho exacerbado que possuía.

- Bem, como é covarde e estou sentindo pena de você – a saiyajin fala em um tom sarcástico, sendo que ele percebeu que não havia nenhum resquício de pena nela – irei ficar parada. Pode me golpear no rosto. Fique a vontade.

Frente às palavras dela, todos olham apavorados para Sakura, sendo que muitos estavam atônitos, pois, ela falou para dar um soco nela, avisando que não iria reagir e pior, no rosto e por isso, a maioria esmagadora a achava louca.

As gatinhas ficaram estáticas e Mutaito suspira cansado e abana a cabeça para os lados, após rodar os olhos, pensando consigo mesmo:

"De fato, ela reserva muita humilhação a ele... Mas, dos males o menor."

Ele pensa amargamente, passando a sentir pena de Fuji, pois, ele mexeu com quem não devia ter mexido, feriu as amigas dela e humilhou aquela que não devia humilhar e por causa disso tudo, pagaria dobrado e com juros, nas mãos de sua neta.

Frente a tudo isso, ansiava saber mais sobre a raça de Sakura, sendo que Karin havia falado para ele, antes de partir da Torre, que Kami-sama decidiu adiantar um projeto que tinha em mente e que permitiria a ele saber tudo o que quisesse e frente a isso, Mutaito pediu para ser avisado e o sennin se prontificou a avisa-lo.

Tomado pela raiva, ele consegue enfim se mexer e sacudindo a cabeça para os lados, avança, erguendo o punho enorme, exclamando, embora suasse frio:

- Irá se arrepender disso, miserável!

- Pare...! – o juiz exclama, apavorado – Se mata-la, será desclassificado!

Fuji levanta seu punho e a golpeia violentamente no rosto, sendo que maioria olha para o lado, não desejando ver a cena, enquanto que as gatinhas tamparam os olhos com as patinhas e o juiz ergueu a prancheta para não ver.

Mutaito continuou olhando, pois, ele só tinha força física e sua neta era forte e também poderosa, possuindo um controle refinado de ki, assim como era o pensamento de Muten que olhava, surpreso, enquanto desconfiava que Fuji, fez algo de muito ruim para a sua imouto, ao ponto da mesma desejar humilha-lo.

Já, Tsuru não compreendia o comportamento de Sakura.

Porém, considerava o fato, de que o adversário deve ter feito algo de muito ruim para merecer a ira dela, sabendo que não era uma atitude sábia, provoca-la.

Enquanto isso, o seu otouto estava expectante para ver o resultado, imaginando que veria um corpo despedaçado e sangue, algo que não o alarmava, após participar, ativamente, da tortura de Kawari.

Aos poucos, todos olham e ficam estarrecidos ao verem que nada aconteceu com ela e que a mesma nem se moveu do local, como senão tivesse acontecido nada, enquanto mantinha um sorriso presunçoso no rosto, sentindo prazer em ver a face de seu oponente.

Fuji estava em choque, enquanto os olhos pareciam saltar das órbitas, pois era surreal demais, o fato de que o golpe dele não fez nenhum dano a jovem, mesmo usando toda a sua força.

Um silêncio absoluto impera no local, com todos ficando surpresos, menos Tao Pai Pai, que estava empolgado ao ver que nada aconteceu a Sakura.

Mutaito também ficou surpreso, pois, pensou que o golpe faria a sua neta, ao menos, curvar a cabeça levemente para trás e nada aconteceu.

- Como...?!

- Bem... Agora é a minha vez, né?

A saiyajin pergunta com um sorriso que não chegava às orelhas, fazendo Fuji recuar, ainda com o punho erguido.

Então, ela ergue um de seus braços, esticando o mesmo e dá um peteleco no punho dele, que dá um grito de dor, enquanto segura o mesmo, com a saiyajin não se importando com o silêncio sepulcral que reinava no recinto, enquanto que o juiz estava em choque, lutando para acreditar que o que via era real e não, uma ilusão de óptica.

Então, ela sente o odor de medo se intensificando ainda mais, enquanto o mesmo gritava e decide dar um peteleco no joelho dele, sendo que muitos ouvem o som de ossos sendo quebrados e o guerreiro imenso cede, tombando, gritando de dor e quando ia cair para fora do ringue por causa do seu tamanho, ela o segura pelos cabelos, ao saltar para o lado dele e sussurra, malignamente, de modo que somente ele ouvia:

- Podemos brincar mais?

A forma como ela falava, fez o sangue dele gelar e o mesmo passou a tremer de medo, ao ver a fera espreitando atrás dos olhos da guerreira e frente a isso, acaba urinando de medo na arena, com ela o erguendo ao saltar, para que todos vissem as calças dele encharcadas de urina, assim como outro cheiro, indicando que também defecou, quando viu a face dela, para em seguida solta-lo, fazendo o cair como um baque no chão, mas, o segurando para impedir dele cair fora da arena.

Então, fala novamente:

- E aí? Quer brincar mais, seu covarde? Ainda não estou satisfeita.

- Eu me rendo! Eu me rendo! Por favor! Eu me rendo!

Ele exclama desesperado, enquanto chorava compulsivamente, sendo que após todos verem as lágrimas dele, solta os cabelos de Fuji, permitindo que o mesmo caísse com metade do corpo para fora da arena.

Então, caminha até o juiz que está estático e pergunta, com a face normal, sendo que estala os dedos na frente dele:

- Seu juiz... Seu juiz... Ele declarou rendição e também caiu com metade do corpo para fora da arena.

Então, o juiz desperta e recua levemente perante ela, que arqueia o cenho com uma face sorridente, pois, adorou humilhar Fuji e esse sorriso serviu para acalmar um pouco o juiz, que fala, com a voz tremulante e gaguejando:

- Vitória do número dois.

Nisso, sorrindo, ela sai da arena, sendo que muitos se afastaram dela, com a mesma dando de ombros.

- Peço para que aguardem, pois, iremos limpar a arena seis. Assim que ela estiver limpa, a seleção irá continuar.

Luap e a mãe se assustaram, mas, ao verem Sakura com a face normal se tranquilizam e Luap avança até ela, a abraçando e falando:

- Obrigada... E sentimos muitos. Afinal, por nossa causa, quase foi eliminada.

- Tudo bem, Luap-chan... – ela fala com um sorriso genuíno, afagando a gatinha que sorri, sendo que a mãe dela também sorria.

Já, o avô da saiyajin exibia em seus olhos somente a censura pelos atos de sua neta, que fica cabisbaixa, pois, tinha noção, que exagerou.

Porém, confessava que sentiu um intenso prazer ao fazer isso e que tal ato foi feito quase que por instinto, pois naquele momento, a sua mente estava focada somente nisso, em humilha-lo, considerando que era um tanto desconcertante, porque, sentiu, em seu íntimo, que o fato dele ser fraco, somente estimulou esse lado dela, que era algo inerente.

- Jii-chan... Eu...

Sakura não sabe o que falar e fica triste, pois, apenas um olhar de censura de seu avô, era capaz de ter um efeito poderoso nela, mais do que qualquer surra.

O olhar de decepção dele lhe afligia mais do que qualquer bronca ou soco e nisso, passa a sentir os orbes úmidos.

Mutaito nota que ela estava triste por causa do olhar dele, sendo que ao se recordar dela no momento que estava humilhando Fuji, não era a sua neta e considerava que devia ser o lado alienígena da mesma, uma vez que não era terráquea.

Frente a isso, cerra os olhos e suspira cansado, pois, não podia julga-la com tanta severidade, uma vez que não conhecia o que era a raça dela.

Além disso, havia percebido, que às vezes, ela parecia ser controlada pelo sangue dela, embora tivesse consciência disso e tentava controlar, na medida do possível, em nome do carinho que possuía para com o seu avô.

Já, Sakura, sabia que o havia chateado com os seus atos.

Apesar de tudo isso, Mutaito não podia aliviar e precisava ser energético, para que ela se adaptasse a Terra, ao controlar mais efetivamente os seus instintos natos.

Então, suspira cansado novamente e ameniza a face, vendo-a sorrir timidamente, assim como percebeu que ela ficava um pouco aliviada, para depois o chikyuujin falar, seriamente:

- Bem, espero que esteja preparada para as consequências de seus atos, Sakura

- Consequências?

A saiyajin pergunta preocupada, pensando se receberia alguma bronca de seu avô, que podia ser demasiadamente severo quando desejava.