Alicia xingou alto e atirou o primeiro objeto que viu, um vaso, contra a parede. A indignação correndo veloz por suas veias... Aquela sangue ruim havia lhe socado, e Merlin, aquilo doeu.

Arrumou rapidamente uma bolsa com algumas roupas e itens pessoais, precisaria se ausentar por alguns dias até a poeira baixar, além disso... Tinha um encontro deveras importante, sorriu perversa... Potter certamente estaria lhe caçando como se fosse uma bruxa das trevas, ainda mais com a convocação para apresentar-se ao Ministério da Magia. Colocou alguns sicles em um envelope, endereçou para a adolescente que levou sua encomenda a Hugo, prendeu na pata da coruja e a liberou. O serviço tinha sido bem executado.

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O quarto na hospedaria trouxa era confortável, passaria o resto do dia e a noite ali e no dia seguinte pegaria um avião até Bruxelas. Duvidava que os Aurores verificassem vias de transportes trouxas. Abriu uma garrafa de vinho dos elfos e contemplou as chamas da lareira, sua mente vagando por lembranças antigas.

Flashback:

Alicia pousou a vassoura no campo de Quadribol sendo envolvida imediatamente pelos braços fortes de Fred, ele a girou rindo e, sem constrangimento, grudou seus lábios no dela. Alicia ofegou e o ruivo aproveitou para aprofundar o contato. Um beijo sensual e fugaz. Sequer notou quando foi colocada no chão devido seu nível de atordoamento. A grifinória sentia-se no céu.

- Se continuar a jogar tão bem, talvez ganhe outros beijos desses. - Fred piscou e saiu caminhando rindo convencido para o vestiário.

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Angelina ajudou-a no penteado, queria impressionar seu ruivo no passeio a Hogsmead, era oficialmente a namorada de Fred Weasley e não podia estar mais feliz.

- Você está linda! - A negra elogiou. - Meu melhor amigo vai adorar. - Ambas trocaram um sorriso malicioso.

- Pretendo aproveitar esse passeio. - Alicia comentou, alegre. - Até porque, talvez seja o último,... Maldita Umbridge! - Esbravejou.

- Aquela cara de sapo. - A aluna revirou os olhos, exasperada. - George e Fred estão furiosos, principalmente com as punições medievais.

- Sim. - Encolheu os ombros. - Agora vou indo, sabe como aquele garoto é impaciente...

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A Armada de Dumbledore nunca teve uma aula tão bonita quanto aquela, as formas corpóreas dos patronos flutuando entre todos os estudantes. Era lindo! Com um pouco de frustração notou que nada saia de sua varinha, contudo era paciente,... A loira tinha certeza que conseguiria executar o feitiço.

- Olhe, Forge, nossos patronossão gêmeos! - Fred exclamou com uma falsa expressão de surpresa, dois golfinhos nadavam entre os bruxos.

- Parabéns, meu amor! - Alicia buscou os lábios quentes do namorado.

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Agarrou os fios ruivos entre seus dedos, o beijo quente e o coração acelerado. Nunca cansaria daquele contato. O bruxo afastou-se minimamente, caiu ao seu lado na cama e a puxou para seus braços. Deitou sobre o peito nu e fechou os olhos com satisfação.

- Amo você, Fred. - Murmurou sonolenta.

- Alicia... - O ruivo inspirou fundo.

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Fred fez um novo curativo nos machucados das mãos, a Inquisidora sempre pegava mais pesado com o namorado, cunhado e Potter. Odiou-a por isso. Alicia juntou os livros e aproximou-se, o ruivo deu um sorriso desanimado e permitiu que ela sentasse ao seu lado.

- Vocês deviam parar de provoca-la. – Repreendeu, preocupada.

- Um gêmeo Weasley jamais se curva a uma ditadura. - Fred exclamou naquele tom rebelde que a loira tanto amava.

- Acho que você merece uma recompensa. - Insinuou sensual. - Sala Precisa?

O ruivo a encarou por longos minutos, a bruxa ficou perdida naqueles olhos. Contudo, sem compreender o que ele buscava tão intensamente.

- Hoje não. - Fred respondeu com um encolher de ombro, pouco característico. - Boa noite, Alicia. - Beijou-a rápido demais e subiu para os dormitórios.

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O namorado parecia distante ultimamente, concentrado em burlar as regras e infernizar a vida de Dolores Umbridge... Alicia suspirou resignada, aquilo era apenas uma fase... Caminhou de forma acelerada pelo corredor até chegar ao buraco do retrato da Mulher Gorda, observou o trio de ouro discutindo algo com os gêmeos. Sentiu o sorriso nascer em seu rosto. Fred a encarou e algo parecia diferente ali, ele piscou e voltou sua atenção para os amigos.

Deixou os livros sobre uma mesinha, e aproximou-se do grupo. Eles cessaram o diálogo, Alicia não conseguiu refrear uma careta pelo comportamento de todos.

- O que há? - Exclamou irritada.

- Assuntos pessoais, Alicia. - Fred explicou inexpressivamente. - Podemos conversar depois? Ainda preciso terminar aqui. - Pediu sorrindo cansado.

- Você está trocando sua namorada por pirralhos do quinto ano? - Franziu o cenho. - Fred, você está sempre longe... - Reclamou sem se importar com os outros que pareciam constrangidos.

- Esses pirralhos são a minha família. - O ruivo rebateu firme. - Podemos conversar depois? Não vou pedir novamente. - As feições fechadas, definitivas.

Virou-se. Pegou seu material e subiu as escadas do dormitório feminino.

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Fred a olhava com um sorriso triste, a bruxa estava assustada. Sentaram no gramado e observaram o Lago Negro por infinitos minutos, ela tentou tocar sua mão,... E ele puxou de volta.

- Alicia. - A Grifinória adorava seu nome saindo daquela boca. - Eu pensei muito e conversei muito com minha outra parte, George,... Nosso namoro foi excelente. - Ele suspirou e seu coração apertou. - Quer dizer... Você é bonita, esperta e gentil. Só que não estou sendo franco contigo. - Os fios ruivos cobriram seus olhos. - Você sempre foi sincera em seu amor pela minha pessoa, porém eu não posso mais esconder... Eu não te amo. - O ruivo encolheu os ombros.

- Claro que você me ama! - Alicia levantou-se completamente indignada. - Você me ama, Frederick Weasley! - Teimou e lágrimas ameaçaram cair ao notar o olhar de culpa e pena.

- Eu sinto muito, eu realmente tentei. - Ele também levantou. - Eu não queria que sofresse, contudo prosseguir com isso seria uma mentira. - Fred tocou seu rosto marcado pelas lágrimas. - Desculpe Alicia, esse é o fim do nosso namoro.

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Chorou. Angelina segurava sua mão enquanto assistia impotente Fred sumir de suas vistas naquela vassoura... Para sempre os gêmeos Weasley seriam lembrados pela forma brilhante que largaram a escola. E o coração de Alicia Spinnet sangrava pela falta que o bruxo maroto fazia em sua vida... Tão poucos meses, como Fred tinha certeza que não a amava?

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A Gemialidades Weasley era fantástica! Cada pedacinho da loja transpirava a genialidade dos donos, a loira procurou Fred pelos coloridos corredores... A esperança que a saudade os reaproximasse gritando em seu peito. O ruivo estava próximo de um telescópio e gargalhava de uma irritada Granger com os olhos manchados de tinta. Sorriu involuntária. Alicia percebeu que eles encaravam-se intensamente e algo dentro do seu estômago retorceu.

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Hermione Granger. Aquela ratinha de biblioteca. Aquela sabe tudo irritante. Aquela sangue ruim. Hermione Granger?! Não era possível. Por que Fred Weasley ficaria com uma bruxa ridícula como ela?!

Eles beijavam-se escondidos atrás de uma loja de Hogsmead, as mãos do seu ruivo seguravam a bruxa como se ela fosse preciosa... Viu-se obrigada a derrubar uma lata de lixo para assustá-los, ninguém a notaria sob o feitiço de desilusão.

- Eu preciso ir. - Granger disse com um sorriso bobo, Alicia queria tanto estapeá-la. - Ron e Harry não devem desconfiar.

- É uma ideia idiota, Mione, mas se é sua vontade. - O ruivo fez uma reverência brincalhona, seus olhos resplandecendo felicidade.

- Não seremos um segredo para sempre. - Ela o beijou rapidamente.

- Vá logo, Leãozinho. - Ele a soltou. - Antes que eu a prenda nessa parede e a devore. - As palavras lascivas e eles riram. A loira odiou-a profundamente. Fred nunca a apelidou.

Por que ele a tinha escolhido?

Fim do Flashback.

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Alicia tacou a taça de vinho na lareira, algumas lágrimas rolando pelo rosto bonito. Por que Fred apaixonou-se por outra mulher que não fosse ela? Doía tanto... Ela só queria o ruivo para si. Aquela não era a vida que tinha idealizado... Hugo Weasley deveria ser seu primogênito, Angelina sua melhor amiga de sempre e cunhada e o ruivo maroto seu idolatrado esposo.

- Tudo culpa de Hermione. - Afirmou novamente seu mantra. - Seduziu meu namorado, roubou minha família, acabou com meu futuro... - Amargou aquilo em sua alma.

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Harry Potter saiu da sala de Parvati Thomas com um sorriso satisfeito. Assim que notou a fuga do hospital, retornou rapidamente até o Ministério da Magia, após a tentativa de envenenamento por parte de Alicia Spinnet, um pedido de prisão provisória tinha sido atendido. Ele encontraria a bruxa ardilosa e a faria pagar por seus crimes, era uma promessa... Lamentou a perda do fator surpresa.

- Amor. - Ginny o interceptou no corredor, ela estava inquieta e com o rosto avermelhado.

- O que faz aqui? - Parou e questionou preocupado. - Aconteceu algo mais?

- Lucy, nossa sobrinha, ela quer conversar contigo. - Explicou afobada. - Ela estava com Hugo quando ele pegou o bilhete. Eles voltaram a caminhar, o auror a seguiu até o nível 01, onde se localizava o escritório de Percy, pai de Lucy e Assessor do Ministro da Magia Kingsley Shacklebolt.

O homem ruivo de óculos tinha as expressões sérias enquanto a filha pintava com giz colorido o livro de desenhos. Lucy ergueu os grandes olhos azuis para os adultos assim que a porta foi aberta.

- Finalmente, tio Harry! - A garotinha de cabelos acaju exclamou. - Eu avisei para Hugo que era má ideia falar com estranhos. - A voz clara e o tom sério sempre fazia o auror se lembrar de Hermione... Lucy seria uma intelectual.

- Querida. - Ele puxou uma cadeira e sentou em frente à criança. - Você pode descrever exatamente como foi.

Flashback:

- Irritante.

- Chata.

- Bobo.

- Idiota.

Lucy mostrou a língua para o primo, não sabia porque sua mãe o convidou para tomar sorvete. A menina não compreendia com seus seis anos como alguém legal como tio Fred podia ter um filho tão, tão... A pequena queria esganar o ruivinho. Estranhou quando ele pulou da cadeira e foi falar com uma menina de aproximadamente treze anos.

- Hugo! - Lucy chamou. - Não devemos falar com estranhos. – O menino revirou os olhos e voltou sua atenção para garota.

- Não se preocupe, bobinha. - A menina riu. - Vocês estão sozinhos?

- Tia Audrey está pagando nosso sorvete. - Hugo respondeu simpático.

- Ela já está vindo. - Lucy exclamou relutante, virando seu corpo na cadeira para observar o primo e a estranha. - O que quer?

- Eu sou fã da sua mãe. - A adolescente encarou Hugo e ignorou a outra criança. - Pode entregar para ela, bonitinho? - Tirou um envelope do bolso, notou que a moça usava luvas e entregou para Hugo que sorria bobamente.

- Claro. - Ele sorriu e voltou para a mesa antes que a prima fizesse um escândalo, guardou a carta no bolso da bermuda.

A adolescente sumiu no minuto que Audrey voltou com um sorriso pacífico e dois picolés para a filha e o sobrinho. Lucy encarou Hugo com mau humor, entretanto não dedurou o primo.

Fim do Flashback.

- Desculpe não ter contado antes. - Lucy reprimiu a careta. - Hugo vai ficar bem? - Havia preocupação verdadeira ali.

- Vai sim, querida. - Ginny pegou a sobrinha no colo e acariciou os fios lisos.

- Obrigada por falar a verdade. – Harry trocou um sorriso com a esposa. – Agora eu preciso voltar para o Quartel, ainda tenho uma bruxa malvada para capturar.


N.B.: uau, uau! Essa Alicia está realmente sem limites... Esperando super ansiosa pelo próximo cap! Bjs bjs, Ártemis.

Fanfic também postada no Spirit e Nyah!