Olá!
Conforme o título, esse capítulo terá uma surpresinha. Espero que vocês gostem.
Boa leitura.
"Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças."
Leon C. Megginson
Aquele era o início da tarde de um belo dia primaveril. O ar tremeluzia com a promessa do verão e em sua opinião, Konoha não poderia estar mais resplandecente. As copas das árvores se encostavam umas às outras, formando um bosque arejado, rico em fauna e flora. De onde estava, ele podia visualizar o monumento feito em homenagem aos Hokages ao longe e sorriu.
Como era bom estar de volta! Com seu patriotismo - até então desconhecido - aflorado, ele admirou a grandeza e beleza da Vila mais uma vez e quase não acreditou que ela estivesse destruída há tão pouco tempo. De imediato, sentimentos vividos ali retornaram e ele sentiu seu estômago se contrair, tamanha ansiedade, alegria e também, insegurança. Como ele seria recebido? Essa era uma dúvida que martelava sua mente constantemente.
Envolto em suas dúvidas, ele respirou fundo, sentindo a brisa fresca e úmida lhe invadir os pulmões, trazendo-lhe vigor; alongou os músculos cansados da longa viagem e saltou silenciosamente, abandonando o muro que cercava sua aldeia natal. Sua intenção não era deixar sua presença evidente, por enquanto iria pela floresta, assim não causaria muito alarde.
Caminhando lentamente, ele olhava para as árvores e vez ou outra, a luz solar atingia-lhe os olhos, mas não chegava realmente a incomodar. No fim, ele estava se sentindo acolhido; os pássaros cantarolavam, melodiosos, aumentando sua sensação de aconchego.
Ao pensar em conforto, lembrou-se da última vez que estivera em Konoha. Apesar do medo do que estivesse por vir, ele se sentiu confiante, forte... Isso por um motivo: ela estava lá. Contente por carregar a doce lembrança dela, ele andou mais rápido, de repente querendo vê-la o quanto antes, deixando de lado sua pretensão inicial de não ser notado.
Obviamente, ela não estaria esperando-o naquele mesmo banco de praça, mas mesmo assim, ele não resistiu e ao adentrar na parte habitada da Vila, pouco tempo depois, se dirigiu àquele que foi a testemunha de seu último encontro com ela. Seus lábios se moveram sem sua permissão e um sorriso se formou. Oh, como queria vê-la!
Era estranho para ele se deixar inundar por sentimentos tão estranhos, amorosos, mas o que ele poderia fazer se ela era sua amada desde sempre?! Ele tinha de confessar, o que sentia por ela era diferente de tudo o que havia sentido por qualquer outra mulher. Muitas haviam passado por sua vida, mas nenhuma delas havia lhe marcado de tal forma como ela; mesmo que, até o dia presente, eles não tiveram uma real oportunidade de viver algo afetivo, mas em seu coração ela era única, especial... Uma pena que talvez, fosse tarde demais para que algo acontecesse entre eles.
Vestido com uma capa habitual de viajantes, ele ia passando por entre os habitantes distraídos, seguindo para o local que almejava alcançar e não conteve mais um sorriso; aquela seria uma grande surpresa. Ninguém sequer imaginava que ele estivesse por ali e faria o possível para que sua apresentação fosse grandiosa, mesmo correndo o risco de ela querer matá-lo.
Seu grande plano estava seguindo seu curso até o momento; nenhum dos habitantes parecia reconhecê-lo ou notar sua presença, o que fez com andasse mais confiante, mas ainda, rapidamente. Não demoraria muito para que algum conhecido lhe notasse e estragasse tudo. Graças à Kami, em pouco tempo avistou o edifício em que ela estaria e se preparou: cortou o polegar com os dentes, moldou seu chackra com selos de mão e plantou uma das palmas no chão.
— Kuchiyose no Jutsu! –Murmurou e em poucos segundos um barulho estrondoso foi ouvido.
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Ódio. Esse era o sentimento que a invadia nesse momento. Estava cansada de tentar resolver tudo e nada dar certo e como se já não bastasse tudo o que fazia, mais uma função havia sido acrescentada à sua longa lista de afazeres: organizar a festa de despedida da "Família Hatake". Francamente, qualquer pessoa poderia fazer aquilo, mas ao que parece, ela fora a "melhor" escolha.
Como era de se esperar, sua paciência se esgotou ao ver que teria muita coisa para calcular, planejar... E no fim, Shizune acabou tomando o seu lugar, organizando uma bela recepção. Porém, como nem tudo é perfeito, a adega local atrasou o seu pedido e agora, com poucas horas para o início da festa, a maior parte das bebidas encomendadas não haviam sido entregues.
Tentando não se irritar ainda mais, Tsunade pegou sua fiel companheira, a sua garrafa de saquê que vivia escondida em uma de suas gavetas e bebeu um generoso gole direto do gargalo. Ao sentir o sabor do álcool na boca e logo depois esquentando sua garganta, ela sorriu. Enfim, poderia se sentir relaxada. Preparava-se para mais um dar mais um gole quando ouviu um barulho próximo à sua janela.
Praguejando, Tsunade viu que seu busto havia sido molhado pelo saquê, ela secou-se, limpou algumas gotas da bebida de sua mão no tecido de sua calça e se levantou. O que poderia ter acontecido? Diabos! Só faltava Orochimaru ter se adiantado e resolvido atacar a Vila. Justo hoje?! Ela reconheceu aquele ruído como de um jutsu de invocação, que ela própria usava e esperava ver Manda, a invocação de Orochimaru destruindo Konoha.
Ao chegar à janela, ela viu Gamabunta erguer a cabeça, trazendo Jiraiya em cima. Sua surpresa foi enorme e sua alegria também, porém, ainda estava irritada e ao se lembrar que por causa dele, por conta do susto, seu saquê havia sido desperdiçado, a sua vontade era de socá-lo, tanto pela bebida perdida quanto pelo temor que ele havia lhe dado. Invadir a Vila da Chuva era muito arriscado e mesmo sendo um excelente shinobi, ele poderia não ter voltado vivo.
— Jiraiya, eu não acredito que você me invocou aqui!? E por qual motivo!? Faça-me o favor. –A voz de Gamabunta foi ouvida, carregada de resignação. Ao ver Tsunade na janela da Torre, o sapo entendeu o motivo de sua aparição e zombou: — Seu velho tolo... Você não desiste mesmo, não é?! Já passou o tempo em que ela poderia se impressionar conosco.
— Iuhul, fique quieto. –Jiraiya exigiu dando um leve chute na cabeça de Gamabunta. O Sannin estava agora sorrindo de forma presunçosa para a Hokage, provocando ainda mais a ira da loira.
— Não vou ficar aqui vendo ela acabar contigo. –Ao ouvir o aviso do sapo, Jiraiya preparou-se para pular. — Eu estava no meio de um delicioso almoço. –Resmungando, Gamabunta sumiu em uma nuvem de fumaça e Jiraiya pousou sobre o telhado, próximo à janela.
— Yo, Tsunade. –Cumprimentou ainda sorrindo, se debruçando no umbral da janela de forma galante.
— Seu filho de uma puta! –Tsunade bradou, desferindo um soco em direção ao Sannin que já esperando aquela reação da loira, se desviou.
— Não fique zangada, Tsunade. Foi uma surpresa boa, confesse. –Jiraiya provocou, gargalhando e se desviando dos socos seguintes.
— Desgraçado, você quase me mata de susto! E me fez derrubar meu saquê! –Tsunade estava tão nervosa que seu rosto estava avermelhado, o que divertia o Sannin.
Jiraiya pensou que estava com sorte, pois ela estava tão cega em sua raiva que sequer pensou em sair da sala. Se ela resolvesse lutar com ele no telhado, provavelmente a Torre viria abaixo. Usando sua agilidade, ele parou de andar de um lado para o outro e segurou os punhos de Tsunade com ambas as mãos junto ao peito. A força do impacto quase o jogou para fora do telhado, porém ele moldou chakra nos pés e se manteve firme.
— Ora, pare com isso. –Ainda segurando os punhos da loira, Jiraiya pediu. — Vamos lá, vamos entrar e conversar. Depois de tanto tempo fora, essa é a recepção que eu tenho? –Questionou indignado.
— Me solte! Seu bastardo! –Tsunade se livrou das mãos de Jiraiya, mas ele foi mais rápido e pulou a janela, entrando em sua sala. Ele parou à frente de Tsunade e por um rápido momento, a Godaime ficou feliz em vê-lo.
— Não vai me dar um abraço de boas-vindas? –Ele questionou sorrindo, exalando confiança.
— Nem em mil anos. –Tsunade morria de vontade de fazer aquilo, mas não daria o braço a torcer.
— Ora, se você não me der, eu tomo de você. –Jiraiya disse com ousadia. Tsunade mal absorveu as palavras proferidas pelo Sannin e sentiu os braços poderosos em torno do seu corpo. Mesmo com seu cérebro lhe dizendo que ela deveria empurrá-lo e socá-lo até quebrar-lhe algumas costelas - novamente -, seu coração lhe dizia o contrário; seu coração implorava para que ela o abraçasse de volta e matasse a saudade que sentira por tanto tempo.
Hesitante, a Godaime ouviu seu coração e abraçou Jiraiya, ainda sem se deixar levar pelo carinho que sentia por ele. Aos poucos ela relaxou e sorriu apoiada no peito largo do pervertido em questão, enquanto sentia as mãos masculinas tocarem suas costas, em um gesto de carinho. Oh, como era bom tê-lo de volta! Mesmo com seus escândalos, suas pesquisas idiotas e tudo o mais, ela o adorava. Ele sempre fora especial para ela, mas isso era algo que ela não deixaria que ele soubesse, pelo menos não por enquanto.
— Jiraiya, seu filho de uma mãe! Que susto você me deu! Eu achei que fosse o Orochimaru atacando a Vila! –Tsunade exclamou, interrompendo o abraço e dando um soco no braço do Sannin.
— Bem, não é para tanto, minha querida. Minha intenção não era essa, isso eu garanto a você! –Jiraiya gargalhou ante a evidente preocupação da Hokage, mas logo interrompeu o riso para alisar a parte do braço que fora atingida pelo soco. — Eu posso saber o motivo de tanto medo? Ele está se movendo devagar, esperando a hora certa para dar o bote, ele não virá tão cedo, Tsunade.
— Nunca se pode confiar no Orochimaru, mesmo que tenhamos uma ideia de como será seus planos. –Mesmo se sentindo tranquilizada, ela insistiu na ideia de que a qualquer momento o outro Sannin Lendário poderia atacar, afinal, ao que parecia, Orochimaru estava mais que desesperado por um novo hospedeiro.
— Certo, pode ser, mas acho muito difícil.
Ao ver que Tsunade seguia para sua cadeira, deixando-o em pé próximo à janela, Jiraiya se adiantou e se sentou em cima do tampo da mesa, do lado direito de Tsunade. Ele exibiu mais um sorriso, ao ver que ela tirava um copo de dentro de uma das gavetas e o enchia com saquê, que ainda estava em cima da mesa.
— Aqui, tome. Vamos brindar à sua volta! –Ela deu-lhe o copo, tomou seu gole direto no gargalo e sorriu ao vê-lo ingerir o líquido. Logo que ele bebeu todo o líquido, ela ficou séria e guardou a garrafa. — Seu bastardo, você preocupou a todos! O que aconteceu? Em seus relatórios você não nos contou como escapou. –Tsunade enfim, poderia matar a sua curiosidade.
— Bem, essa é uma história muito longa, mas irei resumi-la. –Jiraiya pousou o copo em cima da mesa e começou a contar-lhe pelo o que havia passado.
Tsunade ficou chocada ao saber que Jiraiya havia sido preso numa emboscada e esteve prestes a morrer. Se não fosse por uma das mulheres que ele esteve em contato em Amegakure, ele poderia não ter voltado para Konoha com vida. Ela o abrigou, mesmo correndo o risco de ser morta; seu marido havia sido morto em uma suposta missão, o que pareceu a ela muito estranho, então, mesmo em meio à dor da perda, ela ajudou Jiraiya a invadir o esconderijo de Pain e com os poucos conhecimentos medicinais que tinha, curou-lhe as feridas. Ela havia ficado de olho em toda a movimentação causada pela luta à distância e assim que Pain e seus Caminhos acharam que Jiraiya estava morto e retornaram para a Torre, ela o socorreu.
Depois de seis meses, período em que os ferimentos mais graves haviam sido curados, Fukasaku fez uma invocação reversa e terminou de curá-lo no "Lar dos Sapos". Após mais alguns meses, ele estava bem fisicamente o suficiente para sair de Monte Myoboku e recomeçar suas "pesquisas". Resumidamente, a luta contra Pain lhe custara quase um ano de vida e muitos ossos quebrados, mas graças a algum ser superior, ele conseguira sobreviver. Ele havia perdido a luta de seu afilhado contra Pain, mas ficara muito orgulhoso ao saber que o jinchuuriki esteve lá, treinando para conseguir entrar no Modo Sennin.
Agora que a Akatsuki havia sido aniquilada, eles estavam com um "novo-antigo-inimigo" e ele não iria admitir para Tsunade, pelo menos não por enquanto, que o ex-companheiro de time vinha com toda a força. Orochimaru havia se especializado ainda mais em seus experimentos e jutsus e o pior, usara muitas informações genéticas dos integrantes da Akatsuki para criar algo que, mesmo Jiraiya, sequer sabia do que se tratava. Por isso ele estava de volta, para ajudar Naruto a ser ainda mais forte, para liquidar Orochimaru de uma vez por todas.
Ainda tinha a questão da passagem de poder. Ao que parecia, Tsunade queria se aposentar do cargo de Hokage e Naruto seria treinado para ser seu sucessor. Só restava esperar para ver se o plano que o Conselho havia traçado desse certo; ao se lembrar do tal plano, Jiraiya questionou:
— Mas e essa fuga para Suna, como você concordou com isso? Eu sempre achei que usar seu experimento de rejuvenescimento em uma missão tão perigosa como essa fosse contra suas regras! –Ele perguntou com um sorriso malicioso. Jiraiya sabia muito bem que Tsunade odiaria compartilhar seu precioso elixir da juventude, então, só lhe restava deduzir que ela realmente temia pelo que pudesse acontecer ao jovem Sarutobi.
— Acontece que as minhas regras mudaram. Quase ninguém sabe desse meu líquido precioso, então cale-se, ou eu lhe quebro os dentes! –Tsunade ameaçou, apertando o joelho do Sannin.
Desviando-se do toque da loira o mais rápido que conseguiu, Jiraiya se levantou e olhou de relance para os papéis em cima da mesa. Aquilo era um recibo de compra de dezenas de garrafas de saquê, entre outras bebidas. Ele ficou assustado. Tsunade teria virado uma alcoólatra?
— Você se tornou uma alcoólatra, Tsunade? –Ele questionou, pegando o papel e erguendo-o na altura dos olhos claros da mulher. Seu temor era que por qualquer motivo que fosse ela tivesse se afundado no álcool. Ele jamais se perdoaria se isso fosse verdade e mais ainda, em último caso, se seu sumiço fosse a causa da "queda" dela.
— Ora, não seja tolo, Jiraiya! Eu não sou uma alcoólatra! Essa é a lista de bebidas que pedi na adega local para a festa de despedida do Kakashi, Konohamaru e da Sakura. Hoje é o último dia da "Família Hatake" aqui em Konoha. –Tsunade explicou, rindo da preocupação do Sannin.
— Ah, sim... Entendi. Que bom que é apenas para a festa, pois aí tem bebida para um exército inteiro. Mas voltando à missão, porque a menina Sakura foi escolhida? Eu achei que você quisesse mantê-la no hospital, para que ela se aperfeiçoasse ainda mais em seus jutsus de cura. –O Sannin perguntou intrigado.
— Confesso que eu queria que ela ficasse mais algum tempo "de molho", mas agora surgiu uma oportunidade imperdível de testar suas habilidades. A Sakura é a segunda melhor médica-nin de todo o País do Fogo, fica apenas atrás de mim, é claro, mas ela é mais que fundamental nessa missão. Konohamaru pode se sentir mal com relação ao experimento e além da sua experiência com a medicina, o seu poder de combate é impressionante, por isso, não vejo muitas razões para prendê-la aqui. –Concluiu orgulhosa por ter participado do crescimento da jovem kunoichi.
— Ah... Eu entendo perfeitamente, mas se bem a conheço, Tsunade, eu aposto que você tem um truque na manga, não é mesmo? –Jiraiya questionou com malícia. Ele havia achado muito estranho Tsunade ter concordado com algo tão... Diferente quanto essa missão.
— Bem... Eu... –Constrangida, Tsunade olhou para seus papéis e corou. Esse comportamento lhe era atípico, mas Jiraiya a conhecia muito bem e isso a deixou extremamente embaraçada. Ela poderia negar, naturalmente, mas para evitar que Jiraiya a atormentasse, decidiu-se por confirmar. — Certo, eu tenho sim, mas eles sequer desconfiarão... Bem, pode ser que desconfiem, mas se o que eu imagino e planejo acontecer, eles ficarão ainda mais unidos e a missão terá ainda mais chances de sucesso!
Tsunade estava convicta de que seu plano oculto daria certo e quando a confirmação viesse, ela se sentiria infinitamente bem, pois mataria dois coelhos com uma cajadada só.
— Tsunade, você não pode brincar com os sentimentos dos outros dessa forma. Você não pode mandar um casal para uma missão assim, com motivos ocultos; as chances de eles se odiarem, ao invés de se gostarem também são enormes. –Jiraiya tentou trazer à tona a responsabilidade e consciência da Hokage, ela estava se envolvendo em algo que poderia ter dois lados distintos.
— Eu não estou brincando. Olha, vamos deixar esse assunto de lado, ok? Tenho que dar uma dura nesse pessoal da adega, eu preciso dessas bebidas até as 18:00 de hoje. –Tsunade mudou de assunto, ela não queria ser questionada por Jiraiya mais uma vez, eles poderiam prolongar a conversa até o horário da festa e ela não queria isso.
— Bem, se você quiser, eu posso resolver isso. –O Sannin se ofereceu, já pegando o papel que estivera em sua posse momentos antes.
— Obrigada! Eu fico honrada com sua ajuda. Nos encontraremos aqui mais tarde, para irmos juntos? –Ela perguntou, querendo passar mais tempo com Jiraiya, mesmo que desconhecesse a real razão para aquilo.
— Pode ter certeza de que sim, minha querida. –Confirmou com uma piscadela e um sorriso malicioso nos lábios, seguindo em direção à janela, de onde saltou.
l-l-l-l-l
Hinata caminhava pelo centro de Konoha pensando em como sua vida havia mudado na última semana. Naruto havia lhe procurado quase todos os dias após o sábado em que se encontraram no pub; ela sequer queria ter ido até lá, mas Kurenai insistira tanto, que nem mesmo Hiashi conseguira negar. Após ver todo o esforço da sua ex-sensei em ajudá-la a sair de casa, ela viu que a morena estava certa, ficar somente treinando para tomar conta do clã Hyuuga não estava lhe trazendo muitos resultados; como toda jovem, ela também precisava de diversão e certamente, ela poderia dizer, havia se divertido mais em uma semana que em alguns anos.
Naruto a fazia rir e por mais que, por diversas vezes, um clima estranho se instalava entre eles próximo ao final do encontro, ela percebia que ele estava curtindo aquilo, que queria compartilhar daqueles momentos com ela. Suas esperanças haviam sido renovadas, deixando-a cada vez mais ansiosa para saber o que ele planejava a cada vez que se encontravam. Tudo bem que em três vezes das cinco em que saíram, o local escolhido fora o Ichiraku, mas só de estar ao lado dele, uma sensação boa a invadia e só aquilo já lhe bastava.
A Hyuuga se dirigia a uma loja de roupas, ela tinha a intenção de comprar uma roupa nova para usar na festa, mas pensando melhor, talvez ela nem fosse, afinal, sem Kurenai lhe dando apoio naquela noite, Hiashi poderia se opor à saída de sua herdeira. O que ela realmente queria era que certo loiro de olhos azuis a convidasse para acompanhá-lo, mas talvez ela estivesse esperando demais.
— Um beijo por seus pensamentos. –Uma voz levemente rouca soou próxima ao seu ouvido, assustando-a.
— Na-Naruto-kun! Você me assustou. –Pega desprevenida, Hinata gaguejou e empertigou-se. O que ele fazia ali? Ela não havia notado se fora seguida, mas duvidava que ele estivesse à sua procura.
— Me desculpe Hinata-chan. Eu estava indo ver o que a "vovó" quer comigo e te vi... Aí eu pensei: será que você não gostaria de me acompanhar à festa de logo mais? –O jinchuuriki indagou sorrindo.
— Bem... Eu... –Era como se ele tivesse lido seus pensamentos e não podendo estar mais feliz por isso, ela sorriu, dando-lhe uma resposta. — Claro, eu adoraria. –Assentiu, vendo o sorriso do loiro se alargar ainda mais.
— Ok, busco você às 19:30! –Gritou feliz, se afastando e indo em direção à Torre Hokage.
Hinata suspirou, vendo-o se afastar e mais uma vez a chama da esperança se reascendeu em seu peito. Bem, ele havia dito "um beijo pelos seus pensamentos", mas o mesmo não tinha acontecido... Isso era um sinal de que à noite ele poderia acontecer? Envolta em sua áurea de admiração, ela sequer se deu conta de que, se quisesse estar pronta a tempo, teria de escolher uma roupa o mais rápido o possível. Ino e Sakura que passavam, voltando para o apartamento compartilhado, viram a morena parada próxima à loja com cara de apaixonada e logo se aproximaram; após uma conversa animada, elas acabaram ajudando-a na escolha. Cada uma delas tinha suas próprias expectativas para aquela noite, mas Hinata ainda pensava se o tão esperado beijo aconteceria, finalmente.
Chegamos ao final de mais um capítulo.
Sei que pode ter ficado meio "viagem" o Jiraiya ter voltado, mas é como minha mana me disse: "A fic é sua, você faz o que você quiser!" Enfim, eu fiz! :)
Como eu havia dito antes, a missão virá logo, no capítulo 14, para ser mais exata. Quis "aparar" algumas arestas para que nenhuma dúvida fique pairando no ar, beleza?
Até uma próxima, espero vê-los nos comentários.
P.S: Não terei mais dia fixo para postar.
