AUTHOR: Lady F., Lady K, Towanda
DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions.
SPOILERS: OUT OF TIME
Comments: A conversa entre Marguerite e Verônica ocorreu no capítulo 7.
Um agradecimento especialíssimo a Maria Célia por sua consultoria profissional, além da imensa paciência e carinho conosco. Esperamos ter aprendido direitinho. Beijokaxxx!!!
Obrigado pelo carinho.e milhões de beijos pra Mary, Nessa Reinehr, Rosa, Gio, Taíza, Nay, Margie 100%(Fabi).
Estamos adorando escrever. Esperamos que vocês também estejam gostando de ler.
.........................................
Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Doze
"O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flechas se projetem, rápidas e para longe."
Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"
.........................................
"Rápido... Malone" – gritava Roxton correndo como nunca.
O rapaz ia na frente enquanto, quase pisando em seus calcanhares, vinha o caçador carregando Thomy como se fosse um saco de batatas. Mesmo sem que pudessem ver, escutavam os sons do raptor que se aproximava. Ned subiu em uma árvore com uma destreza que ele não imaginava ter. Roxton chegou e sem pensar, literalmente jogou o garoto para o jornalista acomodado metros acima em um galho, Malone pegou-o sem pestanejar. Em seguida foi a vez de John mostrar que sob pressão conseguia subir em qualquer coisa e por muito pouco a perna dele não ficou na boca do animal. Os dois homens estavam ofegantes.
"Que idéia Malone."
"O que? Summerllee foi bem específico sobre o que Challenger queria."
"Só que eu nunca vi nenhuma galinha no platô e ainda mais de penas brancas."
"Ele disse que é a melhor." – Malone ainda tentava recuperar o fôlego.
"E com tanto lugar para procurar tínhamos que vir parar quase na boca de um raptor?"
"Se o pessoal sabe disso, eles matam a gente" – disse Malone para só então olhar para Thomy que gargalhava incontrolavelmente.
"E quem disse que vamos contar?" – Roxton ficou sério e colocou o dedo em riste na cara do menino – "E você moleque não vai abrir o bico entendeu?" – Mas Thomy não conseguia parar de rir e logo os dois homens o acompanharam. Há muito tempo não riam daquela maneira.
.........................................
Aos poucos Thomy ia se acostumando aos outros moradores da casa da árvore. Sempre vigiando se Malone estava por perto a criança passou a seguir um a um.
Gostava de passar a mão na barba de Summerllee. E Arthur gostava de lhe contar estórias que o menino prestava atenção por incríveis cinco minutos para depois sair procurando alguma coisa mais movimentada para fazer. Seguia Roxton sabendo que o caçador sempre tinha alguma brincadeira para ele. Mas para surpresa geral, era só Marguerite aparecer que o garoto engatinhava atrás dela. Quando a herdeira sentava na cadeira costurando, Thomy sentava no chão muito sério olhando para ela.
"Verônica te ensinou a me irritar não foi?" – perguntava ela com olhar bravo – "E você aprendeu direitinho" - Ele não se intimidava e ali permanecia. Marguerite surpreendeu-se, apesar de não admitir, ao descobrir que a sua maneira, gostava daquele menininho irritante. E sempre por perto, Malone não podia deixar de rir.
As únicas vezes em que Thomy tentava fugir do jornalista era quando engatinhava em direção ao quarto de Verônica. Ned o agarrava no meio do caminho levando-o para longe.
"Desculpe pequenino." – Dizia sentindo um aperto no coração – "Por enquanto não."
.........................................
"Eu não entendo, por que ele não quer comer? Está tão gostoso..." – dizia Roxton para Malone. Thomy estava quieto na cadeirinha, mas ainda assim recusava-se a abrir a boca.
"Vamos lá. Sei que você está com fome." – mas o garoto permanecia irredutível.
"Que cheiro é este?" – disse Summerllee que chegava com Marguerite.
"Comida pro Thomy."
"Isso está fedendo." – reclamou Marguerite torcendo o nariz. A herdeira aproximou-se e experimentou um pouco da comida. Imediatamente correu para a sacada. Segundos depois voltou furiosa.
"Que droga é essa?"
"Canja. Substituímos por pterodáctilo porque não encontramos o frango." – justificou Ned.
"Deixe-me ver se entendi bem." – disse Summerlllee pensativo passando a mão na barba e se aproximando mais – "Challenger pediu canja, feita de preferência usando um frango de penas brancas, certo?"
"Certo" – disse Roxton. O professor continuou.
"E a canja é para fortalecer Verônica."
"Certo também."
"E vocês dois, muito espertos, querem trocar frango por pterodáctilo numa canja e ainda testar no garoto?" – Summerllee olhava fixo para o caçador e o jornalista.
"Como vocês querem que o menino coma esta porcaria? Quem fez isso?" – Marguerite alterou-se.
Roxton e Ned entreolharam-se apontando um para o outro.
Marguerite botou as mãos na cintura, batendo o pé, impaciente enquanto encarava os dois. Summerllee adiantou-se.
"Sumam vocês três. E levem Thomy. Antes que matem alguém com esta comida vou preparar alguma coisa para o menino comer."
"Marguerite você tem muito talento para cuidar de crianças!" – Disse John debochando da herdeira que pegava o menino. Mas imediatamente ficou sério quando ela olhou severamente para ele.
.........................................
"Margueriiiiiiiiiiiiiiiiiiiite!" - Roxton gritou - "Onde está Malone?" - Ele chegou perto da mulher que dobrava algumas roupas.
Ela olhou para ele assustada - "Por que essa gritaria Roxton? Está maluco?"
"Onde está Malone?!!"
"O menino dormiu e ele aproveitou para ir colher frutas frescas. Agora me diga, por que está parecendo uma donzela em perigo e por que está tão esbaforido assim?"
"É que... que... Thomy acordou e não quer parar de chorar, e eu já fiz de tudo!!! Até colher eu dei pra ele, colher de todos os tipos e nada! Acho que vou enlouquecer!Tenho que achar Malone. O negócio da colher só funciona com ele!"
Marguerite olhava para o caçador desnorteado com extrema tranqüilidade. Rodou os olhos e cruzou os braços diante de si, e Roxton parou - "O que foi?"
"O que foi o que Roxton? Você viu se ele estava sujo?"
"Vi... Não estava..."
"Viu se estava com dor?"
"Como eu vou saber?"
Ela ficou impaciente. - "Você viu se ele estava com febre, ou algo do tipo?"
"Marguerite, eu não sou um adivinha..."
"Ah, você nem tentou, e não pode também ficar recorrendo a Malone por tudo que acontecer com Thomy, tem que aprender a se virar..."
"Marguerite eu não sei porque, mas estou com a ligeira impressão de que você esta se aproveitan..."
"Vamos para o quarto agora, e fazê-lo parar de chorar!" – Roxton olhou para ela agoniado - "Algum problema?"
"Marguerite, eu preciso tomar um banh..."
"Sei que precisa, notasse..." - Disse ela medindo-o de cima em baixo. - "Portanto, se quiser ter seu momento com espuma, pode ir lembrando canções de quando era criança, ou nada de banho pra você!"
Roxton se mordeu por dentro, mas antes que dissesse algo, Marguerite saiu andando e ele a seguiu furioso.
Ela empurrou a porta do quarto e se surpreendeu. Correu a tempo de pegar a criança que ia cair no chão. - "ROXTON OLHA O QUE VOCÊ FEZ!!!"
"O que eu fiz?" - Com voz quase imperceptível, ele perguntou receoso.
"Você deixou o menino sozinho, tem algo de mais grave que isto?" " "Marguerite, foi só por um instante, ele já sobe e desce da cama. Como eu ia saber que ele iria rolar e quase...".
"Quase...sorte sua que foi só no quase, porque se acontecesse algo a este menino você ia aparecer boiando no rio amanhã de manhã!"
"Marguerite, calma... Temos que fazer ele parar de chorar..."
Ela olhou para ele como se fosse uma conclusão lógica, e cedeu. - "É, tem razão, devemos faze-lo parar... Fome ele não tem, Malone lhe deu comida...".
"É, eu vi..." - Roxton sentou-se de um lado, e Marguerite do outro, colocando o menino na cama novamente entre os dois. Ficaram olhando a criança e se questionando.
"Será que ele está sentindo falta do Malone?"
"Acredito que não...Será que ele só está fazendo teatrinho?".
"Também acho que não, ele não faria isto comigo..." - Roxton sorriu meio inseguro. - "Faria?"
"Roxton, pense como se fosse uma criança, se você estivesse chorando, o que poderia estar querendo?"
Os dois ficaram pensando e se olharam de repente. - "Tédio!"
Eles levantaram rapidamente, e Marguerite pegou o menino. Foram para o elevador e desceram até o chão.
"Pronto... será que ele tá sentindo falta de estar ao ar livre?"
"Espere!" - Roxton segurou Marguerite
"O que foi? Raptors?"
"Não... Thomy parou de chorar..."
"Parou???"
Thomy chorava novamente. - "Agora não... Mas quando estávamos no elevador... ele havia parado!"
Os dois se olharam e sorriram, e gritaram como crianças - "Conseguimos!!!"
.........................................
Summerllee veio até a cozinha pegar água quente. Ouviu o barulho do elevador. - "Oh, quem será?"
Surpreendeu-se ao ver Thomy, Roxton e Marguerite sentados no chão da cabine do elevador com expressão aborrecida.
"Marguerite, Roxton o que fazem sentados aí com o menino? E por que estão com essas caras?"
"Olá Summerllee... Até logo Summerllee..."
"Roxton, Marguer...! Voltem este elevador aqui!"
Roxton e Marguerite haviam passado um bom tempo subindo e descendo o elevador.Thomy estava com eles e esta foi a única forma da criança ficar quieta.
O elevador estava chegando outra vez.Summerllee esperava um pouco confuso. - "Estão pensando que isto é uma brincadeira?"
"Acho que vou vomitar..." – disse Marguerite com a mão no estômago torcendo o nariz. Ouvindo isto, Roxton olhou assustado para a herdeira.
"Não se atreva Marguerite! Professor, o senhor pode nos trazer um balde?"
O elevador desceu novamente.Summerllee balançou a cabeça e foi pegar o balde que deixou na porta do elevador voltando para seus afazeres. - "Essa juventude...".
Ned esperava o elevador. Estranhou quando viu os dois amigos e o menino.
"Malone, ainda bem que você chegou" - disse Roxton em desespero.
Malone entrou rapidamente e Thomy esticou os bracinhos para ele. O jornalista olhou intrigado.
"Ele só parou de chorar quando ficamos passeando de elevador. Acho que já faz quase uma hora."
Ned riu - "E ai rapazinho? Trazendo tio Roxton e tia Marguerite pra passear?" - parou o elevador e colocou Thomy no chão - "Vocês deixaram que um menino deste tamanho fizesse os dois de tontos?"
Marguerite e Roxton saíram deixando o elevador travado e os três sentaram- se na mesa da cozinha
Malone pegou duas laranjas e rolou pelo chão até onde Thomy estava sentado que começou a brincar com elas.
Roxton pegou suco para os três.
"Estou dizendo Malone, ele não parava de chorar. Pensamos em leva-lo para uma volta, mas só ficou quieto quando o elevador ficava pra cima e pra baixo. Ainda tentamos que só um de nós ficasse lá dentro, mas não deu certo. Só parava quando estávamos os dois juntos."
"Um menino mimado" - completou Marguerite aborrecida.
"Ele não é mimado. Ele é esperto, já percebeu que ele fez o que quis da gente?" – Falou o caçador.
"Vocês deveriam ter mostrado quem é que manda" – ensinou Ned.
"Só uma coisinha Malone" - perguntou Roxton - "Entre vocês dois, quem é que manda?"
Malone pensou e respondeu apontando sem olhar na direção de Thomy - "Ele."
"Ele quem???" - assustou-se Marguerite.
Os três olharam para o local onde o menino deveria estar. Nenhum sinal do garoto.
"Sumiu" - disse Malone com pânico na voz.
"O elevador" - Roxton correu para lá. Mas o elevador continuava travado.
"Ora vamos, ninguém pode sumir assim, ele tem que estar em algum lugar!"
Marguerite correu em desespero para a varanda.
Malone pensou nas escadas que davam acesso ao laboratório.
Roxton foi até o chuveiro onde Challenger já ia puxar a corda do balde para se enchaguar.
"O garoto desapareceu." – comunicou o esbaforido caçador.
Também em pânico e todo ensaboado o cientista vestiu as calças e seguiu Roxton, ainda abotoando a camisa. Finalmente reuniram-se os quatro na sala de jantar
"Nada" - procuramos em tudo e nada - "Ele evaporou."
Summerllee vinha chegando com um livro nas mãos.
"O que está acontecendo? Que barulheira é esta?"
"Arthur" - começou Challenger, respirando afoitamente e ainda ensaboado - "O menino sumiu"
"Calma meus amigos. Vocês não ouviram nada?" - Summerllee tentava demonstrar uma calma que não sentia.
"Nada. Ele simplesmente sumiu."
"Embaixo das camas!" – Ned gritou. Todos correram um para cada quarto. Em instantes voltaram sem resultados positivos.
"Procuramos em todos os lugares...Sala, varanda, cozinha, laboratório, biblioteca, chuveiros, elevador, quartos..."
"Todos?" - perguntou Summerllee.
Os quatro amigos entreolharam-se como se tivessem descoberto a pólvora.
"Exceto um." - disse Roxton
Arthur e Malone foram os primeiros a entrar no único quarto que faltava, para encontrar o menino enroscado, abraçado a Verônica. Ambos dormiam profundamente.
"Eu a deixei sozinha por apenas alguns minutos" – disse Summerllee.
Challenger aproximou-se verificando a temperatura de Verônica que, ainda respirava com dificuldade. O cientista colocou algumas folhas frescas de inguanguana em sua testa e suspirou.
"E então?" – perguntou Roxton ansioso.
"Parece que a febre começou a ceder. Muito devagar, mas está cedendo." – Challenger esfregou o rosto exausto após nove dias de vigília quase que initerrupta.
Arthur colocou a mão no ombro do amigo.
George sorriu cobrindo Thomy e Verônica com cuidado. Depois saiu acompanhado por Malone, Roxton e Marguerite.
Ainda com sabão no corpo o cientista já quase chegava ao chuveiro quando escutou uma voz atrás de si.
"Challenger" – virou para ver o jornalista aproximando-se – "Do fundo do coração muito obrigado."
"Vá ficar um pouco com ela Ned." – O rosto de Malone iluminou-se.
"Eu posso?"
"Você deve" – Riu Challenger mal vendo o rapaz subir as escadas em desabalada carreira.
George entrou no chuveiro deixando a água correr pelo seu corpo. Estava exausto, mas nunca se sentira tão aliviado.
.........................................
Ned entrou bem devagar no quarto. Arthur levantou-se fechando o livro e indo em direção a porta.
"Mantenha as compressas." – Ned concordou com a cabeça – "Estarei lá fora se precisar."
Malone pegou o recipiente com o preparado de Summerllee e sentou na cadeira do lado oposto ao que Thomy estava. Olhou longamente para Verônica.
"Ah! Que saudade." – suspirou. Fechando os olhos ele beijou-lhe levemente os lábios sentindo a angústia que o acompanhava há tantos dias finalmente começar a diminuir. Depois, lembrando das recomendações do professor umedeceu a compressa e delicadamente começou a refrescar-lhe o rosto.
"Tenho uma travessura pra lhe contar" – sorriu falando baixinho para a moça adormecida – "Summerllee pediu que procurássemos uma galinha, de preferência com penas brancas, então Thomy, Roxton e eu..."
CONTINUA
DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions.
SPOILERS: OUT OF TIME
Comments: A conversa entre Marguerite e Verônica ocorreu no capítulo 7.
Um agradecimento especialíssimo a Maria Célia por sua consultoria profissional, além da imensa paciência e carinho conosco. Esperamos ter aprendido direitinho. Beijokaxxx!!!
Obrigado pelo carinho.e milhões de beijos pra Mary, Nessa Reinehr, Rosa, Gio, Taíza, Nay, Margie 100%(Fabi).
Estamos adorando escrever. Esperamos que vocês também estejam gostando de ler.
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Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Doze
"O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flechas se projetem, rápidas e para longe."
Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"
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"Rápido... Malone" – gritava Roxton correndo como nunca.
O rapaz ia na frente enquanto, quase pisando em seus calcanhares, vinha o caçador carregando Thomy como se fosse um saco de batatas. Mesmo sem que pudessem ver, escutavam os sons do raptor que se aproximava. Ned subiu em uma árvore com uma destreza que ele não imaginava ter. Roxton chegou e sem pensar, literalmente jogou o garoto para o jornalista acomodado metros acima em um galho, Malone pegou-o sem pestanejar. Em seguida foi a vez de John mostrar que sob pressão conseguia subir em qualquer coisa e por muito pouco a perna dele não ficou na boca do animal. Os dois homens estavam ofegantes.
"Que idéia Malone."
"O que? Summerllee foi bem específico sobre o que Challenger queria."
"Só que eu nunca vi nenhuma galinha no platô e ainda mais de penas brancas."
"Ele disse que é a melhor." – Malone ainda tentava recuperar o fôlego.
"E com tanto lugar para procurar tínhamos que vir parar quase na boca de um raptor?"
"Se o pessoal sabe disso, eles matam a gente" – disse Malone para só então olhar para Thomy que gargalhava incontrolavelmente.
"E quem disse que vamos contar?" – Roxton ficou sério e colocou o dedo em riste na cara do menino – "E você moleque não vai abrir o bico entendeu?" – Mas Thomy não conseguia parar de rir e logo os dois homens o acompanharam. Há muito tempo não riam daquela maneira.
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Aos poucos Thomy ia se acostumando aos outros moradores da casa da árvore. Sempre vigiando se Malone estava por perto a criança passou a seguir um a um.
Gostava de passar a mão na barba de Summerllee. E Arthur gostava de lhe contar estórias que o menino prestava atenção por incríveis cinco minutos para depois sair procurando alguma coisa mais movimentada para fazer. Seguia Roxton sabendo que o caçador sempre tinha alguma brincadeira para ele. Mas para surpresa geral, era só Marguerite aparecer que o garoto engatinhava atrás dela. Quando a herdeira sentava na cadeira costurando, Thomy sentava no chão muito sério olhando para ela.
"Verônica te ensinou a me irritar não foi?" – perguntava ela com olhar bravo – "E você aprendeu direitinho" - Ele não se intimidava e ali permanecia. Marguerite surpreendeu-se, apesar de não admitir, ao descobrir que a sua maneira, gostava daquele menininho irritante. E sempre por perto, Malone não podia deixar de rir.
As únicas vezes em que Thomy tentava fugir do jornalista era quando engatinhava em direção ao quarto de Verônica. Ned o agarrava no meio do caminho levando-o para longe.
"Desculpe pequenino." – Dizia sentindo um aperto no coração – "Por enquanto não."
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"Eu não entendo, por que ele não quer comer? Está tão gostoso..." – dizia Roxton para Malone. Thomy estava quieto na cadeirinha, mas ainda assim recusava-se a abrir a boca.
"Vamos lá. Sei que você está com fome." – mas o garoto permanecia irredutível.
"Que cheiro é este?" – disse Summerllee que chegava com Marguerite.
"Comida pro Thomy."
"Isso está fedendo." – reclamou Marguerite torcendo o nariz. A herdeira aproximou-se e experimentou um pouco da comida. Imediatamente correu para a sacada. Segundos depois voltou furiosa.
"Que droga é essa?"
"Canja. Substituímos por pterodáctilo porque não encontramos o frango." – justificou Ned.
"Deixe-me ver se entendi bem." – disse Summerlllee pensativo passando a mão na barba e se aproximando mais – "Challenger pediu canja, feita de preferência usando um frango de penas brancas, certo?"
"Certo" – disse Roxton. O professor continuou.
"E a canja é para fortalecer Verônica."
"Certo também."
"E vocês dois, muito espertos, querem trocar frango por pterodáctilo numa canja e ainda testar no garoto?" – Summerllee olhava fixo para o caçador e o jornalista.
"Como vocês querem que o menino coma esta porcaria? Quem fez isso?" – Marguerite alterou-se.
Roxton e Ned entreolharam-se apontando um para o outro.
Marguerite botou as mãos na cintura, batendo o pé, impaciente enquanto encarava os dois. Summerllee adiantou-se.
"Sumam vocês três. E levem Thomy. Antes que matem alguém com esta comida vou preparar alguma coisa para o menino comer."
"Marguerite você tem muito talento para cuidar de crianças!" – Disse John debochando da herdeira que pegava o menino. Mas imediatamente ficou sério quando ela olhou severamente para ele.
.........................................
"Margueriiiiiiiiiiiiiiiiiiiite!" - Roxton gritou - "Onde está Malone?" - Ele chegou perto da mulher que dobrava algumas roupas.
Ela olhou para ele assustada - "Por que essa gritaria Roxton? Está maluco?"
"Onde está Malone?!!"
"O menino dormiu e ele aproveitou para ir colher frutas frescas. Agora me diga, por que está parecendo uma donzela em perigo e por que está tão esbaforido assim?"
"É que... que... Thomy acordou e não quer parar de chorar, e eu já fiz de tudo!!! Até colher eu dei pra ele, colher de todos os tipos e nada! Acho que vou enlouquecer!Tenho que achar Malone. O negócio da colher só funciona com ele!"
Marguerite olhava para o caçador desnorteado com extrema tranqüilidade. Rodou os olhos e cruzou os braços diante de si, e Roxton parou - "O que foi?"
"O que foi o que Roxton? Você viu se ele estava sujo?"
"Vi... Não estava..."
"Viu se estava com dor?"
"Como eu vou saber?"
Ela ficou impaciente. - "Você viu se ele estava com febre, ou algo do tipo?"
"Marguerite, eu não sou um adivinha..."
"Ah, você nem tentou, e não pode também ficar recorrendo a Malone por tudo que acontecer com Thomy, tem que aprender a se virar..."
"Marguerite eu não sei porque, mas estou com a ligeira impressão de que você esta se aproveitan..."
"Vamos para o quarto agora, e fazê-lo parar de chorar!" – Roxton olhou para ela agoniado - "Algum problema?"
"Marguerite, eu preciso tomar um banh..."
"Sei que precisa, notasse..." - Disse ela medindo-o de cima em baixo. - "Portanto, se quiser ter seu momento com espuma, pode ir lembrando canções de quando era criança, ou nada de banho pra você!"
Roxton se mordeu por dentro, mas antes que dissesse algo, Marguerite saiu andando e ele a seguiu furioso.
Ela empurrou a porta do quarto e se surpreendeu. Correu a tempo de pegar a criança que ia cair no chão. - "ROXTON OLHA O QUE VOCÊ FEZ!!!"
"O que eu fiz?" - Com voz quase imperceptível, ele perguntou receoso.
"Você deixou o menino sozinho, tem algo de mais grave que isto?" " "Marguerite, foi só por um instante, ele já sobe e desce da cama. Como eu ia saber que ele iria rolar e quase...".
"Quase...sorte sua que foi só no quase, porque se acontecesse algo a este menino você ia aparecer boiando no rio amanhã de manhã!"
"Marguerite, calma... Temos que fazer ele parar de chorar..."
Ela olhou para ele como se fosse uma conclusão lógica, e cedeu. - "É, tem razão, devemos faze-lo parar... Fome ele não tem, Malone lhe deu comida...".
"É, eu vi..." - Roxton sentou-se de um lado, e Marguerite do outro, colocando o menino na cama novamente entre os dois. Ficaram olhando a criança e se questionando.
"Será que ele está sentindo falta do Malone?"
"Acredito que não...Será que ele só está fazendo teatrinho?".
"Também acho que não, ele não faria isto comigo..." - Roxton sorriu meio inseguro. - "Faria?"
"Roxton, pense como se fosse uma criança, se você estivesse chorando, o que poderia estar querendo?"
Os dois ficaram pensando e se olharam de repente. - "Tédio!"
Eles levantaram rapidamente, e Marguerite pegou o menino. Foram para o elevador e desceram até o chão.
"Pronto... será que ele tá sentindo falta de estar ao ar livre?"
"Espere!" - Roxton segurou Marguerite
"O que foi? Raptors?"
"Não... Thomy parou de chorar..."
"Parou???"
Thomy chorava novamente. - "Agora não... Mas quando estávamos no elevador... ele havia parado!"
Os dois se olharam e sorriram, e gritaram como crianças - "Conseguimos!!!"
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Summerllee veio até a cozinha pegar água quente. Ouviu o barulho do elevador. - "Oh, quem será?"
Surpreendeu-se ao ver Thomy, Roxton e Marguerite sentados no chão da cabine do elevador com expressão aborrecida.
"Marguerite, Roxton o que fazem sentados aí com o menino? E por que estão com essas caras?"
"Olá Summerllee... Até logo Summerllee..."
"Roxton, Marguer...! Voltem este elevador aqui!"
Roxton e Marguerite haviam passado um bom tempo subindo e descendo o elevador.Thomy estava com eles e esta foi a única forma da criança ficar quieta.
O elevador estava chegando outra vez.Summerllee esperava um pouco confuso. - "Estão pensando que isto é uma brincadeira?"
"Acho que vou vomitar..." – disse Marguerite com a mão no estômago torcendo o nariz. Ouvindo isto, Roxton olhou assustado para a herdeira.
"Não se atreva Marguerite! Professor, o senhor pode nos trazer um balde?"
O elevador desceu novamente.Summerllee balançou a cabeça e foi pegar o balde que deixou na porta do elevador voltando para seus afazeres. - "Essa juventude...".
Ned esperava o elevador. Estranhou quando viu os dois amigos e o menino.
"Malone, ainda bem que você chegou" - disse Roxton em desespero.
Malone entrou rapidamente e Thomy esticou os bracinhos para ele. O jornalista olhou intrigado.
"Ele só parou de chorar quando ficamos passeando de elevador. Acho que já faz quase uma hora."
Ned riu - "E ai rapazinho? Trazendo tio Roxton e tia Marguerite pra passear?" - parou o elevador e colocou Thomy no chão - "Vocês deixaram que um menino deste tamanho fizesse os dois de tontos?"
Marguerite e Roxton saíram deixando o elevador travado e os três sentaram- se na mesa da cozinha
Malone pegou duas laranjas e rolou pelo chão até onde Thomy estava sentado que começou a brincar com elas.
Roxton pegou suco para os três.
"Estou dizendo Malone, ele não parava de chorar. Pensamos em leva-lo para uma volta, mas só ficou quieto quando o elevador ficava pra cima e pra baixo. Ainda tentamos que só um de nós ficasse lá dentro, mas não deu certo. Só parava quando estávamos os dois juntos."
"Um menino mimado" - completou Marguerite aborrecida.
"Ele não é mimado. Ele é esperto, já percebeu que ele fez o que quis da gente?" – Falou o caçador.
"Vocês deveriam ter mostrado quem é que manda" – ensinou Ned.
"Só uma coisinha Malone" - perguntou Roxton - "Entre vocês dois, quem é que manda?"
Malone pensou e respondeu apontando sem olhar na direção de Thomy - "Ele."
"Ele quem???" - assustou-se Marguerite.
Os três olharam para o local onde o menino deveria estar. Nenhum sinal do garoto.
"Sumiu" - disse Malone com pânico na voz.
"O elevador" - Roxton correu para lá. Mas o elevador continuava travado.
"Ora vamos, ninguém pode sumir assim, ele tem que estar em algum lugar!"
Marguerite correu em desespero para a varanda.
Malone pensou nas escadas que davam acesso ao laboratório.
Roxton foi até o chuveiro onde Challenger já ia puxar a corda do balde para se enchaguar.
"O garoto desapareceu." – comunicou o esbaforido caçador.
Também em pânico e todo ensaboado o cientista vestiu as calças e seguiu Roxton, ainda abotoando a camisa. Finalmente reuniram-se os quatro na sala de jantar
"Nada" - procuramos em tudo e nada - "Ele evaporou."
Summerllee vinha chegando com um livro nas mãos.
"O que está acontecendo? Que barulheira é esta?"
"Arthur" - começou Challenger, respirando afoitamente e ainda ensaboado - "O menino sumiu"
"Calma meus amigos. Vocês não ouviram nada?" - Summerllee tentava demonstrar uma calma que não sentia.
"Nada. Ele simplesmente sumiu."
"Embaixo das camas!" – Ned gritou. Todos correram um para cada quarto. Em instantes voltaram sem resultados positivos.
"Procuramos em todos os lugares...Sala, varanda, cozinha, laboratório, biblioteca, chuveiros, elevador, quartos..."
"Todos?" - perguntou Summerllee.
Os quatro amigos entreolharam-se como se tivessem descoberto a pólvora.
"Exceto um." - disse Roxton
Arthur e Malone foram os primeiros a entrar no único quarto que faltava, para encontrar o menino enroscado, abraçado a Verônica. Ambos dormiam profundamente.
"Eu a deixei sozinha por apenas alguns minutos" – disse Summerllee.
Challenger aproximou-se verificando a temperatura de Verônica que, ainda respirava com dificuldade. O cientista colocou algumas folhas frescas de inguanguana em sua testa e suspirou.
"E então?" – perguntou Roxton ansioso.
"Parece que a febre começou a ceder. Muito devagar, mas está cedendo." – Challenger esfregou o rosto exausto após nove dias de vigília quase que initerrupta.
Arthur colocou a mão no ombro do amigo.
George sorriu cobrindo Thomy e Verônica com cuidado. Depois saiu acompanhado por Malone, Roxton e Marguerite.
Ainda com sabão no corpo o cientista já quase chegava ao chuveiro quando escutou uma voz atrás de si.
"Challenger" – virou para ver o jornalista aproximando-se – "Do fundo do coração muito obrigado."
"Vá ficar um pouco com ela Ned." – O rosto de Malone iluminou-se.
"Eu posso?"
"Você deve" – Riu Challenger mal vendo o rapaz subir as escadas em desabalada carreira.
George entrou no chuveiro deixando a água correr pelo seu corpo. Estava exausto, mas nunca se sentira tão aliviado.
.........................................
Ned entrou bem devagar no quarto. Arthur levantou-se fechando o livro e indo em direção a porta.
"Mantenha as compressas." – Ned concordou com a cabeça – "Estarei lá fora se precisar."
Malone pegou o recipiente com o preparado de Summerllee e sentou na cadeira do lado oposto ao que Thomy estava. Olhou longamente para Verônica.
"Ah! Que saudade." – suspirou. Fechando os olhos ele beijou-lhe levemente os lábios sentindo a angústia que o acompanhava há tantos dias finalmente começar a diminuir. Depois, lembrando das recomendações do professor umedeceu a compressa e delicadamente começou a refrescar-lhe o rosto.
"Tenho uma travessura pra lhe contar" – sorriu falando baixinho para a moça adormecida – "Summerllee pediu que procurássemos uma galinha, de preferência com penas brancas, então Thomy, Roxton e eu..."
CONTINUA
