O inverno chegou mais rápido do que o esperado e mais intenso também. Os gramados de Hogwarts foram cobertos por uma camada de neve que ia até o joelho de qualquer um que se atrevesse a caminhar lá fora. O lago também havia congelado e as nevascas cobriam as árvores da floresta proibida de neve. As aulas externas foram canceladas e as estufas trancadas para proteger as plantas do frio.
- Por Merlin, será que esse castelo não vai esquenta nunca? – ralhou Sean pela décima vez desde que acordara.
- Por mim. Eu só sei que amanhã vamos pra casa e não teremos mais que nos preocupar com isso. – comemorou Andrew.
- Esse Natal vai ser bizarro. Malfoy vai estar lá.
- Vai começar com isso de novo? A Chloe tá super contente em passar o Natal com vocês. Não vá estragar tudo.
- Eu não vou. Aliás, essa é a melhor parte disso tudo. A Chloe vai estar lá pelo menos.
- Vai ser divertido, você vai ver.
- Ah sim, claro. Mal posso esperar pra ver o presente do Malfoy e dividir a ceia com o "querido" Salazar. – brincou Sean arrancando risadas do primo.
Os dois terminaram de se vestir e depois desceram até o salão comunal para encontrar Chloe que os esperava sentada na poltrona mais próxima o possível da lareira numa tentativa de se manter aquecida. Sean e Andrew conseguiram, a muito custo, arrastar a amiga dali para tomar café antes de assistirem as ultimas aulas do dia.
Depois do almoço os três se ocuparam em arrumas suas coisas dentro dos malões e mais tarde se reuniram com os outros grifinórios em seu salão comunal disputando os sofás e poltronas mais confortáveis na angustiante espera pela manhã seguinte quando embarcariam de volta para casa.
- Estou mais ansiosa que o normal. – comentou Chloe. – Esse Natal vai ser mais maravilhoso do que eu poderia esperar.
- Maravilhoso. – murmurou Sean para si mesmo antes de se afastar da roda formada por seus amigos primeiranistas alegando estar cansado.
Na verdade tudo o que ele queria era mais um Natal na Toca com os avós, tios e primos todos reunidos. Mas em lugar disso teria que aturar o loiro aguado que sua mãe insistia em chamar de namorado. O que o seu pai diria se soubesse disso?
DG
Draco acordou extremamente cedo na manhã seguinte. Os primeiros raios de sol haviam acabado de iluminar o chão do seu quarto e ele permaneceu na cama mais um tempo observando a poeiras rodopiar na pequena faixa iluminada por eles. Estava nervoso e tinha plena consciência de que não havia pregado o olho durante a noite. Aquele era um dia importante. Muito importante.
Tomou um banho quente e vestiu a melhor roupa que conseguiu escolher. Tomou café da manhã o mais devagar que pôde e demorou para tirar o carro da garagem. Intimamente, pedia que o tempo retrocedesse mais algumas horas para que ele pudesse pensar em coisas agradáveis pra dizer ao filho mais velho de Gina e aos seus próprios.
Dirigiu até a casa de Gina ainda pensando nas tais coisas agradáveis apesar de nenhuma idéia lhe surgir. Quando deu por si já estava estacionando o carro na frente da casa e Gina caminhava até ele com uma cara não muito melhor do que a sua. O único que parecia alheio a toda a tensão era Brian que saltitava dentro do carro aumentado magicamente balançando seu dragão de pelúcia e cantando musicas natalinas totalmente inoportunas.
- Bom dia. – cumprimentou Gina num tom de voz falho lhe dando um selinho em seguida.
- Que bom que eu não sou o único ser apavorado dentro desse carro. Estava começando a me sentir solitário.
Gina riu baixo e aquilo serviu como um incentivo para o loiro. Estava com ela afinal. Nada poderia dar errado.
- Vai dar tudo certo, confie em mim. – pediu ela segurando a mão do loiro.
O restante do caminho foi feito em silêncio, exceto pelas músicas de Brian. A plataforma estava lotada e os três demoraram para conseguir atravessar a barreira. Os dois não precisaram procurar muito pelos filhos. Sean e Chloe estavam parados um ao lado do outro um pouco distante do casal. Draco pegou Gina pelo mão a incentivando a prosseguir enquanto Brian já corria para os braços do irmão mais velho.
- Ei, você tá pesado. – brincou ele tentando erguer o pequeno do chão.
- E você tá um fracote. Olha o meu dragão.
- Snugle. Não mudou nada.
- Não é Snugle, é Draco.
- Que seja. Olha, essa é a Chloe.
O garotinho a encarou por um momento como se estivesse avaliando a garota antes de mandar o seu maior sorriso galante para ela.
- Que gracinha. – gritou Chloe puxando o garoto para um abraço.
Brian ainda tentou se esquivar, mas Chloe foi mais rápida e o prensou em um abraço sufocante.
- Nossa, fui trocado por um ser que não tem nem metade do meu tamanho. – zombou Draco.
- Pai. Ele nem é tão pequeno assim. – remeteu Chloe entrando na brincadeira e largando Brian para abraçar o pai.
- Senti sua falta querida. Tudo bem na escola?
- Tudo ótimo pai. E eu também senti muito a sua falta.
- Cadê o Salazar? – perguntou Draco notando que o filho mais velho não estava ali.
- Ele não quis ficar com a gente. Acho que ele tá sentado logo ali.
- Gina... – começou Draco se virando para a namorada.
- Pode ir. Eu dou um jeito por aqui.
- Eu vou também. – gritou Brian correndo para o lado de Draco que já caminhava na direção que a filha apontara.
Gina Caminhou até o filho e lhe deu um abraço apertado. Ficaram assim em silêncio até que Gina se lembrasse que não estavam sozinhos.
- Senti sua falta querido.
- Muita falta. De você e das suas panquecas.
- Ora, mais que sorte a sua. Hoje é dia de comer panquecas.
- E desde quando?
- Desde que eu decidi que mimar meu filhote não faz mal algum.
Os dois caíram na risada e se abraçaram novamente antes de Gina juntar toda a coragem que tinha se dirigir para a loirinha que os acompanhava.
- E você deve ser a Chloe. Seu pai não me disse que você era tão bonita.
- Obrigada. Você também é muito bonita, mas papai não esqueceu de me dizer isso. – devolveu a garota com um sorriso maroto.
Gina corou levemente e devolveu o sorriso pra garota. Não havia sido tão ruim. Restava agora saber o que aconteceria quando Draco encontrasse Salazar. Sua pergunta foi quase que imediatamente respondida quando ela avistou três figuras se aproximando do lugar onde estavam. Draco vinha carregando um malão preto e ao seu lado vinham Salazar e Brian. Rindo?
- Seu filho tem mel, ou o que? – brincou ele.
- Só pode ser isso. – respondeu Gina sem tirar os olhos do filho que agora gesticulava freneticamente para Salazar explicando como fora a sua queda.
- Venha cá Salazar. Cumprimente a Gina. – chamou Draco.
- Oi. – cumprimentou ele de má vontade.
- Oi Salazar. Que bom quer você veio.
O rapaz abriu a boca para responder qualquer coisa, mas foi interrompido por Brian puxando a barra da sua camiseta.
- Eu ainda não terminei de contar.
Gina prendeu o riso para não estragar o clima e voltou a se virar para o filho mais velho. O garoto encarava Draco com uma expressão um tanto carrancuda para Draco.
- Sean querido, cumprimente o Draco. Por favor.
Draco se adiantou estendendo a mão para o garoto parado à sua frente. O garoto a encarou por alguns instantes e cogitou a possibilidade de ignorá-la, mas seu olhar se desviou por um instante para Chloe e o fez pensar melhor na sua atitude.
- Muito prazer Draco. – cumprimentou ele dando uma piscadinha para a amiga.
N.A: Capitulo dedicado à Nani Slytherin, autora da minha primeira review. Você não sabe o quanto ela foi importante. Ai ai ai, minha primeira review, que emoção... Tô boba.
Depois me manda um e-mail Nani pra gente ver aquele negócio de beta. Eu adoraria.
Beijo pra Nani e pra todos que lêem a minha fic.
E reviews gente, reviews!!!
