Capítulo doze: Almas gêmeas

Por Kami-chan

– Dei-san– Ela o chamou, parando o beijo. – Tem uma regra pra entrar no meu jogo.

Ino o fez sentar sobre os joelhos no chão e na sequência se ajoelhou de frente para ele. O Iwa sorriu, ela ainda se lembrava do jogo que ele tinha começado no hotel. Este era um ponto da personalidade dela que nunca falhava, Ino era uma pessoa vingativa.

– E qual seria, un. – Perguntou a incentivando.

A loira se aproximou mais do corpo dele, deixando apenas uma pequena distância eles. Como Deidara estava sentado sobre as pernas e ela apenas ajoelhada, Ino estava mais alta do que ele, que tinha a cabeça erguida para encará-la. A distância entre suas faces era a mesma que havia entre seus corpos.

– Você está proibido de usar as mãos. – Decretou. – Deseja dizer algo?

Ele tomou fôlego para falar alguma coisa, provavelmente algo sem valor, pois após o movimento de resposta dela nem mais se lembrava daquelas palavras. No momento em que abriu sua boca Ino a invadiu impetuosamente, levando as duas mãos à face dele.

O gesto o manteve parado ali como queria. O beijo lhe exigiu movimentos rápidos, com uma profundidade casta e ar afoito.

Ele já esperava por algo do tipo, essa era vingança dela pelo beijo dado no hotel. No começo ele achou que seria fácil se controlar e não tocá-la, apesar de quase tê-lo feito algumas vezes, mas a tarefa estava ficando cada vez mais difícil.

Pois mesmo na urgência dos toques castos, Ino encontrou um meio de lhe exigir o aprofundamento do beijo. E por mais profundo que se tornasse a cada movimento ela encontrava meios de aprofundá-lo ainda mais.

Deidara sentiu como se estivesse sendo sugado e consumido de dentro para fora. Sentia seu coração batendo no mesmo ritmo do beijo, neste momento ele sentia como se dependesse daquele beijo para que seu sangue continuasse a circular. Como se a força que mantinha seu coração fosse o sopro de vida que vinha dos batimentos dela.

A curta distância entre seus corpos fazia com que ele pudesse sentir a vibração do corpo dela, que fazia o seu próprio formigar. Suas mãos pareciam querer seguir espontaneamente para o corpo dela, mas não a tocaria. Ao invés disso cravou as unhas nas próprias mãos. Após alguns minutos ela terminou o beijo deixando um chupão no lábio inferior.

– Tecnicamente, estamos empatados. – Disse de forma irônica, se referindo ao evento no quarto de hotel.

– Yamanaka Ino, um escorpião peçonhento e vingativo. Ela é perigosa e eu gosto disso. – Deidara recitou, como se estivesse contando alguma história sobre alguém distante enquanto apenas ficou a admirando com um olhar embasbacado.

– Vai ficar aí só me olhando, un?– Ela perguntou utilizando da mania dele para que a voz rouca soasse mais irônica.

Sem conseguir falar ou pensar direito, ele a empurrou. Ino que estava ainda de joelhos caiu deitada de costas contra o chão de areia fina, logo sentindo o peso do corpo do loiro sobre o seu. Satisfeitos aquele foi o primeiro beijo que não foi roubado por ninguém, era apenas o processo natural de um desejo mútuo.

Nesta posição as mãos afoitas e curiosas do Iwa tiveram liberdade para percorrer e descobrir cada curva do corpo de vinha desejando há semanas. Seus dedos se apertaram contra os músculos rígidos com uma ansiedade sem igual, tal como se ela fosse desaparecer caso não a mantivesse firme entre suas mãos.

A cada novo toque o prazer de senti-la ceder sobre o seu corpo, levando as unhas pontudas por caminhos inóspitos que mesmo por cima dos panos podia ser sentido. Em um momento em especial a loira se viu obrigada a se soltar dos lábios famintos para perder-se em gemido mudo enquanto abria mais suas pernas para acomodá-la melhor entre suas coxas.

Neste momento seus lábios trocaram a alvo e seguiram sem hesitações para um ponto que julgou como sensível em seu pescoço. Não queria marca-la, mas Ino se movimentava sob seu corpo ascendendo-lhe ainda mais a vontade ao ter suas intimidades friccionadas uma contra a outra. O queixo apontado para cima da loira sob si como indicativo de liberdade para prosseguir com os toques na região.

A pressa causada pelo excesso de vontade quase atrapalhando seu raciocínio com os pequenos gemidos que ela não parecia se preocupar em omitir enquanto buscava por uma carícia mais expressiva enquanto tentava coincidir do toque da glande tesa contra o seu clitóris mesmo com o empecilho das roupas. As mãos dela muito bem presas em seus braços não o impediu de se aproveitar do fato de a posição em que ela estava fazia o tecido do quimono ceder contra a gravidade, apertando os dedos contra os músculos de sua coxa enquanto seus lábios tentavam descobrir mais pontos prazerosos no curto espaço do pescoço e orelha de Ino.

A loira praticamente só conseguiu focar seu pensamento nos lábios dele contra sua pele e no prazer que sentia por tentar uma masturbação casta contra o membro claramente desperto do Iwa. Um movimento mais amplo e por sentir a glande quase encaixa-se contra a entrada de sua intimidade, sendo impedida de tanto de prosseguir quanto de sentir melhor o prazer que aquilo lhe daria pelo excesso de roupas.

Com a mesma sensação, uma das mãos de Deidara seguiu com agilidade para a faixa que prendia o kimono usado por ela, abrindo-a sem dificuldades. Um afastamento breve dos corpos revelou para ele o corpo de pele bronzeada da Konoha. Os seios fartos aprisionados contra um lingerie qualquer, a cintura fina com músculos delineados como uma bela pintura em seu abdome, o umbigo pequeno que se perdia pelo caminho longo até o quadril demarcado pela calcinha de mesma cor e tecido que o sutiã e o par de coxas abertos lhe acolhendo contra o seu corpo.

Um novo beijo acolheu o momento em que sua mão pode finalmente passear por aquele corpo sem a privação da textura de sua pele. Toda a paciência de Deidara deixando Ino realmente surpresa, ele que era tão impulsivo estava se mostrando quase mais calmo do que ela.

Ainda assim a forma como ele a beijava era como se nada mais existisse no mundo. Ser capaz de perceber esta sensação a excitava, queria tirar as roupas dele o quanto antes e poder dividir o prazer que desejava entre os dois.

Novamente o beijo que preenchia sua boca passou a marcar pescoço, uma onda de corrente elétrica passou por seu corpo quando sentiu os dentes dele em seu ombro. A alça da roupa íntima sendo arrastada junto com o tecido do kimono.

Ele a estava despindo lentamente, e ela desejava o mesmo o quanto antes. E dando vasão aos desejos, puxou o laço que prendia a parte de cima do conjunto dele. Sua roupa foi aberta, mas Deidara não permitiu que ela prosseguisse.

Antes que ela o questionasse seus lábios já tinham chegado em seus seios, abaixando o sutiã para libertá-los. A boca ferina mostrando uma agilidade guiada por desejo ao tocá-la com os lábios naquela lugar. Em sua mente o momento que dividiam entrava em conflito com o fato de que não gostava de mostrar seu corpo.

Apesar de achar que a mulher que estava abaixo de si era aquela pessoa que pessoas normais sempre desejam encontrar para passar o resto da vida, e que, se Ino fosse mesmo esta pessoa veria e saberia de todas as vulnerabilidades e imperfeições de seu corpo. Ainda assim, quando mais uma vez os dedos finos seguiram até o tecido grosso com a intenção de despi-lo, ele a parou.

Entrelaçou sua mão á dela e prosseguiu descendo os lábios por seu corpo. A esta altura ele já deixava rastros de saliva por todo abdome dela, mas parou.

– Gomen Ino. – Disse deixando um beijo sobre a barriga dela, sentindo-se desencorajado.

Era ridículo. Nunca em sua vida havia se deixado abater por vergonha. Levou tantas garotas bonitas para a cama sem nenhum problema, mas Ino o fazia agir diferente. Pensar em coisa sem sentido e temer coisas ridículas.

Era diferente dos ninjas comuns. Tinha habilidades peculiares das quais se orgulhava, mas ser excepcional lhe requeria um corpo fora dos padrões. Ino parecia ser o tipo de pessoa vaidosa e extremamente apegada à beleza, e de um jeito tão bobo, a ideia de que pudesse ser rejeitado pela loira de corpo perfeito a nível detalhista lhe assombrava em momentos impróprios.

– Hn? – Questionou sem compreender o que tinha dado errado.

Ela estava confusa. Estava tão bom, ela sabia que ele estava gostando tanto quanto ela. Ouviu as desculpas e sentiu o peso do corpo dele abandonando o seu de uma forma como ela não queria que ele fizesse, mas em meio ao movimento viu algo que não tinha percebido ainda.

Por baixo do kimono aberto, o peito de Deidara estava enfaixado. Na mesma hora o puxou pela barra da roupa fazendo-o ficar sobre si.

– Está ferido. – Afirmou tocando as ataduras, o sentimento de confusão sendo rapidamente substituído dentro de sua cabeça pelo de preocupação.

– Não estou ferido, um. – Respondeu recuando novamente, olhando para o lado e para baixo em um gesto que ela identificou como sendo de vergonha.

– Está com vergonha de que? – Deu voz aos pensamentos, puxando o queixo do loiro em sua direção mais uma vez.

Ela achou graça da expressão que ele fez ao invés de respondê-la. Não pareciam tão diferentes, afinal. A diferença era que ele era um Akatsuki e isso soava engraçado.

Sem resposta ela se virou e inverteu as posições. Sentou-se sobre seu ventre e o puxou, fazendo-o sentar também formando um quadro onde ela estava sentada no chão de frente para ele entre suas pernas, com as pernas flexionadas cada uma de um lado da cintura dele, e ele sentado com as pernas levemente abertas contornando e limitando o espaço de chão ocupado por ela com as pernas estendidas sob as dela.

– Pra que isso então? – Perguntou fazendo a roupa dele finalmente cair por seus braços, local em que podia ver claramente duas cicatrizes que circulavam completamente uma em cada braço.

Não era história para este momento. Naquele instante queria apenas terminar o que tinham começado de uma vez, não gostava do anormal silêncio de Deidara.

– Por que quer me privar de sentir o calor da tua pele queimar na minha? – Perguntou procurando os mesmos pontos marcados em sua pele no pescoço dele. – Vai desistir do sentimento que disse que tem assim tão cedo? Então ele não deve ser tào forte. – Concluiu as mãos na ponta da faixa.

– Eu amo você. – O loiro respondeu rapidamente.

– E eu você. – Respondeu começando a desenrolar a longa atadura.

– Você não faz ideia do que está fazendo, un.

Ino parou após as palavras do loiro. Tinha uma teoria do que encontraria ali afinal a anatomia do loiro já tinha uma peculiaridade, na verdade duas. Por que não três?

– Vai me ferir? – Perguntou antes de prosseguir.

– Não.

– Vai te trazer dor? – Pontuou a segunda pergunta.

– Não. – Respondeu estranhando os questionamentos de Ino.

– Então só vai me babar! – Disse sem precisar em suas palavras se aquilo era uma pergunta ou não.

Mas de alguma forma Deidara achou a expressão em seu rosto engraçada. Foi tão natural e espontânea que ele acabou rindo, não tinha pensado nos efeitos colaterais. Mas Ino conseguiu deixa-los engraçados. Ele apenas percebeu que Ino tinha recomeçado a desenrolar as ataduras quando a loira já estava iniciando a terceira volta.

– E ainda vai querer tirar isso de mim, un. – Perguntou descrente.

– Não enche. – Foi a resposta nata da loira impaciente.

Ino jogou as ataduras longe quando terminou. Ela o encarou antes de descer os olhos para o peito dele com uma expressão certa de malícia, mas que mudou totalmente quando encarou o que acreditava ser a quarta boca de Deidara.

– O que é isso? – Perguntou em tom preocupado, levando a mão ao local.

– Minha quarta boca, un. – Respondeu.

– Não Dei-san, eu me refiro a isso. – Tocou a ponta dos dedos sobre largas suturas que uniam fortemente os lábios da declarada boca

O inchaço de cada ponto na pele indicava a ela que a ação era muito recente. Os fios grossos e espaços declaravam que quem tinha feito o trabalho não tinha experiência com aquele tipo de coisa.

– É melhor que fique assim, un. – Colocou a mão sobre a dela. – Veja pelo lado bom, eu não vou babar você, un.

– O que é uma pena, se o fizesse teria uma boa desculpa pra arrastar você para um banho comigo.

– Não seja por isso, un ainda tem mais três. – Brincou.

– Pobre de mim. – Disse no mesmo tom leve e do jeito que estava, apenas jogou o tronco pra trás e ficou escorada sobre os cotovelos.

– Isso é um convite, un?

Como resposta Ino tirou a perna direita de onde estava e a posicionou sobre a outra que se mantinha flexionada, ela o viu observar cada movimento seu. Procurou encará-lo e sem deixar de fazê-lo, tirou de si a cinta com kunais que levava presa a coxa, levando a perna novamente para sua posição anterior.

Pegou umas das armas e cortou as laterais da última peça que cobria seu corpo. Ela não precisava dar uma resposta com palavras depois disso. Deidara se endireitou sobre os joelhos e inclinou-se em direção a loira, um dos braços ficou imóvel apoiado no chão enquanto o outro se arrastava pelo corpo levando sua mão para um passeio que terminou no rosto dela.

– Por quanto tempo achas que é capaz de ficar sem respirar, un? – Decretou lembrando-se que no jogo já era a vez dele de jogar novamente.

.:.

Pain andava de um lado para o outro no quarto impaciente, já havia se passado tempo demais desde que Konan havia saído. A mente de líder sempre procurando primeiro pelas possibilidades do que poderia ter dado errado. Poderia ter sido reconhecida, Zetsu podia ter perdido o anel, havia tantas possibilidades. De cinco em cinco minutos dava uma espiada na janela na esperança de ver o rosto familiar vindo pela rua, mas Konan não vinha.

A parte racional de sua cabeça raramente conseguia o fazer lembrar que Konan não era uma pessoa indefesa, na verdade o título de braço direito não lhe fora dado de graça. Ainda assim uma voz ficava sempre reprimindo esse pensamento, se questionando porque tinha a mandado sozinha.

Caminhou fazendo um circuito que passava ao redor da cama, ia até a janela, fazia a curva por uma poltrona que tinha ali, voltava pra janela, ia até a porta pra ver se ouvia passos e voltava a dar a volta na cama repetindo todos os outros gestos. Queria mesmo era sair e ir atrás dela, mas sabia que ela ficaria muito irritada. Interpretaria que ele não havia sido capaz de crer nas capacidades dela.

E caso algo tivesse mesmo saído fora do esperado, o correto seria ele ficar longe para não correr o risco de comprometer a missão. Não tinha escolha se não ficar ali e esperar, então resolveu-se por ajeitar a poltrona de forma que o desse total visão tanto da porta quanto da janela e sentou-se. Esperou por algum tempo até que sentiu uma brisa leve invadir o aposento, instantes depois pedaços de papel entraram pela janela.

– Gomen pela demora. O Zetsu quando não quer ser encontrado, definitivamente não é encontrado. – Disse em tom irritadiço ao portador do rinnegan.

– Mas você conseguiu, certo? – Perguntou de forma séria demais, algo que ela pode perceber à distância.

– É. Ele é cabreiro, só quando teve certeza que não seriamos vistos de forma alguma ele se mostrou, só isso levou mais de quarenta minutos. – Ao ouvir a resposta, Konan viu o par de espirais cinzas lhe encararem com irritação.

– Você saiu daqui já faz três horas! – Disse já começando a alterar o tom de voz.

Ela apenas se sentou na beirada da cama, e o encarou. Sabia que de nada adiantaria se irritar, o jeito com Nagato era outro. Ainda assim teve que respirar fundo para lhe sorrir.

– Acho que tenho um relatório de missão pra te passar, líder- sama. – Disse de forma calma.

Sempre era calma, mesmo que de verdade não estivesse tão disposta assim. Era calma, pois a sua calma o acalmava quase imediatamente.

– Não preciso de relatório, só do anel. Sei que se demorou é porque teve motivos. – Disse tentando regular a altura da voz enquanto olhava aquela imagem tão bela e contraditória.

Konan era um anjo, seu anjo. Perante o mundo era seu anjo da morte, assassina fria que não media esforços para ter o sucesso das missões. Ainda assim, em todos os outros momentos era o seu anjo de paz. A calma nos olhos dela podia ser mais poderoso que seu misterioso rinnegan e ela o usava com sucesso contra o portador do mesmo.

– Ah então estas irritado porque pensou que não traria seu precioso anel. – Calma como em tudo, tirou o objeto do bolso e o jogou para Pain. – Toma, agora o fruto de sua preocupação está em suas mãos. – Sua voz apesar de morna tinha uma ponta de irritação.

A azulada se virou para ir em direção ao banheiro, mas foi impedida. Seu corpo se chocou com um dos dele, que por sinal era muito parecido com o dela, ele estava lhe barrando a passagem. Reclamou como reflexo pelo o encontrão e iria desviar do mesmo para seguir passagem, mas no momento seguinte Pain estava no lugar do clone e o outro sentado na poltrona onde este se encontrava anteriormente.

Ele não entendia o que e nem por que, mas ela não estava bem. Podia sentir isso, pois sentia em seu próprio coração, os laços que os uniam eram tão fortes que cada sentimento de infelicidade ou descontentamento que atingia o coração dela, o atingia como um ataque violento. Podia não entender por que, mas sabia que a culpa era dele.

Ele estava agora diante dela, queria dizer de uma vez que não estava preocupado com o anel e sim com ela, com a ausência dela. Mas temia, sim Pain temia causar mais um descontentamento a ela. Tinha milhões de palavras presas na garganta, cada qual lutando para sair primeiro, nenhuma delas tinha significado para a cabeça do líder que era, mas todas vinham diretamente de seu coração e eram direcionadas à única coisa capaz de chegar até lá.

E ali, no ele tinha no coração cada uma daquelas palavras faziam sentido. Resolveu por fim, libertar as palavras de sua boca, abraçou-a com delicadeza para chegar bem perto do ouvido dela, mas mesmo que tanto quisesse sentia-se incapaz.

– Eu te amo! – Resumiu-se e a beijou.

Na pequena confusão de Nagato, Konan se lembrou do motivo por nunca ficar realmente braba com ele. É era apenas porque era ele. Pertencia ao ruivo assim como sabia que ele pertencia a si.

Sempre foi assim, mesmo antes de ficarem juntos. A história que tinham para dividir no mundo já estava escrita no momento em que a menina de olhos bondosos encontrou o um garoto triste passando fome com seu cão na chuva.

Recebeu o beijo dele com paixão, agora lhe parecia tão bobo e infantil ter ciúme de um anel. Sentiu uma das mãos dele vasculhando seu corpo a procura do que mantinha as roupas dela ali. E com um movimento rápido Konan viu-se completamente despida. Sentiu a presença de clone dele se aproximando.

Sem desgrudar da boca dela a encaminhou para a cama e no meio do caminho se despiu também. Ele a deitou na cama e deitou-se ao seu lado de lado, parou o beijo para melhor acomodá-la, mas não se demorou para voltar ao conforto de seus lábios.

O fato de Pain ter deitado ao seu lado aliado á proximidade exagerada do clone incomodou Konan um pouco. A insegurança a fez abrir os olhos para ter maior controle da situação. Grande foi sua surpresa quando encontrou Pain igualmente de olhos abertos, como se estivesse esperando por esse momento.

Ele começou a deslizar a mão livre pela pele dela com toda delicadeza e dedicação que reservava apenas para ela. O clone havia se parado trás do casal, mesmo assim ela não tornou a fechar os olhos, mas por outro motivo.

Os olhos do ruivo que amava tanto a tinha hipnotizado com desejo. Estava presa àquele ato. Repentinamente o clone de Pain se aproximou um pouco mais, mas Konan não se assustou, era o amado que controlava cada movimento do outro e ele não faria nada que ela não quisesse.

Então o outro começou a sussurrar perto das cabeças deles:

"Alma gêmea de minha alma

Flor de luz de minha vida

Sublime estrela caída

Das belezas da amplidão..."

Nesse momento Pain colocou-se sobre seu corpo sem nunca parar com o beijo e os carinhos. Suas carícias não pararam em nenhuma parte específica do corpo quase frágil, apenas percorria por toda superfície de pele. Ela permitiu-se levar as mãos ao corpo dele e tocá-lo também em igual displicência, havia acabado de perceber o que Nagato pretendia fazer consigo e gostava da ideia.

Pain estava roubando todos os seus sentidos. Com a visão, via os olhos do causador de seu prazer. O tato lhe permitia sentir-se tocar e ser completamente tocada. O paladar era tomado pelo sabor do beijo dele. A respiração que começava a ofegar trazia ao olfato a essência criada da mistura de seus corpos. Sua audição era preenchida pela declaração do poema de conhecido poeta declamada para si.

"Quando eu errava no mundo

Triste e só no meu caminho,

Chegaste, devagarzinho,

E encheste-me o coração."

Nagato sentia as mãos que o tocavam, sentia que forçá-la a usar todos os sentidos ao mesmo tempo a deixaria em um estado de satisfação plena. Os toques delicados estavam se transformando em arranhadas e Konan começava a arfar gemidos abafados pelo beijo dele.

Deixou de beijá-la passou a mão por sua intimidade à procura do pequeno órgão, cujo tamanho é inversamente proporcional ao prazer gerado e que assim que encontrado passou a ser acariciado. O clone sem vida nada expressava diante a cena que se quer parecia ver, apenas tinha a missão de falar.

"Vinhas na benção das flores

Da divina claridade,

Tecer-me a felicidade

Em sorrisos de esplendor!

És meu tesouro infinito"

Viu o corpo de sua amada começar a se contorcer se torcer embaixo de si. Os gemidos de prazer lhe eram completamente audíveis. Posicionou melhor seus corpos seus corpos, fazendo-a colocar ambas as pernas em torno de sua cintura, invadindo-a logo em seguida.

"Juro-te eterna aliança

Porque sou tua esperança,

Como és todo meu amor!"

"Alma gêmea de minha alma

Se eu te perder algum dia...

– Ah – Os gemidos de ambos se misturaram à poesia.

"Sentirei tua eterna agonia,

Da saudade nos seus véus...

Se um dia me abandonares

Luz ternas dos meus amores,

Hei de esperar-te entre as flores

Da claridade dos céus"

(Poema "alma gêmea" retirado do livro "Há 2000 anos" Chico Xavier.)

Seus corpos moviam-se em busca do outro em um só ritmo. Seus gemidos e ofegos se misturando ao som do sexo e poesia até permitirem-se ser consumidos pelo ápice do prazer que podiam proporcionar um ao outro.

– Alma gêmea da minha, eu te amo. – Disse por fim, ofegante ainda antes de se mover.

.:.

Sakura acordou tentando sorver o máximo do calorzinho do edredom antes de se levantar. Virou-se na cama ainda de olhos fechados e passou a mão pelo outro lado do colchão que estava gelado.

Abriu os olhos reclamando mentalmente do terrível hábito que o Uchiha tinha de despertar cedo. Pensou melhor sobre suas escolhas e fechou os olhos novamente se virando de barriga pra cima, buscando por recordações sobre a noite anterior.

Tudo que fizera com Itachi antes e depois daquele jantar preparado pelo moreno. A forma como havia ido parar ali na cama que não era dela. Mas então deparou-se com a presença que passou a se fazer presente.

Itachi acordou cedo sem se preocupar em acordar a mulher ainda em sono profundo ao seu lado. Partiu logo para um banho matinal que era hábito seu, que o ajudava a acordar.

Sakura ainda dormia tranquilamente quando ele voltou pro quarto. Iria acordá-la, mas ela parecia tão calma quando dormia. Ainda havia bagunça da noite passada na cozinha e na sala da sede que não deveria ser encontrada por nenhum recém-chegado. Sem mais nada para fazer voltou ao seu quarto, deveria esperar pelo tempo certo de ela despertar.

Quando sentiu que ela estava finalmente acordando, camuflou-se e esperou para ver o que ela faria. Achou engraçado ela ter lhe procurado no outro lado da cama, talvez devesse ter voltado para lá. Mas então creditou ter feito uma escolha melhor por ficar ali assim que a viu sorrindo de olhos fechados, sabia o que ela estava recordando, então permitiu-se ser percebido.

– Itachi. – Chamou se virando para vê-lo já esperando não ser verbalmente respondida.

Ao buscar pelo homem com quem passou a noite, a rosada teve um calafrio ao ver como ele a encarava. Estava diferente, ela quase não via mais aquela neblina de frieza que sempre pousava ali. Ele desviou o olhar, olhando para outra coisa, ela o seguiu, até pousar no tatame ao seu lado, ele havia preparado sua refeição.

– Tudo isso pra mim? – Perguntou analisando o tanto de coisas dispostas ali, talvez houvesse um típico café da manhã japonês completo ali.

– É.

– E você acha que eu como tanto assim? – Perguntou com humor.

– Hn – Respondeu dando de ombros.

Ela já tinha percebido que ele geralmente era menos comunicativo pela manhã. Ia se levantar para se aproximar, mas quando sentiu o tecido do edredom deslizando por sua pele lembrou-se que estava nua ali, ficou levemente corada. Um sorriso maior apareceu entre os lábios de Itachi ao ver o constrangimento de Sakura.

– Está rindo de que? – Perguntou ligeiramente emburrada enquanto puxava o lençol e se enrolava nele.

– Não tem o que esconder de mim. – Observou.

– Não enche. – Reclamou servindo-se do farto desjejum.

– Temos que trabalhar. –Ele disse repentinamente depois de alguns minutos que percebeu que ela havia terminado.

– Mas já estamos. Pain disse pra você cuidar das redondezas da sede e para eu lhe fazer companhia, eu sei que você é capaz de sentir outro chakra até se estiver dormindo.

– Na verdade sinto algo, é melhor você estar vestida e pronta.

– Como assim sente algo? Tem alguém vindo pra cá? – Perguntou se levantando com velocidade, prendendo o lençol em torno do corpo e o cabelo em um coque firme para que os cabelos não lhe atrapalhassem.

Ele ficou surpreso com a rapidez dela em querer se aprontar para um possível ataque. Observou com calma era correr para seu próprio quarto, com certeza para vestir seu uniforme enquanto ficou bem sentado exatamente onde estava, em questão de minuto ela estava de volta no quarto com sua botas, luvas, short e frente única terminando de vestir a capa.

– E aí, já identificou o chakra? – Perguntou da porta.

– Hai. – Ele se levantou. – Acho que você vai ter uma surpresa no jardim – Disse apontando em uma direção, por reflexo, ela acompanhou o movimento dele. – Será melhor se você for na frente.

– Hai. – Ela se foi

NOTAS: "A quarta boca de Deidara" porque a primeira é a boca boca mesmo né.