Olá pessoal, desculpem a demora em postar, tentei deixar o capítulo o melhor possível, espero que gostem. Desculpem se virem algum erro também.

Agradecimento especial para:

Felcia Malfoy: Snape é fofo, mesmo no estilo dele de ser. Obrigada pelo review, um grande beijo.

Dama Layla: O Snape sempre se lasca, porque alguém sempre tem que se lascar e ele é o grande sortudo. Lupin ainda vai ouvir muito, ele entra no próximo capitulo.

Daniela Snape: Que bom que está acompanhando, sabe que amo seus reviews e mais ainda que goste de minhas fics... sempre as finalizo também, então é ótimo que esteja aqui comigo. Um grande beijo.

Mary Snape: Que bom que gostou, já estou postando mais... espero que goste, um grande beijo.

Capítulo 12 – Eu não valho você

Hermione não se impressionou ao ver a sala vazia quando saiu do banho, não esperava que Snape ficasse ali esperando por ela, ainda mais depois do pequeno momento que tiveram. Ela não queria pensar naquilo, era algo muito delicado e profundo para se pensar naquele momento. Sua vida já tivera muitas surpresas nessa última semana, muita coisa para pensar, muitas verdades e mentiras. Preferiu deixar para pensar sobre isso depois, talvez quando finalmente tivesse voltado para seu quarto no dormitório da Grifinória e principalmente depois de colocar as lições em dia, não queria nem imaginar quanta coisa perdera nas matérias. Foi pensando nisso que a menina terminou de enxugar os cabelos, discipliná-los com um feitiço simples e ajeitar o uniforme que vestia. Antes de sair dos aposentos do professor Hermione dobrou cuidadosamente a capa negra e a deixou sobre o sofá, seus dedos não queriam deixar o pano, tocaram-no até o último instante, então deram-lhe as costas e foram embora.

Segundo Snape lhe informara por trás da porta do banheiro enquanto tomava banho, ela teria o primeiro horário livre para se organizar na sala comunal e então partir para a segunda aula que seria do lado de fora com os corvinais na estufa três. Por esse motivo não havia alunos nos corredores enquanto subia os degraus para a torre da Grifinória. Ao chegar em seu quarto pegou sua mochila, organizou seus materiais e rumou para a estufa três com um livro de Herbologia aberto diante de seu rosto, precisava rever as matérias perdidas nos dias que não fora para a aula e era melhor fazer isso antes dos amigos chegarem, sabia que teriam muita coisa para conversar.

Ela não poderia estar mais certa. Quando o horário da aula chegou e os alunos começaram a sair do castelo rumo as estufas Hermione viu Harry e Rony pararem por um segundo ao avistá-la como se temessem se aproximar. Por um segundo baixou a cabeça colocando uma mecha atrás da orelha. Estariam eles com medo dela? E poderia ela condená-los por isso depois de quase mata-los? Mas então Harry dera um passo a frente até quase correr e abraça-la com força, Rony ficou atrás, mas tocava seu ombro com o que poderia ser classificado como carinho. Hermione teve que lutar contra a vontade de chorar, se fizesse muito mais alunos questionariam o que estava havendo e não sabia se conseguiria parar após começar.

- Hermione, me desculpe por aquilo. – Disse Harry se soltando do abraço. – Por favor, me desculpe, não queria causar problemas para você. Nós não sabíamos daquilo.

- Harry! – Chamou Hermione fazendo-o parar de falar. – Vamos conversar depois, sozinhos, estão olhando pra gente.

- Ah, ok. Tudo bem.

Era visível como os meninos estavam desconfortáveis ao lado de Hermione, não pelo que ela era e sim pelo que fizeram. Rony não parava de tentar agradá-la lhe passando os instrumentos de trabalho antes mesmo que ela pedisse e Harry tentava responder as perguntas feitas pela professora mostrando que estudara a matéria.

- Parem, por favor. – Pediu Hermione após ouvir um monologo de Harry sobre ervas curadoras que a professora passara na aula anterior e Rony concordando com cada palavra. – Está tudo bem, ok? Não precisam ficar me agradando o tempo todo. Não que você aprender a matéria seja algo ruim, Harry, já estava mais que na hora de um de vocês prestar atenção na aula também, mas o que estou querendo dizer é, ajam normalmente.

Não adiantou muita coisa, Harry e Rony continuaram tentando agradá-la até que Hermione os arrastou até uma sala vazia antes do almoço e lacrou a sala com um abafiato.

- Olha, é sério, parem de tentar me agradar, não aguento vocês assim, prefiro muito mais que vocês sejam, sei lá, vocês.

- Tudo bem, desculpe, é que nos sentimos muito mal pelo que aconteceu. O professor Dumbledore conversou comigo e com o Rony e nos explicou sua situação e como tudo isso ia ser difícil para você.

- E também deixou bem claro que nós podíamos ter atrapalhado sua adaptação. Mas caramba, Hermione, você ficou uma semana fora. – Disse Rony olhando atentamente para a menina e gesticulando com as mãos nervosas. – Ninguém nos falava nada, só que você não estava nada bem e que precisava ficar na ala hospitalar. Até invadimos a ala hospitalar para ver você e você não estava lá. Não pode nos culpar por ficarmos preocupados com você.

- Eu não culpo.

- Mas Snape sim. Ele nos deixou em detenção por pelo menos duas semanas. Depois de você ir para dentro da passagem secreta, o Snape nos levou diretamente para o diretor e nos deixou sozinhos com ele. No começo achei que seriamos expulsos, consegui imaginar minha mãe gritando comigo, foi horrível. Mas ele não nos mandou embora, por sorte. Mandou que cumpríssemos a detenção de Snape nas masmorras limpando estoques velhos, banheiros e ajudando Filch no que ele precisasse. Por um momento cogitei a possibilidade da expulsão ser melhor.

- Foi só isso? – Questionou Hermione olhando de um para outro. – Vocês já pegaram detenção varias vezes antes.

- Mas Dumbledore também nos mandou fazer algo muito estranho. – Disse Harry sentando-se na mesa e apoiando os pés na cadeira. – Ele mandou que ficássemos de olho em você. Tentei explicar que por sermos seus amigos sempre estamos de olho em você, mas ele disse que dessa vez era para ficarmos mesmo de olho. Não sair de perto, sempre andar ao seu lado. Garantir que está tudo bem e outra coisa muito estranha.

- O que?

- Não entendemos direito, mas ele disse que teríamos que apoiar completamente a sua escolha e mais ainda ajudar a encobertar. Eu não entendi nada.

- Eu sei sobre o que é, mas não posso explicar agora, melhor deixar para depois. – Disse Hermione desviando os olhos dos amigos, esperava sinceramente que demorasse muito para ter que explicar alguma coisa para os dois. – Melhor irmos. – Finalizou indo em direção a porta.

- Ei, espera ai! – Exclamou Rony levantando-se e olhando de olhos arregalados para a menina, até Harry parecia surpreso. – Como assim melhor irmos? Hermione, você é uma lobisomem!

- Eu sei.

- É, mas nós não, explica como isso aconteceu. Você foi mordida? Por que não falou para nós?

- Eu não sabia Rony, descobri semana passada no meu aniversário de treze anos, eu sou uma nascida lobisomem, ninguém me mordeu.

- Uau, então você sempre foi assim? Será que é por isso que você é tão inteligente?

- Claro que não Rony, a inteligência não é hereditária, minha mãe é uma mulher comum de inteligência mediana e o professor Lupin também.

Demorou poucos segundos para Hermione perceber o que falara, os dois segundos que demorara para raciocinar foram devido os rostos surpresos de olhos arregalados e boca aberta de Harry e Rony. Logo conseguiu ouvir o coro dos dois.

- O que?!

- Ah droga, eu não sei se poderia ter contado. Por favor, prometam que jamais falarão nada sobre isso, esse segredo não é meu, não posso contar aos outros.

- Então Lupin também é um lobisomem?

- Rony, pelo amor de Deus, não entendeu ainda? Lupin é o pai de Hermione.

- Ah que ótimo.

A grifinória contou toda a história de Lupin e sua mãe para os meninos, quando finalmente saíram da sala já estava na hora do almoço e Hermione estava morrendo de fome. Tudo que queria agora era sentar-se à mesa da Grifinória e comer um delicioso prato de comida.

- E como será de agora em diante? Você sempre ficará presa durante a lua cheia e se ficar solta vai matar todo mundo?

- Não, o professor Snape está desenvolvendo a mesma poção que ele dá para o professor Lupin, essa poção fará com que eu não perca a consciência com facilidade e então posso ficar quieta no meu quarto até o amanhecer. Conseguirei até mesmo dormir durante a noite enquanto estou transformada.

- Seu quarto? Hermione, você dorme com mais quatro meninas, sei que Parvati gosta de cachorros, mas dai ter um lobisomem dormindo na cama do lado é muita coisa para se pensar.

- Primeiro, eu não sou um cachorro, segundo, eu não estarei no dormitório das meninas. O diretor vai liberar um dos quartos dos monitores para mim, assim poderei ficar sozinha a noite, transformada.

- Como você pode estar tão calma com tudo isso Hermione?

- Eu já tive meus momentos de surtos, foi péssimo porque eu sinto tudo muito mais intenso quando estou no período de lua cheia, então prefiro ficar tranquila, eu não tenho mesmo como fugir disso.

A menina deu de ombros com um sorriso triste e continuou andando até o grande salão ao lado dos amigos.

Os dias passaram rápido, Hermione se enfiou nos livros para ficar em dia com as matérias e principalmente para se preparar para as provas que estavam chegando. Após três semanas tudo parecia normal, os meninos voltaram a ser eles mesmos, as matérias estavam em dia e tudo parecia simplesmente comum, a única diferença era ela mesma. Não havia mais um único momento em que Hermione não conseguisse pensar em Snape. Chegava a ser irritante. Ao acordar se lembrava das mãos dele a tocando para ajudá-la a levantar, quando tomava banho se recordava dos olhos negros ignorando seu corpo em respeito, quando comia via a bandeja que muitas vezes ele, e não os elfos, deixara em sua cela. Recordava-se a cada segundo do perfume que o homem exalava, era leve e intenso ao mesmo tempo, impregnava em suas veias. Sabia que não deveria pensar nele, era loucura. Pensara a princípio que ele era o escolhido para ser seu parceiro, mas depois jogou esse pensamento no lixo, o que acontecera nos aposentos dele fora apenas um lapso de loucura em um momento de fraqueza. Snape nem mesmo era bonito, tinha pelo menos vinte anos a mais que ela, uma pele pálida e gelada, seu corpo não era musculoso e aquele cabelo com certeza não era lavado todos os dias. O homem era um bruto consigo, depois de tudo que passara com ele durante seu confinamento era de se esperar que o mestre de poções ao menos lhe dirigisse a palavra amigavelmente, mas ele não fez isso, continuou ignorando-a como se fosse um nada e a tratando como sempre tratara, como uma irritante sabe tudo.

Por esses e outros motivos que Hermione tirou essa ideia da cabeça e entrou na última aula daquela sexta feira, poções. Sentou-se ao lado de Neville na carteira em frente a Harry e Rony que discutiam o que fariam quando chegassem em Hogsmead no dia seguinte.

- Você vai conseguir a autorização para ir a vila Harry, tenha fé. – Disse Rony.

Hermione apenas balançou a cabeça e nem mesmo se virou para discutir o que já debatera exaustivamente com eles, Harry já tinha sua opinião formada de que conseguiria a autorização de qualquer jeito e iria com eles para Hogsmead, não adiantava mais falar qualquer coisa, por isso apenas abriu o livro e começou a ler a matéria enquanto o professor não chegava. Não demorou muito para que Snape abrisse a porta e entrasse com seu humor habitual.

- Abram o livro na página 52, leiam e entendam a essência da poção da incoerência, após isso peguem os ingredientes no armário e façam a poção. No final da aula irei testar a poção em alguém. Vocês quererão acertar dessa vez.

Os alunos ficaram de olhos arregalados, Hermione era a única pessoa calma, ela sabia que conseguiria fazer a poção com perfeição, era simples e rápida também. Assim que Snape deu a ordem Hermione se levantou para pegar os ingredientes, pois era a única que já havia lido sobre essa poção. A menina estava tão concentrada em fazer sua tarefa que nem mesmo percebeu os olhares penetrantes em sua direção, ela só via raízes, sementes e as instruções no livro. Neville parecia nervoso ao seu lado enquanto pegava os ingredientes e os separava em cima da mesa.

- Acabou o tempo, guardem uma amostra da poção nos vasilhames e limpem suas mesas. – Disse Snape ao final da aula, passarei verificando cada uma.

Snape se levantou devagar e passou a analisaras poções de cada aluno começando pelos sonserinos. A cada poção que via ele atribuía uma nota e em alguns casos algum comentário necessário. Quando chegou a fileira dos grifinórios os comentários eram cada vez maiores e azedos, as notas diminuíram consideravelmente. Hermione ouviu Simas reclamar audivelmente que era injusto, sua poção estava muito melhor do que de Crabbe, mas Snape apenas ignorou. Quando chegou a mesa de Hermione a menina ficou tensa, ele estava bem ao seu lado e se debruçou para pegar a poção de Neville ao lado.

- Senhor Longbottom, o que acha que é isso?

- Minha poção senhor. – Respondeu o menino com a cabeça baixa e as bochechas coradas.

- Tem certeza? Eu acredito que não é, a poção deveria ser azul, isso parece azul para o senhor?

- Não, professor.

- O senhor ao menos sabe que cor é essa? Tem a capacidade de saber isso?

- Professor, acho que... – Tentou falar Hermione.

- Senhorita Granger não me lembro de ter pedido sua opinião.

Hermione engoliu em seco e voltou sua atenção para frente, Neville tremia ao seu lado. Snape posou o vidro com a poção de Neville na frente do menino.

- Tome.

- O que?

- Tome a sua poção, vamos ver como você reagirá ao veneno que fez. O que será que o senhor tem para nos dizer? Coisas inúteis ou algum segredo que jamais contou para seus amigos?

Neville ficou duro na cadeira, seus olhos estavam brilhantes e vermelhos. Havia algo que o menino não queria contar, algo que era seu segredo mais íntimo, mais sagrado. Não podia deixar que fizesse isso, não podia.

- Tome.

Então o vidro foi pego com rapidez e virado em sua boca fazendo com que o liquido descesse queimando sua garganta. Assim que pousou o vidro na carteira, abriu os olhos e se deparou com um Snape furioso. Os dentes do professor não estavam somente cerrados, pareciam que queriam quebrar-se completamente, suas mãos fechadas em punho traziam o branco da pele esticada sobre os ossos e os olhos eram punhais afiados lançando ódio em sua direção. Teria dito algo, mas a poção de Neville começara a fazer efeito e mesmo que soubesse o que diria a seguir, Hermione não podia impedir sua boca de emitir aquelas palavras.

- Eu sei quem é meu parceiro ideal. - Disse Hermione espalhando as mãos na carteira e se levantando com os olhos grudados em Snape. - É você, Severus.

Por um minuto inteiro todos da sala ficaram calados olhando atentamente de mestre para aprendiz, não havia como acreditar que Hermione Granger dissera uma coisa daquelas para o professor Snape. Harry olhou para Rony que de tão perplexo não conseguiu retribuir o olhar, Neville tampava a boca com a mão e se encolhia na carteira. E mesmo com todos olhando para os dois, ninguém foi capaz de perceber a pequena mudança no olhar de Snape, foi algo tão sutil que poderia ter passado despercebido até por ele mesmo, tudo isso apenas por ouvir seu nome dito com todas as letras pela voz suave dela. Só por causa de seu nome. Um olhar surpreso que durou menos de um minuto, pois no seguinte um sorriso abriu-se em seu rosto. Snape olhou para Neville e riu. Uma risada curta e cruel.

- Então, ainda que estivesse errada, de alguma forma a sua poção funcionou, Longbottom, você deixou a senhorita Granger completamente incoerente e falando coisas desconexas. Acho que a Grifinória merece 5 pontos por isso. - Neville quase caiu da cadeira com o que ouviu. Snape estava lhe pontuando por uma poção certa. Somente em Herbologia ele conseguia ganhar pontos. Mas logo a alegria sumiu. - E vinte pontos a menos pelo atrevimento da senhorita Granger. - Snape não voltou a olhar para a menina, dirigia-se unicamente a sala. - Dispensados, senhores Potter e Weasley, esperem a senhorita Granger fora da sala, preciso ministrar o antídoto.

- Por que não dá o antidoto agora? - Questionou Harry. - Eu posso esperar.

- Menos 5 pontos para a Grifinória por me retrucar, faça o que eu mandei, senhor Potter.

Rony também não gostou nada da ideia de deixar Hermione com Snape, ainda mais se ele fosse dar algo para ela beber, mas não podiam fazer nada, então apenas empurrou Harry para fora da sala e aguardou.

Após toda a sala se esvaziar Snape aproximou-se de Hermione, a menina estava sentada, suas mãos ainda espalmadas na carteira, mas seus olhos não o encaravam, estavam baixos e suas bochechas coradas. Ela sabia o que havia falado, provavelmente estava brigando para não abrir a boca novamente.

- Quem diria que Longbottom conseguiria fazer uma poção variante da veritasserum. Eu jamais imaginaria essa possibilidade. - Disse Snape tirando de um bolso interno da capa um vidrinho pequeno que colocou diante dela antes de se sentar ao seu lado. - Beba, senhorita Granger, vai anular os efeitos do que bebeu antes.

Imediatamente Hermione abriu o frasco e bebeu seu líquido de um gole quase engasgando com o gosto ruim.

- Obrigada. - Disse Hermione ainda tossindo. - E desculpe, por isso. Eu não queria dizer aquilo.

Snape nada disse, apenas encarou seu rosto, ela ainda não olhava para ele. Sabia que a menina estava com vergonha e entendia o motivo. Ele mesmo sentia-se estranho naquele momento. Deveria estar odiando-a, amaldiçoando-a, talvez até xingando de nomes horríveis, mantê-la a distância e depois ser o mais cruel que pudesse, esse sim deveria ser o Snape após ouvir aquelas palavras, mas a verdade é que ele não conseguia. Como um parceiro seria ideal se odiasse sua parceira? O destino era mais cruel que a morte, ele sentia essa crueldade em seu âmago, nos sentimentos estranhos que sentia e no que desejava.

- Não se desculpe, senhorita Granger, a verdade é apenas a verdade. - Disse Snape fazendo-a olhar para ele, havia lágrimas em seus olhos castanhos e grandes, elas caíram pecaminosas pelo rosto jovem. - Mas algumas delas não são necessárias serem ditas em voz alta para que saibamos.

Hermione arregalou os olhos quando a mão se estendeu até seu rosto e o polegar acarinhou sua bochecha limpando a lágrima que ali estava. Mas Hermione só fez chorar mais ao fechar os olhos e deixar-se sentir o toque dele em si. Poderia ficar ali para o resto da vida, mas o carinho se foi. Antes que abrisse os olhos ouviu o sussurro em seu ouvido.

- Não chore por mim, eu não valho suas lágrimas.

Quando abriu os olhos ele não estava mais ali, apenas uma carteira vazia. Ao se virar o encontrou encostado atrás de sua escrivaninha, de costas para ela olhando para a parede. Devagar se levantou guardando o material que ainda estava na carteira. De mochila nas costas seguiu até a porta, tocou na maçaneta, mas não a virou.

- Vá embora, senhorita Granger. - Disse Snape ainda sem se virar.

Ela virou a maçaneta, abriu a porta e saiu. Snape ainda conseguiu ouvir Rony perguntando por que ela estava chorando antes da porta se fechar o deixando completamente sozinho com seus pensamentos. Ela estava chorando de novo, lágrimas maculavam aquele rosto perfeito, manchando a pele quente, mas deixando os olhos grandes e brilhantes, lindos.

Baixou a cabeça, fechou os olhos com força e apertou os dedos na beirada da mesa até doerem. Quando abriu os olhos e os dedos sentia dor em sua mão e sua visão estava preenchida com pontos pretos, ainda assim conseguia ver seu rosto e sentir a textura de sua pele.

- Eu não valho isso, não valho você.