CAP 11 – CAMINHOS INCERTOS

No dia seguinte, Kagome saiu mais cedo da floricultura como não tinha muitos arranjos para fazer terminou rápido o serviço, e resolveu ir até o Hospício Municipal. Ao chegar no lugar encontrou Hatuki na recepção digitando no computador, ao ver a moça parou de digitar e levantou a cabeça.

-Kagome, que bom que chegou. A senhora Kaede quer vê-la; ela está no jardim.

-Eu irei falar com ela. Obrigado pelo aviso Hatuki.

Kagome se dirigiu ao jardim a fim de encontrar Kaede, que na certa estava preocupada com o desmaio que a garota teve no dia anterior; iria vê-la e dizer que estava tudo bem, que não precisava se preocupar. Ao ver Kagome chegando, Kaede coloca um velho senhor, que ela estava amparando, sentado no banco do jardim e se aproxima da jovem.

-Minha querida – começou Kaede que logo foi interrompida por Kagome

Kagome abriu um sorriso e começou a falar animadoramente

-Vovó Kaede, não precisa se preocupar. A tontura já passou e hoje estou me sentindo bem melhor..

-Kagome, me escute – disse pegando no braço na jovem – Meyu morreu hoje de manhã.

O sorriso de Kagome desapareceu, e lágrimas brotaram de seus olhos, ela não sabia o que dizer.

-Finalmente Meyu se libertou desta prisão, agora ela é livre. Um dia também serei como ela... Não posso lutar contra meu destino...- a jovem enxugou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto - Mas não vou lamentar meu destino, eu quero viver cada dia que me resta.

Kaede a olhava com admiração, não sabia de onde Kagome tirava tanta força para viver; mas a jovem sabia que essa força vinha da pessoa que ela tanto amava; era por ele que ela lutava a cada dia para superar a doença, mesmo que fosse seus esforços fossem inúteis, ela não deixaria se abater tão fácil, seria uma guerreira e faria do amor de Inuyasha por ela suas armas de batalha.

-Vovó Kaede, bom eu passei aqui apenas para vê-la. Eu vou até a empresa de Inuyasha, lhe fazer uma surpresa.

Surpresa vai ter ela quando chegar lá

Inuyasha estava revisando uns papéis quando o telefone tocou, era sua secretária anunciando uma visitante, ao ouvir quem era Inuyasha ficou perplexo, não esperava que ela viesse vê-lo, no entanto autorizou a entrada da moça. Ao vê-la na porta não podia acreditar na aparência da jovem.

-Kikyo, não esperava a sua visita – disse levantando-se de sua mesa, surpreso com a aparência da jovem.

Kikyo não lembrava nem de longe aquela mulher que era a namorada de Inuyasha, ela tinha os cabelos negros soltos, e vestia uma blusa branca com um casaquinho verde por cima e uma saia da mesma cor do casaquinho, não usava adereços e estava com uma maquiagem leve nos olhos e um brilho nos lábios; a antiga Kikyo gostava de usar roupas extravagantes e não dispensava uma boa maquiagem, um batom vermelho e adereços chamativos.

-Eu recebi alta do hospital, e resolvi passar aqui para visita-lo.

-Vejo que está melhor.

-Inuyasha, desde que você saiu ontem do hospital não parei de pensar no que me contou sobre a sua mulher.

Inuyasha balançou a cabeça, não entendia aonde Kikyo queria chegar com toda essa história.

-A verdade é que eu pensei na minha própria vida e no que fiz com ela. Todos esses anos eu fiquei ao seu lado porque queria uma vida de conforto e luxo, achei que assim era feliz, e em nome disso eu suportei todas as suas traições, sua indiferença, seu desprezo; tudo em nome do seu dinheiro...

Inuyasha estava chocado com as revelações da jovem, claro que sabia que Kikyo era uma mulher fútil e interesseira, mas escutar a própria admitir tal fato, não era algo que esperasse ouvir algum dia. Kikyo continuou.

-Sei que por meu lado eu também não era a namorada ideal, e também saia com outros homens, não para lhe fazer ciúmes, apenas para que eu não fosse a única a ser traída; mas ontem a noite quando veio me ver e me contou sobre a doença de Kagome comecei a pensar para que eu vivia. Na noite do acidente, eu poderia ter morrido junto com Narak e o que tudo estaria acabado, todo o luxo e dinheiro de que me adiantariam nessa hora? Então percebi que tenho vivido pelas coisas erradas.

-Kikyo fico feliz que tenha percebido isso sozinha.

-Vou viajar amanhã para Londres, preciso recomeçar a minha vida; mas antes preciso abandonar a antiga Kikyo e construir uma nova, para isso vou me afastar de tudo o que pertencia a antiga Kikyo, e isso inclui você Inuyasha. Desejo que seja feliz ao lado de Kagome, eu não irei incomodá-los mais.

Kikyo saiu da sala de Inuyasha e se dirigiu ao elevador, quando a porta do elevador se abriu viu Kagome dentro dele. Kagome ficou espantada ao ver Kikyo ali, mas não precisou ter poderes especiais para adivinhar o que ela veio fazer na empresa.

-Boa tarde, Kagome.

-Olá Kikyo, que surpresa encontra-la aqui.

Kagome não podia deixar de sentir ciúmes da Kikyo, e saber que ela tinha ido visitar Inuyasha fazia seu ciúmes aumentar ainda mais.

-Vim ver Inuyasha

-Eu imaginei – disse com desdenho

-Kagome você é uma pessoa muito especial para Inuyasha, e você pode faze-lo mais feliz do que eu jamais pude; por isso desejo que sejam felizes.

Ouvir aquilo de Kikyo deixou Kagome boquiaberta e sem palavras, apenas pode lhe dizer:

-Obrigado.

Kikyo entrou no elevador e foi embora. Kagome continuou seu caminho até a sala de Inuyasha, enquanto caminhava pensou no que Kikyo havia dito, e só encontrou um motivo pelo qual Kikyo disse aquilo.

-"Estava bêbada com certeza" – pensou

Inuyasha olhava a cidade pela janela de seu escritório, a noite estava chegando e as luzes da cidade começavam a acender, escutou a porta bater, mas não se virou para ver quem era, imaginou que era Kagura; foi quando sentiu braços envolvendo sua cintura, virou-se assustado e viu Kagome, que desfez o abraço.

-O que foi? Pensou que era a Kikyo

-Kagome, então já sabe que Kikyo esteve aqui.

-Encontrei com ela na saída.

-Não me diga que brigaram?

-Não conseguimos a sua secretária logo chegou para nos separar- disse em tom de gozação.

-Kagome – disse repreensivo

-É apenas brincadeira – disse colocando o dedo indicador sobre os lábios do rapaz – eu apenas estranhei que ela disse que desejava que nós fossemos felizes – Kagome apoiou o queixo com a mão, fazendo uma cara de interrogação – Ela bebeu alguma coisa aqui?

-Kagome – em tom de brincadeira Inuyasha a repreendeu novamente

-Certo, certo. Eu vim aqui por outro motivo.

-Eu sei porque está aqui, estava com saudades e veio me ver – disse o rapaz abraçando-a.

Kagome se desvencilhou do abraço

-Inuyasha, é sério. Passei no hospício antes de vir para cá, e a vovó Kaede me contou que Meyu havia morrido.

Inuyasha mudou seu semblante, a morte de Meyu o havia pegado de surpresa; lembrou-se de jovem garota de cabelos loiros e olhos azuis vazios, e novamente o futuro de Kagome veio em sua mente. Puxou-a para junto de si e a abraçou, e assim ficaram abraçados juntos por um longo tempo.

Uma semana após a morte de Meyu, Inuyasha levou Kagome para jantar num belo restaurante, a moça colocou seu mais belo vestido: um vestido longo azul turquesa tomara que caia com bordado com pedras azuis que brilhavam com a incidência da luz, deixou os cabelos soltos, prendendo apenas um dos lados com uma presilha de strass que combinava com seu colar e brinco. Depois da bela refeição, Inuyasha pediu uma garrafa de champanhe e serviu para ele e para Kagome; a jovem não entendia o porque da comemoração, mas imaginava que Inuyasha tinha fechado algum contrato importante com alguma grande empresa e queria comemorar, ou apenas queria que passassem a noite juntos, ou será que era uma comemoração pelo dia em que se conheceram. Kagome estava com uma certa dificuldade em lembrar de datas comemorativas.

-Nossa Inuyasha, para que toda essa comemoração?

-Já vou lhe contar.

Inuyasha colocou a mão no bolso do paletó, de onde retirou uma caixinha de veludo vinho e colocou-a sobre a mesa empurrando-a para Kagome.

-Ah, não! Inuyasha.

-Abra.

Kagome obedeceu e ao abrir viu um lindo anel com uma pedra enorme de diamante, uma lágrima escorreu pelo rosto da jovem.

-Kagome quer se casar comigo?

-Inuyasha prometeu que não se uniria a mim, que ficaria livre para partir a hora que quisesse.

-Kagome – pegou na mão da jovem – o que acha que vou fazer quando o seu estado piorar? Acha que poderia abandona-la num hospital ou num hospício? Mais do que nunca eu sei que não conseguiria me afastar de você, então qual é a diferença se estamos casados ou não. Se vou ficar do seu lado, quero ficar como seu marido. E você quer ficar ao meu lado como minha esposa?

-Quero – respondeu mordendo o lábio inferior.

Um mês depois Inuyasha e Kagome se casaram numa cerimônia discreta, apenas compareceram alguns amigos do casal; Sesshomaru não compareceu ao casamento, mas enviou um belo presente ao casal. Kikyo também não foi, pois já estava morando em Londres.

Kagome estava linda, usava um vestido branco com um corpete todo bordado em fios de ouro, os cabelos estavam presos num belo coque com algumas madeixas soltas e usava uma linda coroa de mini-rosas brancas; todos elogiavam a noiva que precisou de muita maquiagem para esconder sua pele pálida.

Com a doença de Kagome, e sem que Inuyasha pudesse se afastar da empresa por muito tempo; a lua-de-mel foi no litoral, onde passaram um final de semana numa bela suíte de frente para o mar.

Kagome nunca havia estado na praia antes, e logo que chegou ficou fascinada pela beleza do mar; Inuyasha achou graça da esposa que parecia uma criança correndo nas areias quentes da praia que pareciam não queimar seus pés. Eles brincaram de pega-pega e entraram na água do mar, ficaram na praia até quase o anoitecer e depois voltaram ao hotel. Naquela noite Kagome e Inuyasha durmiram juntos pela primeira vez como marido e mulher, foi uma noite cheia de amor e paixão preenchidas com juras de amor eterno e iluminada por velas espalhadas por toda a suíte.

No meio da madrugada, Kagome se levantou sentindo uma forte dor de cabeça. As dores de cabeça de Kagome haviam aumentado no último mês, principalmente durante a noite o que a fazia ter insônia frequentemente, além disso, ela havia voltado a desmaiar mais duas vezes; mas isso ela escondeu de Inuyasha. Sem querer acordar seu marido, ela suavemente retirou o braço dele de cima de seu corpo e escorreu para fora da cama, vestiu seu roupão e foi até a sua mala de onde retirou um vidro azul com algumas cápsulas, era um forte analgésico que sempre tomava quando as dores de cabeça ficavam insuportáveis, pegou um pouco de água no frigobar e tomou uma cápsula. Como tinha que esperar o medicamente fazer efeito resolveu admirar a paisagem da varanda de sua suíte, sentou-se na varanda e recolheu as pernas junto ao corpo, a brisa marítima lhe transmitia uma sensação de paz nunca havia experimentado antes. Inuyasha despertou e percebeu que Kagome não estava na cama, levantando a cabeça percorreu com os olhos o quarto até notar uma sombra na janela; discretamente levantou-se e vestiu a calça e foi até a varanda, Kagome se assustou ao vê-lo parado a seu lado.

-Inuyasha, pensei que estivesse dormindo – disse a jovem recuperando-se do susto.

-Senti a sua falta – disse sentando-se ao lado da jovem

-Você sente a minha falta muito depressa – abriu um sorriso maroto.

-Acho que é costume de estar sempre com você – disse colocando o braço atrás da jovem e puxando-a para junto de si.

-Eu sei como é – completou Kagome olhando para o mar

-O que está fazendo?

-Nada, estava sem sono e resolvi admirar a paisagem noturna. O mar é muito lindo à noite.

Inuyasha retirou o braço de trás de Kagome, e voltou a entrar na suíte, a jovem não entendeu a atitude do esposo, que logo retornou trazendo nas mãos o edredom da cama.

-O que está fazendo?

Inuyasha jogou o edredom nas pernas desnudas de Kagome, e fez sinal com mão para ela se afastar um pouco da grade de proteção da varanda, depois sentou-se atrás dela apoiando suas costas na grade e puxou-a para deitar-se em seu peito; cobriu a jovem com o edredom.

-Está um pouco frio, não acha?

Kagome assentiu com a cabeça, recostando-a ainda mais no peito de Inuyasha, onde se aninhou em seus braços.

-Vamos ver o sol nascer juntos – disse Inuyasha abraçando mais forte sua esposa que não tinha palavras para descrever o momento que estavam vivendo juntos.

-Inuyasha

-O que foi?

-Eu te amo

-Eu também te amo, Kagome.

Kagome se perguntou até quando viveria essa felicidade ao lado dele, mais uma vez renovou sua promessa de que não permitiria que ele a visse numa cama, sem lembranças e sem vida; jamais se transformaria numa planta. Eles ficaram assim juntos até que os primeiros raios de sol iluminaram a superfície do oceano que brilhava com a incidência da luz nas suas águas cristalinas.

Até aqui nos acompanhamos a bonita história de amor de Inuyasha e Kagome, desde que se conheceram até quando se casaram.

Kagome procurava viver uma vida normal ao lado de Inuyasha, e para isso ela ocultava os sintomas da doença que se tornavam cada vez mais pronunciados; mas essa felicidade que era construída em meio a segredos está ameaçada com a chegada dos DIAS DE INVERNO.

Resposta Reviews

Maiyu .Mad.Hatter.- eu não sou má não!!! biquinho. Quanto à frase do Inuyasha "Bom para você; assim poderá um dia vestir um lindo vestido branco." Lembra que no começo da fic que mesmo a Kikyo namorando a um tempão com Inuyasha ele nem sequer lhe dera um anel de noivado! O fato é que quando a Kikyo aparece ao lado de Narak, Inuyasha a ironiza dizendo que quem sabe ela um dia casa com seu novo 'namorado' (assim poderá um dia vestir um lindo vestido branco); já que ele nunca demonstrou intenções de casar com Kikyo quando namoravam.

Uchiha Danii-chan a Kagome não está morrendo, o estado dela é que está piorando; eu sei que parece a mesma coisa, mas não é!

Nanda Meireles espero que não tenha achado ofensivo a parte que eu coloquei explicando sobre a doença, saiba que em nenhum momento essa foi a minha intenção de afrontar o que você escreveu. Eu apenas coloquei aquele texto como um informativo sobre a doença, eu sempre que postava a fic colocava uma breve explicação sobre a leucodistrofia (tudo bem que a explicação que eu colocava não era assim tão detalhada, mas aqui eu resolvi caprichar um pouco mais). Achei interessante você colocar o fato de que ocorre somente em meninos porque era algo que eu não mencionava na explicação sobre a doença e realmente alguém que como você conhecesse do assunto poderia achar estranho eu colocar a Kagome sendo portadora de leucodistrofia sendo ela uma garota.

Ayame-Kagome, Miko Nina Chan, Nicki-chan, Sylvana Melo, Nanda Meireles, Sacerdotiza obrigada pelos elogios à história, e saibam que a Kagome fica feliz em saber que vocês não querem que ela morra:D Espero continuar recebendo cada vez mais reviews, elas são o meu feedback dos leitores a respeito da minha fic.