Capítulo XII
O odor agradável de flores e ervas de cheiro tomou conta do ambiente quando Rose despejou a água morna da infusão para o banho de Lady Ana-Lucia. O vapor reconfortante tocou o rosto dela e ela sentiu vontade de mergulhar o corpo naquela água cheirosa. Porém, permaneceu no lugar, estática, precisava de um banho, mas aquele não era um simples banho, era o ritual que antecederia sua noite de núpcias com um marido cujo primeiro nome ela só ouvira uma vez, na esdrúxula cerimônia de casamento realizada à força naquela madrugada.
- Vamos, se dispa menina, não vamos fazer Lorde Sawyer esperar a noite toda.
- Por mim ele pode esperar até cansar.- respondeu Ana-Lucia, malcriada.
Rose deu-lhe um olhar severo e Ana-Lucia começou a retirar os grampos que prendiam seus cachos negros, boa parte do cabelo já havia escapado do penteado e ela não demorou muito para terminar de soltá-los. Rose veio em seu auxílio para ajudá-la a despir o vestido de casamento estragado, soltando os fios do espartilho. Por fim, ela livrou-se das anáguas, meias e roupas íntimas.
Completamente nua ela mergulhou na água morna, soltando um suspiro involuntário de prazer ao contato do líquido morno com seu corpo cansado. Rose pegou uma escova e começou a desembaraçar seus cabelos, tendo o cuidado de não desfazer os cachos naturais.
- Rose, é o seu nome não é?- inquiriu.
- Sim, Rose Murray. A senhora com certeza conhece minha filha Nikki. Ela viajou com a senhorita Thompson para buscar sua irmã na França.
- Ès mãe de Nikki?- Ana surpreendeu-se. – Desculpe, mas...
- Sim, eu sei, ela não se parece comigo em nada. Mas não se preocupe, geralmente escuto esse tipo de comentário. Bem, a minha Nikki é filha do meu coração. O pai dela ficou viúvo cedo, e se casou comigo quando ela tinha 3 anos.
Rose ergueu-lhe o queixo e fitou-lhe os olhos escuros.
- Tens uma beleza rara aqui na Escócia, assim como tua mãe, Lady Esmeralda.
- Conheceu minha mãe?- Ana-Lucia apertou a pedra esmeralda no colar que trazia no pescoço.
- Se a conheci? Fomos grandes amigas. Lembro-me quando a família dela chegou à Escócia vinda da Espanha. Ela era linda e selvagem, dançava pelas colinas sem se preocupar com nada. Nahí estava sempre de olho nela a pedido de seu pai para que ela não se metesse em confusão, mas isso acontecia com freqüência e numa dessas aventuras ela conheceu Lorde Austen.
Ana-Lucia sorriu, estava gostando de ouvir histórias sobre sua mãe. Seu pai jamais as contara porque Lady Diana tinha muitos ciúmes dela. A chama cigana apenas não se extinguira em Ana-Lucia porque Nahí ensinou-lhe um pouco do idioma de seus ancestrais, incutiu nela hábitos religiosos ciganos e ainda fez com aprendesse e compreendesse o significado da dança cigana que ela tanto apreciava.
- Lorde Austen estava enamorado de Esmeralda, mas ela o odiava, lembro-me que o chamava de escocês estúpido de cabelos vermelhos.- Rose riu do próprio comentário. – Mas ele não se conformou com isso e a raptou para que se casassem.
- Meu pai fez o quê?
- Isso mesmo que a senhora ouviu, ele a raptou, como Lorde Sawyer fez com a senhora. Nessa época, eu era criada no castelo de Isenwood e fui eu quem preparou o banho da noite de núpcias de Lady Esmeralda. Ela me disse tempos depois que isso lhe trouxe muita sorte.
- E ela conseguiu se enamorar pelo meu pai mesmo tendo se casado à força?
- O casamento foi à força sim, mas o coração ela lhe entregou de livre e espontânea vontade e o amou até o dia de sua morte.
Ana-Lucia abaixou a cabeça:
- Eu fui a culpada pela morte dela, quando deu a luz à mim, ela morreu...
Rose balançou a cabeça negativamente: - Oh, não digas bobagens menina, infelizmente Lady Esmeralda pegou uma forte pneumonia um pouco antes de tu nasceres e estando muito fraca, não resistiu ao parto. Não tens culpa de nada. Mas por favor, vamos parar de falar de coisas tristes, deves colocar um sorriso nesse belo rosto para agradar teu marido!
- Como posso querer agradar a um marido que não conheço?- Ana-Lucia retrucou. – Além do mais, essa noite está sendo terrível para mim. Fui raptada, meu irmão foi morto e minha irmã está presa em Darkfalls...
- Ainda não temos a confirmação da morte de Lorde Austen e quanto à tua irmã os rebeldes farão de tudo para salvá-la, há de estar com ela em poucos dias, portanto concentra-te no que é mais importante agora.
Lady Ana ficou em silêncio por alguns segundos enquanto Rose passava uma delicada esponja em suas costas, até que decidiu fazer perguntas sobre o assunto que tanto a afligia.
- Rose, posso lhe fazer uma pergunta pessoal?
- Sim, minha querida, fique à vontade.
- Tu...oh, não, deixe, seria muito indecoroso de minha parte fazer-lhe esse tipo de pergunta.
- Pode perguntar senhora, eu não me importo, seja lá o que for!
- È...o que Lorde Sawyer vai fazer comigo esta noite, será desagradável?- Ana-Lucia indagou, corando.
Rose sorriu: - Oh pequena, então estás assustada com tuas núpcias? Tua mãe não lhe explicou sobre os deveres de uma mulher casada?
- Não.- respondeu Ana. – Sequer tivemos tempo para isso. As freiras nunca me falaram sobre o assunto também, apenas ouvi algumas criadas do convento conversando, mas nada muito claro. Certa vez, ouvi também Libby dizer algumas coisas à Kate, minha irmã, que é curiosa por demais e bem...isso é tudo.- Ana-Lucia resolveu omitir seus sonhos, achou que Rose provavelmente ficaria muito chocada se soubesse com o que ela costumava sonhar de vez em quando.
- Bem menina, não cabe à mim detalhar-lhe esse tipo de coisa, temo que terás de descobrir por ti mesma. Mas não se preocupe, tenho certeza que Lorde Sawyer cuidará bem de ti e a ensinará sobre tudo o que for preciso.
- Oh Rose, mas eu não tenho a menor idéia do que fazer, e se ele me machucar?
- Lorde Sawyer jamais faria isso, ele é um homem muito íntegro senhora.
- Pode até ser, mas não acho que eu possa agradá-lo. Minha mãe me disse que tenho curvas em excesso...
- Lady Austen lhe disse isso?- indagou Rose levando as mãos à boca, e fazendo um gesto para que Ana-Lucia se levantasse da tina.
Pegou uma toalha e começou a enxugá-la como se ela fosse uma criança.
- Ès linda menina, tens curvas nos lugares certos, tenho certeza de que Lorde Sawyer há de se fartar!- acrescentou com um sorriso malicioso.
Ana-Lucia ficou ruborizada e Rose riu da inocência dela. Depois que já estava enxuta e exalava o perfume de rosas, Rose trouxe-lhe uma camisola de seda cor de creme e prendeu-a com uma fita ao redor da cintura de Ana. Ela perguntou-lhe sobre as roupas de baixo e Rose respondeu, divertida:
- Não irás precisar delas esta noite, senhora.
Ajeitou-lhe os cachos dos cabelos, deixando-os soltos e naturais e a colocou diante de um grande espelho, sorrindo ante à sua obra:
- Estás linda, Lorde Sawyer vai ficar extasiado com a senhora.
Ana fitou o próprio rosto no espelho, sabia que no dia seguinte tudo seria completamente diferente em sua vida.
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Castelo de Snowether
Londres, Inglaterra
- Eles estão vindo Claire, se nos virem juntos vão nos matar, agora corra meu amor!
- Não Thomas, eu não vou te deixar!- replicou a princesa Claire Littleton com lágrimas nos olhos, segurando com força a mão de seu amado, Thomas Wickerson.
O casal se encontrava às escondidas há cerca de sete meses, nos labirintos dos jardins do Castelo de Snowether. Mas naquela noite haviam sido descobertos por um criado que não hesitou em ir correndo contar à malvada Rainha Lindsay, madrasta de Claire sobre seus encontros clandestinos.
Thomas Wickerson amava a princesa Claire Littleton, filha do rei Jacob e herdeira do trono da Inglaterra, porém jamais poderia desposá-la, pois seu pai pretendia encontrar-lhe um marido apropriado, um príncipe em potencial de algum reino distante de forma que ele pudesse aumentar seu domínio territorial. Thomas Wickerson era o pobre filho de um mordomo, que conseguira educar-se como os nobres graças à bondade de um benfeitor Lorde Adam Rutherford, a quem seu pai prestara muitos serviços durante a vida inteira. No entanto, Lorde Rutherford agora vivia na França com sua família e não poderia fazer nada para salvá-lo se o Rei o mandasse para a forca por ter se envolvido com sua filha.
- Vá princesa, por favor, antes que a Rainha Lindsay nos veja juntos e sejas castigada!- insistiu Thomas, soltando-lhe as mãos.
- Não Thomas, não!- ela gritou, mas foi em vão, Thomas correu pelo labirinto, precisava chegar até os muros do Castelo, Claire tentou correr atrás dele, mas foi impedida por um par de mãos muito fortes. Era Adolf, o criado pessoal de sua madrasta. – Solte-me seu bruto!- Claire gritou e Lindsay apareceu com seus olhos frios.
- Já era de se esperar, "pequena" Claire. O que teu pai irá dizer de tua desobediência, hã? Entregastes tua virtude a esse pobretão?
- Eu o amo Lindsay, e nada do que fizeres irá mudar isso!
- Tens certeza disso?- debochou Lindsay.
Latidos foram ouvidos em meio ao labirinto, seguido das falas apressadas de vários homens. Minutos depois, o pobre Thomas Wickerson apareceu com as roupas rasgadas pelos cachorros, com um enorme ferimento na perna e sendo arrastado por três homens.
- Thomas!!!
- Sinto muito, Claire. Eu te amo.
- Que cena tocante!- falou Lindsay batendo palmas no ar. – Agora chega disso, levem esse patife, sumam com ele, não quero vê-lo mais nas dependências do meu castelo!
- Adeus Claire!- disse Thomas, com lágrimas nos olhos quando foi levado.
- Não! Não! Não!- berrou Claire, mas de nada adiantou, Thomas havia sido levado para longe dela para sempre.
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- O que estás fazendo aqui, Lorde Sawyer?- indagou Bernard ao encontrá-lo bebendo uísque na taverna do Sr. Widmore. – Acabastes de te casar, porque não estás com tua esposa?
Sawyer ergueu o rosto para ele, desanimado.
- Porque meu caro, minha esposa me odeia. Tinhas que ver o olhar de ódio que ela me deu quando a levei ao Cisne. Paulo, mesmo morto, só me traz problemas.- bebeu mais um gole na caneca de estanho.
Bernard arrancou a caneca das mãos dele.
- Como queria que ela o olhasse? Olhe só para ti, estás horrível, sujo, com esse bafo de uísque. Que dama haveria de querê-lo agora Lorde Sawyer, me diga!
- Também não importa, Bernard! Casei-me com ela, mas não irei consumar o casamento.
- Como não? Enlouquecestes? Se não consumares o casamento, amanhã mesmo Benjamin Linus poderá anulá-lo e se apossar do Clã dos Austen. Tu prometestes ao Paulo, e mesmo que não tenhamos certeza se ele está morto ou não, promessa é dívida, homem! Sei que te sentes mal pelo destino de Paulo e também pela prisão de Lady Austen, mas a luta não pode morrer, sabes muito bem que nenhum dos dois iria querer isso!
Sawyer fitou os olhos azuis bondosos de Bernard, o homem era praticamente um pai para ele, convivera com seu clã durante a vida inteira e jamais os renegou mesmo com o exílio do primeiro Lorde Sawyer.
- È que não tenho ânimo para a noite de núpcias, meu caro.
- Não creio nisso, Lorde Sawyer. Ou eu estou cego ou tua esposa é mais bela do que muitas moças que tenho visto nessas colinas ultimamente, então, o que está faltando para ires deitar-te com ela?
- Coragem!- respondeu Sawyer, Bernard quase bateu nele.
- Ora homem, pare com isso, honre as calças que veste, dê um jeito nesta carcaça e vá deitar-te com tua mulher!- bradou. – Nossos homens continuam procurando por Lorde Austen na floresta e outros estão de prontidão em Darkfalls para qualquer notícia sobre o destino de Lady Austen, agora não poderás fazer nada, então é melhor que vá para o teu castelo!
- Bernard, eu não consigo esquecer que deixei o Paulo ferido na floresta, talvez ele tenha conseguido se arrastar até algum lugar, mas será que alguém se dignaria a ajudá-lo?
Nesse momento, uma mocinha que trazia mais uísque para servir a Sawyer deixou cair a bandeja com tudo no chão, por pouco não derramou no Lorde.
- Mas que tens esta noite, Cristine? Estás distraída!- reclamou Bernard.
- Perdão Sr. Murray, pode deixar que vou limpar tudo e trazer mais uísque por conta da casa.- respondeu a jovem se afastando para buscar um pano.
- Estás vendo Lorde Sawyer? Isso é um sinal para que vá embora! Não se preocupe, qualquer notícia mando avisar-te no castelo.
Sawyer assentiu e tomando um último gole de uísque, falou:
- Está bem, vou indo. Hora de me entender com a "fera". Boa noite, Bernard.
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Cristine Widmore entrou esbaforida no quarto de Penélope. Isabelle estava lá com ela, ajudando-a cuidar do ferimento do homem que haviam encontrado próximo ao riacho.
- Eu já sei quem é este homem.- proferiu Cristine.
Penélope e Isabelle olharam para ela.
- È o senhor do Castelo de Isenwood, eu sabia que ele me era familiar. O vi algumas vezes na taverna de papa. Ele com certeza foi ferido na confusão que teve ainda esta madrugada em Darkfalls, ouvi Pepe comentando sobre isso na cozinha.
- Isso não faz diferença pra mim.- disse Penélope. – Vamos cuidar dele até que esteja bom para ir embora.
- Mas Penny, eu ouvi o Sr. Murray conversando com Lorde Sawyer na taverna, soldados procuram este homem, ele é um rebelde. Sabes bem o que papa pensa dos rebeldes!
- Papa não irá descobrir! Agora queda-te calada pequena Cristine.
Bufando, Cristine deu meia volta e retornou para a taverna.
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Ana-Lucia andava de um lado a outro do enorme aposento onde Rose havia lhe colocado depois do banho. Servira-lhe uma refeição leve e lhe dissera que esperasse por Lorde Sawyer. Mas isso parecia ter sido há horas e ela já estava cansada de esperar. Quem esse homem pensava que era? Ela não estava ali à mercê dele embrulhada para presente para o momento em que ele bem quisesse desfrutar dela.
Revoltada, correu até a janela e observou a altura em que estava. Não era tão alto quanto pensara, se fizesse uma corda com os lençóis da cama poderia descer sem problemas. Mas para onde iria? Sua mãe não a receberia em Isenwood, pois a enviara para se casar com Lorde Linus, além disso, como poderia fugir usando somente uma camisola, sem as roupas de baixo? Ficou diante da janela, pensando no que fazer quando ouviu o barulho da pesada porta do quarto se abrindo.
- Rose?- murmurou, mas sabia que não era a boa senhora.
- Boa noite, milady.- a voz máscula de Lorde Sawyer soou no silêncio do quarto parcialmente iluminado por velas.
- Boa noite.- ela respondeu, timidamente com uma mesura. Estava muito envergonhada pelos seus trajes, mas tentou agir naturalmente.
- Perdoe-me senhora por tê-la deixado tanto tempo sozinha.
Ana não podia vê-lo bem porque no lugar em que ele se encontrava não havia velas. Mas quando ele deu dois passos em sua direção ela pôde vê-lo em todo seu explendor. Nem de longe lembrava o homem sujo que a raptara. Aliás, de sujo e repugnante ele não tinha nada e quando se aproximou dela, ficando frente a frente, Ana-Lucia sentiu seu corpo inteiro estremecer em antecipação e sem perceber fitava com desejo a boca masculina bem desenhada.
- Ès muito linda, menina!- ele elogiou tocando de leve nos cachos dos cabelos dela. Seus cabelos negros eram tão longos que quase chegavam à cintura. Os olhos dele percorreram o corpo dela com avidez, os seios intumescidos despontando sobre a camisola, a cintura delgada e os quadris largos.
Ana-Lucia percebeu o olhar dele e se afastou um pouco, nervosa. Sawyer respirou fundo, sentou-se na cama e disse a ela:
- Sabes o que vai acontecer agora, não sabes?
Ela assentiu.
- Milady, prometo que serei cuidadoso. Mas precisas entender que é importante que consumemos o casamento, caso contrário Lorde Linus poderá anulá-lo e tu pertencerás a ele, é o que queres? Se for o que queres, não vou me opor, apesar da promessa que fiz ao teu irmão.
- Que promessa?
- Eu não queria contar-te isto esta noite, mas eu e teu irmão somos companheiros de revolução. Digo somos porque ainda há esperanças de que ele esteja vivo, e ele me pediu que se algo acontecesse com ele eu deveria casar-me contigo ou então Benjamin Linus assumiria o clã e destruiria tudo.
Ana-Lucia cruzou os braços sobre o peito, triste pelo irmão.
- Então peço que entendas que...
Ela não deixou que ele terminasse de falar, e o surpreendeu com um beijo desajeitado em seus lábios, buscando sua boca com vontade, embora não soubesse bem o que estava fazendo. Sawyer a afastou fitando-a nos olhos:
- Eu fiz algo errado, senhor?- ela perguntou embaraçada, sentindo o rosto corar.
- Não cigana, fizestes muito certo.- ele respondeu com um sorriso delicioso que marcava duas covinhas fundas em seu belo rosto. – Venha aqui!- pediu batendo de leve em suas coxas, para que Ana sentasse em seu colo.
Ela o fez, ainda que de maneira tímida. Sawyer voltou a encarar-lhe os olhos e roçou o rosto pelo dela, sentindo o perfume de banho recém-tomado que exalava da pele morena.
- Sinto que tu irás me fazer perder o controle, cigana.- ele disse acariciando-lhe o rosto com delicadeza, não iria muito rápido, queria despertar-lhe o desejo adormecido ao limite. Rodeou os lábios cheios dela com os dedos, Ana-Lucia arqueou o corpo, um estranho calor começava a dominá-la, o mesmo calor que ela sentia quando acordava de seus sonhos com o homem misterioso.
- Senhor, me beije...- pediu, desconhecendo a si mesma.
Ele continuou provocando-a, passando os dedos em seus lábios de modo sedutor até finalmente beijá-la. Ana-Lucia sentiu o tempo parar com aquele beijo, e fechou os olhos se entregando aos lábios que a tomavam. Sawyer a beijou com delicadeza a princípio, mas o beijo foi se aprofundando e ele logo a deixava sem fôlego, roubando-lhe o ar com beijos ferozes ao mesmo tempo em que apertava sua cintura macia com suas mãos fortes, sentindo-a estremecer a cada toque.
As mãos dele subiram pelas costas dela, causando-lhe arrepios de prazer, enquanto os beijos continuavam. Ana só se afastava dos lábios dele o suficiente para retomar o fôlego. Beata? Sawyer pensou, Lorde Paulo não conhecia mesmo sua irmã. Ana-Lucia não era uma beata frígida, era uma cigana de sangue muito quente.
Quando eles caíram na cama, Ana olhou assustada para ele, e Sawyer tranqüilizou-a com um cheiro no pescoço seguido por beijos. Ela gostou da sensação e se acalmou deixando que ele a acariciasse. Enquanto beijava o pescoço dela, escorregou suas mãos para os seios firmes, segurando-os com delicadeza para em seguida apertá-los entre seus dedos, por cima do tecido fino da camisola.
Ana-Lucia queria sentir o toque dele diretamente em sua pele, por isso soltou o laço da camisola deixando o espaço livre para que seu marido pudesse despi-la. Notando isso, Sawyer começou a subir a camisola por suas coxas, ao mesmo tempo em que as tocava, até desnudá-la por completo.
- Senhor eu...- ela começou a dizer, mas Sawyer a calou com um beijo se deitando por cima do corpo nu dela.
- Senhora...- ele murmurou tocando os seios dela sem nenhum obstáculo e mergulhando em sua boca mais uma vez.
Apesar do desejo que sentia, Ana-Lucia estava tensa e enquanto seu marido a beijava e acariciava, ela se mantinha estática com as pernas fechadas. Sawyer se afastou dela somente para retirar a camisa e o colete que vestia, não tirava os olhos do corpo dela, completamente exposto à luz de velas.
Voltou a deitar-se sobre ela e percebeu que Ana queria continuar beijando-o na boca.
- Tu gostas dos meus beijos, cigana?
- Sim...- ela balbuciou, buscando-lhe a boca que Sawyer não negou a ela.
Estava muito excitado e sua masculinidade ereta roçava na penugem escura da feminilidade dela, a sensação era inebriante para ambos. Começou a sugar os seios dela e sentiu que ela se esfregava nele. Deixou escapar um gemido e tentou abrir as pernas dela para se acomodar melhor, mas Ana-Lucia não cedia.
- Se entregue pra mim cigana, se entregue...que seios lindos tens, quero devorá-los!
- Hummmmmmm...- ela gemeu sem entender o que estava acontecendo com ela, era algo novo, totalmente excitante.
E ele continuou sugando os seios dela, arrancando-lhe suspiros de prazer, sentindo que ela começava a ceder aos poucos. Desceu as mãos por suas coxas e forçou-as para que se abrissem novamente, desta vez Ana permitiu e ele pôde acariciá-la mais intimamente, tocando o centro úmido entre as pernas dela.
Quando sentiu seu toque, Ana achou que fosse desfalecer e deu um gemido alto que acariciou os ouvidos de seu marido.
- Não sabes como ansiei por uma mulher como tu...- ele murmurou beijando as coxas dela e mordiscando-as uma de cada vez.
Beijou-lhe entre as pernas e Ana-Lucia arqueou o corpo, quase caindo da cama. Sawyer a segurou.
- O que estás fazendo? Isso é muito indecente, senhor! Não podes fazer isso!
- Eu posso sim cigana, me deixa provar teu sabor!
Ana-Lucia lembrou-se das palavras de Rose: "Deves agradar teu marido,menina!". Tentou relaxar e permitiu que ele continuasse, mesmo sem entender o que ele queria fazer lá embaixo!
Olhou para o teto e tamborilou os dedos na cama, mas logo estava apertando com força a fronha do travesseiro entre seus dedos, gemendo como louca, a sensação dos lábios dele em seu corpo era indescritível.
- Pare, não posso suportar!- pediu quando sentiu aquela sensação crescer sem que pudesse controlá-la.
Mas ele não parou, continuou acariciando-a e beijando-a até saborear as contrações do prazer dela em sua boca. Tremendo, Ana-Lucia encolheu-se na cama e Sawyer abraçou-a carinhosamente, beijando-lhe a testa.
- Estás bem, milady?
- O que aconteceu, milorde?- perguntou com inocência.
Sawyer segurou-lhe as mãos, deu uma risada e beijou-lhe os dedos.
- Ès adorável, pequena!
- Mas não vai dizer-me o que aconteceu? Isso é normal?
- Na verdade não.- ele respondeu com sinceridade. – Infelizmente vivemos em uma sociedade em que o prazer é negado às mulheres que são ensinadas desde cedo à apenas cumprirem seus deveres de esposa para a procriação. Mas não será assim comigo, lamento informá-la, mas casastes com um libertino!
- Um libertino?- os olhos dela se alargaram em surpresa, aprendera no convento que libertinos eram homens que compactuavam com o demônio e viviam em pecado mortal.
- Sim, minha adorada. Um libertino, que vai adorar encher seu corpo quente de prazer todas as noites...
Ele se levantou da cama e Ana-Lucia se deu conta de sua nudez. Depois da explosão de prazer que sentira a timidez voltou a dominá-la e ela se cobriu com um lençol que estava sob a cama.
- Por que estás te cobrindo?- ele indagou. – Gosto de olhar teu corpo, me deixa excitado...
- Não deveria dizer essas coisas, milorde! Não é apropriado!
- Sou teu marido e digo o que é apropriado ou não!- ele falou com autoridade, como era comum dos homens.
Mas Ana-Lucia não o obedeceu e se cobriu dos pés à cabeça com o lençol, deixando-o irritado.
- Se vais te cobrir, minha querida, tudo bem, porque eu vou me despir e arrancarei esse lençol de teu corpo nem que seja à força!
- Por que vais te despir?- ela se fez de boba, sabia que apesar do prazer que tinha desfrutado sua virgindade continuava intacta.
- Por que vou me despir? Que pergunta é essa?- questionou ele soltando os cordões da calça. Ana-Lucia pensou em virar o rosto para não olhá-lo, mas a curiosidade foi mais forte e o olhar dela se deteve no peito musculoso, com ralos pêlos dourados que traçavam um caminho até a parte que ele descobria sem o menor pudor na frente dela. – Vou me despir porque quero possuir esse teu corpo cheiroso até que sejas minha...
Ana-Lucia sentiu o calor entre suas pernas voltar quando ele disse isso e mordeu o lábio inferior. Sawyer sorriu, malicioso.
- Gostas quando eu falo assim contigo, não gostas cigana?
As calças dele escorregaram pelas coxas até o chão, revelando sua nudez a ela. Ana-Lucia não conseguia tirar os olhos dele, mas ficou apreensiva diante de tanta virilidade.
- Por favor, promete que não vai me machucar...
- Serei gentil, eu prometo.- disse ele puxando o lençol que a cobria, como havia dito.
Ana respirou fundo e deixou que ele se deitasse mais uma vez sobre o corpo dela. Sawyer beijou-lhe a boca, depois desceu para o pescoço e os seios, traçando um rastro de beijos até o umbigo. Seu membro já estava doendo de tanto esperar pelo momento certo, mas ele não queria machucá-la, queria que ela aproveitasse tudo tanto quanto ele.
- Agora relaxa teu corpo e te entregues pra mim, Ana-Lucia...
- Senhor...
- Me chame de James...
- James, o que devo fazer?
- Abra as pernas assim...- ele sussurrou no ouvido dela, afastando-lhe as pernas e se encaixando entre elas. – Agora eu vou tomá-la bem devagar...assim...- ele começou a roçar seu corpo no dela e lhe sorriu.
Ana-Lucia sentiu seu coração acelerar com aquele sorriso, Lorde Sawyer era um homem fora do comum, imaginou naquele momento que não poderia ter uma noite de núpcias melhor, principalmente se fosse com Lorde Linus.
- Está sentindo o quanto eu a quero, Ana-Lucia?- ele se esfregava cada vez mais, mas não a penetrava, o que deixava ambos ainda mais excitados. – Me queres também?
- Sim, milorde...eu o quero...
- Já não agüento mais, vou possuí-la...
- Oh sim, vem, quero senti-lo dentro de mim senhor, quero ser sua mulher, vem...
Sawyer se segurou pra não investir nela com tudo, começou a penetrá-la com muita paciência, parando quando ela deixava escapar um gemido de desconforto. Mas ela não parecia estar com medo e se abria para ele instigando-o a ir mais fundo. Quando ele finalmente se colocou por inteiro dentro dela, Ana deixou escapar um grito de dor, preocupado Sawyer beijou-a com carinho nos lábios e sussurrou-lhe palavras doces.
Quando a sentiu relaxar começou a movimentar-se dentro do corpo aconchegante dela, que tão carinhosamente o abrigava. Em poucos segundos ela estava acostumada a ele e sem perceber movia-se no mesmo ritmo de seus quadris. Extasiado, Sawyer a ergueu na cama e escorou-a no estrado de madeira, espalhando suas pernas e tomando-a duramente.
Ana-Lucia não reclamou e se deixou levar pelos movimentos constantes, não havia mais dor, só prazer que a inundava por completo. Quando atingiu o clímax abraçou-o e mordeu-lhe o ombro fazendo-o gemer alto e derramar sua seiva quente dentro dela.
Quando se separaram estavam arfantes e ao olhar para ela Sawyer sentiu algo maravilhoso dentro de si que não conseguia explicar.
- Acho que estou enamorado de ti, cigana.
Ela sorriu pela primeira vez para ele àquela noite, um sorriso meigo que abrasou-lhe o coração e eles se beijaram intensamente, felizes, suados, e satisfeitos. Com os corpos entrelaçados adormeceram juntos. Lá fora, além das janelas do castelo do Cisne, raios de sol traziam um novo dia e novas esperanças para a causa rebelde.
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O dia já havia amanhecido, mas Kate, a endiabrada, ainda dormia a sono solto na dureza do chão de sua cela. O Capitão Jack Shephard, conforme havia prometido havia passado a noite inteira vigiando sua cela para que ninguém mais lhe fizesse mal, mas antes disso cuidara pessoalmente dos ferimentos dela causados pela ira do chicote de Mikail Bakunin. Kate ficou muito agradecida, mas ainda assim planejava fugir do Capitão quando tivesse a chance. Assim que se visse livre, seu irmão e Lorde Sawyer a ajudariam.
Jack tinha deixado a cela dela para providenciar-lhe algo para comer enquanto planejava o que fazer com ela. Estava pensando seriamente em levá-la para uma estalagem e ficar de vigilância até que Desmond chegasse da França e os ajudasse a escapar.
Hugo Reys, o prisioneiro escocês, ao lado da cela de Kate, quando percebeu que o Capitão havia saído chamou-a através do buraco na parede de concreto.
- Hey, senhorita! senhorita!
Kate acordou de súbito e se arrastou até o buraco para falar com ele.
- Sim?
- O Capitão vai levá-la esta manhã?
- Eu ainda não sei, mas se ele o fizer fugirei dele na primeira oportunidade.
- Então se puder, entregue isso para uma mulher chamada Elizabeth Thompson.- ele estendeu-lhe um pedaço de papel amassado através do buraco. Kate o pegou e segurou firme em suas mãos.
O Capitão Shephard não demorou a voltar. Com um lindo sorriso nos lábios, ele disse a Kate:
- Venha comigo senhorita, eu a levarei para um lugar melhor enquanto esperamos meu primo chegar da França para finalmente partirmos para a Inglaterra.
Kate assentiu e deixou-se ser conduzida por ele, entretanto assim que estivessem nas colinas, território dos rebeldes ela fugiria sem pensar duas vezes.
Continua...
