Coloquei a mão sobre o peito. Meus batimentos estavam acelerados e meu estômago revirado. Eu precisava de um remédio para controlar estes enjôos. Eu não queria passar mal aqui na casa de meu pai.
- Bella, onde está Edward? – Alice entrou na cozinha.
- Ele... – Balancei a cabeça.
- Foi embora. – Ela concluiu.
Assenti.
- O que vamos fazer? – Ela me perguntou.
- Não sei Alice. Eu realmente não sei o que fazer. – As palavras saíram trêmulas e eu comecei a chorar.
- Calma, calma. – Ela me abraçou. – Shh... Vamos dar um jeito nisso. – Ela afagou minhas costas tentando me confortar.
- Eu não sei mais quanto tempo vou aguentar isso. Eu amo Edward e quero ele perto de mim. Isso é insuportável. – Falei escondendo meu rosto no ombro de Alice.
- Vamos dar um jeito. – Ela sussurrou.
- Acho melhor eu ir embora. – Falei me afastando dela e enxugando as lágrimas.
- Quer que eu vá com você?
- Não precisa. Eu vou ficar bem. – Garanti, embora eu não tivesse muita certeza disso.
- Me ligue, qualquer coisa. – Ela pediu.
- Ok. Vou lá me despedir. – Alice e eu passávamos pela sala. – Hmmm... Alice, você acha que Edward vai ficar bem?
Alice apertou os lábios em uma linha fina.
- Talvez depois de algumas doses de tequila ele fique bem. – Ela sorriu tristemente.
- Sinto muito. – Meus olhos arderam.
Alice balançou a cabeça.
- Você não tem culpa. Fique tranquila.
Me despedi de Charlie e dos Cullen. Chegar em casa era tudo que eu queria.
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Já eram oito horas da noite e eu estava deitada no sofá. Jacob tinha acabado de sair, para a minha felicidade.
Meu celular tocou.
- Alô.
- Bella...
- Oi Alice. – Sorri. Era tão bom tê-la de volta.
- Oi. Como você está?
- Melhor agora que Jacob se foi. – Falei.
Alice riu uma vez. Um som não tão natural.
- O que foi?
- Hmmm... É que Edward não voltou ainda. Ele nunca fica tanto tempo fora...
- Já ligaram para ele? – Me levantei do sofá e comecei a andar pela sala.
- Meus pais, Rose, Emmett, Jasper... Todos. Achei que ele me atenderia, ele sempre me atende, mas nem eu ele quis atender.
Não quis? Ele não atende de propósito.
- Chama e ele não atende.
- Você não sabe de nenhum lugar onde ele possa estar? – Comecei a roer minhas unhas. 'Edward, onde você se meteu?'
- Não sei bem... Na verdade, tem um bar que ele frequenta ultimamente.
- Vamos até lá! – Falei já indo para o quarto e pegando minha bolsa.
- Bella, mas e Jacob?
- Dane-se Jacob. Aliás, ele acabou de sair daqui. Não deve me encher por algumas horas.
- Tudo bem. Passo aí em dez minutos.
- Ok.
Eu nem queria pensar em Jacob. Se ele me encontrasse...
No momento eu só conseguia pensar se Edward estava bem.
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Alice chegou ao meu prédio e eu já a esperava na portaria.
- Onde fica este bar? – Perguntei assim que entrei no carro.
- Fica em Port Angeles.
- Ele vem dirigindo de lá quando está... – Foi difícil imaginar o meu Edward tão imprudente dirigindo alcoolizado.
- Geralmente eu vou lá buscá-lo. – Ela deu de ombros.
Enquanto os minutos passavam eu ficava mais ansiosa.
- Será que seu ligar... – Olhei para o celular em minhas mãos.
- Não custa nada tentar. – Alice me olhou ansiosa.
Mordi meu lábio. Será que ele atenderia a mim?
'Não custa nada tentar.'
Digitei o número.
Chamou três vezes.
- Alô. – A voz dele estava meio arrastada.
- Hmmm... Edward?
Alice me olhou aliviada.
- O quee você queerr? – A voz ainda arrastada, mas expressando raiva nitidamente.
- Edward onde você está? Seus pais estão preocupados.
- Essstou poor aí. – Ele riu.
- Ligue para Alice, diga onde você está pelo menos. – Pedi.
- Porr que vocêe sse importa?
- Gosto muito de sua família e tenho consideração por eles.
- Por elesss? – Ele riu. – Você não se importa comiigo. Nunca sse importou.
- Edward, pare de infantilidade.
- Eeu não estou ssendo infantil. Você que é uma mentirosa.
- Onde você está? – Perguntei impaciente.
- Não interessssa. Mas estou em óótimas mãoss. – Ele riu.
- Em ótimas mãos? – Engoli em seco. Alice me olhou com olhos arregalados.
- Você não é a única mulherr no mundo Belllla.
Eu desliguei o telefone.
- Ótimas mãos? Que história é essa? – Alice gritou.
- Parece que ele anda por outros cantos Alice. – Funguei.
- Quer porcaria meu irmão anda arrumando? – Ela gritou de novo.
Olhei pela janela.
- Eu não acredito. Edward Cullen vai se ver comigo! – Ela bateu no volante.
- E se ele... Se ele estiver disposto a me esquecer? – Enxuguei uma lágrima.
- Bella, não tem a menor chance. Por que Edward atenderia justamente você para dizer que está com outra? – Falou em tom óbvio.
Pensando por este lado...
- Falta muito? – Perguntei olhando para a estrada.
- Não. Aquelas são as luzes da cidade. – Ela apontou para a minha direita.
O velocímetro do Porshe marcava longe. Eu nem foquei minha atenção para não me assustar com a velocidade que Alice dirigia. Eu queria que ela fosse rápida neste momento.
Chegamos ao tal bar, mas lá não encontramos nem sinal de Edward.
- Ele não está aqui. – Dei mais uma olhada em volta.
- Vem comigo. – Alice me puxou pela mão.
Chegamos perto do balcão e o barman sorriu para nós.
- O que as senhoritas vão querer?
- Queremos só informações. – Alice se debruçou no balcão. – Por algum acaso, você viu um garoto alto, de cabelo castanho, com uma blusa...
- Branca. – Falei prontamente. Eu me lembrava da roupa exatamente e como Edward ficou lindo nela.
- Isso, branca... – Ela sorriu para mim. – Olhos verdes. Ele costuma frequentar este bar.
- Ah, sim. – O barman sorriu. – Mas devo dizer que ele estava acompanhado. – Anunciou.
- Como era a mulher? – Alice perguntou com raiva.
- Loira, alta, um vestido bem curto e vermelho, ela mais parecia uma modelo. – O homem falou com admiração. Eu senti nojo dele. – Eles estavam aqui perto do bar e eu o ouvi chamá-la de... Como é mesmo o nome? Tami... Tany...
- Tânya? – Alice perguntou.
- Isso! Tanya.
- Você a conhece? – Perguntei a Alice.
- Hum... De velhos carnavais. Ela é uma ex dele. – Ela me puxou pela mão. – Obrigada. – Alice agradeu ao barman.
Entramos no carro.
- Suspeito que ele esteja por aqui. – Ela arrancou com o carro. – Ela mora em Port Angeles.
- Essa Tanya...
- Ela é filha de um amigo de meu pai. Eles moram na Itália, mas Tanya veio para os Estados Unidos. Ela disse que queria uma vida sossegada, mas eu duvido que seja só isso.
- Acha que ela veio por causa de Edward?
- Pode ser. – Ela deu de ombros. Entrou em uma rua de pedra e parou o carro diante de uma casa branca, cercada por um muro de grades. – Aqui que ela mora.
Ela olhou adiante na rua e eu segui seu olhar.
Um Volvo prata estacionado de forma errada logo mais à frente.
- Vamos lá. – Ela abriu a porta.
Eu saí hesitante. Lá fora estava frio, mas não foi só por isso que me encolhi.
Alice tocou o interfone. Demorou alguns instantes e uma voz feminina atendeu.
- Sim?
- Tânya, é a Alice. – Alice falou próxima ao interfone.
- Oi Alice. – Cumpriementou Tânya reconhecendo a irmã de Edward.
- Meu irmão está aqui e eu vim buscá-lo. – Disse sem rodeios.
- Não sei se ele vai querer ir não. – Ela riu.
- Ele vai. Pode ter certeza.
- Tente convencê-lo, então.
Ouvimos o portão sendo destrancado eletrônicamente.
- Alice, eu vou esperar aqui.
- Não. Você vem.
- Não acho que seja uma boa ideia...
- Se ele vir você ele vai querer ir embora.
Pensei por um isntante.
- Tudo bem.
Entramos no estreito jardim. A porta marrom se abriu. Uma linda loira – cabelos muito claros – alta, parecendo uma modelo, apareceu.
- Alice... – Ela olhou para mim e seu sorriso se desfez. – Quem é essa?
- Oi Tânya. Esta é Bella. – Alice me olhou. Eu me encolhi sob o olhar raivoso de Tânya.
A loira olhou para dentro da casa.
- Edward dormiu. Seria melhor vocês deixarem ele aqui esta noite. – Ela sorriu e já fechava a porta. Alice segurou a porta com o pé.
- Nada disso. Meu irmão vai embora agora mesmo.
Tânya me lançou um olhar que me fez abaixar a cabeça e corar. Ela sabia quem eu era, pelo visto.
Alice entrou na casa feito um furacão. Eu segui seu 'rastro de destruição'.
A casa era arrumada e tinha os móveis claros. Mas eu nem parei para notar mais que isso.
Segui pelo pequeno corredor atrás de Alice. Ela escancarou algumas portas e então parou quando abriu a última delas e acendeu a luz.
Olhei por cima de seu ombro e vi Edward, sem camisa e com o braço tapando os olhos.
- Tany... Apaga essa luz.
- Edward! – Alice chamou.
Ele destapou os olhos e encarou Alice. Quando me notou atrás dela ele sorriu.
- Wow... Isso é uma fesssta? – Ele se levantou cambaleante.
- Na verdade a festa acabou maninho. – Alice entrou no quarto. Eu fiquei da porta.
- Pelo contrário. A ffeesta acabou de começaarrr. – Ele riu e me olhou.
Alice bufou e pegou a camisa dele que estava no chão e jogou em sua direção.
- Vamos embora. – Ela o apressou.
Eu fui para a sala e Tânya estava de braços cruzados.
- Não acredito que ele fica neste estado por causa de uma coisa assim como você. – Ela me olhou com desprezo.
- Não sou a culpada por ele se embebedar.
- Idiota. – Ela me rodeou, feito uma cascavel, pronta para dar o bote. – Um dia... Ele vai se cansar de você. Vai procurar algo melhor e sabe quem vai estar esperando por ele? – Ela riu. – Eu, claro.
- Vamos. – Ouvi a voz de Alice pelo corredor.
- A Belllla vai também? – Ouvi Edward perguntando.
- Claro. – Alice disse enquanto entrava na sala. Edward tinha o braço apoiado nos ombros dela.
- Entãoo o que estamos esperando para irr? – Ele sorriu torto para mim.
Saímos da casa de Tânya.
- Bella, você leva o meu carro e eu levo Edward no dele. – Ela falou.
- Nnão. Eu quero irr com a Bbellla. – Edward desencostou de Alice e me abraçou, escondendo o rosto em meu cabelo. – Bbellaa. Eu quero ir com vocêe. – Ele choramingou.
- Edward. – Tentei afastá-lo de mim.
- Edward vamos logo para casa. – Alice puxou ele para longe de mim. – Bella, as chaves. – Alice estendeu as chaves para mim.
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Alice PV
- Alllicee. – Meu irmão resmungou.
- Ai, Edward! – Falei irritada. – Pára de ser infantil.
- Você acha que foi poor isso que ela me largou? – Edward perguntou sério. Olhei em sua direção. Eu odiava ver meu irmão neste estado.
Eu fiquei com muita raiva de Bella pensando que ela era a culpada por tudo isso. Mas agora que eu sabia das intenções dela e tudo que estava por trás disso eu estava de seu lado. Mas ver Edward assim ainda era difícil demais.
- Claro que não Edward. Que besteira.
- Foi por issso. Por que eu sou um idiooota, babaaca e infantil.
- Não Edward.
- É por isso sssim Alice. Você que não querr me contarr.
- Não. Não! Ela foi ameaçada tá bom? – Opa! Eu e minha língua grande. Bravo Alice Cullen! Bravo!
- Foi o que? – Ao que parece o efeito da bebida estava quase passando...
- Ai... Olha o que você fez! – Gritei.
- Alice, o que você disse. Eu ainda tenho parte do meu juízzo.
- Edward, escute bem o que vou lhe dizer.
- Ssim sssenhora. – Ele bateu continência e começou a rir. Eu arqueei uma sobrancelha. Ok. Talvez ele ainda estivesse sob efeito do alcoól. – Desculpe. – Ele riu de novo. Resolvi falar assim mesmo.
- Jacob forçou a Bella a se afastar de você. Ele a ameaçou. Disse que se continuasse com você ele te mataria. O único jeito de proteger você foi ela dizer que não te amava mais.
Não havia mais humor no rosto dele.
- Alice, o que você está falando?
- Isso mesmo que você ouviu irmãozinho. A Bella te ama. Ela foi obrigada pelo Jacob a se afastar de você, para que ele não te matasse.
- Ow. – Edward olhou para a estrada.
Ficou em silêncio por um instante.
- Issso não tem cabimento. A Belllla teria me contado. Você ssó esstá querendo me fazer ssentir melhor, mas não esstá ajudando.
- Edward! Pelo amor de Deus. Eu não iria iludir você desta maneira. Isso é crueldade. – Edward me olhou por um longo minuto. – Ok, se não acredita, por que não pede para ela dizer olhando nos seus olhos que não te ama? Se ela te ama, não vai ser capaz de falar.
Ele fechou os olhos e não falou pelo resto do caminho.
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Bella PV
Chegamos em frente ao prédio de Edward.
Deixei o carro bem estacionado, pela manhã ele poderia colocá-lo na garagem.
Alice estava ajudando-o a sair do carro. Ela apoiou um braço dele em seus pequenos ombros e eu senti o impulso de ajudar. E assim fiz, passando o outro braço dele sobre meu ombro.
Entramos no elevador em silêncio.
Deixamos Edward sentado no sofá.
- Eu vou ligar para um táxi vir me buscar. – Falei para Alice.
- Nnão Bella. – Edward murmurou. – Não vai embora. Fique para cuidar de mmim. – Ele pediu.
Olhei para Alice.
- Edward, acho que a Bella está cansada.
- Não Alice. Eu fico um pouco. Vai para sua casa. Avise seus pais que ele está bem. – Falei.
- Tem certeza?
- Cala a bboca Allice. – Edward resmungou.
- Tenho. Pode ir. – Garanti.
- Tudo bem. Edward comporte-se. – Alice o repreendeu.
Ele revirou os olhos e riu. Levei Alice até a porta.
- Bella, se ele aprontar é só me ligar.
- Tudo bem Alice. – Eu sorri.
- Boa noite amiga.
- Boa noite. – Nos despedimos com um abraço.
Me virei e Edward estava me olhando.
- Espere aqui um minuto. – Pedi e saí da sala.
- Voccê quem manda. – Ele encostou no sofá.
"Calma Bella, controle-se." Pensei enquanto procurava algo que facilitaria Edward a tomar um banho. Encontrei um banco e o levei até o banheiro do quarto de Edward. Voltei para a sala.
- Vem comigo. – Ele levantou meio cambaleante. Ajudei-o a caminhar até o banheiro.
- Vai mme ajudarr a tomar banho ou voccê vai tomar banhoo comigo Bbella. – Ele riu.
- Sem gracinhas Edward. – Repreendi.
Ele encostou na parede do banheiro e eu desabotoei sua camisa branca. Edward não tirava os olhos de mim.
E eu ainda tive que ajudá-lo a tirar a calça jeans. Edward ficou só de boxer preta. Ver seu corpo me deixou sem ar. "Foco Bella. Foco!".
Puxei-o para o box e ele se sentou no banco que coloquei sob o chuveiro. Abri em uma temperatura bem fria.
- Merda! Bella, essa água está congelando. – Ele falou tentando sair debaixo do chuveiro.
- Trate de ficar aí. – Segurei-o debaixo da água.
- Acha engraçado porque não é você que vai virar gelo. – Ele riu. Não pude evitar e ri também.
Deixei o chuveiro aberto para que ele despertasse. Enquanto isso Edward mexia em uma fita que estava presa em minha blusa abaixo de meu busto.
- I miss you, I miss you every day. – Ele cantarolou. - I'd give anything to have you back in my life. I do not know what else to do, please give me a second chance to prove my love.
Seus olhos encontraram os meus.
- Está se sentindo melhor? – Perguntei.
- Toda vez que estou com você eu fico melhor. – Ele sorriu.
Ok. Isso significava que ele estava bem. Desliguei o chuveiro e lhe entreguei a toalha. Agora ele se levantou sem nem ao menos cambalear.
- Vou sair para você se trocar. – Falei. Ele assentiu.
Saí do quarto e fui para a cozinha pegar um copo de água para Edward.
Depois de alguns poucos minutos ele veio até a cozinha vestindo uma calça de moletom preta e uma blusa branca de mangas.
- Tome este copo de água. Vai ajudar a hidratar. – Entreguei o copo. Ele bebeu de uma vez. – Acho que agora o que você precisa é dormir um pouco.
Fui para o quarto e preparei a cama para ele dormir. Edward entrou no quarto e sentou na cama.
- Bella. Posso lhe pedir uma coisa? – Perguntou sério.
- Hmmm... Depende.
Ele sorriu um pouco.
- Posso? – Insistiu e eu revirei os olhos.
- Sim.
- Pode ficar aqui até eu conseguir dormir?
Por esta eu não esperava. A vontade de vê-lo perto de mim era gritante. Eu assenti de leve. Ele sorriu e deitou cobrindo-se, acendi a luz de um abajur e apaguei a do quarto. Ele observava cada movimento que eu fazia.
Sentei na beirada da cama.
- Eu não mordo. – Falou em tom sarcástico. - Bom... Só se você me pedir.
- Ainda está bêbado! – Acusei-o.
- Bella bobinha. – Ele riu. – Deite aqui. A cama é bem grande.
Respirei fundo duas vezes e me permiti deitar na ponta da cama. Edward deitou de lado para ficar de frente para mim.
- Bella...
- Hum? – Perguntei olhando para o teto.
- Posso pedir outra coisa?
- Hum? – Repeti.
- Posso segurar sua mão?
Olhei para ele.
- Por favor. – Ele pediu.
Ele estendeu a mão no espaço entre nós na cama.
Estendi a minha e coloquei sobre a dele. Edward entrelaçou nossos dedos. Aquilo fez meu corpo inteiro formigar.
- Obrigado. – Ele sorriu. Edward ainda não fez menção de dormir.
- Não está com sono? – Perguntei.
- Não quero desperdiçar o tempo.
Senti meu rosto esquentar. Para ele, os minutos que tínhamos juntos eram valiosos demais para desperdiçar dormindo. Eu achava o mesmo.
Edward chegou um pouco mais perto.
- Você ainda continua passando mal? – Ele perguntou.
- Às vezes. – Na verdade a resposta era 'todos os dias'.
- Hum. Você precisa de um médico, sabia? – Edward sorriu para mim.
- Eu não gosto muito de consultórios.
- Mas e se um médico fosse à sua casa? – Ele pressionou.
- Hmmm... Existem pacientes mais urgentes que eu.
- Tem razão... – Ele pensou por um instante. – Acho que eu deveria mesmo procurar um médico. – Edward pegou minha mão e a colocou em cima de seu peito. – Meu coração bate muito rápido às vezes. Principalmente quando eu vejo você.
Minha respiração falhou duas vezes. Eu puxei minha mão, mas Edward continuou segurando-a.
- O que eu tenho passa. – Garanti, mudando de assunto. – E como você está? – Minha voz foi sumindo no fim da frase. Eu não deveria ter perguntado isso. Foi realmente uma idiotice minha.
Edward estreitou os olhos e sorriu.
- Péssimo. – Ele riu sem humor. – Minha vida não tem sido a mesma, sabe? – Falou com ironia.
- Por que você não segue em frente Edward? – Sussurrei.
- Já ouviu falar que a esperança é a última que morre? – Ele sorriu torto. – É tudo que me resta para eu continuar existindo.
- Não fale assim. – Eu estava lutando pela existência dele e não queria que ele a considerasse pouca coisa como estava fazendo.
- O que quer que eu diga? Que posso levar tudo na esportiva quando a mulher que amo há anos me deu um fora? – Perguntou indignado.
- Eu não te dei um... Fora.
- Ah, então o quê? Me chutou? Me mandou pastar? Estou aberto a sugestões. – Ele bufou. – Você é absurda.
- Edward, você é a última pessoa no mundo que eu gostaria que sofresse. – Ele tinha que saber que pelo menos um pouco do quanto eu me importava com ele.
- Então prova isso para mim Bella. Eu quero que você prove que se importa comigo. – Mesmo na luz fraca eu via a intensidade nos olhos dele.
Era demais para mim. Eu queria tanto beijar Edward e dizer que tudo estava bem, que eu o amava. Soltei minha mão de seu aperto e sentei na cama, me preparando para ir embora.
- Por favor, não vai embora.
- Edward, está ficando tarde e eu preciso ir.
Edward se sentou.
- Fique aqui comigo esta noite.
- Eu tenho que ir. – Fiz menção de me levantar, mas ele segurou meu braço.
- Bella, o que eu fiz de errado? – Ele perguntou baixo.
- Você não fez nada.
- Meu amor não é o suficiente, é isso? Me diga o que é e eu vou fazer de tudo para mudar e ter você de volta.
- Edward... – Tentei me libertar meu braço.
- Bella, diga que não me ama mais. – Ele pediu.
- Eu... Não te amo. – Falei abaixando a cabeça. Edward se aproximou de mim e se sentou ao meu lado. Ele pegou meu rosto entre as mãos e o levantou para que eu o olhasse.
- Tem que dizer nos meus olhos. Diga Bella. Diga olhando nos meus olhos que não me ama mais. – Seus olhos verdes eram penetrantes.
- E-eu... Eu não... Não... – Droga! Eu não podia dizer isso para ele quando eu o amava feito uma louca.
- Diga.
- Eu... Não posso.
- Não pode por quê? – Ele falou aproximando-se um pouco mais.
- Por que eu... Eu não consigo.
- Não consegue dizer que não me ama mais olhando nos meus olhos? Por que isso Bella? Se não me ama deveria ser fácil.
Meus olhos arderam e eu comecei a chorar.
- Não posso.
- Não pode dizer a verdade olhando para mim?
- Não posso porque eu te amo. – Ele sorriu para mim. – Eu amo você Edward.
- Era tudo o que eu precisava ouvir.
Edward começou a me beijar. Um gemido escapou de minha garganta quando nossas línguas se encontraram. Ele me puxou para sentar em seu colo.
- Jacob disse que ia te matar se eu continuasse perto de você. Eu fiquei desesperada e não sabia o que fazer. A melhor forma que encontrei foi fazendo você acreditar que eu não te amava mais e... – Edward assentiu. - Me perdoa Edward. Eu não podia... Eu não sabia... – Eu chorei.
- Bella meu amor. – Edward me abraçou forte. – Não tem que me pedir perdão.
- Eu não sabia o que fazer.
- Por que não me contou antes? Nós podíamos ter enfrentado isso juntos.
- Não Edward. Jacob que matar você. Ele vai te matar se você for atrás dele.
- Bella, eu sei me cuidar.
- Mas e se ele não vier sozinho? Se ele tiver capangas. Edward, ele tem gente me vigiando. Ele pode muito bem ter quem faça o serviço por ele. – Eu apertei meus braços em torno de sua cintura. – Eu não quero perder você. Não vou deixar.
- Eu também posso arranjar reforços.
- Mas aí ele vai matar todos que souberem. Você e todos que se meterem nisso. Não quero perder você, Alice, nem ninguém. E se envolvermos a polícia ele mata meu pai também.
- Mas a gente não pode fingir que nada está acontecendo. E nós? – Ele me afastou para poder me olhar nos olhos. - Eu não vou mais ficar longe de você Isabella.
- Eu sei Edward. Mas se alguma coisa acontecer com você... – Eu tremi e balancei a cabeça, apavorada.
- Amor, nós vamos ter que arranjar um jeito de lidar com isso.
- O que vamos fazer? – Perguntei angustiada.
- Temos que ter um plano. – Edward suspirou.
Eu pensei nas possibilidades. Envolver mais gente nisso estava fora de cogitação.
- Que tal se nós dois fugíssemos? – Propus.
- Isso não é uma boa ideia. Não podemos deixar as pessoas que amamos para trás com Jacob à solta para fazer o que bem quiser.
Certo. Plano idiota. Como abandonar as pessoas inocentes que eu amava à deriva e desprotegidas?
- E se nós o denunciássemos à polícia? – Ele propôs.
- Não. De jeito nenhum. Charlie corre perigo e você também, de qualquer forma.
Ele ponderou.
Pensei em inúmeras possibilidades, mas todas elas eram falhas.
- Não adianta Edward. – Falei derrotada.
- Bella, amor, ficar longe de você não é uma possibilidade para mim. Isso não passa em minha mente, e você também não deve cogitar esta ideia.
- O que pretende que façamos?
- Eu sei que vamos encontrar um jeito.
- Ok. E até lá o que fazemos? Nos encontramos às escondidas? – Logo depois que falei foi como se uma lâmpada tivesse acendido em minha cabeça. – Isso! – Exclamei.
- Isso o que? – Edward não entendeu minha linha de pensamentos.
- Podemos nos encontrar escondidos!
Ele revirou os olhos.
- Isso é loucura, Bella. Primeiro: não temos que ficar nos escondendo de Jacob. Isso é absurdo. Segundo: Acha mesmo que ele nunca vai descobrir? – Ele arqueou uma sobrancelha.
- É nossa única opção no momento. Não podemos nos dar ao luxo de enfrentá-lo sem ter um bom plano.
Edward ficou em silêncio.
- É a única maneira de ficarmos juntos. – Minha voz saiu engasgada.
- Não acho que seja uma boa ideia. Não devemos nos submeter a isso.
- Mas Edward... Eu não posso perder você. – Senti uma lágrima escorrer de meu olho. – Não vou aguentar.
Edward passou o polegar em minha bochecha para enxugar a lágrima.
- Só até termos um plano melhor? – Ele perguntou baixo.
- Sim. Depois que tivermos uma segurança maior. Algo que possa derrotá-lo.
Ele ponderou por um instante.
- Não pense que aprovo isso. Eu só não tenho mais forças para ficar longe de você.
- Obrigada. – Eu sorri satisfeita. Prendi meus dedos em seu cabelo.
Edward semicerrou os olhos e fez um biquinho fofo.
- O que você acha de recuperarmos o tempo perdido? – Ele disse e me deitou na cama com cuidado.
- Acho... – Puxei-o pela camisa e Edward ficou por cima de mim, sustentando seu peso com as mãos, ao lado de meu corpo. – Que é uma ótima ideia. – Edward começou a me beijar, mas eu o afastei. – Espera.
- O que? – Ele perguntou sem entender minha súbita hesitação.
- O que você estava fazendo com a Tânya antes de chegarmos? – Questionei.
Edward sorriu torto.
- Não fizemos nada.
- Hum. – Falei desconfiada. Edward suspirou.
- Ela me encontrou no bar. Confesso que fui para a casa dela com a intensão de me consolar. Mas quando ela me beijou eu a chamei de Bella. – Ele riu.
- Isso que você fez foi maldade. – Eu gargalhei.
- Não foi. Eu simplesmente imaginava você no lugar dela e acabei pensando alto demais. E então você e Alice chegaram. – Ele sorriu torto e colocou uma mecha de cabelo atrás de minha orelha. – Mas agora minha imaginação deixa a desejar, já que você está mesmo aqui comigo. Eu te amo Bella.
- Como eu te amo. – Respondi e então voltamos ao beijo interrompido.
Garotass... Aí está o capítulo 12.
"Você precisa de um médico"... Opaaa, eu tô dodói também Edward, vem cuidar de mim? (*cof cof cof*) Ai ai.
Fiiinalmente eles estão juntos de novo! Mas logo aviso que muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte...
Jacobicha (como diz a minha querida leitora Agome chan (: ) ainda vai aprontar, e muito! Tânya, a loira oxigenada, acho que também vai ter uma pequena participação mais lá pra frente. Aguaaardeem... (*muahahahaha*)
E então gente? O que vcs acharam?
Ahhh! Um comentário... Vc viram uma foto que tem o Robert filmando uma cena de Amanhecer na neve lá em Vancouver? (*ele tá de aliança na cena genteee*). Fiquei super curiosa para saber que cena é aquela. Será que é uma cena no 'Alasca'. Eu não me lembro de ter alguma ida ao Alasca em amanhecer, mas dizem que vão ter uns Flashbacks do Edward, então... quam sabe? E a nossa Nessie vai ter uma versão adolescente, ao que parece! Não é o máximo? (*estou pulando, quicando e gritando*) Novembro chega logoo!
Não planejo muita coisa para o carnaval, então acho que vou adiantar os capítulos para postar mais de vez.
Kisses e até domingo! ;)
