LEMBRANÇAS DE LUZ

Capítulo Onze - Máscara Branca de Lábios Vermelhos

Hinata entrou em seu quarto de olhos fechados e largou suas coisas, incluindo o quimono Uchiha, sobre o chão, no canto. Primeiro sentiu o cheiro característico do lugar que, por estar há um tempo longe, parecia-lhe diferente, depois um leve aroma de abandono. Abriu os olhos e olhou em volta. O sol da manhã, já acima dos muros do Clã, entrava pela janela aberta, provavelmente, por uma das criadas, para arejar o local. Pela janela, Hinata via o jardim, o canteiro de areia e as cerejeiras tradicionais que rodeiam o Clã Hyuuga desde tempos imemoriais. Após olhar tudo isso com atenção para detalhes diferentes e muita saudade, a morena deixou-se recostar a parede de madeira e deslizar até o chão.

Enfiou a cabeça nas mãos fazendo o coque desajeitado terminar de cair no processo e ficou ali, encolhida em si mesma, querendo chorar, mas não conseguindo; já tinha chorado o suficiente durante a conversa com o pai e as lágrimas haviam secado. Só o que podia fazer ali era se lembrar das palavras dele, dos atos, de cada levantar de sobrancelha e das partes da história em que Hiashi olhava para todos os lados, menos para seus olhos. Tentou lembrar de todos os sentimentos que passaram por si durante a história que ele lhe contava, mas eram tantos que não conseguiu. Como ele pudera guardar aquilo por tanto tempo?

Assim que colocou os pés na mansão, ladeada por Neji, Hinata retirou a máscara ANBU e encontrou seu pai esperando ao pé da escada de entrada. No momento em que o viu, parado lá, altivo e sério, ela sentiu um misto de surpresa e felicidade e receio. Nunca, em toda a sua vida, seu pai a esperara voltar para casa daquela maneira. Aproximou-se com cautela, já analisando a situação em sua mente do que poderia estar acontecendo. Neji lhe contara que houvera um pequeno desentendimento entre Hiashi e Tsunade no dia anterior, mas não lhe contara o que causara o desentendimento, apenas que, por causa dele, sua identidade de ninja ANBU fora revelada.

- Tadaima, otou-san – disse Hinata quando já estava próxima o suficiente do patriarca Hyuuga e completou com uma mesura.

- Okaeri – ele respondeu secamente, mas o que fez a seguir foi o que deixou Hinata estarrecida, estática em seu lugar: Hiashi deu passos a frente e a morena o assistiu se aproximar para pega-la pelos ombros, focar seus olhos por uns instantes tentando dizer com eles algo que Hinata não compreendeu por falta de prática ao olhá-lo e depois encostar seus lábios frios a testa da filha mais velha, por cima da franja farta – Venha comigo, precisamos conversar.

A Hyuuga, com lábios e mãos trêmulas, sentia que, se tentasse mover suas pernas, elas não obedeceriam, mas mesmo que tivesse que seguir o patriarca arrastando-se, ela iria fazê-lo, porque mesmo depois daquela tão explicita e incomum demonstração de carinho de Hyuuga Hiashi, ela não era burra de desacatar as ordens do pai. Reencontrou seus movimentos das pernas no tempo exato de Neji abrir a boca para dizer a ela para andar logo e quando o mais velho dentre os três ali terminou de subir as escadas e voltou-se para repetir a ordem. Não foi preciso. Hinata pulou os degraus todos e colocou-se ao lado do pai, pronta para segui-lo aonde quer que ele estivesse disposto a leva-la.

Seguiram pelos corredores com assoalho de madeira bem encerada até o homem abrir a porta de seu escritório, pediu a Hinata para entrar e o fez em seguida. A moça podia jurar que seus músculos, especialmente os do maxilar, estavam tão retesados que eram visíveis por sob sua pele. Sentaram-se em frente à mesa do pai, os joelhos dobrados e as mãos sobre eles. A cabeça levemente baixa, deixando a franja cobrir seus olhos.

- Hinata – ela o olhou, esse era o sinal para que pudesse fazê-lo – Tenho muito que contar a você, mas antes de começar...

E pela segunda vez naquele dia, Hinata arregalou os olhos diante das atitudes de seu pai e recomeçou a tremer quando Hyuuga Hiashi, o patriarca do Clã Hyuuga, o mais respeitado Clã da Vila da Folha, ajoelhou-se perante sua primogênita – aquela considerada fraca e imprestável até aquele momento – e recostou a testa do chão, o maior sinal de submissão, humilhação e respeito que alguém poderia oferecer.

- Quero pedir perdão por todos esses anos em que te rejeitei como minha filha...

- Otou-san! – Hinata exclamou exasperada, agarrando as mãos do pai para impedi-lo de continuar naquela posição, mas ele não se moveu. Lágrimas de alegria e tristeza vieram a seus olhos. Alegria por ele finalmente reconhece-la e tristeza por ter demorado tanto.

- E dizer... – ele continuou, ignorando-a – Dizer que eu sinto muito orgulho de você.

As lágrimas tornaram-se impossíveis de controlar, tanto para Hinata quanto para Hiashi.


Levantou a cabeça. Tinha ouvido algo na porta. Deixou os joelhos, antes flexionados, caírem, e esticou as pernas doloridas. Sua barriga roncou e lembrou-se que não comia desde a noite anterior, antes de ir deitar-se em sua tenda no acampamento de Masaru Ren. O sol não tinha mudado muito de posição, mas parecia que ela tinha ficado daquele jeito por horas. Esfregou os olhos com as costas das mãos. Lembrara-se de tudo com frieza e não derrubou nenhuma lágrima. Já bastavam aquelas que trocara com o pai. Respirou fundo e levantou-se. Tinha uma guerra prestes a acontecer lá fora e ela cochilando por qualquer motivo. Podia ter passado a noite toda correndo, mas ainda tinha coisas para fazer, não podia fraquejar.

- Vamos, Hinata, força! – sussurrou a si mesma.

- Nee-san? – a pergunta veio de uma voz detrás de sua porta e não esperou resposta. Um segundo depois a porta foi empurrada e Hanabi entrou no quarto correndo até a irmã e abraçando-a pela cintura – Hinata-nee-san! – levantou os olhos e deixou suas sobrancelhas se franzirem antes de mudar o tom de voz para algo mais sério e um pouco magoado – Por que saiu em missão sem me avisar? E ainda com aquele loiro abestalhado!

- Hanabi! – Hinata ralhou levemente com um sorriso por ver a garota bem. Hanabi não gostava de Naruto por vários motivos: ser tão bobão para um ninja, ter quebrado e pisado no coração de sua irmã mais velha, gritar para todo mundo aquele sonho tolo de se tornar Hokage, por mais que ele estivesse mesmo a um passo de consegui-lo, mas Hinata achava que a verdade é que a menor admirava a determinação de Naruto em segredo por pequenos indícios que Hanabi já lhe dera, especialmente ao comparar seu colega de time, Konohamaru, ao loiro – Não diga isso de Naruto-kun. E eu não te avisei porque você estava em missão.

Passou a mão pelo rosto da menor e alisou seus cabelos chocolate. Sentia-se uma estranha naquela família. Hanabi, Neji, seu pai... Todos eram tão parecidos, com cabelos castanhos e as feições sérias e as incríveis habilidades de luta. Sentia-se feliz por parecer com a mãe, mas naquele meio, naquela pequena união que excluía os demais membros do Clã Hyuuga, se não fossem os olhos, ela não pertenceria àquela família.

- E por que não me contou que é uma ANBU?

Voltou imediatamente de suas divagações. Arregalou um pouco os olhos, mas lembrou-se que eles tinham descoberto por causa do desentendimento entre Hiashi e Tsunade. E contaram a Hanabi, também. Mas o que mais a menina saberia? Será que o pai contara-lhe sobre a mãe e a proposta indecente de Masaru Ren? Será que lhe contara sobre o que se tratava a missão de Hinata?

- Desculpe, imouto.

- Não! – Hanabi afastou-se um passo, olhando duramente para Hinata – Eu sei as responsabilidades que eu ninja ANBU tem, por isso você devia ter me contado... E devia ter contado ao otou-san bem antes, assim ele teria...

- O quê? – perguntou Hinata sentindo-se aborrecida sem aparentá-lo, a voz não se elevou uma nota. Apenas afastou os olhos do contato da irmã e fechou os punhos – Ele teria me reconhecido antes, deixado de me tratar como escória... Teria orgulho de mim?

Hanabi não respondeu, por mais que quisesse gritar que sim, que ele faria tudo aquilo se soubesse. Só esperou Hinata continuar.

- Eu não fiquei mais forte e entrei na ANBU para isso, Hanabi-chan – a postura de Hinata abandonou a tensão dos músculos e seus olhos perolados voltaram a brilhar sobre os da irmã. Ela abriu um sorriso e tocou a bochecha de Hanabi – Fiz isso para proteger as pessoas preciosas para mim.

- Nee-san... Otou-san diz que esses sentimentos são fraquezas – respondeu Hanabi, mas não recusou o carinho – Não sentir é parte do código ninja.

- Sim, por isso, já há algum tempo, eu deixei de ouvir os conselhos e as grosserias de otou-san – o sorriso da maior se alargou – Porque esse é o meu jeito ninja.

Hanabi também sorriu. Menos, mas sorriu. Desde pequena, quando o pai a treinava com afinco e ignorava sua onee-san, que ela aprendera a admirar a persistência de Hinata. Por mais que ele dissesse-lhe palavras duras, que fariam qualquer um ficar desacreditado e desistir, a mais velha jamais fizera isso. Palavras são armas poderosas, porque não há escudo contra elas, nem contra-ataque que as impeça de chegarem aos ouvidos e nem qualquer tipo de jutsu de substituição. As palavras que o pai delas usava para ferir Hinata eram fortes, eram coisas que poderiam ser ditas por um professor para que ela treinasse mais duramente ou por um mestre que realmente a quisesse fazer desistir para treinar sua coragem e perseverança, mas ter que ouvi-las vindo de seu próprio pai foi algo que fez Hinata sofrer muito. E mesmo assim, a kunoichi apenas continuou se erguendo e lutando, correndo por mais que suas pernas dissessem para parar, treinando por mais que o pai dissesse que ela nunca seria uma Hyuuga digna. Uma teimosia para se admirar. Palavras tão afiadas para um coração de papel, palavras que não fizeram Hinata se fechar e endurecer e se tornar forte e distante, mas que a fizeram ainda mais doce e sensível para o que estava a sua volta.


Quente. O quarto fervia. O apartamento de Naruto estava completamente fechado quando chegaram e nem se preocuparam com isso, apenas em esbarrar no menor número de objetos possível e chegar ao quarto sem que seus lábios e corpos de separassem. E conseguiram. Derrubaram a mesa, o que não poderia ser classificado como missão inteiramente completa, mas conseguiram.

E assim como o quarto, o corpo de Sakura estava fervendo. Em cada lugar que Naruto a tocava, fosse com as mãos ou fosse com a boca, ardia tanto como se ele tivesse na pele e na saliva algum veneno urticante. O mais delicioso é que a rósea, finalmente, deixava-o toca-la e podia tocar de volta. Sentir todos os músculos bem definidos de Naruto sob seus dedos, a curva das costas largas e morenas, o roçar dos pêlos loiros quase imperceptíveis de suas pernas e daquele caminhozinho logo abaixo do umbigo descendo para as intimidades, a maciez da pele dos ombros, braços, peito, abdômen e mais abaixo. Ao estar com ele, seu corpo lhe dizia que esperara demais. Não sua mente racional, mas seu subconsciente primitivo e guiado pelos instintos que vinham à tona entre as quatro paredes de lava que o quarto de Naruto se tornara.

Quente. Beijos. Quente. Toques. Quente. Suor. Quente. Cabelos molhados, cabelos bagunçados, cabelos puxados. Quente. Gemidos. Quente. Gritos. Quente. Pele marcada por mordidas, lambidas, chupões. Quente. Ah, eles iriam mostrar a todos que, agora, pertenciam um ao outro! Quente. Ereção. Quente. Lubrificação. Quente. Mais quente. Mais rápido. Mais forte.

- Na-naruto... – gemeu Sakura sentindo a fricção dele sobre si ficar mais intensa, mas ainda faltava um pouco. Arqueou o corpo e sua respiração ficou pela metade. Os músculos de suas coxas se retesaram e apertaram o quadril do loiro. O lugar em que ele lhe tocava dentro, bem ali, era o ponto perfeito – Mais... Forte, Naruto!

- Sakura... – queria beijá-la mais, mas estava tão concentrado em sentir que não se lembrou disso. Estava tão bom, úmido e apertado.

Quente. Seus corpos, seus corações.


O Clã Hyuuga estava em polvorosa. Os velhos, as mulheres que não eram ninjas e as crianças que ainda não podiam lutar estavam sendo removidas com o restante da população para o centro da cidade. O restante do Clã estava correndo de um lado para o outro, pegando armas, roupas, trocando ordens. Vários dos ninjas já estavam saindo, rumando para suas posições. Ficaram para trás apenas aqueles poucos que iria compor a frente de batalha de Masaru Ren.

Hinata deixou a máscara sobre a cama. Trocara de blusa colocando a parte de cima de um quimono branco que encontrara em seu armário que era comprido o suficiente para disfarçar seu cinto de kunais e usou seu lenço da cintura como obi. Precisava disfarçar a tatuagem ANBU e evitar que mais pessoas soubessem de sua identidade. Retirara as compridas luvas por um par menor, com placas de metal nas costas das mãos. Voltou o cabelo para o coque desajeitado e seguiu Neji, que a estava esperando na porta do quarto, pelos corredores da mansão, mantendo sempre uma distância de dois passos atrás do primo. Não queria ser pega de surpresa por algum ato impulsivo dele. Chegaram ao dojo e colocaram-se em fila, sentados ao lado de outros onze Hyuugas. Hiashi estava à frente, com Hanabi ao seu lado. Quando viu a irmã mais nova ali, Hinata ficou apreensiva sobre o destino que o pai prepara para ela, mas depois pensou que era injusto. Se Hanabi sabia da verdade sobre Masaru Ren e sobre Hikari, então era mais do que certo a menina estar ali, sendo já uma chunnin e uma ótima ninja, não tinha porque ela ficar para trás. Mas, de qualquer forma, Hanabi também era uma ninja sob as ordens de Tsunade e uma Hyuuga habilidosa, sua obrigação era lutar e defender seu lar.

O patriarca explicou ao seleto grupo o que iriam fazer. Eles seriam a primeira frente de batalha do flanco norte, com mais ninjas de elite protegendo a retaguarda, já que o flanco de Ren era o que possuía maior número de shinobis. O objetivo dos ninjas de elite do Clã Hyuuga era atacar sem piedade, derrubar o maior número de inimigos possível e, em hipótese alguma, morrer. Eles deveriam fazer de tudo para atacar e matar Masaru Ren. Quanto a Uchiha Sasuke, não precisavam se preocupar. Ele iria interpretar um ninja inimigo e os atacaria, mas não era para feri-lo. O alvo, Hiashi repetiu com firmeza, era o mentor daquilo tudo, o senhor feudal desgraçado.


- A Vila da Folha não será um lugar fácil de derrubar – explicava Sasuke enquanto eles andavam. Fazia tempo que tinha abandonado seu cavalo e agora os seguia a pé. Aquela posição de pernas abertas o estava deixando profundamente desconfortável e dolorido – Eles tiveram tempo de se preparar porque, pelo que eu pude notar, seus guerreiros não são nada discretos.

- Acontece que nem todos os meus guerreiros são ninjas, Uchiha – respondeu Ren, seco, sem se virar.

O Uchiha quis sorrir, mas não o fez. Ele estava de mau humor por causa de ser rejeitado ou pelo nariz quebrado? Ou pelos dois? E ainda tinha a verdade iminente – porém secreta – da derrota. Se tudo corresse como Sasuke esperava – e seu jeito metódico impedia que qualquer coisa desse errado –, ele mesmo mataria Ren, arrancando-lhe o coração depois de enfiar-lhe no peito um Chidori certeiro e atravessaria com certo prazer Kusanagi por seu pescoço, entre as vértebras de sua espinha, apenas para garantir.

Ah, odiava que as pessoas tocassem o que era seu!

E Masaru Ren ousara tocar em algo que se tornara instantaneamente precioso para Sasuke. Às vezes até parecia mentira e o Uchiha se pegava pensando que aquilo não tinha realmente acontecido, mas bastava se lembrar... Primeiro daquela noite na cascata, as chibatadas, depois daquele primeiro beijo impensado na varanda da mansão feudal e o dia da venda e do medo – real medo – que sentiu ao pensar que Hinata seria de qualquer outro que tivesse mais dinheiro que si. Aquelas peças de ouro... Levara-as para uma situação de emergência e aquela fora uma situação de emergência. Depois de sua família ter sido dizimada, cruelmente assassinada por seu irmão inocente, que só queria proteger a Vila e a paz, não ficara mais pensando em amor, família, alguém com quem se dividir. Só que não podia controlar tudo. Foi por não pensar mais nisso que justamente lhe aconteceu de se apaixonar – e demorara mais do que devia para admitir – por Hyuuga Hinata. Diferente do amor fraterno que sentia por Naruto e Sakura e do profundo respeito que prevaleceria para sempre por Kakashi, com Hinata o amor era outro, bem diferente. É o amor que não é possível nomear, que é a sinestesia de todos os sentimentos, bons ou ruins, e que não é possível definir antes de sentir. E, ousava dizer, nem depois.

- Devo avisá-lo, Uchiha-san – disse Ren, altivo em seu corcel, mesmo com o nariz quebrado e o orgulho visivelmente ferido, como um peso extra sobre sua sela – Há um Clã na Vila Oculta da Folha chamado Hyuuga, creio que você o conheça.

Sasuke não esboçou reação, coisa com que já tinha prática. Se o fizesse o mais minimamente que fosse, Ren podia perceber alguma coisa.

- Eles possuem olhos absolutamente belos e mortíferos, tão bons quanto o seu precioso Sharingan – Masaru sabia que Sasuke, como um Uchiha e ex-morador da Folha, já devia saber de tudo aquilo e, com certeza, conhecia os Hyuuga, mas queria estender o diálogo para infernizar um pouco com o moreno – Acredito que esse Clã será especialmente ofensivo com o nosso flanco, já que meu feudo e o Clã Hyuuga possuem históricas desavenças, uma bobagem sobre a esposa de Hyuuga Hiashi, portanto... – e ao finalizar, o cavalo de Masaru parou e seus olhos aquosos brilharam com ódio e malícia – Eu quero que você esmague Hyuuga Hiashi!

Olhos belos e mortíferos, olhos que qualquer pessoa que conheça o Clã Hyuuga pode reconhecer. Masaru Ren sabia quem Hinata era, sabia que ela era uma Hyuuga, e queria que o Uchiha matasse Hyuuga Hiashi, o patriarca do Clã. Será que Ren sabia que Hinata era filha dele? O lorde tinha conhecimento sobre gueixas, essa era a especialidade do seu feudo, então Sasuke calculava que ele sabia sobre as gueixas do Clã Hyuuga, mas saberia ele que Hinata não era uma verdadeira gueixa, mas uma kunoichi? Ou ele pensara que ela era apenas uma gueixa fugida? E que recursos Masaru Ren poderia usar para atingir Hiashi além de usar o Uchiha? Se descobrisse que Hinata era filha de Hiashi, o que poderia Ren fazer?

Só havia uma coisa que Uchiha Sasuke odiava mais do que pessoas tocando em seus pertences: dúvidas.


Todos na Vila estavam em alerta máximo. Enquanto inúmeros ninjas executavam suas funções, os ninjas do Clã Hyuuga, a elite, marchavam até a linha de frente. Já estavam às portas da Vila da Folha.

- HINATA-CHAN! – a morena virou-se imediatamente. Kiba corria em sua direção ladeado por Akamaru. Mais atrás vinha Shino em passo calmo.

- Kiba-kun... – sussurrou Hinata para si mesma e Neji voltou seus olhos para a prima. Ela mordiscou os lábios antes de se voltar para o mais velho – Neji-nii-san, eu alcanço vocês daqui a pouco.

Ela deixou o grupo sob o olhar de seu pai e seu primo. Neji voltou a andar de maneira receosa, ficando um pouco para trás do restante dos Hyuuga. Aburame Shino e Inuzuka Kiba. Os companheiros de time da prima sempre tinham sido grandes dores de cabeça para Hyuuga Neji. Por que eles tinham que ficar tanto tempo juntos? Por que Kiba ficava o tempo todo perto de Hinata? Por que ela conseguia fazer o Aburame se tornar tão falante de um momento para o outro? E o que mais irritava Neji é que ele não podia lutar contra a sincera preocupação que os dois demonstravam por Hinata-sama.

- Quando você chegou, Hinata-chan? – perguntou o rapaz depois de mandar Akamaru parar de latir e pular de alegria. Shino se aproximava.

- Pela manhã – a garota deu um sorriso. Era bom vê-los de novo.

- Ah, tá todo mundo tão paranóico que a gente nem ficou sabendo! – explicou Kiba colocando os braços para trás da cabeça. O casaco preto levantou-se e Hinata viu o cós da calça e a bainha da blusa de rede do amigo. Levantou os olhos e encontrou os óculos de Shino.

- Olá, Shino-kun – cumprimentou com uma pequena mesura – Por que estão todos paranóicos?

- Por que não? Um maluco de um senhor feudal do norte de repente reúne um exército de ninjas fugidos, mercenários e até camponeses para atacar uma das maiores Vilas Ninja – responde Kiba – Não tem como a gente saber o que esperar sobre as técnicas deles ou coisas do tipo, então todo mundo tem que ficar atento a tudo e isso deixa a gente meio tenso e paranóico. Parece até que esses ninjas saltaram todos do Bingo Book(1).

Kiba terminou seu monólogo e o silêncio pairou entre eles por alguns minutos. Hinata torceu as mãos, sem saber exatamente como agir. Só havia verdade nas palavras de Kiba. Por mais que Hinata tivesse passado todo aquele tempo no feudo de Ren e ainda mais tempo junto do senhor feudal, ela nunca percebera manifestações ofensivas por parte do lorde ou de seus guardas. Ela simplesmente não fazia idéia que tipos de técnicas os guardas de Masaru Ren possuíam; nem ao menos sabia se o próprio Masaru Ren tinha alguma técnica ninja. Como não usara sua linhagem perto dele – por mais que agora soubesse que ele conhecia o Byakugan –, não podia dizer nada sobre seu chakra, sobre o tipo de fluxo, sobre o elemento que ele dominava. Não podia nem dizer se ele tinha chakra. E ela abandonara – ou fugira, como pensava Ren – do acampamento muito antes de ver o exército do flanco norte para reconhecer qualquer ninja que fosse.

- Eu e o Shino fomos designados para o flanco oeste – explicou Kiba dando uma olhada por cima do ombro de Hinata para os Hyuuga se movimentando em direção a clareira ao norte da Vila, dois quilômetros depois dos portões, alinhados em um retângulo perfeito, como elfos magníficos e misteriosos de contos antigos.

- Por que a elite dos Hyuuga está se dirigindo ao flanco norte, Hinata? – perguntou Shino fazendo a observação que Kiba estava prestes a fazer.

A morena olhou para trás por um momento. Ao longe, Neji tinha parado e olhava para trás, esperando pela prima. Hanabi vinha correndo ao encontro do primo e parou ao lado dele esperando a irmã. A Hyuuga suspirou por um momento antes de voltar-se para os amigos de longos anos e companheiros de equipe.

- Você não vai se juntar a nós no flanco oeste? Nós somos um time, Hinata-chan! – gritou Kiba.

Era verdade, eles eram um time, mas já havia algum tempo que o Time 8 apenas treinava junto, sem missões para executar. Quando as missões apareciam, eram individuais ou para que um deles executasse a missão com outro time, mas os três insistiam em permanecerem juntos. Era muito doloroso enfrentar a realidade de que eles não poderiam ser companheiros inseparáveis para sempre, como tinham acreditado no princípio, quando Kiba ainda era todo arrogante e barulhento, Shino indiferente e sério e Hinata uma garotinha tímida e fraca. E ficara a cargo de Hinata, a única que eles acreditavam que defenderia com todas as suas forças até o último segundo a manutenção do Time 8 unido, dizer que estava indo embora.

A garota segurou a manga larga de seu quimono e baixou os olhos para o chão, não queria chorar. Arregaçou o pano até o ombro para mostrar aos rapazes a tatuagem negra da marca dos ninjas de elite ANBU. Informação confidencial, não é? Pro inferno com o sigilo de seu cargo, precisava provar aos amigos que tinha um bom motivo para dizer adeus ao Time 8, se é que existe qualquer bom motivo para se dizer adeus alguma vez.

- Desculpe ter escondido de vocês – ela disse baixando novamente a manga do casaco.

- É, eu e Shino ficamos nos perguntando quando você finalmente iria nos contar.

Os olhos de Hinata se arregalaram e ela finalmente levantou-se para fitar o sorriso largo de Kiba. Shino ajeitou os óculos quando o olhar perolado passou para ele.

- Vo-vocês...

- Claro que a gente sabia! – exclamou o Inuzuka, acompanhado de um latido de Akamaru.

- Reconhecemos você vestida de ANBU naquela missão Rank-S no País da Terra – explicou Shino. O grande cão branco ao lado deles deu um latido indignado – Akamaru, é claro, te reconheceu pelo cheiro.

A morena Hyuuga lembrava-se daquela missão. Ela ficara extramente tensa por dois principais motivos: o primeiro é que seus companheiros de time estavam presentes e podiam reconhecê-la a qualquer momento, como agora eles revelavam que tinha realmente acontecido, e o segundo por ser sua primeira missão como líder de um time, especialmente como líder de um time de ninjas de elite.

- Nee-san, vamos logo! – gritou Hanabi e Hinata olhou por cima do ombro para vê-la agitada e Neji, que parecia impaciente. Os outros Hyuuga já nem podiam mais ser avistados.

- Tenho que ir – a morena fez uma pequena mesura.

- O Clã Hyuuga tem algum tipo de desavença particular com esse lorde feudal? – perguntou Shino, deixando os óculos escorregarem um pouco sobre o nariz para fitar Hinata diretamente com seus olhos castanhos. Ele sabia que ao fazer isso Hinata tornava-se completamente sincera e não conseguia esconder-lhe qualquer coisa.

- Contas antigas a serem acertadas – respondeu a kunoichi com os olhos baixos – E alguns juros adicionados recentemente.

A morena curvou-se outra vez antes que os amigos tivessem tempo de responder. Deu-lhes as costas e correu até seus familiares desejando que aqueles que deixara para trás não se machucassem ou coisa pior em batalha e ouviu um último latido de Akamaru. Contas antigas... E ela seria a cobradora. Pela primeira vez em sua vida, não tinha medo do que seus poderes pudessem causar em batalha, porque estava decidida a usar tudo o que tinha para matar Masaru Ren pela humilhação que causara a sua mãe e a ela, pelo medo e insegurança que afligia a Vila, por fazer Sasuke fingir virar as costas a Vila novamente e, principalmente, porque queria ver seu sangue sujo escorrendo e a vida fugir correndo de seus olhos verdes e aquosos.


A Vila Oculta da Folha reinava em silêncio. Não havia mais pessoas circulando pelas ruas, fora os ninjas prostrados estrategicamente sobre os telhados, todas as outras estavam confinadas nos prédios do centro, que incluíam o hospital, para onde Sakura fora designada junto com Shizune e Ino e mais alguns outros nin-médicos. Proteger os civis e prestar toda assistência médica necessária, para isso Tsunade invocara Katsuyo e o dividira entre os ninjas médicos e os capitães das equipes de campo. Naquele momento, havia uma lesma azul e branca no ombro de Naruto.

- Quero que você vá ao flanco sul, Naruto – disse Tsunade já esperando a reação exagerada que se seguiria.

- Sul, 'ttebayo? Mas os ninjas ficarão concentrados no flanco norte, de onde Sasuke está vindo – protestou o loiro, porém seu tom de voz não se alterou. A Hokage não respondeu, ela avistara um peculiar brilho perspicaz nos olhos azuis – Espere, você quer dizer que também haverá ninjas no flanco sul?

- Haverá ninjas em todos os flancos, pela informação que Sai conseguiu – o sorriso da loira era largo pela percepção de Naruto a detalhes ter melhorado tanto – Poucos, mas habilidosos. O que tememos é que haja ninjas especialistas em invocações no flanco sul, por isso, Naruto, você é o único capaz de proteger esse flanco vulnerável.

O único capaz. Não. Tinha certeza que Sasuke também o seria, caso estivesse ali. De certa forma, queria que o moreno estivesse ali. Desde que ele fora trazido de volta, os dois amigos não tinham feito muitas missões juntos, apesar de seu trabalho em equipe ser espantosamente sincronizado. Mas Sasuke tinha uma missão mais importante para cumprir durante aquela batalha, se é que o orgulho do Uchiha e da primogênita dos Hyuuga não se chocasse no momento crucial. Sabia como Sasuke poderia ser extremamente mal educado para defender as coisas preciosas para si e podia apostar que ele não deixaria o sangue sujo de Masaru encostar-se a Hinata. Porém Hinata era determinada e ela poderia querer acabar com aquilo com as próprias mãos.

Balançou a cabeça. Tudo ficaria bem, não importava quem desse o golpe final. Deu um olhar instintivo para o hospital da Vila e pensou em Sakura. Agachou-se e tocou a pedra crua do topo da cabeça de seu pai no Monumento dos Hokages e pode sentir uma vibração longínqua, mas que se aproximava em marcha. Abriu os olhos e eles estavam circundados de laranja com as íris amarelas e as pupilas retangulares. Com seus sentidos aguçados pelo modo Sennin, a marcha ficou mais audível e, ao longe, na direção norte, ele avistou os Hyuuga na clareira, mais uma frota de ninjas há um quilometro atrás deles, na retaguarda. No sentido norte-sul, o exército de Masaru Ren se aproximava.


Ao ver uma guerra, ao participar de uma guerra, é como ver todas as outras guerras. Talvez algumas armas mudem, talvez algumas pessoas mudem, algumas habilidades, mas sempre haverá certos itens obrigatórios que, se não estivessem ali, não seria uma guerra de verdade. Haverá exércitos inimigos lutando por seus ideais, haverá aqueles que atacarão e aqueles que protegerão. Haverá aqueles que estarão tão assustados que não conseguirão se mover, aqueles que estarão tão agitados que se moverão demais e, provavelmente, irão fazer alguma bobagem. Haverão os treinados e perfeitamente equilibrados. Haverá gritos, dor, sofrimento, tristeza, angústia, ansiedade e todos os sentimentos que puderem ser sentidos em um espaço de tempo tão longo e tão curto entre uma investida e outra. Haverá luta, haverá sangue e, principalmente, haverá morte.

O exército de Masaru Ren que atacaria pelo flanco norte tinha se reunido pouco antes deles chegarem à entrada da Vila. Os outros exércitos posicionados nos demais flancos estavam autorizados a atacar a Vila com todas as forças, sem misericórdia, assim que o sol alcançasse a marca do horizonte e isso não iria demorar muito. Os homens do flanco norte pararam a alguma distância da linha de frente formada exclusivamente por uns poucos Hyuuga parados lado a lado. O sorriso do lorde feudal cortara-lhe o rosto de orelha a orelha quando viu a cena, com Hiashi no meio encarando-o diretamente. Oh, e logo ali ao lado estava a doce e meiga Hinata-chan. Então ela também era uma kunoichi além de ser uma gueixa; aparentemente herdara as habilidades de ambos os pais. Ela era demasiado parecida com Hyuuga Hikari para não notar o parentesco. Tinha que confessar que vê-la ali no meio, com aquela postura de guerreira e aquele olhar de sobrancelhas franzidas em seus olhos tão bonitos o excitava um pouco. Não adiantava ser apenas delicada e submissa, também tinha que saber se impor e Masaru Ren apreciava isso. Iria garantir que Hinata não se machucasse, pois ainda a queria em sua cama. Aquele era um item raro demais para faltar em sua coleção.

Masaru e os outros guardas que os acompanharam até ali eram os únicos montados em cavalos e, mesmo assim, o senhor feudal desceu do seu e entregou-o a um de seus subordinados que montou o corcel. Colocou-se ao lado de Sasuke que tinha os braços cruzados e os olhos fechados. Não havia som no campo de batalha. As pessoas não falavam, gritaram ou sequer murmuravam. Os pássaros e outros animais por perto tinham fugido ao sentirem o perigo de muitos passos marchando de encontro ao inevitável que Masaru Ren criara. Parados frente a frente, em linha, com apenas alguns metros de distância a separá-los, estavam os dois exércitos se encarando, cada um esperando o adversário fazer algum movimento. O sol vinha caindo, tingindo tudo com o malva-rosa do crepúsculo, o oeste nos seus tons rosa-laranja-roxo e o leste escurecendo em azul e pintando-se de estrelas.

- Hinata-sama – chamou Neji. Hinata voltou-se para ele para ter certeza que a boca do primo movia-se de tão baixo que ele falava.

- Sim, nii-san?

- Você já se expôs demais a Masaru Ren durante essa missão, mesmo que não tenho ido até lá sozinha. Eu confio nas suas habilidades, mas... – o mais velho voltou-se para a prima e inclinou-se colocando seus lábios muito perto da orelha de Hinata que, com a aproximação do primo, assustou-se e voltou os olhos para o chão, as mãos juntando-se para apertar os dedos. Os cabelos de Neji fizeram cócegas sem sua bochecha – Por favor, não queira fazer nenhuma bobagem. Eu pessoalmente pretendo mata-lo e vingar Hikari-sama.

Naquele momento, se Hinata tivesse um demônio em seu corpo, tinha certeza que já o teria libertado, tamanha a raiva que estava sentindo pelas palavras de Neji. Como ele ousava lhe dizer aquilo? Como ela ainda parecia tão fraca para ele? Levantou os olhos perolados. Lá do outro lado podia ver Sasuke e se ele soubesse o quão bem vê-lo fazia para ela, ficaria ainda mais cheio de si. Os olhos fechados, o cabelo caído sobre os olhos do jeito que ela gostava de poder tirar da frente.

Ele, Uchiha Sasuke, confiava nela, não confiava?

Agarrou Neji pelo colarinho do quimono branco antes que ele pudesse se afastar. Viu os olhos do primo se arregalar de surpresa e até mesmo Hanabi ali ao lado olhou para a irmã, espantada. Cravou seus olhos nos do primo profundamente para fazê-lo entender bem o sentimento presente nos seus próprios.

- Por favor, Neji-nii-san – chamou-o de forma educada e respeitosa, mas esses sentimentos não estavam presentes de verdade em suas palavras e nem em seus olhos. Ali só tinha raiva, desgosto e desejo de vingança – Não ouse se colocar no meu caminho até Masaru Ren, do contrário eu não o perdoarei e nem pouparei.

Ao soltar Neji, virou-se de novo para frente. A maioria dos Hyuuga que estava perto dos dois tinham ouvido as palavras de Hinata, que não se preocupou em falar baixo, e a olhavam como se não acreditassem nas palavras da primogênita de Hiashi. Do outro lado, um sorriso riscado apareceu nos lábios do Uchiha e ele finalmente descruzou os braços, a mão direita seguiu para segurar o cabo de Kusanagi e seus olhos pousaram em um par muito conhecido de perolados.

O lorde feudal ao lado de Sasuke, ao perceber a movimentação do moreno, deu um passo à frente. Vários Hyuuga e vários inimigos colocaram-se em posição de ataque. Ren sorriu largamente e abriu os braços antes de fazer uma reverência cortês.

- Há quanto tempo, Hiashi-sama! – disse alto o suficiente para fazer ouvir-se no silêncio do campo.

- Não tem vergonha de voltar aqui para morrer, Ren? – devolveu Hiashi calmamente.

- Morrer? Oh, eu acho que não! Só vim fazer uma visita a velhos amigos – ele fez uma pausa e voltou os olhos para Hinata que estreitou os seus para ele – Pude desfrutar de ótimos momentos da companhia de sua Hinata enquanto ela estava infiltrada como gueixa em meu feudo, aliás... – Hiashi bufou e Neji se remexeu, inquieto. Hinata precisou colocar uma mão no ombro de Hanabi para impedi-la de avançar – Apesar de ter sido Uchiha-san quem lhe comprou a pureza.

- O quê? – Hiashi, Neji e Hanabi perguntaram em uníssono.

- Oh, não me diga que Hinata-chan não lhe contou? – Ren fez-se de desentendido e riu com gosto.

Hiashi olhou para Hinata, mas não ouve nem um mísero piscar de olhos por parte da kunoichi, apesar da vermelhidão incontrolável que tingiu as bochechas da morena. Não era momento para aquilo, não havia tempo para perder com detalhes sobre sua vida sexual. Olhava para frente, diretamente para olhos negros que a encaravam de volta e ambos diziam a mesma coisa: eu vou matá-lo.

- Conte-nos, Uchiha-san, como foi deitar-se com a herdeira do Clã mais antigo e poderoso da Vila da Folha?

- Se continuar falando, Ren, eu vou ser obrigado a arrancar sua língua e acabar com você antes de continuar com isso – os olhos ônix brilharam vermelhos quando voltaram-se para o lorde – E o seu exército vai simplesmente dissipar-se sem um comandante.

- Ora, Uchiha-san, estou só tentando quebrar um pouco dessa tensão.

- Cale-se – finalizou Sasuke.

Ren riu de lado. Uchiha Sasuke era praticamente inabalável, não se afetava em nada ao ser questionado sobre suas habilidades, ao comentarem sua deserção da Vila e como ele se sentia por ser o assassino de seu irmão mais velho inocente. Nada disso fazia o último possuidor do olho amaldiçoado nem mesmo piscar. Ele só parecia ganhar vida quando àquela Hyuuga estava envolvida na conversa. Até o Sharingan era usado para impedir que o nome de Hinata fosse pronunciado.

- Muito bem – Ren sorriu e encarou o sol que acabava de tangenciar a linha do horizonte – Senhores, vamos destruir a Vila da Folha e, com ela, o Clã Hyuuga.


Havia explosões por toda a parte. Assim que Masaru Ren acabou de falar, a guerra explodiu – literalmente – com Naruto invocando três sapos gigantes para cima da montanha do Monumento dos Hokages para lutar contra um urso invocado por um ninja inimigo do flanco sul. No flanco leste era possível ver Sai sobrevoando o local invocando milhares de seus monstros de tinta, tanto leões quanto águias. O Clã Inuzuka estava no flanco oeste, notável pelos redemoinhos de seu jutsu. Ao norte, o Clã Hyuuga atacava sem piedade, matando ninjas e desacordando aqueles guerreiros que não eram guerreiros – todos os ferreiros, carpinteiros, açougueiros, lavradores.

Hinata corria e derrubava inimigos. A cada vez que derrotava um e pensava poder finalmente atacar Ren, outro se colocava a sua frente, um pouco mais habilidoso que o anterior. Estava com a bochecha sangrando por ter sido atacada por um shinobi realmente dominador de taijutsu, junto de um hematoma arroxeado na lateral de seu abdômen e tinha uma queimadura leve em sua coxa, mas nada preocupante para uma ninja de elite ANBU. No meio daquela confusão, focada como estava em esmagar a cabeça daquela aranha, não tinha tempo para procurar por seus parentes para saber se eles estavam bem. Neji provavelmente estava protegendo Hanabi e ficando fora de seu caminho, coisa que ela agradecia. Avistara Sasuke umas duas vezes derrubando inimigos discretamente enquanto lutava com seu pai e Hiashi parecia não estar facilitando, por mais que aquilo devesse ser apenas um teatrinho para enganar Ren. Talvez aquela não tivesse sido à hora certa para o patriarca dos Hyuuga saber sobre seu envolvimento com o Uchiha. Arrancar a língua de Masaru antes de matá-lo fora um pequeno detalhe adicionado a sua lista, um detalhe que talvez não passasse antes por sua cabeça e, por tal, culpava a influência de Sasuke.

- Oito Trigramas, Palma Aérea(2)! – grita Hinata ao fazer os selos e atira a rajada de vento super-rápida, tão rápida quanto à velocidade do som, sobre o ninja que se aproximava fazendo selos para um jutsu de terra.

O ninja foi atirado para trás, mas Hinata não ficou olhando para ver aonde ele iria cair ou bater, porque alguém atirou bombas de fumaça no local e tudo escureceu dentro da espessa fumaça roxa. Odiava quando alguém atirava essas bombas, o Byakugan não é o mesmo dentro de qualquer espécie de neblina, mas ela ouviu alguém gritar "Kaiten!" com o intuito de usar o jutsu para dissipar o nevoeiro.

- Não grite – o sussurro chegou ao seu ouvido logo depois de ter desviado de uma kunai que teria acertado seu olho esquerdo. Ela reconheceu a voz imediatamente, assim como as ondas elétricas que percorreram seu corpo quando uma mão circundou sua cintura com força, fazendo-a trincar os dentes por causa do hematoma sobre suas costelas, e ela foi levada para dentro da floresta, para cima de uma árvore frondosa, um pouco afastada da batalha.

- Foi você quem fez aquela cortina de fumaça, Sasuke? – perguntou Hinata finalmente virando-se para encará-lo. Ele nem precisava responder – O que foi?

O moreno olhava para Hinata e não parecia disposto a dizer qualquer coisa. Seus olhos estavam negros, mas ardiam tão intensamente que Hinata precisou olhar duas vezes antes de ver que realmente não havia Sharingan nenhum ativado. Sasuke enfiou Kusanagi na madeira do galho sobre a qual eles estavam e espalmou as mãos no tronco da árvore, na altura dos dois lados da cabeça de Hinata. A kunoichi ficou sem reação por um segundo, como se tivesse esquecido da possessão e impetuosidade que o Uchiha podia demonstrar.

- Sasuke, está tudo be...

Era a segunda vez que ele fazia aquilo e Hinata não podia dizer que estava menos surpresa do que na primeira vez em que ele lhe beijara de repente, bem no meio de uma frase. Havia tanto ímpeto no modo como ele colocou seus lábios sobre os dela que não havia jeito de não retribuir. E havia também a saudades e o desejo de fazê-lo. Deixou as mãos de Sasuke caírem passeando por seus braços, alisando as curvas de seus seios e cintura, antes de descansarem em suas costas, pouco acima de seu quadril. Deixou-o tomar posse de si apenas instigando-o, usando sua linguagem corporal para dizer a ele que tinha pressa, mas que também tinha todo o tempo do mundo. A perna direita de Sasuke colocou-se entre as suas, pressionado sua intimidade e Hinata sentiu-se tremer com o toque forte na sua área sensível. Comprimiu os seios contra o peito de Sasuke e impulsionou o corpo, chocando sua pélvis a do moreno e sentindo-se realizada ao arrancar dele um gemido abafado. O Uchiha sugou sua língua e seus lábios demoradamente antes de se dar por satisfeito – por hora – e findar o beijo. Ofegantes e sem intenção de soltarem um ao outro, Hinata e Sasuke se encararam.

- "Eu mesmo vou matar Masaru Ren" – disse Sasuke ainda olhando firmemente para Hinata de um jeito que não a deixava desviar os olhos e foi por isso que ele viu o quase inexistente sinal de desagrado que as palavras provocaram nela.

A voz dele a desconcentrava, porque era tão agradável ouvi-la nas raras vezes em que Sasuke falava sem sarcasmo ou ironia, porém as palavras dele deixaram-na atenta:

- Foi isso o que eu primeiro pensei em fazer, mas ele falou sobre uma antiga desavença com o Clã Hyuuga e pelo sentimento ofensivo que eu vi em seus olhos ao encará-lo... – uma risada fungada saiu do Uchiha deixando nos lábios dele um sorriso riscado que constrangeu Hinata. Era tão lindo e sedutor e tornou-se ainda pior quando ele pressionou seu corpo no dela prendendo-a contra a árvore e enterrando seu rosto entre a curva de seu ombro e pescoço, uma mania que Sasuke adquirira, deixando seu lábio molhado roçar ali e provocar arrepios na Hyuuga antes de completar a frase - ...acho melhor não me colocar em seu caminho, já que quero continuar vivo e ao seu lado.

- JUUKEN(3)! – o casal se separou ao ouvir o grito e o repentino fluxo de chakra que veio na direção deles. Sasuke jogou seu corpo para trás, bateu com as mãos no galho e pousou em pé de novo, Kusanagi de volta a suas mãos e o Sharingan ativado.

- O que está fazendo, Hyuuga? – o Uchiha encarou o recém chegado. Com o Byakugan ativado, usufruindo da imunidade natural de sua linhagem a genjutsus(4), Neji encarou-o de volta sem nenhum sinal de arrependimento por ter atacado um aliado.

- Nii-san! – Hinata tentou dar um passo a frente, mas Neji ergueu um braço parando-a.

- Eu não vou te perdoar por ter desonrado minha prima, Uchiha.

- Perdoar? – se Sasuke não fosse Sasuke, ele teria rido – Não há nada a perdoar, Hyuuga. Se não fosse eu tê-la comprado, garanto que Masaru Ren não teria sido tão gentil e perguntado primeiro se era aquilo mesmo que Hinata queria.

- Sasuke!

A garota não queria que Neji se metesse em seus assuntos, mas Sasuke também não precisava provocá-lo daquela maneira. Ah, sentia-se tão estúpida ao ficar parada ali apenas gritando os nomes deles!

- Sua prima já é bem grandinha para fazer suas próprias escolhas, Hyuuga – Sasuke ajeitou suas costas e saiu da posição de ataque, o seu típico tom imperioso e superior fazendo-se presente. Mesmo não gostando da situação, a voz e a postura dele ainda faziam Hinata sentir ondas elétricas por sua pele – E lembre-se bem que ela é somente isto: sua prima.

Quando Neji se aproximara de Hinata para sussurrar-lhe o que quer que tenha sido naquele momento antes de a batalha começar, Sasuke sentiu-se desconfortável o suficiente para querer machucar gravemente Hyuuga Neji. Tinha quase certeza que o gênio do Clã Hyuuga iria querer tirar satisfações com ele por causa das palavras acusatória de Ren. Talvez até Hiashi o fizesse, uma vez que tentara ataca-lo de verdade durante a batalha, mas num momento mais tranqüilo, quando não houvesse um senhor feudal armando camponeses para atacar a Vila.

Parecia que Hinata era a única Hyuuga a quem ele agradava. E, ao pensar bem, já era mais que suficiente.

- Vai ser realmente uma pena ter que explicar a Naruto como o melhor amigo dele morreu em batalha de forma tão trágica – Neji preparou-se para atacar, não tinha saído da posição do Juuken um minuto sequer.

- Hyuuga Neji! – a pronuncia crua de seu nome, desprovido de sufixos, fez o mais velho voltar-se para Hinata.

A garota estava tencionada, seus punhos fechados e tremendo. Até mesmo Sasuke ficou surpreso com a postura tão atípica de força e comando que ela estava demonstrando. Ver Hinata assim não o agradou, especialmente porque ele sabia que não devia agradá-la também ter que usar daquela autoridade indesejada que seu nascimento lhe promoveu. Desativou o Sharingan e esperou.

- Eu agradeço sua preocupação como meu guardião, mas meus assuntos pessoais não são do seu interesse.

- Hinata-sama...

- Por favor – Hinata fechou os olhos. Sasuke soube imediatamente por que – Volte para o campo de batalha e ajude os membros do nosso Clã.

Neji hesitou, porque aquelas palavras o tinham ferido de uma forma que ele não conhecia. Hinata usara de sua autoridade como membro da Família Principal contra ele, para defender Uchiha Sasuke. Não, não era aquilo. O que doía de verdade era a rejeição que sofrera, porque Hinata já tinha escolhido alguém e não fora ele.

Sua prima continuava de olhos fechados quando Neji se ajoelhou e baixou a cabeça:

- Peço perdão por minha petulância, Hinata-sama – e desceu da árvore correndo de volta ao campo de batalha sem esperar resposta.

Sasuke adiantou-se para frente e conseguiu amparar Hinata nos braços antes que ela caísse da árvore. A garota agarrou-se ao moreno apoiando sua testa no peito dele, deixando as lá garota agarrou-se ao moreno apoiando sua testa no peito dele, deixando as le ela canata. atalha de forma ta batalha começar, Sgrimas escorrerem por seus olhos fechados. Poderia até tentar entender pelo que ela estava passando ali, mas não iria. Sempre usara de sua autoridade - tanto a conquistada por seu próprio esforço quanto a que viera junto com seu sangue e Sharingan - sem quaisquer escrúpulos sobre a pessoa a quem estava se dirigindo, se a estava ferindo, magoando. Hinata, porém, que sempre fora tratada como escória, de uma hora para a outra ser reconhecida por seu Clã e usar desse artifício, era algo grande demais para acontecer tão rápido.

- Isso não é motivo para chorar - nunca fora bom com mulheres chorando, nunca sabia o que dizer ou o que fazer. Só desejava que Hinata parasse logo, porque vê-la tão indefesa e não poder fazer nada definitivamente não era um bom sentimento.

- E-eu... - ela tentou começar, mas falhou miseravelmente com uma nova onda de choro tomando sua garganta - Des-desculpe, Sasuke - o Uchiha ficou sem entender - E-eu... Não queria...

Sasuke bufou de impaciência e segurou Hinata pelos ombros, afastando-a de si. No futuro, Hinata poderia contar nos dedos os momentos em que Sasuke demonstrara tanto carinho e compreensão por ela, sentimentos que vieram de brinde quando se apaixonaram, mas ela poderia confiar cegamente que aquele tinha sido o marco para poder falar em voz alta, orgulhosamente, de quando se vira mesmo apaixonada por Uchiha Sasuke.

A mão do shinobi segurou o queixo de Hinata e a obrigou a levantar os olhos. Com o polegar, Sasuke limpou as lágrimas de seu rosto.

- Não há tempo para isso, Hinata - ele começou e ela não poderia definir a voz dele como gentil. Mais tarde, ela perceberia que não era gentileza o que precisava, mas de um forte empurrão - Você ainda tem que terminar a missão. Depois volte e desculpe-se com seu primo, se quiser - e, sem querer, Hinata quis rir do desagrado e ciúme que reconheceu na voz de Sasuke quando ele virou o rosto para não precisar encará-la ao dizer aquilo e, definitivamente, reconhecer que era um possessivo ciumento - Não me importa o que fará sobre isso depois, mas... Volte. Faça o que for necessário e volte para mim.


Já era noite, com nuvens pesadas e escuras juntando-se sobre a Vila Oculta da Folha e arredores, tochas foram acesas pelos guardas mais próximos a Masaru Ren, mantendo sua guarda. O lorde feudal sorria, maravilhado com o espetáculo. Mal via Sasuke, mas o vira derrubando vários Hyuuga. Por fim, os ninjas que estavam mais afastados da clareira precisaram intervir. O Clã Hyuuga podia ser poderoso, mas Ren tinha maior número de homens sob seu comando, como um formigueiro lutando contra um cupinzeiro. Ao longe dava para se ouvir a luta, os sons um pouco abafados de gritos e ataques. Na montanha do Monumento dos Hokages, nuvens e mais nuvens de poeira subiam, era possível ver as invocações de Chiren lutando contra os sapos do Jinchuuriki da Kyuubi. Sorriu largamente, aquela luta não demoraria a acabar.

- Junjou-kun, por favor, acenda uma fogueira, está esfriando muito esta noite - mandou Ren sem se voltar para seu guarda postado atrás de si. Apenas o som de algo caindo e batendo no chão chamou sua atenção - Junjou-kun?

Não foi Junjou que ele viu caído no chão, porque este já estava caído. O guarda ao seu lado caiu aos pés de Uchiha Sasuke enquanto este, com naturalidade e calma, arrancava sua espada sangrenta do meio das entranhas de outro guarda. Os olhos de Ren se arregalaram com a afronta do Uchiha, aquele motim. Olhou em volta esperando que o resto de seus guardas, ao ver aquilo, avançassem sobre o shinobi, porém o resto de seus guardas jazia no chão da mesma forma que aquele. Aquilo não era possível. Mesmo que o Uchiha fosse um ninja temido por todos os países por suas habilidades, ele não seria rápido o bastante para matar todos os seus guardas daquele jeito. Mas a resposta veio deslizando em frente a seus olhos. Como um fantasma belo e terrível, a figura branca de Hinata surgiu ao seu lado, a dança natural de seu corpo muito presente na noite de lua encoberta, o tecido do quimono branco cobrindo seus dedos e ficando muito parecido com o tom levemente mais corado de sua pele visível no pescoço e nas clavículas salientes. Era conhecimento comum que a técnica do Clã Hyuuga era bela e mortal, uma dança que os inimigos tinham o prazer de ver uma única vez, mas em Hinata havia o conhecimento muito antigo da dança ensinada por sua mãe, a dança misteriosa e mágica de um mundo em que poucas pessoas tinham coragem de entrar e menos ainda de sair. Um conhecimento que ficara enrustido em seu corpo sem querer e que lhe conferira a flexibilidade natural para criar seu próprio jutsu como uma variação do estilo do seu Clã.

Vê-la ali, com os olhos inteiramente sobre si, apesar de com uma vontade assassina palpável, provocou em Masaru um desejo terrível de tê-la e um medo avassalador de morrer por aquelas mãos.

- Ren - a voz de Sasuke o despertou levando-o a encontrar os olhos carmim do Uchiha e dar alguns passos para trás, por segurança. Nas mãos o moreno segurava a arca contendo suas duzentas peças de ouro e os pergaminhos com o emblema do leque vermelho e branco - Já que mortos não colecionam nada, peguei os pertences do meu Clã de volta - fechou a arca com um estalo - Adeus.

- Uchiha! - gritou o lorde quando o moreno lhe deu as costas, mas uma figura pálida de olhos perolados se colocou em seu caminho - Hi-hinata-chan...

- Não diga meu nome - ela ordenou. Levantou os braços deixando suas mãos aparecerem pelas mangas do quimono – Ele me foi dado por minha okaa-san e você não tem o direito de dizê-lo.

Ren se afastava enquanto Hinata se aproximava. A kunoichi colocou suas mãos por dentro do obi roxo e retirou um par de leques azuis com desenhos de flores de cerejeira. Estalou-os ao abri e quase imediatamente eles foram recobertos com o brilho azul de seu chakra.

- Não me faça machucá-la, Hinata-chan.

- Tente - ela ameaçou.

Ali, em sua postura, em suas palavras e atos, não havia nada de Hyuuga Hinata. Havia a garota que tivera a honra manchada por aquele homem, havia a garota que o detestava por ter ousado querer desonrar sua mãe, havia o homem a quem queria destruir. Havia a ninja de elite ANBU, a sucessora da liderança do Clã Hyuuga. Não havia gaguejos, bochechas coradas, medo, piedade.

"Há certas coisas que as pessoas não devem tentar machucar. Por exemplo, Hinata-chan, você já viu uma tigresa? Sim? Pois bem, essa tigresa, se tiver filhotes, fará de tudo para protegê-los, não importa se morrerá ao fazê-lo. Sentimentos fortes ocasionam isso. Se um dia alguém tentar machucar alguém por quem você tenha sentimentos fortes, lembre-se dessa felina tão majestosa e os proteja com sua vida, esse será o maior sinal de amor que poderá demonstrar.

- Sim, okaa-san.".

Hyuuga Hinata ficaria bem escondida por trás da máscara branca de lábios vermelhos de sua maquiagem de gueixa enquanto colocava um fim a vida de Masaru Ren.

- Há certas coisas que não devemos tentar machucar - Hinata sussurrou, certa de que ele não tinha ouvido. Baixou sua coluna colocando-se na posição milenar de luta dos Hyuuga - Agora, Ren-sama - cuspiu-lhe o nome com as sobrancelhas se franzindo, fazendo sobra sobre seus olhos - Você verá minha última dança.


(1)Bingo Book: Livro onde estão reunidos ninjas foragidos e criminosos do anime Naruto.

(2)Oito Trigramas, Palma Aérea: Vi que Hinata pode realizar esse ataque através da Wikipédia. Procurem no site para mais informações, caso desejarem.

(3)Juuken: Idem ao item (2).

(3)Imunidade do Byakugan a genjutsus: Idem aos dois itens anteriores, (2) e (3).


Olá!
Sim, eu terminei o capítulo num momento crucial, não me matem, apesar de eu estar certa de que muitos leitores o querem fazer por causa da demora. Mil desculpas. Espero que tenham gostado do capítulo, eu queria deixá-lo o mais detalhado e bem descrito possível, além de intrigante e emocionante, espero ter conseguido! Obrigada a todos que continuam acompanhando esta fic e a todos que me pediram atualizações tão encarecidamente, aqui está. Aproveitem!
Caso algum erro tenha passado despercebido, desculpem-me e, por favor, avisem-me!

AGRADECIMENTOS:

B. Lilac(2), jessica-semnadaprafaze123(2), Hossana(2), Gabriela, Pisck(2), Manda .Usagi-ch(2)i, Elara-chan, Luciana Fernandes, Hana-Lis, Ariii, Lust Lotu's, gabi, Skadi D, Katy, annaakeelly, Pink Ringo, Guih, Samantha Moon s2, Aquimi chan, gesy, hinahinaaaa, Bela F., K-Pearl, Érika, DarkHina-Chan, Luna(2), Yuuki ai, Roh Matheus, Bianca Silva(2), Arishima Niina e Srta. Truglia.

!BÔNUS!
Presentinho para vocês:
Ganha uma oneshot quem mandar a maior review neste capítulo.
Participa quem quiser, é claro, isso aqui é só um charminho meu.

OBRIGADA POR LEREM!
Beijos, Tilim! :)